quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 6,41-51 - 12.08.2018

Liturgia Diária

DIA 12 – DOMINGO   
19º DO TEMPO COMUM

(verde – 3ª semana do saltério)

A liturgia nos reúne em torno de Jesus, pão descido do céu. Sempre solidário a nós no longo caminho que temos a percorrer, o Senhor quer nos alimentar com o pão da imortalidade que é ele próprio. A Eucaristia é a oblação e o sacrifício que formam em nós um coração de filhos e filhas dispostos a viver no amor e superar toda forma de desunião. Celebremos em comunhão com as famílias e, especialmente, com os pais neste seu dia.

Evangelho: João 6,41-51

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João

– Naquele tempo, 41os judeus começaram a murmurar a respeito de Jesus, porque havia dito: “Eu sou o pão que desceu do céu”. 42Eles comentavam: “Não é este Jesus o filho de José? Não conhecemos seu pai e sua mãe? Como então pode dizer que desceu do céu?” 43Jesus respondeu: “Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai e por ele foi instruído vem a mim. 46Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade vos digo, quem crê possui a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram. 50Eis aqui o pão que desce do céu: quem dele comer nunca morrerá. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo”.

– Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 6,41-51
«Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrair»

Fray Lluc TORCAL Monje del Monastério de Sta. Mª de Poblet
(Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)

Hoje, o Evangelho apresenta o desconcerto que a presença de Jesus causou em seus compatriotas: «Este não é Jesus, o filho de José? Não conhecemos nós o seu pai e a sua mãe? Como pode, então, dizer que desceu do céu?» (Jo 6, 42). A vida de Jesus entre os seus foi tão normal que, ao começar a Proclamação do Reino, aqueles que O conheciam se escandalizaram do que então lhes dizia.

De que Pai lhes falava Jesus que ninguém havia visto? Que pão descido do céu era esse que aqueles que o comessem viveriam para sempre? Ele negava que fosse o maná do deserto porque, os que o comeram, morreram. «E o pão que eu darei é a minha carne, entregue pela vida do mundo» (Jo 6, 51). Sua carne poderia ser um alimento para nós? O desconcerto que Jesus provocava entre os judeus pode também se dar entre nós se nós não nos respondermos a uma pergunta central para nossa vida cristã: Quem é Jesus?

Muitos homens e mulheres, antes que nós, se fizeram esta pergunta, a responderam de uma forma pessoal, foram a Jesus, O seguiram e agora desfrutam de uma vida sem fim e plena de amor. E aos que vão a Jesus, Ele os ressuscitará no último dia (cf. Jo 6, 44). João Cassiano exortava seus monges dizendo-lhes: «‘Aproximai-vos a Deus, e Deus se aproximará de vós’, porque ‘ninguém pode ir a Jesus se o Pai que O enviou não o atrai’ (...). No Evangelho escutamos ao Senhor que nos convida a ir até Ele: ‘Vinde a Mim todos os que estais cansados e esgotados, e eu os farei repousar’». Acolhamos a Palavra do Evangelho que nos aproxima a Jesus cada dia; acolhamos o convite do próprio Evangelho de entrar em comunhão com Ele comendo sua carne, porque «este é o verdadeiro alimento, a carne de Cristo, o qual, sendo a Palavra, fez-se carne para nós» (Orígenes).

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O PÃO DA VIDA Jo 6,41-51
HOMILIA

“Eu sou o pão da vida.” Esta afirmação é categórica, direta e conclusiva. Usando de uma metáfora, baseada no Antigo Testamento, quando os Hebreus estavam no Deserto e Deus os alimentava com o maná vindo do céu, Jesus encerra qualquer dúvida quanto à fonte da vida: Ele próprio é o que dá vida.

O pão na época era um dos alimentos mais importantes e consumidos, e até hoje ainda é, e por isso usado como referencial, mas trata-se de qualquer alimento. Ora, se o que eles estavam acostumados era o que os alimentava, que dava força para o trabalho, logo o pão era imprescindível para o sustento do corpo. Jesus, entretanto, não se referiu ao corpo físico, Ele era o que alimentava a vida, o que é a vida se não nossas ações, nosso coração, nossas intenções? Jesus queria ser alimento nestes aspectos. Quantas vezes procuramos saciar nossa fome de alegria, de amor, de paz, e buscamos em tantos lugares, quando que só podemos ser saciados com Jesus. Ele é o único que dá vida em abundância, com Ele nunca teremos fome ou sede, mas é fome de paz, amor, alegria, justiça, verdade.

Jesus sabia que o povo estava atrás dele por causa do milagre dos pães. Sabia também que queriam fazê-lo rei, mas o seu reino não é deste mundo, e o que ele lhes propõe é que trabalhem pelo alimento que permanece para a vida eterna. Este trabalho é a obra de Deus, a evangelização que Jesus realiza e que nós devemos continuar. Este trabalho consiste em fazer a vontade do Pai, Consiste em dar vida, para salvar este mundo do pecado para que todos, de preferência, mereçam um dia a vida eterna. Aqueles homens ainda incrédulos e apegados às suas tradições, pedem, exigindo que Jesus faça milagres, sinais espetaculares, como os milagres de Moisés com o maná no deserto. Contudo, esta tradição do maná (“pão”) caído do céu está superada. O maná, assim como o nosso feijão com arroz de hoje, é alimento para um só dia, e não salva ninguém da morte. Todos os que comeram o maná, vieram a morrer mais tarde. O que nós precisamos fazer, segundo a explicação de Jesus hoje, é buscar o verdadeiro pão caído do céu que é Jesus, aquele que se fez alimento para a nossa salvação e que nos foi dado pelo Pai, porque esse é o alimento que permanece para a vida eterna, esse é o alimento que nos guarda para a vida eterna. “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue terá a vida eterna” “Quem come a minha carne viverá em mim e eu nele”

É esse o alimento que devemos procurar com todas as nossas forças e com todo o nosso empenho, pois é ele que vai nos fazer merecedores da vida no paraíso preparado para nós por Deus Pai.

