quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,7-12 - 23.01.2014 - Os espíritos maus gritavam: 'Tu és o Filho de Deus!' Mas ele ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

Pai,
conduze-me ao teu filho Jesus,
por meio do qual o Reino mostra
sua eficácia em mim,
fazendo a vida e a esperança renascerem
em meu coração.
Verde. 5ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mc 3,7-12

Os espíritos maus gritavam: 'Tu és o Filho de Deus!' Mas ele ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,7-12

Naquele tempo:
7Jesus se retirou para a beira do mar,
junto com seus discípulos.
Muita gente da Galiléia o seguia.
8E também muita gente da Judéia,
de Jerusalém, da Iduméia, do outro lado do Jordão,
dos territórios de Tiro e Sidônia,
foi até Jesus, porque tinham ouvido falar
de tudo o que ele fazia.
9Então Jesus pediu aos discípulos
que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão,
para que não o comprimisse.
10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas,
e todos os que sofriam de algum mal
jogavam-se sobre ele para tocá-lo.
11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés,
gritando: 'Tu és o Filho de Deus!'
12Mas Jesus ordenava severamente
para não dizerem quem ele era.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 3, 7-12

O evangelho de hoje é uma continuação dos evangelhos anteriores e nos mostra que, se por um lado, as autoridades religiosas da época de Jesus não concordavam com o seu modo de agir e com os seus ensinamentos, por outro lado, a multidão cada vez mais aderia aos seus ensinamentos e procurava em Jesus a solução para os seus problemas, naturais ou espirituais. A visão institucionalizada da fé é importante porque nos ajuda a viver comunitariamente o nosso relacionamento com Deus, mas pode ser perigosa enquanto pode submeter o próprio Deus aos critérios da razão humana ou legitimar, em nome de Deus, relacionamentos e costumes meramente humanos que podem até ser opressores e excludentes.



TOCA-ME SENHOR E VIVEREI Mc 3,7-12
HOMILIA

As pessoas vieram a Cristo não apenas para ouvir os seus ensinos, serem curadas e libertas. Elas se lançaram aos pés de Jesus, tocaram n’Ele e se derramaram diante d’Ele. Hoje, eu convido você e vir a Jesus. Só Ele pode curar, libertar, perdoar e salvar você.  Em Mateus 12,15-21, Jesus afirma que Ele é aquele que não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega. Jesus alivia as pessoas do fardo que as oprime. Ele não esmaga aquele que já está caído. Foi assim que Jesus fez com a mulher apanhada em flagrante adultério. Ele não a apedrejou, antes, perdoou-a, restaurando-lhe a dignidade da vida. Cada pessoa tocada, curada e salva por Jesus era mais uma testemunha d’Ele. Imagine que duzentas pessoas que foram curadas estavam no meio daquela multidão. Eram mais duzentas testemunhas de Jesus a falar sobre Seu poder. O círculo daqueles que eram salvos aumentava, o número daqueles que testemunhavam crescia. Cada nova pessoa curada e salva era uma voz a mais a chamar as outras a virem a Jesus.
Hoje, depois de dois mil anos, milhões e milhões de vidas já foram tocadas, curadas e transformadas por Jesus. Você não pode desculpar-se. Cada nova vida salva por Jesus é um forte argumento para você de que Ele é suficiente para ser o seu salvador. Oh! Amigo, há uma nuvem de testemunhas ao seu redor proclamando para você que Jesus é o único salvador, a única esperança para a sua alma. Venha a Ele agora mesmo.
Jesus não apenas cura os enfermos, mas prioriza o ensino. Este anseio descontrolado por cura (3,8,10), principalmente ou exclusivamente por cura, Jesus corrige com sua atitude (1,37s, Jo 6,26). Ele não quer ser apenas um curandeiro, por isso cria espaço para o ensino da verdade (4,1). Esse barco usado por Jesus tinha duas finalidades: proteção e maior alcance. Jesus tem para você palavras de vida eterna que satisfazem a sua mente, aquietam o seu coração e lhe dão segurança eterna, por que:
a) O próprio nome de Jesus convida você. Seu nome é Jesus Cristo, que significa Salvador. Você é pecador, mas Ele é o Salvador. Você tem sede, mas Ele é a água da vida. Você tem fome, mas Ele é o pão da vida. Você está perdido, mas Ele é o caminho. Você está morto, mas Ele é a ressurreição e a vida.
b) O poder de Jesus encoraja você a vir a Ele. Jesus tem todo o poder no céu e na terra. Os astros O obedecem, o vento escuta a Sua voz, as ondas do mar se acalmam diante da Sua palavra. A doença atende a Sua ordem, os demônios se rendem à Sua autoridade, os inimigos prostram-se diante dos Seus pés. Ele tem poder para libertar e salvar você. Portanto, venha a Ele agora mesmo.
c) O amor de Jesus encoraja você a vir a Ele. Cristo ama você e importa-se com você. Ele foi à cruz por você. Suas mãos foram rasgadas, seus pés foram pregados na cruz e Ele foi transpassado no madeiro por amor a você. Ele o ama com amor eterno. Por isso, venha a Ele.
d) O banquete da salvação já está preparado para receber você. Deus já fez tudo. A mesa já está preparada. Os céus estão prontos para festejar sua volta para Deus. Os anjos se alegram com a sua salvação. A noiva de Cristo, a igreja: convida você: Venha! O Espírito do Deus eterno, diz a você: “Se você tem sede, venha e beba, de graça, da água da vida”. O Evangelho é uma mensagem urgente: amanhã pode ser tarde. Hoje é o tempo de Deus. A Palavra que você está ouvindo é a voz de Jesus. Venha a Ele. Aquelas pessoas não ficaram esperando até Jesus ir às suas cidades, elas foram até Ele, pois tinham pressa. Elas se arrojavam aos Seus pés para o tocá-Lo. Não deixe que alguma dificuldade impeça você de vir a Cristo: família, amigos, prazeres, dinheiro, preconceito.
Venha a Cristo sem demora. Somente Ele pode perdoar os seus pecados, preencher o vazio da sua alma e satisfazer os anseios do seu coração. Ele pode tirar o seu coração endurecido e dar-lhe um coração sensível. Ele pode abrir os seus olhos para que você veja a glória de Deus. Ele pode tirar você do poço profundo em que você se encontra. Ele pode dar a você um novo nome, um novo coração, uma nova mente, uma nova esperança, uma nova vida, basta toca-l’O. Pois todos os que o fizeram ficaram curados.
Eis-me aqui Senhor Jesus. Como aqueles homens que acorriam atrás de Ti, e Tu os tocavam e ficavam curados, quero tocar ainda que seja na orla do teu manto. Por favor, venha tocar em mim. Toque os membros da minha família, e todos aqueles que trago no meu coração. Pois tenho certeza de que juntos e curados viveremos felizes e sempre. Dai-me esta graça Senhor. Amem!

