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domingo, 23 de novembro de 2025

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Lucas 21:5-11 - 25.11.2025

 Liturgia Diária


25 – TERÇA-FEIRA 

34ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia da 2ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais profundas para fortalecer a fé e a vida diária.”


É de paz que o Senhor vai falar a seu povo e seus fiéis, e aos que a ele se converterem (Sl 84,9).


Quando as obras humanas ruem e os reinos do instante se desfazem, revela-se o único Templo que não conhece decadência, Cristo, fundamento invisível que atravessa eras. Diante do colapso das pretensões humanas, a consciência desperta para a liberdade que não depende de circunstâncias, mas da firmeza do espírito que se ancora no Eterno. Assim, cada queda externa torna-se convite para retornar ao centro, onde nenhuma força pode corromper aquilo que Deus sustenta. O coração que repousa em Cristo aprende que esperança não é fuga, mas a coragem serena de permanecer fiel ao que não se abala.



Evangelium secundum Lucam (Lucas) 21,5-11

  1. Respiciens autem, vidit eos qui dicent de templo quomodo esset ornatum lapidibus bonis et donis.
    E, fitando, Jesus viu alguns que falavam sobre o templo, como ele estava adornado de belas pedras e ofertas.

  2. Et quibusdam dicentibus de templo quod bonis lapidibus et donis ornatum esset, dixit:
    E, quando certos comentavam sobre o templo ornamentado de pedras caras e dádivas, ele disse:

  3. Haec quae videtis, venient dies in quibus non relinquetur lapis super lapidem, qui non destruatur.
    O que vedes agora, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja destruída.

  4. Interrogaverunt autem illum, dicentes: Præceptor, quando hæc erunt, et quod signum cum fieri incipient?
    Então lhe perguntaram: Mestre, quando isso sucederá, e qual será o sinal de que essas coisas estão para acontecer?

  5. Qui dixit: Videte ne seducamini: multi enim venient in nomine meo, dicentes quia ego sum: et tempus appropinquavit: nolite ergo ire post eos.
    Ele respondeu: Cuidado para não serem enganados: muitos virão em meu nome, dizendo: “Sou eu”; e “O tempo está próximo”. Não os sigam.

  6. Cum autem audieritis prælia et seditiones, nolite terreri: oportet primum hæc fieri, sed nondum statim finis.
    E quando ouvirdes falar de guerras e conflitos, não fiquem aterrorizados: é necessário que essas coisas ocorram primeiro, mas o fim não virá imediatamente.

  7. Tunc dicebat illis: Surget gens contra gentem, et regnum adversus regnum.
    Surgirá nação contra nação, e reino contra reino.

  8. Et terræmotus magni erunt per loca, et pestilentiæ, et fames, terroresque de cælo, et signa magna erunt.
    Haverá grandes terremotos em vários lugares, pestes e fomes, terrores vindos do céu, e grandes sinais serão vistos.

Verbum Domini

Reflexão Bíblica:
As palavras de Cristo revelam que tudo o que é apenas exterior nasce condenado à impermanência. Ao contemplar a fragilidade dos reinos humanos, somos chamados a fortalecer o centro interior, onde não existe medo nem servidão às circunstâncias. A verdadeira firmeza não depende de muros ou pedras, mas da lucidez que discerne enganos e não se deixa conduzir por expectativas alheias. Diante de conflitos e abalos, a alma aprende que a liberdade floresce quando se permanece vigilante, sereno e consciente do próprio caminho. Assim, mesmo em meio ao tumulto, resiste a paz de quem repousa naquilo que não pode ser destruído.


Versículo mais importante:

Lucas 21,6
Haec quae videtis, venient dies in quibus non relinquetur lapis super lapidem, qui non destruatur.
O que vedes agora: virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja destruída.(Lc 21:6)


HOMILIA DIÁRIA

O Templo que Não se Abala: Homilia sobre Lucas 21,5-11

Amados, o Evangelho de hoje nos conduz diante de um cenário impressionante: homens admirando o esplendor do templo, e Cristo respondendo com palavras que atravessam séculos, palavras que desnudam a fragilidade das obras humanas e revelam o único alicerce que realmente sustenta a existência.

Quando o Senhor anuncia que “não ficará pedra sobre pedra”, Ele não está apenas descrevendo um fato histórico. Ele está apontando para a estrutura interior do ser humano, convidando-nos a libertar o coração da ilusão de que a segurança depende de ornamentações externas, sistemas humanos, discursos sedutores ou promessas de ordem fácil. Toda construção baseada no medo, na dependência excessiva de autoridades humanas ou na suposta solução totalizante de quem promete cuidar de tudo em nosso lugar está destinada a ruir.

Cristo chama cada pessoa, cada família, ao despertar da consciência. Nada pode substituir o trabalho interior, a coragem moral, a responsabilidade que nasce da dignidade dada por Deus. Quando Ele adverte: “Vede que não sejais enganados”, aponta para a tendência humana de seguir vozes que, oferecendo proteção, acabam amputando a liberdade e conduzindo ao servilismo espiritual e social. São vozes que prometem um mundo perfeito se apenas entregarmos nossa autonomia, nossa capacidade de discernir, nossa vigilância.

A verdadeira força não vem de regimes centralizadores que se apresentam como salvadores, mas da construção silenciosa e firme do caráter; não de discursos que cultivam ressentimentos, mas da família que educa para a lucidez; não de ideologias que sufocam a alma, mas da liberdade que brota de um coração que encontrou seu eixo em Cristo.

O Senhor nos adverte sobre guerras, conflitos e abalos. Não para que vivamos em medo, mas para que aprendamos a permanecer de pé quando tudo treme. O mundo pode se desmoronar, mas aquele que edificou a vida sobre a verdade não se dobra a manipulações, não se deixará seduzir por projetos que tratam a pessoa como massa, nem entregará a consciência a quem promete soluções fáceis em troca de submissão.

Cristo nos chama a ser templos vivos, não dependentes de ornamentos passageiros, mas sustentados pela clareza interior, pela liberdade que nasce da responsabilidade, pela dignidade que ninguém pode retirar. Que cada família, cada alma, reencontre nesse Evangelho a coragem de permanecer fiel ao que é eterno, recusando todo caminho que infantilize o espírito humano.

Pois o Templo verdadeiro, aquele que não se abala, é Cristo, e somente Nele encontramos a firmeza necessária para atravessar qualquer ruína do mundo.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA DIÁRIA

A Impermanência das Obras Humanas

O versículo diz
O que vedes agora virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja destruída (Lc 21,6)
Nele, Cristo revela que nenhuma construção puramente exterior possui a solidez necessária para sustentar o sentido último da existência. As estruturas humanas, por mais grandiosas que pareçam, estão submetidas ao desgaste do tempo e ao movimento da história. A lição inicial é clara
não se deve fundamentar a esperança em realidades que inevitavelmente se desfazem.

O Chamado ao Discernimento Interior

Ao anunciar a ruína do que é visível, o Senhor convida o olhar humano a voltar-se para dentro. Não como fuga, mas como orientação para o que sustém a pessoa mesmo quando tudo ao redor desmorona. O discernimento nasce quando a alma aprende a diferenciar o que é transitório do que permanece, e assim deixa de se apoiar em dependências frágeis que prometem estabilidade, mas geram servidão espiritual e emocional.

