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segunda-feira, 7 de abril de 2025

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,31-42 - 09.04.2025

 Liturgia Diária


9 – QUARTA-FEIRA 

5ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo, prefácio da paixão I – ofício do dia)


Vós me libertais, Senhor, da ira dos meus inimigos; vós me fazeis triunfar sobre os meus agressores e do homem violento me salvais (Sl 17,48s).


No percurso ascensional rumo à Luz da Ressurreição, a consciência é chamada a permanecer fiel ao princípio da liberdade interior que reconhece no Bem a fonte de toda orientação. Abandonar o erro não é submeter-se, mas elevar-se — um gesto de livre adesão à Verdade que nos revela nossa própria dignidade. A fidelidade, aqui, não é obediência cega, mas o reconhecimento lúcido de que a verdade nos liberta. Ser guiado por ela é um ato de escolha consciente, onde o espírito recusa os grilhões do engano e caminha, por si mesmo, ao encontro da transcendência que o plenifica em sua própria essência.



Lectio Sancti Evangelii secundum Ioannem
 
João 8,31-42

31 Dicebat ergo Iesus ad eos, qui crediderunt ei Iudaeos: Si vos manseritis in sermone meo, vere discipuli mei eritis,
Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos;

32 et cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos.
e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33 Responderunt ei: Semen Abrahae sumus, et nemini servivimus umquam: quomodo tu dicis: Liberi fietis?
Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34 Respondit eis Iesus: Amen, amen dico vobis: quia omnis, qui facit peccatum, servus est peccati.
Jesus respondeu: Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

35 Servus autem non manet in domo in aeternum: filius autem manet in aeternum.
O escravo não permanece para sempre na casa; o filho, sim, permanece para sempre.

36 Si ergo Filius vos liberaverit, vere liberi eritis.
Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.

37 Scio quia semen Abrahae estis: sed quaeritis me interficere, quia sermo meus non capit in vobis.
Sei que sois descendência de Abraão; mas procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.

38 Ego quod vidi apud Patrem, loquor: et vos quae vidistis apud patrem, facitis.
Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes de vosso pai.

39 Responderunt, et dixerunt ei: Pater noster Abraham est. Dicit eis Iesus: Si filii Abrahae estis, opera Abrahae facite.
Responderam-lhe: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão.

40 Nunc autem quaeritis me interficere, hominem, qui veritatem vobis locutus sum, quam audivi a Deo: hoc Abraham non fecit.
Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que ouvi de Deus; isso Abraão não fez.

41 Vos facitis opera patris vestri. Dixerunt ergo ei: Nos ex fornicatione non sumus nati, unum patrem habemus Deum.
Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, então: Não nascemos da fornicação, temos um só pai: Deus.

42 Dixit ergo eis Iesus: Si Deus pater vester esset, diligeretis me: ego enim ex Deo processi, et veni: neque enim a me ipso veni, sed ille me misit.
Disse-lhes Jesus: Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, pois eu saí de Deus e vim; não vim de mim mesmo, mas Ele me enviou.

Reflexão:

et cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos.
"e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo 8:32)

Esta frase (João 8,32) concentra o coração da mensagem: a verdade como caminho para a liberdade interior. Ela expressa a transformação da consciência pela revelação, onde a liberdade não é apenas social ou exterior, mas espiritual e profunda — fruto do reconhecimento e da adesão à verdade que vem de Deus.

A liberdade autêntica nasce da adesão ao Logos, que revela a verdade como luz íntima e não como imposição. O ser humano, consciente de sua origem transcendente, escolhe o bem não por dever externo, mas por afinidade interior com o que o realiza. Quando o erro é deixado para trás por discernimento e amor à verdade, a alma não se torna serva, mas filha. E o Filho que liberta, não o faz por decreto, mas por presença transformadora. Cada passo rumo à luz é um exercício de autonomia elevada. Pois viver é optar, e optar é existir com plena dignidade.


HOMILIA

Título: O Chamado da Verdade que Liberta

No Evangelho segundo João, ouvimos: “et cognoscetis veritatem, et veritas liberabit vos (e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.) (Jo 8,32). Esta frase ressoa como um sopro eterno que toca o núcleo mais íntimo do ser, convocando-o a despertar do estado de servidão para uma existência de plena consciência.

Jesus não fala de uma liberdade dada por convenções externas, nem de uma verdade que se impõe por força ou tradição. Ele revela uma realidade que pulsa desde sempre no interior de cada ser: a verdade como caminho de libertação. Essa verdade não é apenas conteúdo a ser aprendido, mas presença viva a ser reconhecida — ela é a vibração mais pura da Origem, o chamado que nos guia de volta ao nosso ponto mais alto.

Aqueles que permanecem na Palavra são chamados discípulos — não por submissão, mas por escolha. Essa permanência não é estagnação, mas movimento interior contínuo. Seguir o Verbo é abrir-se ao dinamismo da existência, onde o erro não é reprimido por regras, mas superado pela compreensão de que não corresponde à nossa natureza mais elevada.

Ser livre, então, é viver em fidelidade àquilo que é real, eterno, essencial. É não se confundir com as sombras do transitório, mas orientar-se pelo fulgor do que não muda. É reconhecer que toda tentativa de construir a vida fora da Verdade é uma forma disfarçada de escravidão.

O Filho nos liberta não apenas com palavras, mas com Sua própria presença, que revela em nós o que está além do tempo, o que é uno com o Bem. Essa libertação é um convite à maturidade espiritual, onde cada ato se torna expressão de uma consciência desperta, e cada escolha, um testemunho da verdade reconhecida e amada.

Assim, viver segundo o Evangelho é integrar-se ao sentido mais alto da existência: um caminho em direção à luz, onde a liberdade não é fuga, mas retorno; onde a Verdade não aprisiona, mas nos devolve a nós mesmos — plenos, inteiros, e finalmente em paz.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A frase: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8,32) é uma das declarações mais densas e teologicamente profundas de Jesus, inserida num contexto de revelação progressiva da Sua identidade como o Filho enviado do Pai. Ela condensa, numa única afirmação, a essência da economia salvífica: o conhecimento da verdade como meio de libertação.

1. "Conhecereis a verdade" — O conhecimento como relação viva

No vocabulário bíblico, "conhecer" não é um ato meramente intelectual, mas existencial, relacional. Conhecer a verdade é entrar em comunhão com ela. E, para o evangelista João, a verdade não é um conceito abstrato, mas uma Pessoa: Cristo mesmo. Como Ele dirá mais adiante: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (Jo 14,6).