É importante que estejamos preparados para receber este alimento da nossa alma, procurando praticar os ensinamentos de Cristo, e evitando o pecado. Na verdade, nunca estamos merecendo receber o corpo e o sangue de Cristo. O máximo que conseguimos é ficar menos indignos para comungar. Por isso é sempre indispensável um exame de nossa consciência antes de nos levantar do banco e entrar na fila da comunhão. Pois para receber o Pão da vida é preciso estar em estado de graça, e se não estiver, será preciso fazer uma confissão. Caso contrário, receber a hóstia consagrada indignamente é comer a nossa própria condenação. Por isso é preferível não comungar naquela missa, e depois procurar um sacerdote, para que na próxima missa estejamos na fila da comunhão com a consciência tranqüila.

Na carta de Paulo aos efésios, nós vimos que aquele que crê em Jesus é transformado num homem novo, criado à imagem de Deus, na verdadeira justiça e santidade. Pois é o próprio Jesus que nos garante: ” Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede.”

O pão descido do céu é Jesus concebido no ventre de Maria, e que viveu, cerca de trinta anos, uma vida comum na sua cidade de origem; e, depois, cerca de três anos, em contato com as multidões revelando-lhes o Pai que o enviou. Doando-se a fim de comunicar a vida, consagrou-se à libertação de todos das opressões e da morte, levando a esperança de um mundo novo, pela prática do amor. Ser atraído por Jesus e crer nele é segui-lo, na adesão concreta ao projeto de Deus. Alimentar-se de Jesus é contemplá-lo e seguir seus passos, como na prefiguração de Elias. Na bondade, na compaixão e no perdão, na fraternidade comunitária e na solidariedade social, na busca da justiça e da paz, entra-se em comunhão com Jesus, pão da vida eterna.

Espírito de docilidade ao Pai, reforça minha disposição para acolher os ensinamentos divinos e colocar-me, resolutamente, na busca do Ressuscitado.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/


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terça-feira, 7 de agosto de 2018

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 17,14-20 - 11.08.2018

Liturgia Diária

DIA 11 – SÁBADO   
SANTA CLARA – VIRGEM E FUNDADORA

(branco – ofício da memória)

Clara (Itália, 1193-1253) foi a primeira mulher que se entusiasmou pelo ideal de Francisco de Assis. Fundou com ele a segunda ordem franciscana, as Clarissas, e soube transformar longos anos de enfermidade em apostolado fecundo. Celebrando a padroeira da comunicação televisiva, rezemos por todos os que atuam nesta área.

Evangelho: Mateus 17,14-20

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

– 14Naquele tempo, chegando Jesus e seus discípulos junto da multidão, um homem aproximou-se de Jesus, ajoelhou-se e disse: 15“Senhor, tem piedade do meu filho. Ele é epilético e sofre ataques tão fortes, que muitas vezes cai no fogo ou na água. 16Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!” 17Jesus respondeu: “Ó gente sem fé e perversa! Até quando deverei ficar convosco? Até quando vos suportarei? Trazei aqui o menino”. 18Então Jesus o ameaçou e o demônio saiu dele. Na mesma hora, o menino ficou curado. 19Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: “Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?” 20Jesus respondeu: “Porque a vossa fé é demasiado pequena. Em verdade vos digo, se vós tiverdes fé do tamanho de uma semente de mostarda, direis a esta montanha: ‘Vai daqui para lá’, e ela irá. E nada vos será impossível”.

– Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Mateus 17,14-20
«Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda (...) nada vos será impossível»

Rev. D. Fidel CATALÁN i Catalán
(Terrassa, Barcelona, Espanha)

Hoje, uma vez mais, Jesus dá a entender que a medida dos milagres é a medida de nossa fé: «Eu vos asseguro: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: Vai daqui para lá, e ela irá» (Mt 17,20). De fato, como fazem notar São Jerônimo e Santo Agostinho, na obra de nossa santidade (algo que claramente supera as nossas forças) se realiza esse deslocar-se o monte. Por tanto, os milagres aí estão e, se não vemos mais é porque não lhe permitimos os fazer por nossa pouca fé.

Ante uma situação desconcertante e para todos incompreensível, o ser humano reage de diversas maneiras. A epilepsia era considerada como uma doença incurável e que sofriam as pessoas que se encontravam possuídas por algum espírito maligno.

O pai daquela criatura expressa seu amor para o filho buscando sua cura integral, e vai a Jesus. Sua ação é mostrada como um verdadeiro ato de fé. Ele se ajoelha ante Jesus e o impreca diretamente com a convicção interior de que sua petição será escutada favoravelmente. A maneira de expressar a demanda mostra, ao mesmo tempo, a aceitação de sua condição e, o reconhecimento da misericórdia Daquele que pode sentir compaixão dos outros.

Aquele pai menciona o fato de que os discípulos não puderam jogar àquele demônio. Esse elemento introduz a instrução de Jesus fazendo notar a pouca fé dos discípulos. Segui-lo a Ele, se fazer discípulo, colaborar em sua missão pede uma fé profunda e bem fundamentada, capaz de suportar adversidades, contratempos, dificuldades e incompreensões. Uma fé que é efetiva porque está solidamente enraizada. Em outros fragmentos evangélicos, Jesus Cristo mesmo lamenta a falta de fé de seus seguidores. A expressão «nada vos será impossível» (Mt 17,20) expressa com toda a força a importância da fé no seguimento do Mestre.

A Palavra de Deus põe na nossa frente a reflexão sobre a qualidade de nossa fé e, a maneira como a aprofundamos e, nos lembra aquela atitude do pai de família que se aproxima a Jesus e lhe roga com a profundidade do amor de seu coração.

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UMA FÉ APERFEIÇOADA Mt 17,14-20
HOMILIA

Estamos diante de um texto que nos revela o quanto é importante ter fé. Em Mateus encontramos muitas passagens em que Jesus insistentemente fala da necessidade de ter fé para operar curas e milagres.

Os apóstolos não tinham fé? Nós dizemos: Claro que tinham! Eles acreditavam em Jesus, acreditavam que ele era o filho de Deus, acreditavam que Jesus curava, acreditavam que ele expulsava o demônio. Eles acreditavam que o poder de Deus estava em Jesus.

