+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus
20,1-16ª
Naquele tempo:
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
1'O Reino dos Céus é como a história do patrão
que saiu de madrugada
para contratar trabalhadores para a sua vinha.
2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por
dia, e os mandou para a vinha.
3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
viu outros que estavam na praça, desocupados,
4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha!
E eu vos pagarei o que for justo'.
5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia
e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa.
6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
`Por que estais aí o dia inteiro desocupados?'
7Eles responderam:
`Porque ninguém nos contratou'.
O patrão lhes disse:
`Ide vós também para a minha vinha'.
8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador:
`Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!'
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde
e cada um recebeu uma moeda de prata.
10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.
11Ao receberem o pagamento,
começaram a resmungar contra o patrão:
12`Estes últimos trabalharam uma hora só,
e tu os igualaste a nós,
que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'.
13Então o patrão disse a um deles:
`Amigo, eu não fui injusto contigo.
Não combinamos uma moeda de prata?
14Toma o que é teu e volta para casa!
Eu quero dar a este que foi contratado por último
o mesmo que dei a ti.
15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
com aquilo que me pertence?
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?'
16aAssim, os últimos serão os primeiros,
e os primeiros serão os últimos.'
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 20,
1-16
Nós estamos acostumados com a forma de justiça que foi
estabelecida pelos homens e, por causa disso, encontramos dificuldades para
compreender a justiça divina, principalmente porque os principais critérios da
justiça dos homens são a diferença entre as pessoas e a troca entre os valores
enquanto que os principais critérios da justiça divina são a igualdade entre as
pessoas e a gratuidade dos valores. Isso nos mostra que a lógica divina é
totalmente diferente da lógica dos homens e que nós vivemos reivindicado
valores que, na verdade, são valores humanos e que não nos conduzem a Deus. Também
nos mostra o quanto todos nós somos comprometidos com os valores humanos e
deixamos de lado os valores do Reino.
“Os últimos serão os
primeiros”
HOMILIA
Há um consenso entre os estudiosos da Bíblia de que
o centro da pregação de Jesus era “O Reino de Deus” (ou dos Céus, que em
Mateus, significa a mesma coisa). Mas, Jesus nunca define o Reino; pelo
contrário, sempre o descreve por meio de parábolas, para que o ouvinte se
esforce para descobrir quais são os valores que tornam o Reino de Deus presente
no meio de nós.
A parábola de hoje nasce no contexto da realidade
agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas com o seu
povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos, e a maioria
trabalhava ou como arrendatários ou como “bóias-frias” como diríamos hoje.
Embora a cena situe-se na Galileia de dois mil anos atrás, bem poderia ser o
Brasil da atualidade! Apresenta uma situação de trabalhadores braçais
desempregados, não por querer, mas “porque ninguém os contratou” (v 7). Talvez
haja uma diferença, comparando com a situação de hoje - na parábola, o salário
combinado era uma moeda de prata, um denário, que na época era o suficiente
para o sustento de uma família por um dia - o que nem sempre se verifica hoje.
O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a
lógica da sociedade vigente. Na nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que
produz - logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso,
aposentado, doente, excepcional. Na parábola, o patrão (símbolo do Pai) usa
como critério de pagamento, não a produção, mas o sustento da vida - também o
trabalhador da última hora precisa sustentar a família; e por isso, recebe o
valor suficiente, um denário.
O Reino tem outros valores da sociedade neo-liberal
do nosso tempo - a vida é o critério, não a produção. Por isso, quem procura
vivenciar os valores do Reino estará na contramão da sociedade dominante. O
texto nos convida a imitar o Pai do Céu, lutando por novas relações na
sociedade e no trabalho, baseadas no valor da vida, não na produção e consumo.
Para a comunidade de Mateus, a parábola tinha mais
um sentido. Começavam a entrar pagãos na comunidade, e muitos cristãos de
origem judaica tinham dificuldade em aceitá-los em pé de igualdade - eram “da
última hora”. Mateus conta a parábola para ensinar a eles que no Reino,
experimentado através da comunidade, não pode haver discriminação entre
cristãos de várias origens; por isso, “os últimos serão os primeiros”. O
critério é a gratuidade de Deus Pai, pois tudo o que temos, recebemos d’Ele, e
sendo todos filhos e filhas amados d’Ele, a comunidade cristã não pode
discriminar pessoas, por qualquer motivo que seja.
É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 19,23-30
Naquele tempo:
23Jesus disse aos discípulos:
'Em verdade vos digo,
dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus.
24E digo ainda:
é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha,
do que um rico entrar no Reino de Deus.'
25Ouvindo isso,
os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram:
'Então, quem pode ser salvo?'
26Jesus olhou para eles e disse:
'Para os homens isso é impossível,
mas para Deus tudo é possível.'
27Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:
'Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos.
O que haveremos de receber?'
