terça-feira, 17 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 17.07.2012 - Nossa indiferença pode nos excluir do Reino de Deus


Evangelho (Mateus 11,20-24)
Terça-Feira, 17 de Julho de 2012


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20Jesus começou a censurar as cidades onde fora realizada a maior parte de seus milagres, porque não se tinham convertido.
21“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres que se realizaram no meio de vós, tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, há muito tempo elas teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza.
22Pois bem! Eu vos digo: no dia do julgamento, Tiro e Sidônia serão tratadas com menos dureza do que vós. 23E tu, Cafarnaum! Acaso serás erguida até o céu? Não! Serás jogada no inferno! Porque, se os milagres que foram realizados no meio de ti tivessem sido feitos em Sodoma, ela existiria até hoje! 24Eu, porém, vos digo: no dia do juízo, Sodoma será tratada com menos dureza do que vós!”

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
Nossa indiferença pode nos excluir do Reino de Deus
julho 17th, 2012

Betsaida foi uma das cidades que entristeceram Jesus, porque, apesar de ter sido a terra natal dos apóstolos Pedro, André e Felipe, de ter sido também o lugar onde o Senhor fez a maior parte de Seus milagres, Corazim e Betsaida eram cidades totalmente corrompidas, incrédulas e interesseiras. Mas que lições podemos tirar de toda esta situação?

Primeiro: se não vigiarmos, a nossa convivência com um ambiente corrompido nos corromperá. Quantos homens bons e honestos se corrompem ao entrar na política! Quantos jovens crentes mudam suas atitudes cristãs ao entrarem na universidade! Quantos homens e mulheres cristãos mudam suas aparências e seus atos ao entrarem em certos empregos ou quando sobem seu poder aquisitivo! Quantos servos de Deus, comprometidos com o Evangelho, têm esfriado ou deixado Jesus, porque assimilaram a corrupção, o pecado do mundo!

A segunda lição que aprendemos com Betsaida é que a nossa indiferença poderá nos excluir do Reino de Deus.

“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidônia fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidônia, no dia do juízo, do que para vós”. Tiro e Sidônia eram cidades pagãs da Fenícia – atual Líbano, – cidades que não viram os milagres e tudo o que Jesus fez. Portanto, presumi-se que por ignorância agiam e praticavam a maldade. Quem o diz é o próprio Jesus: “Porque, se os milagres que foram feitos aí tivessem sido feitos na cidade de Sodoma, ela existiria até hoje. Pois eu afirmo a vocês que, no Dia do Juízo, Deus terá mais pena de Sodoma do que de você, Cafarnaum”.

Betsaida era indiferente com o poder de Deus. Era uma cidade mergulhada no mundanismo. A “Betsaida de hoje” somos nós quando somos indiferentes ao Senhor. Deus  está falando conosco, mas nós estamos conversando com outros, com o pensamento longe; às vezes, dentro da própria Igreja ou na Celebração Litúrgica.

Somos indiferentes quando sabemos da necessidade do irmão, mas não lhe damos a mínima atenção. Somos indiferentes quando não andamos no caminho estreito, preferindo agir conforme a nossa vontade. Somos indiferentes quando achamos que Jesus irá tardar a voltar e teremos muito tempo para desfrutar os prazeres da vida. Somos indiferentes quando conhecemos a Palavra de Deus, sabemos o que é do Seu agrado e o que não o é. Conhecemos as profecias, mas relegamos tudo isso para o terceiro plano.

A nossa indiferença com Jesus poderá nos custar o preço de Corazim e Cafarnaum ou o preço das virgens néscias, ou seja, o preço de ser deixados para trás. Quantos não vêm para Jesus por causa de problemas com os filhos ou com os pais? Muitas vezes, é a perda trágica de um parente que nos faz sair da aldeia e buscar Jesus. Vivemos no nosso mundo egoísta, na nossa aldeia, no nosso conformismo, na nossa preguiça espiritual e, muitas vezes, não deixamos Jesus entrar nela. Colocamos nossos negócios, nossos alvos na frente de Jesus e não o Reino de Deus em primeiro lugar. Muitas vezes, estamos (ou pensamos que estamos) presos a religiões, culturas, ideias, traumas antigos, conceitos e preconceitos. Então, Jesus, dirigindo-se a nós, diz: “Ai de ti Corazim! Ai de ti Betsaida!”

Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 16 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 16.07.2012 - Quem são os "irmãos" de Jesus?


Evangelho (Mateus 12,46-50)
Segunda-Feira, 16 de Julho de 2012
Santo do dia: Nossa Senhora do Carmo


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 46enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. 47Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”.
48Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” 49E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. 50Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Quem são os ‘irmãos’ de Jesus?
julho 16th, 2012

Vemos neste texto de hoje que Jesus é interrompido de um sermão por alguém que diz: “A sua mãe e os seus irmãos estão lá fora e querem falar contigo”.
O que Ele disse quando foi informado que Sua mãe e Seus irmãos estavam ali, nesta ocasião, parece consistir em desprezo aos Seus familiares mas, na realidade, o significado é mais profundo do que isso.
Ao declarar que todo aquele que faz a vontade de Deus é a Sua família, Ele não estava renunciando à Sua família segundo a carne. Como filho mais velho, Ele continuou a cuidar do bem estar da Sua mãe. Isto foi comprovado quando, ao dar a Sua vida na cruz, Ele passou essa responsabilidade ao discípulo a quem Ele amava.
Simplesmente Jesus define claramente que o parentesco de ordem humana, seja a mãe, os irmãos ou irmãs que Ele tinha, não tem qualquer significação no Reino de Deus.
O relacionamento mais chegado do Senhor Jesus é com o Seu Pai, que está nos céus, o próprio Deus Pai. O único “parentesco” permanente que Ele pode ter é de ordem espiritual – e é com aqueles que fazem a vontade de Deus. A estes, Ele chama de meus irmãos.
Deixando de lado os laços sanguíneos, representado pelo parentesco segundo a carne com Sua mãe e Seus irmãos, o Senhor Jesus passará agora a ampliar o Seu ministério a todos aqueles que O receberem, sem distinção entre judeus e gentios. Não se dará mais exclusividade a Israel, devido à sua incredulidade e rejeição.
O relacionamento segundo a carne passa a ser inteiramente superado por afinidades espirituais. A obediência a Deus é agora o fator predominante e definitivo para estabelecer tais afinidades, sem outra distinção qualquer.
O mesmo se aplica a todo aquele que recebe Cristo como o seu Senhor e Salvador. Ele disse: “Se alguém vem a mim e ama o seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo”. Nosso relacionamento espiritual com Cristo produz um vínculo maior do que nosso parentesco de sangue.
Um aspecto muito importante que deve ser esclarecido é sobre os “irmãos” de Jesus:
Os irmãos de Jesus, como fica claro pelo próprio texto bíblico, eram filhos de Alfeu e sua esposa, e não de José e Maria. Em diversos lugares o Evangelho fala desses “irmãos”. Assim, Marcos e Lucas referem que “estando Jesus a falar, disse-lhe alguém: ‘eis que estão lá fora tua mãe e teus irmãos que querem ver-te’” (Mt 12,46-47; Mc 3,31-32; Lc 8,19-20 e também em Jo 7,1-10).
Toda a pessoa que pergunte sobre os irmãos de Jesus somente revela a sua ignorância da própria Bíblia. Até porque as línguas hebraica e aramaica não possuem palavras que traduzam o nosso ‘primo’ ou ‘prima’, e serve-se da palavra ‘irmão’ ou ‘irmã’.
No Antigo Testamento encontramos e sobretudo em Gn 37,16; 42,15; 43,5; 12,8-14; 39,15), sobrinhos, primos irmãos (1 Par 23,21), e primos segundos (Lv 10,4) – e até ‘parentes’ em geral (Jó 19,13-14; 42,11). Há muitos exemplos nas Sagradas Escrituras. Lê-se no Gênesis que ‘Taré era pai de Abraão e de Harão, e que Harão gerou a Lot’ (Gn 11,27) que, por conseguinte, vinha a ser sobrinho de Abraão. Contudo, no mesmo Gênesis, mais adiante, chama a Lot ‘irmão de Abraão’ (Gn 13,3). “Disse Abraão a Lot: nós somos irmãos” (Gn 14,14). Jacó se declara irmão de Labão, quando, na verdade, era filho de Rebeca, irmã de Labão (Gn 29,12-15).
No Novo Testamento, fica claríssimo que os ‘irmãos’ de Jesus não eram filhos de Nossa Senhora. Os supostos ‘irmãos’ de Jesus são indicados por São Marcos: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão e não estão aqui conosco suas irmãs?” Tiago e Judas, conforme afirma S. Lucas, eram filhos de Alfeu e Cleófas: “Chamou Tiago, filho de Alfeu… e Judas, irmão de Tiago” (Lc 6,15-16). E ainda: “Chamou Judas, irmão de Tiago” (Lc 6,16).
Quanto a ‘José’, S. Mateus diz que é irmão de Tiago: “Entre os quais estava… Maria, mãe de Tiago e de José” (Mt 27,56). Em S. Mateus se lê: “Estavam ali (no calvário), a observar de longe…., Maria Mágdala, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu”. Essa Maria, mãe de Tiago e José, não é a esposa de S. José, mas de Cléofas, conforme S. João (19,25). Era também a irmã de Nossa Senhora, como se lê em S. João (19,25): “Estavam junto à Cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria (esposa) de Cléofas, e Maria de Mágdala”. Simão, irmão dos três outros, ‘Tiago, José e Judas’ são verdadeiramente irmãos entre si, filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Alfeu ou Cléofas é o pai deles.
Da mesma forma, se Nossa Senhora tivesse outros filhos, ela não teria ficado aos cuidados de S. João Evangelista, que não era da família, mas com seu filho mais velho, segundo ordenava a Lei de Moisés. Eis um dilema sem saída para os protestantes, pois os ‘irmãos’ de Jesus são filhos de Maria de Cléofas e Alfeu.
Também decorre uma pergunta: Por que nunca os evangelhos chamam os ‘irmãos de Jesus’ de ‘filhos de Maria’ ou de ‘José’, como fazem em relação à Nosso Senhor? E por que, durante toda a vida da Sagrada Família, apenas conta-se três membros: Jesus, Maria e José?
Portanto, a própria Sagrada Escritura demonstra que os supostos ‘irmãos’ de Jesus são seus primos e não seus irmãos carnais. Sua afirmação de que o trecho de S. Mateus tem duas passagens, uma referindo-se à filiação carnal e a segunda à filiação espiritual fica sem sentido, visto que não conferem com o texto bíblico. Até porque o parentesco de sangue não é sequer mencionado pelos seus irmãos nas cartas que escreveram e que se encontram no Novo Testamento, indicando que não davam valor a isso. Ao invés disso, eles se dizem servos de Jesus Cristo.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

