Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 6,19-23
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
19Não junteis tesouros aqui na terra,
onde a traça e a ferrugem destroem,
e os ladrões assaltam e roubam.
20Ao contrário, juntai para vós tesouros no céu,
onde nem a traça e a ferrugem destroem,
nem os ladrões assaltam e roubam.
21Porque, onde está o teu tesouro,
aí estará também o teu coração.
22O olho é a lâmpada do corpo.
Se o teu olho é sadio, todo o teu corpo ficará iluminado.
23Se o teu olho está doente,
todo o teu corpo ficará na escuridão.
Ora, se a luz que existe em ti é escuridão,
como será grande a escuridão.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão - Mt 6,
19-23
Existem valores e valores. Quem é verdadeiramente discípulo
de Jesus deve procurar viver segundo a hierarquia de valores que é proposta por
ele. Quem tem como centro de sua vida o reino de Deus faz dele o seu tesouro,
faz com que ele seja o valor fundamental da sua vida e a partir dele ordena
todos os demais valores, de modo que o reino de Deus é o valor absoluto e os
demais valores são relativos a ele. Quem coloca os valores do mundo como centro
da sua vida vive segundo outra hierarquia de valores, totalmente inversa à
proposta por Jesus. Diante do evangelho de hoje somos convidados a rever nossa
hierarquia de valores segundo os critérios de Jesus.
Fonte CNBB
Riquezas no céu
mt-6,19-23
HOMILIA
Estamos a continuar a nossa reflexão sobre as
Bem-aventuranças. E hoje no evangelho nos faz duas recomendações sobre como que
olhos e como nos devemos relacionar e usar os bens materiais.
Nos quarenta anos de deserto, o povo foi provado para ver se
era capaz de observar a lei de Deus (Ex 16,4). A prova consistia nisto: ver se
eles eram capazes de recolher só o necessário de maná para cada dia e de não
acumula-lo para o dia seguinte.
E hoje na mesma linha Jesus diz: Não acumuleis riquezas aqui
na terra, onde as traças e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e
roubam
O que significa acumular tesouros no céu? Trata-se de saber
de onde vim, o que faço aqui na terra e para onde vou. Descobrir qual o
fundamento da minha existência e nelas colocar a minha confiança. Se a deposito
nos bens materiais desta terra, sempre corro o perigo de perder o que acumulei.
Porém se for a Deus, ninguém vai poder destruí-lo e terei a
liberdade interior de partilhar com os outros os bens que possuo. Para que isto
seja possível e visível, é importante que se crie uma convivência comunitária
que favoreça a partilha e a ajuda mútua, e na qual a maior riqueza ou tesouro
não é a riqueza material, mas sim a riqueza ou o tesouro da convivência
fraterna nascida a partir da certeza trazida por Jesus de que Deus é o meu Pai
e todos. E se ele é nosso Pai todos nós somos irmãos. É nosso Pai nele deve
estar o nosso coração de filhos.
A lâmpada do corpo é o olho por que como disse Jesus: os
olhos são como uma luz para o corpo. Mas para entender o que Jesus pede é
necessário ter olhos novos. Jesus é exigente e pede muita coisa: não acumular,
não servir a Deus e ao dinheiro ao mesmo tempo. Estas recomendações exigentes
tratam daquela parte da vida humana, onde as pessoas têm mais angústias e
preocupações. É urgente que tenhamos o nosso olho lúcido e são porque se teu
olho estiver doente, todo o teu corpo estará também doente.
Na realidade, a pior doença que se possa imaginar é uma
pessoa se fechar sobre si mesma e sobre seus bens e confiar só neles. É a
doença da tibieza, mesquinhez! Quem olha a vida com este olhar viverá na
tristeza e na escuridão. O remédio para curar esta doença é a conversão, a
mudança de mentalidade e de ideologia. Colocando o fundamento da vida em Deus,
o olhar se torna generoso e a vida toda se torna luminosa, pois faz nascer a
partilha e a fraternidade.
Jesus quer uma mudança radical. Quer que vivamos como Deus
é. A imitação de Deus leva à partilha justa dos bens e ao amor criativo, que
gera fraternidade verdadeira.
Onde está tua riqueza, aí estará o teu coração. Onde está a
tua e a minha riqueza? Muitas pessoas idolatrisam o marido, a esposa, os filhos
ou parentes colocando-os acima de Deus. Outras colocam em primeiro lugar o
dinheiro, os bens matérias (o carro, o cavalo, a vaca, as jóias…) e relegam
para o segundo ou o último lugar Deus e a família. Esquecem-se de que é em
Deus, é no amor ao próximo como a si mesmo que está a fonte da vida.
Meu irmão minha irmã a ti me dirijo e pergunto: que luz tens
como referência? Para onde direcionas os teus olhos? Para as coisas do mundo ou
para o Círio Pascal que é a fonte da luz sem ocaso? Ela é a luz no mundo, quem
Lhe segue não se engana nem na vida nem na morte.
Branco. Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Tempo Comum
Evangelho - Jo 6,51-58
Minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira
bebida.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João
6,51-58
Naquele tempo:
disse Jesus às multidões dos judeus:
51'Eu sou o pão vivo descido do céu.
Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei
é a minha carne dada para a vida do mundo'.
52Os judeus discutiam entre si, dizendo:
'Como é que ele pode dar a sua carne a comer?'
53Então Jesus disse:
'Em verdade, em verdade vos digo,
se não comerdes a carne do Filho do Homem
e não beberdes o seu sangue,
não tereis a vida em vós.
54Quem come a minha carne
e bebe o meu sangue
tem a vida eterna,
e eu o ressuscitarei no último dia.
55Porque a minha carne é verdadeira comida
e o meu sangue, verdadeira bebida.
56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele.
57Como o Pai, que vive, me enviou,
e eu vivo por causa do Pai,
assim o que me come viverá por causa de mim.
58Este é o pão que desceu do céu.
Não é como aquele que os vossos pais comeram.
Eles morreram.
Aquele que come este pão viverá para sempre.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
REFLEXÃO
I – Deus dá-Se por
inteiro
Existindo desde toda a eternidade, a Trindade não
necessitava da criação. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo bastavam-Se
inteiramente, desfrutando de uma felicidade perfeita, infinita. Nisso consiste
a glória intrínseca e insuperável das Três Divinas Pessoas. No entanto, ao
criar, Deus quis tornar as criaturas partícipes de sua felicidade, e estas, ao se
assemelharem ao Criador Lhe renderiam a glória extrínseca, cumprindo assim a
finalidade mais alta de seu ser. Foi, pois, a criação um ato de doação, de
entrega e de generosidade supremas1, requintado depois com a Encarnação do
Verbo, quando Deus sujeitou-Se a assumir a pobre natureza humana a fim de nos
remir do pecado de nossos primeiros pais.
