quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 6,45-52 - 07.01.2026

 Liturgia Diária


7 – QUARTA-FEIRA 

SEMANA DA EPIFANIA


(branco, pref. da Epifania ou do Natal – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”


Texto em latim (Vulgata Clementina)
Populus qui ambulabat in tenebris, vidit lucem magnam; habitantibus in regione umbræ mortis, lux orta est eis.

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitavam na região da sombra da morte, uma luz nasceu sobre eles.” (Is 9,1)


Na senda silenciosa do existir, a Boa-nova resplandece como luz interior que desperta a consciência. Cada instante é convite à contemplação, lembrando-nos que a conexão com o princípio divino sustenta a razão e a ação. A oração torna-se ponte entre o instante terreno e a essência eterna, revelando o caminho da retidão e da integridade. A Eucaristia, em sua dimensão sublime, manifesta-se não apenas como ritual, mas como a expressão da ordem cósmica que governa o ser. Assim, aprendemos a caminhar atentos, guiados pela clareza do espírito e pelo discernimento que transforma cada passo em sabedoria.



Evangelium secundum Marcum 6,45‑52

Jesus ambulat super aquas et venit ad discipulos

45 Et continuo constrinxit Iesus discipulos suos ut ascenderent in naviculam, et præcederent ad transeundum usque in Bethsaidam, dum ipse dimittebat turbas.
45 E imediatamente Jesus ordenou aos seus discípulos que subissem à barca e fossem à frente, atravessando até Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.

46 Et cum dimisisset eas, abiit in montem ut oraret.
46 E, depois de os despedir, retirou‑se ao monte para orar.

47 Et cum sero esset, erat navis in medio mari, et ipse solus in terra.
47 E quando veio a noite, a barca estava no meio do mar e ele estava sozinho em terra.

48 Et videns eos laborantes in remigando (erat enim ventus contrarius eis), et circa quartam vigiliam noctis venit ad eos ambulans supra mare: et volebat præterire eos.
48 E vendo‑os a lutar contra o remoinho, pois o vento lhes era contrário, por volta da quarta vigília da noite veio ter com eles caminhando sobre o mar; e quis passar além deles.

49 At illi ut viderunt eum ambulantem supra mare, putaverunt phantasma esse, et exclamaverunt.
49 Mas eles, ao o verem caminhar sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram.

50 Omnes enim viderunt eum, et conturbati sunt. Et statim locutus est cum eis, et dixit eis: Confidite, ego sum: nolite timere.
50 Porque todos o viram e ficaram perturbados; e imediatamente ele lhes falou, dizendo: Confiai, sou eu; não tenhais medo.

51 Et ascendit ad illos in navim, et cessavit ventus. Et plus magis intra se stupebant.
51 Então ele subiu até eles no barco, e o vento cessou; e eles ficaram ainda mais assombrados.

52 Non enim intellexerunt de panibus: erat enim cor eorum obcaecatum.
52 Pois eles não compreenderam acerca dos pães; porque o coração deles estava insensível.

Verbum Domini

Reflexão
Nesse encontro entre o humano e o inexplicável, somos lembrados de que os desafios surgem onde a razão encontra limites e a experiência parece contradizer o sentido comum. A presença que caminha sobre o imprevisível não é apenas um fenômeno extraordinário, mas um chamado ao discernimento atento, que não se entrega ao medo. A travessia, movida por esforço e adversidade, torna‑se lição de quietude interior quando a turbulência é confrontada pela firmeza da percepção. É no reconhecimento sereno do que ocorre além da visão imediata que a consciência se transforma, abrindo‑se ao entendimento profundo do que verdadeiramente é.


Versículo mais importante: 

Omnes enim viderunt eum, et conturbati sunt. Et statim locutus est cum eis, et dixit eis: Confidite, ego sum: nolite timere.

