sábado, 14 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 8,14-21 - 17.02.2026

 Liturgia Diária


17 – TERÇA-FEIRA 

6ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)

“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Psalmus 30 (31), 3–4 — Biblia Sacra Juxta Vulgatam Clementinam

Esto mihi in Deum protectorem, et in locum refugii, ut salvum me facias.
Quoniam fortitudo mea et refugium meum es tu;
et propter nomen tuum deduces me et enutries me.

Tradução liturgica

Sê para mim, ó Eterno, não apenas auxílio nas horas que passam,
mas Presença que sustenta o instante fora do tempo.

Sê meu Deus protetor no Agora que não se dissolve,
meu refúgio no centro imóvel da eternidade,
onde o passado se redime e o futuro repousa.

Porque Tu és minha Força —
não a força que nasce da matéria,
mas aquela que precede o ser
e mantém o cosmos suspenso no Teu querer.

Tu és meu Refúgio —
não abrigo contra eventos externos,
mas morada interior onde o Tempo Vertical se abre,
e a alma encontra o Eterno dentro do instante.

Por causa do Teu Nome —
Nome que é Essência,
Nome que é Presença,
Nome que vibra acima da sucessão dos dias —

Tu me conduzes além da cronologia,
e me sustentas na eternidade que atravessa o agora.


Deus é Luz originária, princípio que antecede toda forma e sustenta o ser no instante permanente. Sua claridade não apenas ilumina caminhos exteriores, mas desperta a consciência para o bem que nasce do interior reconciliado. Ao acolher essa Luz, o espírito amadurece e passa a agir por convicção, não por imposição, realizando o bem como expressão da própria essência restaurada. Confiemos ao Senhor o desejo sincero de frutificar na jornada da alma, permitindo que nossos olhos percebam a Verdade e que nossos ouvidos discernam a Palavra viva de seu Filho, que orienta, sustenta e conduz no eterno presente do Ser.



EVANGELIUM SECUNDUM MARCUM VIII, XIV–XXI

XIV
Et obliti sunt sumere panes et nisi unum panem non habebant secum in navi.
Esqueceram-se do pão visível e levavam consigo apenas um. A alma, quando se fixa no imediato, ignora que o essencial já a acompanha no centro do ser.

XV
Et praecipiebat eis dicens Videte cavete a fermento pharisaeorum et fermento Herodis.
Ele os adverte a vigiar o fermento que corrompe interiormente. Há pensamentos que dilatam a verdade e outros que a obscurecem no íntimo da consciência.

XVI
Et cogitabant ad alterutrum dicentes Quia panes non habemus.
Entre si consideravam a falta material, revelando como o espírito muitas vezes permanece preso à aparência e não percebe a plenitude que o sustenta.

XVII
Quo cognito dicit eis Quid cogitatis quia panes non habetis nondum cognoscitis neque intellegitis adhuc caecatum habetis cor vestrum.
Ele revela que a incompreensão nasce do coração obscurecido. A visão interior se abre quando o ser se desprende do temor e se orienta para o que permanece.

XVIII
Oculos habentes non videtis et aures habentes non auditis nec recordamini.
Ter olhos e não ver é viver disperso. Ter ouvidos e não ouvir é ignorar a Voz que ressoa além das mudanças e chama ao despertar contínuo.

XIX
Quando quinque panes fregi in quinque milia hominum quot cophinos fragmentorum plenos tulistis dicunt ei Duodecim.
Ao recordar os cinco pães repartidos, manifesta-se a abundância que ultrapassa o cálculo. Do pouco entregue com confiança nasce plenitude inesperada.

XX
Quando et septem in quattuor milia quot sportas fragmentorum tulistis et dicunt ei Septem.
Também dos sete pães partilhados restaram cestos cheios. A medida humana não contém a generosidade que flui da Fonte invisível.

XXI
Et dicebat eis Quomodo nondum intellegitis.
Ele interpela a consciência adormecida. Compreender é atravessar a superfície dos fatos e perceber a Presença que sustenta cada instante.

Verbum Domini

Reflexão

O ensinamento convida a ultrapassar a ansiedade do imediato e a perceber o sentido que sustenta cada momento.
O coração esclarecido não depende da abundância exterior para permanecer firme.
A verdadeira força nasce do domínio interior e da confiança no Bem.
Quando a mente se aquieta, a realidade revela profundidade antes ignorada.
O pouco oferecido com inteireza torna-se suficiente.
A memória dos sinais fortalece a perseverança diante das incertezas.
A consciência vigilante distingue o que edifica do que corrompe.
Assim, o espírito amadurece e caminha estável no centro do Ser que tudo sustenta.


Versículo mais importante:

XVIII

Oculos habentes non videtis et aures habentes non auditis nec recordamini.

Possuís olhos, mas não contemplais a profundidade do real; tendes ouvidos, mas não escutais a Voz que ressoa além do fluxo dos acontecimentos. A memória que vos falta não é apenas lembrança de fatos, mas consciência desperta do Eterno que se manifesta no agora. Quando o coração se recolhe, a visão se purifica e a escuta se torna interior, percebendo a Presença que sustenta cada instante e atravessa o tempo sem se fragmentar. (Mc 8,18)


HOMILIA

A Luz que desperta o coração

A verdadeira compreensão surge quando os olhos interiores se abrem para além das aparências.

Amados, o Evangelho nos apresenta discípulos inquietos pela falta de pão, enquanto Aquele que é o Pão verdadeiro está presente na barca. A cena revela a condição da alma humana que, cercada pela Presença, ainda se angustia com a escassez aparente. O Mestre não repreende a necessidade material, mas a obscuridade do coração que esquece os sinais já vividos.

Ter olhos e não ver é permanecer na superfície dos acontecimentos. Ter ouvidos e não ouvir é deixar que o ruído exterior sufoque a Voz que fala no íntimo. A advertência sobre o fermento indica que pequenas disposições interiores moldam todo o ser. Ideias distorcidas crescem silenciosamente e alteram a percepção da verdade. Por isso, a vigilância começa no interior.

