sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 5,1-12 - 01.02.2026

 Liturgia Diária


1º – DOMINGO 

4º DOMINGO DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 4ª semana do saltério)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra iuxta Vulgatam Clementinam

Psalmus 105 (106), 47

Salvos nos fac, Domine Deus noster,
et congrega nos de nationibus,
ut confiteamur nomini sancto tuo,
et gloriemur in laude tua.

Tradução

Salva-nos, Senhor, nosso Deus,
não apenas do perigo visível,
mas da dispersão do ser no tempo fragmentado.

Congrega-nos do meio das nações,
isto é, recolhe-nos das múltiplas exterioridades
e reconduze-nos à unidade do Teu Presente eterno.

Para que confessemos o Teu Nome,
não como palavra pronunciada,
mas como Presença reconhecida no centro da consciência.

E para que nossa glória seja louvar-Te,
não por exaltação do eu,
mas porque, no louvor,
o tempo se verticaliza
e o ser repousa em Ti.

Jesus chama e recolhe, não para impor, mas para revelar o eixo da vida que sustenta o ser. Em torno dele, a existência encontra direção e medida. Segui-lo é confiar no que não se dissolve, avançando contra o ruído das seduções passageiras. Nesse caminhar, o coração descobre a bem-aventurança que nasce da coerência interior. Celebramos a Páscoa do Senhor como passagem do disperso ao uno, do medo à entrega lúcida. Ela nos move a viver segundo um novo modo de ser, onde agir, desejar e esperar se alinham ao Bem que permanece e plenifica toda a história pessoal e eterna.



Evangelium secundum Matthaeum 5,1–12

  1. Videns autem Iesus turbas, ascendit in montem et cum sedisset, accesserunt ad eum discipuli eius.
    Jesus, ao ver as multidões, eleva-se ao monte e se assenta. O ensinamento nasce da altura interior onde o ser encontra clareza e recolhimento.

  2. Et aperiens os suum, docebat eos dicens
    Da boca aberta brota a palavra que ordena a vida e desperta a consciência para o sentido que permanece.

  3. Beati pauperes spiritu quoniam ipsorum est regnum caelorum.
    Felizes os que não se apoiam em si mesmos pois neles se abre o espaço do eterno.

  4. Beati qui lugent quoniam ipsi consolabuntur.
    Felizes os que atravessam a dor com inteireza pois nela amadurece o consolo que não passa.

  5. Beati mites quoniam ipsi possidebunt terram.
    Felizes os que não violentam o caminho pois recebem a existência como herança.

  6. Beati qui esuriunt et sitiunt iustitiam quoniam ipsi saturabuntur.
    Felizes os que desejam o justo como ordem do ser pois serão saciados pela verdade.

  7. Beati misericordes quoniam ipsi misericordiam consequentur.
    Felizes os que acolhem com compaixão pois reencontram em si a medida do humano.

  8. Beati mundo corde quoniam ipsi Deum videbunt.
    Felizes os de coração íntegro pois reconhecem o divino no agora vivido.

  9. Beati pacifici quoniam filii Dei vocabuntur.
    Felizes os que harmonizam o interior pois manifestam a origem que os sustenta.

  10. Beati qui persecutionem patiuntur propter iustitiam quoniam ipsorum est regnum caelorum.
    Felizes os que permanecem firmes no justo pois já habitam o que não se perde.

  11. Beati estis cum maledixerint vobis et persecuti vos fuerint et dixerint omne malum adversum vos mentientes propter me.
    Felizes sois quando sois provados pois o sentido não depende da aprovação externa.

  12. Gaudete et exsultate quoniam merces vestra copiosa est in caelis sic enim persecuti sunt prophetas qui fuerunt ante vos.
    Alegrai-vos pois a plenitude está guardada no alto da existência onde o tempo se recolhe.

Verbum Domini

Reflexão:
A bem-aventurança não nasce da posse, mas do alinhamento interior.
O ensinamento conduz a uma firmeza que não reage ao caos externo.
Quem governa a si mesmo encontra paz no meio das provas.
A vida se esclarece quando o desejo aprende a esperar.
O justo não acelera nem recua diante do ruído.
A alegria brota do consentimento ao real.
O presente torna-se morada quando a alma se mantém inteira.
Assim o ser caminha sustentado por aquilo que permanece.


Versículo mais importante:

Qui habet aures audiendi, audiat.

Quem possui ouvidos para ouvir, escute não apenas o som, mas a profundidade que atravessa o instante. Aqui, ouvir é consentir que a Palavra desça ao centro do ser, onde o tempo deixa de correr e passa a reunir. A escuta verdadeira suspende a dispersão, abre o interior e permite que a semente eterna frutifique no agora que permanece. (Mt 13,9)


HOMILIA

Caminho Interior das Bem Aventuranças

Ao subir o monte, o Senhor não busca distância do mundo, mas altura de sentido. Ele se assenta para ensinar que a vida se organiza a partir de um centro estável, onde o coração aprende a permanecer. As bem aventuranças não são promessas futuras nem recompensas externas. Elas descrevem um estado do ser que amadurece quando a pessoa se deixa formar por dentro.

Pobres em espírito são aqueles que não se fecham em si. Neles há espaço para o que vem do Alto. Os que choram não fogem da dor, atravessam-na com inteireza e por isso encontram consolação verdadeira. Os mansos não perdem força, mas governam o impulso e recebem a vida como dom.

