sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 5,13-16 - 08.02.2026

 Liturgia Diária


8 – DOMINGO 

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 1ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Psalmus 94 (95), 6–7 — Vulgata Clementina

Veníte, adorémus, et procidámus ante Deum;
plorémus coram Dómino qui fecit nos:
quia ipse est Dóminus Deus noster,
et nos pópulus páscuæ ejus, et oves manus ejus.

Tradução

Vinde: recolhei o espírito e subi ao Centro.
Adoremos — isto é, entreguemos o peso do ego ao Silêncio.
Prostremo-nos — desçamos ao húmus do ser,
pois somente quem se curva atravessa o limiar do Eterno.
Choremos diante do Senhor que nos gerou,
porque Ele é a Fonte que continuamente nos cria.
Ele é o nosso Deus — o Fundamento do Agora —
e nós somos o campo do seu sopro,
rebanho conduzido pela mão invisível da Presença.


Reunimo-nos no limiar do Mistério, para contemplar o Cristo que, atravessando a cruz, revela a vida indestrutível. A celebração torna-se ascensão interior, onde cada consciência se alinha ao Eterno, fonte do ser. Somos chamados a irradiar claridade, convertendo gestos em sinais de verdade, e palavras em cuidado. Como sal, preservamos a substância do mundo, restaurando o sentido das coisas. Louvamos o Pai, princípio amante, cuja presença dissipa sombras, erguendo o espírito para a escolha consciente, fidelidade ao bem, e caminho aberto à plenitude do existir. Silêncio funda cada passo, conduzindo-nos ao centro vivo da presença eterna, simples, inteira, luminosa, serena.



Evangelium secundum Matthaeum V, XIII–XVI

XIII
Vos estis sal terræ. Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras, et conculcetur ab hominibus.
Vós sois a essência que preserva o mundo do esquecimento. Se perderdes o vigor interior, nada restará que sustente o sentido. Sem o centro vivo, a existência dispersa-se e torna-se pó sob passos distraídos.

XIV
Vos estis lux mundi. Non potest civitas abscondi supra montem posita.
Sois claridade erguida no alto do ser. A consciência desperta não se oculta, pois a verdade, uma vez acesa, eleva-se como cume que atravessa toda sombra.

XV
Neque accendunt lucernam, et ponunt eam sub modio, sed super candelabrum, ut luceat omnibus qui in domo sunt.
Ninguém acende o fogo do espírito para escondê-lo. A chama é colocada no ponto mais alto da alma, para que cada pensamento e gesto recebam direção e calor.

XVI
Sic luceat lux vestra coram hominibus, ut videant opera vestra bona, et glorificent Patrem vestrum qui in cælis est.
Assim resplandeça o que habita em vós, para que as obras revelem harmonia interior e toda ação retorne em louvor Àquele que sustenta o invisível e o eterno.

Verbum Domini

Reflexão
O coração recolhe-se e encontra um eixo silencioso que nada pode romper
A partir desse ponto cada gesto nasce inteiro e sem dispersão
A alma aprende a permanecer firme diante das mudanças do mundo
O domínio de si torna-se mais forte que qualquer ruído exterior
A luz interior guia escolhas claras e responsáveis
O bem realizado não busca aplauso mas consonância com o alto
A serenidade transforma o instante comum em presença plena
E assim a vida inteira converte-se em oferta luminosa ao Eterno


Versículo mais importante:

XVI

Sic luceat lux vestra coram hominibus, ut videant opera vestra bona, et glorificent Patrem vestrum qui in cælis est.

Assim resplandeça a claridade que habita o íntimo do ser, para que cada gesto revele a origem invisível de onde procede a vida. Que as obras se tornem transparência do Alto, e que, ao agir, o coração se alinhe ao Eterno Presente, elevando toda existência ao louvor silencioso do Pai, fonte e destino de toda luz. (Mt 5,16)


HOMILIA

Luz que preserva e eleva

Irmãos reunidos no silêncio do Mistério, o Evangelho nos conduz ao centro onde a existência reencontra sua origem. O Cristo não fala apenas de tarefas exteriores, mas de uma qualidade do ser. Ele nos chama sal e luz. Não como metáforas frágeis, mas como sinais de uma vocação interior, gravada na própria estrutura da alma.

O sal preserva o que é essencial. Assim também o coração humano, quando fiel ao Princípio, guarda a integridade do mundo invisível. Se essa fidelidade se dissipa, tudo perde sabor, peso e direção. A vida torna-se dispersa. Por isso somos convidados a recolher-nos, a permanecer acordados, a sustentar em nós a substância que não se corrompe.

