quinta-feira, 7 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 16,24-28 - 08.08.2014 - O que poderá alguém dar em troca de sua vida?

Pai,
dá-me a pobreza e a coragem necessárias
para ser seguidor de teu Filho Jesus
e realizar obras que merecerão
a recompensa divina.
Branco. 6ª-feira da 18ª Semana Tempo Comum
S. Domingos Presb, memória

Evangelho - Mt 16,24-28

O que poderá alguém dar em troca de sua vida?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 16,24-28

Naquele tempo,
24Jesus disse aos discípulos:
'Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e me siga.
25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la;
e quem perder a sua vida por causa de mim,
vai encontrá-la.
26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro
mas perder a sua vida?
O que poderá alguém dar em troca de sua vida?
27Porque o Filho do Homem
virá na glória do seu Pai, com os seus anjos,
e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta.
28Em verdade vos digo:
Alguns daqueles que estão aqui não morrerão
antes de verem o Filho do Homem vindo com o seu Reino.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mt 16, 24-28

Seguir a Jesus Cristo significa renunciar a si mesmo e tomar a sua cruz. A vida toda de Jesus foi viver esta palavra que está no Evangelho de hoje, Jesus sempre renunciou a si mesmo, ele nunca viveu em função de si próprio, nunca buscava a sua realização ou a satisfação de interesses humanos. Ele sempre procurou viver para os seus irmãos e para suas irmãs, estava sempre pronto para servir e não veio para fazer a sua vontade, mas a vontade daquele que o enviou, de modo que a sua vida foi a constante busca da realização do Reino de Deus e o mistério da cruz foi a coroação de toda uma vida vivida não para si, mas para os outros e para Deus. Quem quer ser discípulo de Jesus deve viver segundo os seus ensinamentos e seguir este seu grande exemplo.
Fonte CNBB



NÃO BASTA SER CATÓLICO Mt 16,24-28
HOMILIA

Não basta ser católico. É preciso reconhecer Deus em nossas vidas e em nossa realidade, para que possamos viver sua verdade presente no meio de nós. Jesus não nos ilude: Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga. Sua cruz é vida doada e partilhada para nossa redenção
Jesus identificou-se com o "humano", agraciado por Deus com um destino de glória e felicidade eterna. Agora Jesus dirige um convite a todos. O tema é o seguimento de Jesus, a meta é a "vida". O seguimento comporta o renunciar a si mesmo e tomar sua cruz. O renunciar a si mesmo, perder a sua vida, é desprezar a ideologia do sucesso, do enriquecimento e do consumismo. Porém, a renúncia por si mesma não é um fim. É uma libertação para assumir o compromisso da transformação deste mundo. É preciso tomar a cruz. Marcos não fala em um sentido espiritual, mas no sentido concreto. Quem carregava sua própria cruz eram os condenados, incômodos à sociedade. Tomar a cruz é enfrentar a violência da repressão do sistema político-religioso contra quem busca vida plena para todos. É a comunhão de vida com o próximo e com Deus.
Não basta apenas que alguém se diga católico. Não basta ter feito a profissão na vida religiosa. Não basta levar adiante uma determinada ação pastoral? Não basta. Será preciso ser discípulo do Senhor, segui-lo. Hoje, mais do que nunca se compreendeu a urgência do discipulado que prepara para a missão.
O caminho da formação do seguidor de Jesus lança suas raízes na natureza dinâmica da pessoa e no convite pessoal de Jesus Cristo, que chama os seus pelo nome e estes o seguem porque lhe conhecem a voz. O Senhor despertava as aspirações profundas de seus discípulos e os atraía a si, maravilhados. O Documento de Aparecida no nº 277 diz que “o seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como Mestre que o conduz em acompanha”.
Que abismo de profundidade no tema do seguimento de Cristo! Ele chama e exige entrega irrestrita, corajosa, sem meias medidas! O discípulo se sente fascinado. Não há outra palavra que exprima melhor o sentimento daquele que foi sendo tocado pelo Senhor. Consciente de conservar sua liberdade o que é chamado caminha para uma luz que quase irresistivelmente o chama. O Mestre exige abandono do mundo dos pequenos interesses, do ganho, do lucro, das vantagens, das satisfações menores.
Há que renunciar. Uma força estranha age no coração do discípulo exigindo tal renúncia. Haverá momentos em que a cruz aparecerá na vida daquele que segue Jesus. Sem ela o discípulo não prova seguimento do Mestre. Há um corajoso deixar. Francisco de Assis, no começou de sua vida de seguimento de Jesus, lembra que o Altíssimo o levou ao mundo dos leprosos que lhe causavam literalmente enjôo. Ele abraça os seres decrépitos e deixa o mundo, começando uma vida esplendorosa de seguimento de Cristo, que ele designará de vida de penitência, de deixar o mundo, isto é, o espírito das coisas pequenas, de baixo....
De que serve ter bens, aplausos, riqueza, prestígio se o coração do homem se distanciar das exigências do mundo novo? De que serve uma família bem instalada, com bens e filhos doutores e mestres, de gente de corre, mas esqueceu de colocar os passos nos passos de Jesus? Há os que perdem tudo, para tudo ganharem. São os santos, são os heróis do evangelho. Sejas tu um deles e terás tudo em abundância!
Pai dá-me a pobreza e a coragem necessárias para ser seguidor de teu Filho Jesus e realizar obras que merecerão a recompensa divina.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 16,13-23 - 07.08.2014 - Tu és Pedro. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus.