O Homem-Deus haveria de prolongar sua presença na Terra
Mas o incomensurável amor de Deus por nós não se limitou a
isso. Para nos abrir as portas do Céu, chegou a padecer dolorosa Paixão, morrer
na Cruz e ressuscitar. E o teria feito, se preciso fosse, para resgatar um
único homem. Ora, cabe-nos perguntar: depois de manifestar esse inacreditável
amor por nós, haveria Ele de simplesmente subir aos Céus e abandonar o convívio
com os homens cuja redenção tão caro Lhe custou? Seria possível imaginar,
depois de tal união conosco, haver essa irremediável separação?
A maravilhosa solução para esse perplexitante problema só a
Deus poderia ocorrer. Comenta belamente, a este propósito, o Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira:
“Não quero dizer que a Redenção e o sacrifício da Cruz
impusessem a Deus, em rigor de lógica, a instituição da Sagrada Eucaristia. Mas
pode-se dizer que tudo clamava, tudo bradava, tudo suplicava por que Nosso Senhor
não Se separasse assim dos homens. E uma pessoa com senso arquitetônico deveria
entrever que Nosso Senhor arranjaria um meio de estar sempre presente, junto a
cada um dos homens por Ele remidos. De forma tal que, depois da Ascensão, Ele
estivesse sempre no Céu, no trono de glória que Lhe é devido, mas ao mesmo
tempo acompanhasse passo a passo a via dolorosa de cada homem aqui na Terra,
até o momento extremo em que cada um dissesse, por sua vez, o ‘Consummatum est’
(Jo 19, 30)”.2
E conclui com esta piedosa confidência: “Creio que se eu
assistisse à Crucifixão e soubesse da Ascensão, ainda que não soubesse da
Eucaristia, eu começaria a procurar Jesus Cristo pela Terra, porque não
conseguiria me convencer de que Ele tivesse deixado de conviver com os homens.
Esse convívio verdadeiramente maravilhoso de Jesus Cristo com os homens se faz,
exatamente, por meio da Eucaristia”.3
O fato de Deus ter operado a Criação para dar-Se a Si mesmo
já nos enche de admiração. Muito mais, porém, é Ele ter assumido a natureza
humana para, por sua morte, propiciar-nos o infinito dom da vida sobrenatural e
abrir-nos as portas do Céu. Contudo, levar o amor a ponto de dar-Se aos homens
em alimento, supera qualquer capacidade de imaginação! Pode-se dizer com
propriedade que o ápice dessa doação, se encontra no Sacramento da Eucaristia.
Aparente simplicidade da Santa Ceia
Como se deu a instituição do mais excelente e sublime dos
Sacramentos, o fim para o qual se ordenam todos os outros? 4
Na aparência, de um modo muito simples. Para os Apóstolos,
tratava-se de uma ceia rotineira, celebrada todo ano pelos judeus segundo o
multissecular rito indicado com detalhes por Deus a Moisés e Aarão, como algo a
ser perpetuado de geração em geração (cf. Ex 12, 1-14). Ela lembrava aos judeus
a Páscoa do Senhor, a morte dos primogênitos do Egito e a travessia do Mar
Vermelho. Os discípulos estavam, portanto, com a ideia de uma simples
rememoração religiosa quando de fato se realizaria no Cenáculo o que fora
prefigurado na Antiga Lei: o sacrifício de animais cederia lugar ao holocausto
do Cordeiro Divino que em breve seria imolado no altar da Cruz, para nossa
salvação. As vítimas materiais simbolizavam o corpo de Cristo, e este seria ao
mesmo tempo sacerdote e vítima no Novo Sacrifício, eterno e de valor infinito.
Segundo relatam os Evangelistas, depois de Jesus instituir a
Eucaristia e dar a Comunhão aos Apóstolos, eles cantaram os salmos e saíram
para o Monte das Oliveiras (cf. Mc 14, 26; Mt 26, 30). Constituíam esses salmos
o poema de ação de graças intitulado Hallel — “Louvai a Javé” —, próprio da
liturgia hebraica para a celebração da Páscoa5 e especialmente simbólico
naquela circunstância: enquanto uns davam graças por terem comungado, o Messias
rendia louvores ao Pai pela instituição da Eucaristia, que representava a
concretização do anseio manifestado no início da Sagrada Ceia: “Desejei
ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de padecer” (Lc 22, 15).
Se soubessem com antecedência a grandeza do que seria
instituído naquele dia — não só a Eucaristia, mas também o Sacerdócio —, é de
se supor que os Apóstolos teriam preparado uma cerimônia à altura. Mas, naquele
momento, quem tinha noção do que estava se passando?
II – Maria e a
Eucaristia
Apenas Maria Santíssima tinha consciência da sublimidade da
hora, pois é compreensível ter-Lhe Nosso Senhor revelado o que iria acontecer.
Por quê?
Durante nove meses, operou-se em Maria a Transubstanciação
Tendo Maria recebido do Arcanjo Gabriel a Anunciação, o
Espírito Santo A cobriu com sua sombra e iniciou-se o misterioso processo de
gestação do Deus encarnado. Bem se pode dizer que, durante nove meses, a cada
segundo n’Ela como que se celebrava uma Santa Missa.
Com efeito, no instante em que a alma de Jesus foi criada,
fez Ele seu primeiro ato de adoração ao Pai, acompanhado de um perfeitíssimo
oferecimento de Si mesmo como vítima; ou seja, realizou uma ação sacerdotal
como Sumo Sacerdote “santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e
elevado acima dos céus” (Hb 7, 26). E para esse sublime sacrifício não havia na
face da Terra altar mais digno do que o claustro virginal de Nossa Senhora. Por
nove meses, viveu Ela no mais íntimo contato com Jesus, numa relação única na
ordem do criado: tendo oferecido o seu corpo imaculado a Deus, Este tomava os
elementos maternos e os transubstanciava; quer dizer, eles tornavam-se divinos
a partir do momento em que passavam a integrar o corpo de Jesus.
E pensar que esse grandioso mistério não se teria realizado
sem o consentimento da Virgem: “Faça-se em Mim segundo a vossa palavra”! (Lc 1,
38).
Assim, à medida que se formava o corpo do Menino em seu seio
virginal, Maria tudo conferia em seu coração e ia explicitando, maravilhada, a
fisionomia física e moral de seu Filho. Este, de seu lado, assumia cada vez
mais o ser da Mãe e A ia divinizando. De fato, pela maternidade divina, “a
Bem-aventurada Virgem Maria chegou aos confins da divindade”.6 Concebida em
graça, Ela era verdadeiramente “o Paraíso terrestre do novo Adão”.7
O anseio de Maria por reviver esses momentos
Completados os dias e tendo Jesus nascido, que alegria não
terá sentido a Virgem Santa ao segurar em seus braços aquele Menino gestado em
seu seio, constatando como Ele correspondia ao que Ela, em sua inocência,
imaginara! Não é possível fazer ideia da sublimidade da primeira troca de
olhares entre Mãe e Filho. Quanta coisa foi dita sem articular palavra alguma!