Porque todos o viram e ficaram perturbados; e imediatamente ele lhes falou, dizendo: Confiai, sou eu; não tenhais medo. (Mc 6,50)


HOMILIA

Caminhar sobre as Águas da Existência

Cada tempestade exterior reflete a inquietação do espírito, convidando à atenção e à firmeza interior.

No silêncio da noite, quando os ventos contrários agitam o ser e a travessia parece impossível, a presença que caminha sobre as águas revela a dimensão do que transcende o visível. Cada desafio surge como prova da integridade do espírito, e a tempestade externa espelha a inquietação interior que exige discernimento e coragem. O coração que se deixa conduzir pelo que é verdadeiro reconhece que a travessia não depende apenas do esforço físico, mas da confiança profunda na harmonia que sustenta toda a existência.

A barca da vida é espaço sagrado, onde cada pessoa encontra a oportunidade de alinhar intenção e ação. A família, como célula primeira do cuidado e do vínculo, reflete o princípio do respeito, da atenção e da continuidade do ser. Nela, aprendemos a reconhecer que cada gesto, cada palavra, cada escolha ecoa no cosmos interior, moldando consciência e caráter.

A observação serena do que se apresenta como impossível transforma o medo em compreensão e a confusão em clareza. Quando o espírito se mantém firme diante do incerto, a travessia torna-se aprendizado, e cada dificuldade revela a profundidade da própria existência. Assim, o milagre não é apenas o que se vê nas águas, mas a elevação do ser diante daquilo que desafia e transcende a visão imediata.

A luz que resplandece nas sombras não impõe, não exige, mas convida à atenção vigilante, ao crescimento da consciência e à integridade da ação. Em cada instante, a experiência ensina que a verdadeira segurança provém da harmonização interna e do reconhecimento do valor sagrado do caminho que percorremos.


EDXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Confiança no Invisível

Porque todos o viram e ficaram perturbados e imediatamente ele lhes falou dizendo Confiai sou eu não tenhais medo (Mc 6,50)

A manifestação que ultrapassa os limites da percepção ordinária revela a presença que sustenta a totalidade do ser. O espanto dos discípulos não é apenas reação diante do milagre visível mas reflexão sobre a natureza do que transcende a experiência imediata. Reconhecer essa presença exige silêncio interno e atenção plena, permitindo que o coração não se perca diante do desconhecido. A confiança aqui não é ingenuidade mas postura de quem se alinha com a ordem que governa toda a criação.

O Coração Frente à Adversidade

O medo que surge diante do extraordinário mostra a fragilidade do entendimento humano frente ao infinito. Quando a consciência se ancora naquilo que é firme e verdadeiro, mesmo a tempestade externa deixa de dominar. A travessia da vida, com suas dificuldades e incertezas, exige que o espírito permaneça centrado, transformando a agitação em oportunidade de crescimento e discernimento. A presença que fala e acalma demonstra que a segurança mais profunda provém da harmonia interior e não da mera ausência de perigo.

A Presença que Sustenta

A voz que afirma confiai sou eu não tenhais medo manifesta a proximidade do absoluto com a realidade concreta. Ela revela que a ordem que rege o cosmos também se reflete na jornada de cada pessoa, orientando passos e decisões. É nesta relação entre o visível e o invisível que se constrói a maturidade do ser, o entendimento da dignidade e o respeito pelo valor de cada existência. Assim, o milagre não se limita ao feito extraordinário mas se estende à transformação interior e ao despertar do discernimento.

A Travessia e a Harmonia

Cada desafio, cada vento contrário e cada momento de incerteza funcionam como instrumentos de crescimento. A travessia não é apenas física mas espiritual, revelando que a verdadeira força reside na capacidade de permanecer atento, íntegro e sereno diante do que não pode ser controlado. Assim, a experiência do milagre das águas torna-se modelo para toda a caminhada humana, ensinando que a compreensão do que é eterno e essencial transforma a existência em caminho de clareza, ordem e plenitude.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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Mensagens de Fé

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LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 6,34-44 - 06.01.2026

 Liturgia Diária


6 – TERÇA-FEIRA 

SEMANA DA EPIFANIA


(branco, pref. da Epifania ou do Natal – ofício do dia)

“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam”


Latim (Vulgata Clementina)
Benedictus qui venit in nomine Domini: benediximus vobis de domo Domini. Deus Dominus, et illuxit nobis.