O desejo do justo purifica a vontade e ordena as escolhas. A misericórdia devolve unidade ao coração dividido. A pureza interior permite reconhecer Deus no presente vivido. Os pacificadores não produzem ruído, geram harmonia. A fidelidade ao justo sustenta mesmo quando há prova.

Nesse caminho, a dignidade da pessoa se revela e a família se afirma como lugar primeiro de formação do ser. Assim, a existência se eleva, não por fuga do tempo, mas por aprofundamento dele, até repousar no sentido que permanece.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do sentido evangélico
Quem possui ouvidos para ouvir, ouça conforme ensina o Senhor em Mateus capítulo 13 versículo 9. Esta palavra não convoca apenas a atenção exterior, mas chama a consciência a um modo mais profundo de escuta, onde a verdade não é apenas compreendida, mas acolhida no íntimo do ser.

A escuta como consentimento interior
Ouvir, à luz do ensinamento do Cristo, não é acumular sons nem conceitos. É permitir que a Palavra encontre morada no centro da pessoa. Quando isso ocorre, a existência deixa de ser conduzida pela pressa e pela fragmentação, e passa a ser reunida em torno de um sentido que permanece e sustenta.

A descida da Palavra no coração
A Palavra não se impõe de fora. Ela desce quando encontra abertura. Esse movimento interior transforma o modo de viver, pois o agir passa a brotar do que foi assimilado em profundidade. Assim, o ser não reage ao instante, mas responde a partir de um eixo interior amadurecido.

O agora que permanece
Quando a escuta é verdadeira, o tempo deixa de ser apenas sucessão e se torna presença. Nesse estado, a semente lançada pelo Verbo frutifica, não como resultado imediato, mas como vida que cresce silenciosamente, ordenando pensamentos, escolhas e relações segundo a verdade que não passa.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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Primeira Leitura

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Salmo

Evangelho

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 4,35-41 - 31.01.2026

 Liturgia Diária


31 – SÁBADO 

SÃO JOÃO BOSCO


PRESBÍTERO


(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra iuxta Vulgatam Clementinam

Sacerdótes tui, Dómine, induántur iustítiam,
et sancti tui exsúltent lætítia.

Psalmus 131,9

Tradução

Que aqueles que se colocam diante de Ti, ó Senhor,
não se revistam de funções, mas de Justiça viva;
e que os teus santos —
os que habitam o Agora eterno da Tua Presença —
não apenas se alegrem,
mas exultem na alegria que nasce do alinhamento com o Teu Tempo.

— Salmo 131,9 


Na memória de João Bosco, contemplamos o mistério daquele que se deixou formar interiormente pela Voz que educa desde o centro do ser. Sua vida não respondeu às circunstâncias, mas a um chamado que atravessa o tempo e ordena a ação segundo um sentido mais alto. Diante das resistências do mundo, permaneceu fiel à escuta interior que conduz sem coagir e orienta sem impor. Ao dedicar-se à juventude, reconheceu no outro uma potência ainda não manifestada. Hoje, em comunhão com todos os educadores, celebramos o Divino Mestre, fonte silenciosa de toda formação verdadeira.



Evangelium secundum Marcum 4,35–41
In illo tempore

35 Et ait illis illa die cum sero esset factum
Naquele entardecer, Ele os convida a atravessar não apenas o lago, mas o limiar onde o imediato cede lugar ao essencial.

36 Et dimittentes turbam, assumunt eum ita ut erat in navi et aliae naves erant cum eo
Ao deixarem a multidão, permanecem com Ele tal como Ele é, sem máscaras, enquanto outras presenças os acompanham no invisível.

37 Et facta est procella magna venti et fluctus mittebant se in navem ita ut iam impleretur navis
Quando a força desordenada se ergue, tudo o que é instável tenta ocupar o espaço do coração.

38 Et ipse erat in puppi super cervical dormiens et excitant eum et dicunt ei Magister non ad te pertinet quia perimus
Enquanto o centro permanece em repouso, a inquietação humana confunde ruído com abandono.

39 Et exsurgens comminatus est vento et dixit mari Tace obmutesce et cessavit ventus et facta est tranquillitas magna
Uma única palavra que nasce do fundamento basta para restabelecer a ordem que sempre esteve ali.

40 Et ait illis Quid timidi estis nondum habetis fidem
Ele os conduz da reação ao assentimento interior que não depende das circunstâncias.

41 Et timuerunt timore magno et dicebant ad invicem Quis putas est iste quia et ventus et mare oboediunt ei
Diante do que ultrapassa a medida comum, o ser reconhece a presença que sustenta todas as coisas.

Verbum Domini

Reflexão:
A travessia revela que o caos não nasce do mundo, mas do olhar que se fixa apenas no movimento externo.
Quando o centro permanece desperto, o tumulto perde autoridade.
A palavra justa não força, apenas recoloca cada coisa em seu lugar próprio.
O repouso interior não é fuga, mas firmeza silenciosa.
A confiança amadurecida não exige garantias visíveis.
Quem aprende a governar a si não se perde na tormenta.
O essencial não se agita, sustenta.
Assim, a paz não chega depois da tempestade, ela precede e ordena tudo.


Versículo mais importante:

Et exsurgens comminatus est vento et dixit mari Tace obmutesce et cessavit ventus et facta est tranquillitas magna

Erguendo-se desde o centro que não é afetado pelo fluxo das horas, Ele fala a partir do Agora que sustenta todos os instantes. Ao silêncio imposto ao vento e ao mar, não responde a força, mas a obediência do criado ao princípio que o precede. Quando a Palavra emerge do Tempo Vertical, o movimento exterior se aquieta, pois reconhece Aquele que permanece enquanto tudo passa. (Mc 4,39)


HOMILIA

Silêncio que Ordena o Mar Interior

Há um centro no interior humano onde o ruído não alcança e de onde nasce a palavra que restaura a ordem sem violência.