Olhar este talvez superado apenas por um outro: o último olhar de Jesus para
sua Mãe, do alto da Cruz. Contudo, de outro lado, que saudades deveria Ela
sentir do relacionamento, ao mesmo tempo inefável e misterioso, havido durante
o tempo em que ia sendo formado em seu claustro o Corpo de Cristo!
O anseio santíssimo e equilibradíssimo d’Ela de receber
novamente Jesus em seu interior com certeza foi crescendo8 a ponto de nesse
desejo Ela comungar espiritualmente a todo instante. Portanto, seria
arquitetônico que em certo momento Nosso Senhor tivesse revelado a instituição
da Eucaristia9 a Quem é o modelo perfeito dos adoradores de Jesus-Hóstia.
Porque, sem dúvida, os atos de amor eucarístico da Virgem Maria deram mais
glória a Deus do que todas as honras prestadas ao Santíssimo Sacramento pelos
anjos e homens ao longo da História, uma vez que somente Ela O compreendeu,
amou e adorou adequadamente.
III – Grandeza do
Mistério da Eucaristia
Com efeito, é a Eucaristia um dos mais profundos mistérios
da nossa Fé: as aparências, os sabores e os aromas são de pão e de vinho;
porém, tanto numa como noutra espécie, encontramos apenas a substância do
Corpo, Sangue, Alma e Divindade Não é possível fazer ideia da sublimidade da
primeira troca de de Cristo! Os sentidos nos olhares entre Mãe e Filho
apresentam uma realidade, mas nossa Fé nos propõe “Virgem com o Menino Jesus” -
Igreja de Notre Dame de Auteil (França) outra, na qual acreditamos.
Se, segundo ensina São Tomás, “o bem da graça é, para o
indivíduo, melhor que o da natureza de todo o universo”10, o que dizer da menor
fração visível de uma hóstia consagrada? Ali está o próprio Cristo. Não se
trata de uma gota de graça, mas sim do próprio Autor da graça. Portanto, é algo
cujo valor supera toda a criação, incluindo a ordem da graça. Juntemos as
graças que os anjos e os homens receberam e ainda receberão, mais as existentes
no mais alto grau em Nossa Senhora, e todas elas somadas não se comparam ao que
há numa partícula consagrada: a recapitulação do Universo (cf. Ef 1, 10) numa
aparência de pão! A grandeza contida neste Sacramento é inexprimível em
linguagem humana. Tudo quanto há na criação foi promovido por Deus em ordem a
Jesus Cristo, e o supremo ato de amor d’Ele pelos homens consistiu na
instituição da Eucaristia para proporcionar-nos uma extraordinária forma de
união pessoal com o Verbo Encarnado. Às palavras da Consagração, pronunciadas
pelo sacerdote, o próprio Deus obedece, e se realiza o maior milagre da face da
Terra. Por essa maravilha, bem podemos avaliar o quanto Ele nos ama de maneira
incomensurável.
O Santíssimo Sacramento embeleza a alma
Qualquer um pode comprovar como as plantas expostas aos
raios solares ostentam uma exuberância, uma beleza e uma vitalidade que elas
não têm estando à sombra. Uma grande diferença, devida apenas ao esplendor do
Sol.
Ora, se a natureza é embelezada dessa maneira pela luz
solar, que admiráveis benefícios não deve proporcionar à alma o raio espiritual
emanado diretamente do Deus Escondido? Muito mais benéfica é a Eucaristia para
nossa alma do que o Sol para nosso organismo corporal. Tendo algumas faltas ou
misérias — veniais evidentemente, porque com pecado mortal não se pode comungar
—, está a pessoa obrigada a afastar-se de Jesus Eucarístico? Não. Pelo
contrário, deve aproximar-se d’Ele ao máximo. Não fugir de Jesus, mas abrigar-se
n’Ele, porque assim ela será purificadas dessas misérias, e sua alma sairá
aperfeiçoada.11 Nossos olhos corporais não conseguem, infelizmente, contemplar
tais mudanças. Santa Catarina de Sena desejando conhecer o esplendor de uma
alma habitada pela graça divina, ouviu dos lábios do próprio Jesus esta
declaração: “Minha filha, se Eu te mostrasse a beleza de uma alma em estado de
graça, seria a última coisa que verias neste mundo, porque o esplendor de sua
formosura te faria morrer”.12
De fato, a graça ao divinizar a alma, a torna tão bela e
atraente que, se nos fosse possível vê-la, teríamos a tendência de adorá-la,
imaginando que fosse Deus. Fortalecendo todas as suas potências, nutrindo-a com
inspirações santas e com impulsos de amor, Jesus-Hóstia faz com que a alma
pervadida pela graça se assemelhe cada vez mais a Ele.13 Por isso, quando vemos
as maravilhas operadas pelos homens de Deus, podemos estar certos de que elas
provêm muito mais da Eucaristia, da qual são devotos, do que de eventuais
qualidades pessoais.
Além desses sublimes benefícios produzidos na alma pela
Eucaristia, devemos considerar que, apesar de nossas limitações ou até
imperfeições, Nosso Senhor tem saudades de nós, e quer nos aproximar d’Ele,
pois encontra as suas “delícias em estar com os filhos dos homens” (Pr 8, 31).
Com muita propriedade, encontra-se em algumas capelas do Santíssimo Sacramento
a expressiva frase de Santa Marta à sua irmã: “Magister adest et vocat te” — “O
Mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). Quando entramos no recinto sagrado
para fazer-Lhe uma visita, Jesus-Hóstia nos acolhe com alegria, como que
dizendo: “Aqui está o meu filho! Há quanto tempo Eu não o via... Venha!”. De
fato, nosso Redentor nos ama tanto que, por maiores que sejam nossas misérias,
Ele Se alegra em nos ver.