A fé é um dom de Deus, é um posicionamento espiritual através do qual nosso espírito e alma se alinham em harmonia, em adoração, em honra, temor, respeito e amor para com Deus. É o meio pelo qual nos relacionamos com Deus e dizemos a todos que estamos posicionados ao lado de Deus, negando e rejeitando todos os princípios de Satanás. É também o modo pelo qual proclamamos ao céu e à terra, diante de anjos e diante de homens, que Jesus Cristo é Senhor absoluto sobre nossas vidas, aceitando deste modo tudo o que o Filho nos ensina a respeito do Pai e, consequentemente, rejeitando todas as mentiras que Satanás diz a respeito de Deus.

A fé é o meio, o único meio, a fim de que possamos escapar da ira vindoura, pois Deus, o Criador, está prestes a falar ao mundo em grande ira, tomando vingança contra todas as maldades praticadas pelos filhos dos homens ao longo de toda a história.

A fé não é igual em todos. Não é verdade que o homem já nasça com fé. A fé é concedida ao homem por Deus. E um dos trechos bíblicos que evidencia isto é o seguinte: “Finalmente, irmãos, orai por nós, para que a palavra do Senhor se propague e seja glorificada, como também está acontecendo entre vós; e para que sejamos livres dos homens perversos e maus; porque a fé não é de todos.” (2 Tessalonicenses 3:1,2)

Ora, se a fé não é de todos, como afirmam as Escrituras, como dizer que os homens nascem com fé, como afirmam alguns? Em suas próprias palavras, o Senhor Jesus Cristo nos mostra como há diferenças entre fé e fé.

Isto nos mostra que não somente podemos como também devemos buscar o aperfeiçoamento da nossa fé, o que se dá através da aceitação submissa da vontade de Deus, em momento algum nos permitindo colocar em resistência diante da vontade de Deus, mas à semelhança de Abraão, dar ao Senhor seja lá o que for que Ele nos solicite. E isto quer o compreendamos ou não, pois a fé está acima da lógica, é superior à razão e por mais poderoso que seja o intelecto humano, a fé não é por ele acessível. A fé se encontra no território espiritual, nesse mesmo território onde Deus habita. A fé transcende a razão, pois é superior a ela, pois ninguém pode conhecer a Deus pela capacidade humana, mas tão somente pela fé.

Há, ainda, os que não possuem fé alguma, são indigentes espirituais, autênticos desgraçados, os quais permanecerão na vaidade de seus próprios pensamentos e concatenações mentais, julgando-se sábios, mas esquecendo-se de seus próprios pecados e não podendo atentar para a monstruosidade de sua incredulidade.

Peçamos hoje uma fé aperfeiçoada: Senhor, envia sobre nós o teu Espírito Santo! Pedimos que suscites em nós uma fé constante em meio às provações que enfrentamos. E que esta fé, mediante a tua Unção em nós, seja levada a perfeição.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/


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LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 12,24-26 - 10.08.2018

Liturgia Diária

DIA 10 – SEXTA-FEIRA   
SÃO LOURENÇO – DIÁCONO E MÁRTIR

(vermelho – ofício da festa)

Lourenço (Espanha – Itália, séc. 3º), padroeiro dos diáconos, viveu profundamente a fé e dela deu testemunho com ousadia. Tinha os pobres na conta de verdadeiros tesouros da Igreja e foi a eles que distribuiu os bens da comunidade de Roma, o que despertou a ira do imperador. Assim, seguindo o ensinamento de Cristo sobre o desapego da própria vida, recebeu a coroa do martírio e preservou a vida eterna.

Evangelho: João 12,24-26

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo João

– Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 24“Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas, se morre, então produz muito fruto. 25Quem se apega à sua vida perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. 26Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará”.

– Palavra da salvação.

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Reflexão - Evangelho: João 12,24-26
«Se alguém quer me servir, siga-me, e onde eu estiver, estará também aquele que me serve»

Rev. D. Antoni CAROL i Hostench
(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, a Igreja por meio da Liturgia Eucarística que celebra o mártir romano São Lourenço nos lembra que «Existe um testemunho de coerência que todos os cristãos devem estar dispostos a dar cada dia, inclusive a custa de sofrimentos e de grandes sacrifícios» (S. João Paulo II).

A Lei Moral é santa e inviolável. Esta afirmação, certamente, contrasta com o ambiente relativista que impera em nossos dias, onde com facilidade cada um adapta as exigências éticas à própria comodidade pessoal ou às suas próprias debilidades. Não encontraremos ninguém que diga: Eu sou imoral; Eu sou um inconsciente; Eu sou uma pessoa sem verdade... Qualquer pessoa que dissesse isso se desqualificaria a si mesma imediatamente.

Mas a pergunta relevante seria: de que moral, de que consciência e de que verdade estamos falando? É evidente que a paz e a sadia convivência sociais não se podem basear em uma moral à la carte, onde cada um tira conforme lhe pareça, sem levar em conta as inclinações e as aspirações que o Criador dispôs para nossa natureza. Esta moral, longe de nos conduzir por «caminhos seguros» para os «verdes prados» que o Bom Pastor deseja para nós (cf. Sal 23, 1-3), nos levaria irremediavelmente às areias movediças do relativismo moral, onde absolutamente tudo se pode pactuar e justificar.

Os mártires são testemunhas inapeláveis da santidade da lei moral: há exigências de amor básicas que não admitem nunca exceções nem adaptações. De fato, «Na Nova Aliança encontram-se numerosas testemunhas de seguidores de Cristo que (...) aceitaram as perseguições e a morte antes de fazer o gesto idólatra de queimar incenso diante a estátua do Imperador (S. João Paulo II).

No ambiente da Roma do imperador Valeriano, o diácono «São Lourenço amou a Cristo na vida, imitou a Cristo na morte» (Santo Agostinho). E, uma vez mais, cumpriu-se que «quem não faz conta de sua vida neste mundo, há de guardá-la para a vida eterna» (Jo 12, 25). Felizmente para nós, a memória de São Lourenço, ficará para sempre, como sinal de que o seguimento de Cristo merece que se dê a própria vida e, não admitir frívolas interpretações do seu caminho.