A Firmeza que Não Depende das Circunstâncias

As pedras que caem simbolizam todas as falsas garantias que o mundo oferece. O ensinamento de Cristo aponta para uma fortaleza que não é feita de matéria nem depende de autoridades humanas. É a firmeza da consciência desperta e da liberdade que nasce da responsabilidade moral. A pessoa que se ancora nesta verdade não se abala com crises, mudanças sociais ou pressões externas, pois reconhece que a verdadeira sustentação não é concedida por estruturas decadentes.

A Edificação da Vida sobre o Eterno

O templo exterior pode desaparecer, mas o templo interior pode tornar-se cada vez mais sólido. A ruína anunciada são portas para nova construção. Cristo convida cada um a erguer a vida sobre fundamentos que nem o tempo nem o poder de outros podem destruir. A dignidade humana, a verdade que liberta e a retidão silenciosa constroem uma morada que permanece mesmo quando as pedras do mundo se tornam pó.

A Transformação Quebro Mesmo a Ilusão

A destruição mencionada por Jesus não é castigo, mas revelação. Mostra que tudo o que está apoiado na aparência deve ser desmontado para que o essencial venha à luz. Quando as ilusões caem, abre-se espaço para um modo mais elevado de existir. Não se trata de temer o colapso, mas de acolher a oportunidade de renascer com maior clareza, maturidade e liberdade interior.

Assim, este versículo não fala apenas da queda de um edifício físico. Ele descreve o processo necessário pelo qual cada ser humano atravessa para alcançar a plenitude que Deus deseja. A pedra sobre pedra que cai é o convite para que surja a pessoa nova, fundada no que nenhum tempo destrói.

]Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 2:1-11 - 12.10.2024

 Liturgia Diária


12 – SÁBADO 

BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DA CONCEIÇÃO APARECIDA


padroeira do brasil


(branco, glória, creio, prefácio próprio – ofício da solenidade)



Antífona:


Nas bodas de Caná,  

o vinho faltou,  

mas Cristo chamou.  

A água Ele transformou,  

a glória revelou,  

e os discípulos creram  

no Senhor.


João 2:1-11


1. No terceiro dia, houve um casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava lá.  

2. Jesus também foi convidado para o casamento com seus discípulos.  

3. Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: "Eles não têm mais vinho."  

4. E Jesus respondeu: "Mulher, que tenho eu contigo? Minha hora ainda não chegou."  

5. Sua mãe disse aos serventes: "Fazei tudo o que ele vos disser."  

6. Havia ali seis talhas de pedra, destinadas à purificação dos judeus, cada uma contendo duas ou três medidas.  

7. Jesus disse-lhes: "Enchei de água as talhas." E eles as encheram até à borda.  

8. Então lhes disse: "Tirai agora e levai ao mestre-sala." E eles levaram.  

9. Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha, (embora o soubessem os serventes que haviam tirado a água), chamou o noivo  

10. e disse-lhe: "Todos servem primeiro o bom vinho e, depois que os convidados já beberam bastante, servem o inferior; mas tu guardaste o bom vinho até agora."  

11. Este foi o primeiro milagre de Jesus; ele o fez em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.


Reflexão:

"Fazei tudo o que Ele vos disser." (João 2,5)


O milagre de Caná não é apenas a transformação da água em vinho; é um sinal da transformação interior que Jesus oferece a cada um de nós. A água, simples e comum, representa o estado inicial do ser humano, enquanto o vinho, produto da intervenção divina, simboliza a elevação espiritual. Nesta narrativa, percebemos a profunda dinâmica da vida: o potencial que cada ser carrega dentro de si para se transformar e se unir ao divino. Quando nos abrimos ao agir de Cristo, o ordinário torna-se extraordinário, e a nossa existência passa a refletir a glória de Deus, em um caminho de crescimento e evolução espiritual.


HOMILIA

"Educar para o Milagre do Futuro"


No Evangelho de João 2:1-11, encontramos Maria, a Mãe de Jesus, em um dos momentos mais significativos do ministério de Cristo: o milagre das bodas de Caná. Sua frase, “Fazei tudo o que Ele vos disser” (João 2,5), ecoa não apenas na obediência dos servos, mas em todos os que desejam seguir o caminho da fé. Maria demonstra, com sua confiança, a relação profunda entre a humanidade e o divino, sendo não só a mãe de Jesus, mas também a educadora da fé, a figura que aponta para a necessidade de seguir a vontade de Deus.

Hoje, vivemos em tempos de grandes desafios, especialmente no que diz respeito à educação e ao futuro dos jovens. A sociedade, inundada por vícios, materialismo e distrações superficiais, exige uma reflexão mais profunda sobre o papel da educação na formação das futuras gerações. Maria nos ensina que educar é mais do que transmitir conhecimento; é guiar os jovens para que aprendam a ouvir, confiar e agir segundo a verdade de Cristo.

A relação de Maria com Jesus nos mostra a essência do verdadeiro educador: alguém que conduz o coração e a mente para o que é essencial, para o milagre da transformação interior. Em um mundo onde os valores estão cada vez mais distorcidos, como educadores – sejam pais, professores ou líderes – devemos lembrar que a formação dos jovens deve ser voltada não só para a conquista material, mas para o desenvolvimento espiritual e moral.

O futuro da humanidade depende de uma geração que possa discernir e transformar as águas turvas deste mundo em vinho novo. Assim como Maria instruiu os servos a confiar nas palavras de Jesus, devemos educar os jovens para buscar, no meio do caos, a força de seguir a verdade de Cristo, que é o verdadeiro caminho para a plenitude. Este é o maior milagre que podemos esperar: ver uma geração que, em meio às adversidades, saiba transformar o mundo, guiada pela sabedoria que vem da fé. 

Na educação de hoje, o desafio é plantar as sementes da escuta e da obediência ao transcendente, para que o futuro de nossos jovens seja não apenas promissor, mas também verdadeiramente transformador.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Confiança Absoluta de Maria em Jesus


A frase "Fazei tudo o que Ele vos disser" (João 2,5) surge nas bodas de Caná, onde Maria, diante da necessidade do momento, demonstra uma confiança absoluta em Jesus. Maria reconhece não apenas o poder de seu Filho para resolver a situação, mas a profundidade da missão divina que Ele carrega. Essa confiança vai além da expectativa de um milagre. Ela entende que a palavra de Jesus tem o poder de transformar a realidade e realizar o plano de Deus, mesmo quando os outros não conseguem enxergar as soluções. 


Maria como Modelo de Fé e Obediência


Teologicamente, Maria é o modelo da fé ativa. Ela não apenas acredita, mas age, e ao orientar os servos com "Fazei tudo o que Ele vos disser", ela também nos ensina a ação obediente em resposta à voz de Cristo. Maria não é uma figura passiva no plano de Deus; sua fé é dinâmica, porque ela confia plenamente na autoridade divina de Jesus. Esta frase nos convida a uma vida de obediência confiante, onde a fé não é apenas acreditar, mas obedecer prontamente à vontade de Deus.