Tradução para o português
“Bendito o que vem em nome do Senhor: nós vos abençoamos desde a casa do Senhor. Deus é Senhor, e fez‑brilhar sobre nós a sua luz.” (Salmo 117,26–27)


A presença do Cristo revela-se à alma sedenta, preenchendo o vazio com a essência do Ser. Sua Palavra flui como luz, iluminando pensamentos e desejos, conduzindo o espírito à compreensão do eterno. Na Eucaristia, o mistério torna-se experiência íntima: cada gesto contém a ordenação do cosmos e a harmonia do espírito. Quem acolhe sua manifestação reconhece que a plenitude não depende de circunstâncias externas, mas da atenção consciente à verdade que sustenta tudo. Assim, o coração se farta, e o indivíduo aprende a agir com serenidade, aceitando o fluxo da existência e o ritmo divino.



Evangelium secundum Marcum 6,34–44 — In Sacra Vulgata Clementina

34 Et cum egressus esset, vidit turbam copiosam: et misertus est super eas, quoniam erant quasi oves non habentes pastorem, et coepit eos docere multa.
E, quando desceu à margem, viu uma grande multidão; e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

35 Et erat iam hora proxima ad vesperum: et accesserunt ad eum discipuli eius, dicentes: Desertum est locus, et iam hora proxima ad vesperum.
E já era quase a hora da tarde; e os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: Este lugar é deserto, e já é quase tarde.

36 Dimitte eos, ut eant in agros et vicos circa, et emant sibi panem: quia non habent unde manducent.
Despede-os para que vão aos campos e às aldeias ao redor, e comprem o seu pão; pois não têm de que comer.

37 At ille respondens eis, dixit: Date illis vos manducare. Et dixerunt ei: Ibo-ne ego et emam ducentos denarios panis, et dabo eis manducare?
Mas ele, respondendo, disse-lhes: Dai-lhes vós de comer. E eles lhe disseram: Iremos nós comprar pão por duzentos denários e dar-lhe de comer?

38 Et dixit eis: Quot panes habetis? Ite, et videte. Et cum scirent, dixerunt: Quinque panes et duo pisciculos.
E ele disse-lhes: Quantos pães tendes? Ide ver. E, sabendo-o, disseram: Cinco pães e dois peixinhos.

39 Et mandavit eis ut faciant eos omnes recumbere super gramen viride.
E mandou-lhes que fizessem todos recostar-se sobre a erva verde.

40 Et recubuerunt distributi per hundreds et per quinquaginta.
E recostaram-se por grupos: de cem e de cinquenta.

41 Et acceptis quinque panibus et duobus piscibus, et levatis oculis in caelum, benedixit, et fregit panes, et dedit discipulis suis ut ponerent ante eos: et divisit duo pisciculos omnibus.
E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e levantando os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os pusessem diante da multidão; e repartiu os dois peixinhos entre todos.

42 Et comederunt omnes, et saturati sunt.
E todos comeram, e ficaram satisfeitos.

43 Et tollerunt duodecim corbiculae scaenicarum fragmentorum et pisciculos supererantibus.
E recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e de peixe que sobraram.