O Evangelho nos conduz a uma travessia onde não se mede distância, mas profundidade. O lago é o espaço da existência comum, o barco é a interioridade em movimento, e a noite revela aquilo que não se controla. Ao entrar na barca com os discípulos, o Mestre não promete ausência de vento, mas presença real. Ele não reage ao tumulto como quem luta contra forças externas. Permanece recolhido no centro, onde nada se perde, onde tudo encontra medida.

A tempestade expõe a fragilidade do olhar que se fixa apenas no que se move. O medo nasce quando a consciência se dispersa e esquece o fundamento que a sustenta. O sono do Mestre não é indiferença. É sinal de uma permanência que não depende das circunstâncias. Ali se revela que há um ponto no ser onde o ruído não alcança, e é desse ponto que a palavra verdadeira se levanta.

Quando Ele se ergue e fala ao vento, não impõe violência. A ordem retorna porque reconhece sua origem. O mar se aquieta ao ouvir a voz que o chama ao seu lugar. Assim também acontece no interior humano quando a alma aprende a escutar o que não grita. A formação verdadeira não nasce da pressão externa, mas do alinhamento com aquilo que já habita o coração como semente.

Essa travessia ilumina a dignidade da pessoa, chamada a não ser governada pelo impulso, mas a conduzir-se a partir de um centro íntegro. A casa interior, como a família em sua vocação primeira, é espaço de geração e cuidado, onde o crescimento ocorre pela presença constante e não pelo domínio. Quando esse núcleo é preservado, a existência encontra estabilidade mesmo em meio ao incerto.

O Mestre pergunta aos discípulos não para acusar, mas para despertar. Ele os convida a amadurecer a confiança que não depende de sinais imediatos. A evolução interior se dá quando a consciência deixa de exigir garantias externas e aprende a permanecer firme no que a sustenta por dentro.

Celebrar este Evangelho é acolher o chamado a atravessar o dia e a noite com o coração ordenado. Não para eliminar as tempestades, mas para reconhecer que há uma palavra silenciosa que as antecede. Quem aprende a permanecer nesse centro não se perde no movimento. Descobre que a paz não é um efeito tardio, mas uma origem que tudo sustenta.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A Palavra que Reordena o Ser
Mc 4,39

O versículo apresentado revela um gesto que nasce de um centro não submetido à sucessão dos instantes. Ao erguer Se, o Cristo não reage ao caos como quem enfrenta algo externo, mas manifesta uma autoridade que precede o próprio movimento do mundo. Sua palavra não compete com o vento nem disputa com o mar. Ela recorda à criação a origem da qual jamais se separou.

O Centro que Permanece

O repouso anterior do Cristo indica uma permanência que não depende das circunstâncias. Esse centro imóvel não é ausência de ação, mas plenitude de ser. Dali nasce a palavra que não se apressa, pois já contém em si o princípio da ordem. A autoridade verdadeira não se constrói no conflito, mas na fidelidade ao fundamento que sustenta todas as coisas.

A Obediência do Criado

O vento e o mar se aquietam não por coerção, mas por reconhecimento. A criação responde quando reencontra aquele princípio que lhe deu forma e medida. Essa obediência não diminui, mas confirma a harmonia inscrita no ser desde a origem. O silêncio que surge não é vazio, é plenitude restaurada.

A Palavra que Sustenta os Instantes

Quando o Cristo fala, o tempo não é negado, mas recolocado em sua justa relação com o eterno. O movimento exterior se acalma porque reconhece Aquele que não passa. Para a assembleia litúrgica, este gesto revela que toda travessia humana encontra estabilidade quando se ancora nesse ponto interior onde o agora não se dissolve, mas permanece sustentado por Deus.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 4,26-34 - 30.01.2026

 Liturgia Diária


30 – SEXTA-FEIRA 

3ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Cantate Domino canticum novum; cantate Domino, omnis terra. Confessio et pulchritudo in conspectu eius; sanctimonia et magnificentia in sanctificatione eius.


Cantai ao Senhor o cântico que nasce do eterno, pois toda a terra é chamada a participar do instante onde o ser se abre à plenitude que o sustenta. Diante Dele, a glória não se consome e a beleza não passa, pois Sua presença suspende a sucessão dos instantes e revela a santidade como permanência no agora sagrado. (Sl 95,1.6).


A criação vegetal realiza silenciosamente aquilo para o qual foi chamada, respondendo sem hesitação à ordem que a sustenta. Por isso, o ensinamento do Reino recorre a essa imagem, revelando uma fidelidade que nasce da permanência no princípio que a orienta. A pessoa humana, porém, é convidada a um caminho mais profundo, no qual pode acolher ou dispersar o sentido recebido. Reconhecer as próprias limitações não é negação do ser, mas abertura à restauração interior. Quando o coração consente em retornar à fonte que o chama, a misericórdia se manifesta como força que reordena, cura e reconduz cada existência ao seu verdadeiro cumprimento.



Evangelium secundum Marcum 4,26-34

26 Et dicebat: Sic est regnum Dei, quemadmodum si homo jaciat semen in terram,
Assim é o Reino como o gesto silencioso que deposita no instante algo que já pertence ao eterno, lançado no chão do tempo sem ruído nem pressa.