A Obediência como Caminho de Transformação


"Fazei tudo o que Ele vos disser" aponta para a teologia da obediência como caminho para a transformação. O milagre de transformar a água em vinho só ocorre porque os servos seguem a ordem de Cristo sem hesitação. Da mesma forma, a transformação da vida cristã depende da obediência à palavra de Cristo. É na entrega completa à vontade de Deus que experimentamos a renovação e a intervenção divina em nossas vidas. A obediência à palavra divina é o meio pelo qual o Reino de Deus é realizado.


A Palavra de Cristo: Meio da Salvação


Teologicamente, a frase destaca que a palavra de Cristo é o instrumento através do qual Deus opera a salvação. Assim como o poder de Deus é manifestado nas bodas de Caná por meio da palavra de Jesus, a nossa transformação espiritual e realização pessoal também ocorrem pela obediência à sua voz. A conversão e a renovação que desejamos são frutos de uma adesão radical à palavra de Cristo, que é a voz de Deus atuando em nosso mundo e em nossas vidas.


Obediência como Resposta ao Amor Divino


Finalmente, "Fazei tudo o que Ele vos disser" nos revela que a obediência não é um fardo, mas uma resposta amorosa à iniciativa divina. Cristo fala, e nós, em resposta, agimos em fé. Este é o dinamismo da vida cristã. A obediência à palavra de Deus não é uma imposição, mas uma escolha consciente de colaborar com o plano de Deus para nossa salvação e a salvação do mundo. Quando respondemos como Maria, permitindo que a palavra de Cristo guie nossas ações, experimentamos a plenitude da vida espiritual.


A Obediência na Vida Cristã Contínua


"Fazei tudo o que Ele vos disser" não é uma instrução limitada ao contexto de Caná, mas uma orientação para toda a jornada cristã. A vida de fé é uma constante escuta e obediência à voz de Deus. Assim como os servos em Caná, somos chamados a confiar que a palavra de Cristo trará transformação e plenitude para nossa existência, não pela nossa força, mas pela sua graça operante.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho de Lucas 11: 5-13 - 10.10.2024

 Liturgia Diária


10 – QUINTA-FEIRA 

27ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


Antífona:  


Pedi ao Pai, Ele vos dará,  

Batei à porta, ela se abrirá.  

Quem busca com fé encontrará,  

Seu Espírito Santo vos guiará.


Lucas 11: 5-13


5 E disse-lhes: "Quem dentre vós, tendo um amigo, irá até ele à meia-noite e lhe dirá: Amigo, empresta-me três pães,  

6 porque um amigo meu chegou de viagem e não tenho o que oferecer a ele?"  

7 E ele, respondendo de dentro, dirá: "Não me incomodes, já está fechada a porta, e meus filhos estão comigo na cama; não posso me levantar para te dar."  

8 Eu vos digo: ainda que ele não se levante para lhe dar por ser seu amigo, levantar-se-á por causa da sua insistência e lhe dará tudo de que precisar.  

9 Por isso eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.  

10 Pois todo aquele que pede, recebe; quem busca, encontra; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.  

11 Qual de vós, sendo pai, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se pedir peixe, lhe dará uma serpente?  

12 Ou se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?  

13 Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!"


Reflexão:

"Pois todo aquele que pede, recebe; quem busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-á." (Lucas 11,10)


Esta passagem nos chama à confiança absoluta no amor de Deus. A insistência na oração não é um ato de mera repetição, mas sim de profunda comunhão com o divino. Assim como o universo segue seu curso evolutivo, em expansão constante, nossa oração também nos expande em direção a uma relação mais íntima com Deus. Pedir, buscar e bater são movimentos que, em conjunto, nos alinham com o fluxo da criação divina. Cada resposta que recebemos, mesmo que pareça não imediata, faz parte de um ciclo cósmico maior, onde o Espírito age como princípio transformador, elevando nossa consciência para além do visível e nos aproximando da fonte eterna de toda sabedoria e amor.


HOMILIA

O Pão da Vida e o Coração Apego aos Bens Materiais


Queridos irmãos e irmãs,


Neste Evangelho segundo Lucas, no capítulo 11, versículos 5 a 13, Jesus nos apresenta uma parábola que ressoa profundamente em nossos dias, onde a materialidade e o consumismo muitas vezes dominam nossos corações e mentes. O pedido insistente de um amigo que busca pão para um hóspede ilustra a necessidade de nos voltarmos uns para os outros, não apenas em busca de bens materiais, mas, acima de tudo, de amor e solidariedade.

Vivemos em uma sociedade que valoriza o acúmulo de bens e o sucesso material. Muitas vezes, deixamos que essa busca nos impeça de ver o que realmente importa. O que é mais importante: a quantidade de bens que possuímos ou a qualidade das relações que cultivamos? Jesus, ao nos ensinar sobre a oração, nos lembra que devemos pedir não apenas por aquilo que é supérfluo, mas por aquilo que alimenta a alma.

Quando oramos, muitas vezes o fazemos com corações cheios de preocupações e desejos materiais, esquecendo que o verdadeiro pão que precisamos é aquele que sacia não apenas o corpo, mas também o espírito. O Senhor nos oferece o dom da oração, uma comunicação íntima e direta com o Pai, que se preocupa com nossas necessidades. No entanto, é fundamental que compreendamos que, ao pedirmos, devemos buscar também a sabedoria, a compaixão e a generosidade que nos ajudam a ver além do egoísmo que o apego aos bens materiais pode gerar.

Jesus nos ensina que, assim como um pai amoroso não dará uma pedra a seu filho quando ele pedir pão, assim também Deus não nos negará o que realmente precisamos. Ele nos promete que, se pedirmos, receberemos; se buscarmos, encontraremos; e se batermos, a porta se abrirá. Isso nos revela a profundidade do amor divino e a disposição de Deus em atender às nossas súplicas, desde que estas estejam alinhadas com sua vontade e propósitos.

O apego excessivo aos bens materiais pode nos levar a um estado de solidão e insatisfação. Quando nossos corações estão fixados nas posses, nos esquecemos da verdadeira essência da vida: a comunhão com Deus e com os outros. A generosidade, a partilha e o amor ao próximo são os verdadeiros tesouros que enriquecem a nossa existência.

Portanto, que possamos refletir sobre a nossa relação com os bens materiais. Estamos buscando o pão que alimenta nosso corpo ou aquele que nutre nossa alma? Que possamos abrir nossos corações e mentes para o que é verdadeiramente essencial, cultivando uma espiritualidade que nos ensine a desapegar e a viver em comunhão.

Que, ao pedirmos, busquemos sempre o que edifica e transforma, e que possamos ser instrumentos de paz e amor neste mundo, onde tantos ainda lutam para encontrar o verdadeiro pão da vida. Amém.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A frase: "Pois todo aquele que pede, recebe; quem busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-á." (Lucas 11,10) é uma afirmação central da confiança na bondade e fidelidade de Deus em atender às nossas súplicas. Ela transcende a superficialidade de pedidos materiais e revela uma dimensão profunda da oração, da busca espiritual e do relacionamento entre Deus e a humanidade.


Teologicamente, essa passagem pode ser interpretada de várias maneiras, todas focadas na essência do diálogo entre o ser humano e o divino:


1. A Abertura da Graça Divina: Ao afirmar que quem pede, recebe; quem busca, encontra; e quem bate, a porta se abre, Jesus não está falando apenas de um mero processo de dar e receber. Ele está revelando a natureza generosa de Deus. Deus não é uma entidade distante, mas um Pai amoroso que sempre escuta e responde às necessidades de Seus filhos. O ato de pedir, buscar e bater implica humildade e dependência de Deus, elementos fundamentais na vida de oração. É uma confiança na graça divina que é sempre abundante.


2. O Crescimento Espiritual pela Busca: A frase nos ensina que a oração e a busca pela presença de Deus são processos dinâmicos e participativos. Quem busca e quem bate simbolizam a alma que não é passiva, mas ativa na sua jornada espiritual. Deus, por Sua parte, é sempre encontrado por quem O busca com sinceridade e abre as portas de sua intimidade divina para quem insistentemente O procura. A busca representa um processo contínuo de crescimento, onde cada passo revela mais do mistério de Deus.


3. A Pedagogia da Fé: Este versículo nos ensina que Deus responde não necessariamente da forma que imaginamos, mas sempre da forma que mais necessitamos para o nosso crescimento espiritual. O que pedimos pode ser concedido em formas que não compreendemos imediatamente, pois Deus trabalha além dos limites da nossa percepção humana. Receber, encontrar e ter a porta aberta, no contexto teológico, pode significar a resposta divina que nos leva a uma maior intimidade com Ele, e não meramente o cumprimento de desejos egoístas ou materiais.


4. O Chamado à Perseverança: A frase também revela uma dimensão importante da perseverança na vida de fé. "Pedir, buscar, e bater" são ações contínuas, sugerindo que a oração não é um ato único, mas um estilo de vida de constante comunicação com Deus. Aquele que persiste em sua busca por Deus será transformado por essa interação. É a persistência na oração que molda o coração do fiel e o aproxima da vontade de Deus.


5. A Aliança de Amor e Confiança: No coração desse ensinamento está a ideia de uma relação de aliança entre Deus e a humanidade. Aquele que pede com fé não é alguém que faz uma transação com Deus, mas alguém que entra em comunhão com o Criador. Esta confiança revela que o que pedimos de Deus, quando é para o nosso bem, será sempre concedido dentro dos desígnios de Seu amor eterno. A abertura das portas simboliza o caminho que se abre para o reino de Deus no coração de quem busca.


6. A Dimensão Comunitária: Jesus ensina essa lição aos seus discípulos, destacando também uma dimensão comunitária. Pedir, buscar e bater, enquanto atos individuais, também refletem a vida em comunidade, onde se busca juntos, onde a intercessão pelos outros também tem lugar. Em um contexto de fé comunitária, a promessa de que Deus responde adquire uma profundidade ainda maior.


Em conclusão, esta passagem não é apenas uma fórmula para pedir coisas a Deus, mas um convite à profundidade da oração, da busca espiritual e da relação pessoal com o Criador. Ela nos lembra que Deus sempre responde às necessidades mais profundas do nosso ser, transformando-nos e nos guiando para a verdadeira realização espiritual em comunhão com Ele.

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terça-feira, 3 de setembro de 2024

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho:Lucas 5:33-39 - O6.09.2024

 Liturgia Diária


6 – SEXTA-FEIRA 

22ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)



Evangelho:Lucas 5:33-39

O tempo da renovação chegou, e o novo se derrama sobre nós como vinho em odres novos. O que é velho se despede, e o novo nos chama a seguir adiante, transformados, acolhendo o caminho que se abre diante de nós, em esperança.


Lucas 5:33-39


33 Disseram-lhe eles: “Os discípulos de João jejuam frequentemente e fazem orações, assim como os discípulos dos fariseus; os teus, ao contrário, comem e bebem.”  

34 Jesus, porém, respondeu-lhes: “Podeis vós obrigar os amigos do esposo a jejuar, enquanto o esposo está com eles?  

35 Dias virão, contudo, em que o esposo lhes será tirado; então, naqueles dias, jejuarão.”  

36 Propôs-lhes também esta comparação: “Ninguém tira um remendo de roupa nova para colocá-lo numa roupa velha; do contrário, tanto o remendo novo rasgará a roupa velha como o remendo novo não combinará com a roupa velha.”  

37 E ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres, derramar-se-á o vinho e os odres se estragarão.  

38 Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos.  

39 E ninguém, depois de beber o vinho velho, quer do novo, porque diz: 'O velho é melhor.'”


Reflexão:

"Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos." (Lucas 5:38)


Este Evangelho convida-nos a considerar a renovação interior como um processo constante e dinâmico, que não se encaixa em estruturas obsoletas. Tal como o vinho novo em odres novos, precisamos estar prontos para acolher a graça e a transformação de Deus com abertura e flexibilidade, aceitando que cada momento traz consigo a possibilidade de uma mudança vital. Nossa fé deve adaptar-se às novas compreensões que o Espírito Santo nos revela, ampliando o horizonte da nossa espiritualidade, sem se restringir às formas anteriores.


HOMILIA

O Vinho Novo da Transformação Interior


No Evangelho, Jesus responde aos questionamentos sobre o jejum e os costumes tradicionais ao introduzir uma imagem poderosa: o vinho novo em odres novos. Ele nos convida a um entendimento mais profundo do que significa seguir a novidade do Reino de Deus. O vinho novo representa a renovação espiritual que Jesus traz ao mundo — uma energia transformadora que não pode ser contida pelas velhas estruturas de pensamento e comportamento.

Assim como o vinho novo requer odres novos, Jesus nos ensina que o nosso interior deve ser continuamente renovado para receber as graças do Reino. Os odres velhos, rígidos e desgastados pelas tradições antigas, não podem conter a novidade radical da fé. É uma chamada à flexibilidade espiritual, uma abertura contínua à transformação e ao crescimento.  

Jesus nos desafia a abandonar os nossos modos antigos de pensar e a permitir que o Espírito Santo renove e expanda nosso ser, permitindo que a graça flua livremente. Este processo de renovação interior exige coragem para deixar o passado e acolher o futuro com fé e confiança. Assim, como o vinho novo, nossa vida se expande em um novo horizonte, preparado para o Reino que Jesus promete.

Ao final, o que Jesus nos ensina é que, para experimentar a verdadeira profundidade da sua mensagem, precisamos ser renovados, abertos à transformação, vivendo em sintonia com a nova realidade espiritual que Ele inaugurou. Receber esse vinho novo significa aceitar a contínua evolução do nosso espírito e caminhar em direção a uma comunhão mais plena com Deus.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Explicação Teológica: "Mas o vinho novo deve ser posto em odres novos." (Lucas 5:38)


O Significado do "Vinho Novo"

No contexto bíblico, o "vinho novo" simboliza a mensagem transformadora e renovadora que Jesus traz ao mundo. É o Evangelho, uma novidade espiritual que não pode ser adequadamente compreendida ou vivida dentro dos antigos paradigmas religiosos. O vinho novo se refere à nova aliança de Cristo, marcada pela graça, o amor incondicional, e a presença do Espírito Santo. Este vinho novo é vivo, dinâmico e exige espaço para crescer, expandir e trazer nova vida.


Odres Velhos: As Estruturas Religiosas e Mentais Antigas

Os "odres velhos" representam as formas tradicionais e inflexíveis de pensamento e prática religiosa, enraizadas na Lei Mosaica e nas tradições dos antigos. Essas estruturas, embora adequadas para um tempo anterior, tornaram-se rígidas e incapazes de conter a força e a vitalidade do Evangelho de Cristo. A resistência ao vinho novo demonstra como o apego a costumes e normas antigas pode impedir o acolhimento da novidade do Reino de Deus.