Conhecer a verdade é, então, abrir-se à revelação do Logos eterno — aquele que estava com Deus e que é Deus (Jo 1,1). É permitir que essa luz penetre a interioridade e desvele não apenas o sentido do mundo, mas também o verdadeiro eu, regenerado à imagem do Filho.

2. "E a verdade vos libertará" — A liberdade como consequência da comunhão com Deus

A libertação a que Jesus se refere não é política, nem apenas moral. É ontológica e espiritual. O pecado, segundo o próprio texto (Jo 8,34), é uma forma de servidão: "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado". O pecado, nesse sentido, não é apenas uma transgressão externa, mas uma alienação do próprio ser, uma ruptura entre a criatura e sua fonte.

Libertar-se é retornar ao fundamento da existência, ao sentido profundo de ser imagem e semelhança de Deus. É deixar de viver sob o jugo da ilusão, da ignorância e da mentira — condições que aprisionam o espírito — e entrar na luz que revela o real.

3. A Verdade como mediação do Espírito

Essa verdade que liberta é revelada pelo Filho e iluminada pelo Espírito Santo, que “guia à toda a verdade” (Jo 16,13). A Trindade está toda implicada nesse processo de libertação: o Pai como origem, o Filho como revelação encarnada, e o Espírito como dinamismo interior que atualiza essa verdade no coração do crente.

Portanto, ser liberto pela verdade é ser transformado pela presença trinitária de Deus no mais íntimo do ser humano — é deixar-se conduzir pela graça que purifica, eleva e plenifica.

4. Implicações éticas e escatológicas

A liberdade prometida não é apenas uma experiência interior, mas tem frutos concretos: ela capacita o ser humano a agir conforme o bem, a reconhecer sua dignidade e a viver de maneira autêntica e reconciliada. Mais ainda, essa liberdade aponta para a consumação escatológica — o retorno ao Pai, onde a verdade será plenamente vista face a face (1Cor 13,12) e toda sombra se dissipará.

Assim, "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" é uma afirmação que articula revelação, comunhão e salvação. Nela, o Verbo encarnado convida a humanidade não apenas a crer, mas a entrar em relação com a Verdade viva — uma relação que, ao ser acolhida, redime e restaura o ser humano à sua vocação mais alta: a liberdade de viver no Amor, em plena união com Deus.

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

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Mensagens de Fé

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sexta-feira, 4 de abril de 2025

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,1-11 - 06.04.2025

 Liturgia Diária


6 – 5º DOMINGO DA QUARESMA 

(roxo, creio – 1ª semana do saltério)


Fazei justiça, ó Deus, e defendei-me contra a gente impiedosa; do homem perverso e mentiroso libertai-me, ó Senhor! Sois vós o meu Deus e meu refúgio (Sl 42,1s).


Reunidos na profundidade da Eucaristia, somos chamados a acolher o amor e a misericórdia divinos, que fluem como rios transformadores, permeando a terra árida do ser. A ressurreição de Cristo se revela naqueles que, em liberdade, buscam a comunhão com o eterno. Devemos avançar, superando as máscaras da hipocrisia e a tendência de condenar o outro. No caminho da verdade, o perdão divino nos oferece sempre o recomeço, permitindo-nos transcender as limitações do ego e abraçar a possibilidade infinita de renovação, onde cada alma é convidada a florescer em sua plena autenticidade e liberdade interior.



Evangelium secundum Ioannem 8,1-11

1 Iesus autem perrexit in montem Olivarum.
Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.

2 Et diluculo iterum venit in templum, et omnis populus venit ad eum, et sedens docebat eos.
De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo veio a ele; e, assentando-se, ensinava-os.

3 Adducunt autem scribae et pharisaei mulierem in adulterio deprehensam et statuerunt eam in medio,
Então, os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério e, pondo-a no meio,

4 et dixerunt ei: “Magister, haec mulier manifesta deprehensa est in adulterio.
Disseram-lhe: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério.

5 In lege autem Moyses mandavit nobis huiusmodi lapidare; tu ergo quid dicis?”.
Ora, na lei, Moisés nos ordenou apedrejar tais mulheres. Tu, pois, que dizes?”

6 Hoc autem dicebant tentantes eum, ut possent accusare eum. Iesus autem inclinans se deorsum, digito scribebat in terra.
Diziam isso para testá-lo, a fim de terem de que acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

7 Cum autem perseverarent interrogantes eum, erexit se et dixit eis: “Qui sine peccato est vestrum, primus in illam lapidem mittat”.
Como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: “Aquele de vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.”

8 Et iterum se inclinans, scribebat in terra.
E, inclinando-se novamente, escrevia na terra.

9 Audientes autem unus post unum exibant, incipientes a senioribus; et remansit solus, et mulier in medio stans.
Ouvindo isso, foram-se retirando um após outro, começando pelos mais velhos; e ficou só Jesus com a mulher, que estava no meio.

10 Erigens autem se Iesus dixit ei: “Mulier, ubi sunt? Nemo te condemnavit?”.
Erguendo-se, Jesus disse-lhe: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?”

11 Quae dixit: “Nemo, Domine”. Dixit autem Iesus: “Nec ego te condemno; vade et amplius iam noli peccare”.
Ela respondeu: “Ninguém, Senhor.” Disse-lhe então Jesus: “Nem eu te condeno; vai e não peques mais.”

Reflexão:

"Qui sine peccato est vestrum, primus in illam lapidem mittat."
"Aquele de vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra." (Jo 8:7)

Essa frase revela a essência do ensinamento de Jesus sobre a hipocrisia, a compaixão e a verdadeira justiça, deslocando o foco da punição para a introspecção e a misericórdia.

A cada um é dada a liberdade de trilhar o caminho do amadurecimento interior, onde a justiça não se confunde com a vingança e o erro não define a essência do ser. O olhar de Cristo transcende a rigidez dos julgamentos, enxergando na queda a oportunidade de ascensão. A consciência do próprio limite permite ao espírito crescer sem o peso das correntes impostas pelo medo. No convite ao recomeço, há um chamado à responsabilidade, pois o verdadeiro perdão não é um fim, mas o início de uma jornada na qual a verdade se revela na plenitude da liberdade.


HOMILIA

A Pedra e o Horizonte do Espírito

No silêncio do templo, onde a eternidade se cruza com o instante, uma mulher é lançada ao centro, não apenas como ré, mas como reflexo da humanidade diante do Absoluto. A cena não é apenas um julgamento; é a revelação do olhar divino sobre a condição humana. Entre os que acusam, cada pedra carrega o peso da ilusão de pureza própria, enquanto o Mestre, curvado ao chão, escreve nos limites da matéria o chamado à transcendência.

