terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 7,7-12 - 26.02.2026

Liturgia Diária


26 – QUINTA-FEIRA 

1ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra iuxta Vulgatam Clementinam

Psalmus V, II–III

Verba mea auribus percipe, Dómine, intéllege clamórem meum.
Inténde voci oratiónis meæ, Rex meus et Deus meus.

Tradução para uso litúrgico

Escuta, Senhor, não apenas o som que meus lábios formam,
mas o movimento interior da alma que se eleva além das horas.

Percebe, no silêncio que antecede a palavra,
o clamor que nasce antes do tempo e regressa à Tua eternidade.

Inclina-Te à vibração invisível da minha oração,
ó Rei que governa não apenas os dias, mas os instantes eternos.

Tu és meu Deus —
não somente na sucessão dos acontecimentos,
mas no Agora absoluto onde toda súplica já é acolhida.


A fé é a chama interior que impulsiona a alma no seguimento do Cristo e na transfiguração do real. Não se trata apenas de impulso emocional, mas de adesão consciente ao Princípio que sustenta todas as coisas. Pela oração perseverante, o coração se alinha ao Eterno e aprende a agir a partir da fonte invisível que precede cada acontecimento. Seguir o Senhor é consentir que a própria vontade seja elevada à medida do Bem supremo, onde o agir nasce do silêncio fecundo. Celebremos, pois, Aquele que nos sustenta na jornada, agradecendo o auxílio constante que renova nossa caminhada e ilumina cada decisão.



Evangelium secundum Matthaeum VII, VII–XII

VII
Petite, et dabitur vobis; quærite, et invenietis; pulsate, et aperietur vobis.

Pedi, e vos será dado; buscai, e encontrareis; batei, e a porta se abrirá. No íntimo do eterno Agora, todo pedido sincero já encontra acolhida, toda busca reta já participa da Verdade, e toda porta se abre quando o coração desperta para o Alto.

VIII
Omnis enim qui petit, accipit; et qui quærit, invenit; et pulsanti aperietur.

Pois todo aquele que pede recebe, quem busca encontra, e a quem bate se abre. A resposta não nasce do acaso, mas da consonância entre a alma vigilante e a Fonte que sustenta todas as coisas.

IX
Aut quis est ex vobis homo, quem si petierit filius suus panem, numquid lapidem porriget ei?

Qual de vós dará uma pedra ao filho que pede pão. O Pai eterno não frustra o anseio que brota da confiança, mas nutre o espírito com o alimento que permanece.

X
Aut si piscem petierit, numquid serpentem porriget ei?

E se pedir um peixe, lhe dará uma serpente. A Sabedoria suprema não engana o coração que se entrega com retidão, mas oferece o que conduz à vida plena.

XI
Si ergo vos, cum sitis mali, nostis bona data dare filiis vestris, quanto magis Pater vester qui in cælis est dabit bona petentibus se?

Se vós, ainda frágeis, sabeis dar boas dádivas, quanto mais o Pai celeste concederá bens verdadeiros aos que se voltam para Ele. O dom maior é a conformidade interior com o Bem que não passa.

XII
Omnia ergo quæcumque vultis ut faciant vobis homines, et vos facite illis. Hæc est enim lex et prophetæ.

Tudo o que desejais receber, praticai também vós. Assim a alma participa da harmonia eterna e torna-se expressão viva da Lei inscrita no mais profundo do ser.

Verbum Domini

Reflexão:

A alma que pede aprende a reconhecer sua própria dependência do Bem supremo.
Buscar é ordenar o desejo segundo a medida da Verdade que não se corrompe.
Bater é perseverar interiormente até que a vontade se purifique.
O dom recebido é antes transformação do que posse.
O Pai concede o que aperfeiçoa o espírito e fortalece o caráter.
Agir para com o outro como se deseja receber é disciplina do coração.
Nesse exercício, a consciência se torna firme diante das mudanças externas.
Assim o ser humano amadurece e participa da ordem eterna que sustenta todas as coisas.


Versículo mais importante:

Evangelium secundum Matthaeum VII, XI

XI
Si ergo vos, cum sitis mali, nostis bona data dare filiis vestris, quanto magis Pater vester qui in cælis est dabit bona petentibus se?

Se vós, ainda marcados pela fragilidade, sabeis oferecer dons bons aos vossos filhos, quanto mais o Pai que está nos céus concederá bens verdadeiros aos que a Ele se dirigem. No eterno Agora onde toda súplica é presença, o dom não é apenas algo concedido no tempo, mas participação na própria Fonte do Bem que antecede cada pedido e sustenta toda existência. (Mt 7,11)


HOMILIA

A Porta que se Abre no Interior do Ser

A maturidade espiritual nasce quando a vontade humana se harmoniza com a Fonte que a criou e a conduz.

