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quarta-feira, 6 de setembro de 2023

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 10.09.023 - Evangelho: Mateus 18,15-20

Liturgia Diária


10 – DOMINGO 

23º DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 3ª semana do saltério)



Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia (Sl 118,137.124).


Evangelho: Mateus 18,15-20


Aleluia, aleluia, aleluia.


O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, / confiando-nos sua Palavra; / a Palavra da reconciliação, / a Palavra que hoje, aqui, nos salva (2Cor 5,19). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15“Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público. 18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. 19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles”. – Palavra da salvação.


INTRODUÇÃO


Este é um trecho do Evangelho segundo Mateus, capítulo 18, versículos 15 a 20. Neste trecho, Jesus dá instruções sobre como lidar com conflitos e pecados dentro da comunidade cristã:


Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão.


Jesus ensina que, quando alguém peca contra você, você deve abordar a questão de forma discreta e pessoal, em busca de reconciliação.

Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas.


Se a abordagem inicial não funcionar, Jesus sugere envolver outras pessoas como testemunhas para ajudar na resolução do conflito.

Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público.


Se o pecador não se arrepender mesmo após as tentativas anteriores, a questão deve ser trazida perante a igreja, e se ele ainda não se arrepender, deve ser tratado como alguém fora da comunidade cristã.

Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.


Jesus afirma que as decisões tomadas pela comunidade têm importância espiritual e que o que é feito na terra reflete no céu.

De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus.


Jesus enfatiza a importância da união e do acordo na comunidade cristã e promete que as orações de dois ou mais em concordância serão atendidas por Deus.

Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles.


Jesus assegura que Sua presença está com aqueles que se reúnem em Seu nome, destacando a importância da comunhão e da oração conjunta.

Este trecho enfatiza a importância da resolução pacífica de conflitos dentro da comunidade cristã e a promessa da presença de Jesus quando os crentes se reúnem em Seu nome. Também destaca a autoridade espiritual da igreja na tomada de decisões e no tratamento de questões relacionadas ao pecado e à reconciliação.


REFLEXÃO

"Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles."


Resolução pacífica de conflitos: Jesus nos ensina a abordar os conflitos de maneira pacífica e privada. Isso implica em tentar resolver as questões diretamente com a pessoa envolvida antes de torná-las públicas. A comunicação aberta e sincera é fundamental para a reconciliação.


Importância da comunidade: A passagem enfatiza a importância da comunidade cristã na resolução de conflitos. Quando uma situação não pode ser resolvida de forma privada, envolver outros membros da comunidade como testemunhas pode ajudar a trazer clareza e apoio ao processo de reconciliação.


Autoridade espiritual da igreja: Jesus confere à comunidade cristã uma autoridade espiritual, declarando que o que a comunidade decide na terra terá impacto nos céus. Isso ressalta a responsabilidade da igreja na busca da justiça e na disciplina dos membros que persistem no pecado.


O poder da oração em conjunto: Jesus promete que quando dois ou mais estão reunidos em Seu nome, Ele está presente no meio deles. Isso sublinha a importância da oração em comunidade e a força da união na busca dos propósitos de Deus.


Reconciliação e perdão: O objetivo final é a reconciliação e a restauração dos relacionamentos. Jesus ensina que quando alguém se arrepende, deve ser perdoado e restaurado. Isso reflete a graça e a misericórdia que os cristãos devem demonstrar em suas relações.


Cuidado com o pecado persistente: Embora o perdão e a reconciliação sejam fundamentais, a passagem também destaca a importância de tratar com seriedade o pecado persistente. Se alguém não se arrepende, a igreja pode tomar medidas para proteger a integridade da comunidade e ajudar o indivíduo a reconhecer seu erro.


Em resumo, essa passagem do Evangelho nos lembra da importância da comunhão, da reconciliação, da autoridade espiritual da igreja e do poder da oração. Ela nos encoraja a buscar a paz, a justiça e a restauração dos relacionamentos em nossa comunidade de fé, sempre com amor, graça e misericórdia, mas também com responsabilidade e discernimento.


