quinta-feira, 19 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 6,19-23 - 20.06.2014 - Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Pai,
dá-me sabedoria suficiente
para buscar sempre
o tesouro verdadeiro,
e assim estar seguro
de que em ti coloquei o meu coração.
Verde. 6ª-feira da 11ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 6,19-23

Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 6,19-23

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
19Não junteis tesouros aqui na terra,
onde a traça e a ferrugem destroem,
e os ladrões assaltam e roubam.
20Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu,
onde nem a traça e a ferrugem destroem,
nem os ladrões assaltam e roubam.
21Porque, onde está o teu tesouro,
aí estará também o teu coração.
22O olho é a lâmpada do corpo.
Se o teu olho é sadio, todo o teu corpo ficará iluminado.
23Se o teu olho está doente,
todo o teu corpo ficará na escuridão.
Ora, se a luz que existe em ti é escuridão,
como será grande a escuridão.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 6, 19-23

Existem valores e valores. Quem é verdadeiramente discípulo de Jesus deve procurar viver segundo a hierarquia de valores que é proposta por ele. Quem tem como centro de sua vida o reino de Deus faz dele o seu tesouro, faz com que ele seja o valor fundamental da sua vida e a partir dele ordena todos os demais valores, de modo que o reino de Deus é o valor absoluto e os demais valores são relativos a ele. Quem coloca os valores do mundo como centro da sua vida vive segundo outra hierarquia de valores, totalmente inversa à proposta por Jesus. Diante do evangelho de hoje somos convidados a rever nossa hierarquia de valores segundo os critérios de Jesus.
Fonte CNBB



Riquezas no céu mt-6,19-23
HOMILIA 

Estamos a continuar a nossa reflexão sobre as Bem-aventuranças. E hoje no evangelho nos faz duas recomendações sobre como que olhos e como nos devemos relacionar e usar os bens materiais.

Nos quarenta anos de deserto, o povo foi provado para ver se era capaz de observar a lei de Deus (Ex 16,4). A prova consistia nisto: ver se eles eram capazes de recolher só o necessário de maná para cada dia e de não acumula-lo para o dia seguinte.

E hoje na mesma linha Jesus diz: Não acumuleis riquezas aqui na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e roubam

O que significa acumular tesouros no céu? Trata-se de saber de onde vim, o que faço aqui na terra e para onde vou. Descobrir qual o fundamento da minha existência e nelas colocar a minha confiança. Se a deposito nos bens materiais desta terra, sempre corro o perigo de perder o que acumulei.

Porém se for a Deus, ninguém vai poder destruí-lo e terei a liberdade interior de partilhar com os outros os bens que possuo. Para que isto seja possível e visível, é importante que se crie uma convivência comunitária que favoreça a partilha e a ajuda mútua, e na qual a maior riqueza ou tesouro não é a riqueza material, mas sim a riqueza ou o tesouro da convivência fraterna nascida a partir da certeza trazida por Jesus de que Deus é o meu Pai e todos. E se ele é nosso Pai todos nós somos irmãos. É nosso Pai nele deve estar o nosso coração de filhos.

A lâmpada do corpo é o olho por que como disse Jesus: os olhos são como uma luz para o corpo. Mas para entender o que Jesus pede é necessário ter olhos novos. Jesus é exigente e pede muita coisa: não acumular, não servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. Estas recomendações exigentes tratam daquela parte da vida humana, onde as pessoas têm mais angústias e preocupações. É urgente que tenhamos o nosso olho lúcido e são porque se teu olho estiver doente, todo o teu corpo estará também doente.

Na realidade, a pior doença que se possa imaginar é uma pessoa se fechar sobre si mesma e sobre seus bens e confiar só neles. É a doença da tibieza, mesquinhez! Quem olha a vida com este olhar viverá na tristeza e na escuridão. O remédio para curar esta doença é a conversão, a mudança de mentalidade e de ideologia. Colocando o fundamento da vida em Deus, o olhar se torna generoso e a vida toda se torna luminosa, pois faz nascer a partilha e a fraternidade.

Jesus quer uma mudança radical. Quer que vivamos como Deus é. A imitação de Deus leva à partilha justa dos bens e ao amor criativo, que gera fraternidade verdadeira.

Onde está tua riqueza, aí estará o teu coração. Onde está a tua e a minha riqueza? Muitas pessoas idolatrisam o marido, a esposa, os filhos ou parentes colocando-os acima de Deus. Outras colocam em primeiro lugar o dinheiro, os bens matérias (o carro, o cavalo, a vaca, as jóias…) e relegam para o segundo ou o último lugar Deus e a família. Esquecem-se de que é em Deus, é no amor ao próximo como a si mesmo que está a fonte da vida.

Meu irmão minha irmã a ti me dirijo e pergunto: que luz tens como referência? Para onde direcionas os teus olhos? Para as coisas do mundo ou para o Círio Pascal que é a fonte da luz sem ocaso? Ela é a luz no mundo, quem Lhe segue não se engana nem na vida nem na morte.

Fonte Reitoria São Vicente

quarta-feira, 18 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Jo 6,51-58 - 19.06.2014 - Minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida.

Pai,
louvo-te e agradeço-te
por nos teres amado tanto,
a ponto de oferecer-nos a salvação,
por meio de teu Filho,
ao qual somos atraídos
pela força do teu Espírito.
Branco. Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo Tempo Comum