A Necessidade dos "Odres Novos"

Os "odres novos" simbolizam os corações e mentes abertos, flexíveis e renovados pela fé. Assim como um odre novo tem a capacidade de expandir-se à medida que o vinho ferve e amadurece, um espírito renovado pode conter e manifestar a vida nova trazida por Cristo. Este convite à renovação não é simplesmente uma rejeição do passado, mas um chamado à transformação interior, à disposição de mudar para acolher o que o Reino exige de nós.


Transformação e Crescimento Espiritual

O vinho novo em odres novos também simboliza a constante evolução da vida espiritual. A vida com Cristo não é estática; ela exige crescimento contínuo, transformação e adaptação. Cada cristão é chamado a se tornar um "odre novo", pronto para receber e sustentar a graça de Deus em sua plenitude. Isso envolve um processo de desapego de preconceitos, hábitos e crenças que impedem o acolhimento pleno do Evangelho.


A Graça e a Liberdade do Espírito

Este ensinamento de Jesus também nos fala sobre a liberdade do Espírito Santo, que age de forma nova e surpreendente. O vinho novo não pode ser aprisionado por sistemas que sufocam a sua vitalidade. Da mesma forma, a graça de Deus atua de maneira livre e transformadora, rompendo barreiras e criando novas realidades espirituais em nossas vidas. Os odres novos, então, simbolizam nossa abertura a essa liberdade, uma receptividade à ação do Espírito.


A Nova Aliança em Cristo

Teologicamente, a frase aponta para a superação das práticas e rituais antigos que não mais servem ao propósito da nova aliança estabelecida por Cristo. Jesus é o portador do vinho novo – a plenitude da revelação divina – que cumpre e supera a antiga lei. Os odres novos são aqueles que aceitam a nova aliança com corações renovados, cheios de fé e abertos à transformação oferecida por Jesus.


Renovação da Comunidade Cristã

A aplicação desse ensinamento se estende à Igreja como um todo. A comunidade cristã é constantemente chamada a renovar-se, a ser um odre novo que acolhe a dinâmica do Espírito em cada época e lugar. Não pode haver estagnação na missão de Cristo, e a Igreja deve sempre estar aberta à ação renovadora da graça, renovando sua maneira de ser, de pregar e de servir.


O Desafio do Acolhimento do Novo

Por fim, esta frase convida cada cristão a questionar como está sendo receptivo ao "vinho novo" que Cristo oferece. Estar disposto a se tornar um "odre novo" requer humildade, desapego do antigo e a coragem de abrir-se a uma jornada contínua de conversão. É uma chamada à transformação radical, tanto pessoal quanto comunitária, para se viver em plena comunhão com o plano de Deus para o Reino.

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Lucas 1,39-56 - 31.05.2022

Liturgia Diária


31 – TERÇA-FEIRA  

VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA


(branco, glória, pref. de Maria II, – ofício da festa)



Vinde e escutai, todos os que temeis a Deus, e eu vos direi tudo o que o Senhor fez por mim, aleluia! (Sl 65,16)


Esta festa litúrgica originou-se da narração bíblica da visita de Maria a Isabel. Celebrada pelos Franciscanos no fim do século 13, foi introduzida no calendário universal pelo papa Bonifácio 4º, no século 16. Celebremos com o mesmo espírito de solicitude que levou a Mãe de Jesus a visitar sua prima, grávida de João Batista.


Evangelho: Lucas 1,39-56


Aleluia, aleluia, aleluia.


És feliz porque creste, Maria, / pois em ti a Palavra de Deus vai cumprir-se, conforme ele disse (Lc 1,45). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu”. 46Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência para sempre”. 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Lucas 1,39-56

«O menino pulou de alegria no meu ventre»


+ Mons. F. Xavier CIURANETA i Aymí Bispo Emérito de Lleida

(Lleida, Espanha)

Hoje contemplamos o fato da Visitação da Virgem Maria a sua prima Isabel. Tão rapidamente como lhe foi comunicado que tinha sido escolhida por Deus Pai para ser Mãe do Filho de Deus e que sua prima Isabel tinha recebido também o dom da maternidade, caminha decididamente até a montanha para cumprimentar sua prima, para compartilhar com ela o gozo de terem sido agraciadas com o dom da maternidade e para servi-la.


A saudação da Mãe de Deus provoca que o menino, que Isabel leva no seu ventre, pule de entusiasmo dentro das entranhas de sua mãe. A Mãe de Deus, que leva Jesus no seu ventre é causa de alegria. A maternidade é um dom que gera alegria. As famílias alegram-se quando há um anúncio de uma nova vida. O nascimento de Cristo produz certamente «uma grande alegria» (Lc 2,10).


Apesar de tudo, hoje em dia, a maternidade não é devidamente valorizada. Freqüentemente colocam-se em primeiro lugar outros interesses superficiais, que são manifestação de comodidade e de egoísmo. As possíveis renúncias que comporta o amor paternal e maternal, assustam a muitos matrimônios que, talvez pelos meios que receberam de Deus, devessem ser mais generosos e dizer “sim” mais responsavelmente a novas vidas. Muitas famílias deixam de ser “santuários da vida”. O Papa São João Paulo II constata que a contracepção e o aborto “têm as suas raízes numa mentalidade hedonista e irresponsável a respeito da sexualidade e pressupõem uma concepção egoísta da liberdade, que vê na procriação um obstáculo ao desenvolvimento da própria personalidade».


Isabel, durante cinco meses, não saía de casa, e pensava: «Isto é o que o Senhor fez por mim» (Lc 1,25). E Maria dizia: «A minha alma glorifica o Senhor (…) porque pôs os olhos na humildade da sua serva» (Lc 1,46.48). A Virgem Maria e Isabel valorizam e agradecem a obra de Deus nelas: a maternidade! É necessário que os católicos reencontrem o significado da vida como um dom sagrado de Deus aos seres humanos.

Fonte https://evangeli.net/


DEIXE-TE VISITAR POR MARIA COMO ISABEL Lc 1,39-56

HOMILIA


Todo aquele intercâmbio de vida, todo aquele diálogo de amor à luz do Espírito Santo, leva Maria a um canto de ação de graças e de louvor, inspirado no canto de Ana, a mãe de Samuel (cf. Sm 2,1-10). É que tanto lá como aqui, se realimenta a esperança dos pobres por uma intervenção de Deus Salvador. Jesus, de fato, significa – Deus Salva! A primeira parte do canto apresenta o louvor e a santificação do nome de Deus por parte de Maria. Na verdade, Deus pôs seu olhar sobre aquela humilde jovem de Nazaré, fazendo grandes coisas em seu favor. Deus exalta sua humildade, de tal modo que todas as gerações têm a obrigação de chamar a Mãe de Deus de Bem-Aventurada, ou seja, de Santa.


Assim, Jesus é concebido como a misericórdia de Deus em ação, trazendo vida para todos, restaurando a fraternidade entre os filhos de Deus.