Energia para enfrentar as dificuldades
Muitas são as conjunturas nas quais a pessoa se sente
anêmica espiritualmente: ocasiões próximas de pecado que se apresentam, ou
circunstâncias favorecedoras de um depauperamento espiritual, enfim, inúmeras
situações que podem dessorar a fortaleza de alma. Onde então recuperar
energias? Na Eucaristia. Disso nos dá exemplo — entre outros incontáveis santos
— São Tomás de Aquino. Nas primeiras horas da manhã, ele celebrava sua Missa e
em seguida assistia à de outro frade.14 Segundo consta, gostava inclusive de
acolitar as Missas de seus irmãos de hábito. “Falando sobre os Sacramentos —
disse recentemente o Papa Bento XVI —, o grande São Tomás reflete de modo
particular sobre o Mistério da Eucaristia, pelo qual alimentou uma enorme
devoção, a tal ponto que, segundo os antigos biógrafos, costumava aproximar a
sua cabeça do Tabernáculo, como que para sentir palpitar o Coração divino e
humano de Jesus”.15
Permanência dos efeitos da Eucaristia
Às vezes, cometemos o equívoco de pensar que, quando
comungamos, Jesus Cristo mantém-Se presente em nós apenas nos cinco ou dez
minutos de duração das espécies eucarísticas. Trata-se de uma realidade
espiritual muito mais profunda. De fato, mesmo após cessar a presença real de
Nosso Senhor “a graça permanece na alma que comunga, porque ela recebeu em
estado de graça o Pão da Vida”, afirma Santa Catarina de Sena.16
Na Comunhão é Cristo que “nos diviniza e transforma em Si
mesmo. “Consumidos os acidentes do Na Eucaristia alcança o cristão sua máxima
‘cristificação’” pão”, disse-lhe Nosso Senhor em uma revelação, “deixo em vós a
marca de minha graça, como o selo aplicado sobre a cera quente. Tirando o selo,
fica nela sua marca. Assim, resta na alma a virtude desse Sacramento, ou seja,
mantém-se o calor da divina caridade, clemência do Espírito Santo. Continua em
vós a luz da sabedoria de meu Filho Unigênito, que ilumina os olhos de vossa
inteligência para que conheçais e vejais a doutrina de minha verdade e dessa
mesma sabedoria”.17
Um alimento que assume quem o toma
Quando comemos, nosso organismo assimila os alimentos
ingeridos, deles retirando as substâncias úteis para a vida. Mas, ensina-nos a
Teologia, quando comungamos passa-se o contrário: é Cristo que “nos diviniza e
transforma em Si mesmo. Na Eucaristia alcança o cristão sua máxima
cristificação, em que consiste a santidade”.18 Não O consumimos, pois Ele cessa
a sua presença sacramental em nós a partir do momento em que as Sagradas
Espécies deixarem de subsistir. Estando em nós, Ele nos enche de vida
sobrenatural, santifica nossa alma e beneficia em consequência nosso corpo.
Por essa razão, o próprio Jesus, como nos narra o Evangelho
desta Solenidade, ressalta a substancial diferença entre o maná recebido pelos
judeus no deserto e o alimento trazido por Ele na Eucaristia: “Este é o pão que
desceu do Céu. Não é como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram.
Aquele que come este pão viverá para sempre” (Jo 6, 58).
Penhor da ressurreição para a vida eterna
“Pela Santa Comunhão renova-se de certo modo o augusto
mistério da Encarnação”19, afirma com autoridade São Pedro Julião Eymard. O
padre Royo Marín é mais afirmativo: na alma de quem acaba de comungar, diz ele,
“o Pai engendra seu Filho Unigênito, e de ambos procede essa corrente de amor,
verdadeira torrente de chamas, que é o Espírito Santo”.20 Em virtude da união
eucarística, a alma do fiel se torna “mais sagrada que a custódia e o cálice,
mais até que as próprias espécies sacramentais, que certamente contêm a Cristo,
mas sem tocá-Lo e sem receber d’Ele qualquer influência santificadora”.21 E por
isso, quem comunga recebe graças para bem viver de acordo com os Mandamentos e
depois ter o prêmio da ressurreição com o corpo glorioso: “Aquele que come este
pão, viverá para sempre” (Jo 21, 58).
IV – Saibamos
retribuir sem medidas
Infelizmente, muitas vezes não avaliamos com profundidade
todos os benefícios recebidos nesse sacral convívio com a Eucaristia na qual
nosso Divino Redentor está realmente presente como quando operou a
transformação da água em vinho nas bodas de Caná, ou quando ressuscitou Lázaro,
ou ainda quando expulsou os vendilhões do Templo. O que não daríamos para
presenciar um único milagre de Jesus ou ouvir algum de seus sermões? Ou mesmo
receber d’Ele um só olhar? Quando chegarmos ao Céu, se Deus nos conceder essa
suprema graça, compreenderemos que um instante de adoração eucarística compensa
mil anos de sacrifícios na Terra.
E, no entanto, hoje temos Jesus-Hóstia nos tabernáculos
sempre à nossa disposição; a qualquer momento Ele lá está nos aguardando com
insignes graças, desejoso de receber nossa pobre visita. Se na Encarnação Deus
quis Se unir à mais pura das criaturas, na Santa Comunhão Ele celebra suas
bodas com cada pessoa em particular, numa união sem paralelo. “A alma une-se de
tal forma a Jesus Cristo que perde, por assim dizer, seu próprio ser e deixa
viver tão-somente Jesus nela”.22 Perde-se em Nosso Senhor como uma gota d’água
no oceano. E a correspondência de nosso amor tornará mais perfeita e profunda
essa união.
Peçamos a Jesus Sacramentado, nesta festa da Eucaristia, um
amor íntegro e uma entrega total a Ele, única restituição digna por tudo quanto
d’Ele recebemos. E transbordemos de alegria e de entusiasmo por sermos tão
amados individualmente por um Deus que já nesta vida é a nossa “recompensa
demasiadamente grande” (Gn 15, 1).
Fonte Mons. Clã Dias
HOMILIA
Meditação da
Solenidade de Corpus Christi (Jo 6,51-58)
Amados irmãos e irmãs em Cristo, o pão vivo descido do céu!
Estamos reunidos em torno da mesa da Palavra e do Santo
Sacrifício para fazer memória do Senhor e de sua presença mais real e íntima
dentro de nós – a Eucaristia.
A Igreja reserva um dia belíssimo como este para proclamar
publicamente a fé na Eucaristia – Corpo e Sangue de Jesus. Neste dia santo e de
guarda somos todos os felizes convidados para a ceia do Senhor que também nos
convida a estendermos em nossas vidas o mistério celebrado!
Uma das funções ou necessidades mais fundamentais do ser
humano é comer e beber! Sem esta condição a vida não pode ser mantida! Quanto
mais no deserto onde a escassez de alimento e bebida é intensa. Nesta
experiência, o povo de Deus é lembrado da presença e do auxílio de Deus que o
libertou, conduziu, instruiu, alimentou, mas também o pôs à prova em sua
fidelidade à aliança estabelecida. Quando necessário, por se tratar de um povo
de coração fechado e cabeça dura, também o humilhou entregando-o à própria
sorte. Entretanto a imagem mais marcante é a memória do povo que é alimentado
no deserto com o maná (pão que caía do céu!) pelo próprio Senhor!
A experiência de alimentar-se é necessariamente uma
atividade coletiva e porque não dizer comunitária. Como é triste alguém comer
sozinho, parece até que o alimento não tem sabor nem a refeição o seu sentido.
São Paulo Apóstolo nos lembra que a nossa refeição eucarística no corpo e
sangue de Cristo é comum união com o próprio Senhor e com os irmãos também!