"Quem de vós estiver sem pecado, atire a primeira pedra." Com essa sentença, o tempo se abre diante do espírito. Não há mais os gritos da acusação nem o peso das leis desprovidas de amor; há apenas a consciência despida, confrontada com a verdade inapelável da própria insuficiência. Cada um, ao soltar a pedra, liberta-se do cárcere da rigidez e da falsa superioridade, pois compreender o erro alheio é mergulhar no próprio mistério da existência.

Cristo não valida o erro, mas dissolve a condenação. Ele não compactua com a queda, mas a converte em degrau. "Vai e não peques mais" não é uma ordem imposta de fora, mas um convite ao ser para reencontrar sua trajetória em direção ao que é pleno. Na liberdade do perdão, não há licenciosidade, mas o impulso para o crescimento, a consciência de que o verdadeiro caminho não se encerra no pecado, mas na ascensão ao bem.

O horizonte que se abre neste episódio não é apenas o da justiça, mas o da maturidade do espírito. Somos chamados a olhar para além das sombras que projetamos sobre os outros, compreendendo que a elevação de um ser jamais pode ser construída sobre a destruição do outro. A mão que se fecha sobre uma pedra é a mesma que se fecha para a graça; a mão que se abre para o perdão é aquela que se abre para o infinito.

No silêncio que resta após a dispersão dos acusadores, há uma lição que ressoa por toda a existência: a grandeza do ser não se encontra em julgar, mas em compreender; não se fortalece no castigo, mas na renovação. O templo, outrora palco de condenação, torna-se espaço de liberdade, e a mulher, antes prisioneira de sentenças humanas, recebe do Verbo Eterno a dádiva do recomeço.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Fronteira entre a Justiça e a Graça: Aquele que Estiver sem Pecado, Atire a Primeira Pedra

A frase de Cristo em João 8,7 não é apenas uma resposta a um dilema jurídico ou moral, mas um mergulho na essência da justiça divina em contraste com a justiça humana. Para compreendê-la profundamente, é necessário desvendar suas implicações teológicas no contexto da queda, da redenção e da relação entre a lei e a graça.

1. O Pecado como Condição Universal

Quando Jesus declara: “Aquele de vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”, ele não apenas desarma os acusadores da mulher adúltera, mas os conduz à reflexão sobre sua própria condição. A estrutura da frase sugere um reconhecimento implícito da universalidade do pecado. O Antigo Testamento já afirmava: “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e nunca peque” (Ecl 7,20). O pecado não é um ato isolado, mas uma realidade que atravessa a existência humana desde a Queda, e sua consciência é o primeiro passo para a verdadeira justiça.

Ao estabelecer este critério para o julgamento — a ausência de pecado — Jesus desloca a questão da legalidade para a do estado interior do juiz. Quem pode condenar verdadeiramente? Somente aquele que não necessita de perdão. Mas, na ordem da criação caída, tal ser não existe entre os homens.

2. A Lei e a Graça: Uma Nova Economia da Justiça

A Lei mosaica, citada pelos fariseus para justificar a condenação, foi dada como tutela (Gl 3,24), apontando a necessidade da purificação do homem. No entanto, a lei, por si só, nunca foi suficiente para restaurar o coração humano; ela expõe o pecado, mas não redime.

Cristo não nega a Lei, mas a supera em plenitude ao introduzir a dimensão da graça. Se a Lei aponta o erro e requer punição, a graça aponta o ser e requer conversão. A frase de Jesus não apenas impede a lapidação da mulher, mas também revela que os próprios juízes são réus diante da justiça divina. Dessa forma, ele expõe a hipocrisia dos que querem condenar sem reconhecer sua própria necessidade de misericórdia.

3. O Perdão como Restauração, Não como Relativismo

Jesus não afirma que o pecado da mulher não existe. Ele tampouco legitima sua conduta. Mas sua justiça não consiste em uma retribuição impessoal e impiedosa, e sim na restauração do ser. Ao dizer "Nem eu te condeno; vai e não peques mais" (Jo 8,11), ele estabelece uma nova relação entre justiça e liberdade.

O perdão não é um apagar arbitrário das consequências do pecado, mas a concessão da possibilidade de um recomeço. Deus não ignora o erro, mas transforma a condenação em um chamado à conversão. Aqui, a justiça não é violada, mas cumprida de forma superior: não pela destruição do pecador, mas por sua elevação.

4. A Pedra: Símbolo da Dureza do Coração

A pedra que não foi lançada torna-se símbolo do coração endurecido que se desfaz diante da consciência da própria miséria. Aqueles que seguravam as pedras são os mesmos que, aos poucos, abandonam a cena, um a um, começando pelos mais velhos (Jo 8,9). A experiência dos anos lhes trouxe maior consciência do próprio pecado, enquanto os mais jovens, menos amadurecidos, talvez tardassem mais a compreender.

A pedra, que na mão do acusador representava condenação, ao ser solta simboliza o início de um processo de libertação do próprio juiz. Para perdoar, é preciso primeiro reconhecer a necessidade do próprio perdão.

5. Cristo: O Único que Poderia Lançar a Pedra

A ironia sublime do episódio é que o único presente que poderia atirar a pedra era Cristo, pois nele não havia pecado. Ele, no entanto, escolhe a misericórdia. Esse é o mistério da encarnação: o Santo que se fez pecado por nós (2Cor 5,21) não veio para condenar, mas para salvar.

O gesto de Jesus é a antecipação da cruz, onde ele próprio se colocará no lugar dos réus, assumindo sobre si a condenação que pertencia a todos. Se houvesse de fato um apedrejamento, seria ele quem o sofreria, e não a mulher.

Conclusão: A Justiça que Conduz à Verdade

Cristo revela que a verdadeira justiça não está na aplicação cega da punição, mas na condução da alma à verdade. O julgamento, sem amor, destrói; a verdade, sem misericórdia, oprime. Somente quando o homem abandona suas pedras é que se torna capaz de olhar para si mesmo e, assim, trilhar o caminho da conversão.

A frase "Aquele de vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra" não é um chamado à indiferença moral, mas ao reconhecimento da própria fragilidade e à compreensão de que a justiça divina sempre se ordena à restauração, jamais à destruição. O perdão não anula a exigência da mudança, mas a torna possível.

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terça-feira, 5 de abril de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,51-59 - 07.04.2022

Liturgia Diária


7 – QUINTA-FEIRA  

5ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo, prefácio da paixão I, – ofício do dia)



Cristo é o mediador de uma nova aliança, para que, por meio de sua morte, recebam os eleitos a herança eterna que lhes foi prometida (Hb 9,15).


Os que guardam a aliança de Deus serão abençoados abundantemente. Na liturgia buscamos a face do Senhor e a força para viver em sintonia com seus planos a nosso respeito.


