Liturgia Diária
5 – SEGUNDA-FEIRA
SEMANA DA EPIFANIA
(branco, pref. da Epifania ou do Natal – ofício do dia da 2ª semana do saltério)
Raiou um dia interior, não apenas no tempo, mas na consciência desperta. Uma luz ordenadora atravessa a existência e convida o ser humano ao domínio de si. Essa claridade não promete conforto externo, mas retidão interior, acordo com a razão e fidelidade ao Logos. A presença de Cristo revela um caminho que contrasta com as paixões dispersivas do mundo, exigindo conversão do olhar e da vontade. Caminhar nessa luz é escolher sentido, responsabilidade e autocontrole, aceitando o destino com coragem, discernindo o bem, e vivendo segundo a verdade que sustenta o cosmos em harmonia racional permanente eterna, silenciosa e consciente.
Evangelium secundum Matthaeum 4,12-17.23-25
12 Cum autem audisset Iesus quod Ioannes traditus esset, secessit in Galilaeam.
Quando Jesus soube que João fora entregue, retirou-se para a Galileia.
13 Et relicta civitate Nazareth, venit et habitavit in Capharnaum maritima, in finibus Zabulon et Nephthalim,
Deixando a cidade de Nazaré, foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, nos confins de Zabulon e Neftali.
14 ut adimpleretur quod dictum est per Isaiam prophetam dicentem
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías.
15 Terra Zabulon et terra Nephthalim, via maris trans Iordanen, Galilaea gentium
Terra de Zabulon e terra de Neftali, caminho do mar além do Jordão, Galileia das nações.
16 populus qui sedebat in tenebris vidit lucem magnam et sedentibus in regione umbrae mortis lux orta est eis.
O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz, e aos que habitavam na região da sombra da morte uma luz brilhou.
17 Exinde coepit Iesus praedicare et dicere paenitentiam agite appropinquavit enim regnum caelorum.
Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.
23 Et circuibat Iesus totam Galilaeam, docens in synagogis eorum, et praedicans evangelium regni, et sanans omnem languorem et omnem infirmitatem in populo.
Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença no povo.
24 Et abiit opinio eius in totam Syriam, et obtulerunt ei omnes male habentes variis languoribus et tormentis comprehensos, et qui daemonia habebant, et lunaticos, et paralyticos, et curavit eos.
Sua fama espalhou-se por toda a Síria, e trouxeram-lhe todos os que sofriam de diversos males e tormentos, possessos, lunáticos e paralíticos, e ele os curou.
25 Et secutae sunt eum turbae multae de Galilaea, et Decapoli, et de Hierosolymis, et de Iudaea, et de trans Iordanen.
Grandes multidões o seguiam da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e da região além do Jordão.
Verbum Domini
Reflexão:
A luz anunciada não força o caminho interior
Ela chama a consciência ao assentimento sereno
Seguir esse chamado exige governo da própria vontade
O ensino revela ordem onde havia dispersão
Curar é restaurar a harmonia entre razão e ação
O Reino aproxima-se quando o coração se alinha
Cada passo fiel fortalece o caráter
Assim a vida encontra firmeza no bem escolhido
Versículo mais importante:
Exinde coepit Iesus praedicare et dicere paenitentiam agite appropinquavit enim regnum caelorum.
Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo. (Mt 4,17)
HOMILIA
A Luz que Reordena o Caminho Interior
A Luz que reordena o íntimo revela o Princípio Uno, fazendo a alma participar da ordem originária que harmoniza vontade, razão e ser.
O Evangelho apresenta o momento em que a luz irrompe onde antes havia sombra. Não se trata apenas de um deslocamento geográfico, mas de uma mudança no eixo da existência. Quando Cristo se retira para a Galileia, inaugura um movimento silencioso da consciência humana em direção à verdade que a sustenta. A luz que nasce não impõe força exterior, mas desperta o discernimento interior, chamando cada pessoa a reconhecer o bem e a ordenar a própria vida segundo ele.
A conversão anunciada não é medo nem ruptura violenta, mas realinhamento. É a decisão de submeter desejos, impulsos e pensamentos a um princípio mais alto que dá unidade ao ser. Assim, a pessoa reencontra sua dignidade ao tornar-se senhora de si, não dominada pelas trevas da dispersão, mas guiada pela clareza do sentido.
Quando Cristo ensina e cura, revela que a integridade do ser humano nasce da harmonia entre razão, vontade e espírito. A família surge nesse horizonte como célula mater, onde essa ordem é primeiramente aprendida e transmitida. Ali se forma o caráter, a responsabilidade e a capacidade de permanecer firme no bem.
Seguir essa luz é caminhar com constância, aceitar o próprio destino com retidão e permitir que a vida seja conduzida pela verdade que edifica e sustenta todas as coisas.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
O Chamado à Transformação Interior
Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo. (Mt 4,17)
A Luz que Desperta o Ser
O anúncio de Jesus revela uma presença que atravessa as sombras da consciência. Não é um convite a meros atos externos, mas ao despertar interior que organiza a vida segundo uma ordem que excede o tempo e o espaço. A penitência não significa punição, mas alinhamento da vontade e do pensamento com a fonte que sustenta toda existência. É a abertura do coração à claridade que permite ao ser humano reconhecer a verdade essencial e atuar segundo ela.
O Reino que se Aproxima
O Reino dos Céus não se limita a um lugar, mas é a realidade que se manifesta quando a vida se ordena pelo discernimento profundo e pela harmonia da alma. A aproximação desse Reino implica responsabilidade, consciência e coragem para transformar cada impulso e cada escolha em expressão do bem eterno.
A Dignidade do Ser e da Família
No horizonte do chamado, a dignidade da pessoa se revela ao assumir controle sobre si mesma, cultivando a retidão e o equilíbrio interior. A família surge como célula mater, espaço onde essa ordem se aprende, se pratica e se transmite, garantindo a continuidade de valores que estruturam a vida e fortalecem a harmonia entre razão, vontade e espírito.
O Caminho da Integração
Seguir esta luz é permitir que a existência encontre centro, que cada ação seja medida pela verdade que sustenta o cosmos. É reconhecer que a vida humana participa de uma ordem maior, na qual a alma se realiza quando alinhada com o princípio que governa toda a criação, tornando-se plena em discernimento, coragem e harmonia.
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