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 3,1-6 - É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?

Pai,
sejam minhas mãos usadas
somente para a prática do bem.
Livra-me de mantê-las fechadas
a quem precisa de minha ajuda,
e de usá-las para fazer o mal.
Verde. 4ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mc 3,1-6

É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 3,1-6
Naquele tempo:
1Jesus entrou de novo na sinagoga.
Havia ali um homem com a mão seca.
2Alguns o observavam
para ver se haveria de curar em dia de sábado,
para poderem acusá-lo.
3Jesus disse ao homem da mão seca:
'Levanta-te e fica aqui no meio!'
4E perguntou-lhes:
'É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal?
Salvar uma vida ou deixá-la morrer?'
Mas eles nada disseram.
5Jesus, então, olhou ao seu redor,
cheio de ira e tristeza,
porque eram duros de coração;
e disse ao homem:
'Estende a mão.'
Ele a estendeu e a mão ficou curada.
6Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes,
imediatamente tramaram, contra Jesus,
a maneira como haveriam de matá-lo.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 3, 1-6

A vivência legalista e proibitiva da religião é uma das maiores manifestações da dureza de coração que pode acontecer na vida das pessoas. Quando isso acontece, as pessoas não são capazes de descobrir os valores que devem marcar o nosso relacionamento entre nós mesmos e entre nós e o próprio Deus, e a religião acaba por se tornar um mero cumprimento de obrigações e de ritos, numa verdadeira bruxaria. Esta forma de religião acaba por ter como um dos seus principais fundamentos a relação de poder, o autoritarismo e a estratificação social a partir da fé das pessoas. É por isso que as autoridades do tempo de Jesus procuram descobrir a maneira como haveriam de matá-lo.



JESUS CURA O HOMEM DA MÃO ALEIJADA Mc 3,1-6
HOMILIA

Nesse texto podemos ver claramente como o fanatismo e sectarismo cegam nossa mente. O homem se torna capaz de compreender o real sentido da fé, da espiritualidade e do bem estar da alma. Ele não é capaz de compreender que só com amor e fazendo bem ao próximo é que conseguirá ter a festa no céu. Que é vivendo e praticando a solidariedade com os que passam necessidades, com os doentes, com os que sofrem as catástrofes naturais no Rio de Janeiro, em São Paulo e m tantos outros lugares no Brasil e do mundo possuirá como herança a vida eterna lá no céu.
Sem amor a Lei pouco importa. Ela é morta e os que lhe são submissos estão condenados a desaparecer com ela. Aliás, a Lei não foi criada somente pra punir, mas, pra mostrar os limites ao homem. Quando Deus disse: "Não matarás", ele quis dizer que este ato é ruim, tanto para vitima, quando para o assassino. Mas, nossos desejos, maldades e cegueira não nos deixam compreender isso com facilidade. Assim o imbecil, com uma arma na mão, após matar uma pobre vitima, se acha esperto e até zomba da pobre alma que foi tirada da vida. No entanto, não sabe ele, que matando um inocente, ele está também matando a se próprio. Pois, cada vida tirada é uma penalização aumentada no carma de quem mata. Mesmo sem a antiga máxima de "olho por olho dente por dente", Jesus deixou claro que: "Quem com ferro fere com ele será ferido".
            Então o que eleva a alma não são as leis, mas, os sentimentos que tem que ser puros, inocentes e iluminados. Por isso Jesus nos disse que se quisermos entrar no Reino dos céus temos que voltar a sermos crianças. E o que nos faz ser inocentes, puros de coração e de alma é o amor. Pois como nos ensina São Paulo, o amor é o vínculo da perfeição. E para São João, Deus é amor. Quem ama permanece em Deus. E para tal se manifestar o amor de Deus em nós, não temos outro caminho senão colocar seus mecanismos em pratica, que são caridade, humildade, misericórdia e bondade. Diz: dei-vos um exemplo, para que assim como eu fiz façais vós também.
Voltando ao evangelho de hoje, nos perguntamos: Então como Jesus poderia deixar de ajudar o pobre homem só porque era sábado? O sábado no Antigo Testamento que para nós cristãos o Domingo, é um dia consagrado ao Senhor. E o Senhor é o Senhor da vida e não da morte. Da saúde e não da doença. Da alegria e não da tristeza. Do perdão, da misericórdia, da liberdade e na da condenação.
Na verdade o que temos que praticar é o amor, a amizade e a misericórdia, para que o amor divino se manifeste em nós.
Pai, sejam minhas mãos usadas somente para a prática do bem. Livra-me de mantê-las fechadas a quem precisa de minha ajuda, e de usá-las para fazer o mal.

