Liturgia Diária
18 – DOMINGO
2º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – 2ª semana do saltério)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
Omnis terra adoret te, et psallat tibi:
psalmum dicat nomini tuo.
(Psalmus 65, 4 — Vulgata Clementina)
Toda a criação, em sua extensão visível e invisível, inclina-se diante de Ti.
Cada forma, cada sopro e cada ritmo da existência reconhece a Fonte de onde procede.
O louvor não é apenas som, mas vibração ontológica:
a própria realidade canta o Teu Nome,
pois existir é já participar da reverência,
e ser é tornar-se hino silencioso ao Altíssimo. (Salmo 65, 4)
À semelhança da voz que precede o amanhecer, o ser humano reconhece no Filho a origem que ilumina todo o caminho interior. Não se trata de anúncio exterior, mas de um consentimento profundo à Verdade que chama desde o centro do existir. O caminhar não segue a sucessão dos instantes, mas um eixo silencioso onde passado e futuro se recolhem no agora pleno. Cada passo nasce de uma decisão íntima, não imposta, mas assumida como expressão do próprio ser. Viver torna-se testemunho quando a existência inteira responde ao Chamado, permitindo que a luz se manifeste como sentido, direção e plenitude do real.
Evangelium secundum Ioannem 1,29-34
29
Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccatum mundi.
Eis aquele que assume em si o peso do desvio humano, não como condenação, mas como retorno da ordem ao seu princípio invisível.
30
Hic est de quo dixi Post me venit vir, qui ante me factus est quia prior me erat.
O que se manifesta depois já estava antes, pois a origem não pertence à sequência, mas ao fundamento que sustém todo surgir.
31
Et ego nesciebam eum sed ut manifestetur in Israel propterea veni ego in aqua baptizans.
O reconhecimento nasce quando o invisível se deixa perceber no gesto simples que revela o sentido oculto do existir.
32
Et testimonium perhibuit Ioannes dicens Quia vidi Spiritum descendentem quasi columbam de caelo et mansit super eum.
Aquilo que desce não se afasta da altura, pois permanece como eixo silencioso que une o alto e o interior.
33
Et ego nesciebam eum sed qui misit me baptizare in aqua ille mihi dixit Super quem videris Spiritum descendentem et manentem hic est qui baptizat in Spiritu Sancto.
O sinal verdadeiro não passa, permanece, e onde permanece transforma o modo de ser e de compreender.
34
Et ego vidi et testimonium perhibui quia hic est Filius Dei.
Ver não é apenas olhar, mas consentir com a realidade que se revela como origem e sentido.
Verbum Domini
Reflexão:
O reconhecimento da verdade não depende do ruído do tempo sucessivo.
Há um ponto interior onde decisão e sentido coincidem.
Agir a partir desse centro é alinhar-se ao que permanece.
O testemunho nasce quando a vida corresponde ao que é visto.
Não se trata de seguir eventos, mas de responder ao que sustém todos eles.
A firmeza interior dispensa coerções externas.
Quem habita esse eixo age com serenidade e retidão.
Assim o existir torna-se consonância com a ordem mais alta.
Versículo mis importante:
Evangelium secundum Ioannem 1,29
29
Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccatum mundi.
Eis aquele que assume em si o peso do desvio humano, não como condenação, mas como retorno da ordem ao seu princípio invisível. (Jo 1,29)
HOMILIA
O Cordeiro e o Eixo do Ser
Ao apontar para o Cordeiro, João não indica apenas uma pessoa no horizonte visível, mas revela um princípio que atravessa toda a existência. O que se manifesta ali não nasce do encadeamento dos instantes, pois já estava antes de todo começo. Há uma origem que sustém cada passo humano e que não se mede pela sucessão dos dias, mas pela profundidade com que o ser se deixa alinhar ao que permanece.
O testemunho não surge do acúmulo de palavras, mas da visão interior que reconhece quando o Espírito repousa. Esse repouso não é inércia, é permanência ativa, fundamento silencioso onde a vida encontra direção sem coerção. A dignidade da pessoa floresce quando ela consente em viver a partir desse centro, onde agir e ser coincidem.
A família, como célula mater da existência humana, torna-se o primeiro espaço onde essa permanência se aprende. Não como estrutura externa, mas como lugar de transmissão do sentido, da fidelidade ao que é essencial e da responsabilidade que nasce do reconhecimento da origem.
Assim, seguir o Cordeiro é deixar que a própria vida se torne testemunho. Não por imposição, mas por adesão consciente à verdade que sustém o real. Quando isso acontece, cada gesto simples participa da ordem mais alta, e o humano amadurece na serenidade de quem caminha a partir do eterno que habita o agora.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Eis aquele que assume em si o peso do desvio humano, não como condenação, mas como retorno da ordem ao seu princípio invisível. (Jo 1,29)
O sentido do Cordeiro
Ao indicar o Cordeiro, o Evangelho revela mais do que uma função redentora ligada ao erro. Revela um princípio de reintegração. O desvio humano não é tratado como falha isolada, mas como afastamento do centro que sustém o ser. Aquele que vem não aponta o erro como destino, mas como possibilidade de retorno à harmonia original.
A origem que permanece
O que João contempla não surge dentro da sequência dos acontecimentos. Trata-se de uma presença que antecede e sustenta toda manifestação. Por isso, o reconhecimento não ocorre pelo acúmulo de experiências, mas pela percepção interior de algo que sempre esteve. O eterno não se opõe ao agora, habita-o como fundamento silencioso.
Assumir para ordenar
Assumir o peso do desvio não significa absorver culpa, mas restaurar direção. Aquele que assume o humano o faz reconduzindo-o à sua medida justa. A ordem não é imposta de fora, mas restabelecida a partir do interior do ser, onde verdade e existência se encontram.
O testemunho como alinhamento
João não apenas vê, ele consente. O testemunho nasce quando a consciência se ajusta ao que reconhece como verdadeiro. Assim, a fé deixa de ser reação a eventos e torna-se posicionamento interior estável, capaz de orientar cada gesto segundo o princípio que não passa.
O agora sustentado pelo eterno
Nesse reconhecimento, o tempo deixa de ser mera sucessão e torna-se profundidade. Cada instante é sustentado por aquilo que não se move. Viver a partir desse eixo confere serenidade, responsabilidade e inteireza ao agir humano, fazendo da existência uma resposta contínua ao chamado da origem.
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