27 et dormiat, et exsurgat nocte ac die, et semen germinet et increscat, dum nescit ille.
O homem atravessa o repouso e o despertar, enquanto o invisível trabalha acima do seu controle, crescendo fora da vigilância da mente.

28 Ultro enim terra fructificat, primum herbam, deinde spicam, deinde plenum frumentum in spica.
A própria realidade obedece a uma ordem que sobe em graus, do oculto ao manifesto, segundo uma medida que não se apressa.

29 Et cum se produxerit fructus, statim mittit falcem, quoniam adest messis.
Quando a plenitude amadurece, o tempo se contrai e o instante se revela como cumprimento.

30 Et dicebat: Cui assimilabimus regnum Dei? aut cui parabolae comparabimus illud?
Como dizer o que excede a forma, senão por imagens que apontam para além de si mesmas.

31 Sicut granum sinapis, quod cum seminatum fuerit in terra, minus est omnibus seminibus quae sunt in terra
É como o princípio quase imperceptível que carrega em si uma vastidão ainda não visível.

32 et cum seminatum fuerit, ascendit, et fit majus omnibus oleribus, et facit ramos magnos, ita ut possint sub umbra ejus aves caeli habitare.
O que nasce pequeno atravessa os níveis do real e se torna morada, abrigo e eixo de permanência.

33 Et talibus multis parabolis loquebatur eis verbum, prout poterant audire
A palavra se ajusta à escuta possível, respeitando o ritmo interior de cada consciência.

34 sine parabola autem non loquebatur eis; seorsum autem discipulis suis disserebat omnia.
No recolhimento, o sentido se abre inteiro àquele que aceita permanecer.

Verbum Domini

Reflexão:
O crescimento verdadeiro não depende da agitação da vontade
Ele acontece quando o instante é acolhido como ponto de encontro com o alto
Há um tempo que não corre mas sustenta
Nele o agir se harmoniza com a ordem maior
O domínio não está em forçar o fruto
Mas em permanecer fiel ao que foi semeado
Quem compreende isso atravessa o mundo sem se perder nele
E repousa firme mesmo quando tudo muda


Versículo mais importante:

et dormiat, et exsurgat nocte ac die, et semen germinet et increscat, dum nescit ille.

O ser atravessa o repouso e o despertar enquanto, acima do tempo que percebe, o princípio oculto cresce e se expande segundo uma ordem que não depende do saber humano. (Mc 4,27)


HOMILIA

O Reino que cresce em silêncio

O essencial se expande quando o agir humano se harmoniza com a profundidade que sustenta o tempo.

O Evangelho revela um mistério que não se impõe pela força nem pela ansiedade do controle. O Reino é apresentado como algo que cresce enquanto o homem dorme e desperta, atravessando o ciclo ordinário dos dias, sem que a mente consiga dominar o processo. Aqui somos conduzidos a uma compreensão mais alta do agir divino, que opera num plano onde o tempo não é apenas sucessão, mas profundidade.

A semente lançada na terra não negocia com o relógio. Ela responde a uma ordem mais elevada, inscrita no próprio ser. Assim também a evolução interior não nasce do esforço tenso, mas da fidelidade silenciosa ao que foi acolhido no íntimo. Há um amadurecimento que acontece quando o coração aprende a confiar naquilo que sustenta todas as coisas.

O crescimento descrito por Jesus respeita etapas. Primeiro o invisível, depois o que desponta, por fim a plenitude. Essa progressão revela que nada é apressado no desígnio divino. A dignidade da pessoa se manifesta justamente nessa capacidade de permanecer íntegra enquanto cresce, sem violentar o próprio ritmo nem o dos outros.

Quando o Senhor fala do grão de mostarda, Ele aponta para a grandeza escondida no pequeno. A família, como célula mater da vida humana, participa desse mesmo princípio. Ela é o lugar onde o que parece mínimo se torna raiz de estabilidade, transmissão e continuidade. É ali que o humano aprende a habitar, a esperar e a sustentar.

As parábolas não explicam tudo de uma vez. Elas respeitam a escuta possível, pois a verdade mais alta não se impõe, ela se oferece. Quem aceita esse caminho aprende a agir sem inquietação excessiva, a decidir sem romper a ordem interior, e a caminhar com firmeza mesmo quando não vê imediatamente os frutos.

Este Evangelho nos convida a uma postura de confiança ativa. Não é passividade, mas alinhamento. Quem se harmoniza com esse nível mais profundo do tempo vive com mais inteireza, honra a própria consciência e reconhece que o essencial cresce em silêncio, sustentado por uma fidelidade que ultrapassa o instante visível.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do sentido espiritual
O ser atravessa o repouso e o despertar enquanto, acima do tempo que percebe, o princípio oculto cresce e se expande segundo uma ordem que não depende do saber humano. (Mc 4,27)

Este versículo revela um eixo profundo da revelação. Ele indica que a ação divina não se limita ao encadeamento visível dos instantes, mas atua numa dimensão onde o crescimento ocorre mesmo quando a consciência não intervém.

A ordem que sustenta o crescimento
O Evangelho afirma que a semente cresce sem que o homem saiba como. Isso não diminui a dignidade humana, mas a eleva. O agir de Deus respeita uma ordem inscrita no próprio ser, anterior a qualquer cálculo. O crescimento verdadeiro nasce da fidelidade a essa ordem e não da tentativa de dominá la.

O tempo como profundidade e não apenas sucessão
Dormir e despertar representam o ciclo ordinário da existência. No entanto, o texto indica que algo mais alto atravessa esse ciclo sem se submeter a ele. Há um tempo que não corre, mas sustenta. Nele, o amadurecimento acontece mesmo quando o exterior parece imóvel.

A confiança como postura interior
O desconhecimento humano não é falha, mas condição. Reconhecer que o fruto cresce além do controle da mente conduz a uma postura de confiança vigilante. O ser permanece atento, sem ansiedade, colaborando com aquilo que já está em ação.

A harmonia entre agir e esperar
O Evangelho não propõe inércia. A semente foi lançada, o cuidado foi realizado. Depois disso, o homem aprende a esperar no nível mais alto do real. Essa harmonia preserva a integridade da pessoa e permite que cada etapa se cumpra plenamente.

Unidade interior e maturidade espiritual
Quando o crescimento é acolhido dessa forma, a vida se organiza por dentro. O ser não se fragmenta pela pressa nem pela inquietação. Ele amadurece em unidade, alinhado com a ordem que conduz todas as coisas ao seu cumprimento.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 4,21-25 - 29.01.2026

 Liturgia Diária


29 – QUINTA-FEIRA 

3ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra — juxta Vulgatam Clementinam

Cantate Domino canticum novum;
cantate Domino, omnis terra.

Confessio et pulchritudo in conspectu eius;
sanctimonia et magnificentia in sanctificatione eius.

Psalmus 95 (96), 1.6

Cantai ao Senhor o cântico que nasce do Eterno,
pois toda a terra é chamada a ressoar no instante em que o céu toca o tempo.
Diante d’Ele, a glória não passa,
o esplendor não se consome,
pois Sua presença suspende os ciclos e revela o Agora absoluto.

Santidade e beleza habitam o Seu santuário,
não como formas que envelhecem,
mas como plenitude que se manifesta
quando o tempo se abre à eternidade
e a criação reconhece a Fonte que a sustenta.

— Salmo 95 (96), 1.6


O mistério do Reino foi confiado primeiramente aos que aprenderam a escutar no silêncio interior, onde a verdade não se impõe, mas se revela. A partir deles, o anúncio alcança todos os que despertam para a Presença que sustenta o ser. Permanecer diante do Senhor não é um gesto exterior, mas um alinhamento profundo do espírito com a Fonte que chama cada consciência a responder por si. Celebrar esse Reino é assumir o compromisso de torná-lo visível na própria existência, permitindo que ele se dilate no mundo como luz que não constrange, mas atrai, e como sentido que cresce à medida que é acolhido.



Evangelium secundum Marcum 4, 21-25

21 Et dicebat eis Numquid venit lucerna ut sub modio ponatur aut sub lecto nonne ut super candelabrum ponatur
E dizia lhes A luz não surge para permanecer oculta pois aquilo que é aceso no interior pede altura para iluminar o sentido do ser e ordenar o tempo a partir do eterno.

22 Non enim est aliquid absconditum quod non manifestetur nec factum est secretum sed ut in palam veniat
Nada permanece velado quando a verdade amadurece pois o que nasce no silêncio do espírito é conduzido à clareza quando o instante se abre ao que não passa.

23 Si quis habet aures audiendi audiat
Quem aprende a escutar além do som reconhece que ouvir é alinhar a consciência à presença que sustenta toda existência.

24 Et dicebat eis Videte quid audiatis In qua mensura mensi fueritis remetietur vobis et adicietur vobis
O modo de acolher define a expansão interior pois aquilo que é recebido com inteireza retorna como plenitude e aprofundamento do ser.

25 Qui enim habet dabitur illi et qui non habet etiam quod habet auferetur ab illo
Quem guarda o sentido o vê crescer enquanto quem o dispersa perde até a percepção do que lhe foi confiado.

Verbum Domini

Reflexão:
A palavra revela que a existência se forma a partir do que é acolhido no íntimo
O tempo deixa de ser sucessão quando cada instante é vivido com inteireza
A consciência amadurece ao responder com fidelidade ao que lhe é dado
O crescimento verdadeiro nasce da ordem interior e não do acúmulo exterior
A dignidade do ser manifesta-se na coerência entre ouvir e viver
A família torna-se o primeiro espaço dessa transmissão silenciosa
Assim a vida adquire firmeza serenidade e direção
E o invisível passa a orientar cada passo no visível


Versículo mais importante:

Non enim est aliquid absconditum quod non manifestetur; nec factum est secretum, sed ut in palam veniat.

Não há realidade velada que não seja chamada à revelação, pois o que nasce no silêncio do ser é conduzido à clareza quando o instante se abre à plenitude que o sustenta. (Mc 4,22)


HOMILIA

A Claridade que Forma o Ser

A família é o primeiro espaço onde a verdade se transmite como presença e não como imposição.

A palavra proclamada no Evangelho recorda que a luz não nasce para ser retida, mas para revelar a ordem interior que sustenta o existir. Quando o coração acolhe essa claridade, o tempo deixa de ser apenas sucessão e torna-se espaço de amadurecimento, onde cada instante participa de uma plenitude que não se esgota. Assim, ouvir não é acumular sons, mas permitir que o sentido transforme o modo de ver, pensar e agir.

O crescimento interior acontece na medida em que a consciência se dispõe a responder ao dom recebido. Aquilo que é acolhido com atenção se amplia, enquanto o que é negligenciado se dispersa. A pessoa humana encontra aí sua dignidade mais profunda, pois é chamada a tornar visível, pela própria vida, aquilo que foi aceso no íntimo do ser.

