Liturgia Diária
20 – TERÇA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
«Omnis terra adoret te, et psallat tibi; psalmum dicat nomini tuo.» (Sl 65,4).
Toda a extensão do ser, liberta da sucessão dos instantes, inclina-se diante de Vós.
Não por movimento no tempo, mas por reconhecimento do Fundamento.
A terra, símbolo da consciência manifestada, não apenas canta,
mas ressoa no eterno Presente o Nome que a sustenta.
Nesse louvor não há antes nem depois:
há convergência.
O Nome não é pronunciado, é habitado. E o Tempo, elevado, torna-se adoração silenciosa. (Sl 65,4).
Jesus irrompe na existência como eixo de inteligibilidade do viver humano. Sua presença não adiciona regras ao caos, mas revela a ordem que já sustenta o ser quando este se dispõe a escutar. Ao chamar alguns para o serviço, não cria privilégios, mas desperta consciências para uma responsabilidade interior. O caminho que propõe não se mede por etapas cronológicas, mas por maturação do sentido. Nele, os vínculos humanos são purificados da posse, do medo e da necessidade de controle. As amarras que caem não são externas: são ilusões que impedem o encontro verdadeiro, consigo, com o outro e com o real que tudo atravessa.
Evangelho secundum Marcum 2,23-28
Dominus est Filius hominis etiam sabbati
23 Et factum est iterum sabbatis ambulare eum per sata et discipuli eius coeperunt praegredi et vellere spicas.
O caminhar atravessa o campo do tempo comum e o gesto simples revela que a vida não se suspende diante de formas fixas.
24 Pharisaei dicebant ei Ecce quid faciunt sabbatis quod non licet?
O olhar que mede pelo costume perde a capacidade de perceber o sentido que sustenta o ato.
25 Et ait illis Numquam legistis quid fecerit David quando necessitatem habuit et esuriit ipse et qui cum eo erant?
A memória viva não é arquivo mas critério interior que discerne quando a letra cede ao essencial.
26 Quomodo introivit in domum Dei sub Abiathar principe sacerdotum et panes propositionis manducavit quos non licet manducare nisi sacerdotibus et dedit eis qui cum eo erant?
O sagrado não se fecha em fronteiras pois sua verdade se reconhece no cuidado com a vida concreta.
27 Et dicebat eis Sabbatum propter hominem factum est et non homo propter sabbatum.
O tempo ordenado existe para servir o florescimento do ser e não para aprisioná lo.
28 Itaque dominus est Filius hominis etiam sabbati.
A consciência desperta governa o ritmo dos dias sem ser governada por eles.
Verbum Domini
Reflexão:
O agir reto nasce da consonância interior e não do cálculo externo
Quando o sentido se impõe o instante se abre em profundidade
A lei cumpre sua vocação ao proteger a inteireza do viver
Quem compreende o ritmo do real não se perde na pressa nem na rigidez
A autoridade verdadeira coincide com responsabilidade interior
O domínio do tempo acontece quando cessam o medo e a compulsão
A fidelidade ao essencial dispensa justificativas ruidosas
Assim o caminho se torna simples e firme ao mesmo tempo
Versículo mais importante:
27 Et dicebat eis: Sabbatum propter hominem factum est, et non homo propter sabbatum.
O tempo ordenado não é origem do ser, mas expressão a seu serviço.
A existência não nasce para obedecer ao ritmo exterior,
pois é o próprio viver consciente que confere sentido ao tempo.
Quando o ser se alinha ao que o sustenta,
o instante deixa de aprisionar e passa a revelar.
Assim, o tempo não governa o homem
é o homem desperto que habita o tempo sem se perder nele. (Mc 2,27)
HOMILIA
O Senhor do Sentido e do Tempo
O tempo deixa de ser medida quando o sentido se revela como presença que sustenta o instante.
O Evangelho nos conduz a um campo onde o gesto simples revela uma verdade silenciosa. Ao caminhar entre espigas colhidas sem alarde o Cristo mostra que a vida não se submete a esquemas rígidos quando o essencial está em jogo. A lei existe para proteger o florescimento do ser e não para sufocá lo. Quando se perde o contato com o sentido a norma deixa de servir e passa a dominar.
Há um modo de viver aprisionado à sucessão dos dias e outro que reconhece no instante uma abertura para o eterno. Jesus habita este segundo modo. Nele o tempo não oprime nem fragmenta mas se torna espaço de maturação interior. Por isso Ele afirma que o homem não foi criado para o sábado mas o sábado para o homem.
A dignidade da pessoa nasce dessa interioridade desperta que reconhece seu valor antes de qualquer função. E a família como célula mater da existência humana participa desse mistério quando se torna lugar de presença cuidado e transmissão do sentido. Não se sustenta por regras vazias mas por fidelidade ao que faz crescer.
Quem aprende a agir a partir desse centro não precisa justificar cada passo. Seu agir é sóbrio firme e pacificado. Assim o caminho se abre e o viver encontra sua justa medida no silêncio que sustenta todas as coisas.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Inspirado no ensinamento do Senhor em Mc 2,27 este texto aprofunda o sentido do tempo e do agir humano à luz da revelação
O tempo como dom e não como princípio
O tempo não possui existência própria nem autoridade sobre o ser. Ele surge como ordenação oferecida para que a vida se desenvolva com medida e discernimento. Quando compreendido corretamente ele serve ao crescimento interior e à fidelidade ao sentido da criação. O erro nasce quando o tempo é tratado como origem absoluta e passa a exigir submissão do homem ao seu ritmo exterior.
A consciência que confere sentido
A existência humana não é chamada a reagir mecanicamente à sucessão dos dias. É na interioridade desperta que o viver reconhece o valor do instante. O sentido não é imposto de fora mas reconhecido a partir de dentro quando a pessoa se alinha ao que a sustenta. Assim o tempo recebe significado porque é habitado com presença.
O instante como revelação
Quando o ser encontra sua justa orientação o instante deixa de ser limite e passa a ser passagem. Cada momento torna se portador de revelação pois não é mais vivido como pressão ou ameaça. O tempo deixa de aprisionar quando é acolhido como lugar de manifestação do eterno que sustenta todas as coisas.
O senhorio interior do homem
Ao afirmar que o homem não foi feito para o sábado o Evangelho revela que a maturidade espiritual conduz a um senhorio interior. Não se trata de domínio externo mas de harmonia entre agir e sentido. O homem desperto vive no tempo sem se dissolver nele pois sua referência não é o fluxo mas a fidelidade ao que permanece.
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