segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 4,1-20 - 28.01.2026

 Liturgia Diária


28 – QUARTA-FEIRA 

SANTO TOMÁS DE AQUINO


PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA


(branco, pref. dos doutores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Texto latino — Vulgata Clementina

In médio ecclésiæ aperuit os ejus,
et implevit eum Dominus
spiritu sapientiæ et intellectus,
stolam glóriæ índuit eum.

(Ecclesiasticus 15,5)

Tradução litúrgica

No coração da Assembleia, o Senhor abriu-lhe a boca,
não para o discurso do tempo,
mas para a Palavra que desce do Alto.

E o Eterno o plenificou com o Espírito
onde a Sabedoria não passa
e a Inteligência não se fragmenta.

Revestiu-o, então, com o manto da Glória —
não como ornamento exterior,
mas como sinal visível
de uma consciência já habitada pelo Agora de Deus. 

(Ecclesiasticus 15,5)


Tomás, nascido na terra italiana, atravessou o mundo sem se fixar nele. Formou-se junto a mestres luminosos, mas escolheu uma ordem onde o saber se curva ao silêncio. Seu sacerdócio não separou pensamento e oração: fez do estudo um ato de escuta e da ciência um caminho de purificação interior. Ensinou que a verdade não se impõe, antes se revela à inteligência que consente. Na Suma, o real é ordenado sem rigidez, aberto ao mistério que sustenta tudo. Por isso, permanece patrono daqueles que buscam conhecer sem aprisionar, pensar sem possuir, ensinar sem dominar.



Evangelium secundum Marcum 4 1–20

1 Et iterum coepit docere ad mare. Et congregata est ad eum turba multa, ita ut navim ascendens sederet in mari, et omnis turba circa mare super terram erat.
E o ensinamento nasce onde o movimento cessa, e a Palavra se eleva enquanto a escuta se dispõe.

2 Et docebat eos in parabolis multa, et dicebat illis in doctrina sua
O ensino não se entrega cru, mas velado, para que a compreensão amadureça no interior.

3 Audite. Ecce exiit seminans ad seminandum.
Escutar é abrir o ser ao gesto invisível daquele que confia o sentido ao tempo.

4 Et dum seminat, aliud cecidit secus viam, et venerunt volucres caeli et comederunt illud.
O que não encontra profundidade dissolve-se no ruído das superfícies.

5 Aliud vero cecidit super petrosa, ubi non habebat terram multam, et statim exortum est, quoniam non habebat altitudinem terrae.
O ímpeto sem raiz nasce rápido e se perde na mesma pressa.

6 Et cum exortus esset sol, aestuavit, et quia non habebat radicem, exaruit.
O ardor revela o que é sustentado e o que apenas aparenta ser.

7 Et aliud cecidit in spinas, et ascenderunt spinae et suffocaverunt illud, et fructum non dedit.
Quando o excesso ocupa o centro, o essencial deixa de respirar.

8 Et aliud cecidit in terram bonam, et dabat fructum ascendentem et crescentem, et afferebat unum triginta et unum sexaginta et unum centum.
Onde há acolhimento paciente, o sentido se multiplica além da medida.

9 Et dicebat Qui habet aures audiendi audiat.
Ouvir é consentir que o invisível organize o visível.

10 Et cum esset singularis, interrogaverunt eum hi qui cum eo erant, duodecim, parabolas.
A intimidade nasce quando a pergunta vence a distração.

11 Et dicebat eis Vobis datum est mysterium regni Dei, illis autem qui foris sunt, in parabolis omnia fiunt.
O mistério não exclui, apenas aguarda maturidade interior.

12 Ut videntes videant et non videant, et audientes audiant et non intellegant, ne quando convertantur et dimittantur eis peccata.
Sem disposição interior, o olhar permanece fragmentado.

13 Et ait illis Nescitis parabolam hanc, et quomodo omnes parabolas cognoscetis.
Quem não atravessa o símbolo permanece na superfície do real.

14 Qui seminat, verbum seminat.
A Palavra é lançada como possibilidade, não como imposição.

15 Hi autem sunt qui secus viam, ubi seminatur verbum, et cum audierint, statim venit Satanas et aufert verbum quod seminatum est in cordibus eorum.
O descuido interior abre passagem ao esquecimento.

16 Et similiter hi sunt qui super petrosa seminantur, qui cum audierint verbum, statim cum gaudio accipiunt illud.
A alegria sem enraizamento não sustenta a travessia.

17 Et non habent radicem in se, sed temporales sunt; deinde orta tribulatione et persecutione propter verbum, confestim scandalizantur.
A prova revela a solidez do que foi acolhido.

18 Et alii sunt qui in spinis seminantur, hi sunt qui verbum audiunt.
Escutam, mas não ordenam o interior.

19 Et sollicitudines saeculi et deceptio divitiarum et concupiscentiae circa reliqua introeuntes suffocant verbum, et sine fructu efficitur.
Quando o múltiplo governa, o uno se cala.

20 Et hi sunt qui super terram bonam seminantur, qui audiunt verbum et suscipiunt et fructificant triginta et sexaginta et centum.
A escuta fiel transforma o instante em permanência.

Verbum Domini

Reflexão:
A semente não escolhe o solo.
Ela confia no ritmo do real.
O fruto nasce da constância silenciosa,
não do impulso imediato.
Ordenar o interior é vencer a dispersão.
Aceitar o limite fortalece a permanência.
O que amadurece sustenta o peso do tempo,
e o ser encontra repouso na fidelidade ao sentido.