Evangelho: João 8,51-59


Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!


Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: / Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8) – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: 51“Em verdade, em verdade, eu vos digo, se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte”. 52Disseram então os judeus: “Agora sabemos que tens um demônio. Abraão morreu e os profetas também, e tu dizes: ‘Se alguém guardar a minha palavra, jamais verá a morte’. 53Acaso és maior do que nosso pai Abraão, que morreu, como também os profetas? Quem pretendes tu ser?” 54Jesus respondeu: “Se me glorifico a mim mesmo, minha glória não vale nada. Quem me glorifica é o meu Pai, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus. 55No entanto, não o conheceis. Mas eu o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria um mentiroso como vós! Mas eu o conheço e guardo a sua palavra. 56Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia; ele o viu e alegrou-se”. 57Os judeus disseram-lhe então: “Nem sequer cinquenta anos tens e viste Abraão!?” 58Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, antes que Abraão existisse, eu sou”. 59Então eles pegaram em pedras para apedrejar Jesus, mas ele escondeu-se e saiu do templo. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 8,51-59

«Vosso pai Abraão exultou por ver o meu dia. Ele viu e se alegrou»


Rev. D. Enric CASES i Martín

(Barcelona, Espanha)

Hoje João situa-nos diante de uma manifestação de Jesus no Templo. O salvador revela um fato desconhecido para os judeus: que Abraão viu e se alegrou ao contemplar o dia de Jesus. Todos sabiam que Deus tinha feito uma aliança com Abraão, assegurando-lhe grandes promessas de salvação para a sua descendência. No entanto, desconheciam até que ponto chegava a luz de Deus. Cristo revela-lhes que Abraão viu o Messias no dia em de Yahvé, ao qual chama meu dia.


Nesta revelação Jesus mostra-se possuindo a visão eterna de Deus. Mas, sobretudo manifesta-se como alguém preexistente e presente no tempo de Abraão. Pouco depois, no calor da discussão, quando alegam que ainda nem tem cinquenta anos, diz-lhes: «Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, eu sou» (Jo 8,58) É uma declaração notória da sua divindade, podiam entendê-la perfeitamente, e também tinham podido crer se tivessem conhecido melhor o Pai. A expressão “Eu sou” é parte do tetragrama santo Yahvé, revelado no monte Sinai.


O cristianismo é mais que um conjunto de regras morais elevadas como podem ser o amor perfeito, ou, inclusive, o perdão. O cristianismo é a fé numa pessoa. Jesus é Deus e homem verdadeiro. «Perfeito Deus e perfeito Homem», diz o Símbolo Atanasiano. Santo Hilário de Poitiers escreve numa bela oração: «Dá-nos, pois, um modo de expressão adequado e digno, ilumina a nossa inteligência, faz também que as nossas palavras sejam expressão da nossa fé, quer dizer, que nós, que pelos profetas e os Apóstolos te conhecemos a ti, Deus Pai e ao único Senhor Jesus Cristo, possamos também celebrar-te a ti como Deus, em quem não há unicidade de pessoa, e confessar a teu Filho, em tudo igual a ti».


Pensamentos para o Evangelho de hoje

«A ressurreição de Cristo é vida para os defuntos, perdão para os pecadores, glória para os santos". Por esta razão, o salmista convida toda a criação a celebrar a ressurreição de Cristo, dizendo que devemos alegrar-nos e encher-nos de gozo neste dia em que o Senhor obrou» (São Máximo de Turim)


«Os doutores da lei não compreendiam a alegria da promessa; eles não entendiam a alegria da esperança. Pelo contrário, o nosso pai Abraão pôde alegrar-se porque tinha fé. Aqueles doutores da lei tinham perdido a fé: eram doutores da lei, mas sem fé. Mais ainda: tinham perdido a lei, porque o centro da lei é o amor, o amor a Deus e o amor ao próximo...» (Francisco)


«Só a identidade divina da pessoa de Jesus é que pode justificar uma exigência tão absoluta como esta: «Quem não está comigo, está contra Mim» (Mt 12, 30); o mesmo se diga de quando afirma ser «mais que Jonas,... mais que Salomão» (Mt 12, 41-42), «mais que o templo» (Mt 12,6); de quando lembra, a respeito de si próprio, que David chamou ao Messias o seu Senhor; de quando afirma: «Antes de Abraão existir, "Eu sou"» (Jo 8, 58); e ainda mais: «Eu e o Pai somos um» (Jo 10, 30)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 590)

Fonte https://evangeli.net/


JESUS REVELA A SUA IDENTIDADE Jo 8,51-59

HOMILIA


Diante da incredulidade do mundo e dos desatinos que nele acontecem dia após dia, Jesus revela a Sua verdadeira identidade: Eu vos digo que isto é verdade: antes de Abraão nascer, “EU SOU”. Ontem como hoje, a maior parte dos homens não tem experiência com o amor de Deus, não observam os Mandamentos da Lei de Deus e como se não bastasse, ignorando a pessoa de Jesus procura obter sinais e se interrogam sobre quem seja Jesus. Convém dizer, porém, que somente quem conhece e guarda a Sua Palavra pode dizer que O conhece e experimenta o Seu amor. Jesus mesmo foi quem afirmou isso aos judeus: vós não conheceis aquele que vós dizeis ser o vosso Deus, mas eu o conheço e guardo a sua palavra. Não podemos dizer que conhecemos a Deus se não conhecemos a Sua Palavra. A Palavra de Deus é quem nos direciona para a vida eterna em Cristo Jesus, a qual começa no agora da nossa vida. Quem não compreende a Palavra, quem não tem abertura para o Espírito Santo, morre na ignorância do pecado e, lamentavelmente, nunca poderá conhecer a Deus.


A origem e o destino de Jesus foram motivos de controvérsia com os judeus. Por um lado, o Mestre proclamava: “Se alguém guarda a minha palavra, jamais verá a morte”. Por outro, afirmava: “Antes que Abraão existisse, Eu sou”.


Seus adversários raciocinavam de maneira aparentemente lógica. Os personagens mais veneráveis do povo, como Abraão e os profetas, morreram. Acreditava-se na volta do profeta Elias, que fora arrebatado ao céu numa carruagem de fogo. Não se tinha, porém, notícia de alguém que não iria experimentar a morte. Com Jesus, não haveria de ser diferente. Quanto à sua origem, era suficiente considerar sua idade bastante jovem – “Ainda não tens cinqüenta anos” – para se dar conta da falsidade de sua afirmação.


