quarta-feira, 27 de agosto de 2025

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 24:42-51 - 28.08.2025

 Liturgia Diária


28 – QUINTA-FEIRA 

SANTO AGOSTINHO


BISPO E DOUTOR DA IGREJA


(branco, pref. comum, ou dos pastores ou dos doutores – ofício da memória)


No meio da Igreja o Senhor abriu os seus lábios, encheu-o com o espírito de sabedoria e inteligência e o revestiu com um manto de glória (Eclo 15,5).


Agostinho nasceu em terras do norte da África e sua vida se tornou sinal de busca incessante pela verdade. Depois de sua conversão, acolheu a missão como bispo e mestre da consciência, deixando escritos que iluminam gerações. Sua palavra ergue-se como farol para quem deseja unir razão e fé, liberdade e responsabilidade. Fundou comunidade de vida interior, inspirando corações a escolherem o caminho da verdade e do bem. Seu exemplo convida a viver em vigilância, como quem serve ao mistério da eternidade.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)



Evangelium secundum Matthaeum 24,42-51

42 Vigilate ergo, quia nescitis qua hora Dominus vester venturus sit.
Vigiai, pois não sabeis em que hora virá o vosso Senhor.

43 Illud autem scitote, quoniam si sciret pater familias qua hora fur venturus esset, vigilaret utique, et non sineret perfodi domum suam.
Sabei, porém, que se o pai de família soubesse a hora em que o ladrão viria, certamente velaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.

44 Ideo et vos estote parati: quia qua nescitis hora Filius hominis venturus est.
Por isso, estai também vós preparados, porque o Filho do Homem virá na hora em que não pensais.

45 Quis, putas, est fidelis servus, et prudens, quem constituit dominus suus supra familiam suam, ut det illis cibum in tempore?
Quem julgais ser o servo fiel e prudente, que o senhor constituiu sobre a sua casa, para dar-lhes alimento no tempo devido?

46 Beatus ille servus, quem, cum venerit dominus eius, invenerit sic facientem.
Bem-aventurado aquele servo a quem o senhor, quando vier, achar procedendo assim.

47 Amen dico vobis, quoniam super omnia bona sua constituet eum.
Em verdade vos digo, que o colocará sobre todos os seus bens.

48 Si autem malus servus dixerit in corde suo: Moram facit dominus meus;
Mas se aquele servo mau disser em seu coração: Meu senhor tarda em vir;

49 et coeperit percutere conservos suos, manducet autem, et bibat cum ebriosis:
e começar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com os bêbados,

50 veniet dominus servi illius in die qua non sperat, et hora qua nescit:
virá o senhor daquele servo no dia em que não espera e na hora em que não sabe,

51 et dividet eum, partemque eius ponet cum hypocritis: ibi erit fletus, et stridor dentium.
e o separará, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

Reflexão:

O texto evangélico nos recorda que a existência não é abandono ao acaso, mas chamado a uma responsabilidade interior. A liberdade não pode ser confundida com indiferença; ela é convite a uma vigilância criadora. O servo fiel é aquele que usa o tempo como dom, cultivando a vida como semente de eternidade. A espera não é passiva, mas dinâmica, exigindo que cada gesto revele justiça e cuidado. A verdadeira recompensa não se mede em posse, mas em comunhão. Quem vigia aprende que a vinda do Senhor é contínua, e que cada instante pode ser aurora de plenitude.


Versículo mais importante: 

42 Vigilate ergo, quia nescitis qua hora Dominus vester venturus sit.
Vigiai, pois não sabeis em que hora virá o vosso Senhor.(Mt 24:42)

Este versículo concentra a essência do ensinamento: viver atentos, conscientes e preparados, sem adiar o cuidado com o espírito nem a responsabilidade diante da vida.


HOMILIA

A Vigília da Eternidade

O Evangelho nos convida a permanecer vigilantes, pois o Senhor chega na hora em que não pensamos. Este chamado não é apenas para o futuro distante, mas para cada instante em que a vida se abre como mistério e revelação. Vigiar é despertar para a profundidade do ser, reconhecendo que a liberdade não é um peso, mas a capacidade de orientar nossa existência para o bem maior.

O servo fiel é aquele que, consciente de sua dignidade, assume a responsabilidade de transformar o tempo em espaço de plenitude. Ele não espera passivamente, mas constrói o presente como semente do eterno, sustentado pelo alimento invisível da esperança. A vigilância é, portanto, exercício de liberdade criadora, movimento contínuo em direção à comunhão com o Divino.

Quando a alma se torna atenta, cada gesto é iluminado pela eternidade, e a vinda do Senhor deixa de ser ameaça para revelar-se como promessa de plenitude. O vigiar torna-se celebração da vida interior, onde a luz não se apaga e o coração encontra repouso no Infinito.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

“Vigiai, pois não sabeis em que hora virá o vosso Senhor” (Mt 24,42)

O Chamado à Consciência Desperta

O convite de Cristo não é mera advertência moral, mas uma convocação à consciência desperta. Vigiar significa manter o espírito acordado diante do mistério do tempo e da eternidade. O homem, muitas vezes adormecido na rotina, é convidado a perceber que a vida é passagem contínua e que cada instante pode ser o limiar da revelação divina.

O Mistério da Hora Desconhecida

A hora oculta não é apenas o fim último, mas a irrupção do Eterno em meio ao efêmero. O desconhecido guarda em si a pedagogia da liberdade: não sabendo o momento, o homem é chamado a viver em estado de presença, sem adiar a fidelidade ao Bem. O tempo torna-se, assim, sacramento da espera vigilante.

A Liberdade como Vigilância Criadora

Vigiar é exercício de liberdade. Não se trata de vigília ansiosa, mas de consciência ativa que transforma cada gesto em ato de eternidade. A liberdade humana encontra sua grandeza quando assume o tempo como dom, escolhendo em cada instante ser cooperadora da obra divina.

A Dignidade da Pessoa no Horizonte da Eternidade

A vigilância revela a dignidade do ser humano, pois coloca a existência em diálogo direto com o Absoluto. O homem, servo fiel, não vive como engrenagem, mas como participante da criação, responsável por nutrir o mundo com o alimento da justiça, da esperança e do amor.

A Vinda Contínua do Senhor

O versículo não aponta apenas para o evento final, mas para a vinda constante de Cristo em cada momento de abertura interior. O Senhor chega em cada encontro verdadeiro, em cada gesto de bondade, em cada silêncio fecundo onde o coração desperto reconhece a presença do Infinito.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

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