sábado, 30 de agosto de 2025

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Lucas 4:16-30 - 01.109.2025


Liturgia Diária


1º – SEGUNDA-FEIRA 

22ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia da 2ª semana do saltério)


Piedade de mim, ó Senhor, porque clamo por vós todo o dia! Ó Senhor, vós sois bom e clemente, sois perdão para quem vos invoca (Sl 85,3.5).


Movido pelo sopro eterno do Espírito, Cristo inaugura sua missão oferecendo luz aos que habitam as sombras da carência e da exclusão. Sua fidelidade atravessa o tempo e revela que a verdadeira liberdade floresce no encontro entre dignidade e transcendência. Neste Dia de Oração pelo Cuidado da Criação, somos chamados a cultivar sementes de paz e esperança, não como ideais distantes, mas como gestos concretos que restauram a harmonia. A Casa Comum é templo sagrado; cuidar dela é participar do desígnio divino, onde justiça, compaixão e responsabilidade se unem na construção de um horizonte mais humano e espiritual.



Evangelium secundum Lucam  4,16-30

16 Et venit Nazareth, ubi erat nutritus, et intravit secundum consuetudinem suam die sabbati in synagogam, et surrexit legere.
Entrou em Nazaré, onde fora criado; como era seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para ler.

17 Et traditus est illi liber Isaiae prophetae. Et ut revolvit librum, invenit locum ubi scriptum erat:
E entregaram-lhe o livro do profeta Isaías. Ao abrir o livro, achou o trecho onde está escrito:

18 Spiritus Domini super me: propter quod unxit me, evangelizare pauperibus misit me, sanare contritos corde,
O Espírito do Senhor está sobre mim; por isso me ungiu e me enviou para evangelizar os pobres, curar os de coração quebrantado,

19 praedicare captivis remissionem, et caecis visum, dimittere confractos in remissionem, praedicare annum Domini acceptum et diem retributionis.
proclamar perdão aos presos, vista aos cegos, liberdade aos oprimidos; proclamar o ano aceitável do Senhor e o dia da retribuição.

20 Et cum plicuisset librum, reddidit ministro, et sedit: et omnium in synagoga oculi erant intendentes in eum.
E, tendo enrolado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele.

21 Coepit autem dicere ad illos: quia hodie impleta est haec scriptura in auribus vestris.
E começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem que vocês acabaram de ouvir.”

22 Et omnes testimonium agebant de illo, et mirabantur in verbis gratiae, quae egrediebantur ex ore eius; et dicebant: Nonne hic est Filius Ioseph?
E todos davam testemunho a respeito dele, maravilhando-se das palavras de graça que saíam de sua boca; e diziam: “Não é este o filho de José?”

23 Et dixit eis: Sine dubio dicetis mihi hanc similitudinem: Medice, sana teipsum: quae et audivimus facta in Capernaum, fac et hic in patria tua.
E disse-lhes: “Com certeza me dirão esta parábola: ‘Médico, cura-te a ti mesmo’; faça aqui o que ouvimos que fizeste em Cafarnaum.”

24 Et ait: Amen dico vobis, neque in nullo propheta honorus est in patria sua.
E ele acrescentou: “Em verdade vos digo que nenhum profeta é aceito em sua terra.”

25 Amen dico vobis quoniam in illa tempore accepient prophetae Sidonii plus quam in populo illo.
Em verdade: à época, os profetas de Sídon foram mais aceitos do que entre este povo.

26 Et in regionem Sidoniam effugia sunt multa vidua in tempore eius, cum caeli iuga pergerent per per aliquando magnum plaga facta est in omni terra ista;
Algumas viúvas da região de Sídon receberam socorro naquele tempo, quando uma grande calamidade assolou toda aquela região.

27 Et multi leprosorum sunt sanati in Israhel, in tempore Eliae propheta, et nemo ex eis factus est mundus praeter naaman Syriae.
E muitos leprosos foram curados em Israel, no tempo do profeta Elias; e nenhum deles foi purificado senão Naamã, o sírio.

28 Et irritati sunt omnes in synagoga, et surgentes projecerunt eum foris civitatis, et duxerunt eum usque ad summitatem montis, ubi civitas eorum erat fundata, ut praeciperent illum cadere de torre.
E todos na sinagoga ficaram cheios de fúria; levantaram-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o topo do monte onde a cidade fora construída, para atirá-lo dali.

29 Ipse autem transiens per medium illorum abiit.
Mas passando por entre eles, foi e se retirou.

30 Et abiit Nazareth, et loquitum est in synagogis eorum per omnes Galilaeam.
E regressou a Nazaré e proclamou o evangelho nas sinagogas deles por toda a Galileia.

Reflexão:
Este trecho revela o momento em que a promessa e a ação se encontram: a liberdade anunciada não fica restrita a palavras, mas convida ao exercício individual da dignidade e da responsabilidade. O mensageiro, tendo integrado sua comunidade, desafia os limites locais para promover o bem comum. Sua missão universal nasce da convicção inclusiva, da fé no potencial transformador e no respeito ao indivíduo. Ao ser rejeitado, ele não recua, mas segue caminhando, confiante na razão e na autenticidade do propósito compartilhado. Este convite ressoa como um apelo à esfera pública: a iniciativa individual, sustentada pelo consenso moral e pela emergência de oportunidades, pode redefinir o curso coletivo — edificando, com coragem e integridade, novos espaços de progresso onde cada um assume sua parcela na construção digna da comunidade.