Versículo mais importante:

Et hi sunt qui super terram bonam seminantur, qui audiunt verbum et suscipiunt et fructificant triginta et sexaginta et centum.

E estes são os que foram semeados na terra boa,
aqueles que escutam a Palavra e a acolhem,
permitindo que o instante seja atravessado pelo eterno,
e que o sentido amadureça sem pressa,
produzindo fruto que não pertence ao relógio,
mas ao agora pleno, onde o invisível se faz presente,
multiplicando o ser para além da medida,
no centro silencioso onde Deus acontece. (Mc 4,20)


HOMILIA

A Escuta que Faz Germinar o Ser

A casa interior ordenada gera vínculos estáveis e fecundos.

O Senhor fala como quem semeia no invisível, confiando que o coração humano saiba tornar-se morada antes de tornar-se voz. Cada palavra lançada não busca rapidez nem aplauso, mas profundidade, pois somente o que desce às raízes atravessa o instante e permanece. O ensinamento revela que o crescimento verdadeiro não nasce do acúmulo, mas da ordem interior que permite ao ser sustentar o peso do sentido. Quando a pessoa se harmoniza por dentro, sua casa torna-se firme, e o vínculo que a une aos seus se organiza como espaço de transmissão e cuidado. Assim, o fruto não é conquista exterior, mas maturação silenciosa de uma escuta fiel.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do versículo
E estes são os que foram semeados na terra boa, aqueles que escutam a Palavra e a acolhem, permitindo que o instante seja atravessado pelo eterno, e que o sentido amadureça sem pressa, produzindo fruto que não pertence ao relógio, mas ao agora pleno, onde o invisível se faz presente, multiplicando o ser para além da medida, no centro silencioso onde Deus acontece. (Mc 4,20)

A escuta como morada
O versículo revela que escutar não é um ato passageiro, mas a constituição de uma morada interior. A Palavra encontra espaço quando o coração se dispõe a receber sem resistência e sem pressa. Nesse acolhimento, o instante comum é elevado e ganha densidade, pois o ouvido do ser se abre ao que permanece.

O amadurecimento do sentido
O crescimento descrito não obedece à urgência humana. Ele se realiza pela constância que permite ao sentido ganhar forma ao longo do tempo vivido. O fruto nasce quando a interioridade aceita ser trabalhada e ordenada, reconhecendo que a verdade se oferece por desvelamento e não por imposição.

O agora pleno
O fruto mencionado não pertence à contagem das horas. Ele emerge quando o presente se torna pleno, unificado, reconciliado. Nesse estado, o invisível não se opõe ao visível, mas o sustenta, revelando uma presença que atravessa a experiência e a orienta.

A fecundidade do ser
Multiplicar-se além da medida não indica excesso exterior, mas plenitude interior. O ser que amadurece torna-se capaz de gerar vínculos estáveis, de sustentar a casa e de transmitir sentido. No silêncio profundo, Deus acontece como fundamento, não como ruído, e a vida encontra sua forma mais verdadeira.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

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domingo, 25 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 3,31-35 - 27.01.2026

 Liturgia Diária


27 – TERÇA-FEIRA 

3ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)

“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam

Cantáte Dómino cánticum novum:
cantáte Dómino, omnis terra.

Conféssio et pulchritúdo in conspéctu eius;
sanctitas et magnificéntia in sanctuário eius.

(Psalmus 95, 1.6)

 

Cantai ao Senhor um cântico que não nasce do passado nem espera o futuro,
mas brota do instante pleno onde tudo é presença.
Que toda a terra cante, porque toda a criação é convocada
ao agora onde a eternidade se revela.

Diante d’Ele, a glória não é aparência, mas revelação;
o esplendor não é ornamento, mas verdade manifesta.
No Seu santuário, a santidade é o alinhamento do ser
com o centro vivo onde o tempo se recolhe
e o eterno se deixa ouvir como louvor.

(Salmo 95,1.6)


A verdadeira família de Jesus manifesta-se, em sua origem, na casa onde Ele foi gerado, acolhido e guardado. Nela, o desígnio divino encontrou espaço, silêncio e fidelidade para entrar no mundo. Essa família não se define apenas pelo sangue, mas pela disposição interior que permite à vontade divina tomar forma na história. Nela, cada ser reconhece seu lugar na ordem viva que precede escolhas e ultrapassa o tempo sucessivo. Nesta celebração, somos reunidos não por proximidade exterior, mas por convergência interior, onde vontades dispersas reencontram um único centro. Ao acolher a Palavra, a mente se alinha à verdade que não passa, e o coração se dilata para o bem que não constrange. Assim, a comunhão se realiza como participação consciente no querer divino que gera, sustenta e orienta o ser.


Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est


Evangelium secundum Marcum 3,31–35

31 Et veniunt mater eius et fratres et foris stantes miserunt ad eum vocantes eum.
Chegam aqueles que lhe deram origem histórica e o chamam desde fora, indicando o limite entre a forma visível e o chamado interior que sustenta o ser.

32 Et sedebat circa eum turba et dixerunt ei ecce mater tua et fratres tui foris quaerunt te.
A assembleia ao redor representa a atenção reunida no instante pleno, enquanto o apelo exterior revela a tensão entre pertencimento aparente e adesão essencial.

33 Et respondens eis ait quae est mater mea et fratres mei.
Jesus desloca o olhar da superfície para o princípio, convidando a consciência a rever o que define a verdadeira pertença.