domingo, 15 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 15.07.2012 - Igreja, mistério de comunhão


Evangelho (Marcos 6,7-13)
Domingo, 15 de Julho de 2012
15º Domingo Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 7Jesus chamou os doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros.
8Recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. 9Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas.
10E Jesus disse ainda: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. 11Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles”.
12Então os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. 13Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
Igreja, mistério de comunhão
julho 15th, 2012

O chamado – e conseqüentemente o envio – é uma tarefa que não pode ser realizada no individualismo. Esse chamado é pessoal, a resposta a ele também, mas o ministério, o serviço deve ser entendido numa dimensão comunitária, pois a Igreja é mistério de comunhão.
Para que os apóstolos entendessem isso, o Senhor os enviou em missão, dois a dois, colocando como centro a “vida em comunidade” na ação missionária. Este foi o espírito do Concílio Vaticano II: a missão na Igreja-comunhão. A comunhão entre os fiéis em seus vários estados e estilos de vida faz com que toda a Igreja se sinta por dentro da missão de Jesus.
Para Marcos, no Evangelho de hoje, a missão dos doze apóstolos (e da Igreja hoje) é a mesma de Jesus. Cristo nos envia a pregar o Evangelho, a expulsar os demônios e a curar todas as enfermidades de várias formas.
Veja que Jesus, ao enviar os discípulos para continuar o seu trabalho, recomenda-lhes que não se preocupem com provisões, pois o Pai vai providenciar o seu sustento e abrigo, os quais virão das almas piedosas. Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto; como calçado, unicamente sandálias, e que se não se revestissem de duas túnicas.
Está aqui, a minha e a sua responsabilidade. Quero lembrá-lo, mais uma vez, do sustento e do abrigo dos padres, ajudando-os até mesmo com os nossos bens materiais ou financeiros. Isto é, portanto, de nossa inteira responsabilidade. A nossa contribuição para a Igreja é uma contribuição para Deus.
Quando alguém se prontifica a evangelizar, além das inúmeras graças que essa pessoa vai receber, ela também estará evangelizando a si mesma. Está santificando-se e, a cada dia, mais se aproxima de Deus e do Seu projeto de salvação.
Meu irmão, Deus o está convidando a fazer parte do Seu projeto de salvação. Não se preocupe se você não se considera devidamente preparado ou digno de tal missão. Garanto-lhe que, a partir do momento em que você aceitar o convite d’Ele para seguir com o trabalho iniciado por Jesus, todos os detalhes serão providenciados por Ele na pessoa daqueles que você irá orientar.
E aí, o que você está esperando? Qual a primeira coisa a fazer e como posso fazê-lo? Faça essas perguntas agora a Jesus. Tenho certeza que você encontrará a resposta imediata.
Pai, coloca-me no caminho da verdadeira piedade e caridade, aquela que vai me levar a uma perfeita sintonia com o Senhor, partilhando os meus bens materiais com os que precisam de mim, realizando aquilo que, de fato, é do Seu agrado.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