Quando o Senhor recorda os pães multiplicados, Ele convida à memória profunda. Não se trata apenas de recordar um prodígio passado, mas de reconhecer que a Fonte que alimentou ontem sustenta agora e sustentará sempre. Há uma dimensão do existir onde o agir divino não está preso à sucessão dos dias, mas permanece ativo no centro do presente. Quem acessa essa profundidade já não vive dominado pela ansiedade.

A evolução interior acontece quando o coração deixa de medir a realidade apenas pelo cálculo e aprende a confiar na ordem superior que governa todas as coisas. O ser humano amadurece quando passa da dependência do visível para a firmeza interior. Essa firmeza não é dureza, mas estabilidade luminosa. É a capacidade de agir segundo a consciência esclarecida, não segundo o medo.

A dignidade da pessoa nasce dessa consciência desperta. Cada homem e cada mulher são chamados a refletir a luz que receberam. No seio da família, célula mater da formação espiritual, aprende-se a confiança, a responsabilidade e a entrega mútua. Ali o pão repartido não é apenas alimento, mas sinal de comunhão e escola de caráter. Quando o lar se torna espaço de memória viva dos sinais de Deus, forma-se uma geração capaz de permanecer firme nas provações.

O questionamento final do Senhor, ainda não compreendeis, ecoa como chamado à maturidade. Compreender é integrar o que se viu e ouviu, permitindo que a experiência transforme o modo de existir. É passar da inquietação para a serenidade, da dispersão para a unidade interior.

Que esta Palavra nos conduza ao recolhimento do coração. Que nossos olhos se abram para além das aparências. Que nossos ouvidos escutem a Voz que sustenta o ser. E que, alimentados pela Presença que jamais se ausenta, caminhemos com firmeza, consciência e nobreza de espírito, irradiando no mundo a luz que recebemos.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O chamado à visão interior

No Evangelho segundo Marcos 8,18 lemos
Possuís olhos, mas não contemplais a profundidade do real; tendes ouvidos, mas não escutais a Voz que ressoa além do fluxo dos acontecimentos.

Estas palavras revelam mais que uma advertência moral. Elas desvelam a condição do espírito humano quando permanece fixado apenas na superfície do visível. A visão autêntica não se limita à percepção sensível, mas envolve a participação da inteligência iluminada pela graça. Ver, neste sentido, é penetrar no fundamento do ser e reconhecer que toda realidade criada subsiste por um Princípio que a sustenta continuamente.

A memória como consciência do Eterno

A memória evocada pelo Senhor não se reduz à recordação psicológica. Trata-se de uma consciência viva que mantém a alma unida à ação divina que não cessa. Quando o homem esquece os sinais recebidos, fragmenta sua experiência e passa a viver como se cada instante estivesse isolado. Porém, quando a memória se torna contemplativa, ela integra passado, presente e esperança numa única fidelidade à Presença que permanece.

Essa memória espiritual permite que o crente reconheça que o agir de Deus não pertence apenas ao ontem da história, mas se atualiza no agora. A obra divina não é prisioneira da sucessão cronológica, pois procede daquele que é plenitude do Ser.

O recolhimento do coração

O texto afirma que, quando o coração se recolhe, a visão se purifica. O recolhimento não é fuga do mundo, mas retorno ao centro interior onde a consciência se ordena. Nesse espaço íntimo, a escuta torna-se profunda e a alma distingue o que é essencial do que é passageiro.

A purificação do olhar restaura a dignidade da pessoa, pois a faz agir segundo a verdade inscrita em sua própria natureza. O ser humano descobre que não é conduzido apenas por impulsos externos, mas chamado a responder livremente ao Bem que o precede.

A Presença que sustenta cada instante

Perceber a Presença que atravessa o tempo sem se fragmentar é entrar na estabilidade do Ser que sustenta todas as coisas. O fiel que acolhe essa verdade deixa de viver na dispersão e encontra unidade interior. Cada momento torna-se ocasião de comunhão, cada decisão se transforma em resposta consciente ao Amor originário.

Assim, a Palavra de Marcos não apenas corrige a incompreensão dos discípulos, mas convida a assembleia litúrgica a elevar o olhar. Ver e ouvir tornam-se atos espirituais que unem a criatura ao Criador. E, nessa união, o coração encontra firmeza, clareza e paz duradoura.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

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Mensagens de Fé

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 8,11-13 - 16.02.2026

 Liturgia Diária


16 – SEGUNDA-FEIRA 

6ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.


Psalmus XXX XXXI III–IV

Esto mihi in Deum protectorem et in domum refugii ut salvum me facias
Quoniam fortitudo mea et refugium meum es tu et propter nomen tuum deduces me et enutries me

Tradução

Sê para mim Presença guardiã e morada interior, rocha invisível onde minha alma encontra salvação.
Tu és minha força que não se esgota e meu abrigo constante. Pelo teu Nome conduzes meus passos e nutres meu ser no silêncio que sustenta todas as coisas. (Sl 30(31),3-4)


A liturgia de hoje convoca a alma ao recolhimento e à lucidez do espírito, para suplicar ao Eterno a sabedoria que ordena o ser e purifica o querer. Não buscamos prodígios, mas a silenciosa presença que sustenta todas as coisas. No íntimo do coração, o instante se aprofunda e toca a eternidade, onde cada gesto adquire peso de origem. Renovamos a confiança, atravessando o véu das aparências, para celebrar os mistérios como participação consciente no fundamento do existir, caminhando com decisão interior e harmonia diante da luz que nos guia. Que tudo ressoe em gratidão e quietude profunda perene interior.



Evangelium secundum Marcum VIII, XI–XIII

Texto conforme a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam e o Evangelho de Marcos

XI
Et exierunt pharisaei et coeperunt conquirere cum illo quaerentes ab eo signum de caelo tentantes eum.
E surgem as vozes da prova exterior, pedindo sinais no alto, mas o coração que busca o Eterno aprende que a verdade não se impõe pelos céus visíveis, e sim pelo despertar interior que antecede todo fenômeno.

