quinta-feira, 21 de agosto de 2025

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Lucas 1:26-38 - 22.08.2025


Liturgia Diária


22 – SEXTA-FEIRA 

BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA RAINHA


(branco, pref. de Maria – ofício da memória)


A Rainha está à vossa direita com suas vestes de ouro, ornada de esplendor (Sl 44,10).


A memória da Rainha dos Céus, unida à sua Assunção, revela a dignidade da liberdade interior como expressão do amor que se eleva ao Infinito. Contemplar Maria é reconhecer que toda autoridade verdadeira nasce do serviço, não da imposição. Seu reinado é comunhão, sua coroa é a obediência fecunda à Palavra. Em sua elevação, vemos a vocação humana à transcendência, à escolha que não se dobra ao jugo, mas se abre à Verdade que liberta. “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,5) ecoa como convite eterno à consciência desperta e à plenitude do ser.



Evangelium secundum Lucam 1,26-38

  1. In mense autem sexto missus est angelus Gabriel a Deo in civitatem Galilaeae, cui nomen Nazareth,
    No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

  2. ad virginem desponsatam viro, cui nomen erat Ioseph, de domo David, et nomen virginis Maria.
    A uma virgem desposada com um homem chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria.

  3. Et ingressus angelus ad eam dixit: Ave, gratia plena: Dominus tecum: benedicta tu in mulieribus.
    E entrando o anjo disse: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo, bendita és tu entre as mulheres.

  4. Quae cum audisset, turbata est in sermone eius, et cogitabat qualis esset ista salutatio.
    Ela, ao ouvir, perturbou-se com a saudação e pensava que saudação seria aquela.

  5. Et ait angelus ei: Ne timeas Maria: invenisti enim gratiam apud Deum.
    E o anjo lhe disse: Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus.

  6. Ecce concipies in utero, et paries filium, et vocabis nomen eius Iesum.
    Eis que conceberás em teu ventre e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Jesus.

  7. Hic erit magnus, et Filius Altissimi vocabitur: et dabit illi Dominus Deus sedem David patris eius:
    Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.

  8. Et regnabit in domo Iacob in aeternum, et regni eius non erit finis.
    E reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e o seu reino não terá fim.

  9. Dixit autem Maria ad angelum: Quomodo fiet istud, quoniam virum non cognosco?
    Maria disse ao anjo: Como se fará isso, se não conheço homem?

  10. Et respondens angelus dixit ei: Spiritus Sanctus superveniet in te, et virtus Altissimi obumbrabit tibi. Ideoque et quod nascetur ex te sanctum, vocabitur Filius Dei.
    O anjo respondeu: O Espírito Santo virá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso o que nascer de ti será santo e será chamado Filho de Deus.

  11. Et ecce Elisabeth cognata tua, et ipsa concepit filium in senectute sua: et hic mensis sextus est illi, quae vocatur sterilis:
    E eis que Isabel, tua parenta, também concebeu um filho em sua velhice; este é o sexto mês para aquela que era chamada estéril.

  12. Quia non erit impossibile apud Deum omne verbum.
    Porque para Deus nenhuma palavra será impossível.

  13. Dixit autem Maria: Ecce ancilla Domini: fiat mihi secundum verbum tuum. Et discessit ab illa angelus.
    Maria disse: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo se retirou dela.

Reflexão:
O anúncio à Virgem revela o ponto em que o humano se abre ao eterno. A liberdade encontra sua grandeza quando se consente em acolher o que transcende. Não há verdadeira vida sem a escolha que assume riscos e se projeta para além da segurança do imediato. O sim de Maria é o paradigma do ser que não se fecha em si, mas se entrega ao movimento criador. O futuro nasce quando se confia à promessa que ultrapassa os limites do visível. Cada ato livre, unido ao Amor, torna-se construção de um mundo novo, onde a plenitude se anuncia.


Versículo mais importante:

Um dos versículos mais centrais deste trecho é o versículo 38, no qual Maria responde ao chamado divino com plena liberdade e entrega:

  1. Dixit autem Maria: Ecce ancilla Domini: fiat mihi secundum verbum tuum. Et discessit ab illa angelus.
    Maria disse: Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo se retirou dela.(Lc 1:38)


HOMILIA

O Fiat que Abre os Céus

O Evangelho nos conduz ao mistério do encontro entre o Infinito e a fragilidade humana. O anjo, mensageiro da eternidade, visita Maria, cuja pureza interior se abre ao diálogo com Deus. Na saudação celestial, não se trata apenas da eleição de uma jovem em Nazaré, mas da revelação de que a liberdade humana é digna de ser habitada pela plenitude divina.

Maria não foi anulada pela grandeza do anúncio, mas elevada. Seu temor inicial não é sinal de fraqueza, mas testemunho da seriedade da escolha. A verdadeira liberdade não é ausência de vínculos, mas capacidade de consentir ao que dá sentido à existência. No “faça-se em mim segundo a tua palavra”, encontramos o ponto em que o humano se torna colaborador da obra eterna.

Cada pessoa é chamada a viver esse mesmo caminho. O Fiat não é apenas um instante passado, mas a matriz de todo progresso interior. É a afirmação da dignidade do ser que, em meio aos limites, se abre ao horizonte do ilimitado. O Espírito que repousou sobre Maria continua a gerar, no íntimo de cada coração, a possibilidade de uma vida transfigurada pela luz.

Assim, o anúncio a Maria é também anúncio a nós: não há palavra impossível para Deus. No silêncio fecundo do consentimento, a eternidade se encarna no tempo, e a criatura encontra sua mais alta vocação — ser ponte viva entre o finito e o eterno.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O Fiat como Porta da Eternidade

O versículo de Lucas 1,38 revela o instante em que a liberdade humana se torna espaço do divino. Maria, ao proclamar “Eis a serva do Senhor”, não renuncia à sua dignidade, mas a plenifica. O serviço, aqui, não é submissão passiva, mas adesão consciente a um projeto que a transcende. No “faça-se”, o tempo humano se abre à eternidade, e a finitude acolhe a infinitude.

A Liberdade como Consentimento Criador

O sim de Maria é o arquétipo da liberdade autêntica. Não se trata de uma escolha entre possibilidades menores, mas da abertura ao absolutamente novo. A liberdade encontra sua grandeza quando reconhece que sua plenitude não está em si mesma, mas em consentir ao chamado que a eleva. Assim, Maria não perde sua autonomia, mas a transfigura em colaboração com o eterno.

O Mistério da Palavra que Se Encama

Ao dizer “segundo a tua palavra”, Maria torna-se morada do Verbo. O Logos eterno encontra nela a hospitalidade necessária para entrar na história. Este momento é teologicamente o ponto em que a criação, pela primeira vez, responde plenamente ao Criador. O ser humano, no seu silêncio humilde e lúcido, torna-se coautor do desígnio divino.

A Retirada do Anjo e a Presença Interior

O evangelista conclui dizendo: “E o anjo se retirou dela”. A ausência externa do mensageiro revela a presença interior da missão já assumida. O verdadeiro sinal não permanece fora, mas germina dentro. Maria, desde então, carrega no íntimo a realidade que antes era apenas anúncio. O anjo parte porque a eternidade já se enraizou no coração humano.

Conclusão: O Fiat como Caminho de Toda Alma

Cada ser humano é chamado a repetir, de modos diversos, o Fiat de Maria. É no consentimento livre ao chamado do eterno que a pessoa alcança sua verdadeira dignidade. O versículo não é apenas um relato histórico, mas a imagem de uma dinâmica perene: Deus oferece, o ser humano escolhe, e no encontro surge a plenitude da vida.


Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

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