Versículo mais importante:

O trecho central e mais importante de Lucas 4,16-30 é aquele em que Jesus proclama o cumprimento da profecia, revelando a essência de sua missão.

Lucas 4,21
Coepit autem dicere ad illos: quia hodie impleta est haec Scriptura in auribus vestris.
E começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta Escritura que acabais de ouvir.”(Lc 4:21)


HOMILIA

A Palavra que Se Cumpre no Coração do Ser

No Evangelho de Lucas 4,16-30, contemplamos Jesus erguendo-se na sinagoga para proclamar uma palavra antiga e eterna: “O Espírito do Senhor está sobre mim”. Não se trata apenas de uma leitura, mas de uma revelação. Ali, o tempo humano e o tempo divino se encontram, e a promessa escondida nos séculos torna-se presença viva.

O cumprimento da Escritura não é apenas memória do passado, mas manifestação da vocação que atravessa cada alma: ser habitada pelo Espírito e fecundada pela liberdade interior. A mensagem de Jesus não repousa na superfície da religião, mas na abertura do coração à evolução do ser, no desvelar do homem interior que se reconhece chamado a superar limites e condicionamentos.

O anúncio aos pobres, a visão aos cegos, a liberdade aos cativos não se restringem a circunstâncias externas, mas indicam um movimento mais profundo: a iluminação da consciência, o despertar da dignidade, a expansão da vida em direção ao horizonte maior da comunhão. Ali onde a palavra é rejeitada, Cristo passa pelo meio deles e segue adiante. É a imagem do Espírito que nada detém, do chamado que insiste, da liberdade que não pode ser sufocada.

Assim, o Evangelho nos conduz a reconhecer que a verdadeira pátria do ser não é o espaço limitado da aceitação exterior, mas o espaço ilimitado da fidelidade ao chamado divino que ressoa em cada pessoa. O cumprimento da Palavra é o cumprimento do próprio ser, que, ao acolher a luz, encontra-se integrado na harmonia do Todo, onde cada indivíduo é chamado a tornar-se transparência viva da plenitude.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Revelação do “Hoje”

O versículo de Lucas 4,21 — “Hoje se cumpriu esta Escritura que acabais de ouvir” — abre um horizonte em que o tempo humano e o tempo divino se encontram. O “hoje” não é apenas a data em que Jesus falou, mas o instante eterno em que a Palavra se torna realidade viva. O cumprimento não é um evento externo isolado, mas a irrupção do Absoluto no interior da história e da consciência.

O Cumprimento Interior

Cumprir a Escritura não significa apenas realizar previsões proféticas, mas revelar a plenitude escondida no ser humano. A Palavra se cumpre quando encontra eco no coração, iluminando a interioridade. Esse “cumprimento” é dinâmico: chama cada pessoa a tornar-se espaço de manifestação divina, onde a liberdade e a dignidade se convertem em expressão da própria vida espiritual.

O Tempo da Graça

O “hoje” é o tempo da graça, sempre presente e sempre novo. Não se limita ao passado, nem se projeta apenas no futuro. É o agora onde o Eterno se comunica. Aquele que ouve é convidado a entrar em um tempo qualitativo, não cronológico: o tempo do despertar, no qual a promessa deixa de ser expectativa e se transforma em experiência de realidade.

A Transformação da Consciência

Jesus revela que a verdadeira libertação não se restringe ao exterior, mas à elevação da consciência. Os cegos que veem, os cativos libertos, os pobres evangelizados, são símbolos de um movimento interior: a passagem da ignorância à luz, da escravidão das sombras à liberdade do espírito, da indigência da alma ao alimento da verdade.

A Dignidade do Ser Humano

Ao proclamar o cumprimento, Jesus desperta o valor intrínseco de cada pessoa. A dignidade humana não é concedida pelas circunstâncias, mas reconhecida na comunhão com a Palavra eterna que habita em cada ser. O Evangelho mostra que a identidade humana só se plenifica quando reconhece sua origem e destino no Infinito.

O Caminho da Liberdade

O cumprimento da Escritura é também revelação de um caminho: o ser humano é chamado a transcender condicionamentos, preconceitos e limites, encontrando-se livre para viver segundo a verdade. Essa liberdade não é fuga, mas adesão consciente à plenitude do sentido, que transforma tanto a vida interior quanto a vida comunitária.

O Mistério da Rejeição e da Passagem

A reação hostil dos ouvintes mostra que a consciência humana resiste ao chamado que a ultrapassa. Porém, Cristo, passando pelo meio deles, segue adiante: a Palavra não se prende à recusa. Esse movimento simboliza a fidelidade do Espírito que continua agindo, ainda que rejeitado, até que cada coração esteja pronto para acolhê-lo.

Síntese Contemplativa

O “hoje” proclamado por Jesus é o ponto onde a eternidade toca o tempo. É a atualização constante da promessa que não envelhece, a revelação de que o ser humano pode, em cada instante, tornar-se participante da plenitude. Este versículo é um convite a viver não em função de um futuro distante, mas no presente eterno em que a liberdade, a dignidade e a luz interior se manifestam como cumprimento vivo da Palavra.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

Mensagens de Fé

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