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 2,23-28 - 21.01.2014 - O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.

Pai,
ensina-me a ser fiel a ti,
vivendo os Mandamentos,
sem fanatismo,
e sim com a liberdade
de quem está em plena sintonia contigo.
Verde. 3ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mc 2,23-28

O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 2,23-28

23Jesus estava passando por uns campos de trigo,
em dia de sábado.
Seus discípulos começaram a arrancar espigas,
enquanto caminhavam.
24Então os fariseus disseram a Jesus:
'Olha! Por que eles fazem em dia de sábado
o que não é permitido?'
25Jesus lhes disse:
'Por acaso, nunca lestes
o que Davi e seus companheiros fizeram
quando passaram necessidade e tiveram fome?
26Como ele entrou na casa de Deus,
no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote,
comeu os pães oferecidos a Deus,
e os deu também aos seus companheiros?
No entanto, só aos sacerdotes é permitido
comer esses pães.'
27E acrescentou:
'O sábado foi feito para o homem,
e não o homem para o sábado.
28Portanto, o Filho do Homem
é senhor também do sábado.'
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 2, 23-28

Novamente entra em discussão a questão das práticas religiosas. O evangelho de hoje nos apresenta a questão do legalismo religioso e da verdadeira finalidade da religião. Muitas vezes, vemos que as religiões estão muito mais fundamentadas em proibições do que em motivações e na criação de novos relacionamentos das pessoas com Deus e das pessoas entre si. O resultado dessa mentalidade é que a religião se torna cada vez mais uma coisa odiosa e insuportável, e Deus aparece não como um Pai amoroso, mas como um carrasco autoritário. A verdadeira religião é aquela que cria valores e leva as pessoas à maturidade em todos os sentidos para que livremente possam optar por Deus.



QUEM É O MAIS IMPRTANTE? A LEI OU A PESSOA? Mc 2,23-28
HOMILIA

Será que Jesus é o Senhor dos nossos Domingos?” A lei que Deus imprimiu no nosso coração é a lei do amor, portanto, o que nos faz mal e prejudica a nossa vida é justamente, o desamor. Tudo o que não é regido pelo amor e não tem como objetivo a vivência do amor, não é eficaz para o nosso crescimento. Toda lei que tira do homem o direito de viver com dignidade, de prover a sua existência e sobrevivência é maldita e não está conforme a vontade de Deus. Jesus quer nos ensinar a colocar a caridade como lei primeira nas ações da nossa vida. Às vezes nos bitolamos aos preceitos, às regras e não percebemos que estamos sendo injustos e infratores da Lei de Deus.
Tudo o que o Pai criou, Ele o fez em favor do homem, objeto do Seu Amor. Portanto, dizer que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado” significa que a nossa sobrevivência e a caridade conosco mesmos e com os nossos irmãos estão acima das normas que, apesar de estabelecidas para o homem, muitas vezes se voltam contra o próprio homem.
O homem é a criatura a quem Deus mais tem apreço e todas as coisas foram criadas para ele, por amor. Jesus é o Senhor de tudo o que foi criado, e, tudo foi criado por Ele, por amor ao homem.
Os campos de trigo, os rios, os mares, as aves, as árvores existem para estar à disposição do homem a fim de que este perceba o olhar e a atenção de Deus para si. Jesus, Senhor da criação, é o Senhor do sábado, porém, Ele precisa ser também Senhor dos nossos “sábados”, isto é, daqueles dias em que nós não achamos conveniente servir a alguém ou “perder” o tempo de lazer ou de trabalho para dar de comer a alguém que está com fome. O dia de sábado e que para nós cristãos é o domingo a que Jesus se refere pode ser também para nós aquele dia que nós destinamos para o nosso deleite, para curtição, para realizar os nossos planos pessoais e, sem menos esperar somos convocados para alguma outra missão. Aí nós alegamos a nossa impossibilidade porque “hoje é sábado” e o sábado está destinado a outras experiências. Neste caso a lei do amor ficou de lado e imperou em nosso coração a lei do egoísmo e da indiferença.
Jesus é o Senhor dos “domingos” da sua vida? Você tem alimentado a alguém necessitado em “dia de domingo”? Você é capaz de sacrificar um dia de lazer e de descanso para ajudar a algum discípulo de Jesus? Você tem trocado o domingo pela praia, pelo churrasco, viagem de passeio, ou festa? Em Nome de quem você tem feito caridade? O que você aprendeu mais com esse Evangelho?