XII
Et ingemiscens spiritu ait quid generatio ista signum quaerit amen dico vobis si dabitur generationi isti signum.
Ele suspira no mais profundo do ser, pois a geração inquieta exige evidências, sem perceber que o eterno já pulsa no instante presente, onde o sentido se revela sem espetáculo, na maturidade do espírito recolhido.

XIII
Et dimittens eos ascendit iterum navem abiit trans fretum.
Então se afasta, atravessando as águas como quem cruza os limiares do tempo, ensinando que a travessia verdadeira ocorre dentro, onde a alma aprende a permanecer firme mesmo quando o mundo oscila.

Verbum Domini

Reflexão

No silêncio do rito, o instante se dilata e toca a origem.
A mente aprende a não depender do extraordinário.
O ser encontra firmeza no centro que não se move.
Cada respiração torna-se participação no eterno agora.
As provas externas perdem força diante da consciência desperta.
A vontade se ordena ao bem que sustenta todas as coisas.
Caminha-se com serenidade, ainda que as águas se agitem.
Assim o coração celebra o Mistério como morada permanente.


Versículo mais importante:

XII
Et ingemiscens spiritu ait quid generatio ista signum quaerit amen dico vobis si dabitur generationi isti signum.

E suspirando no mais íntimo do espírito, revela que a busca por provas externas nasce da dispersão do coração, pois o Eterno já se oferece no instante profundo, onde o agora toca a origem e o ser aprende a reconhecer a Presença sem depender de prodígios, permanecendo firme na consciência que atravessa todos os tempos. (Mc 8,12)


HOMILIA

Homilia do silêncio que amadurece a fé

O Eterno não se revela no estrondo dos céus, mas na profundidade silenciosa onde o ser repousa em sua origem.

À luz do Evangelho de Marcos contemplamos o encontro entre o coração humano e o Mistério que não se deixa aprisionar por provas exteriores. Os fariseus pedem sinais no céu, mas o céu verdadeiro já pulsa no interior do ser. O pedido de prodígios revela a inquietação de quem ainda vive disperso nas aparências. O suspiro de Cristo nasce de uma compaixão profunda, como se chamasse a humanidade a regressar ao centro onde tudo se sustenta.

O sinal não é espetáculo. O sinal é presença. A eternidade não se impõe por clarões, mas por uma claridade silenciosa que amadurece a consciência. Quando a alma se recolhe, cada instante se abre como porta para a origem. O tempo deixa de ser sucessão apressada e torna-se profundidade. O agora torna-se sagrado. Nesse ponto, a fé já não exige garantias, pois repousa no próprio fundamento do existir.

A travessia da barca recorda que o Mestre não se detém nas discussões estéreis. Ele passa adiante, convidando-nos a atravessar também. A travessia é interior. É passagem do ruído para a escuta, da ansiedade para a confiança, da dependência de sinais para a firmeza do espírito. Quem aprende esse caminho descobre uma autonomia serena, capacidade de agir com retidão sem ser escravo das circunstâncias.

Assim a pessoa humana reencontra sua dignidade original, imagem viva do Alto, guardiã de uma chama que nada pode extinguir. E a família, célula mater, torna-se espaço sagrado onde essa chama é transmitida como herança invisível, onde o amor cotidiano educa o caráter e orienta a consciência para o bem duradouro. Ali se aprende que o cuidado mútuo é participação no próprio gesto criador.

Celebrar os santos mistérios é aceitar esse chamado. Não pedir sinais, mas tornar-se sinal. Não buscar o extraordinário, mas reconhecer o eterno escondido no gesto simples, no pão repartido, na oração silenciosa. Quando o coração se firma nessa presença, toda a vida se converte em liturgia, e cada passo se harmoniza com a vontade que sustenta o universo. Então caminhamos em paz, atravessando as águas do mundo com o olhar fixo na luz que nunca se apaga.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Et ingemiscens spiritu ait quid generatio ista signum quaerit amen dico vobis si dabitur generationi isti signum Evangelho de Marcos VIII, XII conforme a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam

E suspirando no mais íntimo do espírito, revela que a busca por provas externas nasce da dispersão do coração, pois o Eterno já se oferece no instante profundo, onde o agora toca a origem e o ser aprende a reconhecer a Presença sem depender de prodígios, permanecendo firme na consciência que atravessa todos os tempos.

O suspiro do Verbo encarnado

O suspiro de Cristo não é sinal de cansaço humano, mas expressão de uma compaixão que contempla a cegueira espiritual. Ele percebe a inquietação de uma geração que procura certezas fora de si, quando o mistério de Deus já habita o interior da criatura. Esse gemido é um chamado ao recolhimento, uma convocação ao retorno ao centro onde o espírito encontra sua verdadeira medida.

O equívoco dos sinais exteriores

A exigência de provas extraordinárias nasce do olhar disperso, preso ao visível. Quando o coração depende do espetáculo, perde a capacidade de perceber a ação silenciosa do Altíssimo. O Reino não se impõe por evidências ruidosas, mas por uma presença que sustenta o ser desde a raiz. A fé amadurece quando deixa de buscar confirmações e passa a habitar a confiança.

O instante que toca a origem

Existe uma profundidade no agora em que a sucessão dos acontecimentos cede lugar à permanência. Nesse ponto, o tempo não se mede por relógios, mas por intensidade de comunhão. O instante torna-se encontro com a Fonte. Quem desce a essa interioridade experimenta continuidade, como se cada momento estivesse ligado ao princípio eterno que tudo gera e sustenta.

A firmeza da consciência

Daí nasce uma estabilidade que não depende das circunstâncias. A alma aprende a permanecer serena mesmo em meio às mudanças. Essa firmeza não é dureza, mas clareza. É saber-se sustentada por um fundamento que não oscila. Tal postura orienta as escolhas, purifica os desejos e conduz a pessoa a uma vida íntegra e responsável diante de Deus.

O culto interior e a vida cotidiana

A liturgia, então, deixa de ser apenas rito exterior e torna-se disposição constante do espírito. Cada gesto, cada palavra e cada silêncio podem converter-se em oferenda. No lar, esse movimento assume forma concreta, pois ali o amor cotidiano educa, protege e transmite sentido às gerações. A casa torna-se santuário, e o convívio transforma-se em escola de maturidade espiritual.