Nesse mesmo horizonte, a família surge como o primeiro lugar onde a luz é sustentada e transmitida. Nela, o sentido é cultivado como herança viva, formando consciências capazes de reconhecer o valor do outro e a responsabilidade do próprio caminho. Desse modo, o Reino se manifesta sem ruído, como claridade que permanece e orienta, fazendo da existência um testemunho silencioso da verdade que ilumina todas as coisas.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Não há realidade velada que não seja chamada à revelação, pois o que nasce no silêncio do ser é conduzido à clareza quando o instante se abre à plenitude que o sustenta (Mc 4,22)

A Revelação como Movimento do Ser

O ensinamento do Evangelho indica que a revelação não é um evento exterior imposto ao mundo, mas um desdobramento que acontece quando o ser alcança maturidade interior. Aquilo que permanece oculto não o faz por negação, mas por espera. Existe um ritmo próprio no qual o sentido se manifesta, respeitando a capacidade de acolhimento da consciência e a fidelidade do coração ao que lhe foi confiado.

O Silêncio como Espaço Gerador

O silêncio mencionado não é ausência, mas profundidade. É nele que o sentido se forma antes de ganhar expressão. Quando a pessoa consente em habitar esse recolhimento interior, o que é verdadeiro começa a emergir sem esforço, conduzido por uma ordem que não depende da sucessão dos instantes, mas de uma presença contínua que sustenta tudo o que existe.

A Clareza que Não Se Impõe

A clareza evocada pelo versículo não se confunde com exposição forçada. Ela surge como fruto de fidelidade interior e atenção perseverante. O que se revela o faz porque encontrou espaço para permanecer, e não porque foi arrancado da sombra. Assim, a verdade ilumina sem ferir e orienta sem constranger.

A Plenitude que Sustenta o Instante

Quando o instante se abre à plenitude, o tempo deixa de ser apenas passagem e torna-se lugar de encontro. Cada momento carrega em si a possibilidade de comunhão com aquilo que não se esgota. Nesse horizonte, a vida se ordena, a dignidade se aprofunda e o caminho do ser encontra direção, permanecendo fiel à luz que o chama à revelação.

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 4,1-20 - 28.01.2026

 Liturgia Diária


28 – QUARTA-FEIRA 

SANTO TOMÁS DE AQUINO


PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA


(branco, pref. dos doutores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Texto latino — Vulgata Clementina

In médio ecclésiæ aperuit os ejus,
et implevit eum Dominus
spiritu sapientiæ et intellectus,
stolam glóriæ índuit eum.

(Ecclesiasticus 15,5)

Tradução litúrgica

No coração da Assembleia, o Senhor abriu-lhe a boca,
não para o discurso do tempo,
mas para a Palavra que desce do Alto.

E o Eterno o plenificou com o Espírito
onde a Sabedoria não passa
e a Inteligência não se fragmenta.

Revestiu-o, então, com o manto da Glória —
não como ornamento exterior,
mas como sinal visível
de uma consciência já habitada pelo Agora de Deus. 

(Ecclesiasticus 15,5)


Tomás, nascido na terra italiana, atravessou o mundo sem se fixar nele. Formou-se junto a mestres luminosos, mas escolheu uma ordem onde o saber se curva ao silêncio. Seu sacerdócio não separou pensamento e oração: fez do estudo um ato de escuta e da ciência um caminho de purificação interior. Ensinou que a verdade não se impõe, antes se revela à inteligência que consente. Na Suma, o real é ordenado sem rigidez, aberto ao mistério que sustenta tudo. Por isso, permanece patrono daqueles que buscam conhecer sem aprisionar, pensar sem possuir, ensinar sem dominar.



Evangelium secundum Marcum 4 1–20

1 Et iterum coepit docere ad mare. Et congregata est ad eum turba multa, ita ut navim ascendens sederet in mari, et omnis turba circa mare super terram erat.
E o ensinamento nasce onde o movimento cessa, e a Palavra se eleva enquanto a escuta se dispõe.

2 Et docebat eos in parabolis multa, et dicebat illis in doctrina sua
O ensino não se entrega cru, mas velado, para que a compreensão amadureça no interior.

3 Audite. Ecce exiit seminans ad seminandum.
Escutar é abrir o ser ao gesto invisível daquele que confia o sentido ao tempo.

4 Et dum seminat, aliud cecidit secus viam, et venerunt volucres caeli et comederunt illud.
O que não encontra profundidade dissolve-se no ruído das superfícies.

5 Aliud vero cecidit super petrosa, ubi non habebat terram multam, et statim exortum est, quoniam non habebat altitudinem terrae.
O ímpeto sem raiz nasce rápido e se perde na mesma pressa.

6 Et cum exortus esset sol, aestuavit, et quia non habebat radicem, exaruit.
O ardor revela o que é sustentado e o que apenas aparenta ser.

7 Et aliud cecidit in spinas, et ascenderunt spinae et suffocaverunt illud, et fructum non dedit.
Quando o excesso ocupa o centro, o essencial deixa de respirar.

8 Et aliud cecidit in terram bonam, et dabat fructum ascendentem et crescentem, et afferebat unum triginta et unum sexaginta et unum centum.
Onde há acolhimento paciente, o sentido se multiplica além da medida.

9 Et dicebat Qui habet aures audiendi audiat.
Ouvir é consentir que o invisível organize o visível.

10 Et cum esset singularis, interrogaverunt eum hi qui cum eo erant, duodecim, parabolas.
A intimidade nasce quando a pergunta vence a distração.