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 19 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 2,18-22 - 20.01.2014 - O noivo está com eles.

Pai,
a presença de Jesus
na nossa história
é motivo de grande alegria.
Que a minha alegria consista
em construir um mundo
de amor e de fraternidade,
como ele nos ensinou.
Verde. 2ª-feira da 2ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mc 2,18-22

O noivo está com eles

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 2,18-22

Naquele tempo:
18Os discípulos de João Batista e os fariseus
estavam jejuando.
Então, vieram dizer a Jesus:
'Por que os discípulos de João
e os discípulos dos fariseus jejuam,
e os teus discípulos não jejuam?'
19Jesus respondeu:
'Os convidados de um casamento
poderiam, por acaso, fazer jejum,
enquanto o noivo está com eles?
Enquanto o noivo está com eles,
os convidados não podem jejuar.
20Mas vai chegar o tempo
em que o noivo será tirado do meio deles;
aí, então, eles vão jejuar.
21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha;
porque o remendo novo repuxa o pano velho
e o rasgão fica maior ainda.
22Ninguém pðe vinho novo em odres velhos;
porque o vinho novo arrebenta os odres velhos
e o vinho e os odres se perdem.
Por isso, vinho novo em odres novos'.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 2, 18-22

Em todas as épocas, as pessoas sempre valorizaram as práticas religiosas, e, entre essas práticas, o jejum. Na época de Jesus, não era diferente. Por isso, os fariseus procuram Jesus e o questionam sobre a prática do jejum por parte dele e dos seus discípulos. Jesus nos mostra que as práticas religiosas só têm sentido enquanto são manifestações do relacionamento que temos com Deus, e que o Novo Testamento apresenta essa grande novidade em relação ao Antigo. Assim, percebemos que Jesus veio nos trazer algo realmente novo, e não apenas colocar rótulos novos nas coisas velhas que já existiam antes da sua vinda ao mundo.



O VERDADEIRO JEJUM Mc 2,18-22
HOMILIA

O evangelho de hoje nos apresenta os discípulos de João e os fariseus, que faziam jejum, e perguntaram a Jesus porque seus discípulos não jejuavam. E Jesus responde que os seus discípulos não estavam em jejum porque Ele ainda estava presente no meio deles, e isso era motivo de festa e de alegria. Quando chegasse o dia em que Ele não estivesse mais com eles, é que deveriam jejuar, em preparação para sua nova vinda, porém um jejum diferente legalismo religioso antigo. Seus amigos, seus discípulos sofreriam perseguições e dificuldades, tristezas e desolação, seria essa a nova forma de jejum e penitência que Jesus apresentava.
            Na época de Jesus o jejum era uma prática que fazia parte do dever religioso entre os judeus. Os fariseus como os discípulos de João Batista jejuavam regularmente. O jejum judaico era uma espera do Messias, um sinal de dor, de penitência, para implorar a misericórdia de Deus, ou mostrar arrependimento dos pecados. Mas agora Cristo estava no meio deles, não era necessário jejum, penitência corporal, principalmente quando a intenção atrair os louvores. Ninguém precisa ficar sabendo que estamos fazendo jejum, somente Deus, é para Ele o nosso jejum. E muito menos demonstrar tristeza e abatimento por estar jejuando. Fazer algo de bom por interesse próprio é sinal de hipocrisia, de falsidade. E era essa prática que Jesus não concordava. Os fariseus praticavam o jejum e continuavam oprimindo o próximo, e isso Jesus rejeitava.
        Jejum não é sacrifício, muito menos uma troca de favores entre o cristão e Deus, para conseguirmos de Deus o que queremos. Jejuar é deixarmos de lado ou deixar de fazer aquilo gostamos, fazer um sacrifício, por uma boa intenção e para entender a vontade de Deus em nossa vida. Se não jejuarmos para Deus, de nada adianta. Devemos estar concentrados em Deus. Pois o jejum nos mudará, fazendo-nos reconhecer tudo o que prejudica nossa vida no dia a dia, como nossas atitudes egoístas, de falta de amor, de palavras que magoam, a falta de gentileza, os nossos medos, nossa falta de piedade de caridade. Quem sabe não precisamos fazer um jejum por todas as nossas atitudes mesquinhas e até nós mesmos? Deus quer que tenhamos um coração puro, sincero e humilde. Façamos um jejum que nos deixe em maior sintonia com Deus, para que sejamos sempre por ele orientados.
        O jejum é um tipo de penitência muito importante para se obter o autodomínio do corpo, principalmente para manter a castidade. Ele é tão importante, que foi recomendado pelo próprio Jesus, quando disse aos discípulos que não conseguiam expulsar os demônios de nome legião, que para se fazer isso seria preciso jejum e muita oração.
        A Igreja nascente fazia muito o uso do jejum. Em Atos 13,2-3, podemos ler que a Igreja jejuava quando enviava dois dos seus professores numa longa viagem de pregação. Em Atos 14,23, as igrejas jejuavam quando indicavam anciãos. Jejuar nunca deveria ser pensado como um meio de obrigar Deus a nos conceder uma graça ou um favor, ou como um modo de fazer com que Deus atendesse às nossas orações.
        Jejuar é, principalmente, um meio de purificação, um meio de conseguir vencer as tentações principalmente aquelas referentes a carne, e finalmente um meio de nos aproximarmos do Senhor, orando e meditando no Senhor, e de levar outras pessoas a fazerem o mesmo.
Jesus nos apresenta duas comparações do "remendo novo que repuxa o pano velho e do vinho novo em odres velhos" que esclarecem sua resposta sobre o jejum. Ele é pano novo e vinho novo que se mostra em sua pessoa, no novo ensinamento e nova doutrina religiosa. Jesus nos apresenta uma nova Igreja, rompendo assim com velho estilo religioso dos judeus. Jesus que libertar a todos que ainda estão presos no passado. Temos que deixar que atue em nós e na nossa comunidade o vinho novo do Espírito de Cristo, fermento de novas relações com Deus e os irmãos.
            Pai, a presença de Jesus na nossa história é motivo de grande alegria. Que a minha alegria consista em construir um mundo de amor e de fraternidade, como ele nos ensinou.