Evangelho - Jo 6,51-58

Minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 6,51-58
Naquele tempo:
disse Jesus às multidões dos judeus:
51'Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei
é a minha carne dada para a vida do mundo'.
52Os judeus discutiam entre si, dizendo:
'Como é que ele pode dar a sua carne a comer?'
53Então Jesus disse:
'Em verdade, em verdade vos digo,
se não comerdes a carne do Filho do Homem
e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós.
54Quem come a minha carne
e bebe o meu sangue
tem a vida eterna,
e eu o ressuscitarei no último dia.
55Porque a minha carne é verdadeira comida
e o meu sangue, verdadeira bebida.
56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele.
57Como o Pai, que vive, me enviou,
e eu vivo por causa do Pai,
assim o que me come viverá por causa de mim.
58Este é o pão que desceu do céu.
Não é como aquele que os vossos pais comeram.
Eles morreram.
Aquele que come este pão viverá para sempre.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
REFLEXÃO
I – Deus dá-Se por inteiro
Existindo desde toda a eternidade, a Trindade não necessitava da criação. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo bastavam-Se inteiramente, desfrutando de uma felicidade perfeita, infinita. Nisso consiste a glória intrínseca e insuperável das Três Divinas Pessoas. No entanto, ao criar, Deus quis tornar as criaturas partícipes de sua felicidade, e estas, ao se assemelharem ao Criador Lhe renderiam a glória extrínseca, cumprindo assim a finalidade mais alta de seu ser. Foi, pois, a criação um ato de doação, de entrega e de generosidade supremas1, requintado depois com a Encarnação do Verbo, quando Deus sujeitou-Se a assumir a pobre natureza humana a fim de nos remir do pecado de nossos primeiros pais.
O Homem-Deus haveria de prolongar sua presença na Terra
Mas o incomensurável amor de Deus por nós não se limitou a isso. Para nos abrir as portas do Céu, chegou a padecer dolorosa Paixão, morrer na Cruz e ressuscitar. E o teria feito, se preciso fosse, para resgatar um único homem. Ora, cabe-nos perguntar: depois de manifestar esse inacreditável amor por nós, haveria Ele de simplesmente subir aos Céus e abandonar o convívio com os homens cuja redenção tão caro Lhe custou? Seria possível imaginar, depois de tal união conosco, haver essa irremediável separação?
A maravilhosa solução para esse perplexitante problema só a Deus poderia ocorrer. Comenta belamente, a este propósito, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:
“Não quero dizer que a Redenção e o sacrifício da Cruz impusessem a Deus, em rigor de lógica, a instituição da Sagrada Eucaristia. Mas pode-se dizer que tudo clamava, tudo bradava, tudo suplicava por que Nosso Senhor não Se separasse assim dos homens. E uma pessoa com senso arquitetônico deveria entrever que Nosso Senhor arranjaria um meio de estar sempre presente, junto a cada um dos homens por Ele remidos. De forma tal que, depois da Ascensão, Ele estivesse sempre no Céu, no trono de glória que Lhe é devido, mas ao mesmo tempo acompanhasse passo a passo a via dolorosa de cada homem aqui na Terra, até o momento extremo em que cada um dissesse, por sua vez, o ‘Consummatum est’ (Jo 19, 30)”.2
E conclui com esta piedosa confidência: “Creio que se eu assistisse à Crucifixão e soubesse da Ascensão, ainda que não soubesse da Eucaristia, eu começaria a procurar Jesus Cristo pela Terra, porque não conseguiria me convencer de que Ele tivesse deixado de conviver com os homens. Esse convívio verdadeiramente maravilhoso de Jesus Cristo com os homens se faz, exatamente, por meio da Eucaristia”.3
O fato de Deus ter operado a Criação para dar-Se a Si mesmo já nos enche de admiração. Muito mais, porém, é Ele ter assumido a natureza humana para, por sua morte, propiciar-nos o infinito dom da vida sobrenatural e abrir-nos as portas do Céu. Contudo, levar o amor a ponto de dar-Se aos homens em alimento, supera qualquer capacidade de imaginação! Pode-se dizer com propriedade que o ápice dessa doação, se encontra no Sacramento da Eucaristia.
Aparente simplicidade da Santa Ceia
Como se deu a instituição do mais excelente e sublime dos Sacramentos, o fim para o qual se ordenam todos os outros? 4
Na aparência, de um modo muito simples. Para os Apóstolos, tratava-se de uma ceia rotineira, celebrada todo ano pelos judeus segundo o multissecular rito indicado com detalhes por Deus a Moisés e Aarão, como algo a ser perpetuado de geração em geração (cf. Ex 12, 1-14). Ela lembrava aos judeus a Páscoa do Senhor, a morte dos primogênitos do Egito e a travessia do Mar Vermelho. Os discípulos estavam, portanto, com a ideia de uma simples rememoração religiosa quando de fato se realizaria no Cenáculo o que fora prefigurado na Antiga Lei: o sacrifício de animais cederia lugar ao holocausto do Cordeiro Divino que em breve seria imolado no altar da Cruz, para nossa salvação. As vítimas materiais simbolizavam o corpo de Cristo, e este seria ao mesmo tempo sacerdote e vítima no Novo Sacrifício, eterno e de valor infinito.
Segundo relatam os Evangelistas, depois de Jesus instituir a Eucaristia e dar a Comunhão aos Apóstolos, eles cantaram os salmos e saíram para o Monte das Oliveiras (cf. Mc 14, 26; Mt 26, 30). Constituíam esses salmos o poema de ação de graças intitulado Hallel — “Louvai a Javé” —, próprio da liturgia hebraica para a celebração da Páscoa5 e especialmente simbólico naquela circunstância: enquanto uns davam graças por terem comungado, o Messias rendia louvores ao Pai pela instituição da Eucaristia, que representava a concretização do anseio manifestado no início da Sagrada Ceia: “Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de padecer” (Lc 22, 15).
Se soubessem com antecedência a grandeza do que seria instituído naquele dia — não só a Eucaristia, mas também o Sacerdócio —, é de se supor que os Apóstolos teriam preparado uma cerimônia à altura. Mas, naquele momento, quem tinha noção do que estava se passando?

II – Maria e a Eucaristia
Apenas Maria Santíssima tinha consciência da sublimidade da hora, pois é compreensível ter-Lhe Nosso Senhor revelado o que iria acontecer. Por quê?
Durante nove meses, operou-se em Maria a Transubstanciação
Tendo Maria recebido do Arcanjo Gabriel a Anunciação, o Espírito Santo A cobriu com sua sombra e iniciou-se o misterioso processo de gestação do Deus encarnado. Bem se pode dizer que, durante nove meses, a cada segundo n’Ela como que se celebrava uma Santa Missa.
Com efeito, no instante em que a alma de Jesus foi criada, fez Ele seu primeiro ato de adoração ao Pai, acompanhado de um perfeitíssimo oferecimento de Si mesmo como vítima; ou seja, realizou uma ação sacerdotal como Sumo Sacerdote “santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e elevado acima dos céus” (Hb 7, 26). E para esse sublime sacrifício não havia na face da Terra altar mais digno do que o claustro virginal de Nossa Senhora. Por nove meses, viveu Ela no mais íntimo contato com Jesus, numa relação única na ordem do criado: tendo oferecido o seu corpo imaculado a Deus, Este tomava os elementos maternos e os transubstanciava; quer dizer, eles tornavam-se divinos a partir do momento em que passavam a integrar o corpo de Jesus.
E pensar que esse grandioso mistério não se teria realizado sem o consentimento da Virgem: “Faça-se em Mim segundo a vossa palavra”! (Lc 1, 38).
Assim, à medida que se formava o corpo do Menino em seu seio virginal, Maria tudo conferia em seu coração e ia explicitando, maravilhada, a fisionomia física e moral de seu Filho. Este, de seu lado, assumia cada vez mais o ser da Mãe e A ia divinizando. De fato, pela maternidade divina, “a Bem-aventurada Virgem Maria chegou aos confins da divindade”.6 Concebida em graça, Ela era verdadeiramente “o Paraíso terrestre do novo Adão”.7
O anseio de Maria por reviver esses momentos
Completados os dias e tendo Jesus nascido, que alegria não terá sentido a Virgem Santa ao segurar em seus braços aquele Menino gestado em seu seio, constatando como Ele correspondia ao que Ela, em sua inocência, imaginara! Não é possível fazer ideia da sublimidade da primeira troca de olhares entre Mãe e Filho. Quanta coisa foi dita sem articular palavra alguma! Olhar este talvez superado apenas por um outro: o último olhar de Jesus para sua Mãe, do alto da Cruz. Contudo, de outro lado, que saudades deveria Ela sentir do relacionamento, ao mesmo tempo inefável e misterioso, havido durante o tempo em que ia sendo formado em seu claustro o Corpo de Cristo!
O anseio santíssimo e equilibradíssimo d’Ela de receber novamente Jesus em seu interior com certeza foi crescendo8 a ponto de nesse desejo Ela comungar espiritualmente a todo instante. Portanto, seria arquitetônico que em certo momento Nosso Senhor tivesse revelado a instituição da Eucaristia9 a Quem é o modelo perfeito dos adoradores de Jesus-Hóstia. Porque, sem dúvida, os atos de amor eucarístico da Virgem Maria deram mais glória a Deus do que todas as honras prestadas ao Santíssimo Sacramento pelos anjos e homens ao longo da História, uma vez que somente Ela O compreendeu, amou e adorou adequadamente.

