Liturgia Diária
26 – TERÇA-FEIRA
21ª SEMANA DO TEMPO COMUM
(verde – ofício do dia)
Inclinai, Senhor, vosso ouvido para mim e escutai-me. Salvai vosso servo que confia em vós, meu Deus. Tende compaixão de mim, Senhor, pois clamei por vós o dia inteiro (Sl 85,1ss).
Apesar das perseguições e desprezos, o verdadeiro mensageiro de Cristo permanece firme, sustentado pela força invisível que emana do Espírito. Sua missão não se curva à violência nem às máscaras da religião vazia, mas floresce na coragem de testemunhar a Verdade em meio às contradições do mundo. Ele sabe que a liberdade da alma não pode ser acorrentada por aparências, pois nasce da luz interior que ninguém pode sufocar. No silêncio de sua entrega, revela-se o poder que vence pela mansidão e constrói pela misericórdia.
“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Cor 3,17).
Sequentia sancti Evangelii secundum Matthaeum (Mt 23,23-26)
23 Vae vobis scribae et pharisaei hypocritae, quia decimatis mentham, et anethum, et cyminum, et reliquistis quae graviora sunt legis: iudicium, et misericordiam, et fidem. Haec oportuit facere, et illa non omittere.
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas deixastes o que é mais importante na Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Era necessário praticar estas coisas, sem omitir aquelas.
24 Duces caeci, excolantes culicem, camelum autem gluttientes.
Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo.
25 Vae vobis scribae et pharisaei hypocritae, quia mundatis quod deforis est calicis et paropsidis, intus autem pleni estis rapina et immunditia.
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o exterior do cálice e do prato, mas por dentro estais cheios de roubo e de impureza.
26 Pharisaee caece, munda prius quod intus est calicis et paropsidis, ut fiat et id quod deforis est mundum.
Fariseu cego, limpa primeiro o interior do cálice e do prato, para que também o exterior se torne puro.
Reflexão:
A palavra de Cristo nos recorda que a verdadeira transformação nasce do interior e se expande em direção ao mundo. A autenticidade não se constrói em aparências, mas na fidelidade à justiça e ao amor que sustentam a vida. É no espaço íntimo da consciência que se gera a ordem capaz de irradiar harmonia social. A pureza exterior só tem sentido quando reflete uma liberdade interior conquistada na verdade. A coerência entre o ser e o agir abre caminho para a comunhão universal. Quando o coração se torna luz, toda a criação se eleva junto com ele.
Versículo mais importante:
23 Vae vobis scribae et pharisaei hypocritae, quia decimatis mentham, et anethum, et cyminum, et reliquistis quae graviora sunt legis: iudicium, et misericordiam, et fidem. Haec oportuit facere, et illa non omittere.
Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas deixastes o que é mais importante na Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Era necessário praticar estas coisas, sem omitir aquelas. (Mt 23:23)
HOMILIA
A Pureza que Transfigura o Ser
O Evangelho nos conduz a um olhar que ultrapassa as formas exteriores da fé para mergulhar na essência viva da existência espiritual. Jesus revela que a verdadeira justiça não se encontra na minúcia das aparências, mas no eixo invisível que sustenta toda a lei: misericórdia, fidelidade e amor. O cálice limpo por fora, mas corrompido por dentro, é imagem do ser humano que se contenta com máscaras, esquecendo que a fonte da autenticidade repousa no interior.
A palavra do Cristo nos convida a uma ascensão: a purificação do coração é o início de toda verdadeira liberdade. Quando o interior se ordena segundo a verdade do Espírito, o exterior se harmoniza como reflexo natural. Esta é a dinâmica da evolução interior, que não se reduz a regras, mas a um movimento profundo em direção à plenitude.
Assim, cada pessoa é chamada a participar desse processo de transfiguração. A dignidade não brota da conformidade exterior, mas do encontro íntimo entre a consciência e a luz divina que a habita. A fidelidade ao essencial abre caminho para uma vida coerente, onde a justiça se torna prática, a misericórdia se torna gesto e a fé se torna horizonte.
No silêncio deste chamado, compreendemos que a verdadeira pureza não é aparência, mas radiação interior que, ao iluminar o coração, faz resplandecer também o mundo.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
A Justiça, a Misericórdia e a Fidelidade como Centro da Lei
Neste versículo, Cristo denuncia a inversão espiritual dos fariseus: a substituição do essencial pelo acessório. O dízimo da hortelã, do endro e do cominho simboliza a rigidez com detalhes externos, enquanto se ignora a substância viva da Lei: justiça, misericórdia e fidelidade. Jesus não rejeita a prática ritual, mas recoloca-a em sua ordem hierárquica: o exterior deve fluir da raiz interior. A Lei só se cumpre plenamente quando enraizada na verdade do coração.
O Chamado à Unidade Interior
O cálice limpo apenas por fora é uma metáfora do homem dividido, que aparenta santidade, mas não se deixa transformar no íntimo. Cristo aponta para a necessidade de uma purificação que unifique o ser: a ordem interior se reflete no agir exterior. Não se trata de eliminar as formas, mas de insuflar nelas o espírito que as vivifica. A autenticidade espiritual nasce quando interior e exterior se tornam expressão de uma única fonte.
A Evolução da Consciência
Ao destacar justiça, misericórdia e fidelidade, Jesus indica que a vida espiritual é caminho de crescimento e transformação. A fidelidade abre a consciência ao Eterno, a justiça alinha a alma à ordem universal, e a misericórdia expande o ser para além de si mesmo. Esses três pilares representam um movimento de evolução interior: do enraizamento na verdade, passando pela integração do outro, até a comunhão com o Todo.
A Liberdade do Espírito
A mensagem aponta também para a verdadeira liberdade: não a de rejeitar a Lei, mas a de cumpri-la em plenitude. A alma liberta-se quando compreende que a obediência autêntica não está em cumprir formalidades, mas em participar da dinâmica divina que une justiça, amor e fidelidade. Esta liberdade é força criadora que eleva a dignidade humana, pois faz do homem não mero executor de preceitos, mas coautor da obra de Deus na história.
Conclusão
O versículo de Mateus 23,23 convida a ultrapassar a superfície e a reencontrar o núcleo vivo da fé. O chamado de Cristo é ao coração inteiro, onde o ser humano é transfigurado pela verdade que o habita. Só quando justiça, misericórdia e fidelidade se tornam alma de cada gesto é que a vida se harmoniza com a ordem divina e a criação participa de sua plenitude.
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