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sábado, 18 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Jo 1,29-34 - 19.01.2014 - Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Pai,
tu enviaste Jesus
com a missão de nos introduzir
no Reino da fraternidade.
Dá-me a graça de reconhecê-lo
e fazer-me seguidor dele.
Verde. 2º DOMINGO Tempo Comum

Evangelho - Jo 1,29-34

Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 1,29-34

Naquele tempo:
29João viu Jesus aproximar-se dele e disse:
'Eis o Cordeiro de Deus,
que tira o pecado do mundo.
30Dele é que eu disse:
Depois de mim vem um homem que passou à minha frente,
porque existia antes de mim.
31Também eu não o conhecia,
mas se eu vim batizar com água,
foi para que ele fosse manifestado a Israel'.
32E João deu testemunho, dizendo:
'Eu vi o Espírito descer,
como uma pomba do céu,
e permanecer sobre ele.
33Também eu não o conhecia,
mas aquele que me enviou a batizar com água me disse:
`Aquele sobre quem vires o Espírito descer e
permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo'.
34Eu vi e dou testemunho:
Este é o Filho de Deus!'
Palavra da Salvação.



REFLEXÃO
O Servo escolhido por Deus

O livro do profeta Isaías abrange um período de quase três séculos. Convenhamos que o profeta do século VIII não viveu tanto tempo assim. Certamente, há uma longa tradição literária que subjaz ao livro que leva o nome do profeta. O texto de Isaías proposto para este domingo faz parte do que se convencionou chamar Dêutero-Isaías, que, normalmente, retrata fatos do período do exílio, na Babilônia. É parte de um dos cânticos do “servo sofredor”. Num enorme esforço apologético, os cristãos encontraram em textos como esse o apoio para justificarem, ante a oposição dos judeus, a paixão e morte daquele que eles professavam como Messias. Na releitura cristã deste texto, a personalidade coletiva, Israel, passa a ser um indivíduo, reconhecido como Messias, Jesus. Ele é o servo escolhido por Deus.
O tema do testemunho de João Batista sobre Jesus já está antecipado no prólogo do quarto evangelho (cf. Jo 1,15). O “dia seguinte” (v. 29) refere-se a Jo 1,19-28, episódio em que João é submetido a um verdadeiro interrogatório por parte dos sacerdotes e levitas, enviados pelos judeus de Jerusalém. Esse interrogatório serve ao leitor do evangelho para esclarecer que João não é o Cristo (cf. Jo 1,20). A declaração de João continua ao apontar Jesus como o “cordeiro de Deus” (cf. Jo 1,29). Essa é a única ocorrência, no Novo Testamento, do título cristológico atribuído a Jesus. Trata-se de um título carregado de evocações veterotestamentárias: pode evocar o “servo sofredor” (Is 53,7) e/ou o cordeiro pascal cujo sangue aspergido nas portas das casas livraram os hebreus das pragas do Egito (cf. Ex 12,1ss), aspecto que recorre em Jo 19,14.31-36; pode ainda ligar-se a Ap 17,14, em que o Cordeiro imolado é apresentado como vitorioso. O “cordeiro de Deus” é aquele a quem a missão de João Batista está subordinada (cf. Jo 1,30-31). O reconhecimento do Filho de Deus se dá por uma “visão” (cf. Jo 1,32-34), entenda-se, por revelação, por uma experiência interna e pessoal de Deus. O critério do reconhecimento é a inabitação do Espírito em Jesus. Essa visão em que o Espírito Santo é tangível na pessoa de Jesus faz com que João declare a filiação divina do Nazareno (cf. Jo 1,34).