III – Grandeza do Mistério da Eucaristia
Com efeito, é a Eucaristia um dos mais profundos mistérios da nossa Fé: as aparências, os sabores e os aromas são de pão e de vinho; porém, tanto numa como noutra espécie, encontramos apenas a substância do Corpo, Sangue, Alma e Divindade Não é possível fazer ideia da sublimidade da primeira troca de de Cristo! Os sentidos nos olhares entre Mãe e Filho apresentam uma realidade, mas nossa Fé nos propõe “Virgem com o Menino Jesus” - Igreja de Notre Dame de Auteil (França) outra, na qual acreditamos.
Se, segundo ensina São Tomás, “o bem da graça é, para o indivíduo, melhor que o da natureza de todo o universo”10, o que dizer da menor fração visível de uma hóstia consagrada? Ali está o próprio Cristo. Não se trata de uma gota de graça, mas sim do próprio Autor da graça. Portanto, é algo cujo valor supera toda a criação, incluindo a ordem da graça. Juntemos as graças que os anjos e os homens receberam e ainda receberão, mais as existentes no mais alto grau em Nossa Senhora, e todas elas somadas não se comparam ao que há numa partícula consagrada: a recapitulação do Universo (cf. Ef 1, 10) numa aparência de pão! A grandeza contida neste Sacramento é inexprimível em linguagem humana. Tudo quanto há na criação foi promovido por Deus em ordem a Jesus Cristo, e o supremo ato de amor d’Ele pelos homens consistiu na instituição da Eucaristia para proporcionar-nos uma extraordinária forma de união pessoal com o Verbo Encarnado. Às palavras da Consagração, pronunciadas pelo sacerdote, o próprio Deus obedece, e se realiza o maior milagre da face da Terra. Por essa maravilha, bem podemos avaliar o quanto Ele nos ama de maneira incomensurável.
O Santíssimo Sacramento embeleza a alma
Qualquer um pode comprovar como as plantas expostas aos raios solares ostentam uma exuberância, uma beleza e uma vitalidade que elas não têm estando à sombra. Uma grande diferença, devida apenas ao esplendor do Sol.
Ora, se a natureza é embelezada dessa maneira pela luz solar, que admiráveis benefícios não deve proporcionar à alma o raio espiritual emanado diretamente do Deus Escondido? Muito mais benéfica é a Eucaristia para nossa alma do que o Sol para nosso organismo corporal. Tendo algumas faltas ou misérias — veniais evidentemente, porque com pecado mortal não se pode comungar —, está a pessoa obrigada a afastar-se de Jesus Eucarístico? Não. Pelo contrário, deve aproximar-se d’Ele ao máximo. Não fugir de Jesus, mas abrigar-se n’Ele, porque assim ela será purificadas dessas misérias, e sua alma sairá aperfeiçoada.11 Nossos olhos corporais não conseguem, infelizmente, contemplar tais mudanças. Santa Catarina de Sena desejando conhecer o esplendor de uma alma habitada pela graça divina, ouviu dos lábios do próprio Jesus esta declaração: “Minha filha, se Eu te mostrasse a beleza de uma alma em estado de graça, seria a última coisa que verias neste mundo, porque o esplendor de sua formosura te faria morrer”.12
De fato, a graça ao divinizar a alma, a torna tão bela e atraente que, se nos fosse possível vê-la, teríamos a tendência de adorá-la, imaginando que fosse Deus. Fortalecendo todas as suas potências, nutrindo-a com inspirações santas e com impulsos de amor, Jesus-Hóstia faz com que a alma pervadida pela graça se assemelhe cada vez mais a Ele.13 Por isso, quando vemos as maravilhas operadas pelos homens de Deus, podemos estar certos de que elas provêm muito mais da Eucaristia, da qual são devotos, do que de eventuais qualidades pessoais.
Além desses sublimes benefícios produzidos na alma pela Eucaristia, devemos considerar que, apesar de nossas limitações ou até imperfeições, Nosso Senhor tem saudades de nós, e quer nos aproximar d’Ele, pois encontra as suas “delícias em estar com os filhos dos homens” (Pr 8, 31). Com muita propriedade, encontra-se em algumas capelas do Santíssimo Sacramento a expressiva frase de Santa Marta à sua irmã: “Magister adest et vocat te” — “O Mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). Quando entramos no recinto sagrado para fazer-Lhe uma visita, Jesus-Hóstia nos acolhe com alegria, como que dizendo: “Aqui está o meu filho! Há quanto tempo Eu não o via... Venha!”. De fato, nosso Redentor nos ama tanto que, por maiores que sejam nossas misérias, Ele Se alegra em nos ver.

