segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 3,1-6 - 21.01.2026

 Liturgia Diária


21 – QUARTA-FEIRA 

SANTA INÊS


VIRGEM E MÁRTIR


(vermelho, pref. comum ou das virgens – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”


A virgem forte manifesta a inteireza do ser que não se fragmenta diante da ameaça. Sua pureza não é negação do mundo, mas adesão plena ao princípio que a atravessa. Ao seguir o Cordeiro crucificado, Inês não caminha após um evento passado, mas permanece no eixo onde a entrega já se realiza. Jovem no corpo, antiga na escuta, ela consente em não se desviar do chamado que a sustenta. Seu martírio não é reação, é permanência. Nele, o agir nasce de um centro não condicionado, onde a escolha coincide com o sentido e o amor não busca retorno.



Evangelium secundum Marcum 3,1-6

  1. Et introivit iterum in synagogam, et erat ibi homo habens manum aridam.
    E ele entra no espaço do recolhimento, onde a rigidez já se tornou visível, e ali está o ser cuja potência parece suspensa no tempo.

  2. Et observabant eum, si sabbatis curaret, ut accusarent illum.
    Os olhares fixam o gesto antes que ele aconteça, tentando aprisionar o sentido no cálculo e no medo da ruptura.

  3. Et ait homini habenti manum aridam Surge in medium.
    Ele chama o homem ao centro, lugar onde nada se esconde e onde o ser se revela sem defesa.

  4. Et dicit eis Licet sabbatis bene facere an male animam salvam facere an perdere At illi tacebant.
    O silêncio denuncia a dificuldade de habitar o instante em sua verdade inteira.

  5. Et circumspiciens eos cum ira contristatus super caecitate cordis eorum dicit homini Extende manum Et extendit et restituta est manus eius.
    O gesto nasce da fidelidade ao real e a integridade retorna onde havia retração.

  6. Exeuntes autem Pharisaei statim cum Herodianis consilium faciebant adversus eum quomodo eum perderent.
    Quando o sentido escapa ao controle, surge o impulso de eliminá lo.

Verbum Domini

Reflexão:
O instante não pede defesa nem adiamento
Há um eixo silencioso onde o agir se alinha ao que é
Quem permanece inteiro não negocia o essencial
A rigidez nasce do medo de perder posição
A fidelidade ao real restaura o que estava contraído
Nem toda regra sustenta a vida
O gesto justo brota de um centro imóvel
E quem habita esse centro não se dispersa no conflito


Versículo mais importante:

Et dicit eis Licet sabbatis bene facere an male animam salvam facere an perdere At illi tacebant.


E ele os coloca diante do instante decisivo, onde o bem não espera ocasião nem calendário, e a preservação do ser acontece no agora que não passa, enquanto o silêncio revela a incapacidade de permanecer nesse ponto essencial. (Mc 3,4)


HOMILIA

A Mão Restaurada no Centro do Ser

A dignidade se revela quando o agir coincide com a verdade interior e não com o medo.

O Evangelho apresenta um homem cuja mão seca revela mais do que uma limitação física. Ela manifesta uma contração interior que surge quando o agir se afasta da fonte. Cristo entra no lugar da lei não para negá la mas para reconduzi la ao seu núcleo vivo. Ao chamar o homem para o centro Ele não cria um espetáculo mas revela onde o ser recupera unidade.

O gesto de estender a mão não acontece por concessão externa. Ele nasce quando a pessoa consente em alinhar se com o sentido que sustenta a vida. Nesse ponto o tempo não se acumula nem se mede. Tudo se decide no agora que permanece. A rigidez dos observadores mostra o risco de viver apenas na superfície das normas sem escutar o que as atravessa.

A dignidade humana se afirma quando o agir brota de dentro e não do medo. A família nasce dessa mesma fonte como espaço onde a vida é acolhida antes de ser julgada. Quando o coração se mantém íntegro a obra se completa sem violência. E o ser humano reencontra sua forma verdadeira não por ruptura mas por fidelidade ao que o habita.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

E ele os coloca diante do instante decisivo, onde o bem não espera ocasião nem calendário, e a preservação do ser acontece no agora que não passa, enquanto o silêncio revela a incapacidade de permanecer nesse ponto essencial. (Mc 3,4)

O instante que revela o eterno
O ensinamento de Cristo conduz a atenção para um ponto onde o agir não depende da sucessão dos dias. O bem não se posterga nem se submete a cálculos. Ele se manifesta quando o ser reconhece a origem que o sustenta e consente em agir a partir dela. Nesse ponto o tempo deixa de ser acúmulo e se torna presença.

A lei reconduzida à sua fonte
A pergunta de Jesus não relativiza a lei, mas a devolve ao seu princípio vivo. Quando a norma se afasta da vida, ela se torna rígida. Quando retorna à fonte, ela protege e restaura. A fidelidade verdadeira não está na repetição exterior, mas na adesão interior ao sentido que a gerou.

O silêncio que denuncia a ruptura interior
O silêncio dos ouvintes não é reverência. Ele revela a dificuldade de permanecer onde a verdade exige decisão. Calar diante do essencial é sinal de um coração dividido, incapaz de sustentar a unidade entre o que se conhece e o que se vive.

A preservação do ser como critério do agir
Salvar não é apenas evitar a perda visível, mas manter íntegra a forma interior da pessoa. O agir justo preserva essa inteireza e impede que o medo determine a ação. Assim o ser permanece alinhado com aquilo que o chama à plenitude.

A escolha que não admite adiamento
O ensinamento culmina na clareza de que o bem não espera circunstâncias ideais. Ele se realiza quando o ser responde no instante presente. Permanecer nesse ponto exige maturidade interior e confiança na ordem que sustenta a vida.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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