JOÃO, O DEDO QUE APRESENTA JESUS Jo 1,29-34
HOMILIA

O Amor de Deus marcou para sempre nossas vidas. Ele nos tirou das trevas e nos fez enxergar a luz da eternidade. Não há mais razão para ficar triste ou viver amargurado se Deus está conosco e no meio de nós. Grande significado tem para nós, hoje, o dedo indicador de João: “ Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”.
Cordeiro de Deus em latim é Agnus Dei, uma expressão utilizada pela religião cristã para se referir a Jesus Cristo, identificado como o salvador da humanidade, ao ter sido sacrificado em resgate pelo pecado original. Na arte e na simbologia icônica cristã, é freqüentemente representado por um cordeiro com uma cruz. A expressão aparece no Novo Testamento, principalmente no Evangelho de hoje, onde João Batista diz de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29).
Os hebreus tinham o costume de matar um cordeiro em sacrifício a Deus, para remissão dos pecados. O sacrifício de animais era freqüente entre vários grupos étnicos, em várias partes do mundo. Na Bíblia é referido, por exemplo, o caso de Abraão que, para provar a sua fé em Deus teria de sacrificar o seu único filho, imolando-o e queimando-o numa pira de lenha, como era costume para os sacrifícios de animais - o relato bíblico refere, contudo, que Deus não permitiu tal execução.
A morte de Jesus Cristo, considerado pelos cristãos como Filho unigênito de Deus, tornaria estes sacrifícios desnecessários, já que sendo considerado perfeito, não tendo pecado e tendo nascido de uma virgem por graça do Espírito Santo, semelhante a Adão antes do pecado original, seria o sacrifício supremo, interpretado como o maior ato de amor de Deus para a humanidade.
João Batista tem uma atuação fundamental no projeto de Deus realizado em Jesus. O batismo de João tinha características originais e sua proclamação foi tão marcante que o tornou conhecido como “o Batista”. Enquanto as abluções de purificação com água, tradicionais entre os judeus, eram repetidas com freqüência, o mergulho nas águas do batismo, com João, era feito uma única vez e tinha o sentido de sinalizar uma mudança de vida para um compromisso perene com a prática da justiça que fortalece a vida.
Jesus assume a proclamação de João dando-lhe um novo sentido de atualidade e eternidade, identificando-a com o projeto de Deus de conferir vida plena e eterna à humanidade. O Espírito sobre Jesus é a confirmação de sua divindade e da divinização de toda a humanidade n’Ele assumida em todos seus valores e em toda sua dignidade. A presença de Jesus, Filho de Deus, entre nós renova a nossa vida e nos impele ao empenho na construção do mundo novo possível de justiça e paz.
Interpelado estou eu e estás tu também a sermos o dedo em nossos dias que aponte para Jesus e diga. Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.
Pai, tu enviaste Jesus com a missão de nos introduzir no Reino da fraternidade. Dá-me a graça de reconhecê-lo, fazer-me seguidor d’ele e a ser o dedo que o mostre à todos os homens.

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 2,13-17 - 18.01.2014 - Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.

Pai,
coloca-me, cada dia,
no seguimento de Jesus,
pois, assim, estarei
no bom caminho que me conduz a ti.
Verde. Sábado da 1ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mc 2,13-17

Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 2,13-17

Naquele tempo:
13Jesus saiu de novo para a beira do mar.
Toda a multidão ia ao seu encontro
e Jesus os ensinava.
14Enquanto passava,
Jesus viu Levi, o filho de Alfeu,
sentado na coletoria de impostos,
e disse-lhe: 'Segue-me!'
Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi,
muitos cobradores de impostos e pecadores
também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos.
Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus,
viram que Jesus estava comendo
com pecadores e cobradores de impostos.
Então eles perguntaram aos discípulos:
'Por que ele come
com os cobradores de impostos e pecadores?'
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes:
'Não são as pessoas sadias que precisam de médico,
mas as doentes.
Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores.'
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 2, 13-17

Ser coletor de impostos na época de Jesus era ser um pecador profissional. Por isso, a escolha de Levi, ou Mateus, para ser discípulo de Jesus e ir comer na casa dele com os outros cobradores de impostos e pecadores, significava que Jesus comungava com eles, o que era muito grave. No entanto, esse fato nos mostra que Jesus veio para nos mostrar o amor misericordioso de Deus, que havia dito pelo profeta que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva e que Deus quer que todas as pessoas participem do banquete do Reino definitivo.