HOMILIA

"Tornando-se Comunidade de Reconciliação e Unidade: Lições do Evangelho de Mateus para os Dias de Hoje"


Querida comunidade em Cristo,


Hoje, à luz do Evangelho de Mateus (Mateus 18,15-20), consideremos como as palavras de Jesus ecoam em nossas vidas nos dias de hoje. Embora essas palavras tenham sido proferidas há muitos anos, sua relevância perdura, pois nos ensinam princípios fundamentais para construir comunidades cristãs fortes e saudáveis no mundo contemporâneo.


Em primeiro lugar, Jesus nos lembra da importância da reconciliação. Vivemos em um mundo repleto de divisões, conflitos e desentendimentos. É fácil ficar preso em ressentimentos, guardar mágoas e permitir que as diferenças nos afastem uns dos outros. No entanto, o Senhor nos diz para buscar a reconciliação, mesmo quando fomos ofendidos. Ele nos chama a abordar os conflitos de maneira amorosa e pessoal, em busca da paz e da unidade em nossas relações pessoais e comunitárias.


Em uma era de comunicação digital e redes sociais, somos constantemente lembrados de como as palavras podem ferir e dividir. Portanto, é ainda mais crucial seguir o conselho de Jesus de resolver nossos desentendimentos em particular, evitando uma exposição pública de conflitos que só aumentam a divisão. Precisamos lembrar que a reconciliação é um ato de amor e humildade, e é nela que encontramos a verdadeira cura para nossas relações e comunidades.


Além disso, Jesus nos fala sobre a importância da comunidade. Ele nos ensina que, quando o diálogo privado não resolve o conflito, devemos envolver outras pessoas como testemunhas imparciais. Isso ressalta a importância de nos apoiarmos mutuamente, de compartilhar nossos fardos e de buscar a sabedoria coletiva para resolver questões difíceis. A comunidade cristã deve ser um lugar onde encontramos apoio, compreensão e discernimento.


Em nossa sociedade moderna, muitas vezes nos isolamos em nossos próprios mundos, esquecendo a importância da comunidade. No entanto, Jesus nos lembra de que somos chamados a viver em comunhão uns com os outros, apoiando-nos mutuamente em nossas jornadas de fé e vida. Isso significa que devemos estar dispostos a ouvir e a ser ouvidos, a compartilhar nossas alegrias e preocupações e a enfrentar os desafios juntos como uma comunidade unida.


A passagem também nos fala sobre a autoridade espiritual da igreja. Jesus nos assegura que o que a comunidade decide na terra tem impacto nos céus. Isso nos lembra da importância de buscar a vontade de Deus em nossas decisões e ações coletivas. Em um mundo marcado por divisões e polarizações, devemos lembrar que somos chamados a ser agentes de justiça, amor e misericórdia.


Por fim, Jesus promete Sua presença constante quando nos reunimos em Seu nome. Isso nos lembra da importância da oração em grupo, da adoração comunitária e da busca conjunta pela vontade de Deus. Nos dias de hoje, onde a vida muitas vezes nos mantém ocupados e distraídos, devemos fazer um esforço consciente para nos reunir em nome de Cristo, buscando Sua orientação e fortalecimento.


Queridos irmãos e irmãs, as palavras de Jesus neste Evangelho continuam a guiar-nos e a inspirar-nos nos dias de hoje. Elas nos chamam a buscar a reconciliação, a valorizar a comunidade, a exercer uma autoridade espiritual com sabedoria e a reconhecer a presença constante de Cristo em nossas vidas. Que esses ensinamentos moldem nossas ações e relações, capacitando-nos a ser uma luz de amor e esperança no mundo atual. Amém.


ORAÇÃO

Querido Deus,


Hoje, reunimo-nos em oração e reflexão, inspirados pelo Evangelho de Mateus (Mateus 18,15-20). Ouvimos as palavras de Jesus, que nos ensinou sobre a importância da reconciliação, da comunidade, da autoridade espiritual da igreja e da Sua presença constante em nossas vidas. Senhor, aceitamos esses ensinamentos como guias para nossas vidas e nossas relações.


Reconhecemos, Senhor, que vivemos em um mundo cheio de desafios, conflitos e divisões. Pedimos a Sua graça e orientação para enfrentar essas dificuldades com amor, paciência e humildade. Ajude-nos a buscar a reconciliação sempre que houver conflitos em nossas vidas, a abordá-los com sabedoria e a evitar a exposição pública que só amplia a divisão.


