quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 8,1-10 - 14.02.2026

 Liturgia Diária


14 – SÁBADO 

SANTOS CIRILO, MONGE, E METÓDIO, BISPO


(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Eis os homens consagrados que, no silêncio do espírito, se tornaram íntimos do Mistério e portadores da luz incorruptível. Cirilo e Metódio, irmãos na carne e no chamado, converteram o verbo humano em ponte para o Verbo eterno, traduzindo a Escritura não apenas em letras, mas em consciência desperta. Onde caminhavam, a palavra tornava-se alimento, e o coração, altar. Entre provações, permaneceram firmes na altura interior onde o instante toca o eterno. Assim ensinaram que o ser floresce quando serve à Verdade. Sua memória sustenta a oração da assembleia e recorda que todo dom procede do Alto e a Ele retorna.



Evangelium secundum Marcum VIII I–X

I In illis diebus, iterum cum turba multa esset, nec haberent quod manducarent, convocatis discipulis, ait illis
Naqueles dias, quando a multidão interior se reúne e nada possui que sacie a alma, o chamado do Mestre ecoa no centro do ser e desperta a consciência para o alimento invisível.

II Misereor super turbam, quia ecce iam triduo sustinent me, nec habent quod manducent
Compaixão brota como luz permanente, pois o coração persevera na busca e reconhece que apenas o eterno sustenta o espírito.

III Et si dimisero eos ieiunos in domum suam, deficient in via, quidam enim ex eis de longe venerunt
Se regressam vazios, esmorecem no caminho da existência, porque vieram de regiões profundas do próprio mistério.

IV Et responderunt ei discipuli sui Unde istos poterit quis hic saturare panibus in solitudine
A mente pergunta como nutrir-se no deserto do mundo, ignorando que a fonte já habita o íntimo silencioso.

V Et interrogavit eos Quot panes habetis Qui dixerunt Septem
Ele mede não a escassez, mas o que já foi confiado a cada um, pois toda dádiva oculta contém plenitude.

VI Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae
O gesto de agradecer abre a dimensão mais alta do instante, e o pão repartido torna-se presença que une céu e terra no mesmo agora.

VII Et habebant pisciculos paucos Et ipsos benedixit, et iussit apponi
Até o pouco é transfigurado quando tocado pela bênção, revelando abundância onde os olhos comuns viam limite.

VIII Et manducaverunt, et saturati sunt Et sustulerunt quod superaverat de fragmentis septem sportas
Todos se saciam e ainda recolhem excedentes, sinal de que o dom do Alto nunca se esgota quando acolhido com inteireza.

IX Erant autem qui manducaverant quasi quattuor milia Et dimisit eos
A multidão retorna renovada, levando consigo a marca de uma plenitude que não depende das horas que passam.

X Et statim ascendens navim cum discipulis suis venit in partes Dalmanutha
O Mestre atravessa as águas como quem atravessa os níveis do ser, conduzindo os seus para regiões mais profundas do sentido.

Verbum Domini

Reflexão
O pão verdadeiro nasce no interior recolhido
Quem aprende a agradecer descobre força constante
O instante torna-se vasto como eternidade silenciosa
Nada falta àquele que governa os próprios impulsos
A provação converte-se em exercício de firmeza
O caminho exterior espelha o caminho da alma
Servir ao bem é alinhar-se à ordem do alto
Assim o coração permanece inteiro e inabalável diante do mundo


Versículo mais importante:

VI

Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens septem panes, gratias agens fregit, et dabat discipulis suis ut apponerent Et apposuerunt turbae

Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma. (Mc 8,6)


HOMILIA

O pão que desce do Alto e sacia o ser

O gesto de agradecer transforma o pouco em plenitude e abre o instante à eternidade.

Amados, o Evangelho nos conduz ao deserto, lugar onde as distrações cessam e a alma se encontra consigo mesma. A multidão que segue o Mestre traz consigo a fome do corpo, mas, sobretudo, a sede de sentido. Quando os recursos parecem escassos, revela-se a verdade escondida de nossa condição, pois nenhuma criatura vive apenas do que é visível. Há em nós uma abertura secreta que pede o infinito.