Nesta solenidade o Senhor apresenta-se para nós como “o pão
vivo descido do céu” (Jo 6,51), sua carne, verdadeira comida e seu sangue,
verdadeira bebida são o alimento que nos revigora e nos forma enquanto
discípulos-missionários. É o alimento da vida eterna, onde pela fé os nossos
sentidos são orientados e ordenados para percebermos no pão e no vinho,
eucaristizados, o “pannis angélicus” – o pão dos anjos que se tornou pão dos
homens que em sua grande riqueza tornou-se pobre para nos enriquecer e nos
alimentar. Comendo e bebendo com o Senhor, permanecemos n’Ele, sua vida divina
permanece em nós e nos tornamos no alimento que recebemos para a vida do mundo
Por tratar-se de uma “refeição festiva” ninguém deve ficar
de fora, porém nós temos que avaliar bem se estamos de fato condizentes com o
que vamos receber, não por causa de nós mesmos, mas pelo que recebemos – o
próprio Senhor. É claro que estaremos sempre aquém, em dignidade; entretanto, o
alimento sagrado que recebemos deve ser para a nossa salvação e não para ser
motivo de condenação.
No coração da Igreja existe uma profunda dor pelos filhos e
filhas que estão privados da comunhão eucarística, por alguma restrição
pessoal, contudo será muito útil, pastoralmente, indicar a comunhão na Palavra
(Proclamada e Explicada), pois é o próprio Senhor quem nos alimenta, como
também na comunhão espiritual onde o nosso coração se une misteriosamente com o
coração amoroso de Jesus Eucarístico.
Em Jesus o Bom Pastor e no Coração Imaculado de Maria.
Fonte Pe. Fernando Antonio
Carvalho Costa – Arquidiocese de Fortaleza
E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a
recompensa.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 6,1-6.16-18
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
1'Ficai atentos
para não praticar a vossa justiça na frente dos homens,
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola,
não toques a trombeta diante de ti,
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
3Ao contrário, quando deres esmola,
que a tua mão esquerda nóo saiba
o que faz a tua mão direita,
4de modo que, a tua esmola fique oculta.
E o teu Pai, que vê o que está oculto,
te dará a recompensa.
5Quando orardes,
não sejais como os hipócritas,
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
6Ao contrário, quando tu orares,
entra no teu quarto, fecha a porta,
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
16Quando jejuardes,
não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
17Tu, porém, quando jejuares,
perfuma a cabeça e lava o rosto,
18para que os homens não vejam
que tu estás jejuando,
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão - Mt 6,
1-6.16-18
O verdadeiro espírito de conversão quaresmal é aquele de
quem não busca simplesmente dar uma satisfação de sua vida a outras pessoas
para conseguir a sua aprovação e passar assim por um bom religioso, mas sim
aquele que encontra a sua motivação no relacionamento com Deus e busca superar
as suas imaturidades, suas fraquezas, sua maldade e seu pecado para ter uma
vida mais digna da vocação à santidade que é conferida a todas as pessoas com a
graça batismal, e busca fazer o bem porque é capaz de ver nas outras pessoas um
templo vivo do Altíssimo e servem ao próprio Deus na pessoa do irmão ou da irmã
que se encontram feridos na sua dignidade.
Fonte CNBB
CUIDADO COM A
HIPOCRESIA Mt 6,1-6.16-18
HOMILIA
No Evangelho, Jesus pede a pratica da esmola, o jejum e a
oração longe de toda hipocrisia: «Por isso, quando você der esmola, não mande
tocar trombeta na frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a
recompensa». Os hipócritas, energicamente denunciados por Jesus Cristo, se
caracterizam pela falsidade de seu coração. Mas, Jesus adverte hoje não só da
hipocrisia subjetiva senão também da objetiva: cumprir, inclusive de boa fé,
tudo o que manda a Lei de Deus e a Escritura Santa, mas fazendo de maneira que
fique na mera prática exterior, sem a correspondente conversão interior.
Cuidado! não pratiqueis vossa justiça na frente dos outros,
só para serdes notados. De outra forma, não recebereis recompensa do vosso Pai
que está nos céus». A justiça da que Jesus nos fala consiste em viver conforme
aos princípios evangélicos, sem esquecer que «Eu vos digo: Se vossa justiça não
for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus».
A justiça nos leva ao amor, manifestado na esmola e em obras
de misericórdia: «Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o
que faz a direita». Não é que se devam ocultar as obras boas, mas que não se
deve pensar em elogio humano ao fazê-lo, sem desejar nenhum outro bem superior
e celestial. Em outras palavras, devo dar esmola de tal modo que nem eu tenha a
sensação de estar fazendo uma boa ação, que merece uma recompensa por parte de
Deus e elogio por parte dos homens.
Então, a esmola reduzida à “gorjeta” deixa de ser um ato
fraternal e se reduz a um gesto tranqüilizador que não muda a maneira de ver o
irmão, nem faz sentir a caridade de prestar-lhe a atenção que ele merece. O
jejum, por outro lado, fica limitado ao cumprimento formal, que já não lembra
em nenhum momento a necessidade de moderar nosso consumismo compulsivo, nem a
necessidade que temos de ser curados da “bulimia espiritual”. Finalmente, a
oração reduzida a estéril monólogo não chega a ser autêntica abertura
espiritual, colóquio íntimo com o Pai e escuta atenta do Evangelho do Filho.
A religião dos hipócritas é una religião triste, legalista,
moralista, de uma grande pobreza de espírito. “Guardai-vos de praticar a vossa
justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles como fazem os
hipócritas...” No dicionário do Aurélio, hipocrisia é afetação duma virtude, de
um sentimento louvável que não se tem. É impostura, fingimento, simulação,
falsidade. Os hipócritas enganam (ou pensam enganar) as pessoas que os vêem por
sua aparência. Fingem ser uma coisa que não são. Por quanto tempo dura uma
hipocrisia? Pois nada há de oculto que não seja um dia revelado. Que passageira
recompensa recebem os hipócritas, não é mesmo? Recebem os louvores e
reconhecimentos momentâneos. Até a hora em que são descobertos. Daí, então, a
máscara cai e se revela a verdade do que são. Como não construíram sobre a
rocha, a verdade, é grande sua ruína (cf. Mt 7,27).
Por que, então, cair neste pecado da hipocrisia? Se
pensarmos bem, mesmo sem levar em conta o lado espiritual, não vale a pena.
Seja no ambiente de trabalho, seja na sociedade ou na família, a hipocrisia é
um grande contra-senso. Reflita e medite sobre isso em sua vida. Dirija-se ao
Senhor pedindo perdão pelas vezes em que fingiu ou simulou algo apenas para ser
visto pelos homens. Peça hoje uma graça de coerência e fidelidade ao chamado
último de todos os homens: a santidade.
Sêde perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 5,43-48
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
43Vós ouvistes o que foi dito:
'Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!'
44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos
e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos
do vosso Pai que está nos céus,
porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos.
46Porque, se amais somente aqueles que vos amam,
que recompensa tereis?
Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa?
47E se saudais somente os vossos irmãos,
o que fazeis de extraordinário?
Os pagãos não fazem a mesma coisa?