Este modo de pensar estava em total descompasso com a real intenção de Jesus. Referindo-se à morte, pensava em algo muito mais radical que a pura morte física. Suas palavras abririam caminho para a vida eterna, na comunhão plena com o Pai, para além das vicissitudes desta vida terrena. Ao referir-se à sua origem, não estava pensando no seu nascimento carnal, historicamente determinável, e sim na sua vida prévia, no seio do Pai. Neste sentido, pode-se dizer anterior ao patriarca Abraão, por possuir uma existência eterna.


Neste texto, temos a conclusão do tenso e longo diálogo de Jesus com os judeus em Jerusalém, por ocasião da festa das Tendas. Jesus mostra-se acolhedor e reafirma o dom da vida eterna, já: “Se alguém cumprir a minha palavra, nunca verá a morte”. Contudo os judeus permanecem firmes em sua rejeição a Jesus, procurando apedrejá-lo.


Jesus, que cumpre a palavra do Pai, já vive a eternidade. Pois antes que Abraão existisse, Eu sou. Disse Jesus àquele povo e continua dizendo o mesmo hoje. Quando estas palavras encontrarem espaço em nossos corações, então significa que vivemos em comunhão eterna com Jesus e com o Pai ao cumprirmos sua palavra, no despojamento e na partilha, na mansidão, na acolhida ao irmão, na prática da misericórdia e da justiça que liberta e promove a vida.


Voltando à questão da palavra diremos que o estudo da Sagrada Escritura é o melhor caminho para conhecermos quem é Jesus. Pois Ele é o Verbo, é a Palavra feita Carne. Ouvi-l’O é ouvir a Palavra de Deus. Assim, sem medo de errar quero que saibas que a Bíblia é a própria Palavra Pai dirigida a nós, afim de que possamos conhece-l’O e nos conhecer a nós mesmo e simultaneamente termos acesso ao Seu grande amor e Misericórdia. É feliz quem adora a Deus mergulhando nos Seus ensinamentos. Tu tens a Palavra de Deus como ensinamento para o seu dia a dia?

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segunda-feira, 4 de abril de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,31-42 - 06.04.2022

Liturgia Diária


6 – QUARTA-FEIRA  

5ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo, prefácio da paixão I, – ofício do dia)



Vós me livrais, Senhor, de meus inimigos; vós me fazeis suplantar o agressor e do homem violento me salvais! (Sl 17,48s)


Os que prestam culto ao Deus vivo e verdadeiro preferem sacrificar a própria vida a renegar “o seu Deus”. Que o Senhor nos infunda paciência e coragem diante das agressões dos adversários a fim de permanecermos firmes em sua Palavra.


Evangelho: João 8,31-42


Honra, glória, poder e louvor / a Jesus, nosso Deus e Senhor!


Felizes os que observam / a Palavra do Senhor de reto coração / e que produzem muitos frutos, / até o fim perseverantes! (Lc 8,15) – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 31Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, 32e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. 33Responderam eles: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: ‘Vós vos tornareis livres’?” 34Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado. 35O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre. 36Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres. 37Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós. 38Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai”. 39Eles responderam então: “O nosso pai é Abraão”. Disse-lhes Jesus: “Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão! 40Mas agora vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez. 41Vós fazeis as obras do vosso pai”. Disseram-lhe, então: “Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus”. 42Respondeu-lhes Jesus: “Se Deus fosse vosso Pai, vós certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou”. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 8,31-42

«Se Deus fosse vosso pai, certamente me amaríeis»


Pe. Givanildo dos SANTOS Ferreira

(Brasilia, Brasil)

Hoje, o Senhor dirige duras palavras aos judeus. Não a quaisquer judeus, mas, precisamente, àqueles que abraçaram a fé: Jesus falou «aos judeus que acreditaram nele» (Jn 8,31). Sem dúvida, este diálogo de Jesus reflete o início daquelas dificuldades causadas pelos cristãos judaizantes na primeira hora da Igreja.


Como descendiam de Abraão segundo a carne, esses tais discípulos de Jesus consideravam-se acima não somente dos gentios que viviam longe da fé, mas também acima de qualquer discípulo não judeu partícipe da mesma fé. Diziam eles: «Nós somos descendentes de Abraão» (Jn 8,33); «nosso pai é Abraão» (v. 39); «só temos um pai, Deus» (v. 41). Apesar de serem discípulos de Jesus, temos a impressão de que Jesus nada representava para eles, nada acrescentava ao que já possuíam. Mas é aí mesmo que se encontra o grande erro de todos eles. Os verdadeiros filhos não são os descendentes segundo a carne, mas os herdeiros da promessa, isto é, aqueles que crêem (cf. Rom 9,6-8). Sem a fé em Jesus não é possível que alguém alcance a promessa de Abraão. Assim sendo, entre os discípulos, "não há judeu ou grego; não há escravo ou livre; não há homem ou mulher", porque todos são irmãos pelo batismo (cf. Gal 3,27-28).


Não nos deixemos seduzir pelo orgulho espiritual. Os judaizantes se consideravam superiores aos outros cristãos. Não é necessário falar, aqui, dos irmãos separados. Mas pensemos em nós mesmos. Quantas vezes alguns católicos se consideram melhores do que os outros católicos porque seguem este ou aquele movimento, porque observam esta ou aquela disciplina, porque obedecem a este ou àquele uso litúrgico. Uns, porque são ricos; outros, porque estudaram mais. Uns, porque ocupam cargos importantes; outros, porque vêm de famílias nobres. «Gostaria que cada um sentisse a alegria de ser cristão... Deus guia a sua Igreja, a apoia mesmo e sobretudo nos momentos difíceis» (Bento XVI).


Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Que morte mais fatal para a alma do que a liberdade de errar?» (Santo Agostinho)


«“Libertação” significa transformação interior do homem, como consequência do conhecimento da verdade. A transformação é, então, um processo espiritual no qual o homem amadurece na verdadeira justiça e santidade» (São João Paulo II)


«Quanto mais o homem fizer o bem, mais livre se torna. Não há verdadeira liberdade senão no serviço do bem e da justiça. A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado (31)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 1.733)


Outros comentários

«Conhecereis a verdade, e a verdade vos tornará livres»


Rev. D. Iñaki BALLBÉ i Turu

(Terrassa, Barcelona, Espanha)

Hoje quando estão faltando poucos dias para a Semana Santa, o Senhor pede-nos que lutemos para viver coisas concretas, pequenas, mas às vezes, não fáceis. Ao longo da reflexão as iremos explicando: basicamente trata-se de perseverar na sua palavra. Que importante é referir nossa vida sempre no Evangelho! Podemo-nos perguntar: que faria Jesus nesta situação que devo afrontar? Como trataria a esta pessoa que me custa especialmente? Qual seria a sua reação ante esta circunstancia? O cristão deve ser — segundo São Paulo— “outro Cristo”: «Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim» (Gl 2,20). O reflexo do Senhor na nossa vida de cada dia, Como é? Sou seu espelho?.