Pai,
faze de mim um bem-aventurado,
como o apóstolo Pedro,
revelando-me teu Filho Jesus,
e dando-me força
para testemunhar minha fé
até o fim.
Verde. 5ª-feira da 18ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 16,13-23

Tu és Pedro.
Eu te darei as chaves do Reino dos Céus.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 16,13-23

Naquele tempo:
13Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe
e ali perguntou aos seus discípulos:
'Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?'
14Eles responderam:
'Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias;
Outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas.'
15Então Jesus lhes perguntou:
'E vós, quem dizeis que eu sou?'
16Simão Pedro respondeu:
'Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.'
17Respondendo, Jesus lhe disse:
'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas,
porque não foi um ser humano que te revelou isso,
mas o meu Pai que está no céu.
18Por isso eu te digo que tu és Pedro,
e sobre esta pedra construirei a minha Igreja,
e o poder do inferno nunca poderá vencê-la.
19Eu te darei as chaves do Reino dos Céus:
tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus;
tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus.'
20Jesus, então, ordenou aos discípulos
que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.
21Jesus começou a mostrar aos seus discípulos
que devia ir à Jerusalém
e sofrer muito da parte dos anciãos,
dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei,
e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia.
22Então Pedro tomou Jesus à parte
e começou a repreendê-lo, dizendo:
'Deus não permita tal coisa, Senhor!
Que isto nunca te aconteça!'
23Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse:
'Vai para longe, Satanás!
Tu és para mim uma pedra de tropeço,
porque não pensas as coisas de Deus
mas sim as coisas dos homens!'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão - Mt 16, 13-23

O Evangelho de hoje pode sugerir duas perguntas para a nossa vida pessoal.A primeira é: em que fundamentamos o nosso conhecimento no que diz respeito à nossa fé? A segunda pergunta é: quais são as conseqüências da nossa fé para a nossa vida? Quanto à primeira pergunta, podemos fundamentar o nosso conhecimento sobre as coisas da fé a partir da Palavra e do Magistério da Igreja, que nos garantem a verdade, mas podemos fundamentar este conhecimento na opinião de muita gente que fala muita coisa a respeito de Deus sem entender nada de nada ou até mesmo termos uma fé sem fundamento nenhum. Quanto à segunda pergunta, podemos fazer da nossa fé o motor da nossa vida ou podemos ter apenas uma fé discursiva ou indiferente, que não representa nada para a nossa vida concreta.
Fonte CNBB



SENHOR TU ÉS O MESSIAS Mt 16,13-23
HOMILIA

Neste Evangelho Pedro foi interpelado por Jesus em duas ocasiões. Na primeira, ele inspirado pelo Espírito Santo fez a proclamação de que Jesus é o Messias o Filho do Deus vivo. Por isso, foi considerado “feliz” e recebeu de Jesus as chaves do reino dos céus e o poder para tudo que ligasse na terra fosse também ligado no céu.
Pedro é estabelecido como fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, aurtoridade de ensinar e de excluir ou introduzir oa homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.
Na segunda ocasião, raciocinando conforme a sua humanidade, Pedro demonstrou a sua fraqueza quando não quis admitir o sofrimento que Jesus teria de passar.
Então, o mesmo Pedro a quem Jesus entregou as chaves do reino dos céus e a quem constituiu como fundamento da Sua Igreja foi mandado para longe Dele, como satanás. Assim nós percebemos que dentro de cada um de nós há o divino e há o humano. Porém, o Senhor conhece o material de que nós somos feitos e, mesmo diante das nossas fraquezas e imperfeições Ele continua a nos confiar a missão de construir o Seu reino aqui na terra. As nossas atitudes às vezes são motivadas pelo Espírito Santo, em outras vezes nos baseamos na nossa própria natureza humana e saímos da sintonia com Deus e o Seu Espírito.
Nesta passagem Pedro cheio do Espirito se mostra um homem de fé, capaz de conduzir o rebanho de Cristo depois de sua ascensão e como podemos perceber Pedro também tocado pelo medo, repreende as palavras do senhor, demonstrando que a humanidade faz parte da Igreja deixada por Jesus
Isto acontece com você também? – Procure recordar algum acontecimento em que você foi dúbio e pergunte ao Espírito Santo como agir agora que você tem consciência disto?- Quem é Jesus para você? – Você já percebeu que tudo quanto você fizer na terra terá repercussão no céu?
Pai, faze-me conhecer a verdadeira identidade de teu Filho Jesus, para que, no exercício da missão que me confiaste, eu possa torná-lo conhecido, de modo correto.

Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

terça-feira, 5 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 17,1-9 - 06.08.2014 - O seu rosto brilhou como o sol.

Pai,
que eu seja capaz de contemplar
a cena patética de Jesus pendente da cruz,
sem me deixar abater pela estupefação,
para poder contemplá-lo glorioso na ressurreição.
Branco. Transfiguração do Senhor (A), Festa

Evangelho - Mt 17,1-9

O seu rosto brilhou como o sol.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 17,1-9

Naquele tempo:
1Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão,
e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha.
2E foi transfigurado diante deles;
o seu rosto brilhou como o sol
e as suas roupas ficaram brancas como a luz.
3Nisto apareceram-lhes Moisés e Elias,
conversando com Jesus.
4Então Pedro tomou a palavra e disse:
'Senhor, é bom ficarmos aqui.
Se queres, vou fazer aqui três tendas:
uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.'
5Pedro ainda estava falando,
quando uma nuvem luminosa os cobriu com sua sombra.
E da nuvem uma voz dizia:
'Este é o meu Filho amado,
no qual eu pus todo meu agrado.
Escutai-o!'
6Quando ouviram isto, os discípulos ficaram muito
assustados e caíram com o rosto em terra.
7Jesus se aproximou, tocou neles e disse:
'Levantai-vos, e não tenhais medo.'
8Os discípulos ergueram os olhos e não viram mais
ninguém, a não ser somente Jesus.
9Quando desciam da montanha, Jesus ordenou-lhes:
'Não conteis a ninguém esta visão até que o
Filho do Homem tenha ressuscitado dos mortos.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB



Reflexão
Meditação do Evangelho - (Mt 17,1-9)

