Liturgia Diária
24 – DOMINGO
21º DOMINGO DO TEMPO COMUM
(verde, glória, creio – 1ª semana do saltério)
Inclinai, Senhor, vosso ouvido para mim e escutai-me. Salvai vosso servo que confia em vós, meu Deus. Tende compaixão de mim, Senhor, pois clamei por vós o dia inteiro (Sl 85,1s).
O Senhor chama cada alma a abrir o coração e acolher o dom da liberdade que floresce em sua salvação. A liturgia nos inspira a alinhar os passos com a verdade, para atravessar a porta estreita que conduz ao banquete eterno. Cada ato de comunhão torna-se expressão de dignidade e corresponsabilidade, pois no serviço mútuo se revela a plenitude do ser. Assim, a vida comunitária não se reduz à forma, mas transborda em essência: cada ministério é testemunho da consciência desperta que escolhe, na fé, construir um mundo em harmonia com a vontade divina.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8,32)
Dominica XXI per Annum – Evangelium secundum Lucam (13,22-30)
22 Et ibat per civitates et castella docens, et iter faciens in Ierusalem.
E percorria pelas cidades e aldeias ensinando, enquanto seguia caminho para Jerusalém.
23 Ait autem illi quidam: Domine, si pauci sunt qui salvantur? Ipse autem dixit ad illos:
Perguntou-lhe alguém: Senhor, são poucos os que se salvam? Ele respondeu:
24 Contendite intrare per angustam portam, quia multi, dico vobis, quaerent intrare et non poterunt.
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos digo que muitos procurarão entrar e não conseguirão.
25 Cum autem surrexerit pater familias et clauserit ostium, et incipietis foris stare et pulsare ostium dicentes: Domine, aperi nobis: et respondens dicet vobis: Nescio vos unde sitis.
Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, começareis a ficar de fora, batendo e dizendo: Senhor, abre-nos! E Ele responderá: Não vos conheço de onde sois.
26 Tunc incipietis dicere: Manducavimus coram te et bibimus, et in plateis nostris docuisti.
Então direis: Comemos e bebemos diante de Ti, e em nossas praças ensinaste.
27 Et dicet vobis: Dico vobis nescio vos unde sitis: discedite a me omnes operarii iniquitatis.
E Ele vos dirá: Repito, não vos conheço de onde sois. Afastai-vos de mim, todos vós que praticais a injustiça.
28 Ibi erit fletus et stridor dentium: cum videritis Abraham et Isaac et Iacob et omnes prophetas in regno Dei, vos autem expelli foras.
Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no Reino de Deus, e vós, lançados fora.
29 Et venient ab oriente et occidente, et aquilone et austro, et accumbent in regno Dei.
E virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e se sentarão à mesa no Reino de Deus.
30 Et ecce sunt novissimi qui erunt primi, et sunt primi qui erunt novissimi.
E eis que há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.
Reflexão:
A passagem nos revela que a salvação não é privilégio, mas conquista do coração aberto e da consciência desperta. A porta estreita simboliza a exigência da autenticidade interior, onde não basta a aparência, mas sim a verdade vivida. Cada gesto livre, voltado ao bem, aproxima o ser humano do horizonte de plenitude. O Reino não se limita a fronteiras, pois se abre a todos que se movem pela verdade. O esforço pessoal une-se ao dinamismo coletivo, convidando-nos a caminhar juntos. Assim, a criação inteira tende ao ponto em que justiça, amor e liberdade se fundem em unidade viva.
Versículo mais importante:
Entre os versículos do Evangelium secundum Lucam (13,22-30), o mais central e importante é o versículo 24, pois resume a essência do ensinamento de Jesus neste trecho: a exigência do esforço pessoal e da verdade interior para alcançar o Reino.
Lucae 13,24
Contendite intrare per angustam portam, quia multi, dico vobis, quaerent intrare et non poterunt.
Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois vos digo que muitos procurarão entrar e não conseguirão.(Lc 13:24)
O convite a entrar pela “porta estreita” revela o caminho do ser humano em direção ao centro da vida verdadeira. Não se trata de uma limitação imposta, mas de um chamado à autenticidade, onde cada escolha exige responsabilidade e liberdade interior. A porta estreita simboliza a depuração do ego, a superação das ilusões e a fidelidade ao sentido mais profundo da existência. Muitos procuram o Reino sem disposição para o esforço de transformação, permanecendo apenas na superfície. A travessia, porém, é interior: é a decisão de viver na verdade, no amor e na justiça que libertam.