© evangeli.net Associació Cultural M&M Euroeditors


O GRÃO DE TRIGO DEVE MORRER Jo 12,24-26
HOMILIA

A palavra de Jesus é o grão de trigo lançado à terra, que nasce, cresce e dá muito fruto. A palavra de Jesus é recebida por nós, em nosso coração. Ali ela nasce, cresce e nos faz adultos conscientes e prontos a produzir muitos frutos na seara do Senhor. Quando amadurecemos na palavra de Deus, conseguimos algo até inexplicável, que só com Ele conseguimos. E, mesmo nos amando muito a nós mesmos, conseguimos esquecer-nos e praticarmos ações tão altruístas, que só na ação do Espírito Santo é possível. É isso que Jesus nos quer dizer quando fala: “aquele que se ama perde-se e aquele que despreza a si mesmo neste mundo, assegura para si a Vida Eterna“. Como instrumentos de Deus, conseguimos amar mais ao próximo do que a nós mesmos, como Jesus fez, dando a própria vida para nos salvar. São João , em sua primeira carta nos fala: “Aquele que diz que ama a Deus que não vê e não ama o seu irmão que vê , é mentiroso.. Se alguém tiver bens neste mundo e vir seu irmão passando necessidades e lhe fechar as entranhas, como habitará nele o amor de Deus?”


Precisamos orar muito a Deus, para que nos conceda o dom do entendimento, do discernimento, para que sempre compreendamos, através do Seu Espírito Santo, as mensagens que Ele nos envia, solicitando a nossa participação no seu plano de salvação. Para São João “quem confessa que Jesus é o filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus.” Que bom, que graça, quando entendemos todo esse mistério na relação de Deus com a humanidade inteira, sem dúvidas, sem questionamentos! Que muito bom, quando o Espírito de Deus nos aquece com seu amor, repousando no nosso coração, porque O acolhemos e O aceitamos, esquecendo-nos de nós mesmos e atendendo ao nosso irmão que tanto está precisando de algo e de algumas palavras com esse amor; sendo atencioso e ouvindo-o em seus lamentos e dúvidas.

A cada gesto desses, somos admirados pelo Senhor. Ainda mais no mundo complicado e injusto em que hoje vivemos. Onde o mal prolifera e arrasta-se em todas as camadas sociais, transformando e transtornando gente, corrompendo e deixando-as indignas e por isso infelizes; porque Deus quando nos criou, o Seu Plano era de que fôssemos íntegros, felizes e imortais, dentro do Paraíso. Porém, o pecado entrou no mundo e nos fere e nos mata para Deus, quando nos afastamos do seu amor e da sua Graça, embora Ele continue sempre nos amando, aguardando, minuto a minuto, que consigamos reencontrar o seu caminho da Felicidade Verdadeira. Acreditamos nas palavras de Jesus, pois a morte não é o último ato isolado da existência, mas é o termo de uma vida devotada ao amor.

Apegar-se à vida é querer afirmá-la em conformidade com os critérios da ideologia de sucesso deste mundo sob controle dos poderosos, agentes da morte lenta ou violenta. Guardar a vida na vida eterna supõe

o desprezo desta ideologia de sucesso e poder, que impõe a submissão pelo temor. Quem não teme a própria morte está livre para colocar-se totalmente a serviço da vida. O seguimento de Jesus se faz com o dom total de si mesmo, a favor da vida.

Senhor Jesus, a vida jorrou abundante de tua fidelidade até à morte de cruz. Possa eu beneficiar-me desta plenitude de vida.

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LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 16,13-23 - 09.08.2018

Liturgia Diária

DIA 9 – QUINTA-FEIRA   
18ª SEMANA COMUM

(verde – ofício do dia)

Deus renova sempre sua aliança e a imprime no coração de cada um que aceita sua proposta. Sobre a fé professada por Pedro, Jesus edifica a Igreja, na qual ingressamos no dia do nosso batismo.

Evangelho: Mateus 16,13-23

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

– Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” 14Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros, ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. 15Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” 16Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. 17Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. 20Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias. 21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

– Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Mateus 16,13-23
«Não tens em mente as coisas de Deus, e sim, as dos homens!»

Rev. D. Joaquim MESEGUER García
(Sant Quirze del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje Jesus proclama afortunado a Pedro pela sua acertada declaração de fé: «Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo’. Jesus então declarou: ‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu’» (Mt 16,16-17). Nesta saudação Jesus promete a Pedro o primado da sua Igreja; mas pouco depois faz-lhe uma reconvenção por lhe ter manifestado uma ideia demasiado humana e errada do Messias: «Então Pedro o chamou de lado e começou a censurá-lo: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!». Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: «Vai para trás de mim, satanás! Tu estás sendo para mim uma pedra de tropeço, pois não tens em mente as coisas de Deus, e sim, as dos homens!» (Mt 16,22-23).

Devemos agradecer aos evangelistas o fato de nos terem apresentado os primeiros discípulos de Jesus tal como eram: não como personagens idealizados, mas como gente de carne e osso, como nós, com as suas virtudes e os seus defeitos; esta circunstância aproxima-os de nós e ajuda-nos a ver que o aperfeiçoamento na vida cristã é um caminho que todos devemos fazer, pois ninguém nasce ensinado.

Dado que já sabemos como foi a história, aceitamos que Jesus Cristo tenha sido o Messias sofredor, profetizado por Isaías e tenha entregue a sua vida na cruz. O que mais nos custa aceitar é que tenhamos de manter presente a sua obra a través do mesmo caminho de entrega, renuncia e sacrifício. Imbuídos como estamos numa sociedade que pugna pelo êxito rápido, por aprender sem esforço e de modo divertido, e por conseguir o máximo aproveitamento com o mínimo de trabalho, é fácil acabarmos vendo as coisas mais como os homens do que como Deus. Uma vez recebido o Espírito Santo, Pedro aprendeu por onde passava o caminho que devia seguir e viveu na esperança. «As tribulações do mundo estão cheias de penas e vazias de prémio; mas as que se padecem por Deus ficam suavizadas com a esperança de um prémio eterno» (Santo Efrén).