Hoje subimos juntos com Jesus para fazermos a experiência da transfiguração e assim também descermos com Ele para restaurarmos as realidades com as quais somos desafiados a viver os valores do reinado de Deus.
O relato da transfiguração de Jesus é uma apresentação antecipada da realidade gloriosa da ressurreição do Senhor na qual os discípulos são preparados pedagogicamente para enfrentarem o drama da paixão sem, entretanto correrem o risco de esmorecerem pelo caminho, mas terem presente em seus corações este momento de revelação gloriosa de Cristo!
A narrativa da transfiguração acontece no “sétimo dia”, portanto, seis dias depois (v.1) do primeiro anúncio da paixão. Num lugar retirado, numa alta montanha – representação da experiência de maior intimidade, de maior sintonia com Deus por meio da elevação; tomando consigo três de seus discípulos (e não diante de todos os que o seguiam) a figura de Jesus mudou: rosto brilhante como o Sol e vestes brancas como a luz. Além disso, o fato contou com a presença de Moisés e Elias, personagens emblemáticos do contexto bíblico representando todo o ensinamento da Lei e toda a força da profecia.
Outros elementos também aparecem: Pedro, que chama Jesus de “Senhor” (Identificação do Ressuscitado) em nome dos discípulos sugere a construção de tendas para permanecer nesta experiência prazerosa e agradável. Contudo, a manifestação da presença divina aqui representada pela voz saída da nuvem que a todos cobriu confere uma tarefa importante para as testemunhas desse fato: o reconhecimento de quem é Jesus (“Este é o meu filho amado, nele está o meu agrado” – Identidade) e a nossa responsabilidade diante d’Ele: “…escutai–o! – Missão”.
O medo que se apoderou de todos – os discípulos com o rosto em terra e assustados (v. 6) é anulado por meio das atitudes de Jesus que aproxima-se, toca e lhes fala: “Levantai-vos, não tenham medo” (v.7). O Senhor também lhes recomenda reservar o conteúdo dessa experiência apenas no momento oportuno, enquanto descem do monte.
Reunidos como família de Deus somos convidados a sair das nossas comodidades e numa atitude de peregrinos, romeiros, povo itinerante nos colocarmos a caminho confiantes em Deus e tomando posse de sua promessa, assim como fez Abraão (Gn 12,1-4). Conscientes desta presença divina nós suplicamos essa graça sobre nós (Sl 32/33) a fim de correspondermos dignamente a nossa vocação à santidade por meio de sua eterna bondade (2Tm1,8-10).
Neste tempo quaresmal o Senhor nos convoca a romper com todas as estruturas que desfiguram o seu rosto por meio da opressão dos pequenos e da constante destruição da natureza e que portanto impedem a manifestação gloriosa do filho do Homem. Somos convidados a subir com o Senhor e, uma vez transfigurados pela sua presença redentora, vencermos os nossos medos para então ajudarmos na construção de um mundo melhor.
Fonte Pe. Fernando Antonio Carvalho Costa



ESTE É O MEU FILHO AMADO; OUVI-O Mt 17, 1-9
HOMILIA

Em Mt 17, 1-9, Jesus nos mostra sua Majestade e seus sofrimentos para nos ensinar que não há triunfo se não houver batalha.

Pouco depois de explodir o coração de S. Pedro em cesárea, quando proclamou Jesus Cristo como Filho de Deus, a Transfiguração vem confirmar e vem dar aos três melhores discípulos um antegozo da glória definitiva antes das amarguras passageiras da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.

Este Mistério é-nos contado por S. Marcos, S. Mateus e S. Lucas. O Divino Salvador, que recapitulava em Si todas as grandezas do povo eleito, conversa com Moiséis e Elias, os dois arautos que tinham parcialmente preferido a Sua Missão. Tem havido santos que numa hora decisiva da existência, ouviram uma voz divina. Assim Paulo então Saulo, perto de Damasco, ou tiveram aparições do céu.

Na Transfiguração temos isso e mais. A cena gloriosa do Tabor destina-se a colocar na sua verdadeira luz a bem-aventurada Paixão do Calvário. E a nossa vida quotidiana pode ser uma térmica de sofrimentos: oferecido a Deus, torna-se já um vestuário de glória.

Com esta visão sobrenatural Jesus dava uma confirmação à confissão de Pedro: Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo. Aquele instante de glória sobre-humana era o penhor da glória da ressurreição. O Filho do Homem vivia na glória do Seu Pai. O próprio tema do colóquio com Messias.

A Transfiguração que faz parte do mistério da Salvação, é bastante merecedora de uma celebração litúrgica, que a igreja, tanto do Ocidente como do Oriente celebrou de vários modos e em diferentes datas, até o papa Calisto II a estender à igreja universal.

Quando Deus veio à terra, na pessoa de Jesus, adotou uma forma humana. Fisicamente, Jesus se parecia como qualquer outro homem. Ele teve fome, sede, cansaço, etc. Sua divindade foi vista apenas indiretamente, em suas ações e suas palavras. Mas, numa ocasião, a glória divina interior de Jesus resplandeceu e se tornou visível. A história é contada em Mateus 17:1-8:

Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João e os levou, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias. Falava ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi. Ouvindo-a os discípulos, caíram de bruços, tomados de grande medo. Aproximando-se deles, tocou-lhes Jesus, dizendo: Erguei-vos e não temais! Então, eles, levantando os olhos, a ninguém viram, senão Jesus.

O mandato novo é de obediência ao representante de Deus na terra. Quem me ouve, ouve o Pai. Mais: quem a vós ouve é a mim que ouve(Lc 10, 16). Não somos divinos nem únicos para determinar nossas circunstâncias. Por isso todo aquele que quiser ter uma vida própria e independente não pode ser discípulo de Jesus: a da obediência. A regra da vida plena não é fazer o que convém mas a obediência manifestada nas palavras da nuvem. A vontade divina manifestada na Palavra que desceu do céu, demonstra a vontade divina que é a norma das vidas que dEle depende.

Pai, que a transfiguração me leve a confessar Jesus como teu Filho amado, e a reconhecer que sou chamado a expressar o esplendor divino que trago dentro de mim.

Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 15,1-2.10-14 - 05.08.2014 - 'Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste será arrancada'.