JESUS E LEVI Mc 2,13-17
HOMILIA

Para os fariseus, era absolutamente escandaloso manter contatos com um pecador notório como Levi. Na época, um cobrador de impostos não podia fazer parte da comunidade farisaica; não podia ser juiz, nem prestar testemunho em tribunal, sendo, para efeitos judiciais, equiparado a um escravo; estava também privado de certos direitos cívicos, políticos e religiosos. Jesus vai demonstrar, àqueles que o criticam, que a lógica dos fariseus (criadora de exclusão e de marginalidade) está em oposição à lógica de Deus.
Os relatos evangélicos põem, com freqüência, Jesus em contacto com gente reprovável, com aqueles apontados pela sociedade como os cobradores de impostos e também com as mulheres de má vida. É impossível que os discípulos tenham inventado isto, porque ninguém da comunidade cristã primitiva estaria interessado em atribuir a Jesus um comportamento “politicamente incorreto”, se isso não correspondesse à realidade histórica. Não há dúvida de que Jesus “deu-se” com gente duvidosa, com pessoas a quem os “justos” preferiam evitar, com pessoas que eram anatematizadas e marginalizadas por causa dos seus comportamentos escandalosos, atentatórios da moral pública.
Certamente não foram os discípulos a inventar para Jesus o injurioso apelativo de “comilão e bêbedo, amigo de publicanos e de pecadores” (Mt 11,19; 15,1-2). Tendo já chamado os quatro primeiros discípulos, Jesus agora encontra o coletor de impostos Levi. Por sua função, ele era um marginalizado pela sociedade religiosa judaica. Jesus não se volta para os marginalizados apenas para aliviá-los de seus sofrimentos e lhes restituir a dignidade, Ele os inclui também na colaboração de seu ministério, chamando alguns dentre eles como seus discípulos mais próximos. Sentando-se à mesa com os amigos de Levi, também marginalizados, Jesus afirma seu propósito de solidarizar-se com os excluídos e os pobres, causando escândalo entre os chefes religiosos do judaísmo.
Na perspectiva deste texto, Jesus é o amor de Deus que se faz pessoa e que vem ao encontro dos homens – de todos os homens – para os libertar da sua miséria e para lhes apresentar essa realidade de vida nova que é o projeto do “Reino”. A solicitude de Jesus para com os pecadores mostra-lhes que Deus não os rejeita, mas os ama e convida-os a fazer parte da sua família e a integrar a comunidade do “Reino”. É que o projeto de salvação de Deus não é um condomínio fechado, com seguranças fardados para evitar a entrada de indesejáveis; mas é uma proposta universal, onde todos os homens e mulheres têm lugar, porque todos – maus e bons – são filhos queridos e amados do Deus Pai. A lógica de Deus é sempre dominada pelo amor.
A “parábola da ovelha perdida” pretende, precisamente, dar conta desta realidade. A atitude desproporcionada de “deixar as noventa e nove ovelhas no deserto para ir ao encontro da que estava perdida” sublinha a imensa preocupação de Deus por cada homem que se afasta da comunidade da salvação e o “inqualificável” amor de Deus por todos os homens que necessitam de libertação. O “pôr a ovelha aos ombros” significa o cuidado e a solicitude de Deus, que trata com amor e com cuidados de Pai os filhos feridos e magoados; a alegria desmesurada do “pastor” significa a felicidade imensa de Deus sempre que o homem reentra no caminho da felicidade e da vida plena.
Jesus anuncia, aqui, a salvação de Deus oferecida aos pecadores, não porque estes se tornaram dignos dela mediante as suas boas obras, mas porque o próprio Deus se solidariza com os excluídos e marginalizados e lhes oferece a salvação. Encontramos aqui o cumprimento da profecia de Ezequiel que nos foi apresentada na primeira leitura. Deus vai assumir-se, através de Jesus, como o Bom Pastor que cuidará com amor de todas as ovelhas e de forma especial das desencaminhadas e perdidas.
O que está em causa na leitura que nos é proposta é a apresentação do imenso amor de Deus. Ele ama de forma desmesurada cada mulher e cada homem. É esta a primeira coisa que nos deve “tocar” nesta celebração. Deus é misericórdia. Interiorizamos suficientemente esta certeza, deixamos que ela marque a nossa vida e condicione as nossas opções?
O amor de Deus dirige-se, de forma especial, aos pequenos, aos marginalizados e necessitados de salvação. Os pobres e débeis que encontramos nas ruas das nossas cidades ou à porta das igrejas das nossas paróquias, encontram nos “profetas do amor” a solicitude maternal e paternal de Deus? Apesar do imenso trabalho, do cansaço, do “stress”, dos problemas que nos incomodam, somos capazes de “perder” tempo com os pequenos, de ter disponibilidade para acolher e escutar, de “gastar” um sorriso com esses excluídos, oprimidos, sofredores, que encontramos todos os dias e para os quais temos a responsabilidade de tornar real o amor de Deus?
Tornar o amor de Deus uma realidade viva no mundo significa lutar objetivamente contra tudo o que gera ódio, injustiça, opressão, mentira, sofrimento. Inquieto-me, realmente, frente a tudo aquilo que torna feio o mundo? Pactuo, com o meu silêncio, indiferença, cumplicidade com os sistemas que geram injustiça, ou esforço-me ativamente por destruir tudo o que é uma negação do amor de Deus?
As nossas comunidades são espaços de acolhimento e de hospitalidade, são um oásis do amor de Deus, não só para parentes e amigos, mas também para os pobres, os marginalizados, os sofredores que buscam em nós um sinal de amor, de ternura e de esperança?
Pai, coloca-me, cada dia, no seguimento de Jesus, pois, assim, estarei no bom caminho que me conduz a ti.

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mc 2,1-12 - 17.01.2014 - O Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados

Senhor Jesus,
cura-me de minhas deficiências espirituais,
pela força de tua graça,
para que eu possa caminhar
sempre no amor.
Branco. 6ª-feira da 1ª Semana Tempo Comum
Sto. Antão Ab, memória

Evangelho - Mc 2,1-12

O Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 2,1-12

1Alguns dias depois,
Jesus entrou de novo em Cafarnaum.
Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa.
2E reuniram-se ali tantas pessoas,
que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta.
E Jesus anunciava-lhes a Palavra.
3Trouxeram-lhe, então, um paralítico,
carregado por quatro homens.
4Mas não conseguindo chegar até Jesus,
por causa da multidão,
abriram então o teto,
bem em cima do lugar onde ele se encontrava.
Por essa abertura desceram a cama
em que o paralítico estava deitado.
5Quando viu a fé daqueles homens,
Jesus disse ao paralítico:
'Filho, os teus pecados estão perdoados'.
6Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados,
refletiam em seus corações:
7'Como este homem pode falar assim?
Ele está blasfemando:
ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus'.
8Jesus percebeu logo
o que eles estavam pensando no seu íntimo,
e disse: 'Por que pensais assim em vossos corações?
9O que é mais fácil:
dizer ao paralítico: 'Os teus pecados estão perdoados',
ou dizer: 'Levanta-te, pega a tua cama e anda'?
10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem
tem, na terra, poder de perdoar pecados,
- disse ele ao paralítico: -
11eu te ordeno:
levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!'
12O paralítico então se levantou
e, carregando a sua cama, saiu diante de todos.
E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo:
'Nunca vimos uma coisa assim'.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mc 2, 1-12

