Liturgia Diária
10 – SÁBADO
SEMANA DA EPIFANIA
(branco, pref. da Epifania ou do Natal – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
Cum autem venit plenitudo temporis,
misit Deus Filium suum, factum ex muliere,
factum sub lege,
ut eos, qui sub lege erant, redimeret,
ut adoptionem filiorum reciperemus.
(Gal 4,4–5)
Quando o tempo alcançou sua plenitude interior,
Deus enviou o Seu Filho, gerado no seio da condição humana,
assumindo a ordem da Lei,
para libertar aqueles que viviam sob o peso da separação,
a fim de que recebêssemos, no Espírito, a filiação adotiva. (Gal 4,4–5)
Jesus manifesta-se como o Messias-esposo quando inicia sua vida pública após acolher o Espírito que o permeia integralmente. Nesse gesto inaugural, revela-se uma vocação ontológica: existir em comunhão consciente com a Origem. O batismo não é rito exterior, mas despertar interior, no qual a criatura reconhece sua procedência e destino. Saber-se “de Deus” não impõe servidão, mas orienta o ser para agir por adesão e sentido. Caminhar como amigo de Jesus significa participar de sua disposição interior: agir sem coerção, escolher por reconhecimento e permanecer fiel à verdade que sustenta o próprio existir como fundamento silencioso da consciência desperta humana.
Evangelium secundum Ioannem 3,22–30
22 Post haec venit Iesus et discipuli eius in Iudaeam terram et illic demorabantur cum eis et baptizabat.
Após esses acontecimentos, Jesus entra no espaço interior da decisão humana, permanece com os seus e ali desperta consciências.
23 Erat autem et Ioannes baptizans in Aennon iuxta Salim quia aquae multae erant illic et veniebant et baptizabantur.
João continua seu ofício onde há abundância de águas, sinal da disposição interior para a transformação.
24 Nondum enim missus fuerat Ioannes in carcerem.
Ainda não chegara o tempo do recolhimento e da prova silenciosa.
25 Facta est autem quaestio ex discipulis Ioannis cum Iudaeo de purificatione.
Surge o confronto quando a mente se prende aos meios e esquece o sentido.
26 Et venerunt ad Ioannem et dixerunt ei Rabbi qui erat tecum trans Iordanem cui tu testimonium perhibuisti ecce hic baptizat et omnes veniunt ad eum.
O apego à comparação obscurece a visão do próprio caminho.
27 Respondit Ioannes et dixit Non potest homo accipere quicquam nisi fuerit ei datum de caelo.
Tudo o que se recebe nasce da ordem superior do ser.
28 Ipsi vos mihi testimonium perhibetis quod dixerim non sum ego Christus sed quia missus sum ante illum.
Reconhecer o próprio lugar preserva a integridade interior.
29 Qui habet sponsam sponsus est amicus autem sponsi qui stat et audit eum gaudio gaudet propter vocem sponsi hoc ergo gaudium meum impletum est.
A alegria plena nasce quando se escuta o chamado que não é para si.
30 Illum oportet crescere me autem minui.
O essencial se expande quando o ego se recolhe.
Verbum Domini
Reflexão:
Há um tempo para agir e um tempo para consentir
A consciência amadurece ao reconhecer limites próprios
Comparar-se dissolve o eixo interior
Aceitar o que é dado ordena o espírito
A alegria verdadeira não depende da posse
Crescer é permitir que o essencial prevaleça
Diminuir não é perda mas alinhamento
Assim a vida encontra seu justo ritmo
Versículo mais importante:
Illum oportet crescere me autem minui.
O essencial se expande quando o ego se recolhe. (Jo 3,30)
HOMILIA
Convém que Ele Cresça
O crescimento autêntico ocorre quando o centro interior se desloca do eu para o princípio que o sustenta.
O Evangelho segundo João apresenta um movimento silencioso e decisivo da alma. Jesus avança em sua missão enquanto João permanece fiel ao lugar que lhe foi confiado. Não há disputa nem apego, apenas reconhecimento da ordem que sustenta o real. Cada ser é chamado a cumprir sua medida, sem usurpar o espaço do outro, permitindo que o essencial se manifeste.
A evolução interior não acontece por acumulação, mas por consentimento. O coração amadurece quando aprende a ceder o centro, abrindo espaço para uma presença maior que orienta sem coagir. João ensina que a alegria verdadeira nasce da escuta atenta e do alinhamento com o que vem do alto.
A dignidade da pessoa se revela quando ela age a partir de sua origem e não da comparação. Do mesmo modo, a família como célula mater da existência humana floresce quando cada vínculo respeita a ordem do dom e do cuidado, tornando-se lugar de crescimento e transmissão da vida interior.
Quando o eu se recolhe, o ser se expande. Nesse movimento, a existência encontra seu equilíbrio, e a verdade torna-se morada estável do espírito.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
O Esvaziamento que Revela o Ser
O versículo orientador
O essencial se expande quando o ego se recolhe (Jo 3,30).
Essa afirmação expressa o eixo da revelação cristã como caminho de maturação interior. João reconhece que a verdade não se afirma por apropriação, mas por conformidade com a origem. O crescimento do Filho não diminui o homem, antes o situa corretamente na ordem do ser.
A ordem do dom
Tudo o que existe procede de uma fonte que antecede a vontade individual. Quando a pessoa reconhece essa precedência, sua ação deixa de ser reativa e passa a ser participativa. O recolhimento do ego não é negação da identidade, mas purificação do olhar que permite receber sem distorção aquilo que é dado do alto.
Cristo como medida interior
O crescimento de Cristo não é quantitativo, mas qualitativo. Ele se manifesta quando a consciência se alinha à verdade que a sustenta. Nesse alinhamento, a vida deixa de girar em torno da autoafirmação e passa a refletir a sabedoria que ordena todas as coisas com simplicidade e firmeza.
A maturidade da pessoa e da família
A pessoa alcança sua dignidade plena quando vive segundo sua vocação originária. A família, como célula mater da existência humana, torna-se espaço fecundo quando cada membro aprende a sair do centro e a servir à vida que se transmite. Assim se preserva a continuidade do ser e a harmonia entre as gerações.
A alegria do recolhimento
João declara que sua alegria está completa porque compreendeu seu lugar. Essa alegria não depende de reconhecimento externo, mas da fidelidade interior. Quando o ego se recolhe, o essencial encontra espaço para habitar, e a existência repousa na verdade que não passa.
Leia também:
#LiturgiaDaPalavra
#EvangelhoDoDia
#ReflexãoDoEvangelho
#IgrejaCatólica
#Homilia
#Orações
#Santo do dia

Nenhum comentário:
Postar um comentário