Energia para enfrentar as dificuldades
Muitas são as conjunturas nas quais a pessoa se sente anêmica espiritualmente: ocasiões próximas de pecado que se apresentam, ou circunstâncias favorecedoras de um depauperamento espiritual, enfim, inúmeras situações que podem dessorar a fortaleza de alma. Onde então recuperar energias? Na Eucaristia. Disso nos dá exemplo — entre outros incontáveis santos — São Tomás de Aquino. Nas primeiras horas da manhã, ele celebrava sua Missa e em seguida assistia à de outro frade.14 Segundo consta, gostava inclusive de acolitar as Missas de seus irmãos de hábito. “Falando sobre os Sacramentos — disse recentemente o Papa Bento XVI —, o grande São Tomás reflete de modo particular sobre o Mistério da Eucaristia, pelo qual alimentou uma enorme devoção, a tal ponto que, segundo os antigos biógrafos, costumava aproximar a sua cabeça do Tabernáculo, como que para sentir palpitar o Coração divino e humano de Jesus”.15
Permanência dos efeitos da Eucaristia
Às vezes, cometemos o equívoco de pensar que, quando comungamos, Jesus Cristo mantém-Se presente em nós apenas nos cinco ou dez minutos de duração das espécies eucarísticas. Trata-se de uma realidade espiritual muito mais profunda. De fato, mesmo após cessar a presença real de Nosso Senhor “a graça permanece na alma que comunga, porque ela recebeu em estado de graça o Pão da Vida”, afirma Santa Catarina de Sena.16
Na Comunhão é Cristo que “nos diviniza e transforma em Si mesmo. “Consumidos os acidentes do Na Eucaristia alcança o cristão sua máxima ‘cristificação’” pão”, disse-lhe Nosso Senhor em uma revelação, “deixo em vós a marca de minha graça, como o selo aplicado sobre a cera quente. Tirando o selo, fica nela sua marca. Assim, resta na alma a virtude desse Sacramento, ou seja, mantém-se o calor da divina caridade, clemência do Espírito Santo. Continua em vós a luz da sabedoria de meu Filho Unigênito, que ilumina os olhos de vossa inteligência para que conheçais e vejais a doutrina de minha verdade e dessa mesma sabedoria”.17
Um alimento que assume quem o toma
Quando comemos, nosso organismo assimila os alimentos ingeridos, deles retirando as substâncias úteis para a vida. Mas, ensina-nos a Teologia, quando comungamos passa-se o contrário: é Cristo que “nos diviniza e transforma em Si mesmo. Na Eucaristia alcança o cristão sua máxima cristificação, em que consiste a santidade”.18 Não O consumimos, pois Ele cessa a sua presença sacramental em nós a partir do momento em que as Sagradas Espécies deixarem de subsistir. Estando em nós, Ele nos enche de vida sobrenatural, santifica nossa alma e beneficia em consequência nosso corpo.
Por essa razão, o próprio Jesus, como nos narra o Evangelho desta Solenidade, ressalta a substancial diferença entre o maná recebido pelos judeus no deserto e o alimento trazido por Ele na Eucaristia: “Este é o pão que desceu do Céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este pão viverá para sempre” (Jo 6, 58).
Penhor da ressurreição para a vida eterna
“Pela Santa Comunhão renova-se de certo modo o augusto mistério da Encarnação”19, afirma com autoridade São Pedro Julião Eymard. O padre Royo Marín é mais afirmativo: na alma de quem acaba de comungar, diz ele, “o Pai engendra seu Filho Unigênito, e de ambos procede essa corrente de amor, verdadeira torrente de chamas, que é o Espírito Santo”.20 Em virtude da união eucarística, a alma do fiel se torna “mais sagrada que a custódia e o cálice, mais até que as próprias espécies sacramentais, que certamente contêm a Cristo, mas sem tocá-Lo e sem receber d’Ele qualquer influência santificadora”.21 E por isso, quem comunga recebe graças para bem viver de acordo com os Mandamentos e depois ter o prêmio da ressurreição com o corpo glorioso: “Aquele que come este pão, viverá para sempre” (Jo 21, 58).

IV – Saibamos retribuir sem medidas
Infelizmente, muitas vezes não avaliamos com profundidade todos os benefícios recebidos nesse sacral convívio com a Eucaristia na qual nosso Divino Redentor está realmente presente como quando operou a transformação da água em vinho nas bodas de Caná, ou quando ressuscitou Lázaro, ou ainda quando expulsou os vendilhões do Templo. O que não daríamos para presenciar um único milagre de Jesus ou ouvir algum de seus sermões? Ou mesmo receber d’Ele um só olhar? Quando chegarmos ao Céu, se Deus nos conceder essa suprema graça, compreenderemos que um instante de adoração eucarística compensa mil anos de sacrifícios na Terra.
E, no entanto, hoje temos Jesus-Hóstia nos tabernáculos sempre à nossa disposição; a qualquer momento Ele lá está nos aguardando com insignes graças, desejoso de receber nossa pobre visita. Se na Encarnação Deus quis Se unir à mais pura das criaturas, na Santa Comunhão Ele celebra suas bodas com cada pessoa em particular, numa união sem paralelo. “A alma une-se de tal forma a Jesus Cristo que perde, por assim dizer, seu próprio ser e deixa viver tão-somente Jesus nela”.22 Perde-se em Nosso Senhor como uma gota d’água no oceano. E a correspondência de nosso amor tornará mais perfeita e profunda essa união.
Peçamos a Jesus Sacramentado, nesta festa da Eucaristia, um amor íntegro e uma entrega total a Ele, única restituição digna por tudo quanto d’Ele recebemos. E transbordemos de alegria e de entusiasmo por sermos tão amados individualmente por um Deus que já nesta vida é a nossa “recompensa demasiadamente grande” (Gn 15, 1).

Fonte Mons. Clã Dias



HOMILIA
Meditação da Solenidade de Corpus Christi (Jo 6,51-58)

Amados irmãos e irmãs em Cristo, o pão vivo descido do céu!
Estamos reunidos em torno da mesa da Palavra e do Santo Sacrifício para fazer memória do Senhor e de sua presença mais real e íntima dentro de nós – a Eucaristia.
A Igreja reserva um dia belíssimo como este para proclamar publicamente a fé na Eucaristia – Corpo e Sangue de Jesus. Neste dia santo e de guarda somos todos os felizes convidados para a ceia do Senhor que também nos convida a estendermos em nossas vidas o mistério celebrado!
Uma das funções ou necessidades mais fundamentais do ser humano é comer e beber! Sem esta condição a vida não pode ser mantida! Quanto mais no deserto onde a escassez de alimento e bebida é intensa. Nesta experiência, o povo de Deus é lembrado da presença e do auxílio de Deus que o libertou, conduziu, instruiu, alimentou, mas também o pôs à prova em sua fidelidade à aliança estabelecida. Quando necessário, por se tratar de um povo de coração fechado e cabeça dura, também o humilhou entregando-o à própria sorte. Entretanto a imagem mais marcante é a memória do povo que é alimentado no deserto com o maná (pão que caía do céu!) pelo próprio Senhor!
A experiência de alimentar-se é necessariamente uma atividade coletiva e porque não dizer comunitária. Como é triste alguém comer sozinho, parece até que o alimento não tem sabor nem a refeição o seu sentido. São Paulo Apóstolo nos lembra que a nossa refeição eucarística no corpo e sangue de Cristo é comum união com o próprio Senhor e com os irmãos também!
Nesta solenidade o Senhor apresenta-se para nós como “o pão vivo descido do céu” (Jo 6,51), sua carne, verdadeira comida e seu sangue, verdadeira bebida são o alimento que nos revigora e nos forma enquanto discípulos-missionários. É o alimento da vida eterna, onde pela fé os nossos sentidos são orientados e ordenados para percebermos no pão e no vinho, eucaristizados, o “pannis angélicus” – o pão dos anjos que se tornou pão dos homens que em sua grande riqueza tornou-se pobre para nos enriquecer e nos alimentar. Comendo e bebendo com o Senhor, permanecemos n’Ele, sua vida divina permanece em nós e nos tornamos no alimento que recebemos para a vida do mundo
Por tratar-se de uma “refeição festiva” ninguém deve ficar de fora, porém nós temos que avaliar bem se estamos de fato condizentes com o que vamos receber, não por causa de nós mesmos, mas pelo que recebemos – o próprio Senhor. É claro que estaremos sempre aquém, em dignidade; entretanto, o alimento sagrado que recebemos deve ser para a nossa salvação e não para ser motivo de condenação.
No coração da Igreja existe uma profunda dor pelos filhos e filhas que estão privados da comunhão eucarística, por alguma restrição pessoal, contudo será muito útil, pastoralmente, indicar a comunhão na Palavra (Proclamada e Explicada), pois é o próprio Senhor quem nos alimenta, como também na comunhão espiritual onde o nosso coração se une misteriosamente com o coração amoroso de Jesus Eucarístico.
Em Jesus o Bom Pastor e no Coração Imaculado de Maria.

