sábado, 29 de novembro de 2025

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 8,5-11 - 01.12.2025

Liturgia Diária


1 – SEGUNDA-FEIRA 

1ª SEMANA DO ADVENTO


(roxo, pref. do Advento I ou IA – ofício do dia da 1ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais profundas para fortalecer a fé e a vida diária, usando a sabedoria da Vulgata”


Vulgata – Jeremias 31,10

“Audite verbum Domini, gentes, et annuntiate in insulis, quae procul sunt, et dicite: Qui dispersit Israel, congregabit eum et custodiet eum sicut pastor gregem suum.”

“Escutai a palavra do Senhor, ó nações, proclamai-a nas ilhas longínquas e dizei: Aquele que dispersou Israel irá congregá-lo e o guardará como um pastor ao seu rebanho.” (Jr 31,10).


Caminhemos com serenidade interior rumo à vinda de Jesus, cuja presença desperta a disciplina da alma e a firmeza diante do tempo. Sua luz revela que a verdadeira grandeza nasce da responsabilidade pessoal e da busca constante por sentido. O Reino que ele anuncia não é imposição, mas horizonte que convida à autoconsciência, à coragem moral e ao cultivo da dignidade humana. Em sua chegada, cada pessoa é chamada a reconhecer a própria capacidade de escolha, elevar o espírito e agir com retidão. Assim, a salvação que ele oferece ressoa como possibilidade universal de transformação e plenitude.



Evangelium secundum Matthaeum 8,5-11
Titulus liturgicus De fide centurionis

5 Cum autem introisset Capharnaum accessit ad eum centurio rogans eum
5 Ao entrar em Cafarnaum aproximou-se dele um centurião suplicando-lhe

6 et dicens Domine puer meus iacet in domo paralyticus et male torquetur
6 Senhor o meu servo jaz em casa paralítico e sofre terrivelmente

7 et ait illi Iesus ego veniam et curabo eum
7 Jesus lhe respondeu eu irei e o curarei

8 et respondens centurio ait Domine non sum dignus ut intres sub tectum meum sed tantum dic verbo et sanabitur puer meus
8 O centurião replicou Senhor não sou digno de que entres em minha casa mas dize apenas uma palavra e o meu servo será curado

9 nam et ego homo sum sub potestate habens sub me milites et dico huic vade et vadit et alio veni et venit et servo meo fac hoc et facit
9 Pois também eu sou um homem sujeito a autoridade e tenho soldados sob meu comando digo a um vai e ele vai a outro vem e ele vem e ao meu servo faze isto e ele faz

10 audiens autem Iesus miratus est et dixit his qui sequebantur amen dico vobis non inveni tantam fidem in Israhel
10 Ouvindo isso Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam em verdade vos digo não encontrei em Israel uma fé assim

11 dico autem vobis quod multi ab oriente et occidente venient et recumbent cum Abraham et Isaac et Iacob in regno caelorum
11 Eu vos digo muitos virão do oriente e do ocidente e se sentarão à mesa com Abraão Isaac e Jacó no Reino dos Céus

Verbum Domini

Reflexão
A presença do centurião revela a possibilidade de uma confiança que nasce do silêncio interior e da firmeza da mente. Sua palavra contém disciplina e abertura ao Mistério que sustenta todas as coisas. A fé que ele expressa não depende de provas mas de uma adesão livre à verdade que percebe. Assim a alma aprende a agir com serenidade mesmo diante do invisível guiando-se por uma ordem interior que não vacila. O encontro com Cristo desperta a consciência para um horizonte maior onde responsabilidade e liberdade caminham juntas. A força dessa atitude permite atravessar a existência com lucidez coragem e um senso de unidade com o Todo.


Versículo mais importante:

“Dominus, non sum dignus ut intres sub tectum meum sed tantum dic verbo et sanabitur puer meus.”
“Senhor, não sou digno de que entres em minha casa basta uma só palavra tua e o meu servo será curado.”(Mt 8,8)


HOMILIA

A Palavra que Atravessa os Véus do Ser

No encontro entre Jesus e o centurião manifesta-se uma dinâmica que ultrapassa a superfície histórica e alcança a estrutura invisível do ser humano. Cada gesto e cada palavra revelam um movimento da consciência em direção ao seu próprio fundamento. A figura do centurião, enraizada no mundo de forças, ordens e hierarquias, reconhece algo que supera todos os poderes externos. Ele percebe que diante de Cristo não se trata de comando, mas de abertura interior ao Princípio que sustenta o universo e dá coerência a tudo o que existe.

Quando o centurião afirma que não é digno de receber o Senhor em sua casa, ele expressa uma compreensão profunda da distância entre a morada espiritual que somos e a Presença que nela deseja habitar. Essa consciência não gera temor paralisante, mas reverência lúcida. A dignidade da pessoa nasce desta percepção do seu próprio inacabamento. O ser humano se descobre livre justamente porque sabe que não é autossuficiente; sua liberdade se expande ao reconhecer a Fonte que o chama à maturidade.

Jesus se admira da fé desse homem porque ela não brota de tradições herdadas, mas de uma clareza interior conquistada. É a fé que atravessa os véus sensíveis e toca a substância das coisas, confiando que no Verbo há potência criadora capaz de restaurar a ordem do mundo e da alma. O centurião compreende que basta uma palavra, pois compreende também que essa palavra não é som, mas vibração originária, força estruturante, princípio de coesão da realidade.

O servo enfermo torna-se símbolo da dimensão ferida e desarmada que habita cada ser humano. A doença expõe o descompasso entre a essência e a existência. Ao apresentar seu servo, o centurião apresenta aquilo que nele pede cura e alinhamento. A família, neste contexto, representa o campo de relações onde a luz da verdade se derrama quando o coração reconhece sua própria necessidade. A cura anunciada por Jesus é, portanto, a restauração da harmonia entre o centro e suas extensões.

Ao proclamar que muitos virão do oriente e do ocidente, Cristo abre o horizonte espiritual da humanidade e revela que a ascensão à plenitude é concedida àqueles que buscam a verdade sem amarras internas. Não se trata de prerrogativas externas, mas de disposição interior. A mesa do Reino é imagem do estado em que o ser reencontra sua integridade e repousa na comunhão com a Realidade Última.

O Evangelho deste encontro convida-nos a um deslocamento metafísico. A verdadeira fé consiste em aceitar a presença silenciosa que nos ultrapassa e, ao mesmo tempo, nos constitui. Ela nasce da coragem de olhar para dentro com sobriedade, reconhecer limites, acolher o mistério e permitir que a Palavra nos ordene a partir de dentro. Quando o espírito se abre à ação dessa Palavra, a existência se realinha e toda a casa do ser ressoa em harmonia. Assim, aprendemos que a grandeza da vida se revela quando a liberdade encontra seu fundamento e o ser humano, consciente de sua fragilidade, se entrega à força que o recria.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Palavra que Reconduz o Ser à Verdade

“Senhor, não sou digno de que entres em minha casa basta uma só palavra tua e o meu servo será curado” (Mt 8,8)

A consciência da própria medida
O centurião reconhece sua limitação não como desprezo de si, mas como percepção lúcida da distância entre a condição humana e a fonte que a sustenta. Esse reconhecimento restaura a ordem interior, pois coloca o espírito diante da verdade sem exageros nem ilusões. A dignidade cresce quando o coração aceita sua estrutura finita e se abre ao que o ultrapassa.

A força da palavra que restaura
A confiança na palavra de Cristo revela que a verdadeira transformação não depende da proximidade física, mas da adesão interior ao princípio que dá forma e sentido à existência. A palavra acolhida com sinceridade reorganiza o centro do ser e o reconduz à harmonia perdida. A cura do servo simboliza o realinhamento daquilo que em nós se dispersa e perde vigor.

A liberdade que escuta
O gesto do centurião nasce de uma liberdade amadurecida, capaz de agir sem exigir sinais visíveis. Sua fé não se apoia em garantias externas, mas na percepção de que a verdade atua silenciosamente quando o coração se dispõe a escutá-la. Assim, sua casa se torna imagem do interior humano que reconhece sua própria abertura ao sagrado.

A dignidade que se revela no encontro
Ao afirmar sua indignidade, o centurião não rebaixa sua humanidade, mas a eleva. Ele percebe que a grandeza não está na força exterior, e sim na capacidade de acolher a presença que restaura todas as coisas. Nesta abertura nasce a verdadeira dignidade, aquela que não depende de posição social, mas do movimento livre da alma em direção ao bem.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

Santo do dia

Oração Diária

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