terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 7,24-30 - 12.02.2026

 Liturgia Diária


12 – QUINTA-FEIRA 

5ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Psalmus 94 (95), 6–7 — Vulgata Clementina

Veníte, adorémus et procidámus ante Deum;
plorémus coram Dómino qui fecit nos,
quia ipse est Dóminus Deus noster;
nos autem pópulus páscuæ eius et oves manus eius.

Tradução

Vinde: retornemos ao Centro.
Adoremos: inclinemos a consciência ao Eterno.
Prostremo-nos: deixemos cair o peso do ego diante da Origem.
Choremos em reverência diante d’Aquele que nos teceu no ser.

Pois Ele é o nosso Deus —
não apenas Aquele que foi,
nem somente Aquele que será,
mas o Presente absoluto que sustenta todo instante.

Somos o povo do Seu pastoreio,
as ovelhas conduzidas pela Sua Mão invisível,
movendo-nos no tempo horizontal,
guardados, porém, no Tempo Vertical da eternidade.


Reunidos diante do Mistério, elevamos o coração Àquele que chama cada ser pelo nome. A presença do Cristo atravessa fronteiras, escuta o clamor escondido e acolhe a mulher estrangeira que confia, entregando o destino da filha ao sopro divino, e a vida se recompõe. Nele, o instante toca o eterno, e o agora se torna morada do Ser. Louvamos a Fonte que sustenta todas as coisas, guia interior, Pastor silencioso. Que nossa consciência se incline, despojada, para caminhar segundo a verdade, escolhendo o bem, despertando responsabilidade e comunhão com o princípio que nos cria e sustenta sempre, em paz plena.



Evangelium secundum Marcum VII, XXIV–XXX

XXIV
Et inde surgens abiit in fines Tyri et Sidonis et ingressus domum neminem voluit scire et non potuit latere.
Erguendo-se, Ele atravessa fronteiras exteriores para revelar o caminho interior, onde nenhum segredo subsiste diante da Presença que tudo penetra.

XXV
Mulier enim statim ut audivit de eo cuius habebat filia spiritum immundum intravit et procidit ad pedes eius.
Ao ouvir o chamado, a alma aflita corre e se prostra, reconhecendo no instante a única Fonte capaz de restaurar a ordem do ser.

XXVI
Erat autem mulier gentilis Syrophoenissa genere et rogabat eum ut daemonium eiceret de filia eius.
Estrangeira aos costumes, mas próxima no coração, suplica com confiança, pois o clamor sincero ultrapassa toda distância.

XXVII
Qui dixit illi Sine prius saturari filios non est enim bonum sumere panem filiorum et mittere canibus.
A palavra prova o íntimo, convidando a consciência a amadurecer, para que o desejo se purifique antes de receber o pão verdadeiro.

XXVIII
At illa respondit et dicit ei Utique Domine nam et catelli sub mensa edunt de micis puerorum.
Humilde, ela aceita o pouco e encontra o tudo, pois quem consente com o real descobre abundância no menor fragmento de luz.

XXIX
Et ait illi Propter hunc sermonem vade exiit daemonium de filia tua.
A confiança torna-se ponte invisível, e a harmonia retorna sem ruído, como aurora que dissipa a noite.

XXX
Et cum abisset domum suam invenit puellam iacentem supra lectum et daemonium exisse.
Ao regressar, contempla a paz restituída, sinal de que o eterno já operava silenciosamente no coração do instante.

Verbum Domini

Reflexão
No recolhimento do espírito, cada passo torna-se retorno ao princípio.
A prova educa o desejo e fortalece a firmeza interior.
Nada do que é essencial depende do ruído do mundo.
O coração que consente com o real encontra serenidade.
Aceitar o limite abre espaço para o infinito agir.
A confiança alinha o ser com a ordem que sustenta tudo.
O instante presente guarda a plenitude que não passa.
Assim caminhamos íntegros, guiados pela luz que nasce de dentro.


Versículo mais importrante:

XXIX
Et ait illi Propter hunc sermonem vade exiit daemonium de filia tua.

E Ele lhe disse: pela inteireza da tua palavra, segue em paz, pois, no mesmo instante em que confiaste, a restauração já se cumpriu. Aquilo que parecia distante realizou-se no agora eterno, onde a presença divina age antes mesmo do movimento dos passos e, silenciosamente, recompõe o ser em sua origem. (Mc 7,29)


HOMILIA

A confiança que atravessa fronteiras invisíveis

A confiança que se inclina diante do Eterno torna-se ponte silenciosa entre a dor e a restauração.

Irmãos e irmãs, o Evangelho nos conduz a uma casa escondida, num território estrangeiro, onde o Senhor parece desejar silêncio. Contudo, a presença do Verbo não pode permanecer oculta, pois onde a Vida caminha, toda busca sincera a encontra. Uma mulher aproxima-se, movida não por argumentos, mas por amor. Carrega nos braços a dor da filha e, no íntimo, a certeza de que somente o Alto pode restaurar o que se fragmentou.