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SENHOR TU ÉS O MESSIAS Mt 16,13-23
HOMILIA

Neste Evangelho Pedro foi interpelado por Jesus em duas ocasiões. Na primeira, ele inspirado pelo Espírito Santo fez a proclamação de que Jesus é o Messias o Filho do Deus vivo. Por isso, foi considerado “feliz” e recebeu de Jesus as chaves do reino dos céus e o poder para tudo que ligasse na terra fosse também ligado no céu.
Pedro é estabelecido como fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, aurtoridade de ensinar e de excluir ou introduzir oa homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.
Na segunda ocasião, raciocinando conforme a sua humanidade, Pedro demonstrou a sua fraqueza quando não quis admitir o sofrimento que Jesus teria de passar.
Então, o mesmo Pedro a quem Jesus entregou as chaves do reino dos céus e a quem constituiu como fundamento da Sua Igreja foi mandado para longe Dele, como satanás. Assim nós percebemos que dentro de cada um de nós há o divino e há o humano. Porém, o Senhor conhece o material de que nós somos feitos e, mesmo diante das nossas fraquezas e imperfeições Ele continua a nos confiar a missão de construir o Seu reino aqui na terra. As nossas atitudes às vezes são motivadas pelo Espírito Santo, em outras vezes nos baseamos na nossa própria natureza humana e saímos da sintonia com Deus e o Seu Espírito.
Nesta passagem Pedro cheio do Espirito se mostra um homem de fé, capaz de conduzir o rebanho de Cristo depois de sua ascensão e como podemos perceber Pedro também tocado pelo medo, repreende as palavras do senhor, demonstrando que a humanidade faz parte da Igreja deixada por Jesus
Isto acontece com você também? – Procure recordar algum acontecimento em que você foi dúbio e pergunte ao Espírito Santo como agir agora que você tem consciência disto?- Quem é Jesus para você? – Você já percebeu que tudo quanto você fizer na terra terá repercussão no céu?
Pai, faze-me conhecer a verdadeira identidade de teu Filho Jesus, para que, no exercício da missão que me confiaste, eu possa torná-lo conhecido, de modo correto.

Fonte PADRE BANTU MENDONÇA KATCHIPWI SAYLA


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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 15,21-28 - 08.08.2018

Liturgia Diária

DIA 8 – QUARTA-FEIRA   
SÃO DOMINGOS – PRESBÍTERO E FUNDADOR

(branco – ofício da memória)

Domingos de Gusmão (Espanha, 1170-1221) é, com Francisco de Assis, um dos patriarcas da santidade cristã e um dos grandes reformadores da Igreja do século 13. Respondendo aos desafios do seu tempo, fundou a Ordem dos Frades Pregadores (Dominicanos), pelos quais rezamos nesta celebração.

Evangelho: Mateus 15,21-28

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

– Naquele tempo, 21Jesus retirou-se para a região de Tiro e Sidônia. 22Eis que uma mulher cananeia, vindo daquela região, pôs-se a gritar: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim: minha filha está cruelmente atormentada por um demônio!” 23Mas Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Então, seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram: “Manda embora essa mulher, pois ela vem gritando atrás de nós”. 24Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente às ovelhas perdidas da casa de Israel”. 25Mas a mulher, aproximando-se, prostrou-se diante de Jesus e começou a implorar: “Senhor, socorre-me!” 26Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos para jogá-lo aos cachorrinhos”. 27A mulher insistiu: “É verdade, Senhor; mas os cachorrinhos também comem as migalhas que caem da mesa de seus donos!” 28Diante disso, Jesus lhe disse: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!” E desde aquele momento sua filha ficou curada.

– Palavra da salvação.

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Reflexão - Evangelho: Mateus 15,21-28
«Mulher, grande é tua fé»

Rev. D. Jordi CASTELLET i Sala
(Sant Hipòlit de Voltregà, Barcelona, Espanha)

Hoje, frequentemente, escutamos expressões como já não existe mais fé!, e o dizem pessoas que pedem às nossas comunidades o batismo de seus filhos ou a catequese das crianças ou o sacramento do matrimônio. Essas palavras refletem uma visão negativa do mundo, mostra o convencimento de que em qualquer tempo passado as coisas eram melhores do que agora e que estamos no fim de uma etapa em que não há nada novo a dizer, nem tampouco nada de novo a fazer. Evidentemente são pessoas jovens que, em sua maioria, vêem com certa tristeza que o mundo mudou muito, desde o tempo de seus pais, que talvez vivessem uma fé mais popular, a qual eles não se souberam ajustar. Esta experiência os deixa insatisfeitos e sem capacidade de reação quando, na verdade, quem sabe, não estão às portas de uma nova etapa que deveriam aproveitar.

Esta passagem do Evangelho chama a nossa atenção para aquela mãe Cananéia que pede uma graça para sua filha, reconhecendo em Jesus o Filho de Davi: «Senhor, filho de Davi, tem compaixão de mim: minha filha é cruelmente atormentada por um demônio!» (Mt 15,22). O Mestre é surpreso: «Mulher, grande é tua fé!», e não pode fazer outra coisa senão atuar em favor daquelas pessoas: «Como queres, te seja feito!» (Mt 15,28), ainda que isto não pareça estar em seus planos. Apesar da realidade humana, a graça de Deus sempre se manifesta.

A fé não é patrimônio de uns quantos, nem tampouco é propriedade dos que se creem bons ou dos que o foram, ou de quem tem esta etiqueta social ou eclesial. A ação de Deus precede a ação da Igreja e, o Espírito Santo está atuando já em pessoas que não havíamos suspeitado que nos trouxessem uma mensagem de parte de Deus, uma solicitação em favor dos mais necessitados. Diz São Leão: «Amados meus, a virtude e a sabedoria da fé cristã são o amor a Deus e ao próximo: nada falta a nenhuma obrigação de piedade a quem procura dar culto a Deus e a ajudar a seu irmão».

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UMA FÉ PERSEVERANTE Mt 15,21-28
HOMILIA

Depois de Jesus ter andado a espalhar pela Galiléia junto dos seus a chegada do Reino dos Céus, ele decide-se a ir para terra estrangeira, para a região de Tiro e Sidon que fica ao norte da Galiléia, no atual Líbano, uma terra estrangeira onde a maior parte das pessoas eram não-judias, ao contrário da Galiléia, onde quase todos eram judeus. Uma delas era esta mulher que foi ter com Jesus. Esta mulher, sem nome, o evangelista Marcos chama-a de Síro-Fenícia, Mateus diz que ela é cananéia. Os dois títulos têm o mesmo significado: é uma mulher estrangeira.