Síntese contemplativa

O versículo ensina que o verdadeiro sinal já foi dado. Não é um prodígio nos céus, mas a presença do próprio Cristo no íntimo do ser. Quem acolhe essa presença atravessa os dias com paz, celebra os mistérios com profundidade e aprende a viver cada momento como participação na eternidade que nunca passa.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LIRTURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 5,17-37 - 15.02.2026

 Liturgia Diária


15 – DOMINGO 

6º DOMINGO DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 2ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Salmo 30(31), 3–4 — Vulgata Clementina

Esto mihi in Deum protectorem, et in domum refugii, ut salvum me facias.
Quoniam fortitudo mea et refugium meum es tu; et propter nomen tuum deduces me et enutries me.

Tradução

Sê para mim, ó Eterno, Presença que antecede o tempo,
Rochedo invisível onde a alma repousa antes de nascer cada instante.
Torna-Te minha Morada interior e meu Refúgio vivo, para que eu seja salvo do esquecimento de Ti.

Pois Tu és a força que me sustenta no agora eterno,
o Centro onde toda dispersão se recolhe.
Por causa do Teu Nome — que é Ser e Origem —
Tu me conduzes pelo caminho que não passa
e me nutres com o pão silencioso da permanência.


Nesta liturgia interior o Senhor chama a consciência a percorrer o traçado dos mandamentos como órbita do ser. Entre sombras e claridades, decide a direção do coração, colhendo fruto de plenitude ou dispersão. Reunidos, celebramos o Mistério pascal de Cristo, passagem que nos conduz do transitório ao fundamento perene. Que a Sabedoria nos guie, nutrindo o íntimo com fidelidade ao Nome, para que cada gesto se torne oferta viva, e a existência amadureça na unidade do eterno presente, onde o espírito encontra descanso e vigor incessante para caminhar em retidão luminosa sempre, silenciosa e profunda contemplação do ser interior pleno.



Evangelium secundum Matthaeum V, XVII–XXXVII

XVII
Nolite putare quoniam veni solvere legem aut prophetas non veni solvere sed adimplere
Não vim dissolver a Lei que sustenta o ser, mas conduzi-la à sua plenitude interior, onde cada preceito se torna forma viva do eterno no coração humano.

XVIII
Amen quippe dico vobis donec transeat caelum et terra iota unum aut unus apex non praeteribit a lege donec omnia fiant
Em verdade nada do desígnio se perde, pois até o menor traço permanece inscrito na tessitura do real, sustentando o cosmos no instante que não passa.

XIX
Qui ergo solverit unum de mandatis istis minimis et docuerit sic homines minimus vocabitur in regno caelorum qui autem fecerit et docuerit hic magnus vocabitur in regno caelorum
Quem rompe a harmonia do mandamento diminui a própria luz, mas quem o vive torna-se amplo como o céu e participa da grandeza do Alto.

XX
Dico enim vobis quia nisi abundaverit iustitia vestra plus quam scribarum et pharisaeorum non intrabitis in regnum caelorum
A retidão pedida não é exterior, mas transbordamento íntimo, pureza que nasce do centro e conduz à morada invisível do espírito.

XXI
Audistis quia dictum est antiquis non occides qui autem occiderit reus erit iudicio
O antigo preceito ecoa como guardião da vida, lembrando que toda ruptura começa no pensamento antes de tocar as mãos.

XXII
Ego autem dico vobis quia omnis qui irascitur fratri suo reus erit iudicio qui autem dixerit fratri suo racha reus erit concilio qui autem dixerit fatue reus erit gehennae ignis
Mas a chama que consome nasce da cólera secreta, e o juízo já se forma no interior onde a palavra fere antes do gesto.

XXIII
Si ergo offers munus tuum ad altare et ibi recordatus fueris quia frater tuus habet aliquid adversum te
Ao aproximar-te do altar, lembra-te que o culto verdadeiro pede inteireza de consciência.

XXIV
Relinque ibi munus tuum ante altare et vade prius reconciliari fratri tuo et tunc veniens offeres munus tuum
Primeiro recompõe a unidade do coração, depois a oferenda sobe pura como incenso silencioso.

XXV
Esto consentiens adversario tuo cito dum es in via cum eo ne forte tradat te adversarius iudici et iudex ministro et in carcerem mittaris
Caminha em concórdia enquanto percorres o caminho, pois cada passo é ocasião de ajuste e claridade.

XXVI
Amen dico tibi non exies inde donec reddas novissimum quadrantem
Nada fica sem equilíbrio, e até o menor débito pede restauração para que a alma respire inteira.

XXVII
Audistis quia dictum est antiquis non moechaberis
O chamado antigo protege a fidelidade do ser, guardando a pureza do vínculo interior.

XXVIII
Ego autem dico vobis quia omnis qui viderit mulierem ad concupiscendum eam iam moechatus est eam in corde suo
O desvio começa no olhar desordenado, pois o coração é o primeiro templo a ser velado.

XXIX
Quod si oculus tuus dexter scandalizat te erue eum et proice abs te expedit enim tibi ut pereat unum membrorum tuorum quam totum corpus tuum mittatur in gehennam
Remove de ti o que obscurece a visão, ainda que custe esforço, para que o todo permaneça íntegro na luz.

XXX
Et si dextera manus tua scandalizat te abscide eam et proice abs te expedit enim tibi ut pereat unum membrorum tuorum quam totum corpus tuum eat in gehennam
Afasta o gesto que conduz ao erro, pois é melhor perder o supérfluo que afastar-se do caminho do alto.

XXXI
Dictum est autem quicumque dimiserit uxorem suam det illi libellum repudii
Foi permitido separar por dureza do coração, sinal da fragilidade humana.

XXXII
Ego autem dico vobis quia omnis qui dimiserit uxorem suam excepta fornicationis causa facit eam moechari et qui dimissam duxerit adulterat
Mas a união pede fidelidade profunda, pois o amor verdadeiro reflete a constância do Eterno.