48Portanto, sede perfeitos
como o vosso Pai celeste é perfeito.'
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão - Mt 5,
43-48
Um dos valores mais determinantes da nossa vida é a justiça,
mas na maioria das vezes deixamos de lado a justiça de Deus para viver a
justiça dos homens, fundamentada na troca de valores e não na gratuidade de
quem de fato ama. Quem ama verdadeiramente reconhece que Deus é amor e tudo o
que somos e temos vem dele, como prova desse amor gratuito. Assim, as nossas
atitudes não podem ser determinadas pelas diferentes formas de comportamento
das pessoas que nos rodeiam, mas pelo amor gratuito de Deus que deve fazer com
que sejamos capazes de superar toda forma de vingança em nome da justiça e
procurar dar a nossa contribuição para que o mundo seja cada vez melhor.
Fonte CNBB
AMAI OS VOSSOS
INIMIGOS Mt 5,43-48
HOMILIA
Neste Evangelho de hoje vemos como Jesus exorta longamente
os seus discípulos a que respondam ao ódio com amor Mateus 5,43-48). Ele nos
ajuda a mudar os nossos esquemas mentais no trato com os nossos adversários.
Pois no texto vemos como Mateus compreende e observa que é no amor aos nossos
inimigos, perseguidores e todos os que nos fazem mal que se descobre quem é na
verdade o discípulo de Cristo.
Ns palavras de Jesus podemos encontrar dois tipos de
pessoas: Os que se dizem não pertencer à Deus e nem se quer querem ouvir a Sua
Palavra, portanto os ingratos, os maus adúlteros em suma os pecadores. Sua
maneira de viver é do jeito que eles são: “os cobradores de impostos amam as
pessoas que os amam”. Vivem e aplicam a lei “ uma mão lava a outra e as duas
ficam limpas”. Só que dentro do sistema de panelinhas. Faço bem a quem me faz
bem e ponto final. Os que vivem colocam Deus em primeiro lugar. À estes é
chamado a consciente prática do amor de Deus que não reage de acordo com a
maneira como é tratado: Ele faz com que o sol brilhe sobre os bons e sobre os
maus e dá chuvas tanto para os que fazem o bem como para os que fazem o mal.
Jesus quer falar aqui do Deus, Fonte transbordante de
bondade, Deus não se deixa condicionar pela maldade de quem está à sua frente.
Mesmo esquecido, mesmo injuriado, Deus continua fiel a si próprio, só pode
amar. Isto é verdadeiro desde a primeira hora. Ele está sempre disposto a
perdoar: «Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são
os meus caminhos. » (Isaías 55,7-8); «Não desafogarei o furor da minha cólera…
porque sou Deus e não um homem. » (Oseias 11,9) Deus é misericordioso (Êxodo
34,6; Salmo 86,15; 116,5 etc.), «não nos trata de acordo com os nossos pecados,
nem nos castiga segundo as nossas culpas» (Salmo 103,10).
O mérito e a novidade do Evangelho é que para além de Deus
ser Fonte de bondade, é necessário que os homens aprendam d’Ele o seu ser
misericórdia e perdão: «Sede misericordiosos, como o vosso Pai é
misericordioso!» (Lucas 6,36). Com a presença de Jesus Cristo, a Fonte da
Misericórdia que jorra no templo, a Bondade de Deus está entre nós e no meio de
nós. Somos capacitados a respondermos o mal pelo bem. A injustiça pela justiça,
o ódio pelo amor. O desespero pela esperança. A morte pela vida. Temos de viver
e testemunhar a compaixão. Perdoando aos que nos fazem mal, damos testemunho de
que o Deus de misericórdia está no coração de um mundo marcado pela
descriminação e a recusa à presença e a vida do diferente entre nós.
A prática do amor misericordioso de Deus deve significar
para mim e para ti participar da perfeição do Pai celeste, numa partilha de
vida entre os irmãos numa dimensão universal.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 5,38-42
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
38Ouvistes o que foi dito:
'Olho por olho e dente por dente!'
39Eu, porém, vos digo:
Não enfrenteis quem é malvado!
Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita,
oferece-lhe também a esquerda!
40Se alguém quiser abrir um processo
para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto!
41Se alguém te forçar a andar um quilômetro,
caminha dois com ele!
42Dá a quem te pedir
e não vires as costas a quem te pede emprestado.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão - Mt 5,
38-42
Os critérios humanos não são suficientes para resolver os
problemas da própria humanidade, principalmente os que estão relacionados com a
justiça, pois a justiça dos homens não tem como centro a pessoa humana, mas sim
o que elas têm ou deixam de possuir. Os bens são comparáveis entre si, mas as
pessoas não, pois cada uma é um ser único, incomparável na sua dignidade. Além
disso, os elementos que estão presentes em um relacionamento são por demais
complexos para serem abrangidos na sua totalidade a partir de categorias do
conhecimento humano, uma vez que a própria razão é insuficiente para a
compreensão do ser humano. Jesus nos mostra que somente o amor e a misericórdia
possibilitam superar essas deficiências e construir um relacionamento justo e
fraterno.
Fonte CNBB
HOMILIA
O VOSSO AMOR DEVE
OPOR-SE AO ÓDIO Mt 5,38-42
Estamos diante da lei do Talião: “Ouvistes o que foi dito:
Olho por olho, dente por dente”, embora à primeira vista pareça estar
alimentando um sentimento de vingança, ela justamente deseja frear um ímpeto de
vingança individual.
Vivemos em época caracterizada por ilegalidade. Que tem
invadido nossa sociedade a um grau imprevisto e sem precedente. Os que fazem da
lei a sua profissão, estão sendo convocados para repensar o propósito da lei na
sociedade. Em nossos dias o indivíduo exige seus próprios direitos e o direito
de agir como lhe apraz. Pouca consideração se dispensa ao efeito que isto possa
ter sobre a vida de outrem.
Encontramos este princípio por todo o Novo Testamento.
Vejamos o que Paulo diz. “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal,
apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal,
preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12:9-10). O justo manifesta
amor. O amor é atencioso e altruísta. Como se revela esse amor?
Paulo disse: “Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e
não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, e chorai com os que choram”.
“Não vos vingueis a vós mesmos, amados [não vos apegueis a vossos direitos, não
demandeis pelo que vos é devido], mas dai lugar à ira; porque está escrito: A
mim me pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”. Se for cometido
algum erro, o entregue ao Senhor. Não se vingue, não busque seus próprios
direitos. “Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe
de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não
te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Paulo mostrou-nos o que
nosso Senhor disse no capítulo 5 de Mateus: A pessoa tem direitos. Seus
direitos foram violados. A pessoa pode exigir indenização. Mas o justo deixa
esse problema com Deus, e demonstra amor e perdão até mesmo aos seus inimigos.
Isso é justiça em ação.