Ela tinha uma filha endemoniada. A mãe não sabia mais o que fazer para livrar a pobre coitada daquele sofrimento. O demônio não deixava a menina em paz em nenhum momento. A mãe da menina aproveitou que Jesus estava por ali, chegou e gritou: “Jesus tenha pena de mim! Minha filha está horrivelmente dominada por um demônio!” Ela conhecia Jesus de nome e sabia que Ele era muito bom e tinha poder para mandar embora os demônios. A princípio, Jesus não falou nada nem fez nada. Também não parou de andar para dar atenção à mulher. Mas ela foi atrás dele gritando: “Jesus, tenha pena de mim!” Os amigos de Jesus entenderam o sofrimento daquela mãe e pediram para que o Senhor a mandasse embora. Jesus não mandou a mulher embora, mas fingiu que não iria atender o seu pedido. Para provar a fé daquela mulher, Ele disse que curava gente de seu país, e não gente de outro país.

A mulher movida de uma fé que ultrapassa a dos discípulos grita a Jesus: “Tem compaixão de mim, Senhor, filho de Davi! Minha filha tem uma doença maligna”. Jesus não responde. Os discípulos, incomodados, dizem-lhe: “Manda-a embora, pois vem gritando atrás de nós”.

A mulher, porém, jogou-se aos pés de Jesus: “Senhor, ajuda-me!”. Jesus insiste em não querer envolver-se no caso de uma estrangeira: “Não está certo tirar o pão dos filhos, para jogá-lo aos cachorrinhos”. Ela, porém, apesar de reconhecer que não tem esse direito insiste na sua humilde “súplica”: “É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos”. Então, Jesus respondeu: “Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres”. E, a partir daquela hora, a filha da cananéia ficou curada.

A mulher cananéia é um modelo de súplica humilde, como o centurião de Cafarnaum (Mt 8,5-13), e perseverante, como o cego Bartimeu (Mc 10,46-52). O centro do episódio é Jesus. Ele aparece livre, sereno, firme. No mesmo capítulo 15 de Mateus, Jesus se distancia das tradições dos escribas e fariseus. No episódio da cananéia, ele é pressionado pelos próprios discípulos para que despeça a mulher importuna. Mas Jesus se deixa vencer pela súplica de uma mãe angustiada. Não são os gritos da cananéia que o comovem, mas a perseverança da sua fé. Por ser pagã, ela não teria direito, mas a sua filha foi curada por pura graça. Jesus realiza um gesto soberano e profético, que anuncia o acesso dos pagãos (chamados de “cães”, pelos judeus) à salvação.

A insistência e ousadia da mulher cananéia, fez com que Jesus atendesse seu pedido e com isso provou para todos que em Deus não há diferença entre cultura, cor, raça, credo ou região. Uma grande lição para levarmos para nossas vidas é que precisamos ter uma fé teimosa, insistente, chata, daquelas que chega a incomodar, que não desanima nunca, que não se frustra. Pois assim, quando Deus provar a nossa fé, conseguiremos manter-nos firmes e fiéis. A perseverança da fé dessa mulher deve nortear também a tua. Insista que Jesus vai atender. A promessa é mesmo dele: Batei, e a porta se vos abrirá, buscai e achareis. Exercite sua fé na oração, na reflexão da palavra e no testemunho de sua vida.

Senhor, que eu seja mais sensível ao sofrimento dos pobres desta terra, do que aos “direitos adquiridos” dos sábios e entendidos! Que nas horas em que tu pareces não responder à minha súplica, eu persevere, confiando na tua misericórdia.

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LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Mateus 14,22-36 - 07.08.2018

Liturgia Diária

DIA 7 – TERÇA-FEIRA   
18ª SEMANA COMUM

(verde – ofício do dia)

Do alto céu, Deus olha e denuncia as maldades sem deixar de estender a nós a sua mão compassiva e protetora, a fim de que não afundemos em nossas misérias e dificuldades.

Evangelho: Mateus 14,22-36

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus

– Depois que a multidão comera até saciar-se, 22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar, enquanto ele despediria as multidões. 23Depois de despedi-las, Jesus subiu ao monte para orar a sós. A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho. 24A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário. 25Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar. 26Quando os discípulos o avistaram andando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma”. E gritaram de medo. 27Jesus, porém, logo lhes disse: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” 28Então Pedro lhe disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água”. 29E Jesus respondeu: “Vem!” Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água, em direção a Jesus. 30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!” 31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro e lhe disse: “Homem fraco na fé, por que duvidaste?” 32Assim que subiram na barca, o vento se acalmou. 33Os que estavam na barca prostraram-se diante dele, dizendo: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!” 34Após a travessia, desembarcaram em Genesaré. 35Os habitantes daquele lugar reconheceram Jesus e espalharam a notícia por toda a região. Então levaram a ele todos os doentes; 36e pediam que pudessem ao menos tocar a barra de sua veste. E todos os que a tocaram ficaram curados.

– Palavra da salvação.

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Reflexão - Evangelho: Mateus 14,22-36
«Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água»

Fray Lluc TORCAL Monje del Monastério de Sta. Mª de Poblet
(Santa Maria de Poblet, Tarragona, Espanha)

Hoje não veremos Jesus dormindo na barca enquanto esta se afunda, nem acalmando a tempestade com só uma palavra de interpelação, suscitando assim a admiração dos discípulos (cf. Mt 8, 22-23). Mas a ação de hoje não deixa de ser desconcertante: tanto para os primeiros discípulos como para nós.

Jesus mandou os discípulos subirem na barca e irem para a outra margem; despediu todo o mundo depois de saciar a multidão faminta e, Ele permaneceu sozinho na montanha, profundamente imerso em oração (cf. Mt 14,22-23). Os discípulos, sem o Mestre, avançam com dificuldade. Foi então quando Jesus se aproximou da barca caminhando sobre as águas.

Como acontece com pessoas normais e sensatas, os discípulos se assustaram ao vê-Lo: os homens não costumam caminhar sobre a água e, portanto, deviam estar vendo um fantasma. Mas eles se equivocaram, não era um fantasma, mas tinham diante deles o próprio Senhor, que os convidava como em tantas outras ocasiões a não terem medo e a confiar Nele para revelar neles a fé. Esta fé se exige, em primeiro lugar, a Pedro, que disse: «Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água» (Mt 14,28). Com esta resposta, Pedro mostrou que a fé consiste na obediência à palavra de Cristo: não disse «faça com que eu caminhe sobre as águas», mas queria seguir o que o próprio e único Senhor lhe mandasse para poder crer na veracidade das palavras do Mestre.