Ao descrever a visita de Maria a Isabel, Lucas quer mostrar Maria como um modelo de solidariedade, da comunidade fiel que atende a todos os irmãos necessitados. O serviço de Maria a Deus se concretiza no serviço aos irmãos e irmãs necessitadas. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, Lucas quer ensinar como as pequenas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs. Nossa acolhida à Palavra de Deus concretiza-se no serviço concreto às pessoas mais carentes.


Lucas acentua a prontidão de Maria em atender ao apelo de Deus contido nas palavras do anjo. O anjo tinha lhe falado da gravidez de Isabel. Imediatamente, Maria sai de sua casa para se colocar a serviço de Isabel. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de 100 quilômetros de caminhada. Tal atitude de Maria frente ao apelo da Palavra quer nos ensinar que não devemos nos fechar sobre nós mesmos, atendendo apenas as pessoas que nos são conhecidas ou que estão mais perto de nós. Devemos sair de casa, e estar bem atentos e atentas às necessidades concretas das pessoas e procurar ajudar na medida de nossas capacidades e possibilidades.


Até pouco tempo Maria levava uma vida “normal”; porém, depois do grande anúncio tudo muda; só Deus sabe o que passou em seus pensamentos, talvez muitas preocupações diante de um fato tão grandioso, do qual estava participando diretamente. Porém, uma coisa é certa: ela confia no Senhor. Não ficou presa no fato em si, mas põe-se, como nos diz a leitura, a caminho.


No diálogo que teve com o anjo, ‘na anunciação’, Maria fica sabendo que também Isabel foi agraciada milagrosamente: Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril. Maria vai visitar sua parenta e ao vê-la confirma-se o que anjo já lhe havia falado.


Quando Isabel ouviu a saudação de Maria a criança lhe estremeceu no ventre e Isabel ficou repleta do Espírito Santo.


Ao chegar na casa de Isabel, após uma longa viagem de pouco mais de cem quilômetros, as duas mulheres se encontram, e não só elas, também os frutos da bondade e do amor de Deus. Aqui aproveito para abrir um pequeno parêntese: Maria estava com poucos dias de gestação, e ainda assim o seu filho foi percebido por Isabel, e o ainda não nascido João Batista. Como é que podem alguns ainda colocar em dúvida se o feto não constitui ainda um ser humano, capaz de reconhecer as grandes maravilhas de Deus, mesmo que estes sejam de poucos centímetros?


Maria foi a primeira anunciadora da boa nova, junto com ela, leva a mesma alegria recebida do anjo, leva também o Cristo e o Espírito Santo. Como não querer bem a uma mulher que soube realizar a vontade do Pai? Maria é aquela que conduz Jesus até aquela família, mais tarde será ela também que pede a Jesus para que ajude os noivos nas bodas de Caná; e ainda hoje ela continua atenta as nossas necessidades, com seu olhar materno.


Diante de tudo que recebeu, ela não se exalta, mas bendiz o Senhor: Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus meu Salvador. Este canto, que Lucas colocou nos lábios de Maria, relembra o que Deus fez em Maria, a Serva do Senhor. Mas recorda também o que Deus fez pelos pobres através de Jesus. Ele inverte as falsas situações humanas no campo religioso, político e social.


Pois Sua misericórdia perdura para sempre para os que o temem. Aos que não o temem – os orgulhosos – Ele dispersou com a força do seu braço. Ele derrubou do trono os poderosos. Quanto aos humildes, submissos e oprimidos, Ele os exaltou. Ele cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Deixemo-nos visitar por Deus! Mas estejamos atentos com a mesma sensibilidade de Isabel e João Batista. Que possamos reconhecê-lo, acolhê-lo e com Ele alegrar-se.


Pai conduza-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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quinta-feira, 31 de março de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,1-11 - 03.04.2022

Liturgia Diária

3 – DOMINGO  

5º DA QUARESMA


(roxo, creio – 1ª semana do saltério)



A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do homem perverso e traidor libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro (Sl 42,1s).


Reunidos para celebrar a Eucaristia, somos convidados a acolher o amor e a misericórdia de Deus, derramados sobre nós como rios em terra seca. A páscoa de Cristo se manifesta nos corações que buscam a comunhão com ele; lancemo-nos, pois, para a frente em nossa caminhada de fé, buscando superar o espírito de preconceito e condenação.


Evangelho: João 8,1-11


Glória a vós, ó Cristo, Verbo de Deus.


Agora, eis o que diz o Senhor: / De coração convertei-vos a mim, / pois sou bom, compassivo e clemente (Jl 2,12s). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais”. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 8,1-11

«Eu também não te condeno»


Pbro. D. Pablo ARCE Gargollo

(Ciudad de México, México)

Hoje vemos Jesus «escrever no chão, com o dedo» (Jo 8,6), como se estivesse ao mesmo tempo ocupado e divertido com algo mais do que escutar aos que acusam a mulher que lhe apresentam porque foi «apanhada em adultério» (Jo 8,3).


É de chamar a atenção a serenidade e inclusive o bom humor que vemos em Jesus Cristo, mesmo em momentos que, para outros, são de grande tensão. É um ensinamento prático para cada um de nós, nestes nossos dias de vertiginosa velocidade em que nos inquietam os nervos em um bom número de ocasiões.


A fuga sigilosa e divertida dos acusadores nos recorda de que quem julga é apenas Deus e que todos nós somos pecadores. Em nossa vida diária, por ocasião do trabalho, nas relações familiares ou de amizade, fazemos juízos de valor. Mas algumas vezes nossos juízos são errôneos e obscurecem a boa reputação dos demais. Trata-se de uma verdadeira injustiça que nos obriga a reparar, tarefa nem sempre fácil. Ao contemplar Jesus em meio a essa “matilha” de acusadores, entendemos muito bem o que assinalou Santo Tomás de Aquino: «A justiça e a misericórdia estão tão unidas que uma sustenta a outra. A justiça sem misericórdia é crueldade; e a misericórdia sem justiça é ruína, destruição».


Temos de nos encher de alegria ao saber, com certeza, que Deus perdoa-nos tudo, absolutamente tudo, no sacramento da confissão. Nestes dias de Quaresma, temos a oportunidade magnífica de acorrer a quem é rico em misericórdia no sacramento da reconciliação.


Além disso, um propósito concreto para o dia de hoje: ao ver os demais, direi, no interior de meu coração, as mesmas palavras de Jesus: «Eu também não te condeno» (Jo 8,11).


Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Como podem os pecadores cumprir a Lei e castigar a aquela mulher? Que cada um se olhe a si mesmo, entre no seu interior e se apresente ao tribunal do seu coração e da sua consciência, e será obrigado a confessar-se pecador» (Santo Agostinho)


«O Deus Redentor, o Deus terno, sofre por causa da dureza do coração» (Francisco)


«O amor, como o Corpo de Cristo, é indivisível: nós não podemos amar a Deus, a quem não vemos, se não amarmos o irmão ou a irmã, que vemos. Recusando perdoar aos nossos irmãos ou irmãs, o nosso coração fecha-se, a sua dureza torna-o impermeável ao amor misericordioso do Pai (…)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 2.840)

Fonte https://evangeli.net/


... NEM EU TE CONDENO, VAI EM PAZ Jo 8,1-11

HOMILIA


No Evangelho de hoje, a pergunta dos mestres da lei tinha uma resposta clara segundo a Torá e a tradição. Porém existiam umas conclusões que podiam colocar em situação crítica aquele que respondesse legalmente à pergunta solicitada. Caso Jesus desse uma resposta afirmativa, ele seria condenado pela autoridade romana como executor de uma sentença de morte, à qual não tinha direito; e, portanto seria punido como um assassino. Caso sua resposta fosse negativa, Jesus seria condenado como quem despreza a lei pátria e seu desprestígio seria máximo entre os judeus ortodoxos, com uma reputação totalmente negativa que o aniquilava como mestre em Israel.