sábado, 14 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 14.07.2012 - O remédio para vencer nossos medos


Evangelho (Mateus 10,24-33)
Sábado, 14 de Julho de 2012

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24“O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu senhor. 25Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor. Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!
26Não tenhais medo deles, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido. 27O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados! 28Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!
29Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. 30Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. 31Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais.
32Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus. 33Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
O remédio para vencer nossos medos
julho 14th, 2012

Na leitura de hoje, vemos que Cristo nos liberta do medo. Como as enfermidades, os temores podem ser agudos ou crônicos.
Os medos agudos são determinados por uma situação de perigo extraordinário. Como surgem de improviso, assim desaparecem com o cessar do perigo, deixando apenas uma má recordação. Não dependem de nós e são naturais.
Mais perigosos são os medos crônicos, os que vivem conosco, os quais levamos desde o nascimento ou a infância, pois se tornam parte de nosso ser e, por vezes, acabamos até os “acariciando”.
Jesus deu um nome às ansiedades mais comuns do homem: “Que vamos comer? Que vamos beber? Com que vamos nos vestir?” (Mt 6,31). A ansiedade converteu-se na enfermidade do século e é uma das causas principais da multiplicação dos infartos.
Vivemos na ansiedade, no medo irracional do desconhecido. Temer sempre, esperar, sistematicamente, o pior e viver sempre numa palpitação. Se o perigo não existe, a ansiedade o inventa; se existe, agiganta-o.
A pessoa ansiosa sofre sempre duas vezes: primeiro, na previsão; depois, na realidade. O que Jesus, no Evangelho, condena não é tanto o simples temor ou a justa solicitude pelo amanhã, mas, precisamente, a ansiedade e a inquietude. “Não vos preocupeis - diz - com o amanhã. A cada dia se basta com seu próprio mal”.
O remédio para nossas inseguranças se resume em uma palavra: confiança. Confiar em Deus, crer na providência e no amor do Pai celeste. “Quanto a vós, até os vossos cabelos da cabeça estão contados. Vós valeis mais que muitos pardais”. A verdadeira raiz de todos os temores é o de encontrar-se só. Esse contínuo medo da criança de ser abandonada.
Jesus nos assegura justamente isso: não seremos abandonados. “Se minha mãe e meu pai me abandonam, o Senhor me acolherá” (Salmo 27,10). Ainda que todos nos abandonem, Ele não o fará. Seu amor é mais forte que tudo.
O Senhor quer nos libertar dos temores, mas Ele não tem um só modo para fazê-lo, mas dois. Ele nos tira o medo do coração ou nos ajuda a vivê-lo de maneira nova, mais livre, fazendo disso uma ocasião de graça para nós e para os demais.
Deus mesmo quis fazer essa experiência. No Horto das Oliveiras, está escrito que Ele experimentou a tristeza e a angústia. O texto original sugere a ideia de um terror solitário, como de quem se sente isolado do consórcio humano, numa solidão imensa. Ele as quis experimentar precisamente para redimir também este aspecto da condição humana. Desde aquele dia, vivido em união com Ele, o medo – especialmente o da morte – tem o poder de nos levantar em vez de nos deprimir, de nos fazer mais atentos aos demais, mais compreensivos. Em uma palavra: mais humanos.
Jesus Cristo está comigo. A quem temerei? Assaltem-me as vagas e a cólera dos grandes: tudo isso não vale, sequer, o peso de uma teia de aranha, porque Ele está comigo e o Seu báculo me enche de confiança.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 13 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 13.07.2012 - Deus converterá em bem todos os sofrimentos que suportamos