Suas dúvidas o fizeram cambalear em sua fé incipiente, mas ela levou à confissão dos outros discípulos, agora com o Mestre presente: «Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» (Mt 14,33). «O grupo daqueles que já eram apóstolos, mas que ainda não acreditavam, depois de verem que as águas jogavam sob os pés do Senhor e que mesmo no movimento agitado das ondas, os passos do Senhor eram seguros, (...) creram que Jesus era o verdadeiro Filho de Deus, confessando-O como tal» (Santo Ambrósio).

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SOCORRO, SENHOR! Mt 14,22-36
HOMILIA

Jesus manda os discípulos para o outro lado do mar, enquanto ele próprio despediria as multidões. O destaque no evangelho de hoje vai para o barco agitado pelas ondas e pelo vento. Numa primeira fase, o “barco” simboliza a Igreja, já em processo de institucionalização na década de 80 do primeiro século do Cristianismo, quando Mateus escreve seu evangelho. Em segundo lugar simboliza a sua vida quando chega o momento das tentações e problemas de vários tipos.

Quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas, Mateus narra também a caminhada de Pedro, que a tradição passou a cultuar como figura proeminente na Igreja. A vacilação de Pedro ao andar sobre as águas, entre a fé e a dúvida, induz as comunidades a compreenderem a importância de uma fé firme e decidida em Cristo como o tudo em todas as circunstâncias. Quem nos faz saber isso é Mateus que termina com a proclamação messiânica dos discípulos: “Verdadeiramente, tu és Filho de Deus”. A afirmação do messianismo de Jesus é uma forte característica de Mateus.

As comunidades de discípulos, ao longo da história, passam por tribulações sofrendo repressões. Pode-se chegar ao desânimo, com o sentimento de abandono por parte de Deus. Se assim acontecer, submerge-se no oceano do mundo dominado pelos poderes fundados sobre as riquezas acumuladas, que desprezam a vida dos pobres e pequeninos.

Contudo Jesus está presente. Não há o que temer, pois Jesus é a fonte da vida e a luz para o nosso caminho, e é a força propulsora da nova criação, do mundo novo possível.

Desse modo, percebe-se, na primeira leitura, que nem sempre Deus se manifesta da forma que tradicionalmente nos acostumamos a buscá-lo; e, na segunda, pode-se ver o apóstolo Paulo preocupado com a situação da comunidade. Preocupações dissipadas quando identificamos no evangelho, que as dificuldades da vida não podem afogar uma comunidade fundamentada na palavra de Deus e na fé no Cristo Ressuscitado.

Por que tanto medo? Jesus está conosco! Enquanto Jesus reza no monte, a barca dos discípulos está velejando no lago de Genesaré (Mt 14,22-23). Jesus os tinha obrigado a ir para o “outro lado”, isto é, para a terra dos pagãos. Para quê? Certamente para ensinar aos outros povos que a partilha é que constrói uma sociedade nova. Mas sair de casa para ir até os outros não é coisa fácil. O mar agitado, cheio de ventos fortes e ondas. O que significa isso? Significa a resistência dos discípulos, e a resistência de todos nós em compreender que o projeto de Deus é para todos, e não apenas para nós.

Jesus, em alta madrugada, vai até os discípulos, andando sobre a água. Ora, isso era prerrogativa de Deus (veja o livro de Jó 9,8). Os discípulos pensam que Jesus é um fantasma, e gritam de medo. Jesus, porém, os tranqüiliza, dizendo: “Coragem! Sou eu. Não tenham medo”. Este é o modo como Deus sempre tranqüiliza os homens. E o “sou eu” lembra imediatamente o Deus do êxodo, que se revelou a Moisés como sendo o “Eu Sou”. Tudo isso mostra que os discípulos ainda não cresceram na fé.

Pedro, o líder dos discípulos e futuro chefe de todas as comunidades, faz um desafio: ir até Jesus, andando como ele sobre as águas, isto é, participando da sua divindade. Perigo. Para isso é preciso fé grande, entrega total. O que não acontece, pois Pedro teme, duvida, e começa a afundar.

O que Jesus diz vale para todos nós: “Homem fraco na fé, por que você duvidou?” Também nós duvidamos quando as coisas ficam difíceis e os ventos se tornam contrários, prova de que ainda não confiamos em Deus e no seu projeto. O vento cessa logo que Jesus entra na barca. Por quê? Dizem que no olho do furacão reina completa paz. Com Jesus em nosso meio estamos no olho do furacão: ao redor tudo gira e ameaça, mas nós permanecemos calmos, certos de que o projeto de Deus, realizado por Jesus, é e sempre será vitorioso. E, reconhecendo isso, vem a grande confissão dos discípulos e da comunidade cristã: “De fato, tu és o Filho de Deus”. Uma confissão de fé que nos faz acreditar em nós mesmos: em nossa vocação e nossa capacidade de amar, servir e partilhar, pois também nós, pelo Batismo, fomos feitos filhos de Deus. Não temamos. Também podemos andar pelas águas agitadas do mundo, sem medo de afundar porque Jesus está por perto. Basta na hora mais difícil gritarmos como Pedro: SOCORRO, SENHOR!

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sábado, 4 de agosto de 2018

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Marcos 9,2-10 - 06.08.2018

Liturgia Diária

DIA 6 – SEGUNDA-FEIRA   
TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR

(branco – ofício da festa)

A transfiguração favorece aos discípulos a compreensão do mistério pascal do Senhor. Celebrada 40 dias antes da festa da Exaltação da Cruz, a festa de hoje manifesta o esplendor da vida divina presente em Jesus. Deixemo-nos transfigurar por ele.

Evangelho: Marcos 9,2-10

Proclamação do evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos

– Naquele tempo, ²Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. ³Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar. 4Apareceram-lhe Elias e Moisés, e estavam conversando com Jesus. 5Então Pedro tomou a palavra e disse a Jesus: “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. 6Pedro não sabia o que dizer, pois estavam todos com muito medo. 7Então desceu uma nuvem e os encobriu com sua sombra. E da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” 8E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles. 9Ao descerem da montanha, Jesus ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos. 10Eles observaram essa ordem, mas comentavam entre si o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”.

– Palavra da salvação.