34 Et circumspiciens eos qui in circuitu sedebant ait ecce mater mea et fratres mei.
O olhar que circunda reconhece como família aqueles que permanecem centrados na escuta e na presença.

35 Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.
A comunhão autêntica nasce da concordância com o querer que sustenta tudo, onde o ser encontra sua origem contínua.

Verbum Domini

Reflexão:
A palavra desloca o eixo do pertencimento para o interior do agir consciente
Nada se perde quando o ser se alinha ao princípio que o chama
O vínculo mais forte nasce da fidelidade silenciosa ao bem reconhecido
A escuta atenta ordena o pensamento e pacifica o coração
O presente torna-se pleno quando a vontade se ajusta ao que é justo
A casa verdadeira forma-se onde há constância e discernimento
Assim o humano participa de uma ordem que não se fragmenta
E encontra repouso ao agir conforme aquilo que permanece


Versículo mais importante:

Qui enim fecerit voluntatem Dei hic frater meus et soror mea et mater est.

Quem se une ao querer divino permanece na origem,
onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)


HOMILIA

A Origem que Sustenta a Casa

A família revela sua plenitude ao oferecer espaço para o crescimento silencioso do sentido.

No Evangelho, quando Jesus indica como família aqueles que realizam o querer divino, Ele não nega a casa que O gerou, mas a eleva ao seu sentido pleno. Antes de ampliar o vínculo, Ele o enraíza. Deus adentrou a história ao encontrar uma morada que consentisse em recebê-Lo, e essa casa primeira tornou possível que o Mistério crescesse sob cuidado, silêncio e fidelidade. Ao fazê-lo, revelou a família como célula mater do existir humano e espaço onde o sentido aprende a habitar antes de ser anunciado.

É a partir dessa origem concreta que o ensinamento se expande. A palavra pronunciada em Marcos não rompe laços, mas revela seu fundamento interior. A pertença se aprofunda pela escuta que ordena o agir ao bem reconhecido, e não pela proximidade exterior. Quando a vida se organiza a partir desse centro estável, o tempo deixa de dispersar o sentido e passa a maturar o ser. Honrar essa origem é permitir que o eterno continue a inscrever-se no mundo, não como ideia abstrata, mas como presença viva que forma, sustenta e orienta o existir.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Versículo Inspirador
Quem se une ao querer divino permanece na origem, onde o vínculo não passa e o ser habita o presente pleno. (Mc 3,35)

A Origem que Precede o Agir
O ensinamento de Jesus revela que toda permanência verdadeira nasce do alinhamento interior ao querer que sustenta a criação. Permanecer na origem não significa retorno ao passado, mas habitar o ponto onde o sentido não se dispersa. Nesse lugar interior, o ser não é conduzido pela sucessão dos instantes, mas pela fidelidade ao princípio que o chama continuamente ao existir pleno.

A Família como Espaço de Permanência
Em harmonia com a homilia, compreende-se que a família assume dignidade singular por ser o primeiro espaço onde essa permanência pode ser aprendida. Foi por meio de uma casa concreta que Deus entrou na história, mostrando que o acolhimento silencioso forma o ser antes de qualquer palavra. Assim, o lar torna-se escola de escuta, maturação e consentimento ao bem reconhecido.

O Presente que Sustenta o Ser
Quando a vontade humana se ajusta ao querer divino, o tempo deixa de fragmentar a existência. O agir nasce de um centro estável, e o vínculo já não depende da exterioridade, mas da comunhão interior. Nesse presente pleno, o ser encontra repouso, direção e sentido, participando da ordem viva que gera, sustenta e orienta todas as coisas.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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sábado, 24 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Lucas 10,1-9 - 26.01.2026

 Liturgia Diária


26 – SEGUNDA-FEIRA 

SANTOS TIMÓTEO E TITO


BISPOS


(branco, pref. comum ou dos pastores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais para uso litúrgico, filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra iuxta Vulgatam Clementinam

  Annuntiate inter gentes gloriam eius,
  in universis populis mirabilia eius.
  Quoniam magnus Dominus, et laudabilis nimis.

        (Psalmus 95 [96], 3–4)

  Manifestai, no coração das nações, a Sua Glória,
  e no seio de todos os povos, os sinais do Eterno que age.
  Pois Deus é grande —
  grande além do tempo que passa,
  e digno de louvor no instante que toca a eternidade. (Salmo 95 [96], 3–4)


Timóteo e Tito emergem como figuras da escuta fiel e da continuidade interior. Não caminham por iniciativa própria, mas por adesão consciente a um chamado que os precede e os ultrapassa. Neles, a transmissão não é repetição mecânica, mas assimilação viva do sentido que sustenta a existência. O ensinamento recebido torna-se forma, ordem e critério do agir. Ao assumirem o cuidado da comunidade, revelam que a autoridade nasce da consonância com o verdadeiro e não da imposição. Inspirados por esses servidores do fundamento, somos conduzidos a alinhar pensamento, decisão e ação ao eixo permanente que sustenta o instante e o torna pleno.



Evangelium secundum Lucam 10,1–9

  1. Post haec autem designavit Dominus et alios septuaginta duos et misit illos binos ante faciem suam in omnem civitatem et locum quo erat ipse venturus.
    Depois disso, o Senhor escolheu outros e os enviou dois a dois, antecipando Sua presença onde Ele mesmo desejava manifestar-se, revelando que o envio precede o encontro.

