Liturgia Diária
27 – TERÇA-FEIRA
3ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”
A verdadeira família de Jesus manifesta-se, em sua origem, na casa onde Ele foi gerado, acolhido e guardado. Nela, o desígnio divino encontrou espaço, silêncio e fidelidade para entrar no mundo. Essa família não se define apenas pelo sangue, mas pela disposição interior que permite à vontade divina tomar forma na história. Nela, cada ser reconhece seu lugar na ordem viva que precede escolhas e ultrapassa o tempo sucessivo. Nesta celebração, somos reunidos não por proximidade exterior, mas por convergência interior, onde vontades dispersas reencontram um único centro. Ao acolher a Palavra, a mente se alinha à verdade que não passa, e o coração se dilata para o bem que não constrange. Assim, a comunhão se realiza como participação consciente no querer divino que gera, sustenta e orienta o ser.
Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est
Evangelium secundum Marcum 3,31–35
31 Et veniunt mater eius et fratres et foris stantes miserunt ad eum vocantes eum.
Chegam aqueles que lhe deram origem histórica e o chamam desde fora, indicando o limite entre a forma visível e o chamado interior que sustenta o ser.
32 Et sedebat circa eum turba et dixerunt ei ecce mater tua et fratres tui foris quaerunt te.
A assembleia ao redor representa a atenção reunida no instante pleno, enquanto o apelo exterior revela a tensão entre pertencimento aparente e adesão essencial.
33 Et respondens eis ait quae est mater mea et fratres mei.
Jesus desloca o olhar da superfície para o princípio, convidando a consciência a rever o que define a verdadeira pertença.
34 Et circumspiciens eos qui in circuitu sedebant ait ecce mater mea et fratres mei.
O olhar que circunda reconhece como família aqueles que permanecem centrados na escuta e na presença.
35 Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.
A comunhão autêntica nasce da concordância com o querer que sustenta tudo, onde o ser encontra sua origem contínua.
Verbum Domini
Reflexão:
A palavra desloca o eixo do pertencimento para o interior do agir consciente
Nada se perde quando o ser se alinha ao princípio que o chama
O vínculo mais forte nasce da fidelidade silenciosa ao bem reconhecido
A escuta atenta ordena o pensamento e pacifica o coração
O presente torna-se pleno quando a vontade se ajusta ao que é justo
A casa verdadeira forma-se onde há constância e discernimento
Assim o humano participa de uma ordem que não se fragmenta
E encontra repouso ao agir conforme aquilo que permanece
Versículo mais importante:
Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.
Quem se une ao querer divino permanece na origem,
onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)
HOMILIA
A Origem que Sustenta a Casa
A família revela sua plenitude ao oferecer espaço para o crescimento silencioso do sentido.
No Evangelho, quando Jesus indica como família aqueles que realizam o querer divino, Ele não nega a casa que O gerou, mas a eleva ao seu sentido pleno. Antes de ampliar o vínculo, Ele o enraíza. Deus adentrou a história ao encontrar uma morada que consentisse em recebê-Lo, e essa casa primeira tornou possível que o Mistério crescesse sob cuidado, silêncio e fidelidade. Ao fazê-lo, revelou a família como célula mater do existir humano e espaço onde o sentido aprende a habitar antes de ser anunciado.
É a partir dessa origem concreta que o ensinamento se expande. A palavra pronunciada em Marcos não rompe laços, mas revela seu fundamento interior. A pertença se aprofunda pela escuta que ordena o agir ao bem reconhecido, e não pela proximidade exterior. Quando a vida se organiza a partir desse centro estável, o tempo deixa de dispersar o sentido e passa a maturar o ser. Honrar essa origem é permitir que o eterno continue a inscrever-se no mundo, não como ideia abstrata, mas como presença viva que forma, sustenta e orienta o existir.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Versículo Inspirador
Quem se une ao querer divino permanece na origem, onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)
A Origem que Precede o Agir
O ensinamento de Jesus revela que toda permanência verdadeira nasce do alinhamento interior ao querer que sustenta a criação. Permanecer na origem não significa retorno ao passado, mas habitar o ponto onde o sentido não se dispersa. Nesse lugar interior, o ser não é conduzido pela sucessão dos instantes, mas pela fidelidade ao princípio que o chama continuamente ao existir pleno.
A Família como Espaço de Permanência
Em harmonia com a homilia, compreende-se que a família assume dignidade singular por ser o primeiro espaço onde essa permanência pode ser aprendida. Foi por meio de uma casa concreta que Deus entrou na história, mostrando que o acolhimento silencioso forma o ser antes de qualquer palavra. Assim, o lar torna-se escola de escuta, maturação e consentimento ao bem reconhecido.
O Presente que Sustenta o Ser
Quando a vontade humana se ajusta ao querer divino, o tempo deixa de fragmentar a existência. O agir nasce de um centro estável, e o vínculo já não depende da exterioridade, mas da comunhão interior. Nesse presente pleno, o ser encontra repouso, direção e sentido, participando da ordem viva que gera, sustenta e orienta todas as coisas.
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