Pai,
purifica meu coração
de toda discriminação
e de todo preconceito,
de modo que eu possa levar
os benefícios do Reino
a todos os que de mim precisarem.
Verde. 3ª-feira da 18ª Semana Tempo Comum 

Evangelho - Mt 15,1-2.10-14

'Toda planta que não foi plantada
pelo meu Pai celeste será arrancada'.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 15,1-2.10-14

1Naquele tempo, alguns fariseus e mestres da Lei, 
vindos de Jerusalém, 
aproximaram-se de Jesus, e perguntaram: 
2'Por que os teus discípulos 
não observam a tradição dos antigos? 
Pois não lavam as mãos quando comem o pão!' 
10Jesus chamou a multidão para perto de si 
e disse: 'Escutai e compreendei. 
11Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, 
mas o que sai da boca, isso é que torna o homem impuro.' 
12Então os discípulos se aproximaram e disseram a Jesus: 
'Sabes que os fariseus 
ficaram escandalizados ao ouvir as tuas palavras?' 
13Jesus respondeu: 
'Toda planta que não foi plantada pelo meu Pai celeste 
será arrancada. 
14Deixai-os! São cegos guiando cegos. 
Ora, se um cego guia outro cego, 
os dois cairão no buraco.' 
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB





“Escutai e compreendei”
Reflexão

Jesus nos ensina a cultivar na nossa vida o hábito de viver em harmonia com o Evangelho e nos concede um entendimento espiritual para as nossas ações. “A tradição dos antigos” muitas vezes nos tira das práticas evangélicas porque nos leva a confundir o processo do ser com o fazer. O que fazemos é uma consequência do que somos. As nossas ações, os nossas métodos e obras são resultado do que nós arquitetamos, deliberadamente ou por impulsão. Portanto, o que é impuro está alojado dentro do nosso ser a partir dos nossos pensamentos, julgamentos, imaginação, etc.. “Não é o que entra pela boca que torna o homem impuro, mas o que sai da boca”…… O ato de lavar as mãos, de estar arrumado, asseado, é apenas um costume que independe da substância do nosso coração. Podemos estar sujos (as) por fora, no entanto, ter a nossa alma limpa e em paz. Às vezes nos preocupamos com as aparências e com as etiquetas sociais e esquecemos de que o mais importante é a intenção e a motivação do nosso coração . Não bastam apenas as “práticas exteriores”, que seguem as regras sociais. Os sentimentos que cultivamos dentro de nós dão o tom para o que somos e o que fazemos. Reflita – Você costuma julgar o comportamento das outras pessoas, ou você procura saber o motivo que levam as pessoas a certos comportamentos?- Você se sente olhado (a), observado (a)? – Quais os sentimentos que você cultiva dentro do seu coração? – Eles têm motivado as suas ações?

Fonte Helena Serpa - Comunidade Novo Caminho



LAVAR O CORAÇÃO E NÃO AS MÃOS Mt 15,1-2.10-14
HOMILIA

A planta plantada pelo Pai é aquela que dá frutos de amor e misericórdia, na liberdade dos filhos de Deus que se empenham na construção de um mundo de justiça e paz.
Todo o nosso ser como planta do Pai se estiver virado para Deus, não precisaremos lavar as mãos e também não haverá lugar para as trevas nos nossos corações. Porque a Luz Divina unifica-nos, chama-nos a uma vida sempre mais verdadeira: as máscaras, que permanecem mesmo no casal, no relacionamento entre namorados, entre filhos e pais, entre parentes, colegas, vizinhos e amigos cairão progressivamente. A ambigüidade dos nossos propósitos, dos nossos comportamentos, a distância entre o que dizemos ou fazemos desaparecem naturalmente. Se o desejo profundo que nos faz viver é primeiro que tudo o desejo do alto, o olhar que dirigimos ao nosso cônjuge e sobre todos os que me referi acima, está acima dos outros, vem de Deus, será purificado de qualquer ambição, despojado de vontade e mãos abertas, para se tornar um olhar respeitoso e maravilhado pelo mistério do outro. Agora uma coisa que não pode acontecer comigo e nem contigo é a desconfiança o olhar maliciosamente nas ações dos outros. Ver nelas algo para derrubar, para levar vantagens próprias e egoísticas, aí está o problema. Será que, me pergunto, fico reparando demasiadamente nas ações das outras pessoas? E me esqueço que nem tudo o que brilha é ouro? E que as coisas nem sempre são o que me parecem ser? 
Meu irmão, minha irmã. Não adianta viver de aparências diante dos homens, pois Deus vê a intenção que trazemos no coração. Algumas vezes nos preocupamos com as práticas exteriores como os fariseus no evangelho de hoje: Por que é que os seus discípulos comem sem lavar as mãos, desobedecendo assim aos ensinamentos que recebemos dos antigos?, e esquecemos de olhar para o nosso interior que precisa tanto de conversão. Jesus nos deixa bem claro: Não é o que entra pela boca que faz com que alguém fique impuro. Pelo contrário, o que sai da boca é que pode tornar a pessoa impura. Portanto é o mal que sai do coração. É isso sim que prejudica a vida do homem. Por isso é que Jesus nas bem-aventuranças diz. Felizes os puros de coração. Devemos ter muito cuidado com as palavras que falamos e com as nossas ações. Peçamos sempre a Deus que faça de nós instrumentos de edificação na vida de nossos irmãos, pois fomos chamados para promover o bem que se fundamenta na rocha da fé.
Procura guiar os que estão ao meu redor para qual caminho? A felicidade nunca está onde a pomos, e, nunca a pomos onde estamos. Que tipo de felicidade procura o nosso mundo ? Será que a encontra? Onde ? Em quê? Onde estará o Caminho da felicidade ? Onde o podemos encontrar ? Não está e nem pode estar fora de nós. Ela está dentro de nós mesmo. Santo Agostinho diz que não podemos procurar Deus longe de nós. Deus está dentro de nós no nosso coração, na voz intima da nossa consciência. E se o nosso coração estiver limpo, se a nossa consciência for límpida, nela tudo será puro e sendo puro seremos obedientes à voz da consciência que é a do próprio Deus. É dela que o Profeta Isaías faz o anúncio como sendo aquele que nos trará a felicidade, que nos indicará o caminho para que possamos ser felizes. Vamos, portanto escutar com os ouvidos e com o coração e não com as mãos lavadas como os fariseus induziam o povo.
Senhor daí-me a graça de sempre lavar, não as mãos ao me aproximar da Vossa mesa, mas sim o coração. Para que Tu entrando nele o possas transformar num verdadeiro templo, onde vos possa louvar, adorar, bendizer e agradecer a graças que me tendes concedido todos os dias.
Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 3 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 14, 22-36 - 04.08.2014 - 'Senhor,manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre a água.'