As pessoas do tempo de Jesus têm muita dificuldade para acreditar que ele tenha poder de perdoar pecados. Isso acontece porque perdoar pecados é algo que compete unicamente a Deus, e as pessoas da época de Jesus, principalmente as autoridades religiosas, não o reconheceram como o Filho de Deus. Hoje em dia, porém, vemos acontecer o contrário. Parece que o perdão dos pecados é algo tão comum que a maioria das pessoas não valoriza mais isso como algo excepcional que Deus realiza em nossas vidas, vulgarizando a graça sacramental e não dando o devido valor ao Sacramento da Reconciliação.



JESUS CURA UM PARALÍTICO Mc 2,1-12
HOMILIA

Jesus está em casa, e novamente uma multidão lhe cerca. Multidão é o mundo que nos cerca hoje, com suas filosofias. Dentre ela estão aqueles que querem apenas ouvir, outros que querem ouvir para refutar, gente que está ali porque todo mundo também está. Enfim, existem pessoas que buscam Jesus pelos mais variados motivos.
Independente dos motivos, Jesus simplesmente os recebe, com sua simplicidade esmagadora, e apenas fala sobre o Reino de Deus. O que é o Reino de Deus pra Jesus senão o momento onde todos são incluídos, com suas diferenças, em uma só comunidade de aceitação. Jesus fala sempre de um Reino onde não há maior, menor, ou melhor, pois nele somos apenas um.
Naquele momento havia pessoas dos mais diferentes níveis, e que se viam diferentes uns dos outros. Em todo momento Jesus prega sobre um Reino onde todos são incluídos, e isso para pessoas que não se enxergavam como iguais.
Então entra o miserável paralítico. Seus amigos, que pelo simples fato de serem amigos de um doente já mostravam que não se viam melhores ou piores que o pobre paralítico. Apenas o levaram movidos por essa fé. Mas não bastava apenas levar até a casa de Jesus, pois a casa estava cheia e o paralítico não podia entrar, assim como ele não podia ir ao templo, pois naquele “lugar santo” não havia espaço para sua “deficiência pecadora”.
Mas eles foram ousados. Não desistiram, acreditavam que Jesus era diferente, porque a mensagem dele era diferente, e aquele “pobre paralítico” tinha que ouvi-la. – “Então vamos fazer o impossível para que ele possa ouvir, pois esse Jesus é inigualável. A única saída é pelo teto, vamos correr o risco, pois esse Jesus é inigualável”.
Então esses homens passam o paralítico por uma brecha no telhado da casa de Jesus. Essa é a atitude de fé de quem entende que Jesus é único, inigualável e que aquele era um momento único na vida deles, principalmente na vida do paralítico.
Você queria motivo maior do que esse para que Jesus se admirasse da fé deles? A fé que faz com que Jesus se admire não é a fé no milagre da cura, mas a fé no milagre do Reino, a fé no milagre de que, no Reino, eu posso me aproximar com ousadia na presença de Deus sem intermediários. A fé que causa “espanto” em Cristo é a fé daqueles que entendem que a mensagem do Reino é inigualável, e quebra com todas as barreiras que separam. A fé que move a mão de Jesus é a fé de que no Reino todos são realmente próximos uns dos outros.
Por mais que naquele momento eles desejassem ver o amigo deles curado, a fé deles já os havia curado, pois eles entenderam a importância da mensagem do Reino. E então se preocupavam com a saúde, o bem estar de todos. Qual é a tua atitude ante aqueles que estão no pecado? De julgar e condenar? Ou de levar para Jesus afim de que Ele os cure e lhe perdoe os pecados?
A insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus era um blasfemo! A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é significativa: cura o paralítico para provar que “o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar os pecados”. O gesto poderoso de cura parece insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por quê?
O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida, buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além, preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por que o Mestre, antes de qualquer coisa, quer ver o ser humano liberto de seus pecados.
Para os que diferenciam entre santos e pecadores, a atitude de Jesus no Evangelho de hoje era uma blasfêmia, já que aquele Jesus era um homem, e como homem não podia perdoar ninguém. – “Deus não pode aceitar esse paralítico de forma tão simples assim, isso é blasfêmia!”, pensavam os raivosos donos do poder religioso. Todavia, na ótica do Jesus e na ótica do reino, nada havia sido tão simples assim, a aceitação de Deus vem da cura do coração, do arrependimento daqueles homens demonstrado pela fé nos princípios do Reino pregado por Jesus. A cura do arrependimento é mais séria e mais difícil que a cura do corpo.
Fazer o paralítico andar foi um sinal não para o paralítico, mas para todos nós que ainda não enxergamos a realidade do Reino. A cura física do paralítico era a representação terrena, carnal, física, daquilo que Deus, através da Sua palavra, haveria de fazer naqueles que com fé, esperança e confiança acreditam no Seu Filho muito amado.
Senhor Jesus, cura-me de minhas deficiências espirituais, pela força de tua graça, para que eu possa caminhar sempre no amor.

Fonte Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla