Liturgia Diária
19 – SEGUNDA-FEIRA
2ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”
Omnis terra adoret te,
et psallat tibi;
psalmum dicat nomini tuo, Altissime.
(Psalmus 65,4 — Vulgata Clementina)
Toda a terra, recolhida no instante que não passa,
reconheça em Ti o Eixo que sustenta o ser.
Que cada forma, suspensa do tempo que corre,
entoem não um som, mas uma permanência,
e que o louvor ao Teu Nome aconteça
no agora absoluto onde origem e consumação coincidem,
ó Altíssimo,
Presença que atravessa o tempo sem pertencer a ele. (Sl 65,4)
A presença de Jesus irrompe como plenitude que reorganiza o sentido do existir. Nele, a realidade encontra eixo, e o coração reconhece que a vida não caminha ao acaso. Sua vinda não impõe, convida; não constrange, desperta. O júbilo nasce quando a consciência percebe que há um sentido que a precede e a sustenta. Bendizer o Senhor é alinhar-se a essa Palavra viva, permitindo que a história interior seja reordenada. Assim, o tempo deixa de ser mera sucessão e torna-se intensidade, onde cada escolha participa do eterno e cada resposta humana coopera com a restauração do ser em profundidade ontológica.
Evangelium secundum Marcum 2,18-22
Et erant discipuli Ioannis et pharisaei ieiunantes. Et veniunt, et dicunt ei
Os que observam práticas antigas perguntam, mas a pergunta nasce do ritmo exterior. Aqui, a consciência ainda mede o sagrado pelo hábito e não pela presença viva.Et ait illis Iesus
Ele responde a partir de um centro que não reage, mas revela. A palavra brota de uma plenitude que não depende do calendário.
Numquid possunt filii sponsi, quandiu sponsus cum illis est, ieiunare?
Enquanto a origem está manifesta, não há carência. A comunhão suspende a lógica da falta.
Quanto tempore habent secum sponsum, non possunt ieiunare.
O instante torna-se pleno quando o princípio está presente.
Venient autem dies cum auferetur ab eis sponsus, et tunc ieiunabunt in illo die.
Quando a presença se recolhe, a interioridade é chamada a amadurecer.Nemo assumentum panni rudis adsuit vestimento veteri
O que nasce de um nível novo não se ajusta a estruturas já esgotadas.
Alioquin aufert supplementum ab eo, novum a veteri, et maior scissura fit.
Forçar continuidade onde há ruptura aprofunda a fratura do ser.
Et nemo mittit vinum novum in utres veteres
A energia renovadora exige recipientes capazes de expansão.
Alioquin dirumpit vinum utres, et vinum effunditur, et utres peribunt
Quando a forma não acompanha o conteúdo, ambos se perdem.
Sed vinum novum in utres novos mitti debet.
O princípio que irrompe não se deixa conter por formas esgotadas.
Verbum Domini
Reflexão:
O ensinamento revela que a vida possui um ritmo próprio que não se submete à repetição mecânica.
Há um chamado à coerência entre o interior e o que se acolhe.
Forçar o novo em formas rígidas gera tensão e perda de sentido.
A sabedoria consiste em ajustar a disposição interna ao que se apresenta.
Nem tudo pode ser conservado sem discernimento.
A maturidade nasce quando se aceita a transformação como parte da ordem do ser.
O domínio de si substitui a necessidade de imposição externa.
Assim, o homem caminha em consonância com o que é essencial e duradouro.
Versículo mais importante:
Et nemo mittit vinum novum in utres veteres; alioquin dirumpit vinum utres, et vinum effunditur, et utres peribunt: sed vinum novum in utres novos mitti debet.
O princípio que irrompe não se deixa conter por formas esgotadas.
Quando o eterno toca o instante, exige um interior capaz de dilatação.
Se a consciência permanece presa ao que já foi, o excesso do real rompe a estrutura.
Mas quando o ser se abre ao eixo que atravessa o tempo,
o novo encontra morada, e o agora torna-se lugar de permanência, onde a vida não se perde, antes se cumpre. (Mc 2,22)
HOMILIA
Vinho Novo e o Coração que se Expande
Toda forma existe para servir à vida que a atravessa, não para aprisioná-la.
O Evangelho nos conduz a um ponto decisivo da vida interior. A pergunta sobre o jejum não trata apenas de práticas, mas da capacidade humana de reconhecer quando o princípio vivo está presente. Onde Ele se manifesta, o tempo comum se suspende e o instante adquire densidade plena. Não se trata de abandonar formas, mas de compreender que toda forma existe para servir à vida que a atravessa.
Jesus revela que o espírito não cresce por acúmulo, mas por dilatação. Quando a consciência permanece rígida, tenta conter o novo dentro de estruturas que já cumpriram sua função. O resultado é ruptura interior. A maturidade espiritual nasce quando o ser aceita transformar-se para acolher o que é maior do que ele mesmo.
Essa dinâmica atinge a dignidade da pessoa e da família, célula originária onde a vida aprende ritmo, cuidado e fidelidade. A casa interior, como a casa humana, precisa estar preparada para receber o que renova. O que sustenta não é a repetição, mas a presença que reorganiza.
Assim, o Evangelho ensina que a verdadeira evolução não força nem rompe. Ela respeita o crescimento silencioso, alinha o interior ao que é essencial e permite que cada instante seja habitado como encontro real com o sentido último da existência.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
Evangelho segundo Marcos 2,22
A irrupção do princípio vivo
O ensinamento expresso neste versículo revela que a ação divina não se acomoda a estruturas que perderam vitalidade interior. O que procede da origem não é repetição do passado, mas manifestação sempre atual do sentido. Quando esse princípio se faz presente, ele não destrói por oposição, mas evidencia os limites daquilo que já não consegue sustentar a plenitude do ser.
O encontro entre eternidade e instante
Há momentos em que o fluxo comum dos dias é atravessado por uma densidade diferente. O instante deixa de ser apenas sucessão e passa a conter peso de plenitude. Esse contato exige uma interioridade capaz de se expandir, pois não se trata de ajustar o eterno ao humano, mas de permitir que o humano seja elevado ao que o ultrapassa.
A consciência e suas formas
Quando a consciência se fixa exclusivamente no que já foi, transforma a forma em absoluto. Nesse fechamento, o excesso do real não encontra espaço e a ruptura se torna inevitável. Não porque o novo seja violento, mas porque a rigidez impede o acolhimento da vida que se renova.
A morada do novo
O ser que consente em abrir-se ao eixo profundo que sustenta o tempo descobre uma nova estabilidade. O agora torna-se lugar de permanência, não por imobilidade, mas por participação no que não se esgota. Assim, a vida não se dispersa nem se perde. Ela se cumpre ao encontrar um interior preparado para recebê-la.
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