Liturgia Diária
4 – DOMINGO
EPIFANIA DO SENHOR
(branco, glória, creio, prefácio da Epifania – ofício da solenidade)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
Baruc 5,5 — Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam
Surge, Ierusalem, et sta in excelso, et circumspice ad orientem, et vide filios tuos congregatos ab oriente solis usque ad occidentem, verbo Sancti gaudentes.
Levanta-te, Jerusalém, e coloca-te no alto; olha para o oriente e vê teus filhos reunidos do nascer ao pôr do sol, alegrando-se pela palavra do Santo. (Baruc 5,5 )
A exemplo dos magos, o espírito humano caminha em direção ao sentido último, não por impulso externo, mas por retidão interior. A adoração torna-se reconhecimento da ordem que sustenta o cosmos e educa a consciência. O Salvador manifesta-se como luz inteligível, acessível a todos que disciplinam o olhar e harmonizam desejo e razão. Cristo surge como princípio unificador, não imposto, mas acolhido. Celebrar este mistério é alinhar a vida ao bem, à justiça serena e à paz que nasce do domínio de si, segundo a razão universal, onde o logos governa escolhas e transforma o caminhar humano em sabedoria plena.
Evangelium secundum Matthaeum 2,1-12
Cum ergo natus esset Iesus in Bethlehem Iudaeae, in diebus Herodis regis, ecce Magi ab Oriente venerunt Ierosolymam,
Quando Jesus nasceu em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, eis que magos do Oriente chegaram a Jerusalém.dicentes Ubi est qui natus est rex Iudaeorum Vidimus enim stellam eius in Oriente et venimus adorare eum.
E perguntavam Onde está o recém-nascido rei dos judeus Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.Audiens autem Herodes rex, turbatus est, et omnis Ierosolyma cum illo.
Ao ouvir isso, o rei Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele.Et congregans omnes principes sacerdotum et scribas populi, sciscitabatur ab eis ubi Christus nasceretur.
Reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde o Cristo deveria nascer.At illi dixerunt ei In Bethlehem Iudaeae sic enim scriptum est per prophetam.
Eles lhe responderam Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta.Et tu Bethlehem terra Iuda, nequaquam minima es in principibus Iuda ex te enim exiet dux qui regat populum meum Israel.
E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe que governará o meu povo Israel.Tunc Herodes clam vocatis Magis diligenter didicit ab eis tempus stellae quae apparuit eis.
Então Herodes chamou secretamente os magos e informou-se com exatidão sobre o tempo em que a estrela tinha aparecido.Et mittens illos in Bethlehem dixit Ite et interrogate diligenter de puero et cum inveneritis, renuntiate mihi, ut et ego veniens adorem eum.
E enviando-os a Belém, disse Ide informar-vos cuidadosamente sobre o menino e, quando o encontrardes, avisai-me, para que eu também vá adorá-lo.Qui audito rege, abierunt Et ecce stella quam viderant in Oriente, antecedebat eos, usque dum veniens staret supra ubi erat puer.
Depois de ouvirem o rei, partiram E eis que a estrela que tinham visto no Oriente os precedia, até que chegou e parou sobre o lugar onde estava o menino.Videntes autem stellam, gavisi sunt gaudio magno valde.
Ao verem a estrela, alegraram-se com imensa alegria.Et intrantes domum invenerunt puerum cum Maria matre eius, et procidentes adoraverunt eum Et apertis thesauris suis, obtulerunt ei munera, aurum, thus et myrrham.
Entrando na casa, encontraram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram Abriram seus tesouros e lhe ofereceram presentes ouro, incenso e mirra.Et responso accepto in somnis ne redirent ad Herodem, per aliam viam reversi sunt in regionem suam.
Advertidos em sonho para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
Verbum Domini
Reflexão:
O caminho dos magos revela que a verdade se reconhece pela atenção interior.
A estrela não força o passo mas orienta o discernimento paciente.
Quem busca com retidão aprende a não se deixar perturbar pelo poder instável.
A adoração nasce do reconhecimento da ordem que sustenta o real.
Os dons oferecidos exprimem a maturidade da alma que sabe escolher.
Mudar de caminho indica sabedoria diante do que ameaça a integridade interior.
O silêncio obediente ao sonho preserva o essencial.