Pai,
que eu saiba transformar
minhas quedas e fracassos
em ocasião para crescer na fé em Jesus,
e para reforçar a disposição
de deixar-me guiar pela palavra dele.
Branco. 2ª-feira da 18ª Semana Tempo Comum
S. João Maria Vianney Presb, memória

Evangelho - Mt 14,22-36

'Senhor,manda-me ir ao teu encontro,
caminhando sobre a água.'

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 14,22-36

Depois que a multidão comera até saciar-se,
22Jesus mandou que os discípulos entrassem na barco
e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar,
enquanto ele despediria as multidões.
23Depois de despedi-las,
Jesus subiu ao monte, para orar a sós.
A noite chegou, e Jesus continuava ali, sozinho.
24A barca, porém, já longe da terra,
era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário.
25Pelas três horas da manhã,
Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar.
26Quando os discípulos o avistaram, andando sobre o mar,
ficaram apavorados, e disseram:
'É um fantasma'. E gritaram de medo.
27Jesus, porém, logo lhes disse:
'Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!'
28Então Pedro lhe disse:
'Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro,
caminhando sobre a água.'
29E Jesus respondeu: 'Vem!'
Pedro desceu da barca e começou a andar sobre a água,
em direção a Jesus.
30Mas, quando sentiu o vento, ficou com medo
e começando a afundar, gritou: 'Senhor, salva-me!'
31Jesus logo estendeu a mão, segurou Pedro, e lhe disse:
'Homem fraco na fé, por que duvidaste?'
32Assim que subiram no barco, o vento se acalmou.
33Os que estavam no barco,
prostraram-se diante dele, dizendo:
'Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!'
34Após a travessia desembarcaram em Genesaré.
35Os habitantes daquele lugar, reconheceram Jesus
e espalharam a notícia por toda a região.
Então levaram a ele todos os doentes;
36e pediam que pudessem, ao menos,
tocar a barra de sua veste.
E todos os que a tocaram, ficaram curados.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 14, 22-36

O fato de Jesus caminhar sobre as águas é causa de assombro para os seus discípulos, principalmente porque, segundo o livro de Jó, somente Deus caminha sobre o mar, de modo que este fato revela aos discípulos que estão diante do verdadeiro Deus que se fez homem e está no meio de nós, mas inicialmente a surpresa é tão grande que gera dúvida em seus corações que, depois de serem iluminados pela fé, os levam ao reconhecimento da pessoa divina que está diante dele. Assim também nós, que recebemos muitas graças de Deus, só o reconheceremos quando nossos corações forem iluminados pela fé, de modo que possamos superar o nosso assombro inicial.
Fonte CNBB



CORAGEM SOU EU! Mt 14,22-36
HOMILIA

O evangelho de hoje vai nos narrar o momento em que Jesus andou sobre as águas e que Pedro, pela falta de fé, afundou, mas Jesus com sua misericórdia estendeu sua mão e o salvou. Percebo que hoje o Senhor vem nos ensinar que Ele é Deus de tudo e de todas as coisas. Ora, se o Senhor é nosso Deus e é o Deus de tudo e de todas as coisas não podemos agir como Pedro, devemos colocar nosso pé na água e juntos com Jesus, pois é Ele quem nos chama andarmos sobre as águas de nossas vidas. Quantas vezes meu irmão você se viu afundando diante de algum problema financeiro, uma decepção afetiva (no namoro, na amizade, na família), quantas vezes se sentiu incapaz diante de uma doença grave contigo ou com quem você ama. Não é fácil por o pé na água e acreditar que não vai afundar, mas hoje o nosso Deus a Quem terra, mar, ventos e toda a natureza obedece, nos convida a andarmos sobre as águas sabendo que mesmo quando nos faltar coragem, Ele porque é lindo e misericordioso estenderá sua mão e nos salvará.

Percebam ainda neste evangelho que quando a notícia do ocorrido se espalhou na cidade que Jesus e os discípulos desembarcaram, a fé do povo aumentou, capaz de acreditar que somente tocando nas vestes de Jesus seriam curados, que fé hein? E o que aconteceu? De fato, eles foram curados.

Hoje a começar em mim convido a nos deixarmos inebriar por esta PALAVRA e a partir de agora termos fé. Não é aumentar a nossa fé, é termos fé n’Aquele que é nosso Deus, dono de tudo e de todas as coisas. Deus tudo pode, e pra sua salvação Deus tudo fará.

Quantas vezes nós agimos assim como Pedro? A nossa fé só pode aumentar e nos dar a segurança que precisamos , crescendo, ficando adulta. Só mesmo quando passamos por momentos como esse que Pedro experimentou. Acreditamos nas palavras de Jesus e resistimos ao medo, mas, quando o medo fica maior que a nossa fé, gritamos por socorro e, muitos até, se esquecem de Deus, de Jesus e de Maria, aos quais dão tanto trabalho, quando das muitas preocupações. Ficamos presos às limitações que o mundo nos apresenta como o mar agitado assustou Pedro. O único meio de amadurecermos a nossa fé, é só mesmo quando passamos por momentos difíceis, duros, que se agigantam na nossa vida, parecendo nos querer engolir, derrubar. Notem bem, dos apóstolos, Pedro foi o mais agitado. Foi o que mais Jesus experimentou. Chegou até a negar que o conhecia. Por três vezes, quando lhe perguntaram se conhecia Jesus o “Galileu “, ele disse :- Eu? Nunca vi aquele homem, nem sei quem é. “Conta a história, que por causa disso, Pedro chorou tanto, que às lágrimas lhe abriram grandes sulcos em seu rosto.

