sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 5,1-12 - 01.02.2026

 Liturgia Diária


1º – DOMINGO 

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 4ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra iuxta Vulgatam Clementinam

Psalmus 105 (106), 47

Salvos nos fac, Domine Deus noster,
et congrega nos de nationibus,
ut confiteamur nomini sancto tuo,
et gloriemur in laude tua.

Tradução

Salva-nos, Senhor, nosso Deus,
não apenas do perigo visível,
mas da dispersão do ser no tempo fragmentado.

Congrega-nos do meio das nações,
isto é, recolhe-nos das múltiplas exterioridades
e reconduze-nos à unidade do Teu Presente eterno.

Para que confessemos o Teu Nome,
não como palavra pronunciada,
mas como Presença reconhecida no centro da consciência.

E para que nossa glória seja louvar-Te,
não por exaltação do eu,
mas porque, no louvor,
o tempo se verticaliza
e o ser repousa em Ti.

Jesus chama e recolhe, não para impor, mas para revelar o eixo da vida que sustenta o ser. Em torno dele, a existência encontra direção e medida. Segui-lo é confiar no que não se dissolve, avançando contra o ruído das seduções passageiras. Nesse caminhar, o coração descobre a bem-aventurança que nasce da coerência interior. Celebramos a Páscoa do Senhor como passagem do disperso ao uno, do medo à entrega lúcida. Ela nos move a viver segundo um novo modo de ser, onde agir, desejar e esperar se alinham ao Bem que permanece e plenifica toda a história pessoal e eterna.



Evangelium secundum Matthaeum 5,1–12

  1. Videns autem Iesus turbas, ascendit in montem et cum sedisset, accesserunt ad eum discipuli eius.
    Jesus, ao ver as multidões, eleva-se ao monte e se assenta. O ensinamento nasce da altura interior onde o ser encontra clareza e recolhimento.

  2. Et aperiens os suum, docebat eos dicens
    Da boca aberta brota a palavra que ordena a vida e desperta a consciência para o sentido que permanece.

  3. Beati pauperes spiritu quoniam ipsorum est regnum caelorum.
    Felizes os que não se apoiam em si mesmos pois neles se abre o espaço do eterno.

  4. Beati qui lugent quoniam ipsi consolabuntur.
    Felizes os que atravessam a dor com inteireza pois nela amadurece o consolo que não passa.

  5. Beati mites quoniam ipsi possidebunt terram.
    Felizes os que não violentam o caminho pois recebem a existência como herança.

  6. Beati qui esuriunt et sitiunt iustitiam quoniam ipsi saturabuntur.
    Felizes os que desejam o justo como ordem do ser pois serão saciados pela verdade.

  7. Beati misericordes quoniam ipsi misericordiam consequentur.
    Felizes os que acolhem com compaixão pois reencontram em si a medida do humano.

  8. Beati mundo corde quoniam ipsi Deum videbunt.
    Felizes os de coração íntegro pois reconhecem o divino no agora vivido.

  9. Beati pacifici quoniam filii Dei vocabuntur.
    Felizes os que harmonizam o interior pois manifestam a origem que os sustenta.

  10. Beati qui persecutionem patiuntur propter iustitiam quoniam ipsorum est regnum caelorum.
    Felizes os que permanecem firmes no justo pois já habitam o que não se perde.

  11. Beati estis cum maledixerint vobis et persecuti vos fuerint et dixerint omne malum adversum vos mentientes propter me.
    Felizes sois quando sois provados pois o sentido não depende da aprovação externa.

  12. Gaudete et exsultate quoniam merces vestra copiosa est in caelis sic enim persecuti sunt prophetas qui fuerunt ante vos.
    Alegrai-vos pois a plenitude está guardada no alto da existência onde o tempo se recolhe.

Verbum Domini

Reflexão:
A bem-aventurança não nasce da posse, mas do alinhamento interior.
O ensinamento conduz a uma firmeza que não reage ao caos externo.
Quem governa a si mesmo encontra paz no meio das provas.
A vida se esclarece quando o desejo aprende a esperar.
O justo não acelera nem recua diante do ruído.
A alegria brota do consentimento ao real.
O presente torna-se morada quando a alma se mantém inteira.
Assim o ser caminha sustentado por aquilo que permanece.


Versículo mais importante:

Qui habet aures audiendi, audiat.

Quem possui ouvidos para ouvir, escute não apenas o som, mas a profundidade que atravessa o instante. Aqui, ouvir é consentir que a Palavra desça ao centro do ser, onde o tempo deixa de correr e passa a reunir. A escuta verdadeira suspende a dispersão, abre o interior e permite que a semente eterna frutifique no agora que permanece. (Mt 13,9)


HOMILIA

Caminho Interior das Bem Aventuranças

Ao subir o monte, o Senhor não busca distância do mundo, mas altura de sentido. Ele se assenta para ensinar que a vida se organiza a partir de um centro estável, onde o coração aprende a permanecer. As bem aventuranças não são promessas futuras nem recompensas externas. Elas descrevem um estado do ser que amadurece quando a pessoa se deixa formar por dentro.

Pobres em espírito são aqueles que não se fecham em si. Neles há espaço para o que vem do Alto. Os que choram não fogem da dor, atravessam-na com inteireza e por isso encontram consolação verdadeira. Os mansos não perdem força, mas governam o impulso e recebem a vida como dom.

O desejo do justo purifica a vontade e ordena as escolhas. A misericórdia devolve unidade ao coração dividido. A pureza interior permite reconhecer Deus no presente vivido. Os pacificadores não produzem ruído, geram harmonia. A fidelidade ao justo sustenta mesmo quando há prova.

Nesse caminho, a dignidade da pessoa se revela e a família se afirma como lugar primeiro de formação do ser. Assim, a existência se eleva, não por fuga do tempo, mas por aprofundamento dele, até repousar no sentido que permanece.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do sentido evangélico
Quem possui ouvidos para ouvir, ouça conforme ensina o Senhor em Mateus capítulo 13 versículo 9. Esta palavra não convoca apenas a atenção exterior, mas chama a consciência a um modo mais profundo de escuta, onde a verdade não é apenas compreendida, mas acolhida no íntimo do ser.

A escuta como consentimento interior
Ouvir, à luz do ensinamento do Cristo, não é acumular sons nem conceitos. É permitir que a Palavra encontre morada no centro da pessoa. Quando isso ocorre, a existência deixa de ser conduzida pela pressa e pela fragmentação, e passa a ser reunida em torno de um sentido que permanece e sustenta.

A descida da Palavra no coração
A Palavra não se impõe de fora. Ela desce quando encontra abertura. Esse movimento interior transforma o modo de viver, pois o agir passa a brotar do que foi assimilado em profundidade. Assim, o ser não reage ao instante, mas responde a partir de um eixo interior amadurecido.

O agora que permanece
Quando a escuta é verdadeira, o tempo deixa de ser apenas sucessão e se torna presença. Nesse estado, a semente lançada pelo Verbo frutifica, não como resultado imediato, mas como vida que cresce silenciosamente, ordenando pensamentos, escolhas e relações segundo a verdade que não passa.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

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