11 Et dicebat eis Vobis datum est mysterium regni Dei, illis autem qui foris sunt, in parabolis omnia fiunt.
O mistério não exclui, apenas aguarda maturidade interior.

12 Ut videntes videant et non videant, et audientes audiant et non intellegant, ne quando convertantur et dimittantur eis peccata.
Sem disposição interior, o olhar permanece fragmentado.

13 Et ait illis Nescitis parabolam hanc, et quomodo omnes parabolas cognoscetis.
Quem não atravessa o símbolo permanece na superfície do real.

14 Qui seminat, verbum seminat.
A Palavra é lançada como possibilidade, não como imposição.

15 Hi autem sunt qui secus viam, ubi seminatur verbum, et cum audierint, statim venit Satanas et aufert verbum quod seminatum est in cordibus eorum.
O descuido interior abre passagem ao esquecimento.

16 Et similiter hi sunt qui super petrosa seminantur, qui cum audierint verbum, statim cum gaudio accipiunt illud.
A alegria sem enraizamento não sustenta a travessia.

17 Et non habent radicem in se, sed temporales sunt; deinde orta tribulatione et persecutione propter verbum, confestim scandalizantur.
A prova revela a solidez do que foi acolhido.

18 Et alii sunt qui in spinis seminantur, hi sunt qui verbum audiunt.
Escutam, mas não ordenam o interior.

19 Et sollicitudines saeculi et deceptio divitiarum et concupiscentiae circa reliqua introeuntes suffocant verbum, et sine fructu efficitur.
Quando o múltiplo governa, o uno se cala.

20 Et hi sunt qui super terram bonam seminantur, qui audiunt verbum et suscipiunt et fructificant triginta et sexaginta et centum.
A escuta fiel transforma o instante em permanência.

Verbum Domini

Reflexão:
A semente não escolhe o solo.
Ela confia no ritmo do real.
O fruto nasce da constância silenciosa,
não do impulso imediato.
Ordenar o interior é vencer a dispersão.
Aceitar o limite fortalece a permanência.
O que amadurece sustenta o peso do tempo,
e o ser encontra repouso na fidelidade ao sentido.


Versículo mais importante:

Et hi sunt qui super terram bonam seminantur, qui audiunt verbum et suscipiunt et fructificant triginta et sexaginta et centum.

E estes são os que foram semeados na terra boa,
aqueles que escutam a Palavra e a acolhem,
permitindo que o instante seja atravessado pelo eterno,
e que o sentido amadureça sem pressa,
produzindo fruto que não pertence ao relógio,
mas ao agora pleno, onde o invisível se faz presente,
multiplicando o ser para além da medida,
no centro silencioso onde Deus acontece. (Mc 4,20)


HOMILIA

A Escuta que Faz Germinar o Ser

A casa interior ordenada gera vínculos estáveis e fecundos.

O Senhor fala como quem semeia no invisível, confiando que o coração humano saiba tornar-se morada antes de tornar-se voz. Cada palavra lançada não busca rapidez nem aplauso, mas profundidade, pois somente o que desce às raízes atravessa o instante e permanece. O ensinamento revela que o crescimento verdadeiro não nasce do acúmulo, mas da ordem interior que permite ao ser sustentar o peso do sentido. Quando a pessoa se harmoniza por dentro, sua casa torna-se firme, e o vínculo que a une aos seus se organiza como espaço de transmissão e cuidado. Assim, o fruto não é conquista exterior, mas maturação silenciosa de uma escuta fiel.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do versículo
E estes são os que foram semeados na terra boa, aqueles que escutam a Palavra e a acolhem, permitindo que o instante seja atravessado pelo eterno, e que o sentido amadureça sem pressa, produzindo fruto que não pertence ao relógio, mas ao agora pleno, onde o invisível se faz presente, multiplicando o ser para além da medida, no centro silencioso onde Deus acontece. (Mc 4,20)

A escuta como morada
O versículo revela que escutar não é um ato passageiro, mas a constituição de uma morada interior. A Palavra encontra espaço quando o coração se dispõe a receber sem resistência e sem pressa. Nesse acolhimento, o instante comum é elevado e ganha densidade, pois o ouvido do ser se abre ao que permanece.

O amadurecimento do sentido
O crescimento descrito não obedece à urgência humana. Ele se realiza pela constância que permite ao sentido ganhar forma ao longo do tempo vivido. O fruto nasce quando a interioridade aceita ser trabalhada e ordenada, reconhecendo que a verdade se oferece por desvelamento e não por imposição.

O agora pleno
O fruto mencionado não pertence à contagem das horas. Ele emerge quando o presente se torna pleno, unificado, reconciliado. Nesse estado, o invisível não se opõe ao visível, mas o sustenta, revelando uma presença que atravessa a experiência e a orienta.

A fecundidade do ser
Multiplicar-se além da medida não indica excesso exterior, mas plenitude interior. O ser que amadurece torna-se capaz de gerar vínculos estáveis, de sustentar a casa e de transmitir sentido. No silêncio profundo, Deus acontece como fundamento, não como ruído, e a vida encontra sua forma mais verdadeira.

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domingo, 25 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 3,31-35 - 27.01.2026

 Liturgia Diária


27 – TERÇA-FEIRA 

3ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)

“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam

Cantáte Dómino cánticum novum:
cantáte Dómino, omnis terra.

Conféssio et pulchritúdo in conspéctu eius;
sanctitas et magnificéntia in sanctuário eius.

(Psalmus 95, 1.6)

 

Cantai ao Senhor um cântico que não nasce do passado nem espera o futuro,
mas brota do instante pleno onde tudo é presença.
Que toda a terra cante, porque toda a criação é convocada
ao agora onde a eternidade se revela.

Diante d’Ele, a glória não é aparência, mas revelação;
o esplendor não é ornamento, mas verdade manifesta.
No Seu santuário, a santidade é o alinhamento do ser
com o centro vivo onde o tempo se recolhe
e o eterno se deixa ouvir como louvor.

(Salmo 95,1.6)


A verdadeira família de Jesus manifesta-se, em sua origem, na casa onde Ele foi gerado, acolhido e guardado. Nela, o desígnio divino encontrou espaço, silêncio e fidelidade para entrar no mundo. Essa família não se define apenas pelo sangue, mas pela disposição interior que permite à vontade divina tomar forma na história. Nela, cada ser reconhece seu lugar na ordem viva que precede escolhas e ultrapassa o tempo sucessivo. Nesta celebração, somos reunidos não por proximidade exterior, mas por convergência interior, onde vontades dispersas reencontram um único centro. Ao acolher a Palavra, a mente se alinha à verdade que não passa, e o coração se dilata para o bem que não constrange. Assim, a comunhão se realiza como participação consciente no querer divino que gera, sustenta e orienta o ser.


Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est


Evangelium secundum Marcum 3,31–35

31 Et veniunt mater eius et fratres et foris stantes miserunt ad eum vocantes eum.
Chegam aqueles que lhe deram origem histórica e o chamam desde fora, indicando o limite entre a forma visível e o chamado interior que sustenta o ser.

32 Et sedebat circa eum turba et dixerunt ei ecce mater tua et fratres tui foris quaerunt te.
A assembleia ao redor representa a atenção reunida no instante pleno, enquanto o apelo exterior revela a tensão entre pertencimento aparente e adesão essencial.

33 Et respondens eis ait quae est mater mea et fratres mei.
Jesus desloca o olhar da superfície para o princípio, convidando a consciência a rever o que define a verdadeira pertença.

34 Et circumspiciens eos qui in circuitu sedebant ait ecce mater mea et fratres mei.
O olhar que circunda reconhece como família aqueles que permanecem centrados na escuta e na presença.

35 Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.
A comunhão autêntica nasce da concordância com o querer que sustenta tudo, onde o ser encontra sua origem contínua.

Verbum Domini

Reflexão:
A palavra desloca o eixo do pertencimento para o interior do agir consciente
Nada se perde quando o ser se alinha ao princípio que o chama
O vínculo mais forte nasce da fidelidade silenciosa ao bem reconhecido
A escuta atenta ordena o pensamento e pacifica o coração
O presente torna-se pleno quando a vontade se ajusta ao que é justo
A casa verdadeira forma-se onde há constância e discernimento
Assim o humano participa de uma ordem que não se fragmenta
E encontra repouso ao agir conforme aquilo que permanece


Versículo mais importante:

Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.

Quem se une ao querer divino permanece na origem,
onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)


HOMILIA

A Origem que Sustenta a Casa

A família revela sua plenitude ao oferecer espaço para o crescimento silencioso do sentido.

No Evangelho, quando Jesus indica como família aqueles que realizam o querer divino, Ele não nega a casa que O gerou, mas a eleva ao seu sentido pleno. Antes de ampliar o vínculo, Ele o enraíza. Deus adentrou a história ao encontrar uma morada que consentisse em recebê-Lo, e essa casa primeira tornou possível que o Mistério crescesse sob cuidado, silêncio e fidelidade. Ao fazê-lo, revelou a família como célula mater do existir humano e espaço onde o sentido aprende a habitar antes de ser anunciado.

É a partir dessa origem concreta que o ensinamento se expande. A palavra pronunciada em Marcos não rompe laços, mas revela seu fundamento interior. A pertença se aprofunda pela escuta que ordena o agir ao bem reconhecido, e não pela proximidade exterior. Quando a vida se organiza a partir desse centro estável, o tempo deixa de dispersar o sentido e passa a maturar o ser. Honrar essa origem é permitir que o eterno continue a inscrever-se no mundo, não como ideia abstrata, mas como presença viva que forma, sustenta e orienta o existir.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Versículo Inspirador
Quem se une ao querer divino permanece na origem, onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)

A Origem que Precede o Agir
O ensinamento de Jesus revela que toda permanência verdadeira nasce do alinhamento interior ao querer que sustenta a criação. Permanecer na origem não significa retorno ao passado, mas habitar o ponto onde o sentido não se dispersa. Nesse lugar interior, o ser não é conduzido pela sucessão dos instantes, mas pela fidelidade ao princípio que o chama continuamente ao existir pleno.

A Família como Espaço de Permanência
Em harmonia com a homilia, compreende-se que a família assume dignidade singular por ser o primeiro espaço onde essa permanência pode ser aprendida. Foi por meio de uma casa concreta que Deus entrou na história, mostrando que o acolhimento silencioso forma o ser antes de qualquer palavra. Assim, o lar torna-se escola de escuta, maturação e consentimento ao bem reconhecido.

O Presente que Sustenta o Ser
Quando a vontade humana se ajusta ao querer divino, o tempo deixa de fragmentar a existência. O agir nasce de um centro estável, e o vínculo já não depende da exterioridade, mas da comunhão interior. Nesse presente pleno, o ser encontra repouso, direção e sentido, participando da ordem viva que gera, sustenta e orienta todas as coisas.

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