  2. Et dicebat illis Messis quidem multa est operarii autem pauci Rogate ergo Dominum messis ut mittat operarios in messem suam.
    A plenitude já está madura, mas poucos se dispõem a acolher seu peso interior. Por isso, o pedido não é por abundância, mas por consonância com o sentido que chama.

  3. Ite ecce ego mitto vos sicut agnos inter lupos.
    Ide, não com dureza, mas com inteireza. A força aqui não se afirma pelo confronto, mas pela fidelidade silenciosa ao que é.

  4. Nolite portare sacculum neque peram neque calceamenta et neminem per viam salutaveritis.
    Despojados do excesso, o caminhar torna-se atento. Quando nada distrai, o instante revela sua densidade essencial.

  5. In quamcumque domum intraveritis primum dicite Pax huic domui.
    Onde a presença chega inteira, a ordem interior se comunica e harmoniza o espaço invisível que sustenta o visível.

  6. Et si ibi fuerit filius pacis requiescet super illum pax vestra sin autem ad vos revertetur.
    A consonância reconhece a consonância. Quando há acolhida, o que é oferecido permanece; quando não, retorna sem se perder.

  7. In eadem autem domo manete edentes et bibentes quae apud illos sunt dignus enim est operarius mercede sua Nolite transire de domo in domum.
    A permanência revela maturidade. O que sustenta o agir justo é recebido no mesmo lugar onde a presença se estabelece.

  8. Et in quamcumque civitatem intraveritis et susceperint vos manducate quae apponuntur vobis.
    A aceitação simples do que é dado preserva a unidade entre o agir e o sentido que o orienta.

  9. Et curate infirmos qui in illa sunt et dicite illis Appropinquavit in vos regnum Dei.
    Quando a ordem interior toca o outro, o que estava disperso se reorienta, pois o que governa todas as coisas já se faz próximo.

Verbum Domini

Reflexão:
O envio não é deslocamento exterior, mas alinhamento interior.
Quem caminha sem excesso aprende a habitar cada instante por inteiro.
A autoridade nasce da coerência silenciosa entre ser e agir.
Nada se perde quando o sentido é mantido, mesmo diante da recusa.
A paz não é produzida, é reconhecida.
O cuidado restaura porque reconduz ao eixo do real.
O Reino se aproxima quando a consciência se ordena.
Assim, o tempo se adensa e o instante se torna morada do eterno.


Versículo mais importante:

Et curate infirmos qui in illa sunt et dicite illis Appropinquavit in vos regnum Dei.

Curai o que se encontra desalinhado no ser humano e anunciai que aquilo que governa todas as coisas já se fez próximo. Não como promessa distante, mas como presença que toca o agora e o reconduz ao seu princípio. (Lc 10,9)


HOMILIA

Caminhar Enviado e Habitar o Instante

O envio verdadeiro nasce do silêncio interior que consente.

O envio narrado no Evangelho revela que a origem do agir não nasce do cálculo, mas da escuta que antecede toda decisão. Ao ir dois a dois, a pessoa aprende que a verdade se reconhece no encontro e que a dignidade cresce quando o coração se alinha ao que o ultrapassa. O despojamento pedido não empobrece, antes purifica o olhar para que cada passo se torne inteiro. A casa acolhida figura o núcleo primeiro onde a vida se forma e amadurece, lugar em que a paz se reconhece como ordem viva. Curar e anunciar não são tarefas separadas, pois quando o interior se recompõe, o Reino se faz próximo no agora que se abre ao eterno.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Versículo orientador
Curai o que se encontra desalinhado no ser humano e anunciai que aquilo que governa todas as coisas já se fez próximo. Não como promessa distante, mas como presença que toca o agora e o reconduz ao seu princípio. (Lc 10,9)

O sentido do curar
Curar não se reduz ao gesto externo nem à reparação do visível. Trata-se de restaurar a justa ordem interior, aquela consonância entre pensamento, afeto e ação que permite ao ser humano habitar a própria existência com inteireza. Quando o desalinho é recolocado em seu eixo, o indivíduo reencontra sua dignidade originária e sua capacidade de responder ao chamado que o precede.

O anúncio da proximidade
O anúncio não aponta para um futuro distante nem para um ideal abstrato. Ele revela uma realidade já atuante, que se deixa perceber quando a consciência se abre ao real em profundidade. O que governa todas as coisas não se impõe de fora, mas se manifesta como fundamento silencioso que sustenta cada instante vivido com verdade.

O agora como lugar de revelação
O agora não é um ponto fugaz entre passado e futuro. Ele se torna lugar de encontro quando é vivido com atenção plena e disposição interior. Nesse instante recolhido, o eterno toca o transitório, não para anulá-lo, mas para conduzi-lo ao seu sentido mais alto.

A unidade entre cura e anúncio
Curar e anunciar são expressões de um mesmo movimento interior. Onde a ordem é restaurada, a proximidade do Reino se torna evidente. Assim, a ação não se separa da contemplação, e o agir justo nasce naturalmente da fidelidade ao princípio que sustém todas as coisas.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

Leia também:

Primeira Leitura

Segunda Leitura

Salmo

Evangelho

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Mateus 4,12-23 - 25.01.2026

 Liturgia Diária


25 – DOMINGO 

3º DOMINGO DO TEMPO COMUM


(verde, glória, creio – 3ª semana do saltério)

“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Biblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam

  Cantáte Dómino cánticum novum;
  cantáte Dómino, omnis terra.
  Conféssio et pulchritúdo in conspéctu eius;
  sánctitas et magnificéntia in sanctuário eius.