Assim o homem se alinha ao bem e governa a si mesmo.
Versículo maiss importante:
Et intrantes domum invenerunt puerum cum Maria matre eius, et procidentes adoraverunt eum et apertis thesauris suis, obtulerunt ei munera, aurum, thus et myrrham.
E entrando na casa, encontraram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram Abriram seus tesouros e lhe ofereceram presentes ouro, incenso e mirra. (Mt 2,11)
HOMILIA
A Estrela Interior e o Caminho do Retorno
A luz reconhecida no centro do ser dilata a consciência, harmoniza vontade e razão, e conduz o homem a um caminhar fiel à ordem profunda que sustenta a existência.
O relato dos magos apresenta uma cartografia da alma em sua ascensão silenciosa. Eles não partem por ordem externa, mas porque algo no íntimo reconhece um sinal que pede resposta. A estrela não impõe direção. Ela convida. Assim também a consciência desperta não constrange, apenas orienta, exigindo atenção, perseverança e retidão do olhar.
Herodes representa a inquietação do poder que teme perder controle. O coração desordenado interpreta a verdade como ameaça. Em contraste, os magos avançam com sobriedade, atravessando a incerteza sem violência interior, guiados por uma confiança que amadurece no caminho. A verdadeira evolução do ser não ocorre pela força, mas pelo domínio de si.
Belém surge como o espaço da simplicidade fecunda. Não é o excesso que acolhe o mistério, mas a casa onde a vida é recebida com reverência. A presença de Maria e do Menino revela a dignidade da família como lugar originário da formação interior, onde a pessoa aprende a escutar, a cuidar e a reconhecer o valor do outro antes de qualquer posse ou poder.
A adoração não diminui quem se inclina. Ao contrário, ordena o interior e restitui a medida justa do humano. Os dons oferecidos simbolizam escolhas conscientes, aquilo que o homem separa do supérfluo para entregar ao que é essencial. Ouro, incenso e mirra revelam pensamento, intenção e ação alinhados.
O retorno por outro caminho indica transformação real. Quem encontra a verdade não repete rotas antigas. Mudar o percurso é sinal de maturidade espiritual, pois a consciência renovada já não se submete às estruturas que obscurecem o bem. Assim, o Evangelho revela que o crescimento interior conduz à integridade, à harmonia e à paz que nasce da ordem interior fiel ao sentido mais alto da existência.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
E entrando na casa, encontraram o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se o adoraram Abriram seus tesouros e lhe ofereceram presentes ouro, incenso e mirra Mt 2,11
Este versículo concentra o núcleo do mistério cristão como encontro entre o absoluto e a interioridade humana. Não se trata apenas de um gesto histórico, mas de uma revelação sobre a estrutura profunda do ser e da resposta consciente da pessoa ao que a transcende.
A casa como espaço do sentido
A casa não é apresentada como cenário acidental. Ela simboliza o lugar interior onde a verdade pode ser acolhida sem ruído. É no espaço recolhido que o eterno se deixa reconhecer. O encontro não ocorre no excesso, mas na simplicidade ordenada, onde a vida se estrutura a partir do cuidado e da presença.
O menino e Maria como princípio de ordem
O menino manifesta o princípio originário que sustenta a realidade. Maria representa a disposição plena de acolhimento, onde a vida se oferece sem resistência. Juntos revelam que o divino não se impõe pela força, mas se comunica por meio da confiança, da geração e da continuidade do ser.
A adoração como alinhamento interior
Prostrar-se não diminui o homem. Recoloca-o em sua medida justa. A adoração é o reconhecimento consciente de uma ordem superior à vontade individual. Nesse gesto, a pessoa integra pensamento, desejo e ação, reencontrando unidade interior e clareza de propósito.
Os dons como expressão da consciência madura
O ouro indica a retidão da intenção. O incenso expressa a elevação do espírito que reconhece o sentido último. A mirra revela a aceitação da finitude como parte do caminho. Oferecer os dons significa entregar o que há de mais valioso ao princípio que sustenta a existência, não por perda, mas por plenitude.
Assim, o versículo revela que o encontro verdadeiro transforma o interior, ordena a vida e conduz a pessoa a uma fidelidade profunda ao bem que a precede e a sustenta.
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