44 Et erant qui comederunt panes, quasi quinque milia hominum.
E os que comeram os pães eram cerca de cinco mil homens.

Verbum Domini

Reflexão
O texto revela a importância de agir com atenção plena diante do que se tem, valorizando cada gesto. Reconhecer a necessidade do outro é compreender a ordem que sustenta o momento. O que parece escasso torna-se abundante quando aplicado com prudência e intenção. A ação consciente transforma limitações em possibilidades concretas. O alimento repartido é símbolo de um potencial que se manifesta ao engajamento deliberado. Cada decisão cultivada no presente reforça a força interior e a serenidade diante do fluxo da vida. O resultado é menos visível nas posses externas e mais presente na integridade de quem age. A experiência ensina que a verdadeira plenitude emerge da prática constante do bem.


Versículo mais importante:

Et acceptis quinque panibus et duobus piscibus, et levatis oculis in caelum, benedixit, et fregit panes, et dedit discipulis suis ut ponerent ante eos: et divisit duo pisciculos omnibus.

E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e levantando os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os colocassem diante da multidão; e repartiu os dois peixinhos entre todos. (Mc 6,41)


HOMILIA

O Senhor que Multiplica o Pão

Cada gesto consciente é portal onde o finito toca o eterno e se revela em abundância.

No centro desta narrativa está um olhar que vê a fome e que se compadece. Esse olhar não é mero sentimento passageiro, mas ato de reconhecimento ontológico que revela a dignidade de cada pessoa. Ao ensinar a multidão, o Mestre dispõe saber que desperta forças interiores e orienta para uma jornada de amadurecimento espiritual. O milagre dos cinco pães e dois peixes não reduz a realidade à magia; ele ilumina a dinâmica pela qual o pouco, oferecido com entrega, converte-se em abundância que sustenta corpos e corações.

A bênção sobre o pão remete-nos à prática do gesto atento e intencional. Levantar os olhos ao céu antes de partir o alimento mostra que toda ação verdadeira repousa numa ordem maior, que acolhe o humano sem anulá-lo. A partilha ordenada, distribuída por grupos, ensina método e cuidado, conjuga prudência com generosidade e fortalece o sentido de responsabilidade por aquilo que nos é confiado. Assim cada ato torna-se escola de caráter e disciplina interior.

Ao reconhecer a família como célula mater do tecido da vida, afirmamos a primazia do cuidado recíproco e da educação afetiva. No seio familiar germina o gesto de oferecer, o treino da temperança e o cultivo da dignidade humana. A família é lugar onde se aprende a converter recursos limitados em recursos vividos e partilhados, construindo nos pequenos atos a grande forma do ser.

A mensagem convida à coerência entre pensamento e ação. Não se trata de buscar reconhecimento, mas de responder ao próximo a partir do que se é e do que se tem. Agir assim provoca transformação interior sustentável, pois a pessoa que pratica o bem amadurece na coragem serena de viver conforme uma lei interior. Essa evolução pessoal não se impõe, manifesta-se pelo exercício constante do cuidado, da sobriedade e da atenção ao presente.

Que a recolha dos pedaços que sobraram nos lembre que nada se perde quando o intuito é virtuoso. O que excede é testemunho de que o gesto reto reverbera além do imediato. Que cada um aprenda a oferecer com mãos firmes, olhos erguidos e coração disponível, para que a vida se torne alimento para a alma e garantia de honra para a pessoa e para a família.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Ação que Revela o Ser

E, tomando os cinco pães e os dois peixes, e levantando os olhos ao céu, abençoou, e partiu os pães, e deu-os aos seus discípulos para que os colocassem diante da multidão; e repartiu os dois peixinhos entre todos. (Mc 6,41)

A narrativa evidencia o movimento do divino que se faz presente na ação concreta. O gesto de abençoar e repartir transforma o ordinário em experiência que transcende a percepção imediata, mostrando que a plenitude surge quando se atua em harmonia com a ordem que sustenta toda a existência. Cada gesto de cuidado revela o potencial contido em atos simples e a dimensão espiritual do cotidiano.