  (Psalmus 95, 1.6)

Cantai ao Senhor um cântico que não nasce da repetição,
mas do agora eterno que atravessa o tempo.
Que toda a terra cante,
pois o instante em que o Eterno se revela
não pertence ao passado nem ao futuro,
mas ao centro vivo de todas as coisas.

Glória e esplendor não são adornos externos,
mas a irradiação da Presença que sustenta o ser.
Diante d’Ele, o tempo se curva,
e o santuário deixa de ser lugar
para tornar-se estado do espírito,
onde santidade e beleza coincidem
no mesmo ponto silencioso do existir.


Em nome de Jesus, claridade que atravessa o ser e orienta o pensamento, reunimo-nos no centro do mistério para celebrar o alimento que une o visível ao invisível. Nesta liturgia, o chamado não ecoa no ontem nem se projeta no amanhã, mas se manifesta no instante pleno onde o eterno toca a consciência. Somos convocados a caminhar na convergência dos espíritos, afinando o querer interior ao desígnio maior, tornando-nos fiéis portadores da Palavra que gera e sustenta o Reino. Celebrar o Domingo da Palavra é habitar esse ponto vivo onde escuta, sentido e existência coincidem.



Evangelium secundum Matthaeum 4, 12–23

12 Cum autem audisset Iesus quod Ioannes traditus esset, secessit in Galilaeam.
Quando a voz do precursor se recolhe, a Presença move-se, revelando que o chamado não depende das circunstâncias, mas do sentido que se manifesta no instante pleno.

13 Et relicta civitate Nazareth, venit et habitavit in Capharnaum maritima, in finibus Zabulon et Nephthalim.
O deslocamento exterior espelha uma travessia interior, onde o lugar deixa de ser geografia e torna-se disposição do ser.

14 Ut adimpleretur quod dictum est per Isaiam prophetam dicentem
O dito antigo ressoa agora, mostrando que o tempo não se fragmenta quando a verdade se cumpre.

15 Terra Zabulon et terra Nephthalim, via maris trans Iordanen, Galilaea gentium
A travessia das margens indica que toda passagem contém um ponto de revelação.

16 Populus qui sedebat in tenebris vidit lucem magnam et sedentibus in regione umbrae mortis lux orta est eis.
A luz não sucede à sombra, mas irrompe no mesmo ponto onde a consciência desperta.

17 Exinde coepit Iesus praedicare et dicere Agite paenitentiam appropinquavit enim regnum caelorum.
O convite é ao realinhamento interior, onde o Reino se apresenta como presença imediata.

18 Ambulans autem Iesus iuxta mare Galilaeae vidit duos fratres Simonem qui vocatur Petrus et Andream fratrem eius mittentes rete in mare erant enim piscatores.
O olhar que chama reconhece no gesto comum uma vocação mais profunda.

19 Et ait illis Venite post me et faciam vos fieri piscatores hominum.
Seguir é consentir que o sentido transforme o modo de agir.

20 At illi continuo relictis retibus secuti sunt eum.
A prontidão revela uma escolha que nasce do centro e não da hesitação.

21 Et procedens inde vidit alios duos fratres Iacobum Zebedaei et Ioannem fratrem eius in navi cum Zebedaeo patre eorum reficientes retia et vocavit eos.
O chamado alcança também os vínculos, ordenando-os a um propósito mais alto.

22 Illi autem statim relicta navi et patre secuti sunt eum.
Quando o essencial se impõe, o apego cede sem conflito.

23 Et circuibat Iesus totam Galilaeam docens in synagogis eorum et praedicans evangelium regni et sanans omnem languorem et omnem infirmitatem in populo.
Ensinar, anunciar e curar convergem como expressões de uma mesma inteireza.

Reflexão:
O caminho verdadeiro inicia quando a escuta supera o ruído.
A decisão madura nasce do domínio interior e não da reação.
Quem reconhece o essencial age com simplicidade e firmeza.
O instante vivido com retidão contém plenitude suficiente.
A escolha consciente ordena afetos e intenções.
O desapego lúcido não empobrece, esclarece.
A constância transforma o cotidiano em sentido.
Assim, o ser permanece inteiro diante de tudo.


Versículo mais importaante:

17 Exinde coepit Iesus praedicare et dicere
Agite paenitentiam appropinquavit enim regnum caelorum.

Desde esse ponto, Jesus passa a enunciar que a conversão não é retorno ao passado nem promessa futura, mas realinhamento do ser no instante em que o Eterno se aproxima. O Reino não vem depois: ele se torna presente quando a consciência se volta ao centro vivo do agora, onde o tempo se abre em profundidade e o sentido se revela sem mediações. (MT 4,17)


HOMILIA

O Chamado que Desperta o Centro do Ser

A luz não chega depois da escuridão; ela se reconhece quando o ser cessa a dispersão.

Quando a luz surge na Galileia, não se trata apenas de um deslocamento geográfico, mas da irrupção do sentido no coração humano. O silêncio deixado pela ausência do precursor prepara o espaço onde a Palavra se torna presença. O anúncio não se projeta adiante nem se ancora no que passou, pois acontece no ponto vivo onde a consciência reconhece sua origem e direção.

O chamado de Jesus não força nem seduz. Ele revela. Ao olhar os pescadores, vê mais do que gestos repetidos, reconhece uma capacidade interior de responder ao que é maior. Seguir não é abandonar o mundo, mas ordenar o agir a partir de um eixo mais alto, onde o querer se alinha ao verdadeiro.