Amados irmãos e irmãs, o Evangelho nos conduz ao mistério do pedir, do buscar e do bater. Essas palavras não descrevem apenas gestos exteriores, mas movimentos da alma que desperta para o Alto. Pedir é reconhecer que a existência não se basta a si mesma. Buscar é orientar a inteligência e o coração para o Bem que sustenta todas as coisas. Bater é perseverar até que a própria vontade seja purificada e ajustada à medida do eterno.

O Cristo revela que o Pai não responde segundo a lógica instável do mundo, mas segundo a plenitude do Amor que conhece a verdadeira necessidade do ser humano. O pão oferecido não é apenas alimento material, mas força interior que sustenta a consciência. O peixe não é apenas sustento do corpo, mas símbolo da vida que atravessa as águas do tempo sem se dissolver nelas. O dom do Pai é sempre aquilo que edifica, fortalece e eleva.

Existe um ponto silencioso no íntimo de cada pessoa onde o pedido já encontra escuta. Ali, antes que as palavras se formem, a Presença já conhece o anseio mais profundo. Quando o coração se recolhe nesse centro, compreende que a resposta divina não é mera concessão externa, mas transformação interior. O ser humano amadurece quando aprende a desejar o que é conforme ao Bem supremo.

O ensinamento que conclui o Evangelho revela a medida dessa maturidade. Fazer ao outro o que se deseja receber não é simples regra moral, mas participação na ordem eterna que sustenta a criação. Quem age assim reconhece no próximo uma dignidade que procede da mesma Fonte. A pessoa humana torna-se então guardiã do próprio agir, não movida por impulsos passageiros, mas por convicção iluminada.

A família, como célula mater da convivência humana, é o primeiro espaço onde esse princípio se encarna. No cuidado mútuo, no respeito, na responsabilidade silenciosa, aprende-se que amar é oferecer o melhor de si para que o outro floresça. Ali se forma o caráter, ali se exercita a fidelidade, ali se descobre que o verdadeiro crescimento nasce do dom sincero de si mesmo.

Pedir, buscar e bater tornam-se, portanto, caminhos de evolução interior. A alma que persevera nesse itinerário adquire firmeza, serenidade e retidão. Não depende das circunstâncias para permanecer íntegra, pois sua confiança está enraizada no Pai que concede bens verdadeiros.

Que ao nos aproximarmos do altar, possamos pedir com confiança, buscar com sinceridade e bater com perseverança, certos de que a Porta que se abre não conduz apenas a dons passageiros, mas à participação na Vida que não passa e que sustenta cada instante de nossa peregrinação.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Mateus 7,11

Se vós, ainda marcados pela fragilidade, sabeis oferecer dons bons aos vossos filhos, quanto mais o Pai que está nos céus concederá bens verdadeiros aos que a Ele se dirigem. No eterno Agora onde toda súplica é presença, o dom não é apenas algo concedido no tempo, mas participação na própria Fonte do Bem que antecede cada pedido e sustenta toda existência.

A paternidade divina como princípio do ser

A palavra do Senhor revela que toda experiência humana de paternidade é sinal de uma Realidade maior. Mesmo limitada, a capacidade de oferecer o bem manifesta uma estrutura inscrita no próprio ser. Deus não é Pai por analogia distante, mas é a origem da própria possibilidade de cuidar, nutrir e conduzir. Nele, o ato de dar não é reação, mas expressão contínua de sua plenitude.

O dom como participação e não mera concessão

Quando o texto afirma que o Pai concede bens verdadeiros, indica que o dom divino ultrapassa a satisfação imediata. O que Deus oferece é aquilo que aperfeiçoa a natureza humana segundo sua finalidade mais alta. O dom não é simples objeto recebido, mas inserção viva na ordem do Bem que sustenta o universo. Receber de Deus é ser elevado interiormente, é ter a própria vontade iluminada para desejar o que permanece.

A oração como encontro no eterno presente

A súplica dirigida ao Pai não percorre uma distância espacial, pois Deus não está sujeito às limitações do tempo sucessivo. Há um ponto profundo na alma onde o pedido já se encontra diante da Presença. Nesse nível, a oração não informa a Deus sobre nossas necessidades, mas conforma o coração à Sabedoria que tudo conhece. A resposta divina manifesta-se como transformação interior que antecede até mesmo a percepção exterior do dom.

A maturidade espiritual e a confiança filial

A confiança ensinada por Cristo conduz à maturidade do espírito. Quem reconhece Deus como Pai aprende a repousar na certeza de que nada do que é verdadeiramente bom lhe será negado. Essa confiança não é passividade, mas adesão consciente ao Bem supremo. A alma torna-se firme, ordenada e serena, pois compreende que sua existência está sustentada por uma Paternidade que jamais falha e cuja generosidade é infinita.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

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