sábado, 7 de fevereiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 6,53-56 - 09.02.2026

Liturgia Diária


9 – SEGUNDA-FEIRA 

5ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Salmo 94 (95), 6–7 — Vulgata Clementina

Venite, adoremus, et procidamus ante Deum;
ploremus coram Domino, qui fecit nos:
quia ipse est Dominus Deus noster;
nos autem populus pascuae eius, et oves manus eius.

Tradução 

Vinde — entremos no Agora do Eterno —,
adoremos Aquele que é a Fonte do Ser,
prostremo-nos até que o eu silencie,
ajoelhemo-nos diante do Princípio que continuamente nos cria.

Porque Ele não apenas foi nosso Deus,
mas é — neste instante sem tempo — o Pastor da consciência,
e nós somos o campo vivo de Sua presença,
as ovelhas conduzidas pela Mão invisível que sustenta o existir.                                      (Salmo 94 (95), 6–7 )


Cristo manifesta-se como o Santuário vivo onde o Invisível se torna presença tangível. Nele, o Mistério não habita pedras, mas respira na consciência desperta. Ele é a Aliança que não se escreve em tábuas, mas no íntimo do ser, chamando cada criatura ao reencontro com sua origem. Para Ele convergem os passos da alma, não por temor, mas por íntima atração do Bem. Nesta celebração, aproximamo-nos do Centro silencioso, onde o tempo se recolhe e o espírito se alinha ao Eterno. Ali recebemos cura, sentido e direção, e o coração aprende a consentir com o próprio existir.



Evangelium secundum Marcum VI LIII LVI

LIII
Et cum transfretassent, venerunt in terram Genesareth, et applicuerunt
E, ao atravessarem as águas, aportaram na região interior do ser, onde a travessia externa se converte em chegada ao íntimo, e a consciência encontra chão no Invisível

LIV
Cumque egressi essent de navi, continuo cognoverunt eum
Ao deixarem a barca das inquietações, reconheceram-no de imediato, pois o olhar purificado percebe o Presente que sempre esteve ali

LV
Et percurrentes universam regionem illam, coeperunt in grabatis eos qui se male habebant portare, ubi audiebant eum esse
E percorrendo toda a extensão da vida, conduziam os enfermos do espírito ao lugar onde Sua presença se manifestava, buscando o toque que restaura a inteireza do ser

LVI
Et quocumque introibat in vicos, vel in villas, aut civitates, in plateis ponebant infirmos, et deprecabantur eum ut vel fimbriam vestimenti eius tangerent, et quotquot tangebant eum, salvi fiebant
E onde quer que Ele entrasse, nas pequenas ou grandes moradas do mundo, depunham suas fragilidades diante dEle, e bastava roçar a orla de Sua realidade para que a vida se recompusesse no eixo eterno

Verbum Domini

Reflexão:
A presença do Mestre não se mede por distância, mas por atenção interior
Cada passo exterior conduz ao recolhimento do coração
O encontro verdadeiro acontece quando cessam as dispersões
O toque que cura nasce do consentimento silencioso do espírito
Nada falta a quem se alinha ao Bem que sustenta todas as coisas
A dor perde domínio quando a mente repousa no que é estável
O caminho torna-se reto quando a vontade concorda com a ordem do ser
Assim a celebração converte-se em permanência no Agora que não passa


Versículo mais importante:

56

Et quocumque introibat in vicos, vel in villas, aut civitates, in plateis ponebant infirmos, et deprecabantur eum ut vel fimbriam vestimenti eius tangerent, et quotquot tangebant eum, salvi fiebant

E onde quer que Ele adentre as moradas da existência, nos espaços amplos ou íntimos da alma, depõem-se diante dEle as fragilidades do ser, e basta tocar a orla de Sua Presença para que o instante se abra no Eterno e a criatura reencontre sua integridade, pois o contato com o Princípio recompõe aquilo que estava disperso e devolve o espírito à sua origem viva (Mc 6,56)


HOMILIA

O Toque que Reconduz ao Centro

Toda enfermidade nasce da dispersão do espírito e toda cura começa no retorno ao centro.

Amados, o Evangelho nos apresenta uma travessia. O Mestre passa pelas águas, chega à terra firme e caminha entre vilas e casas. Nada é grandioso aos olhos do mundo, mas tudo é decisivo no invisível. A passagem do barco à margem indica o movimento interior pelo qual a consciência deixa a instabilidade e encontra repouso no fundamento do ser.