A resposta imediata dos discípulos não nasce de impulso, mas de clareza. Quando o essencial se manifesta, o supérfluo perde peso. Assim se inicia a evolução interior, não por acúmulo, mas por simplificação. O Reino anunciado não é distante nem abstrato, mas uma realidade que se torna acessível quando o ser se recolhe ao seu centro.

A família aparece como primeiro espaço dessa escuta. É ali que o sentido é transmitido pelo exemplo, onde a dignidade se forma antes das palavras. Ao deixar o barco e o pai, os discípulos não negam a origem, mas a elevam, levando consigo o que foi verdadeiramente aprendido.

Ensinar, curar e anunciar tornam-se um único gesto. A inteireza restaura o que estava fragmentado. Quem caminha nesse chamado aprende a governar a si mesmo, a agir com firmeza sem rigidez e a permanecer íntegro diante das mudanças. Assim, a luz continua a surgir onde alguém consente em viver a partir do que é eterno no instante.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Mateus 4,17 como eixo da compreensão espiritual
Exinde coepit Iesus praedicare et dicere Agite paenitentiam appropinquavit enim regnum caelorum

O instante como lugar da revelação
Quando Jesus inicia sua pregação, o Evangelho indica uma mudança decisiva no modo como o ser humano se relaciona com Deus. O anúncio não aponta para um passado a ser reconstruído nem para um futuro distante a ser aguardado. Ele se manifesta no momento pleno em que a consciência desperta para o que está diante dela. O Reino se aproxima não por deslocamento, mas por reconhecimento interior.

Conversão como realinhamento do ser
A conversão anunciada não se limita a um ajuste moral ou emocional. Trata-se de um reposicionamento profundo do centro interior, onde pensamento, vontade e ação passam a responder a um princípio mais alto. Esse movimento não nega a história pessoal, mas a recoloca sob uma ordem mais verdadeira, capaz de integrar memória e expectativa sem submissão a elas.

O Reino como presença atuante
Ao afirmar que o Reino se aproxima, Jesus revela que a ação divina não opera por adiamento. O Reino não se estabelece como evento exterior, mas como presença que sustenta e orienta o agir. Quando a consciência se volta para esse centro vivo, o tempo deixa de ser mera sucessão e adquire densidade, permitindo que o sentido se revele sem intermediários.

Unidade interior e dignidade humana
Esse ensinamento preserva a dignidade da pessoa ao reconhecer sua capacidade de responder ao chamado com inteireza. A ordem interior reflete-se nos vínculos mais próximos, especialmente na família, onde a transmissão do sentido ocorre antes das palavras. Assim, o anúncio do Reino fortalece a estrutura íntima do ser humano e de suas relações fundamentais.

Fidelidade ao eterno no agora vivido
Mateus 4,17 revela que viver segundo o Reino é permanecer fiel ao que é eterno enquanto se habita plenamente o presente. Não há fuga do mundo nem dissolução da responsabilidade, mas uma forma mais elevada de presença. Nesse ponto, o ser humano aprende a agir com clareza, firmeza e serenidade, deixando que o sentido governe o tempo vivido.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 3,20-21 - 24.01.2026

 Liturgia Diária


24 – SÁBADO 

SÃO FRANCISCO DE SALES


BISPO E DOUTOR DA IGREJA


(branco, pref. dos doutores – ofício da memória)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Escolhido para a plenitude do sacerdócio, ele recebeu não posses, mas um eixo interior. Sua vida revela que o sentido não nasce do acúmulo, mas da abertura ao que excede o tempo sucessivo. Ao ensinar a santidade como via possível a todos, mostrou que o espírito amadurece quando age por adesão íntima, não por coerção externa. Sua palavra escrita tocou consciências porque brotava de uma escuta profunda do eterno no instante. Assim, o agir humano se torna responsável, criador e fiel ao bem quando se orienta pelo amor que precede toda escolha, silenciosamente ordenando pensamento, vontade, tempo e presença interior.



Evangelium secundum Marcum 3,20-21

  1. Et venit ad domum et convenit iterum turba ita ut non possent neque panem manducare.
    E ele retorna ao espaço do cotidiano, onde a multiplicidade se comprime, e até o necessário parece suspenso, pois quando a presença é inteira, o instante absorve toda a atenção do ser.

  2. Et cum audissent sui, exierunt tenere eum dicebant enim quoniam in furorem versus est.
    Os que o cercavam segundo a carne julgam a partir da superfície, pois quem age desde um eixo invisível parece desajustado aos olhos presos à sucessão.

Verbum Domini

Reflexão:
A cena revela o conflito entre o ritmo interior e a pressa exterior.
Quando a ação nasce do centro, ela não negocia com a aparência.
O juízo apressado confunde inteireza com excesso.
A serenidade não depende de aprovação, mas de coerência interna.
Há um tempo que não corre, sustenta.
Nele, o agir é simples e pleno.
Quem permanece nesse eixo não se dispersa.
Mesmo incompreendido, permanece inteiro.


Versículo mais importante:

Et cum audissent sui, exierunt tenere eum dicebant enim quoniam in furorem versus est. (Mc 3,21)

E quando os que lhe eram próximos ouviram, saíram para detê-lo, pois julgavam que ele havia perdido o juízo; assim acontece quando a ação nasce do eixo eterno e rompe a lógica do tempo sucessivo, parecendo desordem aos que percebem apenas a superfície dos instantes. (Mc 3,21)


HOMILIA

Inteireza no Silêncio do Chamado

Quando o centro governa o agir, o mundo exterior perde o poder de definir o sentido.