XXXIII
Iterum audistis quia dictum est antiquis non periurabis reddes autem Domino iuramenta tua
Também foi dito que a palavra empenhada deve corresponder à verdade que a sustenta.

XXXIV
Ego autem dico vobis non iurare omnino neque per caelum quia thronus Dei est
Não te apoies em juramentos, pois o céu já testemunha cada intenção.

XXXV
Neque per terram quia scabellum est pedum eius neque per Hierosolymam quia civitas est magni regis
Nem pela terra nem pela cidade santa, porque tudo pertence ao Mistério que envolve o mundo.

XXXVI
Neque per caput tuum iuraveris quia non potes unum capillum album facere aut nigrum
Nem por ti mesmo, pois não dominas sequer o fio do próprio cabelo.

XXXVII
Sit autem sermo vester est est non non quod autem his abundantius est a malo est
Que tua palavra seja simples e inteira, pois a verdade dispensa excesso e repousa na transparência do ser.

Verbum Domini

Reflexão
O mandamento não pesa quando nasce do íntimo iluminado
A lei torna-se caminho de unificação do espírito
Cada escolha molda o caráter como o escultor modela a pedra
O coração disciplinado encontra serenidade diante das mudanças
A fidelidade cotidiana constrói morada estável no invisível
O silêncio interior sustenta a ação justa sem violência
A palavra íntegra harmoniza pensamento e gesto
Assim a existência se alinha ao Eterno e caminha em paz contínua


Versículo mais importante:

XVIII
Amen quippe dico vobis donec transeat caelum et terra iota unum aut unus apex non praeteribit a lege donec omnia fiant

Em verdade vos digo nada do que procede do Eterno se perde no curso dos dias. Ainda que céus e terra se transformem, o menor traço do desígnio permanece vivo. Assim a alma aprende que há um fundamento que não passa, onde cada instante repousa e recebe sentido. Nessa permanência invisível somos conduzidos, nutridos e guardados, para que a vida se alinhe ao centro imperecível do Ser. (Mt 5,18)


HOMILIA

Homilia da Plenitude Interior da Lei

A fidelidade cotidiana edifica um santuário invisível, no qual a vida encontra estabilidade, dignidade e permanência.

Amados, o Senhor não veio romper a ordem secreta do mundo, mas conduzi-la ao seu cumprimento vivo. A Lei não é peso imposto de fora, nem cadeia que restringe o passo humano. Ela é forma do próprio ser, música invisível que sustenta a criação. Quando Cristo afirma que não veio abolir, mas completar, revela que todo mandamento é um caminho de inteireza, uma arquitetura para que a alma habite a verdade.

Nada do que é eterno se perde. Nem o menor sinal do desígnio divino se dissolve na sucessão dos dias. O que passa pertence às sombras do tempo. O que permanece pertence ao fundamento. Por isso a justiça pedida por Cristo não se contenta com aparências. Ela nasce do centro, do lugar silencioso onde a consciência se encontra com Deus. Ali cada gesto é pesado, cada palavra adquire densidade, cada intenção se torna semente de destino.

Quando o Senhor fala do homicídio, Ele alcança a raiz invisível da violência. Quando fala do adultério, toca o olhar antes do ato. Quando adverte sobre os juramentos, purifica a própria linguagem. Assim nos ensina que o mal não começa nos fatos, mas na desordem interior. E que a restauração começa no recolhimento do coração.

O altar, então, deixa de ser apenas pedra e se torna estado de alma. A oferenda verdadeira é a reconciliação, a unidade recuperada, o vínculo restaurado. A existência inteira converte-se em liturgia. Cada passo no caminho torna-se ocasião de ajuste, cada encontro uma possibilidade de harmonia.

Também a família resplandece como primeiro santuário. Ali a fidelidade aprende a durar, o cuidado aprende a servir, o amor aprende a permanecer. Esse núcleo discreto guarda a dignidade do ser humano, pois nele a vida é recebida como dom e sustentada com constância. Quando esse vínculo é honrado, o próprio mundo encontra estabilidade.

Cristo nos conduz a uma maturidade do espírito em que a palavra é simples e o sim é inteiro. Nada de duplicidade, nada de fragmentação. A unidade interior torna o homem firme como rocha. Quem vive assim não é arrastado pelas mudanças, pois habita um ponto que não oscila.

Esta é a passagem que celebramos. Não uma fuga do mundo, mas a transformação do íntimo. Não uma imposição externa, mas a adesão consciente ao bem. Não uma obediência servil, mas a concordância profunda entre o querer humano e o querer divino.

Que a Lei se torne luz dentro de nós. Que o coração se torne morada do Eterno. E que, sustentados por essa presença silenciosa, caminhemos com retidão, inteireza e paz. Assim nossa vida será evangelho vivo, escrito não em tábuas de pedra, mas na substância do ser.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Em verdade vos digo nada do que procede do Eterno se perde no curso dos dias. Ainda que céus e terra se transformem, o menor traço do desígnio permanece vivo. Assim a alma aprende que há um fundamento que não passa, onde cada instante repousa e recebe sentido. Nessa permanência invisível somos conduzidos, nutridos e guardados, para que a vida se alinhe ao centro imperecível do Ser. Mt 5,18

O fundamento que sustenta todas as coisas

A palavra do Senhor revela que a criação não está entregue ao acaso nem dissolvida na sucessão dos acontecimentos. Existe um princípio estável que antecede toda mudança e sustenta cada forma de existência. O mundo visível se altera, mas a raiz que o mantém permanece íntegra. A Lei nasce desse fundamento. Ela não é regra externa, mas expressão da própria estrutura do ser, como um eixo invisível que mantém o cosmos em harmonia.

A permanência no interior da alma

Quando a consciência se recolhe, descobre que também participa dessa estabilidade. No íntimo há um lugar que não oscila com as circunstâncias. Ali a pessoa encontra clareza, direção e repouso. Essa região silenciosa é o espaço onde Deus instrui sem ruído. A oração, o exame do coração e a fidelidade cotidiana tornam-se caminhos de retorno a esse centro. Assim a vida deixa de ser dispersa e passa a ser unificada.