Ao descerem da barca, reconheceram-no imediatamente. Não foi um raciocínio demorado, mas um reconhecimento silencioso. Quando o coração se aquieta, a verdade se mostra por si mesma. A presença divina não precisa ser construída, apenas percebida.

Os enfermos são trazidos em leitos. Essas enfermidades também nos habitam. São dispersões da alma, medos, fragmentações, desejos sem direção. O ser humano, afastado do centro, perde a unidade. Contudo, ao aproximar-se do Cristo, aquilo que estava dividido começa a recompor-se.

Basta tocar a orla de sua veste. O gesto é mínimo, quase invisível. O encontro com o Eterno não exige grandeza exterior, mas adesão íntima. Um leve consentimento do espírito já abre passagem para a restauração. O toque é a concordância do coração com a ordem do Alto.

Ele entra em casas e aldeias. Entra também na morada interior de cada pessoa. Santifica o lar, fortalece o vínculo entre pais e filhos, estabelece a casa como espaço de cuidado e transmissão da vida. A família torna-se o primeiro templo, onde o amor aprende a perseverar e a pessoa descobre seu valor próprio.

Segui-lo é amadurecer por dentro. É deixar de reagir às tempestades e aprender a permanecer firme. A vontade se educa, os afetos se purificam, e o espírito passa a agir por convicção, não por impulso. Assim, cada um assume sua responsabilidade diante do bem.

Nesta celebração, aproximemo-nos como aqueles do Evangelho. Coloquemos diante dEle nossas fragilidades. Toquemos, ainda que discretamente, a orla de sua presença. E no silêncio do agora, o ser será restaurado, reencontrando direção, inteireza e paz.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Mc 6,56
E onde quer que Ele adentre as moradas da existência, nos espaços amplos ou íntimos da alma, depõem-se diante dEle as fragilidades do ser, e basta tocar a orla de Sua Presença para que o instante se abra no Eterno e a criatura reencontre sua integridade, pois o contato com o Princípio recompõe aquilo que estava disperso e devolve o espírito à sua origem viva

A Presença que atravessa todas as moradas

O texto revela um Cristo que não permanece circunscrito a lugares sagrados nem a momentos determinados. Ele entra em vilas, casas e caminhos, indicando que a manifestação divina percorre toda a extensão da existência. Cada espaço humano pode tornar-se lugar de encontro. A morada exterior espelha a morada interior, e ambas se tornam receptáculo da visita do Alto. A fé, então, não é fuga do mundo, mas abertura do ser ao que o sustenta por dentro.

O reconhecimento interior do Senhor

O encontro não depende de longos discursos, mas de percepção purificada. Quando a agitação cessa, a alma reconhece a fonte de onde procede. Há um saber silencioso que antecede o raciocínio. Esse reconhecimento é retorno à própria origem. O coração percebe que não está diante de algo estranho, mas diante dAquele em quem já vive e respira.

O toque que restaura a integridade

O gesto de tocar a orla da veste possui sentido profundo. Não se trata apenas de contato físico, mas de adesão do íntimo. O ser humano, frequentemente disperso entre desejos e temores, reencontra unidade quando se aproxima do Princípio. O que estava fragmentado se recompõe. O que estava enfraquecido readquire firmeza. A cura é a reintegração da pessoa ao eixo que a sustenta.

O instante aberto ao Eterno

Nesse encontro, o tempo comum perde seu domínio. O momento presente deixa de ser simples sucessão e torna-se plenitude. Tudo converge para um agora pleno, onde a ação divina se realiza sem distância. A salvação não é apenas promessa futura, mas acontecimento que se cumpre no interior daquele que consente. O eterno toca o instante e o transforma em permanência.

A dignidade da pessoa e da casa

Ao entrar nas casas, o Senhor consagra o cotidiano. A pessoa descobre seu valor próprio por ser portadora dessa visita. A família torna-se primeiro espaço de transmissão do bem, escola de cuidado e fidelidade. O lar, vivido com retidão, converte-se em pequeno santuário onde a vida amadurece e aprende a amar com constância.

Sentido litúrgico do encontro

Na assembleia orante, repetimos esse movimento do Evangelho. Aproximamo-nos com nossas fragilidades e as colocamos diante dEle. Cada gesto, cada silêncio e cada palavra tornam-se toque humilde em sua veste. E nesse contato, ainda discreto, a alma é reconduzida à sua origem, encontrando direção, firmeza e paz duradoura.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

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