Liturgia Diária
23 – SEXTA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”
Omnis terra adóret te, et psállat tibi;
psálmum dicat nómini tuo.
(Psalmus 65, 4)
Toda a terra, ao reconhecer o Eixo que a sustenta, curva-se não por submissão exterior,
mas por alinhamento interior;
e ao cantar, não apenas emite som,
mas participa do Ritmo eterno.
O louvor do Nome não acontece no fluxo do tempo que passa,
mas no Tempo Vertical,
onde o ser se ajusta à Fonte e permanece.(Sl 65,4)
O chamado dirigido aos doze revela uma estrutura permanente da consciência humana: ser convocado não é receber um papel externo, mas reconhecer uma orientação interior que precede a escolha. A resposta autêntica nasce quando os dons pessoais deixam de girar em torno de si e passam a cooperar com uma ordem maior, invisível e inteligível. Seguir o Cristo implica ajustar o agir ao sentido profundo do real, onde a decisão correta não decorre de imposição, mas de consonância. Nesse plano, a ação justa emerge do silêncio atento, sustenta a harmonia e irradia bem, não como estratégia, mas como consequência do alinhamento do ser.
Evangelium secundum Marcum 3,13-19
13 Et ascendit in montem et vocavit ad se quos voluit ipse, et venerunt ad eum.
Ele sobe ao alto, indicando a elevação do princípio interior, e chama aqueles que já ressoam com o sentido profundo do ser, não por acaso, mas por reconhecimento silencioso.
14 Et fecit ut essent duodecim cum illo, et ut mitteret eos praedicare.
Ser constituído junto dele significa habitar a origem antes da ação, para que toda palavra nasça de um centro ordenado.
15 Et dedit illis potestatem curandi infirmitates et eiciendi daemonia.
A autoridade aqui não é força externa, mas clareza que restaura o que está fragmentado e dissipa o que obscurece.
16 Et imposuit Simoni nomen Petrus.
A nomeação revela a fixação de um eixo estável, capaz de sustentar o peso da decisão.
17 Et Iacobum Zebedaei et Ioannem fratrem Iacobi, et imposuit eis nomina Boanerges, quod est filii tonitrui.
O ardor interior é reconhecido como potência que desperta, não como ruído, mas como energia dirigida.
18 Et Andream et Philippum et Bartholomaeum et Matthaeum et Thomam et Iacobum Alphaei et Thaddaeum et Simonem Cananaeum.
A diversidade dos chamados mostra que a ordem verdadeira integra diferenças sem dispersão.
19 Et Iudam Iscarioth, qui et tradidit illum.
Mesmo a falha é incluída no percurso, revelando que a prova também participa do desígnio maior.
Verbum Domini
Reflexão:
A subida antecede toda escolha verdadeira
A proximidade com o princípio orienta o agir
O chamado desperta responsabilidade interior
A ação correta nasce da coerência do ser
A firmeza sustenta o caminho sem rigidez
O ardor precisa de direção para não se perder
A diversidade encontra unidade no sentido
Até a sombra revela o valor da vigilância contínua
Versículo mais importante:
Et fecit ut essent duodecim cum illo, et ut mitteret eos praedicare.
Ele os constitui primeiro na permanência junto da Fonte, antes de qualquer envio, indicando que toda ação autêntica nasce da habitação no nível superior do sentido. O estar com Ele não ocorre no tempo que corre, mas no eixo onde a consciência se ancora, e dali a palavra é enviada como consequência natural do alinhamento interior.(Mc 3,14)
HOMILIA
A Subida que Ordena o Ser
A autoridade verdadeira deriva da coerência interior, não da função exercida.
O Evangelho nos mostra Jesus subindo ao monte e chamando aqueles que Ele mesmo quis. A subida não é apenas geográfica. Ela indica um movimento interior no qual a consciência se afasta do ruído disperso e se aproxima do princípio que a sustenta. Antes de qualquer envio, há uma permanência. Antes de qualquer palavra, há um estar junto. A verdadeira missão nasce quando o ser encontra seu eixo e aprende a permanecer nele.
Os Doze são constituídos primeiro na convivência com o Mestre. Isso revela uma lei profunda da vida espiritual. Não se age corretamente a partir da pressa, mas da maturação silenciosa. Quando o interior é ordenado, a ação se torna clara, firme e sem violência. A autoridade recebida não é domínio, mas capacidade de restaurar o que está fragmentado e de dissipar aquilo que obscurece a consciência.
A escolha dos nomes indica identidade assumida. Cada pessoa é chamada a reconhecer sua forma própria de sustentar o bem. Essa identidade não isola, mas integra. A diversidade dos chamados manifesta uma unidade mais alta, onde cada um contribui segundo sua medida sem perder o vínculo com a origem.
A presença da família espiritual formada pelos chamados recorda a família primeira, célula mater da formação humana. É nela que se aprende a escuta, o cuidado e a fidelidade ao que é essencial. Quando esse fundamento é preservado, a pessoa cresce com dignidade e retidão.
Até mesmo a fragilidade aparece no caminho dos escolhidos. Isso ensina vigilância e humildade. A subida continua ao longo da vida, sempre convidando a consciência a retornar ao alto, onde o ser se alinha, a escolha se purifica e o agir encontra sentido duradouro.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
A partir do versículo do Evangelho segundo Marcos 3,14, onde se afirma que Ele os constitui para estar com Ele antes de enviá-los, apresenta-se uma chave essencial para compreender a ordem profunda da vida espiritual.
A precedência do estar sobre o agir
O texto revela que a constituição dos chamados não começa pela tarefa, mas pela permanência. Estar com Ele não é simples proximidade física, mas participação em um nível mais alto de sentido. O agir correto não nasce da urgência nem da pressão externa, mas de uma interioridade já ordenada. Quando o ser encontra seu fundamento, a ação surge com justeza e medida.
O eixo que sustenta a consciência
O estar com Ele ocorre fora da sucessão comum dos instantes. Trata-se de um plano onde a consciência se ancora no princípio que a sustenta. Nesse ponto, a instabilidade do tempo corrente perde domínio, e a pessoa passa a agir a partir de uma referência estável, não sujeita às oscilações do momento.
O envio como consequência e não como imposição
O envio não é ruptura, mas desdobramento. Quem permanece junto da Fonte não precisa ser compelido a agir. A palavra anunciada nasce como consequência natural do alinhamento interior. Assim, a missão não se impõe como peso, mas manifesta uma coerência já amadurecida no silêncio e na fidelidade ao centro.
Unidade interior e retidão do caminho
Essa dinâmica preserva a dignidade da pessoa e orienta suas relações fundamentais, inclusive no seio da família, onde se aprende a permanência, a escuta e a responsabilidade. A retidão do caminho não depende da multiplicação de ações, mas da constância em permanecer ligado ao princípio que dá sentido a todas elas.
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