Senhor, oramos por nossa comunidade. Pedimos que nos ajude a ser uma comunidade de amor, apoio mútuo e discernimento. Que saibamos valorizar a importância da comunhão uns com os outros, compartilhando nossas alegrias e tristezas, e nos apoiando em nossa jornada de fé.


Conceda-nos, Senhor, a sabedoria para exercer a autoridade espiritual com justiça e misericórdia, buscando sempre a Sua vontade em nossas ações coletivas. Que possamos ser agentes de paz, justiça e reconciliação em um mundo que muitas vezes está cheio de divisões.


Finalmente, Senhor, agradecemos por Sua promessa de estar presente quando nos reunimos em Seu nome. Que possamos lembrar de buscar Sua orientação e fortalecimento em nossos momentos de oração em grupo e adoração comunitária.


Que essas palavras do Evangelho de Mateus se tornem uma luz em nossas vidas, orientando-nos no caminho da fé e do amor. Em nome de Jesus, que nos ensinou a amar e a perdoar, oramos. Amém.

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sábado, 5 de agosto de 2023

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 14,22-36 - 08.08.2023

Liturgia Diária


8 – TERÇA-FEIRA 

SÃO DOMINGOS


PRESBÍTERO E FUNDADOR


(branco, pref. comum, ou dos pastores – ofício da memória)



Estes são os santos que receberam a bênção do Senhor e a misericórdia de Deus, seu salvador. É a geração dos que buscam a Deus (Sl 23,5s).


Domingos nasceu na Espanha em 1170 e faleceu na Itália em 1221. Ordenado presbítero, dedicou-se aos estudos de filosofia e teologia e às práticas de piedade. Estudioso da Bíblia e grande pregador, fundou a Ordem dos Pregadores, os Dominicanos, com a finalidade de anunciar a Boa-nova ao mundo. Foi entusiasta da oração popular do rosário. A seu exemplo, proponhamos-nos anunciar, com coragem e dignidade, o Evangelho da salvação.


Evangelho: Mateus 14,22-36


Aleluia, aleluia, aleluia.


Mestre, tu és o Filho de Deus, / és rei de Israel! (Jo 1,49) – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia, desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem, ao menos, tocar a barra de sua veste. E todos os que a tocaram ficaram curados. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Mateus 14,22-36

«Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água»


Fray Lluc TORCAL Monje del Monastério de Sta. Mª de Poblet

(Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)

Hoje, não veremos Jesus a dormir na barca enquanto esta se afunda, nem acalmando a tempestade com uma só palavra de interpelação, suscitando assim a admiração dos discípulos (cf. Mt 8, 22-23). Mas a acção de hoje não é menos desconcertante: tanto para os primeiros discípulos como para nós.


Jesus tinha mandado os discípulos subir para a barca e ir para a outra margem; tinha despedido todos depois de saciar a multidão faminta e Ele tinha permanecido sozinho na montanha, profundamente concentrado em oração (cf. Mt 14,22-23). Os discípulos, sem o Mestre, avançam com dificuldade. Foi então que Jesus se aproximou da barca, caminhando sobre as águas.


Como acontece com pessoas normais e sensatas, os discípulos assustaram-se ao vê-Lo: os homens não costumam caminhar sobre a água e, portanto, deviam estar a ver um fantasma. Mas estavam enganados, não era um fantasma, mas tinham diante deles o próprio Senhor, que os convidava - como em tantas outras ocasiões - a não ter medo e a confiar n’Ele para descobrirem a fé. Esta fé exige-se, em primeiro lugar, a Pedro, que disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água» (Mt 14,28). Com esta resposta, Pedro mostrou que a fé consiste na obediência à palavra de Cristo: não disse «faça com que eu caminhe sobre as águas», mas queria fazer o que o próprio e único Senhor lhe mandasse, para poder crer na veracidade das palavras do Mestre.