O Senhor não ignora essa carência. Sua compaixão não é emoção passageira, mas força que restaura o ser. Ele manda que todos se assentem sobre a terra, ensinando que o recolhimento precede a plenitude. Somente o coração aquietado reconhece o dom que já lhe foi confiado. Antes do milagre, há o silêncio; antes da abundância, a gratidão.

Ao tomar o pão e elevar graças, o Mestre une o instante ao eterno. O gesto simples torna-se passagem para uma dimensão mais alta, onde o pouco se expande e o necessário se multiplica. Assim aprendemos que a verdadeira nutrição nasce do interior ordenado, não do acúmulo exterior. Quem se ancora nessa altura não se dispersa no caminho.

Os discípulos distribuem o pão, e cada um participa da obra. A dignidade da pessoa manifesta-se no serviço consciente, pois todo ser é chamado a cooperar com o bem. Também a família, primeira morada do cuidado e da transmissão da fé, torna-se mesa onde o pão é partilhado e a presença do Alto é lembrada. Ali se aprende a fidelidade, a constância e o respeito mútuo, fundamentos do crescimento interior.

O deserto, então, deixa de ser lugar de carência e converte-se em escola de confiança. Aquele que acolhe o dom aprende a governar os próprios impulsos, caminha com firmeza e não se perde nas mudanças do mundo. O coração torna-se estável, capaz de atravessar as provações sem se fragmentar.

Peçamos, portanto, a graça de reconhecer o pão que nos é dado a cada dia, de agradecer antes de compreender e de partilhar antes de temer a falta. Assim, nutridos pelo que não se consome, avançaremos com serenidade, sustentados por uma plenitude que nenhuma hora pode esgotar.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

O gesto do pão elevado

No santo Evangelho segundo Marcos lemos
Et praecepit turbae discumbere super terram Et accipiens panes gratias agens fregit et dabat discipulis suis ut apponerent

Ele ordena que todos repousem sobre a terra, pois o espírito somente acolhe o que vem do alto quando aprende a aquietar-se no silêncio interior. Então toma o pão, rende graças e o parte com serenidade; e, nesse gesto sagrado, o instante dilata-se até tocar a eternidade. O que parecia pouco revela-se plenitude, e o alimento transforma-se em sinal do sustento que desce do Invisível e permanece para além do tempo, nutrindo continuamente a alma.

O repouso que prepara a presença

O mandamento de sentar-se sobre a terra não é simples organização da multidão. É sinal de recolhimento. A criatura, feita do pó, reconhece sua origem e limitações. Quando cessa a agitação exterior, a alma torna-se espaço receptivo. O silêncio interior ordena as potências do ser e cria em nós uma morada onde o dom divino pode habitar.

A ação de graças como elevação do ser

O pão é tomado e elevado em gratidão. Antes de qualquer partilha, há reconhecimento. A gratidão ergue o humano ao encontro do Eterno. Nesse movimento, o gesto cotidiano adquire espessura sagrada. A matéria não é negada, mas transfigurada. O alimento comum torna-se portador de sentido maior, pois tudo o que é oferecido ao Alto retorna purificado e pleno.

A dilatação do instante

Quando o Mestre parte o pão, o momento deixa de ser apenas sucessão de minutos. Abre-se uma profundidade onde o agora participa do que não passa. A eternidade toca o tempo e o tempo encontra sua raiz na eternidade. Assim, o ato simples converte-se em portal de comunhão, e o coração percebe que a verdadeira abundância não depende da quantidade, mas da presença que sustenta todas as coisas.

O sustento que não se esgota

O pouco torna-se suficiente porque procede do Invisível. O alimento distribuído aponta para um sustento mais profundo, aquele que mantém a alma firme, íntegra e orientada ao bem. Quem recebe esse pão aprende a viver com sobriedade, confiança e dignidade, fazendo da própria vida uma oferenda contínua.

Dessa forma, o gesto do Senhor ensina que todo caminho espiritual começa no recolhimento, cresce na gratidão e culmina na comunhão com o Eterno, onde o ser encontra repouso e plenitude duradoura.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

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Oração Diária

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