Paulo menciona de novo este mesmo princípio em 1 Coríntios
6. Aqui ele luta com o problema de um crente recorrer ao tribunal contra outro
crente para cobrar o que de direito lhe pertence. Certo homem insistia em seus
próprios direitos, e o apóstolo criticou o descrédito que esse testemunho
trazia ao mundo incrédulo: “Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não
sofreis antes o dano?” Paulo disse que o sinal do homem piedoso é abrir mão de
seus direitos para que possa manifestar o amor altruísta de Cristo.” O amor não
pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”,
diz o apóstolo Paulo em Romanos 13:10. A lei nos dá direitos, mas também nos dá
a liberdade de renunciar a eles, e assim manifestar a justiça de Cristo. Temos
nossos direitos, e a Palavra de Deus os protege. Temos, também, a liberdade de
renunciar a eles para demonstrar o amor de Cristo. Não é a demanda por seus
direitos que caracteriza o justo, mas o desistir deles é que destaca o homem
que agrada a Deus.
Jesus no Evangelho de hoje, com as palavras, vai
progressivamente nos conduzindo a ir além desta lei. Fazendo-nos reconhecer o
não revide: oferecer a outra face; deixar também o manto; caminhar com ele dois
mil passos. Jesus apresenta uma referência baseada, não na lei da justiça
judaica, isto é, o que é devido a cada um, mas na lei da graça e do amor.
Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos
digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá uma tapa
na face direita, oferece-lhe também à esquerda! Se alguém quiser abrir um
processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a
andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires às costas
a quem te pede emprestado.
Desta maneira, Ele nos leva ao mandamento da caridade, não
só para melhor compreendê-lo, mas também como concretamente vivê-lo. O Senhor
nos ordena a dar a todos, tudo o que eles nos pedem: que todos sejam cumulados,
por nossa generosidade, de tudo o que lhes falta.
Façamos de modo que eles não sofram nem de sede, nem de
fome, nem da falta de vestes. E então, seremos encontrados dignos dos bens que
faltam a nós mesmos e que pedimos a Deus, pois o costume de dar nos merecerá
obtê-los. Ademais, há mais alegria em dar do que em receber.
É urgente que aos nossos ouvidos soem as palavras de Jesus:
vencer o mal com o bem, e tornar concreto em nosso agir o mandamento do amor
fraterno.
Peçamos ao Senhor que encha nossos corações com as graças do
Seu Espírito Santo; com amor, alegria, paz, paciência, bondade e humildade. E
nos ensine a amar os que nos odeiam; a rezar pelos que nos perseguem. E com o
Seu auxílio, renunciar aos prazeres deste mundo e a desejar uma nova terra e
novos céus.
Pai, não permita que a violência tome conta do meu coração;
antes, torna-me capaz de responder, com gestos de amor, a quem me faz o mal.
Branco. Solenidade da Santíssima Trindade Tempo Comum
Evangelho - Jo 3,16-18
Deus enviou seu Filho ao mundo, para que o mundo seja salvo
por ele.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João
3,16-18
16Deus amou tanto o mundo,
que deu o seu Filho unigênito,
para que não morra todo o que nele crer,
mas tenha a vida eterna.
17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo
para condenar o mundo,
mas para que o mundo seja salvo por ele.
18Quem nele crê, não é condenado,
mas quem não crê, já está condenado,
porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão
Solenidade da
Santíssima Trindade
Hoje, de um modo especial, celebramos Deus. Mas quem é Deus?
Como explicá-lo? Como defini-lo? Como conhecê-lo?
Nenhuma pergunta sobre Deus pode ser respondida por nós
humanos. Deus nos supera!
Temos noção de quem Ele é, mas não conseguimos defini-lo. É
impossível! Ele é a eterna surpresa. Nosso Deus não é o Deus dos filósofos, mas
é o Pai de Jesus Cristo, é o próprio Cristo, é o Espírito de Amor.
Para conhecê-lo deveremos abrir a Sagrada Escritura,
principalmente o Novo Testamento, e ver o que Jesus, o Verbo Encarnado, nos
diz.
O Evangelho de hoje, tirado de São João, nos fala que Deus é
o Amigo do Homem, não apenas o seu Criador, mas o seu Redentor, aquele que o
protege e que foi capaz de sofrer e morrer para que o Homem tivesse a plena
felicidade.
Já São Paulo em sua Carta aos Coríntios nos orienta sobre a
resposta a ser dada ao Deus Amigo. O homem deverá deixar-se transfigurar
através dos dons, das qualidades divinas, especialmente pelo amor, pelo perdão
e pelo serviço.
Falar com Jesus é falar com Deus. Sua bondade foi tanta que
Ele se revelou a nós na pessoa de Jesus.
Filipe, quem me vê, vê o Pai. Dirijamo-nos ao Deus de Amor,
a esse Deus que, por amor, rasgou seu coração, e sintamos a plenitude de seu
querer bem a nós. Se o mandamento se resume em amar a Deus sobre todas as
coisas, e ao próximo, do mesmo modo como Ele nos amou, saibamos que antes de
tudo o Senhor não só nos criou, mas, por amor a nós, se entregou até a morte.
O Espírito é escuta e disponibilidade.
Fonte Pe. César Augusto dos
Santos SJ – Vaticano
Evangelho do Domingo da Santíssima Trindade – (Jo 3,16-18)
HOMILIA
Amados irmãos e irmãs em Cristo!
A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a
comunhão do Espírito Santo estejam convosco!
Com esta saudação trinitária gostaria de saudar a todos na
certeza do abraço amoroso de Deus trindade Santa que nos envolve e nos guia em
nossa missão neste mundo na construção do seu reino. De fato, se tivermos um
olhar bem atento aos fatos de nossa vida tudo o que começamos tem o traço, a
presença e a proteção da Trindade. Isto porque sempre fazemos o sinal da cruz
em todos os momentos de nossa vida, inclusive na celebração eucarística e
demais sacramentos ou ainda em qualquer ação celebrativa, tudo inicia e termina
com o sinal da cruz – Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
O acesso ao mistério da Santíssima Trindade não é algo que o
façamos por meio da nossa racionalidade apenas, mas deve ser resultado de uma
experiência, de um encontro de uma acolhida amorosa e afetiva. Aliás, muito se
distanciou de nós – o mistério trinitário – quando, envolvidos em tentativas de
explicação filosófica e até teológica, buscamos somente a meta de explicar nos
esquecemos em experimentar.
As leituras propostas nos apresentam qual deverá ser a nossa
atitude diante desse mistério da nossa fé. Assim como Moisés queremos mais uma
vez renovar a Aliança de amor na presença de Deus e, prostrados com a devida
reverência reconhecemos e louvamos o Senhor que na sua misericórdia, clemência,
paciência, bondade e fidelidade, nos perdoa os pecados e nos acolhe, mas acima
de tudo Ele caminha conosco, em cada momento e nos anima para construirmos o
reino como realidade possível.