O Evangelho nos conduz a uma cena de aparente desordem. A casa se enche, o alimento falta, e a presença de Cristo desloca os critérios comuns de equilíbrio. Quando a consciência se ancora no essencial, o fluxo ordinário das horas deixa de governar o agir. Surge então um modo de estar que não responde à pressão exterior, mas a uma medida mais alta, silenciosa e anterior a qualquer cálculo.

Os que observam de fora interpretam essa inteireza como excesso. O olhar preso à sucessão não reconhece o centro a partir do qual tudo se organiza. No entanto, é desse centro que nasce a verdadeira maturação interior. A pessoa cresce quando aprende a permanecer fiel ao que é verdadeiro, mesmo quando isso contraria expectativas próximas e afetos legítimos.

A família aparece aqui como o primeiro espaço de prova e de cuidado. Ela é chamada a proteger a origem sem aprisionar o chamado. Quando compreende que cada pessoa é portadora de uma vocação que a ultrapassa, a casa deixa de ser limite e torna-se berço. Assim, o vínculo se purifica e a dignidade floresce sem ruptura.

Nesse caminho, o agir humano se liberta da reação automática e assume forma consciente. O espírito não se dispersa no ruído, nem se endurece no julgamento. Ele aprende a habitar o instante como expressão do eterno, permitindo que o amor ordene o pensamento, o gesto e a permanência do ser.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

Apresentação do versículo
E quando os que lhe eram próximos ouviram, saíram para detê-lo, pois julgavam que ele havia perdido o juízo; assim acontece quando a ação nasce do eixo eterno e rompe a lógica do tempo sucessivo, parecendo desordem aos que percebem apenas a superfície dos instantes. Mc 3,21

O escândalo da inteireza
O juízo lançado sobre Cristo nasce do desencontro entre dois modos de perceber a realidade. Seus próximos observam a partir da continuidade exterior dos fatos, enquanto Ele age a partir de uma fonte anterior ao encadeamento das horas. Quando a pessoa se ancora nesse princípio mais alto, sua conduta não se submete à ansiedade da repetição nem à aprovação imediata, e por isso parece excessiva aos que medem tudo pela regularidade visível.

O eixo que sustenta o agir
A ação de Cristo não é fruto de impulso nem ruptura interior. Ela procede de uma escuta constante do que sustenta o ser. Esse alinhamento confere unidade ao pensamento e ao gesto, mesmo quando o corpo experimenta cansaço e pressão. O que parece perda de juízo é, na verdade, fidelidade plena a uma ordem que não nasce do mundo, mas o atravessa e o orienta silenciosamente.

A prova dos vínculos próximos
O Evangelho mostra que a primeira incompreensão surge entre os mais próximos. Isso revela que o amadurecimento espiritual não elimina os vínculos, mas os purifica. A família é chamada a reconhecer que o amor verdadeiro não consiste em conter o chamado, mas em respeitar sua origem. Quando isso ocorre, o cuidado deixa de ser controle e se torna participação reverente no desígnio que excede a vontade humana.

O juízo e a sabedoria interior
Julgar a partir da aparência é natural à mente não exercitada no silêncio. A sabedoria cresce quando o ser aprende a não reagir imediatamente ao que foge do esperado. Nesse espaço interior, o homem se torna senhor de si, não por domínio, mas por concordância com o bem. Assim, a vida assume forma estável, coerente e digna, mesmo em meio à incompreensão, porque permanece enraizada naquilo que não passa.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

LITURGIA DA PALAVRA - Evangelho: Marcos 3,13-19 - 23.01.2026

 Liturgia Diária


23 – SEXTA-FEIRA 

2ª SEMANA DO TEMPO COMUM


(verde – ofício do dia)


“Liturgia da Palavra, Evangelho do dia e reflexões espirituais filosoficamente profundas, para fortalecer a fé e a vida diária, usando a Bíblia Sacra juxta Vulgatam Clementinam.”


Omnis terra adóret te, et psállat tibi;
psálmum dicat nómini tuo.

(Psalmus 65, 4)

Toda a terra, ao reconhecer o Eixo que a sustenta, curva-se não por submissão exterior,
mas por alinhamento interior;
e ao cantar, não apenas emite som,
mas participa do Ritmo eterno.
O louvor do Nome não acontece no fluxo do tempo que passa,
mas no Tempo Vertical,
onde o ser se ajusta à Fonte e permanece.(Sl 65,4)


O chamado dirigido aos doze revela uma estrutura permanente da consciência humana: ser convocado não é receber um papel externo, mas reconhecer uma orientação interior que precede a escolha. A resposta autêntica nasce quando os dons pessoais deixam de girar em torno de si e passam a cooperar com uma ordem maior, invisível e inteligível. Seguir o Cristo implica ajustar o agir ao sentido profundo do real, onde a decisão correta não decorre de imposição, mas de consonância. Nesse plano, a ação justa emerge do silêncio atento, sustenta a harmonia e irradia bem, não como estratégia, mas como consequência do alinhamento do ser.



Evangelium secundum Marcum 3,13-19

13 Et ascendit in montem et vocavit ad se quos voluit ipse, et venerunt ad eum.
Ele sobe ao alto, indicando a elevação do princípio interior, e chama aqueles que já ressoam com o sentido profundo do ser, não por acaso, mas por reconhecimento silencioso.