O Olhar Voltado ao Céu

Levantar os olhos ao céu antes de partir o pão indica que toda ação verdadeira se ancora em uma realidade maior. Não se trata de ritual exterior, mas de consciência de que o humano se insere em uma ordem que excede sua própria compreensão. Esse gesto integra intenção e resultado, ensinando que a energia vital do mundo se manifesta na atenção plena e na prática ética do que se é capaz de oferecer.

O Partilhar que Sustenta

Ao repartir os pães e peixes, a narrativa sublinha que a generosidade nasce do reconhecimento da dignidade de cada ser. A multiplicação não é apenas física, mas simboliza a capacidade do indivíduo de transformar recursos limitados em abundância real. Este ato sustenta corpos e corações, e ao mesmo tempo revela que a ordem divina se manifesta através de gestos conscientes e deliberados, lembrando que a harmonia interna se reflete na ação exterior.

A Dimensão Formativa do Gesto

O milagre ensina que o crescimento interior depende da prática consistente de atenção, cuidado e responsabilidade. A pessoa que age com consciência constrói caráter e disciplina, cultivando força serena diante do fluxo da vida. A plenitude não é resultado de acúmulo, mas de postura ativa diante da realidade, e a experiência ensina que cada ato correto reverbera além do imediato, fortalecendo o vínculo entre intenção, ação e desdobramento da existência.

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LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 4,12-17.23-25 - 05.01.2026

 Liturgia Diária


5 – SEGUNDA-FEIRA 

SEMANA DA EPIFANIA


(branco, pref. da Epifania ou do Natal – ofício do dia da 2ª semana do saltério)


Raiou um dia interior, não apenas no tempo, mas na consciência desperta. Uma luz ordenadora atravessa a existência e convida o ser humano ao domínio de si. Essa claridade não promete conforto externo, mas retidão interior, acordo com a razão e fidelidade ao Logos. A presença de Cristo revela um caminho que contrasta com as paixões dispersivas do mundo, exigindo conversão do olhar e da vontade. Caminhar nessa luz é escolher sentido, responsabilidade e autocontrole, aceitando o destino com coragem, discernindo o bem, e vivendo segundo a verdade que sustenta o cosmos em harmonia racional permanente eterna, silenciosa e consciente.



Evangelium secundum Matthaeum 4,12-17.23-25

12 Cum autem audisset Iesus quod Ioannes traditus esset, secessit in Galilaeam.
Quando Jesus soube que João fora entregue, retirou-se para a Galileia.

13 Et relicta civitate Nazareth, venit et habitavit in Capharnaum maritima, in finibus Zabulon et Nephthalim,
Deixando a cidade de Nazaré, foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, nos confins de Zabulon e Neftali.

14 ut adimpleretur quod dictum est per Isaiam prophetam dicentem
Para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías.

15 Terra Zabulon et terra Nephthalim, via maris trans Iordanen, Galilaea gentium
Terra de Zabulon e terra de Neftali, caminho do mar além do Jordão, Galileia das nações.

16 populus qui sedebat in tenebris vidit lucem magnam et sedentibus in regione umbrae mortis lux orta est eis.
O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz, e aos que habitavam na região da sombra da morte uma luz brilhou.

17 Exinde coepit Iesus praedicare et dicere paenitentiam agite appropinquavit enim regnum caelorum.
Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.

23 Et circuibat Iesus totam Galilaeam, docens in synagogis eorum, et praedicans evangelium regni, et sanans omnem languorem et omnem infirmitatem in populo.
Jesus percorria toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença no povo.

24 Et abiit opinio eius in totam Syriam, et obtulerunt ei omnes male habentes variis languoribus et tormentis comprehensos, et qui daemonia habebant, et lunaticos, et paralyticos, et curavit eos.
Sua fama espalhou-se por toda a Síria, e trouxeram-lhe todos os que sofriam de diversos males e tormentos, possessos, lunáticos e paralíticos, e ele os curou.