Por isso, como bom Mestre, Jesus nada responde e se inclina para escrever no chão como quem desenha letras sem sentido na terra. Ele se desentende de um problema que não é seu e que não tem por que responder, pois ele não tinha testemunhado o adultério e não era juiz no caso, que como caso de morte seria o sinédrio quem o julgaria. Eram as testemunhas que deviam atuar através da denúncia ao juiz e atirando as primeiras pedras, para que o povo respondesse e assim evitar o mal que do contrário, contaminaria todo o povo (Dt 22, 22). È costume entre os árabes fazer traços com o dedo quando o que estão escutando não é de seu interesse. É possível que Jesus atuasse em consonância com esta última suposição. Por isso os acusadores insistem.


Para entendermos a resposta de Jesus, devemos buscar precedentes na tradição e na Lei. Já disse que são as testemunhas que deveriam ser as primeiras pessoas a atirar as pedras que deviam ser dirigidas ao coração da vítima para acabar de imediato com sua vida. Quem estiver sem pecado entre vós atire a primeira pedra. Pela resposta de Jesus e venho que naquele tempo os homens adúlteros eram tantos que se deixou de aplicar a lei. E então, suas atitudes estavam em confronto com a posição do Mestre: O sem pecado entre vós seja o primeiro a lhe atirar a pedra. Ninguém esperava esta resposta que respeita a lei e não é um mandato, mas um aviso e uma lição.


Meu irmão minha irmã, nós que gostamos de julgar e condenar os outros por pouco que façam de errado. Não podemos e nem temos o direito de julgar e condenar se somos culpados do mesmo delito. Veja que os mestres da lei atacaram a Jesus com a lei. Mas Ele os contra-ataca com a consciência, que é a lei suprema para todo homem em particular. O que aconteceu ontem se repete em nossos dias. Que aconteceu dentro da consciência dos acusadores? Por que começaram a desfilar, a começar pelos mais velhos? Eles ficaram com a consciência pesada de tantos pecados e por isso fora saindo um por um. Os mais velhos foram os primeiros. Efetivamente os jovens são como discos novos em que o pecado inicia seu caminho de vício e raia com a ação repetitiva a consciência do indivíduo. Os mais velhos não são mais pecadores, mas os que acumulam maior número de pecados. Os mais velhos entenderam por experiência que agora eram eles, as testemunhas, as que passavam de declarantes a juizes e o processo e a condenação estava transferido de Jesus a eles mesmos. Jesus não poderia ser incriminado nem pela relaxação da lei de Moisés, nem pela execução de uma pessoa que a lei romana não permitia na época.


A morte da adúltera não era o motivo principal da denúncia, pois o que pretendiam era a implicação de Jesus na morte da mesma. Faltando este último, o teatro urdido desmoronava como um castelo de cartas.


Falando do perdão S Agostinho, diz que no fim duas pessoas estavam presentes na cena: a miséria e a misericórdia. Se ninguém a condenava, Jesus tampouco a condena. A lei divina foi transformada por esta sentença: sempre que o arrependimento seja sincero e o acompanhe o propósito de não pecar mais, o perdão será absoluto O passado é apagado e o futuro só depende do presente e das disposições do momento. A memória servirá para enaltecer a bondade de Deus que perdoa, sem exigir compensações e reditos pelo passado.


É assim que Deus faz conosco quando erramos e Jesus nos ensina a fazer quando os nossos nos ofendem. Portanto, a sabedoria de Jesus dá um xeque-mate a quem pensava tê-lo apanhado. E é precisamente por meio de uma consciência que aparentemente não funcionava que os mais velhos reconhecem seu erro e retiram sua denúncia. Como está a tua consciência quando censuras o teu marido, esposa, filho, filha, pais, vizinho, colega, funcionário ou qualquer um com quem te encontras pelo caminho pelos mesmos delitos que nós usualmente cometemos e talvez até mais graves do que os que consegues enxergar dos outros? Lembro-te que muitas falhas erros que os outros cometem teriam solução na tua casa se nós os assumíssemos como nossos e nos empenhássemos a resolve-los. Até porque neles somente os contemplamos para criticá-los e não para ajuda na solução. Verdade ou mentira?


Levante os olhos e veja que o perdão divino é mais amplo do que nós geralmente acreditamos. Só exige que tenhamos a vontade de não optar mais pelo mal. Pare de olhar para o pecado do outro e de formular um juízo de condenação, pois os teus são maior do que os do outro. A única diferença é que os teus são invisível e dificilmente os vês com os teus olhos ao passo que os dos outros consegues ver. Mas se te colocas no lugar do outro e te propões a ajudar para que o outro se levante e caminhe. Terás ganhado o seu irmão e tu terás a tua recompensa nos céus.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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quarta-feira, 30 de março de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 7,1-2.10.25-30 - 01.04.2022

Liturgia Diária


1 – SEXTA-FEIRA  

4ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo – ofício do dia da 4ª semana do saltério)



Salvai-me, ó Deus, por vosso nome, libertai-me por vosso poder. Deus, ouvi a minha oração, escutai as palavras que vos digo (Sl 53,3s).


Por suas atitudes alicerçadas na justiça, o justo é perseguido. Justo por excelência é Jesus, que pôs no Pai toda a confiança, certo de que “muitos males se abatem sobre os justos, mas o Senhor de todos eles os liberta”.


Evangelho: João 7,1-2.10.25-30


Glória a Cristo, imagem do Pai, / a plena verdade nos comunicai!


O homem não vive somente de pão, / mas de toda palavra da boca de Deus (Mt 4,4). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 1Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judeia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente, mas sim como que às escondidas. 25Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: “Não é este a quem procuram matar? 26Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27Mas este nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é”. 28Em alta voz, Jesus ensinava no templo, dizendo: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou”. 30Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 7,1-2.10.25-30

«Ninguém lhe deitou as mãos, porque ainda não era chegada a sua hora»


Fr. Matthew J. ALBRIGHT

(Andover, Ohio, Estados Unidos)

Hoje, o Evangelho permite-nos contemplar a confusão que surgiu quanto à identidade e missão de Jesus Cristo. Quando nos pomos cara a cara com Jesus, há mal-entendidos e conjecturas acerca de quem Ele é, como se cumprem n’Ele, ou não, as profecias do Antigo Testamento e sobre o que Ele fará. As suposições e os preconceitos conduzem à frustração e à ira. Isto sempre foi assim: a confusão à volta de Cristo e dos ensinamentos da Igreja desperta sempre controvérsia e divisões religiosas. O rebanho dispersa-se se as ovelhas não reconhecem o seu pastor!


As pessoas dizem: «Este nós sabemos de onde vem. Do Cristo, porém, quando vier, ninguém saberá de onde seja» (Jo 7,27), e concluem que Jesus não pode ser o Messias porque Ele não corresponde à imagem de “Messias” em que tinham sido instruídos. Por outro lado, sabem que os Príncipes dos Sacerdotes O querem matar, mas ao mesmo tempo vêem que Ele se movimenta livremente sem ser preso. De modo que se perguntam se talvez as autoridades «terão reconhecido verdadeiramente que este é o Cristo» (Jo 7,26).


Jesus atalha a confusão identificando-se a si próprio como o enviado por Ele que é “verdadeiro” (cf. Jo 7,28). Cristo tem consciência da situação, tal como João a retrata, e ninguém lhe deita a mão porque ainda não tinha chegado a hora de revelar plenamente a sua identidade e missão. Jesus desafia as expectativas ao mostrar-se, não como um líder conquistador para derrotar a opressão romana, mas como o “Servo Sofredor” de Isaías.


O Papa Francisco escreveu: «A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira dos que se encontram com Jesus». É urgente que ajudemos os outros a irem mais além das suposições e dos preconceitos sobre quem é Jesus e o que é a Igreja, e ao mesmo tempo facilitar-lhes o encontro com Jesus. Quando uma pessoa consegue saber quem é realmente Jesus, então abundam a alegria e a paz.


Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Muitas vezes, procurar Jesus é uma coisa boa porque é a mesma coisa que procurar a Palavra, a verdade e a sabedoria. Enquanto mantivermos a semente da verdade depositada na nossa alma, e os mandamentos, a Palavra não se afastará de nós» (Orígenes)


«A liberdade nem sempre é poder fazer o que se quer: isto torna-nos fechados, distantes e impede-nos de ser amigos abertos e sinceros. A liberdade é o dom de se poder escolher o bem: isto sim é liberdade» (Francisco)


«Jesus, como antes d'Ele os profetas, professou pelo templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Ali foi apresentado por José e Maria, quarenta dias depois do seu nascimento. Na idade de doze anos, decidiu ficar no templo para lembrar aos seus pais que tinha de Se ocupar das coisas de seu Pai. Ao templo subiu todos os anos, ao menos pela Páscoa, durante a vida oculta. O seu próprio ministério público foi ritmado pelas peregrinações a Jerusalém nas grandes festas judaicas» (Catecismo da Igreja Católica, nº 583)


Outros comentários

«Mas ninguém lhe pôs as mãos, porque ainda não tinha chegado a sua hora»


+ Rev. D. Josep VALL i Mundó

(Barcelona, Espanha)

Hoje, o evangelista João diz-nos que a Jesus «não tinha chegado a sua hora» (Jo 7,30). Refere-se à hora da Cruz, no preciso e precioso momento de dar-se pelos pecados de toda a Humanidade. Ainda não tinha chegado a sua hora, mas estava muito próxima. Será na Sexta-feira Santa quando o Senhor levará até ao fim a vontade do pai Celestial e sentirá —como escrevia o Cardeal Wojtyla— todo «o peso daquela hora na qual o servo de Yahvé deverá cumprir a profecia de Isaías, pronunciando o seu “sim”».


Cristo —no seu constante desejo sacerdotal— fala muitíssimas vezes desta hora definitiva e determinante (Mt 26,45; Mc 14,35; Lc 22,53; Jo 7,30; 12,27; 17,1). Toda a vida do Senhor será dominada por uma hora suprema e irá desejá-la com todo o seu coração: «Um batismo eu devo receber, e como estou ansioso até que isto se cumpra!» (Lc 12,50). E «na véspera da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, a hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1). Naquela sexta-feira, o nosso Redentor entregará o seu espírito nas mãos do Pai, e desde esse momento a sua missão, já cumprida, passará a ser a missão da Igreja e de todos os seus membros, animados pelo Espírito Santo.


A partir da hora de Getsemaní, da morte do Senhor na Cruz e da Ressurreição, a vida começada por Jesus «guia toda a História» (Catecismo da Igreja n.1165). A vida, o trabalho, a oração, a entrega de Cristo torna-se presente agora na sua Igreja: é também a hora do Corpo do Senhor; da sua hora advém a nossa hora, a de o acompanhar na oração de Getsemaní, «sempre despertos —como afirma Pascal— apoiando-o na sua agonia, até ao final dos tempos». É a hora de agir como membros vivos de Cristo. Por isso, «tal como a Páscoa de Jesus, acontecida “uma vez por todas” permanece sempre atual, da mesma forma a oração da Hora de Jesus continua sempre presente na Liturgia da sua Igreja» (Catecismo da Igreja n. 2746).

Fonte - https://evangeli.net/


QUERIAM PRENDER JESUS Jo 7,1-2.10.25-30

HOMILIA


No Evangelho de hoje João mostra-nos como diferentemente do que os sinóticos fazem o grande destaque ao conflito entre Jesus e os judeus em geral. Pois naqueles, Jesus se restringe aos dirigentes, fariseus, escribas e sacerdotes. A razão será porque este evangelho tem como base a comunidade cristã samaritana? Talvez sim, mas talvez não. Estamos diante da expressão do tradicional conflito entre Israel, reino do norte, e Judá, reino davídico do sul. O messias esperado pelo judaísmo seria um líder que conquistaria a liberdade nacional dos judeus e imporia ao mundo sua religião. Portanto, trata-se de uma salvação que atingirá a todos os homens e mulheres do mundo inteiro já que os destinatários da salvação o rejeitam.


A atividade de Jesus denuncia o agir perverso da sociedade, e por isso provoca ódio. Os parentes de Jesus pensam no sucesso. As autoridades o procuram, vendo nele um perigo. E o povo expressa opiniões diversas a respeito dele: uns o julgam a partir das obras que ele realiza, e outros a partir de leis e estruturas estabelecidas. Assim a presença de Jesus é sinal de contradição que vai revelando a face das pessoas.


Os chefes religiosos do templo e das sinagogas rejeitavam o messianismo de Jesus e procuravam e tentam prender matá-lo. Pois para eles é uma ameaça. E no meio do povo a divisão continua: o tema da discussão é sobre a origem do Messias. Uns não aceitam Jesus, baseados numa tradição teórica sobre a origem do Messias. Outros que já são muitos, acreditam que Jesus é o Messias, porque prestam atenção na sua prática libertadora e vêem nisso sinal da presença de Deus.


Jesus, descartando qualquer aspiração ao poder, revela-se como o enviado que comunica a verdadeira vida vinda do Seu Pai. Desafiando-lhes diz: Será que vocês me conhecem mesmo e sabem de onde eu sou? Eu não vim por minha própria conta. Aquele que me enviou é verdadeiro, porém vocês não o conhecem. Mas eu o conheço porque venho dele e fui mandado por ele.


Assim Jesus mostra o verdadeiro critério para reconhecer o Messias: não é o lugar de sua origem, mas o fato de Ele ser o enviado de Deus, cuja atividade deve ser reconhecida pelas obras que faz.


Depois de tudo o que você ouviu, viu e leu e tocou sobre o Verbo Divino feito homem para a tua salvação, que critérios estabeleces para reconhecer Jesus.


Pai ajuda-me a acolher, sem preconceitos, a revelação de Jesus, pois sua identidade messiânica de Filho de Deus transparece nas palavras e nos sinais que Ele realizou.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/

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