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Reflexão - Evangelho: Marcos 9,2-10
«Rabi, é bom ficarmos aqui»

Rev. D. Ignasi NAVARRI i Benet
(La Seu d'Urgell, Lleida, Espanha)

Hoje celebramos a solenidade da Transfiguração do Senhor. A montanha do Tabor, como a do Sinai, é o lugar da proximidade com Deus. É o espaço elevado, com respeito à existência diária onde se respira o ar puro da Criação. é o lugar da oração donde se está na presença do Senhor, como Moisés e Elias que aparecem com Jesus transfigurado falando com Ele sobre o Êxodo que lhe esperava em Jerusalém (ou seja, sua Páscoa).

«As suas vestes tornaram-se resplandecentes, de tal brancura que nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia assim branquear» (Mc 9,3). Este fato simboliza a purificação da Igreja. E Pedro disse a Jesus: «Vamos fazer três cabanas, una para ti, outra para Moisés e outra para Elias» (Mc 9,5). Santo Agostinho comenta belamente que Pedro buscava três cabanas porque ainda não conhecia a unidade entre a Lei, a Profecia e o Evangelho.

«Nisto veio uma nuvem que os cobriu, e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi» (Mc 9,7). A Transfiguração não é uma mudança em Jesus, e sim a Revelação de sua Divindade. Pedro, Santiago e João, contemplando a Divindade do Senhor, se preparam para afrontar o escândalo da Cruz. A Transfiguração é um antecipo da Ressurreição!

«Rabi, bom é nós estarmos aqui» (Mc 9,5). A Transfiguração nos recorda que as alegrias semeadas por Deus na vida não são pontos de chegada, e sim luzes que Ele nos dá na peregrinação terrena para que “Jesus só” seja nossa Lei, e sua Palavra seja o critério, o gozo e a bem-aventurança de nossa existência.

Que a Virgem Maria nos ajude a viver intensamente nossos momentos de encontro com o Senhor para que possamos seguir cada dia com alegria, e nos ajude a escutar e seguir sempre ao Senhor Jesus, até a paixão e a Cruz com intensão de participar também de sua Gloria.

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TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS Mc 9,2-10
HOMILIA

A Festa da Transfiguração do Senhor remonta ao século V, no Oriente. Na Idade Média estendeu-se por toda Igreja Universal, especialmente com o Papa Calisto III.

Presente Pedro, João e Tiago Jesus se transfigura diante deles! Seu corpo ficou luminoso e resplandecentes as suas vestes. Com isto Jesus quis manifestar aos discípulos que Ele era realmente o Filho de Deus, enviado pelo Pai. Jesus é o cumprimento de todas as promessas de Deus; é Deus conosco, a manifestação da ternura e da misericórdia do Pai entre os homens. A sua paixão e morte não serão o fim, mas tudo recobrará sentido quando Deus Pai o ressuscitar e o fizer sentar à Sua direita, na Sua glória. Tudo isto é dito de uma maneira plástica – luz, brancura, glória, nuvem… que indicam a presença de Deus.

Jesus nos revela um Deus que surpreende. Fala da Glória. Todavia nos mostra que o caminho necessário para ela é o caminho da cruz, da paixão e morte, da entrega total de Sua vida pelo perdão dos pecados.

Já o profeta Daniel ficou surpreendido, de ver entrar na glória e receber uma realeza divina, com poder eterno, alguém semelhante a qualquer filho do homem. Mas teve que passar pela cova de leões.

Surpreendidos ficaram também os três apóstolos no Tabor ao verem Jesus tão divinamente transfigurado, estando precisamente a rezar preocupado, como qualquer homem, com o que ia sofrer em Jerusalém.

Na liturgia de hoje, o Evangelista refere que Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João a um monte elevado e se transfigurou diante deles, tornando-se resplandecente de tal brancura que «lavadeiro algum da terra poderia branquear as suas vestes assim». É neste mistério de luz que hoje a liturgia nos convida a fixar o nosso olhar. No rosto transfigurado de Jesus brilha um raio da luz divina que Ele conservava no seu íntimo. Esta mesma luz resplandecerá no rosto de Cristo no dia da Ressurreição. Neste sentido, a Transfiguração manifesta-se como uma antecipação daquilo que nós nos revestiremos quando tudo se consumar em todos. Aí sim celebraremos o mistério pascal.

A Transfiguração convida-nos a abrir os olhos do coração para o mistério da luz de Deus, presente em toda a história da salvação. Já no início da criação, o Todo-Poderoso diz: «Faça-se a luz!» (Gn 1, 3), e verifica-se a separação entre a luz e as trevas. Como as outras criaturas, a luz é um sinal que revela algo de Deus: é como o reflexo da sua glória, que acompanha as suas manifestações. Quando Deus aparece, «o seu esplendor é como a luz, das suas mãos saem raios» (Hab 3, 4 s.). Como se afirma nos Salmos, a luz é o manto com que Deus se reveste (cf. Sl 104, 2). No Livro da Sabedoria, o simbolismo da luz é utilizado para descrever a própria essência de Deus: a sabedoria, efusão da glória de Deus, é «um reflexo da luz eterna», superior a todas as luzes criadas (cf. Sb 7, 26.29 s.). No Novo Testamento, é Cristo que constitui a plena manifestação da luz de Deus. A sua Ressurreição aboliu para sempre o poder das trevas do mal.

Com Cristo ressuscitado a verdade e o amor triunfam sobre a mentira e o pecado. Nele, a luz de Deus já ilumina definitivamente a vida dos homens e o percurso da história. «Eu sou a luz do mundo afirma Ele no Evangelho Quem me segue não caminhará nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8, 12).

Marcos no Evangelho de hoje recorrendo a elementos simbólicos do Antigo Testamento, faz uma catequese sobre Jesus, o Filho amado de Deus, que vai concretizar o seu projeto libertador em favor dos homens através do dom da vida. A ti que muitas vezes estás, desanimado e assustado, Jesus diz: o caminho do dom da vida não conduz ao fracasso, mas à vida plena e definitiva. Segui-l’O é a garantia da vitória final.

Portanto, neste segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus define o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova. E este não é senão o caminho da escuta atenta de Deus e dos seus projetos, o caminho da obediência total e radical aos planos do Pai.

Fonte https://homilia.cancaonova.com/


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