terça-feira, 13 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 1,40-45 - 15.01.2026

 Liturgia Diária


15 – QUINTA-FEIRA 

1ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”


Vi um homem assentado em altura inacessível ao deslocamento, onde nada nasce nem se consome. Diante dele, os anjos não avançam nem retornam: permanecem. Seu canto não sucede ao silêncio; coincide com ele. Seu nome não se propaga, sustenta. Seu império não se estende no mundo, funda o próprio ser.

Confiar em Deus não é expectativa, mas adesão interior àquilo que já opera. Quando a consciência consente, o agir divino não intervém: manifesta-se. O pão partilhado não inicia um rito, revela uma permanência. Nesse consentimento, o homem não é conduzido; ele coincide consigo mesmo e descobre, sem constrangimento, sua vocação mais alta.



Evangelium secundum Marcum 1,40-45

40 Et venit ad eum leprosus deprecans eum et genu flexo dixit ei: Si vis, potes me mundare.
E aproximou-se um homem marcado pela ruptura, inclinando o ser e não apenas o corpo, reconhecendo que a restauração não depende do tempo que passa, mas da disposição do querer que permanece.

41 Iesus autem misertus eius, extendit manum et tangens eum ait illi: Volo. Mundare.
O gesto de Jesus antecede qualquer processo, pois o toque nasce onde não há distância, e a decisão coincide com a realização.

42 Et cum dixisset, statim discessit ab eo lepra, et mundatus est.
A separação se dissolve no mesmo instante em que a palavra repousa, revelando que a cura não percorre etapas.

43 Et comminatus est ei, statimque eiecit illum,
O envio não é exclusão, mas recolocação do ser em seu eixo próprio.

44 et dicit ei: Vide, nemini quidquam dixeris: sed vade, ostende te sacerdoti, et offer pro emundatione tua quae praecepit Moyses in testimonium illis.
O silêncio protege o que é essencial, pois o verdadeiro testemunho não depende da expansão do discurso.

45 At ille egressus coepit praedicare et diffamare sermonem, ita ut iam non posset palam introire in civitatem, sed foris in desertis locis erat, et conveniebant ad eum undique.
A palavra espalhada cria movimento exterior, enquanto o centro permanece acessível apenas no recolhimento.

Verbum Domini

Reflexão:
O encontro revela que o essencial não se desloca, apenas se manifesta.
A decisão reta nasce onde o medo já não governa.
Quem se alinha ao que é justo não aguarda garantias.
O silêncio conserva o que o excesso dispersa.
A ação correta não exige aplauso.
O domínio de si antecede qualquer transformação visível.
O que permanece firme não é arrastado pelos acontecimentos.
Assim, o homem aprende a habitar o instante com inteireza.


Versículo mais importante:

Iesus autem misertus eius, extendit manum et tangens eum ait illi: Volo. Mundare.

O gesto de Jesus antecede qualquer processo, pois o toque nasce onde não há distância, e a decisão coincide com a realização. (Mc 1,41)


HOMILIA

O Toque que Restaura

A dignidade não é concedida de fora, manifesta-se quando o ser se alinha à sua origem.

O encontro entre Cristo e o homem ferido revela uma dimensão onde a existência não se mede por sucessão, mas por presença plena. O leproso não pede um processo, pede um querer. Ao se ajoelhar, ele não se diminui, mas reconhece uma ordem mais alta que sustenta o ser. Nesse gesto interior, a dignidade não se perde, ela se manifesta.

Cristo estende a mão antes de qualquer explicação. O toque não negocia com a distância nem com o medo. Ao tocar, Ele confirma que nada do que foi criado está fora do alcance do sentido. A palavra pronunciada não inaugura um futuro, ela faz coincidir decisão e realização. O que estava fragmentado retorna à unidade.

A ordem dada ao homem curado protege o essencial. O silêncio preserva o centro, enquanto o excesso dispersa. A verdadeira maturidade nasce quando o agir não depende do olhar alheio. Assim se forma o interior humano, capaz de sustentar vínculos, gerar vida e honrar a família como origem e cuidado. Nesse caminho, o ser aprende a permanecer inteiro, mesmo quando o mundo se move.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O gesto que revela a ordem do ser
Marcos 1,41

A primazia do querer que é ato
O evangelho afirma que Jesus estende a mão e toca, e somente então pronuncia a palavra. Esse gesto não responde a uma expectativa futura, mas manifesta uma realidade já plena. O querer não amadurece com o passar dos instantes, ele se apresenta como forma acabada. Por isso, a decisão não aguarda condições externas, pois nasce no mesmo plano em que o ser se sustenta.

O toque como superação da separação
Ao tocar aquele que estava excluído, Jesus não transgride uma ordem, mas revela sua profundidade. Onde parecia haver distância, havia apenas um véu. O toque não percorre caminhos, ele remove a ilusão da separação. Assim, a restauração acontece não por acréscimo, mas por revelação da inteireza original.

A cura como coincidência e não como processo
Quando Jesus diz quero sê purificado, não se inicia um percurso. A palavra coincide com o efeito porque procede do centro onde agir e ser não se distinguem. A cura não é um evento que se desenvolve, mas um estado que se manifesta quando o ser humano é reconduzido à sua posição justa diante da origem.

A autoridade que funda a dignidade
Esse gesto silencioso confirma que a dignidade não depende de reconhecimento exterior. Ela é fundada na relação direta com a fonte do sentido. Ao tocar, Jesus restitui ao homem não apenas a saúde, mas o lugar interior a partir do qual ele pode sustentar vínculos, responsabilidade e permanência. É nesse alinhamento que a existência encontra sua medida verdadeira.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

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