HOMILIA
A Porta Estreita e a Plenitude do Ser
Amados, o Evangelho nos conduz hoje ao coração de uma revelação que ultrapassa a mera narrativa: a jornada do homem rumo ao seu centro. Jesus, caminhando em direção a Jerusalém, não se limita a ensinar doutrinas; Ele abre diante de nós um horizonte de transfiguração. A pergunta que Lhe é dirigida — “são poucos os que se salvam?” — não busca apenas números, mas toca no mistério da condição humana. A resposta é clara e exigente: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita.”
A porta estreita não é exclusão, mas purificação. Representa o despojamento do que é transitório, o abandono das falsas seguranças, a renúncia ao peso das máscaras que ocultam a essência. Só atravessa quem se aproxima em liberdade, reconhecendo que a vida não é mero acúmulo de feitos exteriores, mas expansão da consciência em direção à sua fonte.
O banquete do Reino não se conquista por títulos, tradições ou heranças, mas pela transformação íntima. Muitos dirão: “Estivemos diante de Ti, ouvimos Tuas palavras, partilhamos de Teus sinais.” Contudo, a resposta ecoa como espelho: “Não vos conheço de onde sois.” Pois não basta estar ao lado da verdade; é preciso encarnar a verdade.
O Evangelho nos recorda que todos os povos, de todas as direções, são chamados a essa mesa. O Reino é universal, mas a entrada é singular. Cada alma deve escolher, em dignidade e liberdade, o esforço de atravessar o umbral. A evolução interior não é marcha automática: é ato de decisão, de abertura e de entrega.
Na perspectiva da eternidade, os últimos se tornam primeiros e os primeiros últimos, pois as medidas humanas se dissolvem no fogo da justiça divina. O que conta é a autenticidade de uma vida que, em sua simplicidade, se orienta ao Amor.
Assim, irmãos e irmãs, diante da porta estreita que se abre, não temamos o estreitamento do caminho. Ele não sufoca, mas concentra, não limita, mas eleva. Ali, cada passo dado na verdade é já participação no banquete eterno, onde liberdade, dignidade e plenitude se fundem em unidade viva.
EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA
1. A Porta como Símbolo do Mistério Divino
A “porta estreita” não é apenas uma imagem moral, mas um arquétipo da passagem entre o transitório e o eterno. Representa o limiar onde o humano encontra o divino, onde a consciência limitada se abre ao infinito. A estreiteza não significa exclusão, mas intensidade: exige a concentração do ser, um desapego do supérfluo, um retorno ao essencial que se esconde no interior.
2. O Esforço como Caminho de Liberdade
“Esforçai-vos” indica que a salvação não é passividade, mas movimento. O esforço não é imposto por uma lei externa, mas nasce da liberdade interior que escolhe a verdade. Esse esforço é a tensão criadora que impulsiona o ser humano a transcender suas próprias sombras e a participar, em dignidade, da vida divina.
3. A Ilusão da Superficialidade
“Muitos procurarão entrar e não conseguirão.” Aqui ressoa a advertência contra o engano da aparência. Não basta desejar o Reino como quem busca um prêmio exterior; é necessário configurá-lo no coração. A busca superficial encontra o obstáculo da porta, pois esta só se abre a quem se despojou das máscaras do ego e se revestiu da autenticidade.
4. O Banquete como Horizonte da Consciência
A meta da travessia não é a estreiteza em si, mas a expansão. Quem passa pela porta estreita alcança a mesa do banquete eterno, onde todas as distâncias se reconciliam. A porta exige concentração para que, uma vez atravessada, o ser possa se dilatar em plenitude. Assim, o estreito conduz ao vasto, o limite conduz ao infinito.
5. Unidade de Liberdade, Dignidade e Amor
Esse versículo revela que o Reino não se dá sem esforço, mas também não se reduz ao mérito humano. É graça que chama, mas exige resposta livre. A dignidade da pessoa consiste justamente em poder responder, em escolher atravessar, em assumir sua liberdade como caminho de encontro com o Absoluto.
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