O Senhor assegura-nos que se perseveramos na sua palavra, conheceremos a verdade e, a verdade nos fará livres (cf. Jo 8,32). Dizer a verdade não sempre é fácil. Quantas vezes se nos escapam pequenas mentiras, dissimulamos, fazemos como se não ouvíssemos? Não podemos enganar a Deus. Ele vê-nos, nos contempla, nos ama e nos acompanha no nosso dia-a-dia. No oitavo mandamento ensina-nos que não podemos fazer falsos testemunhos, nem dizer mentiras, por pequenos que sejam, ainda que podem parecer insignificantes. Tampouco tem cabimento as mentiras “de piedade”. «Seja o vosso sim, sim, e o vosso não, não» (Mt 5,37), nos diz Jesus em outro momento. A liberdade, esta tendência ao bem, está muito relacionada com a verdade. Algumas vezes não somos suficientes livres porque na nossa vida há como um duplo fundo, não somos claros. Temos de ser contundentes. O pecado da mentira nos escraviza.


«Se Deus fosse vosso Pai, certamente me amaríeis» (Jo 8,42), diz o Senhor. Como se concreta nosso interesse diário por conhecer o Mestre? Com que devoção lemos o Evangelho, por pouco que seja o tempo de que dispomos? Que posso deixar na minha vida, no meu dia? Os que me veem poderiam dizer que leio a vida de Cristo?

Fonte https://evangeli.net/


A VERDADE QUE LIBERTA Jo 8,31-42

HOMILIA

O Evangelho de hoje dentre tantas coisas que nos traça está o caminho da santidade que passa pelo seguimento a Cristo. Fazer-se seus discípulos, isto é, o caminho da santidade é na realidade um caminho na verdade e na liberdade. De fato, Jesus diz: “Se permanecerdes fiéis à minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos; conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á”.


Propor a santidade de vida mais não é do que propor o caminho da verdade e da liberdade.


À luz da fé, a santidade é vida na verdade total não limitada às realidades materiais ou apenas à vida terrena. Com efeito, o santo tem em consideração tanto os bens materiais como os espirituais; tem em consideração tanto a realidade terrena como a sobrenatural; contempla a própria vida não apenas na perspectiva temporal, mas também eterna. Por outras palavras, o santo vive na verdade considerando todos os aspectos da própria existência.


O aspecto mais importante é que aquele que deseja a santidade abre-se a Deus que é o bem supremo e a fonte da verdade. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 6). Depois da sua morte e ressurreição, prometeu que nos enviaria o Espírito Santo como “o Espírito de verdade” (Jo 16, 13), que nos “guiaria à verdade total” (Jo 16, 13). Rezou ao Pai pelos seus discípulos: “Consagra-os na verdade. A tua palavra é verdade” (Jo 17, 17; ). Diante de Pilatos disse: “Foi por isso que nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Jo 18, 37). Seguindo radicalmente Cristo, caminhamos na verdade, na verdade total, na verdade que não desilude (cf. Rm 9, 33).


A santidade de vida e a abertura à graça ajudam-nos na realidade a compreender mais profundamente as verdades de Deus. São Paulo justamente escreve: “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus; para ele são loucura, e não é capaz de as compreender” (1 Cor 2, 14). Ou ainda: “Todo aquele que peca não viu Deus nem o conheceu” (1 Jo 3, 6). Não alcançamos a contemplação plena do rosto do Senhor unicamente com as nossas forças, mas deixando-nos guiar pela graça. Só a experiência do silencio e da oração oferece o horizonte adequado no qual pode maturar e desenvolver-se o conhecimento mais verdadeiro, aderente e coerente do mistério de Deus. Por este motivo com frequência nos surpreende a compreensão perspicaz da verdade de Deus que os santos demonstram, mesmo os que não fizeram muitos estudos.


Sim, o caminho da santidade é um caminho na verdade, na verdade total.


No Evangelho, Jesus diz também que “a verdade libertar-vos-á”. O Mestre Divino fala aqui da liberdade verdadeira, espiritual. Na realidade, o caminho na verdade, isto é, o olhar sobre todos os aspectos da nossa existência, ajuda-nos a encontrar uma justa escala de valores. Ajuda-nos, por conseguinte, a não nos tornarmos ou a permanecermos escravos dos bens materiais e das nossas concupiscências, dos vícios, do pecado, mas estimula-nos e torna-nos capazes de desejar os valores mais importantes, indestrutíveis, perenes.


Jesus, no Evangelho de hoje responde aos Judeus de maneira clara: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que cometer pecado é escravo do pecado”. Vem à nossa mente tantos jovens que hoje são escravos da droga, do sexo, do prazer, do dinheiro, do orgulho, da preguiça, da inveja, etc. Não são livres. Não são livres de desejar os valores maiores. Contudo, quem de nós não experimentou e não experimenta em maior ou menor medida a escravidão de vários vícios e debilidades? Santo Agostinho que depois de uma vida tão libertina teve que se esforçar bastante para encontrar esta liberdade espiritual, isto é, para partir as correntes dos seus maus hábitos e da paixão carnal depois escreveu com convicção: “Ouso dizer que na medida em que servimos a Deus somos livres, enquanto que na medida em que servimos a lei do pecado somos escravos”.


Santo Agostinho também tinha a consciência de que a liberdade espiritual não se alcança plenamente com as próprias forças, mas unicamente através da graça, da ajuda do Senhor. Contudo, Jesus afirma isto de maneira clara no Evangelho que ouvimos: “Por conseguinte, se o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”. Portanto, seremos verdadeiramente livres, se o Filho nos libertar!


O caminho da santidade é um caminho para a liberdade, a liberdade verdadeira, espiritual, que pode manifestar-se “até em condições de constrição exterior como nos ensina o papa João Paulo II, na carta Encíclica Redemptor hominis, 12. A condição da sua autenticidade é “a exigência de uma relação honesta em relação à verdade […] a toda a verdade acerca do homem e do mundo” Continua sua santidade. Assim, voltam à nossa mente as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “a verdade libertar-vos-á”.


Peçamos ao Senhor que nos ajude, a saber, aceitar seriamente o convite à santidade nas nossas condições de vida quotidiana, que mais não é que um convite a caminhar na verdade total e na liberdade autêntica.