Fonte Pe. Fernando Antonio Carvalho Costa – Arquidiocese de Fortaleza

terça-feira, 17 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 6,1-6.16-18 - 18.06.2014 - E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.

Pai,
só te agradam as ações
feitas na simplicidade
e no anonimato.
Que eu procure sempre agradar-te,
enveredando por este caminho.
Verde. 4ª-feira da 11ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 6,1-6.16-18

E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 6,1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
1'Ficai atentos
para não praticar a vossa justiça na frente dos homens,
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola,
não toques a trombeta diante de ti,
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
3Ao contrário, quando deres esmola,
que a tua mão esquerda nóo saiba
o que faz a tua mão direita,
4de modo que, a tua esmola fique oculta.
E o teu Pai, que vê o que está oculto,
te dará a recompensa.
5Quando orardes,
não sejais como os hipócritas,
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
6Ao contrário, quando tu orares,
entra no teu quarto, fecha a porta,
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
16Quando jejuardes,
não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
17Tu, porém, quando jejuares,
perfuma a cabeça e lava o rosto,
18para que os homens não vejam
que tu estás jejuando,
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 6, 1-6.16-18

O verdadeiro espírito de conversão quaresmal é aquele de quem não busca simplesmente dar uma satisfação de sua vida a outras pessoas para conseguir a sua aprovação e passar assim por um bom religioso, mas sim aquele que encontra a sua motivação no relacionamento com Deus e busca superar as suas imaturidades, suas fraquezas, sua maldade e seu pecado para ter uma vida mais digna da vocação à santidade que é conferida a todas as pessoas com a graça batismal, e busca fazer o bem porque é capaz de ver nas outras pessoas um templo vivo do Altíssimo e servem ao próprio Deus na pessoa do irmão ou da irmã que se encontram feridos na sua dignidade.
Fonte CNBB



CUIDADO COM A HIPOCRESIA Mt 6,1-6.16-18
HOMILIA

No Evangelho, Jesus pede a pratica da esmola, o jejum e a oração longe de toda hipocrisia: «Por isso, quando você der esmola, não mande tocar trombeta na frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa». Os hipócritas, energicamente denunciados por Jesus Cristo, se caracterizam pela falsidade de seu coração. Mas, Jesus adverte hoje não só da hipocrisia subjetiva senão também da objetiva: cumprir, inclusive de boa fé, tudo o que manda a Lei de Deus e a Escritura Santa, mas fazendo de maneira que fique na mera prática exterior, sem a correspondente conversão interior.
Cuidado! não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros, só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai que está nos céus». A justiça da que Jesus nos fala consiste em viver conforme aos princípios evangélicos, sem esquecer que «Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus».
A justiça nos leva ao amor, manifestado na esmola e em obras de misericórdia: «Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a direita». Não é que se devam ocultar as obras boas, mas que não se deve pensar em elogio humano ao fazê-lo, sem desejar nenhum outro bem superior e celestial. Em outras palavras, devo dar esmola de tal modo que nem eu tenha a sensação de estar fazendo uma boa ação, que merece uma recompensa por parte de Deus e elogio por parte dos homens.
Então, a esmola reduzida à “gorjeta” deixa de ser um ato fraternal e se reduz a um gesto tranqüilizador que não muda a maneira de ver o irmão, nem faz sentir a caridade de prestar-lhe a atenção que ele merece. O jejum, por outro lado, fica limitado ao cumprimento formal, que já não lembra em nenhum momento a necessidade de moderar nosso consumismo compulsivo, nem a necessidade que temos de ser curados da “bulimia espiritual”. Finalmente, a oração reduzida a estéril monólogo não chega a ser autêntica abertura espiritual, colóquio íntimo com o Pai e escuta atenta do Evangelho do Filho.
A religião dos hipócritas é una religião triste, legalista, moralista, de uma grande pobreza de espírito. “Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles como fazem os hipócritas...” No dicionário do Aurélio, hipocrisia é afetação duma virtude, de um sentimento louvável que não se tem. É impostura, fingimento, simulação, falsidade. Os hipócritas enganam (ou pensam enganar) as pessoas que os vêem por sua aparência. Fingem ser uma coisa que não são. Por quanto tempo dura uma hipocrisia? Pois nada há de oculto que não seja um dia revelado. Que passageira recompensa recebem os hipócritas, não é mesmo? Recebem os louvores e reconhecimentos momentâneos. Até a hora em que são descobertos. Daí, então, a máscara cai e se revela a verdade do que são. Como não construíram sobre a rocha, a verdade, é grande sua ruína (cf. Mt 7,27).
Por que, então, cair neste pecado da hipocrisia? Se pensarmos bem, mesmo sem levar em conta o lado espiritual, não vale a pena. Seja no ambiente de trabalho, seja na sociedade ou na família, a hipocrisia é um grande contra-senso. Reflita e medite sobre isso em sua vida. Dirija-se ao Senhor pedindo perdão pelas vezes em que fingiu ou simulou algo apenas para ser visto pelos homens. Peça hoje uma graça de coerência e fidelidade ao chamado último de todos os homens: a santidade.

Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

segunda-feira, 16 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 5,43-48 - 17.06.2014 - Sêde perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.