O cumprimento da Lei como plenitude do ser

Cristo não anula a Lei porque ela é o traçado da plenitude humana. Cumpri-la significa permitir que o próprio ser floresça conforme sua verdade mais alta. Cada mandamento guarda a integridade da pessoa, preserva o amor, protege a palavra, ordena os desejos. Não se trata de temor, mas de consonância. A existência se alinha ao Bem como o instrumento que se afina ao tom justo.

A dignidade da pessoa e da família

A fidelidade ensinada pelo Evangelho manifesta-se de modo concreto nas relações mais próximas. A pessoa humana é portadora de valor intrínseco porque participa do sopro divino. A família, como primeiro lugar de acolhida e cuidado, torna-se escola de constância, respeito e entrega. Nesse espaço discreto a Lei se encarna, não como teoria, mas como vida compartilhada e preservada.

O sentido litúrgico da existência

Cada instante, sustentado por esse fundamento que não passa, pode tornar-se oferenda. O culto não se limita ao templo. Ele se prolonga na conduta reta, na palavra verdadeira e na reconciliação do coração. Assim toda a existência assume forma orante. O ser humano caminha, trabalha e ama diante de Deus, guardado por uma presença que conduz, nutre e sustenta. Nessa fidelidade silenciosa a alma encontra paz e participa da eternidade que já a envolve.

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LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 8,1-10 - 14.02.2026

 Liturgia Diária


14 – SÁBADO 

SANTOS CIRILO, MONGE, E METÓDIO, BISPO


(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Eis os homens consagrados que, no silêncio do espírito, se tornaram íntimos do Mistério e portadores da luz incorruptível. Cirilo e Metódio, irmãos na carne e no chamado, converteram o verbo humano em ponte para o Verbo eterno, traduzindo a Escritura não apenas em letras, mas em consciência desperta. Onde caminhavam, a palavra tornava-se alimento, e o coração, altar. Entre provações, permaneceram firmes na altura interior onde o instante toca o eterno. Assim ensinaram que o ser floresce quando serve à Verdade. Sua memória sustenta a oração da assembleia e recorda que todo dom procede do Alto e a Ele retorna.



Evangelium secundum Marcum VIII I–X

I In illis diebus, iterum cum turba multa esset, nec haberent quod manducarent, convocatis discipulis, ait illis
Naqueles dias, quando a multidão interior se reúne e nada possui que sacie a alma, o chamado do Mestre ecoa no centro do ser e desperta a consciência para o alimento invisível.

II Misereor super turbam, quia ecce iam triduo sustinent me, nec habent quod manducent
Compaixão brota como luz permanente, pois o coração persevera na busca e reconhece que apenas o eterno sustenta o espírito.

III Et si dimisero eos ieiunos in domum suam, deficient in via, quidam enim ex eis de longe venerunt
Se regressam vazios, esmorecem no caminho da existência, porque vieram de regiões profundas do próprio mistério.

IV Et responderunt ei discipuli sui Unde istos poterit quis hic saturare panibus in solitudine
A mente pergunta como nutrir-se no deserto do mundo, ignorando que a fonte já habita o íntimo silencioso.

V Et interrogavit eos Quot panes habetis Qui dixerunt Septem
Ele mede não a escassez, mas o que já foi confiado a cada um, pois toda dádiva oculta contém plenitude.

VI Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae
O gesto de agradecer abre a dimensão mais alta do instante, e o pão repartido torna-se presença que une céu e terra no mesmo agora.

VII Et habebant pisciculos paucos Et ipsos benedixit, et iussit apponi
Até o pouco é transfigurado quando tocado pela bênção, revelando abundância onde os olhos comuns viam limite.

VIII Et manducaverunt, et saturati sunt Et sustulerunt quod superaverat de fragmentis septem sportas
Todos se saciam e ainda recolhem excedentes, sinal de que o dom do Alto nunca se esgota quando acolhido com inteireza.

IX Erant autem qui manducaverant quasi quattuor milia Et dimisit eos
A multidão retorna renovada, levando consigo a marca de uma plenitude que não depende das horas que passam.

X Et statim ascendens navim cum discipulis suis venit in partes Dalmanutha
O Mestre atravessa as águas como quem atravessa os níveis do ser, conduzindo os seus para regiões mais profundas do sentido.

Verbum Domini

Reflexão
O pão verdadeiro nasce no interior recolhido
Quem aprende a agradecer descobre força constante
O instante torna-se vasto como eternidade silenciosa
Nada falta àquele que governa os próprios impulsos
A provação converte-se em exercício de firmeza
O caminho exterior espelha o caminho da alma
Servir ao bem é alinhar-se à ordem do alto
Assim o coração permanece inteiro e inabalável diante do mundo


Versículo mais importante:

VI

Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae

Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma. (Mc 8,6)


HOMILIA

O pão que desce do Alto e sacia o ser

O gesto de agradecer transforma o pouco em plenitude e abre o instante à eternidade.

Amados, o Evangelho nos conduz ao deserto, lugar onde as distrações cessam e a alma se encontra consigo mesma. A multidão que segue o Mestre traz consigo a fome do corpo, mas, sobretudo, a sede de sentido. Quando os recursos parecem escassos, revela-se a verdade escondida de nossa condição, pois nenhuma criatura vive apenas do que é visível. Há em nós uma abertura secreta que pede o infinito.

O Senhor não ignora essa carência. Sua compaixão não é emoção passageira, mas força que restaura o ser. Ele manda que todos se assentem sobre a terra, ensinando que o recolhimento precede a plenitude. Somente o coração aquietado reconhece o dom que já lhe foi confiado. Antes do milagre, há o silêncio; antes da abundância, a gratidão.

Ao tomar o pão e elevar graças, o Mestre une o instante ao eterno. O gesto simples torna-se passagem para uma dimensão mais alta, onde o pouco se expande e o necessário se multiplica. Assim aprendemos que a verdadeira nutrição nasce do interior ordenado, não do acúmulo exterior. Quem se ancora nessa altura não se dispersa no caminho.