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quinta-feira, 31 de março de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,21-30 - 05.04.2022

Liturgia Diária


5 – TERÇA-FEIRA  

5ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo, prefácio da paixão I, – ofício do dia)



Espera no Senhor e sê corajoso! Fortifique-se teu coração; espera no Senhor! (Sl 26,14)


Em nossa vida, a libertação de qualquer escravidão supõe um processo doloroso. Firmemos, nesta Eucaristia, o propósito de nunca afastar nossos olhos do Senhor, a fim de alcançarmos a “Terra Prometida” que ele nos prepara.


Evangelho: João 8,21-30


Glória a Cristo, Palavra eterna do Pai, que é amor!


Semente é de Deus a Palavra, / o Cristo é o semeador; / todo aquele que o encontra, / vida eterna encontrou. – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 21“Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir”. 22Os judeus comentavam: “Por acaso, vai-se matar? Pois ele diz: ‘Para onde eu vou, vós não podeis ir’?” 23Jesus continuou: “Vós sois daqui de baixo, eu sou do alto. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. 24Disse-vos que morrereis nos vossos pecados, porque, se não acreditais que eu sou, morrereis nos vossos pecados”. 25Perguntaram-lhe, pois: “Quem és tu então?” Jesus respondeu: “O que vos digo desde o começo. 26Tenho muitas coisas a dizer a vosso respeito e a julgar também. Mas aquele que me enviou é fidedigno, e o que ouvi da parte dele é o que falo para o mundo”. 27Eles não compreenderam que lhes estava falando do Pai. 28Por isso, Jesus continuou: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que eu sou e que nada faço por mim mesmo, mas apenas falo aquilo que o Pai me ensinou. 29Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que é de seu agrado”. 30Enquanto Jesus assim falava, muitos acreditaram nele. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: João 8,21-30

«Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘Eu Sou’»


Rev. D. Josep Mª MANRESA Lamarca

(Valldoreix, Barcelona, Espanha)

Hoje, Terça-feira V da Quaresma, a uma semana da contemplação da Paixão do Senhor, Ele nos convida a olhar-lhe antecipadamente redimindo-nos desde a Cruz. «Jesus Cristo é nosso pontífice, seu corpo precioso é nosso sacrifício que Ele ofereceu na ara da Cruz para a salvação de todos os homens» (São João Fisher).


«Quando tiverdes elevado o Filho do Homem...» (Jo 8,28). Efetivamente, Cristo Crucificado —Cristo “levantado”!— é o grande e definitivo signo do amor do Pai à Humanidade caída. Seus braços abertos, estendidos entre o céu e a terra, traçam o signo indelével da sua amizade com nós os homens. Ao lhe ver assim, alçado ante o nosso olhar pecador, saberemos que Ele é (cf. Jo 8,28), e então, como aqueles judeus que o escutavam, também nós creremos Nele.


Só a amizade de quem está familiarizado com a Cruz pode proporcionar-nos o adequado para adentrar-nos no Coração do Redentor. Pretender um Evangelho sem Cruz, despojado do sentido cristão da mortificação, ou contagiado do ambiente pagão e naturalista que nos impede entender o valor redentor do sofrimento, colocaria-nos na terrível posibilidade de ouvir dos lábios de Cristo: «Depois de tudo, para que seguir falando-vos?».


Que o nosso olhar à Cruz, olhar sossegado e contemplativo, seja uma pergunta ao Crucificado, em que sem o ruído de palavras lhe digamos: «Quem és tu, então?(Jo 8,25).Ele nos responderá que é «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida»(Jo 14,6), a Videira à qual sem estar unidos, nós, pobres ramos, não poderemos dar fruto, porque só Ele tem palavras de vida eterna. E assim, se não cremos que Ele é, morreremos pelos nossos pecados. Viveremos, no entanto, e viveremos já nesta terra vida de céu se aprendemos Dele a gozosa certeza de que o Pai está conosco, não nos deixa sozinhos. Assim imitaremos o Filho em fazer sempre o que agrada-lhe ao Pai.

Fonte https://evangeli.net/


MORREREIS NOS VOSSOS PECADOS Jo 8,21-30
HOMILIA

Em Jesus a humanidade é “elevada” à participação da vida divina. Estar com o Pai, fazer o que é do seu agrado, é nossa vocação. Porque Ele está connosco!

O “pecado”, segundo os critérios da Lei, é qualquer falta à sua estrita observância. A Lei servia tanto para explorar e excluir os pobres e pequenos, taxados de pecadores, como também para garantir os privilégios das elites religiosas do estado teocrata de Israel. O apego à Lei leva à rejeição da verdade de Jesus e do Pai, que é a comunicação da vida.

Estamos diante de um texto no qual Jesus narra a sua própria morte. Perante tal facto, alguém poderia dizer: Se Cristo tinha mesmo de entregar o seu corpo à morte por nós todos, porque é que não morreu normalmente, como homem? porque é que tinha de se deixar crucificar? Poder-se-ia, na verdade, dizer que era mais conveniente para Ele entregar o seu corpo de uma maneira digna do que suportar a infâmia de tal morte… Esta objecção é demasiado humana: o que aconteceu ao Salvador é verdadeiramente divino e digno da sua divindade por várias razões.

Em primeiro lugar, porque a morte que acontece aos homens tem a ver com a fraqueza da sua natureza; não podendo durar indefinidamente, eles desagregam-se com o tempo. Chegam as doenças e, tendo perdido as suas forças, acabam por morrer. Mas o Senhor não é fraco; Ele é a Força de Deus, o Verbo de Deus, a própria Vida. Se Ele entregasse o corpo em privado, num leito, à maneira dos homens, teriam pensado… que Ele não tinha nada a mais do que os outros homens… Não convinha que o Senhor adoecesse, Ele que curava as doenças dos outros…

Então porque é que Ele não afastou a morte, tal como tinha afastado a doença? Porque Ele possuía um corpo precisamente para isso e para não pôr entraves à ressurreição… Mas, dirá talvez alguém, Ele deveria ter evitado a conjura dos seus inimigos, para conservar o seu corpo absolutamente imortal. Que esse aprenda, então, que também isso não convinha ao Senhor.

Tal como não era digno do Verbo de Deus, por ser a Vida, dar a morte ao seu corpo por sua propria iniciativa, também não lhe convinha fugir da morte que outros lhe queriam dar…

Morrer como morreu não significou de modo algum a fraqueza do Verbo, mas fê-lo ser conhecido como Salvador e Vida… O Salvador não veio experimentar a sua própria morte, mas a morte dos homens. Eis o segredo que os judeus que acabavam de celebrar o dia da Reconciliação não entenderam. Portanto, contraditoriamente, estão procurando a morte de Jesus. Repetindo por três vezes “morrereis nos vossos pecados”, Jesus reverte o quadro. Rejeitar Jesus é rejeitar o dom da vida eterna e consequentemente fazer uma opção pela morte.
Fonte https://homilia.cancaonova.com/

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: João 8,12-20 - 04.04.2022

Liturgia Diária


4 – SEGUNDA-FEIRA  

5ª SEMANA DA QUARESMA


(roxo, prefácio da paixão I, – ofício do dia)



Tende piedade de mim, Senhor, pois me atormentam; todos os dias me oprimem os agressores (Sl 55,2).