Espírito de amor perfeito,
coloca-me no caminho
da perfeição do Pai,
que ama a humanidade,
fazendo o bem
a todos os seres humanos,
sem distinção.
Verde. 3ª-feira da 11ª Semana Tempo Comum
Evangelho - Mt 5,43-48

Sêde perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5,43-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
43Vós ouvistes o que foi dito:
'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!'
44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos
e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos
do vosso Pai que está nos céus,
porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
47E se saudais somente os vossos irmãos,
o que fazeis de extraordinário?
Os pagãos não fazem a mesma coisa?
48Portanto, sede perfeitos
como o vosso Pai celeste é perfeito.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 5, 43-48

Um dos valores mais determinantes da nossa vida é a justiça, mas na maioria das vezes deixamos de lado a justiça de Deus para viver a justiça dos homens, fundamentada na troca de valores e não na gratuidade de quem de fato ama. Quem ama verdadeiramente reconhece que Deus é amor e tudo o que somos e temos vem dele, como prova desse amor gratuito. Assim, as nossas atitudes não podem ser determinadas pelas diferentes formas de comportamento das pessoas que nos rodeiam, mas pelo amor gratuito de Deus que deve fazer com que sejamos capazes de superar toda forma de vingança em nome da justiça e procurar dar a nossa contribuição para que o mundo seja cada vez melhor.
Fonte CNBB



AMAI OS VOSSOS INIMIGOS Mt 5,43-48
HOMILIA

Neste Evangelho de hoje vemos como Jesus exorta longamente os seus discípulos a que respondam ao ódio com amor Mateus 5,43-48). Ele nos ajuda a mudar os nossos esquemas mentais no trato com os nossos adversários. Pois no texto vemos como Mateus compreende e observa que é no amor aos nossos inimigos, perseguidores e todos os que nos fazem mal que se descobre quem é na verdade o discípulo de Cristo.

Ns palavras de Jesus podemos encontrar dois tipos de pessoas: Os que se dizem não pertencer à Deus e nem se quer querem ouvir a Sua Palavra, portanto os ingratos, os maus adúlteros em suma os pecadores. Sua maneira de viver é do jeito que eles são: “os cobradores de impostos amam as pessoas que os amam”. Vivem e aplicam a lei “ uma mão lava a outra e as duas ficam limpas”. Só que dentro do sistema de panelinhas. Faço bem a quem me faz bem e ponto final. Os que vivem colocam Deus em primeiro lugar. À estes é chamado a consciente prática do amor de Deus que não reage de acordo com a maneira como é tratado: Ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal.

Jesus quer falar aqui do Deus, Fonte transbordante de bondade, Deus não se deixa condicionar pela maldade de quem está à sua frente. Mesmo esquecido, mesmo injuriado, Deus continua fiel a si próprio, só pode amar. Isto é verdadeiro desde a primeira hora. Ele está sempre disposto a perdoar: «Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos. » (Isaías 55,7-8); «Não desafogarei o furor da minha cólera… porque sou Deus e não um homem. » (Oseias 11,9) Deus é misericordioso (Êxodo 34,6; Salmo 86,15; 116,5 etc.), «não nos trata de acordo com os nossos pecados, nem nos castiga segundo as nossas culpas» (Salmo 103,10).

O mérito e a novidade do Evangelho é que para além de Deus ser Fonte de bondade, é necessário que os homens aprendam d’Ele o seu ser misericórdia e perdão: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso!» (Lucas 6,36). Com a presença de Jesus Cristo, a Fonte da Misericórdia que jorra no templo, a Bondade de Deus está entre nós e no meio de nós. Somos capacitados a respondermos o mal pelo bem. A injustiça pela justiça, o ódio pelo amor. O desespero pela esperança. A morte pela vida. Temos de viver e testemunhar a compaixão. Perdoando aos que nos fazem mal, damos testemunho de que o Deus de misericórdia está no coração de um mundo marcado pela descriminação e a recusa à presença e a vida do diferente entre nós.

A prática do amor misericordioso de Deus deve significar para mim e para ti participar da perfeição do Pai celeste, numa partilha de vida entre os irmãos numa dimensão universal.


Fonte Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 15 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 5,38-42 - 16.06.2014 - Eu vos digo: não enfrenteis quem é malvado!

Pai,
não permitas que a violência
tome conta do meu coração;
antes, torna-me capaz de responder,
com gestos de amor,
a quem me faz o mal.
Verde. 2ª-feira da 11ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 5,38-42

Eu vos digo: não enfrenteis quem é malvado!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5,38-42

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
38Ouvistes o que foi dito:
'Olho por olho e dente por dente!'
39Eu, porém, vos digo:
Não enfrenteis quem é malvado!
Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita,
oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo
para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
41Se alguém te forçar a andar um quilômetro,
caminha dois com ele!
42Dá a quem te pedir
e não vires as costas a quem te pede emprestado.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 5, 38-42

Os critérios humanos não são suficientes para resolver os problemas da própria humanidade, principalmente os que estão relacionados com a justiça, pois a justiça dos homens não tem como centro a pessoa humana, mas sim o que elas têm ou deixam de possuir. Os bens são comparáveis entre si, mas as pessoas não, pois cada uma é um ser único, incomparável na sua dignidade. Além disso, os elementos que estão presentes em um relacionamento são por demais complexos para serem abrangidos na sua totalidade a partir de categorias do conhecimento humano, uma vez que a própria razão é insuficiente para a compreensão do ser humano. Jesus nos mostra que somente o amor e a misericórdia possibilitam superar essas deficiências e construir um relacionamento justo e fraterno.
Fonte CNBB



HOMILIA
O VOSSO AMOR DEVE OPOR-SE AO ÓDIO Mt 5,38-42

Estamos diante da lei do Talião: “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, dente por dente”, embora à primeira vista pareça estar alimentando um sentimento de vingança, ela justamente deseja frear um ímpeto de vingança individual.

Vivemos em época caracterizada por ilegalidade. Que tem invadido nossa sociedade a um grau imprevisto e sem precedente. Os que fazem da lei a sua profissão, estão sendo convocados para repensar o propósito da lei na sociedade. Em nossos dias o indivíduo exige seus próprios direitos e o direito de agir como lhe apraz. Pouca consideração se dispensa ao efeito que isto possa ter sobre a vida de outrem.

Encontramos este princípio por todo o Novo Testamento. Vejamos o que Paulo diz. “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:9-10). O justo manifesta amor. O amor é atencioso e altruísta. Como se revela esse amor?

Paulo disse: “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram”. “Não vos vingueis a vós mesmos, amados [não vos apegueis a vossos direitos, não demandeis pelo que vos é devido], mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”. Se for cometido algum erro, o entregue ao Senhor. Não se vingue, não busque seus próprios direitos. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Paulo mostrou-nos o que nosso Senhor disse no capítulo 5 de Mateus: A pessoa tem direitos. Seus direitos foram violados. A pessoa pode exigir indenização. Mas o justo deixa esse problema com Deus, e demonstra amor e perdão até mesmo aos seus inimigos. Isso é justiça em ação.