14 Et fecit ut essent duodecim cum illo, et ut mitteret eos praedicare.
Ser constituído junto dele significa habitar a origem antes da ação, para que toda palavra nasça de um centro ordenado.

15 Et dedit illis potestatem curandi infirmitates et eiciendi daemonia.
A autoridade aqui não é força externa, mas clareza que restaura o que está fragmentado e dissipa o que obscurece.

16 Et imposuit Simoni nomen Petrus.
A nomeação revela a fixação de um eixo estável, capaz de sustentar o peso da decisão.

17 Et Iacobum Zebedaei et Ioannem fratrem Iacobi, et imposuit eis nomina Boanerges, quod est filii tonitrui.
O ardor interior é reconhecido como potência que desperta, não como ruído, mas como energia dirigida.

18 Et Andream et Philippum et Bartholomaeum et Matthaeum et Thomam et Iacobum Alphaei et Thaddaeum et Simonem Cananaeum.
A diversidade dos chamados mostra que a ordem verdadeira integra diferenças sem dispersão.

19 Et Iudam Iscarioth, qui et tradidit illum.
Mesmo a falha é incluída no percurso, revelando que a prova também participa do desígnio maior.

Verbum Domini

Reflexão:
A subida antecede toda escolha verdadeira
A proximidade com o princípio orienta o agir
O chamado desperta responsabilidade interior
A ação correta nasce da coerência do ser
A firmeza sustenta o caminho sem rigidez
O ardor precisa de direção para não se perder
A diversidade encontra unidade no sentido
Até a sombra revela o valor da vigilância contínua


Versículo mais importante:

Et fecit ut essent duodecim cum illo, et ut mitteret eos praedicare.

Ele os constitui primeiro na permanência junto da Fonte, antes de qualquer envio, indicando que toda ação autêntica nasce da habitação no nível superior do sentido. O estar com Ele não ocorre no tempo que corre, mas no eixo onde a consciência se ancora, e dali a palavra é enviada como consequência natural do alinhamento interior.(Mc 3,14)


HOMILIA

A Subida que Ordena o Ser

A autoridade verdadeira deriva da coerência interior, não da função exercida.

O Evangelho nos mostra Jesus subindo ao monte e chamando aqueles que Ele mesmo quis. A subida não é apenas geográfica. Ela indica um movimento interior no qual a consciência se afasta do ruído disperso e se aproxima do princípio que a sustenta. Antes de qualquer envio, há uma permanência. Antes de qualquer palavra, há um estar junto. A verdadeira missão nasce quando o ser encontra seu eixo e aprende a permanecer nele.

Os Doze são constituídos primeiro na convivência com o Mestre. Isso revela uma lei profunda da vida espiritual. Não se age corretamente a partir da pressa, mas da maturação silenciosa. Quando o interior é ordenado, a ação se torna clara, firme e sem violência. A autoridade recebida não é domínio, mas capacidade de restaurar o que está fragmentado e de dissipar aquilo que obscurece a consciência.

A escolha dos nomes indica identidade assumida. Cada pessoa é chamada a reconhecer sua forma própria de sustentar o bem. Essa identidade não isola, mas integra. A diversidade dos chamados manifesta uma unidade mais alta, onde cada um contribui segundo sua medida sem perder o vínculo com a origem.

A presença da família espiritual formada pelos chamados recorda a família primeira, célula mater da formação humana. É nela que se aprende a escuta, o cuidado e a fidelidade ao que é essencial. Quando esse fundamento é preservado, a pessoa cresce com dignidade e retidão.

Até mesmo a fragilidade aparece no caminho dos escolhidos. Isso ensina vigilância e humildade. A subida continua ao longo da vida, sempre convidando a consciência a retornar ao alto, onde o ser se alinha, a escolha se purifica e o agir encontra sentido duradouro.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A partir do versículo do Evangelho segundo Marcos 3,14, onde se afirma que Ele os constitui para estar com Ele antes de enviá-los, apresenta-se uma chave essencial para compreender a ordem profunda da vida espiritual.

A precedência do estar sobre o agir
O texto revela que a constituição dos chamados não começa pela tarefa, mas pela permanência. Estar com Ele não é simples proximidade física, mas participação em um nível mais alto de sentido. O agir correto não nasce da urgência nem da pressão externa, mas de uma interioridade já ordenada. Quando o ser encontra seu fundamento, a ação surge com justeza e medida.

O eixo que sustenta a consciência
O estar com Ele ocorre fora da sucessão comum dos instantes. Trata-se de um plano onde a consciência se ancora no princípio que a sustenta. Nesse ponto, a instabilidade do tempo corrente perde domínio, e a pessoa passa a agir a partir de uma referência estável, não sujeita às oscilações do momento.

O envio como consequência e não como imposição
O envio não é ruptura, mas desdobramento. Quem permanece junto da Fonte não precisa ser compelido a agir. A palavra anunciada nasce como consequência natural do alinhamento interior. Assim, a missão não se impõe como peso, mas manifesta uma coerência já amadurecida no silêncio e na fidelidade ao centro.

Unidade interior e retidão do caminho
Essa dinâmica preserva a dignidade da pessoa e orienta suas relações fundamentais, inclusive no seio da família, onde se aprende a permanência, a escuta e a responsabilidade. A retidão do caminho não depende da multiplicação de ações, mas da constância em permanecer ligado ao princípio que dá sentido a todas elas.

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