O Senhor sempre ampara os inocentes que nele põem a esperança, ainda que enfrentem a atitude perversa dos que deveriam defender a virtude. A Eucaristia nos ensine a ver e julgar as realidades da vida com os olhos de Cristo.


Evangelho: João 8,12-20


Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!


Não quero a morte do pecador, diz o Senhor, / mas que ele volte, se converta e tenha vida (Ez 33,11). – R.


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 12disse Jesus aos fariseus: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. 13Então os fariseus disseram: “O teu testemunho não vale, porque estás dando testemunho de ti mesmo”. 14Jesus respondeu: “Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque sei de onde venho e para onde vou. Mas vós não sabeis donde venho nem para onde vou. 15Vós julgais segundo a carne, eu não julgo ninguém, 16e se eu julgo, o meu julgamento é verdadeiro, porque não estou só, mas comigo está o Pai, que me enviou. 17Na vossa Lei está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro. 18Ora, eu dou testemunho de mim mesmo e também o Pai, que me enviou, dá testemunho de mim”. 19Perguntaram então: “Onde está o teu Pai?” Jesus respondeu: “Vós não conheceis nem a mim nem o meu Pai. Se me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai”. 20Jesus disse estas coisas enquanto estava ensinando no templo, perto da sala do tesouro. E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado. – Palavra da salvação.

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Reflexão - Evangelho: João 8,12-20

«Eu sou a luz do mundo»


Rev. D. Jordi PASCUAL i Bancells

(Salt, Girona, Espanha)

Hoje, Jesus dá-nos a definição dele próprio, a qual enche de sentido a vida dos que, apesar das nossas deficiências, o queremos seguir: «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8,12). A pessoa de Jesus, os seus ensinamentos, os seus exemplos de vida, são a luz que ilumina toda a nossa existência, tanto nas horas boas, como nas de sofrimento ou contradição.


O que é que isto quer dizer? Que em qualquer circunstância em que nos encontremos, seja por trabalho ou na relação com os outros, na nossa relação perante Deus, frente às alegrias ou às tristezas… podemos pensar: —Que fez Jesus numa circunstância semelhante?; podemos sempre procurar no Evangelho e responder: —Isto mesmo é o que eu farei! Precisamente, João Paulo II incorporou no Santo Rosário —o “compêndio do Evangelho”, como ele próprio nos recorda— os mistérios da vida pública de Jesus, e denominou-os “mistérios da luz”. Assim, diz-nos o Papa: «Ele é quem, declarado Filho predileto do Pai no Batismo do Jordão, anuncia a chegada do Reino, dando testemunho dele com as suas obras e proclamando as suas exigências».


Jesus é luz; quem o segue «não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida» (Jo 8,12). Como discípulos seus, o Senhor convida-nos também a sermos luz para o mundo; a levar a luz da esperança no meio das violências, desconfianças e medos dos nossos irmãos; a levar a luz da fé no meio da obscuridade, das dúvidas e interrogações; a levar a luz do nosso amor no meio de tanta mentira, rancor e perturbação como vemos à nossa roda.


O Papa indica como pano de fundo de todos os mistérios de luz, as palavras de Maria nas bodas de Cana: «Fazei tudo o que Ele vos disser» (Jo 2,5): este é o caminho para que Jesus seja luz do mundo e para que nós iluminemos com essa mesma luz.

Fonte https://evangeli.net/


Jesus é a luz que ilumina o mundo

HOMILIA


“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (João 8,12). 


 

O que somos na escuridão? O que é a nossa vida na profunda penumbra? A penumbra da alma, a escuridão do espírito, a escuridão do sentido nos levam a cometer erros, enganos, pecados, e a cometer o mal. Quando não enxergamos, cometemos atrocidades por não enxergarmos.


Andando no mundo como estamos, tão escuro e obscuro pelo mal, Jesus veio trazer a luz, porque Ele mesmo é a luz que ilumina, que salva e resgata o mundo. E para ter essa luz, Ele mesmo nos indica o que fazer: “Quem me segue não andará nas trevas”.


Se quisermos sair das trevas, se quisermos sair do pecado e daquelas coisas obscuras, confusas e maldosas que tomam conta de nós, precisamos seguir Jesus. “Seguir” é ir atrás de Jesus, é ouvir a Sua voz, é fazer a Sua vontade, é viver iluminado por Deus.


Muitas vezes, temos dúvidas, sombras e questões que parecem não ter soluções, mas se nos colocarmos diante do amor misericordioso de Jesus e quisermos realmente ser guiados por Ele, Ele vai nos guiar, vai nos iluminar e direcionar. O grande problema é que nós queremos guiar Jesus ou queremos que Ele esteja a serviço do que nós concebemos.


Não permaneçamos na ignorância, pois a luz de Deus é a nossa salvação

Uma verdade é certa: Jesus não está a serviço do orgulho, da soberba, do egoismo, das vaidades nem das pretensões humanas. Muitas vezes, ficamos engrenados ou perdidos nesta vida, porque queremos monopolizar até Jesus. Mas Ele não se deixa monopolizar nem se dominar quando, na verdade, é Ele quem vem nos conduzir e iluminar. Portanto, precisamos nos deixar guiar por Ele, precisamos, a partir dos nossos pensamentos, da nossa mentalidade e concepção que temos na vida, submetermo-nos à luz e à graça de Jesus.


Nenhum de nós precisa caminhar nas trevas. Mas se caminhamos, é porque não damos a direção da vida a Jesus nem seguimos Seus passos indo atrás d’Ele.


Os homens de Israel questionaram mais do que se deixaram questionar; perderam-se, porque não se deixaram salvar; ficaram cegos, porque não se deixaram iluminar por Jesus.


Não fiquemos cegos, não caminhemos em meio às trevas nem às escuridões da vida. Não permaneçamos na ignorância, pois a luz de Deus é a nossa salvação.


Sigamos os passos de Jesus para caminharmos na Sua luz.


Deus abençoe você!

Padre Roger Araújo

Sacerdote da Comunidade Canção Nova, jornalista e colaborador do Portal Canção Nova. 

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