As dúvidas fizeram-no cambalear na sua fé incipiente, mas levaram-no à confissão dos outros discípulos, agora com o Mestre presente: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» (Mt 14,33). «O grupo daqueles que já eram apóstolos, mas que ainda não acreditavam, depois de verem que as águas se moviam sob os pés do Senhor e que, mesmo no movimento agitado das ondas, os passos do Senhor eram seguros, (...) acreditaram que Jesus era o verdadeiro Filho de Deus, confessando-O como tal» (Santo Ambrósio).

Pensamentos para o Evangelho de hoje

«A oração é uma conversa e um diálogo com Deus: garantia das coisas esperadas, igualdade de condição e honra com os anjos, emenda dos pecados, remédio para os males, garantia dos bens futuros» (São Gregório de Nisa)


«O que é a oração? Normalmente considera-se uma conversa. Numa conversa há sempre um "eu" e um "tu". Neste caso, um "Tu" com "T" maiúsculo. O mais importante é o Tu, porque a nossa oração parte por iniciativa de Deus» (S. João Paulo II)


«Não há outro caminho para a oração cristã senão Cristo. Seja comunitária ou pessoal, seja vocal ou interior, a nossa oração só tem acesso ao Pai se rezarmos «em nome» de Jesus. A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.664)

Fonte https://evangeli.net/


SOCORRO, SENHOR! Mt 14,22-36

HOMILIA


Jesus manda os discípulos para o outro lado do mar, enquanto ele próprio despediria as multidões. O destaque no evangelho de hoje vai para o barco agitado pelas ondas e pelo vento. Numa primeira fase, o “barco” simboliza a Igreja, já em processo de institucionalização na década de 80 do primeiro século do Cristianismo, quando Mateus escreve seu evangelho. Em segundo lugar simboliza a sua vida quando chega o momento das tentações e problemas de vários tipos.


Quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas, Mateus narra também a caminhada de Pedro, que a tradição passou a cultuar como figura proeminente na Igreja. A vacilação de Pedro ao andar sobre as águas, entre a fé e a dúvida, induz as comunidades a compreenderem a importância de uma fé firme e decidida em Cristo como o tudo em todas as circunstâncias. Quem nos faz saber isso é Mateus que termina com a proclamação messiânica dos discípulos: “Verdadeiramente, tu és Filho de Deus”. A afirmação do messianismo de Jesus é uma forte característica de Mateus.


As comunidades de discípulos, ao longo da história, passam por tribulações sofrendo repressões. Pode-se chegar ao desânimo, com o sentimento de abandono por parte de Deus. Se assim acontecer, submerge-se no oceano do mundo dominado pelos poderes fundados sobre as riquezas acumuladas, que desprezam a vida dos pobres e pequeninos.


Contudo Jesus está presente. Não há o que temer, pois Jesus é a fonte da vida e a luz para o nosso caminho, e é a força propulsora da nova criação, do mundo novo possível.


Desse modo, percebe-se, na primeira leitura, que nem sempre Deus se manifesta da forma que tradicionalmente nos acostumamos a buscá-lo; e, na segunda, pode-se ver o apóstolo Paulo preocupado com a situação da comunidade. Preocupações dissipadas quando identificamos no evangelho, que as dificuldades da vida não podem afogar uma comunidade fundamentada na palavra de Deus e na fé no Cristo Ressuscitado.


Por que tanto medo? Jesus está conosco! Enquanto Jesus reza no monte, a barca dos discípulos está velejando no lago de Genesaré (Mt 14,22-23). Jesus os tinha obrigado a ir para o “outro lado”, isto é, para a terra dos pagãos. Para quê? Certamente para ensinar aos outros povos que a partilha é que constrói uma sociedade nova. Mas sair de casa para ir até os outros não é coisa fácil. O mar agitado, cheio de ventos fortes e ondas. O que significa isso? Significa a resistência dos discípulos, e a resistência de todos nós em compreender que o projeto de Deus é para todos, e não apenas para nós.


Jesus, em alta madrugada, vai até os discípulos, andando sobre a água. Ora, isso era prerrogativa de Deus (veja o livro de Jó 9,8). Os discípulos pensam que Jesus é um fantasma, e gritam de medo. Jesus, porém, os tranqüiliza, dizendo: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo”. Este é o modo como Deus sempre tranqüiliza os homens. E o “sou eu” lembra imediatamente o Deus do êxodo, que se revelou a Moisés como sendo o “Eu Sou”. Tudo isso mostra que os discípulos ainda não cresceram na fé.