Paulo menciona de novo este mesmo princípio em 1 Coríntios 6. Aqui ele luta com o problema de um crente recorrer ao tribunal contra outro crente para cobrar o que de direito lhe pertence. Certo homem insistia em seus próprios direitos, e o apóstolo criticou o descrédito que esse testemunho trazia ao mundo incrédulo: “Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano?” Paulo disse que o sinal do homem piedoso é abrir mão de seus direitos para que possa manifestar o amor altruísta de Cristo.” O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”, diz o apóstolo Paulo em Romanos 13:10. A lei nos dá direitos, mas também nos dá a liberdade de renunciar a eles, e assim manifestar a justiça de Cristo. Temos nossos direitos, e a Palavra de Deus os protege. Temos, também, a liberdade de renunciar a eles para demonstrar o amor de Cristo. Não é a demanda por seus direitos que caracteriza o justo, mas o desistir deles é que destaca o homem que agrada a Deus.

Jesus no Evangelho de hoje, com as palavras, vai progressivamente nos conduzindo a ir além desta lei. Fazendo-nos reconhecer o não revide: oferecer a outra face; deixar também o manto; caminhar com ele dois mil passos. Jesus apresenta uma referência baseada, não na lei da justiça judaica, isto é, o que é devido a cada um, mas na lei da graça e do amor. Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá uma tapa na face direita, oferece-lhe também à esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires às costas a quem te pede emprestado.

Desta maneira, Ele nos leva ao mandamento da caridade, não só para melhor compreendê-lo, mas também como concretamente vivê-lo. O Senhor nos ordena a dar a todos, tudo o que eles nos pedem: que todos sejam cumulados, por nossa generosidade, de tudo o que lhes falta.

Façamos de modo que eles não sofram nem de sede, nem de fome, nem da falta de vestes. E então, seremos encontrados dignos dos bens que faltam a nós mesmos e que pedimos a Deus, pois o costume de dar nos merecerá obtê-los. Ademais, há mais alegria em dar do que em receber.

É urgente que aos nossos ouvidos soem as palavras de Jesus: vencer o mal com o bem, e tornar concreto em nosso agir o mandamento do amor fraterno.

Peçamos ao Senhor que encha nossos corações com as graças do Seu Espírito Santo; com amor, alegria, paz, paciência, bondade e humildade. E nos ensine a amar os que nos odeiam; a rezar pelos que nos perseguem. E com o Seu auxílio, renunciar aos prazeres deste mundo e a desejar uma nova terra e novos céus.

Pai, não permita que a violência tome conta do meu coração; antes, torna-me capaz de responder, com gestos de amor, a quem me faz o mal.

Fonte Canção Nova

sábado, 14 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Jo 3,16-18 - 15.06.2014 - Deus enviou seu Filho ao mundo, para que o mundo seja salvo por ele.

Pai,
louvo-te e agradeço-te
por nos teres amado tanto,
a ponto de oferecer-nos a salvação,
por meio de teu Filho,
ao qual somos atraídos
pela força do teu Espírito.
Branco. Solenidade da Santíssima Trindade Tempo Comum

Evangelho - Jo 3,16-18

Deus enviou seu Filho ao mundo, para que o mundo seja salvo por ele.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 3,16-18

16Deus amou tanto o mundo,
que deu o seu Filho unigênito,
para que não morra todo o que nele crer,
mas tenha a vida eterna.
17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por ele.
18Quem nele crê, não é condenado,
mas quem não crê, já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão
Solenidade da Santíssima Trindade

Hoje, de um modo especial, celebramos Deus. Mas quem é Deus? Como explicá-lo? Como defini-lo? Como conhecê-lo?
Nenhuma pergunta sobre Deus pode ser respondida por nós humanos. Deus nos supera!
Temos noção de quem Ele é, mas não conseguimos defini-lo. É impossível! Ele é a eterna surpresa. Nosso Deus não é o Deus dos filósofos, mas é o Pai de Jesus Cristo, é o próprio Cristo, é o Espírito de Amor.
Para conhecê-lo deveremos abrir a Sagrada Escritura, principalmente o Novo Testamento, e ver o que Jesus, o Verbo Encarnado, nos diz.
O Evangelho de hoje, tirado de São João, nos fala que Deus é o Amigo do Homem, não apenas o seu Criador, mas o seu Redentor, aquele que o protege e que foi capaz de sofrer e morrer para que o Homem tivesse a plena felicidade.
Já São Paulo em sua Carta aos Coríntios nos orienta sobre a resposta a ser dada ao Deus Amigo. O homem deverá deixar-se transfigurar através dos dons, das qualidades divinas, especialmente pelo amor, pelo perdão e pelo serviço.
Falar com Jesus é falar com Deus. Sua bondade foi tanta que Ele se revelou a nós na pessoa de Jesus.
Filipe, quem me vê, vê o Pai. Dirijamo-nos ao Deus de Amor, a esse Deus que, por amor, rasgou seu coração, e sintamos a plenitude de seu querer bem a nós. Se o mandamento se resume em amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo, do mesmo modo como Ele nos amou, saibamos que antes de tudo o Senhor não só nos criou, mas, por amor a nós, se entregou até a morte.
O Espírito é escuta e disponibilidade.
Fonte Pe. César Augusto dos Santos SJ – Vaticano



Evangelho do Domingo da Santíssima Trindade – (Jo 3,16-18)
HOMILIA

Amados irmãos e irmãs em Cristo!
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!
Com esta saudação trinitária gostaria de saudar a todos na certeza do abraço amoroso de Deus trindade Santa que nos envolve e nos guia em nossa missão neste mundo na construção do seu reino. De fato, se tivermos um olhar bem atento aos fatos de nossa vida tudo o que começamos tem o traço, a presença e a proteção da Trindade. Isto porque sempre fazemos o sinal da cruz em todos os momentos de nossa vida, inclusive na celebração eucarística e demais sacramentos ou ainda em qualquer ação celebrativa, tudo inicia e termina com o sinal da cruz – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
O acesso ao mistério da Santíssima Trindade não é algo que o façamos por meio da nossa racionalidade apenas, mas deve ser resultado de uma experiência, de um encontro de uma acolhida amorosa e afetiva. Aliás, muito se distanciou de nós – o mistério trinitário – quando, envolvidos em tentativas de explicação filosófica e até teológica, buscamos somente a meta de explicar nos esquecemos em experimentar.
As leituras propostas nos apresentam qual deverá ser a nossa atitude diante desse mistério da nossa fé. Assim como Moisés queremos mais uma vez renovar a Aliança de amor na presença de Deus e, prostrados com a devida reverência reconhecemos e louvamos o Senhor que na sua misericórdia, clemência, paciência, bondade e fidelidade, nos perdoa os pecados e nos acolhe, mas acima de tudo Ele caminha conosco, em cada momento e nos anima para construirmos o reino como realidade possível.
O reinado de Deus sempre foi o grande objetivo e tarefa do Filho (Jesus) que obediente à vontade do Pai e impulsionado na força do Espírito que o ungiu para a missão entrega para nós esse trabalho. Tal empreitada exigirá de nós um sincero desejo de aperfeiçoamento, encorajando-nos, cultivando entre nós a concórdia, vivendo o amor e a paz como regra de nossas vidas (2 Cor 13,11-13).
Esta vida nova como fruto do que celebramos no domingo passado (Pentecostes) se consolida na certeza de que Deus sempre deseja se comunicar/revelar a nós e de maneira plena e muito especial o fez por meio de Jesus, o Filho Amado, que nos mostrou de fato, em palavras e obras quem é o Pai: “Deus é amor”!
O Pai envia seu único Filho como um gesto de amor por cada um de nós e o faz não para nos condenar, porém para nos salvar (Jo 3,16) e para que todos o que creiam tenham também parte nesta comunhão divina, nesta vida nova e eterna. O acesso, portanto à vida trinitária é a vivência do amor e da comunhão entre os diferentes estabelecida fundamentalmente na comunhão – expressão de amor!
Na Eucaristia e demais dimensões da nossa vida humana e eclesial somos, uma vez feitos à imagem e semelhança da Trindade (a melhor comunidade) também convidados a manifestar esse amor comunhão em tudo o que fazemos e nos mais variados lugares onde atuamos!
Transformados pelo amor da Trindade busquemos, na conversão pessoal e pastoral de nossas comunidades viver esse mistério de amor!
Em Jesus, o Bom Pastor e Maria, nossa Mãe.