A luz, por sua vez, não luta contra a sombra. Ela simplesmente brilha. Sua presença basta. Quando a consciência se eleva acima das agitações do tempo, acende-se uma claridade serena que orienta cada gesto. Essa claridade não se impõe, mas irradia. Não domina, mas ordena. Não busca reconhecimento, mas revela sentido.

O Cristo nos convida a colocar a lâmpada no alto da casa interior. A casa é a alma. O alto é o ponto mais puro do espírito, onde pensamento, vontade e ação se unem. Dali nasce uma conduta íntegra, coerente, firme. As obras tornam-se expressão natural de um interior pacificado.

Essa retidão silenciosa amadurece a pessoa em sua dignidade. Cada ser humano passa a reconhecer-se portador de um sopro sagrado. E, no mesmo movimento, aprende a cuidar do lar, esse primeiro santuário onde a vida é acolhida, nutrida e transmitida. A família torna-se célula viva do cuidado, escola de responsabilidade, espaço onde a luz é partilhada de geração em geração.

Assim, o caminho espiritual não consiste em conquistar o mundo, mas em ordenar o próprio centro. Quando o interior se harmoniza com o Alto, toda escolha ganha nitidez. Surge a capacidade de agir por convicção e não por impulso, por verdade e não por medo. O ser humano caminha ereto, guiado por uma chama que nada externo pode apagar.

Ser sal e luz é, portanto, habitar essa presença constante, onde cada instante toca o eterno. É permitir que a vida inteira se torne transparência do Pai. E, quando isso acontece, até o gesto mais simples adquire peso de eternidade.

Que a nossa existência, recolhida e vigilante, conserve o sabor do espírito e irradie a claridade que conduz ao Céu. Amém.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Assim resplandeça a claridade que habita o íntimo do ser, para que cada gesto revele a origem invisível de onde procede a vida. Que as obras se tornem transparência do Alto, e que, ao agir, o coração se alinhe ao Eterno Presente, elevando toda existência ao louvor silencioso do Pai, fonte e destino de toda luz. Mt 5,16

A luz como princípio do ser

A palavra do Senhor não descreve apenas um comportamento moral, mas revela uma realidade ontológica. A luz mencionada pelo Evangelho não é acréscimo exterior, mas dom inscrito na própria criação da alma. Todo ser humano nasce tocado por essa claridade primeira, vestígio do Sopro divino que o sustenta. Brilhar, portanto, não é esforço de aparência, mas consentimento interior ao que já foi depositado por Deus no centro do espírito.

O interior como altar

Antes de alcançar o mundo visível, a luz precisa ser acolhida no santuário do coração. Ali se ergue o verdadeiro altar, onde pensamento, memória e vontade se oferecem em unidade. Quando o interior se ordena, cessa a dispersão. O ser recolhe-se ao seu eixo e aprende a agir a partir de uma fonte estável. A vida espiritual torna-se permanência consciente diante do Mistério que continuamente cria e sustenta todas as coisas.

As obras como transparência

O Evangelho ensina que as obras devem revelar o Pai. Isso significa que o agir não busca exibição, mas manifestação do invisível. Cada gesto reto converte-se em janela por onde a luz do Alto atravessa a matéria do cotidiano. A ação justa não nasce da inquietação, mas de uma quietude profunda. Assim, o bem realizado carrega simplicidade e verdade, como fruto que amadurece naturalmente na árvore sadia.

A dignidade da pessoa e do lar

Quando a claridade interior governa a consciência, a pessoa reconhece em si mesma um valor que não depende de circunstâncias. Essa percepção funda respeito por si e cuidado pelo próximo mais próximo. O lar torna-se a primeira morada dessa luz, espaço de formação do caráter, de transmissão da fé e de cultivo da fidelidade. A casa transforma-se em pequena chama contínua, guardando a presença de Deus na sucessão das gerações.

A elevação do instante

Alinhar o coração ao Eterno significa permitir que cada momento seja tocado pela eternidade. O tempo deixa de ser mera sucessão e adquire densidade sagrada. O agora torna-se lugar de encontro com o Pai. Nesse estado, a existência inteira converte-se em oração silenciosa. Viver, trabalhar e amar passam a ser formas de louvor.

Assim, a luz de que fala Cristo não apenas ilumina o caminho. Ela transforma o próprio ser em claridade, para que tudo o que somos se torne cântico discreto dirigido Àquele que é princípio e plenitude de toda vida.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

Mensagens de Fé

#LiturgiaDaPalavra

#EvangelhoDoDia

#ReflexãoDoEvangelho

#IgrejaCatólica

#Homilia

#Orações

#Santo do dia

Nenhum comentário:

Postar um comentário