25 Et secutae sunt eum turbae multae de Galilaea, et Decapoli, et de Hierosolymis, et de Iudaea, et de trans Iordanen.
Grandes multidões o seguiam da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e da região além do Jordão.

Verbum Domini

Reflexão:
A luz anunciada não força o caminho interior
Ela chama a consciência ao assentimento sereno
Seguir esse chamado exige governo da própria vontade
O ensino revela ordem onde havia dispersão
Curar é restaurar a harmonia entre razão e ação
O Reino aproxima-se quando o coração se alinha
Cada passo fiel fortalece o caráter
Assim a vida encontra firmeza no bem escolhido


Versículo mais importante:

Exinde coepit Iesus praedicare et dicere paenitentiam agite appropinquavit enim regnum caelorum.

Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo. (Mt 4,17)


HOMILIA

A Luz que Reordena o Caminho Interior

A Luz que reordena o íntimo revela o Princípio Uno, fazendo a alma participar da ordem originária que harmoniza vontade, razão e ser.

O Evangelho apresenta o momento em que a luz irrompe onde antes havia sombra. Não se trata apenas de um deslocamento geográfico, mas de uma mudança no eixo da existência. Quando Cristo se retira para a Galileia, inaugura um movimento silencioso da consciência humana em direção à verdade que a sustenta. A luz que nasce não impõe força exterior, mas desperta o discernimento interior, chamando cada pessoa a reconhecer o bem e a ordenar a própria vida segundo ele.

A conversão anunciada não é medo nem ruptura violenta, mas realinhamento. É a decisão de submeter desejos, impulsos e pensamentos a um princípio mais alto que dá unidade ao ser. Assim, a pessoa reencontra sua dignidade ao tornar-se senhora de si, não dominada pelas trevas da dispersão, mas guiada pela clareza do sentido.

Quando Cristo ensina e cura, revela que a integridade do ser humano nasce da harmonia entre razão, vontade e espírito. A família surge nesse horizonte como célula mater, onde essa ordem é primeiramente aprendida e transmitida. Ali se forma o caráter, a responsabilidade e a capacidade de permanecer firme no bem.

Seguir essa luz é caminhar com constância, aceitar o próprio destino com retidão e permitir que a vida seja conduzida pela verdade que edifica e sustenta todas as coisas.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O Chamado à Transformação Interior

Desde então Jesus começou a anunciar e a dizer fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo. (Mt 4,17)

A Luz que Desperta o Ser
O anúncio de Jesus revela uma presença que atravessa as sombras da consciência. Não é um convite a meros atos externos, mas ao despertar interior que organiza a vida segundo uma ordem que excede o tempo e o espaço. A penitência não significa punição, mas alinhamento da vontade e do pensamento com a fonte que sustenta toda existência. É a abertura do coração à claridade que permite ao ser humano reconhecer a verdade essencial e atuar segundo ela.

O Reino que se Aproxima
O Reino dos Céus não se limita a um lugar, mas é a realidade que se manifesta quando a vida se ordena pelo discernimento profundo e pela harmonia da alma. A aproximação desse Reino implica responsabilidade, consciência e coragem para transformar cada impulso e cada escolha em expressão do bem eterno.

A Dignidade do Ser e da Família
No horizonte do chamado, a dignidade da pessoa se revela ao assumir controle sobre si mesma, cultivando a retidão e o equilíbrio interior. A família surge como célula mater, espaço onde essa ordem se aprende, se pratica e se transmite, garantindo a continuidade de valores que estruturam a vida e fortalecem a harmonia entre razão, vontade e espírito.

O Caminho da Integração
Seguir esta luz é permitir que a existência encontre centro, que cada ação seja medida pela verdade que sustenta o cosmos. É reconhecer que a vida humana participa de uma ordem maior, na qual a alma se realiza quando alinhada com o princípio que governa toda a criação, tornando-se plena em discernimento, coragem e harmonia.

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