O reinado de Deus sempre foi o grande objetivo e tarefa do
Filho (Jesus) que obediente à vontade do Pai e impulsionado na força do
Espírito que o ungiu para a missão entrega para nós esse trabalho. Tal
empreitada exigirá de nós um sincero desejo de aperfeiçoamento,
encorajando-nos, cultivando entre nós a concórdia, vivendo o amor e a paz como
regra de nossas vidas (2 Cor 13,11-13).
Esta vida nova como fruto do que celebramos no domingo
passado (Pentecostes) se consolida na certeza de que Deus sempre deseja se
comunicar/revelar a nós e de maneira plena e muito especial o fez por meio de
Jesus, o Filho Amado, que nos mostrou de fato, em palavras e obras quem é o
Pai: “Deus é amor”!
O Pai envia seu único Filho como um gesto de amor por cada
um de nós e o faz não para nos condenar, porém para nos salvar (Jo 3,16) e para
que todos o que creiam tenham também parte nesta comunhão divina, nesta vida
nova e eterna. O acesso, portanto à vida trinitária é a vivência do amor e da
comunhão entre os diferentes estabelecida fundamentalmente na comunhão –
expressão de amor!
Na Eucaristia e demais dimensões da nossa vida humana e
eclesial somos, uma vez feitos à imagem e semelhança da Trindade (a melhor
comunidade) também convidados a manifestar esse amor comunhão em tudo o que
fazemos e nos mais variados lugares onde atuamos!
Transformados pelo amor da Trindade busquemos, na conversão
pessoal e pastoral de nossas comunidades viver esse mistério de amor!
Em Jesus, o Bom Pastor e Maria, nossa Mãe.
Fonte Pe. Fernando Antonio
Carvalho Costa – Arquidiocese de Fortaleza
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 5,33-37
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
33Vós ouvistes o que foi dito aos antigos:
'Não jurarás falso',
mas 'cumprirás os teus juramentos feitos ao Senhor'.
34Eu, porém, vos digo:
Não jureis de modo algum:
nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35nem pela terra, porque é o suporte onde apóia os seus pés;
nem por Jerusalém, porque é a cidade do Grande Rei.
36Não jures tão pouco pela tua cabeça,
porque tu não podes tornar branco ou preto
um só fio de cabelo.
37Seja o vosso 'sim': 'Sim',
e o vosso 'não': 'Não'.
Tudo o que for além disso vem do Maligno.
Palavra da Salvação.
Fonte CNBB
Reflexão - Mt 5,
33-37
Vós ouvistes o que foi dito aos antigos... Eu, porém, vos
digo. Quem quer conhecer verdadeiramente Jesus não pode se contentar com as
coisas antigas, mas deve buscar sempre a novidade do Evangelho. Isso significa
que até mesmo o Evangelho não pode tornar-se antigo, tornar-se uma narrativa de
fatos passados. O Evangelho deve ser para nós sempre uma novidade, um desafio à
descoberta de novos valores que devem marcar a nossa vida e renovar a nossa
comunidade e a nossa sociedade. A novidade do Evangelho é sempre atual e
insuperável, e aponta para todos nós novos caminhos que devem ser trilhados a
fim de que consigamos uma maturidade cada vez maior na fé.
Fonte CNBB
HOMILIA
QUE O TEU SIM SEJA
SIM E O NÃO SEJA NÃO Mt 5,33-37
No Evangelho de hoje, Jesus ensina a seriedade que deve
haver em nossas palavras, e como o nosso falar não deve ser medido pelos nossos
juramentos, mas sim por nossa integridade. Uma pessoa de caráter e honesta, não
precisa usar de juramentos para provar suas atitudes ou palavras. Alías, os
seus atos darão testemunho a seu respeito.
O evangelho de hoje nos chama atenção à questão do
juramento. As pessoas do tempo de Jesus, não raras vezes, tinham o costume de
jurar. Porém usando deste artifício, não se davam conta, de que aceitavam mesmo
que inconscientemente a mentira.
Como o nome de Deus era “impronunciável”, juravam, pelos
céus, por Jerusalém, pela terra e até pela própria cabeça e Jesus nos lembra
que não podemos jurar por nada, primeiro porque nada disto nos pertence e
segundo, como já mencionei, o juramento pressupõe a inverdade.
Jesus nos pede, de não jurar; e nos recomenda que o nosso
sim seja sim e o nosso não seja não. Seguindo este trocadilho de palavras qual
a necessidade de jurar seja lá pelo que for¿ alias, se o juramento fosse
lícito, a única coisa pela qual poderíamos jurar seria pelas nossas limitações,
a única coisa que realmente nos pertence.
Jesus também ensinava que não devemos ser pessoas dúbias,
cataventos e volúveis: Que a vossa palavra seja sim quando é sim. E não quando
é não! Tudo o que não vem daí tem a sua origem no diabo. Como têm sido as tuas
palavras com o teu marido, esposa, pai, mãe, filhos, colegas de serviço, na
Igreja e com Deus?
Jesus reatando o dito pela lei nos adverte para que em
momento algum juremos por jurar como no Antigo Testamento para garantir a
integridade dos nossos atos. Assim nas sociedades antigas a ausência de um
sistema judicial como o nosso, a sociedade dependia que o povo falasse a
verdade um para com o outro. Por isso o juramento mantinha a obrigação do povo
em falar e fazer seus negócios honestamente. O uso do juramento era frequente
nos pactos e confederações solenes. Era um apelo a Deus para que servisse de
testemunha em um pacto ou a uma verdade a ser dita.
A violação de um juramento tinha resultados sérios. Os
juramentos judiciais eram reconhecidos pela Lei.
Os juramentos eram usados para confirmar um pacto;
esclarecer controvérsias; estabelecer concertos; mostrar a imutabilidade do
conselho de Deus; definir as responsabilidades sacras; e no cumprimento de atos
judiciais. O juramento poderia ser feito ante o rei, ante os objetos sagrados,
ante o altar; e usava-se entre o rei e seus súditos, entre o patriarca e o
povo, entre o senhor e o servo, entre um povo e outro e entre um indivíduo e
outro. Atos simbólicos eram utilizados no juramento, como o levantar a mão
direita ou as duas mãos aos céus e colocar a mão sobre a outra pessoa. Também
ao jurar, eram usadas diversas expressões: Assim Deus me faça e outro tanto;
Vive o Senhor; Viva a tua alma e te conjuro pelo Senhor. O juramento estabelecia
limitações no falar das pessoas e delineava a conduta humana.
Que tuas palavras expressem o que trazes no teu coração. Que
tua boca diga aquilo que o coração está cheio. Enquanto é tempo, acerte o
passo! Reconcilia-te como Deus e o irmão!
Senhor, purifica os meus lábios com o fogo do teu Espírito.
As palavras que saem da minha boca possam ser reflexo da eterna Palavra, viva e
eficaz, a ponto de penetrar a alma dos meus irmãos, que revela os pensamentos
do coração e como o bálsamo que alivia as chagas!