Os discípulos distribuem o pão, e cada um participa da obra. A dignidade da pessoa manifesta-se no serviço consciente, pois todo ser é chamado a cooperar com o bem. Também a família, primeira morada do cuidado e da transmissão da fé, torna-se mesa onde o pão é partilhado e a presença do Alto é lembrada. Ali se aprende a fidelidade, a constância e o respeito mútuo, fundamentos do crescimento interior.

O deserto, então, deixa de ser lugar de carência e converte-se em escola de confiança. Aquele que acolhe o dom aprende a governar os próprios impulsos, caminha com firmeza e não se perde nas mudanças do mundo. O coração torna-se estável, capaz de atravessar as provações sem se fragmentar.

Peçamos, portanto, a graça de reconhecer o pão que nos é dado a cada dia, de agradecer antes de compreender e de partilhar antes de temer a falta. Assim, nutridos pelo que não se consome, avançaremos com serenidade, sustentados por uma plenitude que nenhuma hora pode esgotar.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O gesto do pão elevado

No santo Evangelho segundo Marcos lemos
Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens panes gratias agens fregit et dabat discipulis suis ut apponerent

Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma.

O repouso que prepara a presença

O mandamento de sentar-se sobre a terra não é simples organização da multidão. É sinal de recolhimento. A criatura, feita do pó, reconhece sua origem e limitações. Quando cessa a agitação exterior, a alma torna-se espaço receptivo. O silêncio interior ordena as potências do ser e cria em nós uma morada onde o dom divino pode habitar.

A ação de graças como elevação do ser

O pão é tomado e elevado em gratidão. Antes de qualquer partilha, há reconhecimento. A gratidão ergue o humano ao encontro do Eterno. Nesse movimento, o gesto cotidiano adquire espessura sagrada. A matéria não é negada, mas transfigurada. O alimento comum torna-se portador de sentido maior, pois tudo o que é oferecido ao Alto retorna purificado e pleno.

A dilatação do instante

Quando o Mestre parte o pão, o momento deixa de ser apenas sucessão de minutos. Abre-se uma profundidade onde o agora participa do que não passa. A eternidade toca o tempo e o tempo encontra sua raiz na eternidade. Assim, o ato simples converte-se em portal de comunhão, e o coração percebe que a verdadeira abundância não depende da quantidade, mas da presença que sustenta todas as coisas.

O sustento que não se esgota

O pouco torna-se suficiente porque procede do Invisível. O alimento distribuído aponta para um sustento mais profundo, aquele que mantém a alma firme, íntegra e orientada ao bem. Quem recebe esse pão aprende a viver com sobriedade, confiança e dignidade, fazendo da própria vida uma oferenda contínua.

Dessa forma, o gesto do Senhor ensina que todo caminho espiritual começa no recolhimento, cresce na gratidão e culmina na comunhão com o Eterno, onde o ser encontra repouso e plenitude duradoura.

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 7,31-37 - 13.02.2026

 Liturgia Diária


13 – SEXTA-FEIRA 

5ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Psalmus 94 (95), 6–7 — Vulgata Clementina

Venite, adoremus, et procidamus ante Deum;
ploremus coram Domino qui fecit nos:
quia ipse est Dominus Deus noster,
et nos populus pascuae eius, et oves manus eius.

Tradução

Vinde — não pelo movimento dos passos, mas pelo recolhimento do ser;
adoremos — não apenas com gestos, mas com a rendição do centro da alma;
prostremo-nos diante da Fonte que nos sustenta no agora eterno.

Choremos de reverência ante Aquele que continuamente nos cria,
pois não fomos feitos apenas no princípio: somos feitos a cada instante no Seu olhar.

Ele é o nosso Deus — Presença que não passa,
e nós somos o campo de Sua respiração,
ovelhas conduzidas pela Mão invisível que guia dentro do Tempo sem tempo.


Senhor, purifica nossos ouvidos para que discernam além das vozes enganosas, e desperta em nós a palavra justa, firme, luminosa, capaz de testemunhar contra tudo o que fere a dignidade da criatura e obscurece a morada que nos acolhe. Celebremos tua Presença, fonte perene que sustenta cada instante, reunindo o coração disperso na unidade do ser. Concede-nos retidão, coragem serena e atenção interior, para caminharmos contigo na claridade silenciosa, guardando a inteireza do humano e a harmonia do cosmos, como filhos que escutam e respondem ao chamado eterno, em paz ativa, contemplativa, perseverante, fecunda, simples, íntegra, constante, desperta, agradecida, vigilante.



Evangelium secundum Marcum VII, XXXI–XXXVII

XXXI
Et iterum exiens de finibus Tyri venit per Sidonem ad mare Galilaeae inter medios fines Decapoleos.
E outra vez, deixando as fronteiras de Tiro, atravessa os caminhos do silêncio interior e chega ao mar da amplidão, onde a alma reaprende a respirar na presença que tudo sustém.

XXXII
Et adducunt ei surdum et mutum et deprecabantur eum ut imponat illi manum.
Trouxeram-lhe um homem fechado aos sons e à palavra, imagem do coração que ainda não escuta o sentido do ser, suplicando o toque que restaura a inteireza.

XXXIII
Et apprehendens eum de turba seorsum misit digitos suos in auriculas eius et exspuens tetigit linguam eius.
Afastando-o do ruído da multidão, toca-lhe os ouvidos e a língua, ensinando que a cura nasce no recolhimento e no contato direto com a Fonte.

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.
Erguendo o olhar ao alto, suspira e pronuncia a abertura do ser, e o íntimo se descerra como porta iluminada pelo sopro eterno.

XXXV
Et statim apertae sunt aures eius et solutum est vinculum linguae eius et loquebatur recte.
No mesmo instante os ouvidos se libertam do torpor e a língua encontra medida e verdade, e a palavra passa a fluir em retidão.

XXXVI
Et praecepit illis ne cui dicerent quanto autem eis praecipiebat tanto magis plus praedicabant.
Recomendou silêncio, pois o bem amadurece na discrição, mas o que é pleno transborda e testemunha por si mesmo.

XXXVII
Et eo amplius admirabantur dicentes Bene omnia fecit et surdos fecit audire et mutos loqui.
E cheios de assombro reconheciam que tudo fora ordenado com perfeição, pois onde havia fechamento surgiu escuta e onde havia mudez nasceu canto.

Verbum Domini

Reflexão:
No recolhimento do coração a escuta se purifica
A palavra nasce quando o interior se aquieta
O toque do Alto restitui a medida justa do agir
Nada falta àquele que permanece inteiro
A força verdadeira cresce no silêncio
O gesto simples harmoniza corpo e espírito
Caminhamos firmes sem dependência do ruído exterior
E cada instante se torna presença plena diante do Eterno


Versículo mais importante:

XXXIV
Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire.

Erguendo o olhar para o alto, suspira do íntimo do ser e pronuncia a Palavra que abre, e nesse sopro o fechado se dissolve, os limites cedem, e a criatura desperta para a Presença que continuamente a sustenta, como se cada instante fosse criação primeira, e o interior se tornasse passagem viva para a luz que jamais cessa. (Mc 7,34)


HOMILIA

Abertura do ouvido interior e a restauração da palavra

Quando o interior se harmoniza, a pessoa recupera sua inteireza. 

Irmãos e irmãs, o Evangelho nos conduz ao gesto silencioso do Senhor que toma o homem à parte, longe da multidão, e ali realiza a cura. Antes do milagre visível, há um movimento invisível. O afastamento do ruído. O recolhimento do coração. A verdade de Deus não se impõe no tumulto, mas germina no espaço secreto onde a alma pode escutar.

O homem surdo e mudo é imagem de toda criatura quando vive dispersa, presa às vozes exteriores e incapaz de perceber a origem do próprio ser. Ouve sons, mas não sentido. Fala palavras, mas não verdade. O toque do Cristo restaura a unidade perdida. Ele toca os ouvidos para que a escuta se torne profunda. Toca a língua para que a palavra volte a nascer justa.

O olhar erguido ao alto recorda que a existência não se sustenta por si mesma. Somos continuamente chamados à luz que nos cria agora. A vida não é apenas passado acumulado nem futuro esperado. É presença que nos atravessa, fonte viva que se oferece a cada respiração. Quando o coração reconhece isso, o interior se abre como porta antiga que reencontra sua chave.

Abrir-se é consentir em ser conduzido pela verdade do bem. É abandonar a rigidez do orgulho e aceitar a ordem mais alta que governa o cosmos. Nesse consentimento surge a força serena que não depende das circunstâncias. O espírito aprende a permanecer estável, íntegro, senhor de si, capaz de agir com retidão mesmo quando o mundo oscila.

A cura do ouvido ensina a escutar antes de reagir. A cura da língua ensina a falar apenas o que edifica. Assim se forma o caráter firme, onde pensamento, palavra e gesto caminham na mesma direção. Essa coerência é sinal de maturidade interior. Nada há de fragmentado. Tudo converge para a verdade.

Dessa harmonia nasce a dignidade da pessoa. Cada ser humano é templo onde o sopro divino ressoa. E no seio da família, primeira morada do cuidado e da transmissão da vida, essa dignidade se aprende e se protege. Ali o amor se torna escola de responsabilidade, paciência e fidelidade. Ali o coração é moldado para escutar e responder com bondade.

Quando Cristo diz abre-te, Ele fala também a nós. Abre-te ao real. Abre-te ao silêncio que sustenta todas as coisas. Abre-te à palavra justa. Então nossos ouvidos perceberão o sentido oculto do caminho e nossa boca proclamará gratidão. E, curados por dentro, caminharemos com passo firme, como filhos da luz, participando da obra sempre nova do Criador.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Ephpheta e a abertura do ser

Et suspiciens in caelum ingemuit et ait illi Ephpheta quod est adaperire
Erguendo o olhar para o alto, suspira do íntimo do ser e pronuncia a Palavra que abre, e nesse sopro o fechado se dissolve, os limites cedem, e a criatura desperta para a Presença que continuamente a sustenta, como se cada instante fosse criação primeira, e o interior se tornasse passagem viva para a luz que jamais cessa Mc 7,34

O olhar elevado

Erguer os olhos não é gesto do corpo apenas. É movimento da consciência que deixa o peso do imediato e recorda sua origem mais alta. Quando o olhar se eleva, a alma reconhece que não é fruto do acaso, mas chamada permanente do Alto. Nesse reconhecimento nasce reverência e ordem interior. Tudo encontra seu lugar. O coração aprende a permanecer diante do Mistério com atenção desperta.

O suspiro do íntimo

O suspiro do Senhor revela a compaixão que toca as raízes do ser humano. Não é ruído exterior, mas sopro que penetra onde nenhuma palavra alcança. Ali se curam as fraturas escondidas. Ali se desfazem os nós do medo e da dispersão. O espírito, antes fechado, começa a respirar amplidão.

A palavra que abre

A ordem pronunciada não força nem violenta. Ela chama. E ao chamar, restitui ao homem sua capacidade de escutar e responder. A abertura é consentimento ao bem, adesão livre ao que é verdadeiro. Os ouvidos se tornam atentos ao sentido eterno das coisas. A língua aprende a falar com medida, pureza e fidelidade. A vida deixa de ser eco do mundo e passa a ser resposta consciente ao Criador.

A dignidade restaurada

Quando o interior se harmoniza, a pessoa recupera sua inteireza. Torna-se capaz de reger a si mesma, de agir com retidão e de cultivar vínculos estáveis. No seio da família, primeira escola do amor e da responsabilidade, essa inteireza se manifesta como cuidado, respeito e perseverança. Cada gesto cotidiano torna-se expressão de uma ordem mais profunda.

A presença contínua

O instante não é vazio que passa. É visita constante da Fonte que sustenta tudo. Quem percebe isso vive com gratidão e firmeza. O coração já não se dispersa no excesso de vozes. Caminha em simplicidade, escuta com clareza, fala com verdade. Assim, a palavra do Senhor continua ressoando no íntimo de cada fiel, abrindo portas invisíveis e conduzindo à luz que nunca se apaga.

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