Ela não reivindica direitos, não exige sinais, não discute méritos. Prostra-se. E nesse gesto, que aos olhos do mundo parece fraqueza, manifesta-se a força mais pura do espírito. Inclinar-se diante do Eterno é alinhar o coração com a ordem profunda do ser. Quando o eu se aquieta, abre-se espaço para a ação que tudo sustenta.

A palavra do Senhor a prova, não para excluir, mas para purificar a intenção. Toda alma amadurece quando atravessa o silêncio da espera. A confiança perseverante transforma-se em passagem interior. A mulher aceita o pouco, e justamente por isso recebe o todo. Quem acolhe a medida simples descobre a abundância que não depende das circunstâncias.

O milagre acontece à distância. Nenhum gesto visível, nenhum toque. Apenas a palavra. Isso revela que a verdadeira restauração não está sujeita ao percurso dos passos nem ao relógio dos dias. O agir divino irrompe no íntimo do instante, onde passado e futuro se recolhem e tudo se cumpre no presente pleno. Ali a vida é refeita em sua raiz.

Também nós somos chamados a essa maturidade interior. Cada casa, cada família, torna-se lugar sagrado quando edificada sobre confiança, retidão e cuidado mútuo. O lar não é somente abrigo do corpo, mas oficina da alma, onde se aprende a fidelidade, a responsabilidade e a doação silenciosa. Nesse espaço germina a dignidade do ser humano, moldada pela presença discreta do Bem.

O caminho do discípulo é, portanto, um crescimento contínuo. Supera-se o medo, purifica-se o desejo, fortalece-se a consciência. O coração deixa de vagar disperso e passa a repousar no Centro. Dessa firmeza nasce a capacidade de escolher o que eleva, de permanecer íntegro, de caminhar sem correntes interiores.

Que aprendamos com a mulher estrangeira. Que nossa oração seja simples, constante e confiante. Que nossas casas se tornem moradas de paz. E que, ao escutarmos a palavra do Senhor, descubramos que a cura mais profunda já começou, silenciosa, no âmago do ser, onde a Luz nunca deixa de agir.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Pela inteireza da tua palavra segue em paz

“E Ele lhe disse pela inteireza da tua palavra, segue em paz, pois, no mesmo instante em que confiaste, a restauração já se cumpriu. Aquilo que parecia distante realizou-se no agora eterno, onde a presença divina age antes mesmo do movimento dos passos e, silenciosamente, recompõe o ser em sua origem” Mc 7,29

A primazia da Palavra que realiza

No Evangelho, o Senhor não executa gestos visíveis nem percorre o caminho até a casa da menina. Ele apenas fala. Sua palavra não descreve um fato futuro, ela o faz existir. N’Ele, dizer e realizar coincidem. A voz do Cristo brota do próprio fundamento do ser e, por isso, tudo o que pronuncia adquire consistência. Assim compreendemos que a realidade mais profunda não nasce do esforço humano, mas do querer divino que sustenta todas as coisas.

A fé como alinhamento interior

A mulher não apresenta méritos nem argumentos. Oferece confiança. Esse consentimento íntimo harmoniza sua alma com a ordem superior que governa o universo. Crer não é exigir intervenções extraordinárias, mas ajustar o coração ao Bem que já opera. Quando a criatura se volta inteiramente para essa fonte, desaparecem resistências e a graça encontra passagem livre.

O instante que toca a eternidade

O milagre ocorre sem deslocamento, sem espera, sem sinais externos. O que estava longe torna-se presente. Isso revela que a ação divina não depende da sucessão dos acontecimentos. Existe uma profundidade do agora onde tudo está reunido. Ali, antes que o passo seja dado, a obra já está completa. A cura manifesta-se no tempo, mas nasce nesse plano mais alto onde a vida permanece inteira.

Restauração do ser em sua origem

A libertação da menina não é apenas remoção de um mal, mas retorno à integridade primeira. O Senhor reconduz a criatura ao seu princípio, à harmonia para a qual foi criada. Toda intervenção de Deus possui esse caráter de recomposição. Ele não acrescenta algo estranho, apenas devolve ao ser sua forma verdadeira, obscurecida pela desordem.

Caminho para a vida litúrgica

Para a comunidade orante, essa passagem ensina recolhimento, confiança e retidão. Cada gesto de adoração torna-se encontro com a presença que antecede nossos movimentos. Cada família, sustentada por fidelidade e cuidado mútuo, converte-se em espaço onde essa presença pode frutificar. Vivendo assim, aprendemos a caminhar em paz, certos de que o Senhor já age no íntimo de tudo, conduzindo-nos silenciosamente ao cumprimento do nosso destino mais alto.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

Mensagens de Fé

#LiturgiaDaPalavra

#EvangelhoDoDia

#ReflexãoDoEvangelho

#IgrejaCatólica

#Homilia

#Orações

#Santo do dia

Nenhum comentário:

Postar um comentário