E, a sua fé cresceu tanto que Jesus o deixou responsável para continuar a sua Igreja, dizendo-lhe: - “Tu és Pedro e sobre essa pedra erguerei a minha Igreja. Tudo o que ligares na terra, será ligado no céu. Tudo o desligares na terra, será desligado no céu. E, as forças do mal nunca prevalecerão contra Ela”. E, Pedro, cumprindo a missão que Jesus lhe deixou, acabou sendo preso e, ao lhe dizerem que ele iria morrer crucificado como Jesus, ele disse que não merecia isso e pediu que o crucificassem de cabeça para baixo. E, assim foi feito.

A nossa confiança em Jesus deve ser ilimitada, mesmo que às vezes nos custem algum sacrifício, porque o que nos importa é retornarmos um dia à casa do Pai; não nascemos para ficarmos eternamente neste mundo. Por isso somos limitados, por isso, um dia, todos morremos, E, Jesus, é tão bom que não exige de nós uma coragem como a de Pedro, basta, somente que nos amemos uns aos outros como Ele nos ama.

Senhor nos dê a graça da fé e da coragem, para que andemos sobre as águas de nossas vidas junto Contigo e mesmo se vacilarmos, dá-nos Senhor a certeza de que Tu estenderás Tua mão e nos salvará. Jesus eu Te amo!

Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sábado, 2 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 14,13-21 - 03.08.2014 - Todos comeram e ficaram satisfeitos.

Pai,
abre meu coração para a solidariedade,
a fim de que, diante de meu semelhante necessitado
eu sinta a alegria de partilhar com ele o que me deste.
Verde. 18º DOMINGO Tempo Comum

Evangelho - Mt 14,13-21

Todos comeram e ficaram satisfeitos.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 14,13-21

Naquele tempo:
13Quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu
e foi de barco para um lugar deserto e afastado.
Mas quando as multidões souberam disso,
saíram das cidades e o seguiram a pé.
14Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão.
Encheu-se de compaixão por eles
e curou os que estavam doentes.
15Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se de Jesus
e disseram: 'Este lugar é deserto
e a hora já está adiantada.
Despede as multidões,
para que possam ir aos povoados comprar comida!'
16Jesus porém lhes disse:
'Eles não precisam ir embora.
Dai-lhes vós mesmos de comer!'
17Os discípulos responderam:
'Só temos aqui cinco pães e dois peixes.'
18Jesus disse: 'Trazei-os aqui.'
19Jesus mandou que as multidões se sentassem na grama.
Então pegou os cinco pães e os dois peixes,
ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção.
Em seguida partiu os pães, e os deu aos discípulos.
Os discípulos os distribuiram às multidões.
20Todos comeram e ficaram satisfeitos,
e dos pedaços que sobraram,
recolheram ainda doze cestos cheios.
21E os que haviam comido
eram mais ou menos cinco mil homens,
sem contar mulheres e crianças.
Palavra da Salvação.



Reflexão
18º Domingo do Tempo Comum

Se o banquete da vida se tornou privilégio de poucos, deveremos refletir e revisar a disposição que nos leva à celebração semanal da Vida, ou seja, a celebração onde é realizada a partilha do Pão. A falha não é do Criador.
Em Isaías - a primeira leitura deste domingo - Deus subverte o “status quo” convidando os pobres a saírem da penúria e a vivenciarem a partilha da criação. Esse convite é para uma libertação, libertação da dependência dos produtores de alimentos, daqueles que se assenhorearam dos bens da criação e exercem poder sobre o direito das pessoas de se alimentarem como Deus, nosso Pai, pensou, oferecendo-nos uma natureza dadivosa. Deus não quis irmãos explorando irmãos e matando-os de fome, mas criou tudo para todos.
No Evangelho, Jesus faz exatamente a vontade do Pai. Não deixa ninguém passar fome. Ao contrário, não é apenas pódigo com a comida material, mas no futuro se fará nosso alimento, quando nos der, através do pão e do vinho, seu corpo e eu sangue como alimento eterno.
Mas vejamos o contexto em que se realiza o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. São Mateus nos fala, inicialmente, do banquete de Herodes, banquete onde apesar de se consumir alimentos, não se celebra a vida, mas a morte. Seus comensais estão ali com o intuito de exercer poder, de pressionar, de jogar interesses. Não pensam no outro, mas em si mesmos, em se manterem, mesmo a custo do sofrimento e da morte do inocente. O grande inocente morto nesse banquete herodiano foi João Batista. Sua culpa foi não aceitar a vida devassa do potentado.
Já o banquete que Jesus proporciona ao povo se dá a céu aberto e realizado com bastante compaixão, após falar do carinho do Pai e curar os doentes que ali estavam. É o banquete da Vida, que sacia plenamente aqueles que dele participam. As desigualdades foram supressas, todos saciados, curados e amados.
A solução apresentada por Jesus não foi um milagre econômico e nem religioso, mas a partilha dos bens da Criação.
Em outra passagen do Evangelho, Jesus diz que aos pobres é revelado o Reino de Deus e eles entendem a mensagem do Reino. E é verdade! No tocante à partilha dos bens, ninguém entendeu melhor que eles. Dentro de sua pobreza e até miséria, o pobre sabe dividir o que possui.
Nossas celebrações eucarísticas deveriam deixar de ser mero ritual e passar a ser aquilo a que se propõem e que é querido por Jesus, isto é, partilha da Vida. Partilha do Pão da Vida, que é Jesus e partilha do pão que dá a vida material, partilha essa que indica a autenticidade de nossa celebração Eucarística.
Ainda considerando as palavras de Jesus – quem fizer algo ao menor dos meus irmãos, a mim estará fazendo – podemos ter a consciência de que ao partilharmos com o pobre, mesmo sendo uma pessoa desconhecida e que jamais a conheceremos, vale a palavra de Jesus. Não importa se o gesto de partilhar poderá nos tornar mais pobres, importa agradar Jesus e viver o espírito da segunda leitura: nada nos poderá separar do amor de Deus, seja, bem-estar, fome, nudez, conforto.
Que nossas Eucaristias realizem de fato o que pretendem: a partilha da Vida, o sentar-se à mesa, com o irmão, na Casa do Pai.
Como consequência não haverá mais carentes, sejam materialmente, afetivamente ou espiritualmente.
E dirão sobre nós: vejam como se amam! E consequentemente, o Senhor aumetará o número de nossos companheiros. (CA)
Fonte 2014-08-02 Rádio Vaticana