Pedro, o líder dos discípulos e futuro chefe de todas as comunidades, faz um desafio: ir até Jesus, andando como ele sobre as águas, isto é, participando da sua divindade. Perigo. Para isso é preciso fé grande, entrega total. O que não acontece, pois Pedro teme, duvida, e começa a afundar.


O que Jesus diz vale para todos nós: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” Também nós duvidamos quando as coisas ficam difíceis e os ventos se tornam contrários, prova de que ainda não confiamos em Deus e no seu projeto. O vento cessa logo que Jesus entra na barca. Por quê? Dizem que no olho do furacão reina completa paz. Com Jesus em nosso meio estamos no olho do furacão: ao redor tudo gira e ameaça, mas nós permanecemos calmos, certos de que o projeto de Deus, realizado por Jesus, é e sempre será vitorioso. E, reconhecendo isso, vem a grande confissão dos discípulos e da comunidade cristã: “De fato, tu és o Filho de Deus”. Uma confissão de fé que nos faz acreditar em nós mesmos: em nossa vocação e nossa capacidade de amar, servir e partilhar, pois também nós, pelo Batismo, fomos feitos filhos de Deus. Não temamos. Também podemos andar pelas águas agitadas do mundo, sem medo de afundar porque Jesus está por perto. Basta na hora mais difícil gritarmos como Pedro: SOCORRO, SENHOR!

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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sexta-feira, 28 de julho de 2023

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 13,31-35 - 31.07.2023

Liturgia Diária


31 – SEGUNDA-FEIRA 

SANTO INÁCIO DE LOIOLA


PRESBÍTERO E FUNDADOR


(branco, pref. comum, ou dos pastores – ofício da memória)



Ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos; e toda língua proclame, para glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor (Fl 2,10s).


Inácio nasceu na Espanha, em 1491, e faleceu na Itália, em 1556. Em sua juventude, dedicou-se ao serviço militar. Ferido gravemente em batalha, passou o longo tempo de recuperação lendo a vida de Cristo e dos santos, experiência que foi fundamental para uma mudança radical em seu ser. Estudou filosofia e teologia em Paris, onde fundou a Companhia de Jesus, os Jesuítas. É autor do famoso livro Exercícios espirituais. Celebrando sua memória, peçamos por todos aqueles que se consagram ao anúncio incansável do Reino.


Evangelho: Mateus 13,31-35


Aleluia, aleluia, aleluia.


Deus nos gerou pela Palavra da verdade / como as primícias de suas criaturas (Tg 1,18). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus – Naquele tempo, 31Jesus contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo. 32Embora ela seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior do que as outras plantas. E torna-se uma árvore, de modo que os pássaros vêm e fazem ninhos em seus ramos”. 33Jesus contou-lhes ainda uma outra parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado”. 34Tudo isso Jesus falava em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar parábolas, 35para se cumprir o que foi dito pelo profeta: “Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo”. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Mateus 13,31-35

«Nada lhes falava sem usar de parábolas»


Rev. D. Josep Mª MANRESA Lamarca

(Valldoreix, Barcelona, Espanha)

Hoje, o Evangelho apresenta-nos Jesus predicando aos seus discípulos. E o faz do jeito que nele é habitual, através das parábolas, quer dizer, empregando imagens simples e comuns para explicar os grandes mistérios escondidos do Reino. Assim todo mundo podia entender, desde as pessoas com maior formação até as menos formadas.


«O Reino dos Céus é como um grão de mostarda...» (Mt 13,31). Os grãos de mostarda não se vêem, são muito pequenos, mas se temos cuidado deles e os regamos... Acabam se tornando em grandes árvores. «O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha...» (Mt 13,33). O fermento não se vê, mas se não estivesse aí, a massa não subiria. Assim também é a vida cristã, a vida da graça: não se percebe no exterior, não faz barulho, mas... Se você deixa que se introduza no seu coração, a graça divina vai fazendo frutificar a semente e transformando assim às pessoas pecadoras em santas.


Esta graça divina dá-se nos pela fé, pela oração, pelos sacramentos, pela caridade. Mas a vida da graça é, sobretudo, um dom que devemos esperar e desejar com humildade. Um dom que sábios e eruditos deste mundo não sabem valorar, mas que Deus Nosso Senhor quer fazer chegar aos humildes e simples.


Tomara que quando nos procure, encontre-nos não no grupo dos orgulhosos, mas naquele dos humildes, que se reconhecem fracos e pecadores, mas muito agradecidos e confiando na bondade do Senhor. Assim, o grão de mostarda chegará a ser uma grande árvore; assim o fermento da Palavra de Deus dará em nós frutos de vida eterna. Porque, «quanto mais se abaixa o coração pela humildade, mais se levanta até a perfeição» (São Agostinho).

Fonte https://evangeli.net/


A LINGUAGEM DAS PARÁBOLAS Mt 13,31-35

HOMILIA


Mais uma vez Jesus recorre ao uso das parábolas, definidas como história terrestre, possível de acontecer, com sentido celestial. Em várias delas o mestre ora usa os verbos no passado, ora no presente e ora ainda no futuro mas em todos os casos com a mesma finalidade: falar ao fundo do nosso ser, alheios ao que ocorre na superfície da nossa vida ou no fluir dos acontecimentos que nos rodeiam. Dirigidas quer aos eruditos quer aos ignorantes; quer aos modernos quer aos antiquados. As parábolas desafiam a ordem estabelecida, as estruturas sociais e os sistemas de contra valores. Desmascaram a vida injusta cotidiana. São um espelho. Através delas, o ouvinte vê a si próprio como é, e não como pretende ser. Elas forçam o ouvinte a reavaliar as pautas do próprio comportamento, pensamento e emoções. Sacodem-nos, induzindo-nos a reformar-nos e a renovar-nos. Tiram-nos do engano a respeito de nós mesmos e da falta de verdadeiros propósitos. Dizem-nos o que se deve e o que não se deve aceitar. Manifestam a fidelidade definitiva de Deus que é amor e, como tal, resposta para todos os conflitos humanos.


Hoje Mateus nos apresenta duas parábolas que fazem parte do conjunto de sete presentes no capítulo 13 de seu Evangelho.


A intenção fundamental de Jesus é salientar a presença pouco percebida do Reino de Deus no mundo, porém real, efetiva e em processo de crescimento. O grão de mostarda semeado e o fermento na massa são expressões do Reino de Deus, realmente presente no mundo, na sua dimensão de humildade e simplicidade. Não como afirmação de poder, com ostentações de construções, rituais ou roupagens, mas pela transformação dos corações e das relações pessoais, no amor e na justiça, fundamentos do mundo novo querido pelo Pai. Em chocante contraste, vemos o país mais rico e poderoso do mundo que fala em nome da civilização cristã, contudo se destaca pela idolatria do dinheiro e por sua capacidade destrutiva. Jesus nos desperta para percebermos a presença do Reino nas multidões dos filhos de Deus, empobrecidos e excluídos, nas suas adversidades e privações, mas também em suas alegrias e esperanças, onde o amor, como um fermento na massa, está presente.


Fazendo um resumo diríamos que as duas parábolas são elaboradas a partir de imagens do ambiente familiar: um homem em seu campo e uma mulher em sua casa preparando o pão. Na primeira parábola são relativizadas as esperanças messiânicas de Israel como poderoso centro das nações, tomando-se como referência o pequeno grão de mostarda plantado por um camponês. E na segunda, com a mulher que coloca o discreto fermento na massa de farinha, levedando-a, temos o fermento do amor, que se diferencia do fermento da hipocrisia dos fariseus, sobre o qual Jesus adverte seus discípulos (Lc 12,1).


Portanto, em ambas, revela-se o Reino de Deus, realmente presente no mundo, na sua dimensão de humildade e simplicidade. Não como afirmação de poder, mas pela transformação dos corações e das relações pessoais, no amor e na justiça, fundamentos da nova sociedade possível.


Pai, livra-me de desprezar os pequeninos e declará-los. Livra-me, também, do perigo de me subestimar. Faze-me compreender que o Reino se constrói pela ação dos pequenos.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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