Fonte Pe. Fernando Antonio Carvalho Costa – Arquidiocese de Fortaleza

sexta-feira, 13 de junho de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 5,33-37 - 14.06.2014 - Eu vos digo: não jureis de modo algum.

Pai,
seja o meu sim, sim,
e o meu não, não,
de forma que o maligno
não contamine o meu coração
com a mentira,
levando-me a ser falso
no relacionamento
com meu próximo.
Verde. Sábado da 10ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 5,33-37

Eu vos digo: não jureis de modo algum.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 5,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
33Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não jurarás falso',
mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.
34Eu, porém, vos digo:
Não jureis de modo algum:
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35nem pela terra, porque é o suporte onde apóia os seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.
36Não jures tão pouco pela tua cabeça,
porque tu não podes tornar branco ou preto
um só fio de cabelo.
37Seja o vosso 'sim': 'Sim',
e o vosso 'não': 'Não'.
Tudo o que for além disso vem do Maligno.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB


Reflexão - Mt 5, 33-37

Vós ouvistes o que foi dito aos antigos... Eu, porém, vos digo. Quem quer conhecer verdadeiramente Jesus não pode se contentar com as coisas antigas, mas deve buscar sempre a novidade do Evangelho. Isso significa que até mesmo o Evangelho não pode tornar-se antigo, tornar-se uma narrativa de fatos passados. O Evangelho deve ser para nós sempre uma novidade, um desafio à descoberta de novos valores que devem marcar a nossa vida e renovar a nossa comunidade e a nossa sociedade. A novidade do Evangelho é sempre atual e insuperável, e aponta para todos nós novos caminhos que devem ser trilhados a fim de que consigamos uma maturidade cada vez maior na fé.
Fonte CNBB



HOMILIA
QUE O TEU SIM SEJA SIM E O NÃO SEJA NÃO Mt 5,33-37

No Evangelho de hoje, Jesus ensina a seriedade que deve haver em nossas palavras, e como o nosso falar não deve ser medido pelos nossos juramentos, mas sim por nossa integridade. Uma pessoa de caráter e honesta, não precisa usar de juramentos para provar suas atitudes ou palavras. Alías, os seus atos darão testemunho a seu respeito.

O evangelho de hoje nos chama atenção à questão do juramento. As pessoas do tempo de Jesus, não raras vezes, tinham o costume de jurar. Porém usando deste artifício, não se davam conta, de que aceitavam mesmo que inconscientemente a mentira.

Como o nome de Deus era “impronunciável”, juravam, pelos céus, por Jerusalém, pela terra e até pela própria cabeça e Jesus nos lembra que não podemos jurar por nada, primeiro porque nada disto nos pertence e segundo, como já mencionei, o juramento pressupõe a inverdade.

Jesus nos pede, de não jurar; e nos recomenda que o nosso sim seja sim e o nosso não seja não. Seguindo este trocadilho de palavras qual a necessidade de jurar seja lá pelo que for¿ alias, se o juramento fosse lícito, a única coisa pela qual poderíamos jurar seria pelas nossas limitações, a única coisa que realmente nos pertence.

Jesus também ensinava que não devemos ser pessoas dúbias, cataventos e volúveis: Que a vossa palavra seja sim quando é sim. E não quando é não! Tudo o que não vem daí tem a sua origem no diabo. Como têm sido as tuas palavras com o teu marido, esposa, pai, mãe, filhos, colegas de serviço, na Igreja e com Deus?

Jesus reatando o dito pela lei nos adverte para que em momento algum juremos por jurar como no Antigo Testamento para garantir a integridade dos nossos atos. Assim nas sociedades antigas a ausência de um sistema judicial como o nosso, a sociedade dependia que o povo falasse a verdade um para com o outro. Por isso o juramento mantinha a obrigação do povo em falar e fazer seus negócios honestamente. O uso do juramento era frequente nos pactos e confederações solenes. Era um apelo a Deus para que servisse de testemunha em um pacto ou a uma verdade a ser dita.

A violação de um juramento tinha resultados sérios. Os juramentos judiciais eram reconhecidos pela Lei.

Os juramentos eram usados para confirmar um pacto; esclarecer controvérsias; estabelecer concertos; mostrar a imutabilidade do conselho de Deus; definir as responsabilidades sacras; e no cumprimento de atos judiciais. O juramento poderia ser feito ante o rei, ante os objetos sagrados, ante o altar; e usava-se entre o rei e seus súditos, entre o patriarca e o povo, entre o senhor e o servo, entre um povo e outro e entre um indivíduo e outro. Atos simbólicos eram utilizados no juramento, como o levantar a mão direita ou as duas mãos aos céus e colocar a mão sobre a outra pessoa. Também ao jurar, eram usadas diversas expressões: Assim Deus me faça e outro tanto; Vive o Senhor; Viva a tua alma e te conjuro pelo Senhor. O juramento estabelecia limitações no falar das pessoas e delineava a conduta humana.

Que tuas palavras expressem o que trazes no teu coração. Que tua boca diga aquilo que o coração está cheio. Enquanto é tempo, acerte o passo! Reconcilia-te como Deus e o irmão!

Senhor, purifica os meus lábios com o fogo do teu Espírito. As palavras que saem da minha boca possam ser reflexo da eterna Palavra, viva e eficaz, a ponto de penetrar a alma dos meus irmãos, que revela os pensamentos do coração e como o bálsamo que alivia as chagas!

Fonte Canção Nova