DAI-LHES VÓS MESMOS DE COMER Mt 14,13-21
HOMILIA

O trecho do Evangelho de hoje vem logo após a história da morte de João Batista, ligada à festa de aniversário do Tetrarca Herodes Antipas. Ou seja, Mateus contrasta o "Banquete da Morte" promovida por Herodes, com "O Banquete da Vida", protagonizado por Jesus!
Na realidade, os Evangelhos transmitem-nos muitas vezes os sentimentos de Jesus para com as pessoas, especialmente doentes e pecadores. Ele exprime, através dum sentimento profundamente humano, a intenção salvífica de Deus que deseja que todo o homem alcance a verdadeira vida. Cada celebração eucarística actualiza sacramentalmente a doação que Jesus fez da sua própria vida na cruz por nós e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de nós testemunhas da compaixão de Deus por cada irmão e irmã; nasce assim, à volta do mistério eucarístico, o serviço da caridade para com o próximo, que “consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que não me agrada ou que nem conheço sequer.
Isto só é possível realizar-se a partir do encontro íntimo com Deus, um encontro que se tornou comunhão de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Então aprendo a ver aquela pessoa já não somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo”. Desta forma, nas pessoas que contacto, reconheço irmãs e irmãos, pelos quais o Senhor deu a sua vida amando-os “até ao fim” (Jo 13, 1).
Por conseguinte, as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrifício de Jesus é por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n'Ele a fazer-se “pão repartido” para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplicação dos pães e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os seus discípulos a empenharem-se pessoalmente: “Dai-lhes vós de comer” (Mt 14, 16). Na verdade, a vocação de cada um de nós consiste em ser, unido a Jesus, pão repartido para a vida do mundo.
Neste Evangelho Jesus nos dá uma grande lição de solidariedade humana, quando rejeitou a idéia dos Seus discípulos para que “despedisse as multidões”. Quantas vezes nós queremos nos ver livres dos problemas e também “despedimos” as pessoas porque elas são empecilhos à nossa missão, à nossa caminhada. As pessoas vêm famintas, precisando da nossa ajuda e nós fazemos vista grossa às suas dificuldades, achando que não somos capazes de ajudá-las porque temos muito pouco tempo ou mesmo porque nos achamos pequenos e limitados. Jesus diz hoje á nós também: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer! ” O Senhor nos manda sentar para que possamos parar e refletir sobre a nossa vida, partilhando e dividindo com as outras pessoas os nossos planos e sonhos. Tudo isso, dentro da perspectiva de Deus e à luz da Sua Palavra e dos Seus ensinamentos. Hoje também, como ontem, há muita relva, isto é, espaço, ocasião, oportunidade para que, reunidos, nós possamos descobrir os nossos dons, talentos, aptidões, riquezas e bens espirituais, que são os nossos cinco pães e dois peixes. Ao tomar os pães e os peixes nas mãos e dar graças ao Pai, Jesus nos deu o exemplo de como poderemos fazer aumentar os nossos talentos. Trazemos primeiramente, a vida para agradecer a Deus e a Ele oferecer em favor do irmão. Além disso, temos a doar saúde, paz, alegria, juventude e a nossa capacidade de olhar, de sorrir, de cantar, de amar, de sonhar e de desejar.
Mateus nos lembra que a participação eucarística exige compromisso com uma visão social baseada na partilha dos bens necessários para a vida, e não na acumulação da parte de alguns junto com a falta do básico para muitos. É claro que diante do enorme sofrimento da maioria da população do mundo, a gente pode sentir-se tão impotente como se sentiram os discípulos no Evangelho de hoje. Mas o texto nos ensina que não devemos cair na cilada de aceitar as saídas falsas propostas pela sociedade vigente e hegemônica - de "lavar as mãos" ou de cair somente num simples assistencialismo. O cristão, sustentado pela eucaristia, a Mesa da Palavra e a Mesa do Pão, deve se comprometer com uma visão cristã da sociedade, que exige que a gente faça o que é possível para a construção dum mundo de justiça, e fraternidade.
Há dois mil anos, Jesus olhou a multidão, teve compaixão dela e agiu. Com certeza ele olha hoje a situação de tantos irmãos e irmãs e pede que os seus seguidores façam algo para mudar a situação. Paira sobre nós cristãos do fim do milênio o desafio do texto de hoje: "Dai-lhes vos mesmo de comer!" O que significa isso na prática para mim, para você, na nossa situação concreta de vida? Meu irmão, minha irmã, o cristão não pode compactuar-se com uma sociedade organizada conforme os princípios de Herodes, mas deve lutar para a construção duma sociedade em favor da vida, seguindo as pegadas do Jesus de Nazaré. Jesus imperando nos está ordenando: Dai-lhe vós de comer. É você, sou eu que temos de dar de comer as cinco mil pessoas que vivem à nossa volta. Você tem sentado com as pessoas para partilhar a sua vida? Você tem colocado nas mãos do Senhor os seus talentos e os seus dons? Saiba. O que tens é pouco. Mas colocado nas mãos de Jesus chega para matar a fome e a sede de milhares de milhares de pessoas.

Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 14,1-12 - 02.08.2014 - Herodes mandou cortar a cabeça de João. Vieram os dicípulos e foram contar tudo a Jesus.

Pai,
na qualidade de discípulo
de teu Filho Jesus, quero inspirar-me
na coragem inabalável de João Batista,
denunciando profeticamente
a prepotência dos grandes.
Verde. Sábado da 17ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 14,1-12

Herodes mandou cortar a cabeça de João.
Vieram os dicípulos e foram contar tudo a Jesus.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 14,1-12

1Naquele tempo,
a fama de Jesus chegou aos ouvidos do governador Herodes.
2Ele disse a seus servidores:
'É João Batista, que ressuscitou dos mortos;
e, por isso, os poderes miraculosos atuam nele.'
3De fato, Herodes tinha mandado prender João,
amarrá-lo e colocá-lo na prisão,
por causa de Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe.
4Pois João tinha dito a Herodes:
'Não te é permitido tê-la como esposa.'
5Herodes queria matar João, mas tinha medo do povo,
que o considerava como profeta.
6Por ocasião do aniversário de Herodes,
a filha de Herodíades dançou diante de todos,
e agradou tanto a Herodes
7que ele prometeu, com juramento,
dar a ela tudo o que pedisse.
8Instigada pela mãe, ela disse:
'Dá-me aqui, num prato, a cabeça de João Batista.'
9O rei ficou triste,
mas, por causa do juramento diante dos convidados,
ordenou que atendessem o pedido dela.
10E mandou cortar a cabeça de João, no cárcere.
11Depois a cabeça foi trazida num prato,
entregue à moça e esta a levou para a sua mãe.
12Os discípulos de João foram buscar o corpo
e o enterraram.
Depois foram contar tudo a Jesus.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 14, 1-12

A vida de João Batista foi sempre a história da ação divina na história da humanidade, mas principalmente a oposição que existe entre os valores do Reino de Deus e os valores que são assumidos e vividos pelas pessoas. Esta oposição aparece desde o início da vida de João, quando Zacarias, no seu cântico, afirma que ele veio para iluminar os que jazem nas trevas. Mas assim como acontece com Jesus, acontece também com João: os que são das trevas não o receberam, de modo que a sua morte foi conseqüência desta contradição. Mas até a sua morte se torna contradição, porque ela acaba por se tornar um testemunho ainda maior da verdadeira vida, que é destinada aos filhos da luz.




O PREÇO DA DIFELIDADE Mt 14,1-12
HOMILIA

No texto de hoje nos deparamos com as circunstâncias da morte de João Batista. Ele havia denunciado ao Herodes a imoralidade que estava cometendo ao coabitar com Herodias, a mulher do seu irmão. Por um lado está a mulher furiosa, que se enche de ódio contra João Batista e queria vê-lo morto por causa das denúncias.
Por outro lado, Herodes tinha que decidir entre arrepender-se do que fazia e separar-se de Herodias, continuar na situação em que se encontrava e sofrer crescente oposição do povo em seguida à denúncia de João Batista, ou silenciá-lo de alguma forma.
Das três opções, influenciado por Herodias, Herodes decidiu pela terceira, mas hesitava em matá-lo, porque sabia que João era um homem de bem, justo e santo, e respeitado pelo povo. Mandou, portanto, que fosse amarrado e colocado na prisão.
Quantas vezes, seguindo um caminho mau, somos alertados por alguém e temos a oportunidade de nos corrigir, mas preferimos continuar no pecado. Quantos pecadores são alertados pela pregação do Evangelho, e, ao invés de se converterem, eles se voltam contra a pessoa que lhe corrige e o próprio Evangelho, tornando-se inimigos de Cristo. Com isto eles pensam ganhar algum prazer nesta vida, mas perdem a vida eterna, permanecendo na condenação de Deus para sempre.
Não é fácil deixar uma situação de pecado, que nos agrada, para endireitar a nossa vida. Foi o que aconteceu com Herodes. Preferiu cometer uma grande injustiça, aprisionando João Batista para agradar Herodias e abafar a sua própria consciência.
O dia do aniversário de Herodes foi celebrado com uma festa (só lemos de outra festa de aniversário na Bíblia, esta celebrada por Faraó - Gênesis 40:20). Foi quando ele cometeu outro grande erro. A filha de Herodias, sobrinha de Herodes dançou durante a festa. Seu nome não é mencionado na Bíblia, mas segundo a história profana ela era Salomé, que se casou mais tarde com outro tio, Filipe o tetrarca da Ituréia (Lucas 3:1). Ela dançou tão bem que agradou muito Herodes e os seus convidados. Para recompensá-la, Herodes lhe prometeu, com juramento, que lhe daria tudo o que pedisse, até a metade do seu reino (Marcos 6:23). Era uma promessa solene, e Salomé foi consultar a sua mãe sobre o que deveria pedir. Herodes era poderoso e rico, e as possibilidades eram muitas. Mas Herodias estava focalizada em uma coisa só: João Batista tinha que morrer. Surgiu agora a oportunidade de conseguí-lo através da sua filha. Para a aflição de Herodes, sua sobrinha, instruída por sua mãe, pediu: "Dá-me aqui num prato a cabeça de João Batista."Herodes havia feito um juramento, e os que estavam à mesa com ele eram testemunhas, portanto ele tinha que ser cumprido. Ninguém daria o valor de metade do seu reino à cabeça de João Batista: só mesmo Herodias.
Na verdade não foi um triste fim para João Batista. Segundo o plano de Deus ele havia cumprido brilhantemente a sua missão, e havia agora chegado a hora dos seus discípulos se reunirem junto com os discípulos do Senhor Jesus, para aprenderem com Ele a arte de ser fiel a missão a nós confiada. Que o senhor te dê esta graça da fidelidade e de derramar o teu sangue se tal for necessário como fez João Batista em pró da verdade, da justiça e do amor de Deus!
Fopnte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla