quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 2,13-17 - 17.01.2026

 Liturgia Diária


17 – SÁBADO 

SANTO ANTÃO, ABADE


(branco, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”


Justus ut palma florebit;
sicut cedrus Libani multiplicabitur.
Plantati in domo Domini,
in atriis domus Dei nostri florebunt.
(Psalmus 91 [92], 13–14 — Vulgata Clementina)

 

O justo floresce como a palmeira,
erguendo-se em verticalidade silenciosa,
nutrido por uma fonte invisível.

Cresce como o cedro do Líbano,
firme na altura do ser,
enraizado além das tempestades do mundo.

Plantado na Casa do Senhor,
não habita um espaço exterior,
mas o centro vivo da Origem.

Nos átrios do nosso Deus floresce,
porque sua permanência não depende do tempo,
e sua força brota da Presença.
 

(Sl 91 [92], 13–14 )


Recordamos Antão como figura do retorno à origem interior. Nascido no limiar de um mundo em transformação, ele não buscou refúgio, mas o eixo silencioso onde o ser se sustenta sem dispersão. Ao retirar-se ao deserto, não fugiu da história: atravessou-a em profundidade, tocando um plano onde o instante não se dissolve, mas permanece. Sua simplicidade não foi negação, mas depuração do excesso. A oração tornou-se modo de habitar o real sem fragmentação. Transmitido por Atanásio, seu testemunho revela que a verdadeira autonomia nasce quando a consciência se ancora no fundamento e caminha, íntegra, na direção do Logos vivo.



Evangelium secundum Marcum 2,13–17

13 Et egressus est iterum ad mare; omnis turba veniebat ad eum, et docebat eos.
Ele sai novamente para junto do mar, onde o fluxo das consciências se aproxima, e ali o ensinamento acontece como presença contínua que não se apressa.

14 Et cum praeteriret, vidit Levi Alphaei sedentem ad telonium, et ait illi: Sequere me. Et surgens secutus est eum.
Ao passar, o olhar alcança aquele que está fixo no cálculo, e o chamado o desloca para um eixo mais alto do ser, onde levantar-se é alinhar-se.

15 Et factum est, cum accumberet in domo illius, multi publicani et peccatores simul discumbebant cum Iesu et discipulis eius; erant enim multi, qui sequebantur eum.
Na casa interior, muitos estados fragmentados se aproximam, pois o convívio revela um centro que acolhe sem dissolver a ordem.

16 Et scribae et pharisaei videntes quia manducaret cum publicanis et peccatoribus, dicebant discipulis eius: Quare cum publicanis et peccatoribus manducat et bibit?
Os que se apoiam apenas na forma observam e questionam, incapazes de perceber o critério que nasce do fundo e não da aparência.

17 Hoc audito Iesus ait illis: Non est opus valentibus medicus, sed male habentibus. Non veni vocare iustos, sed peccatores.
Ao ouvir, ele afirma que o cuidado se dirige ao que ainda não está inteiro, pois o chamado opera onde o ser precisa ser reunificado.

Verbum Domini

Reflexão:
O ensinamento não se limita ao movimento externo
Ele se ancora em um ponto que sustenta todos os instantes
Responder ao chamado é sair da dispersão interior
A escolha verdadeira ocorre quando a consciência se alinha ao que permanece
Não é o passado que pesa nem o futuro que governa
Há um agora mais profundo que ordena o caminho
A inteireza nasce do consentimento interior
E a vida passa a ser conduzida por um princípio que não oscila


Versículo mais importante:

Non est opus valentibus medicus, sed male habentibus. Non veni vocare iustos, sed peccatores.

Ao ouvir, ele afirma que o cuidado se dirige ao que ainda não está inteiro, pois o chamado opera onde o ser precisa ser reunificado. (Mc 2,17)


HOMILIA

Chamado que Reordena o Ser

O Evangelho nos apresenta um Cristo que caminha e chama enquanto passa. Esse passar não é deslocamento comum, mas manifestação de um eixo permanente onde o sentido não se perde no antes nem se projeta no depois. O olhar que encontra Levi não o define por sua função ou por sua história, mas o reconhece no ponto mais íntimo onde o ser ainda pode levantar-se. Ali, o convite não impõe força exterior. Ele desperta uma adesão interior que reorganiza a existência.

Sentar-se à mesa com aqueles considerados fragmentados revela que a cura não começa pelo comportamento, mas pela reintegração do centro. A casa torna-se imagem da interioridade restaurada, e a família, como célula mater, aparece como espaço onde o vínculo sustenta e educa o ser para a inteireza. A dignidade nasce quando a pessoa é reconduzida à sua origem e aprende a agir a partir dela.

Cristo não se dirige aos que se julgam completos. Ele se inclina àquilo que ainda está em processo, pois é no reconhecimento da própria fissura que a consciência se abre ao real. Viver assim é habitar cada instante como ponto pleno, onde a escolha não é reação, mas alinhamento com o Logos que sustenta tudo. Nesse caminho, a vida deixa de ser dispersão e torna-se percurso consciente em direção à unidade.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Ao ouvir, ele afirma que o cuidado se dirige ao que ainda não está inteiro, pois o chamado opera onde o ser precisa ser reunificado (Mc 2,17)

O chamado como movimento interior

O ensinamento de Cristo não se dirige a uma condição exterior, mas ao ponto íntimo onde a pessoa ainda não alcançou unidade. O cuidado mencionado no versículo não é reparo superficial, mas ação que toca o fundamento do ser. O chamado acontece no nível em que a existência pode ser reorganizada a partir de dentro, sem violência e sem imposição.

A inteireza como processo de alinhamento

Estar inteiro não significa ausência de limites, mas coerência interior. Quando Cristo afirma que vem ao encontro do que não está pleno, revela que a maturação do ser ocorre quando a consciência reconhece sua própria desordem e se dispõe a ser orientada por um princípio mais alto. A cura acontece como realinhamento e não como simples correção.

O instante que sustenta todos os instantes

O chamado não pertence a um momento isolado da história pessoal. Ele emerge de um plano onde passado e futuro não governam a decisão. A resposta verdadeira nasce quando a pessoa se posiciona nesse ponto profundo em que cada instante se torna pleno e portador de sentido.

A restauração da pessoa e do vínculo

Ao reunir o ser em seu centro, o cuidado divino restaura também a capacidade de relação. A pessoa reencontra sua dignidade e passa a habitar os vínculos fundamentais com presença e responsabilidade. Assim, a vida deixa de ser fragmentada e passa a expressar unidade, ordem e fidelidade ao Logos que a sustenta.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

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