Liturgia Diária
22 – QUINTA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
Omnis terra adoret te, et psallat tibi; psalmum dicat nomini tuo.
Que toda a criação se volte para Ti com reverência, reconhecendo no instante que permanece a fonte de todo sentido, e que o louvor ao teu Nome brote como resposta contínua ao que sustenta o ser.(Salmo 65,4)
Multidões buscavam em Jesus a cura das enfermidades, mas encontravam sobretudo o chamado a habitar um centro que ultrapassa a sucessão dos dias. Suas palavras não só saneavam corpos; reorganizavam o gesto humano no agora que não passa, restituindo à vontade a capacidade de autodeterminação e ao coração a coragem da escolha responsável. A face paterna de Deus que nele se revela é convite a uma soberania interior onde o agir coincide com o sentido. Adorar é reconhecer essa presença que ausculta e transforma, e responder com confiança é permanecer inteiro no ponto onde o ser se realiza sempre presente.
Evangelium secundum Marcum 3,7-12
Jesus autem cum discipulis suis secessit ad mare et multa turba a Galilaea et Iudaea secuta est eum.
Jesus se retira não por fuga, mas para permanecer no eixo onde o agir nasce sem dispersão, e muitos o seguem movidos por uma atração que antecede o entendimento.Et ab Ierusalem et ab Idumaea et trans Iordanen et qui circa Tyrum et Sidonem multitudo magna audientes quae faciebat venerunt ad eum.
De muitos lugares vêm aqueles que reconhecem no que Ele realiza um sinal de ordem que atravessa fronteiras externas.Et dixit discipulis suis ut navicula sibi deserviret propter turbam ne comprimerent eum.
Ele estabelece uma distância justa para que a presença não se confunda com pressão, preservando a clareza do encontro.Multos enim sanabat ita ut irruerent in eum ut illum tangerent quotquot habebant plagas.
A busca pelo toque revela o desejo de alinhamento com a fonte que restaura o ser no instante pleno.Et spiritus immundi cum illum videbant procidebant ei et clamabant dicentes Quoniam tu es Filius Dei.
O que é desordenado reconhece a autoridade daquele que permanece inteiro.Et vehementer comminabatur eis ne manifestarent illum.
O silêncio imposto guarda o mistério que só pode ser acolhido no tempo certo do coração.
Verbum Domini
Reflexão
O recolhimento preserva a integridade do agir
Nem toda aproximação sustenta a presença
A ordem interior reconhece o que a ultrapassa
O toque verdadeiro não é posse
A clareza exige distância justa
O silêncio protege o essencial
Quem permanece inteiro não se dispersa na multidão
E o sentido se revela no instante habitado
Versículo mais importante:
Marcos 3,11
Et spiritus immundi, cum illum viderent, procidebant ei, et clamabant dicentes Quoniam tu es Filius Dei.
Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam Tu és o Filho de Deus, reconhecimento que nasce no eixo onde o agora permanece e onde a identidade se revela para além da sucessão temporal.(Mc 3,11)
HOMILIA
A Presença que Recolhe e Ordena
O silêncio guarda o que ainda precisa amadurecer no coração.
Jesus se afasta da multidão sem rejeitá-la. Seu movimento não é recuo, mas retorno ao ponto onde o agir permanece íntegro. Ali, a presença não se dissolve na pressão dos muitos, pois só quem guarda o interior pode oferecer restauração verdadeira. O seguimento nasce menos do deslocamento exterior e mais de uma atração silenciosa que reconhece onde a vida encontra eixo.
As curas que acontecem não são simples alívios. Elas revelam uma reorganização do ser no instante que sustenta todos os instantes. O toque procurado expressa o desejo de reencontro com a fonte que não se fragmenta. Por isso, Jesus preserva a justa distância. A proximidade sem ordem confunde. A distância justa educa o encontro.
Quando o desordenado se prostra, manifesta-se que a autoridade não vem do ruído, mas da inteireza. O silêncio pedido protege o mistério que amadurece no coração. Assim também a pessoa humana se torna digna quando age a partir do centro que a sustenta. A família nasce desse mesmo princípio, como espaço onde a vida é acolhida antes de ser exposta. Evoluir interiormente é aprender a permanecer inteiro diante de muitos, sem perder o essencial.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Quando os espíritos imundos o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam Tu és o Filho de Deus, reconhecimento que nasce no eixo onde o agora permanece e onde a identidade se revela para além da sucessão temporal. (Mc 3,11)
O reconhecimento que antecede a compreensão
O texto revela que o reconhecimento da identidade de Cristo não nasce do raciocínio progressivo, mas de um contato imediato com aquilo que é. O que está desordenado percebe, antes de explicar, a presença de uma autoridade que não depende de afirmação exterior. Trata-se de um saber que emerge do encontro direto com a verdade do ser.
A identidade que se impõe pela inteireza
Jesus não reivindica sua identidade por palavras ou gestos de poder. Ela se manifesta pela coerência absoluta entre o que Ele é e o que Ele faz. Essa inteireza produz um impacto inevitável sobre tudo o que vive em desarmonia, pois a unidade revela as fissuras sem necessidade de confronto.
A prostração como resposta ontológica
A atitude de prostrar-se não é devoção consciente, mas resposta inevitável diante de uma presença que ocupa plenamente seu lugar. Onde há plenitude, o que é fragmentado perde sustentação. A autoridade aqui não oprime, mas ordena pelo simples fato de permanecer fiel à própria origem.
O silêncio que protege o mistério
O pedido de silêncio que segue esse reconhecimento indica que a identidade divina não se submete à exposição prematura. O mistério exige maturidade interior para ser acolhido. Revelar antes do tempo correto não aprofunda, dispersa.
Implicações para a vida interior
Esse versículo ensina que a transformação do ser não começa pela correção exterior, mas pelo alinhamento interior. Quando a pessoa humana habita o ponto onde o agir coincide com o sentido, sua própria vida se torna testemunho silencioso de verdade. Assim, a dignidade se estabelece não pelo reconhecimento alheio, mas pela fidelidade ao que sustenta o existir.
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