Evangelho (Mateus 10,16-23)
Sexta-Feira, 13 de Julho de 2012
14ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.
18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós.
21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Deus converterá em bem todos os sofrimentos que suportamos
julho 13th, 2012

Neste texto, Mateus nos mostra que a vida prometida a nós por Jesus não é somente de prazeres, mas, antes, uma vida também marcada por tribulações quando assumimos a condição de discípulos e missionários de Cristo no mundo moderno.
O apóstolo também nos lembra que os discípulos não terminarão o seu trabalho sem que venha o Filho do Homem.
Sob o ponto de vista do que nos é proposto neste texto, concluímos que todo o sofrimento só será aceito, por Deus, quando for por amor a Jesus: “Por serem meus seguidores, vocês serão levados aos governadores e reis para serem julgados e falarão a eles e aos não-judeus sobre o Evangelho”. Portanto, as tribulações, por amor a Jesus, não são motivos de tristeza, mas sim de alegria, sabendo que fomos destinados a isto: “Vocês serão presos, levados ao tribunal e serão chicoteados nas sinagogas”. Essa alegria não vem do fato de o cristão “gostar” de ser perseguido ou de ser reputado mártir, mas pelo testemunho que dá e pelo galardão que se segue.
Sofrimentos suportados com paciência por um cristão servem de exemplo e testemunho para toda a Igreja. O apóstolo Pedro emprega sete vezes as palavras “sofrer” e “sofrimento” com referência a Cristo, encorajando os cristãos a seguirem o exemplo de Jesus.
Sofrer é a escola de simpatia do Espírito Santo, onde aprendemos a consolar e a confortar as pessoas da mesma maneira que Deus o faz. Somente quem enfrentou a dor e as perdas pode, genuinamente, consolar os que passam por tais situações (cf. Hb 4,15).
O sofrimento é o meio usado pelom Senhor para nos fazer crescer na fé. Pedro diz que o padecimento é comparado à ação do fogo, como um elemento purificador que torna o objeto aprovado, aperfeiçoado, confirmado.
Quando passarmos pelo sofrimento, devemos nos lembrar que o Senhor está conosco e não permitirá que soframos além do que podemos suportar. Ele converterá em bem todos os males e perseguições sofridas por aqueles que O amam e obedecem aos Seus mandamentos. Ele se importa conosco, independente da severidade das circunstâncias.
Nunca devemos permitir que o mal nos leve a pensar que Deus não nos ama nem deixar que ele nos afaste de Jesus (cf. Mt 13,20-21). Devemos recorrer ao Senhor em oração sincera, esperar até que Ele nos liberte da aflição e confiar que o Pai nos dará a graça para suportar a aflição até chegar o livramento. Convém lembrar sempre: “somos mais do que vencedores por aquele que nos amou” (cf. Rm 8,37; Jo 16,33).
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 12 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 12.07.2012 - Colocar-se inteiramente a serviço da missão


Evangelho (Mateus 10,7-15)
Quinta-Feira, 12 de Julho de 2012
14ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 7“Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. 8Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!
9Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; 10nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito a seu sustento. 11Em qualquer cidade ou povoado onde entrardes, informai-vos para saber quem ali seja digno. Hospedai-vos com ele até a vossa partida.
12Ao entrardes numa casa, saudai-a. 13Se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; se ela não for digna, volte para vós a vossa paz. 14Se alguém não vos receber, nem escutar vossa palavra, saí daquela casa ou daquela cidade, e sacudi a poeira dos vossos pés. 15Em verdade vos digo, as cidades de Sodoma e Gomorra serão tratadas com menos dureza do que aquela cidade, no dia do juízo.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA

Colocar-se inteiramente a serviço da missão
julho 12th, 2012

Após o chamado dos doze apóstolos, Jesus os envia em missão, fazendo-lhes várias recomendações.
A primeira recomendação é a de que o Reino do Céu está próximo. Portanto, todo mundo – inteirando-se da sua aproximação – tem de estar de sobreaviso.  É preciso que os apóstolos participem do ministério do Mestre: “Curem os leprosos e outros doentes, ressuscitem os mortos e expulsem os demônios”.
Eles devem continuar a missão de Jesus: dar vida, devolver a liberdade e resgatar a dignidade das pessoas oprimidas.
Este convite, hoje, é feito a mim como sacerdote e a você como consagrado ou consagrada, leigo ou leiga. Todos somos convocados a anunciar o Reino dos Céus. Mas, muitas vezes, nos falta a coragem de sair de nós mesmos para anunciar. Peçamos a Ele que envie muitos e santos sacerdotes. Muitos e santos casais sem nos preocuparmos com o que haveremos de receber em troca.
Lembro-lhe que o despojamento é um ato de liberdade do missionário para colocar-se inteiramente a serviço da missão. É um ato de confiança na providência de Deus, que opera por meio dos homens e mulheres, aos quais são enviados e que acolhem estes missionários.
Por isso, reze comigo: “Senhor Jesus, ensina-me a ser generoso, a servir-Te como Tu mereces, a dar-me sem medidas e a gastar-me sem esperar outra recompensa, senão saber que faço a Tua vontade santa. Amém”.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 11 de julho de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 11.07.2012 - O amor do Bom Pastor por Sua única ovelha


Evangelho (Mateus 10,1-7)
Quarta-Feira, 11 de Julho de 2012

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos maus e de curar todo tipo de doença e enfermidade. 2Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5Jesus enviou estes Doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOM ILIA

O amor do Bom Pastor por Sua única ovelha
julho 11th, 2012

Ordenando aos discípulos para curar os doentes, ressuscitar os mortos, sarar os leprosos e expulsar os demônios, Jesus pretende que os Seus seguidores reproduzam a vida de Seu Mestre, ao mesmo tempo em que os convoca a empregar todos os recursos e forças para a solução dos problemas mais angustiantes das ovelhas perdidas da casa de Israel.
Cristo veio procurar a “única ovelha que se tinha perdido” (Mt 18,12). A única ovelha é você, seu marido, sua esposa, seu filho ou sua filha. O seu parente. É por esta alma perdida, por esta ovelha desgarrada que o Bom Pastor foi enviado. Ele que, desde sempre, nos foi prometido.
Jesus nos conhece e nos chama pelo nome: Simão, chamado Pedro, e o seu irmão André; Tiago e o seu irmão João, filhos de Zebedeu; Filipe, Bartolomeu, Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu; Tadeu e Simão, o nacionalista; e Judas Iscariotes. Jesus associa à Sua atividade um grupo de homens que irá pregar a Boa Nova e realizar os prodígios que Ele realizou. Aos Seus seguidores, o Senhor dá ordens para continuarem Sua obra em favor das pessoas, confere-lhes autoridade para expulsar maus espíritos e curar os doentes.
Por nós mesmos, como cristãos, não tínhamos um “poder mágico” para realizar esses milagres, mas o evangelista usa essa imagem para expressar a luta dos discípulos de todos os tempos contra tudo aquilo que destrói a vida humana física, psicológica ou espiritual.
Assim nos dá a conhecer o Seu amor por nós e nos compromete com e na Sua missão. Ele nos converte em discípulos e missionários com uma vocação específica na Igreja, por Ele mesmo instituída. Quer como bispos, quer como presbíteros ou como leigos.
Portanto, meu irmão, se Ele foi enviado como verdade para os ludibriados, como caminho para os transviados, como remédio para os doentes, como resgate para os cativos e como alimento para os que morriam de fome, você – como discípulo e missionário d’Ele no mundo de hoje – não pode nem deve ser outra coisa senão aquilo que Ele foi e é em mim e em você. Ele foi ao encontro de todos e de cada um, foi enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel para que elas não se perdessem para sempre e tivessem vida em abundância.
Esta é a minha e a sua tarefa de hoje: anunciar a Boa Nova, descobrindo, no mundo, os “espíritos maus”, isto é, os males que escravizam as pessoas, e buscar a cura e a libertação para elas, pois o Reino de Deus está próximo.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova