Liturgia Diária
2 – SEGUNDA-FEIRA
APRESENTAÇÃO DO SENHOR
(branco, glória, pref. próprio – ofício da festa)
O Senhor manifesta-se com poder interior, iluminando a consciência, reunindo o presente no sentido eterno, e o louvor brota sereno. Aleluia.
Irmãos e irmãs, hoje o Mistério se deixa conduzir por mãos humanas. Maria e José apresentam a Criança no Templo, e o gesto simples revela a obediência profunda ao desígnio que sustenta todas as coisas. Não é apenas um rito: é o Eterno acolhido no seio do mundo. Simeão e Ana, atentos ao sopro interior, reconhecem no instante a plenitude que não passa. O sagrado manifesta-se como presença que permanece. Reunidos pelo mesmo Espírito, avançamos ao encontro do Cristo que se oferece na fração do pão, onde o ser escolhe o sentido e repousa na fidelidade silenciosa de Deus.
Evangelium secundum Lucam II, XXII–XL
22 Et postquam impleti sunt dies purgationis eius secundum legem Moysi, tulerunt illum in Ierusalem, ut sisterent eum Domino.
E quando o ciclo do cumprimento se completou, conduziram o Menino ao centro do sagrado, onde toda origem se oferece Àquele que sustém o ser.
23 Sicut scriptum est in lege Domini Quia omne masculinum adaperiens vulvam sanctum Domino vocabitur.
O que inaugura a passagem à vida pertence ao princípio que antecede toda forma.
24 Et ut darent hostiam secundum quod dictum est in lege Domini par turturum aut duos pullos columbarum.
O gesto simples revela que o eterno aceita a humildade como linguagem.
25 Et ecce homo erat in Ierusalem cui nomen Simeon, et homo iste iustus et timoratus, expectans consolationem Israel, et Spiritus Sanctus erat in eo.
O olhar atento reconhece o sentido que permanece mesmo quando tudo parece passar.
26 Et responsum acceperat a Spiritu Sancto non visurum se mortem nisi videret Christum Domini.
Há uma promessa que atravessa os instantes sem se consumir.
27 Et venit in Spiritu in templum. Et cum inducerent puerum Iesum parentes eius, ut facerent secundum consuetudinem legis pro eo.
O invisível guia o passo humano até o lugar do encontro.
28 Et ipse accepit eum in ulnas suas et benedixit Deum.
O eterno cabe no acolhimento daquele que sabe esperar.
29 Nunc dimittis servum tuum Domine secundum verbum tuum in pace.
Quando o sentido se revela, o coração encontra repouso.
30 Quia viderunt oculi mei salutare tuum.
Ver é mais que enxergar, é consentir com o real.
31 Quod parasti ante faciem omnium populorum.
O que é pleno se manifesta diante de todos os tempos.
32 Lumen ad revelationem gentium et gloriam plebis tuae Israel.
A luz não divide, revela.
33 Et erat pater eius et mater mirantes super his quae dicebantur de illo.
Maria e José guardam o espanto como forma de fidelidade.
34 Et benedixit illis Simeon.
A bênção confirma o caminho silencioso do ser.
35 Et tuam ipsius animam pertransibit gladius.
O cumprimento atravessa também a dor que aprofunda.
36 Et erat Anna prophetissa.
A escuta perseverante reconhece o sentido oculto.
38 Et haec ipsa hora superveniens confitebatur Domino.
O instante torna-se plenitude quando reconhecido.
39 Et ut perfecerunt omnia secundum legem Domini, reversi sunt in Galilaeam.
Após o encontro, a vida comum é transfigurada.
40 Puer autem crescebat et confortabatur plenus sapientia.
O ser amadurece quando enraizado no essencial.
Verbum Domini
Reflexão:
O rito revela mais do que repete.
O instante acolhido torna-se morada do eterno.
Quem consente com o real não é arrastado por ele.
A espera vigilante forma o coração estável.
O sentido não se impõe, é reconhecido.
A escolha interior sustenta o caminho.
O silêncio amadurece a decisão.
Assim, o ser permanece inteiro diante de Deus.
Versículo mais importante:
Nunc dimittis servum tuum Domine secundum verbum tuum in pace.
Agora, o ser pode ser liberado do peso da sucessão, pois o sentido foi plenamente acolhido. Quando o cumprimento se revela no íntimo, o instante deixa de correr e se torna morada. A paz nasce não do fim, mas da convergência entre promessa e presença, onde o coração repousa porque reconheceu aquilo que sempre esteve diante dele. (Lc 2,29)
HOMILIA
O Encontro que Permanece
O eterno se revela quando o instante é acolhido sem resistência.
O Evangelho da Apresentação revela um mistério silencioso em que o Infinito aceita o ritmo humano sem perder sua plenitude. Maria e José conduzem a Criança ao Templo e, nesse gesto fiel, mostram que a vida alcança sua forma mais alta quando se alinha ao sentido que a precede. Simeão e Ana, amadurecidos pela espera interior, reconhecem no instante aquilo que não passa, onde promessa e cumprimento coincidem. A família surge como célula mater do sagrado, lugar onde o ser aprende a escolher o bem antes de possuí-lo. Assim, a pessoa descobre sua dignidade ao consentir com a verdade que a habita e ao caminhar em direção à plenitude que já se oferece diante de Deus.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Apresentação
O versículo de Lucas 2,29 oferece uma chave contemplativa para compreender o repouso do ser quando o sentido se revela no íntimo da existência
O cumprimento que habita o instante
Quando Simeão pronuncia suas palavras, não descreve um encerramento biográfico, mas uma realização interior. O ser deixa de ser arrastado pela sucessão dos momentos porque reconheceu, no agora, aquilo que sempre sustentou sua espera. O instante já não é passagem, torna-se lugar
A convergência entre promessa e presença
A promessa não aponta apenas para um depois. Ela amadurece silenciosamente até coincidir com a presença reconhecida. Nesse encontro, o coração percebe que o cumprimento não está fora do tempo vivido, mas no alinhamento profundo entre o que se esperava e o que se oferece
O repouso como forma de plenitude
A paz evocada pelo texto não nasce da interrupção da vida, mas da integração do sentido. O repouso é fruto da consonância interior, quando o ser já não se dispersa em buscas fragmentadas e passa a habitar aquilo que reconhece como verdadeiro
A maturidade espiritual da espera
Simeão representa a espera purificada de ansiedade. Sua vigilância interior permite reconhecer o essencial sem apego. Assim, a pessoa alcança sua dignidade mais alta ao consentir com o que lhe é confiado e ao permanecer fiel ao chamado que a antecede diante de Deus
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