28Jesus respondeu:
'Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado
e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória,
também vós, que me seguistes,
havereis de sentar-vos em doze tronos,
para julgar as doze tribos de Israel.
29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs,
pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome,
receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.
30Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos.
E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 19,
23-30
A nossa vida é condicionada por muitos fatores que marcam a
natureza humana decaída por causa do pecado. Esses fatores, em geral, nos
afastam de Deus e nos impedem de viver plenamente a proposta do Evangelho. A
maior dificuldade para superarmos esses fatores se encontra no fato de que nós
somos seres naturais, portanto submissos às leis da natureza decaída de modo
que para nós isso é impossível. Mas Jesus nos diz no Evangelho de hoje: 'Para
os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível'. Somente confiando
plenamente na graça divina e procurando corresponder a ela é que poderemos
viver o Evangelho apesar das nossas fraquezas e dos desafios que a vida nos
impõe.
CONDIÇÕES PARA O
REINO DO CÉU Mt 19,23-30
HOMILIA
Depois de Jesus nos ter falado sobre o jovem rico, um
estudioso da Lei, cumpre todos os parágrafos, não é desonesto, nem mentiroso,
nem violento, nem adúltero, nos propõe hoje o texto que fala do perigo das
riquezas. Vendo o homem, Jesus acha-o não longe do Reino do Céu por isso
faz-lhe um convite a vender tudo e distribuí-lo aos pobres: se você quer ser
perfeito, vá, venda tudo o que tem, e dê o dinheiro aos pobres, e assim você
terá riquezas no céu. Depois venha e me siga. Porém, o conceito que ele tinha
de riqueza diverge do conceito do Mestre.
Para Este a Lei é o varal da fraternidade, é resposta à
Aliança gratuita e generosa oferecida por Deus. É partilha, é comunhão. Assim,
se os bens não forem entendidos como dons que devem ser partilhados com os
pobres não teremos direito a herdar o Reino do Céu. Veja que Jesus indica uma dificuldade
real, uma necessidade de esforço penoso e não uma impossibilidade.
Ao jovem que já era fiel observante dos mandamentos, Jesus
faz uma proposta radical: vender tudo, distribuir o dinheiro aos pobres e
segui-lo. O jovem se retirou triste, porque era muito rico. Não teve coragem
para desvencilhar-se de tudo, tornar-se discípulo e aderir ao compromisso de
construir o Reino. E Jesus adverte sobre o perigo que a riqueza pode significar
para a liberdade e o desenvolvimento pleno da pessoa. O Eclesiástico lembra que
ela pode se tornar um forte obstáculo para a integridade (cf Eclo 32, 1-11).
Certamente, a palavra de Jesus: Em verdade vos digo, dificilmente um rico
entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo
buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus (Mt 19, 23-24),
além de alertar para o risco que corre o rico em ordem à sua salvação, alude à
dificuldade para um seu engajamento mais pleno na construção do Reino, que é
vida para todos, no aqui e no agora de nossa existência.
Os Padres da Igreja, dos primeiros séculos pós-catacumba,
explicam que a razão da dificuldade tem a ver com minha relação com Deus,
comigo mesmo, com os outros. O que entendem por rico e riqueza, não é
quantidade absoluta de bens, mas situação na sociedade. Quem tem 10% dos bodes
da tribo de criadores primitivos, é rico; não importa se dispõe de menos bens
do que hoje vemos.
Riqueza é condição material concreta adequada do poder. Mas
como o poder em si mesmo, ela em si não é má. O Senhor não condena nem os ricos
nem as riquezas; mas adverte os seus discípulos do perigo que correm, se lhes
entregarem o coração. Em contrapartida, a atitude desprendida de Pedro e dos
outros Apóstolos é caminho certo para entrar no reino de Deus. O mundo novo que
o Filho de Deus nos revelou na sua morte e ressurreição inaugurou a regeneração
do Universo, em que tudo é julgado por outros critérios.
A graça de
Deus pode fazer gente profundamente evangélica: Henrique II imperador da
Alemanha, Luis IX rei de França, Isabel rainha de Portugal e a duquesa Edviges,
cujo fundo rotativo de ajuda ao camponês encalacrado a fez padroeira de todos
os endividados. Mas ser rico é risco. Risco em nossa relação com Deus, exposta
a duas variantes da mesma tentação: o ateísmo prático e a idolatria.
A riqueza ameaça minha relação comigo. Os bens são nossos
servos, para nossa vida e vida plena, nossa e de todos ao nosso redor, para
nossa realização como pessoas, também diante de Deus. No momento em que eles
não mais nos servem, mas nós servimos a eles, começa o desvio. A riqueza me separa dos outros,
afasta-me deles. Os bens deste mundo em si são bons, presentes carinhosos do
Deus que quer que todos os seres humanos tenham vida e vida plena. Que a
verdade proferida por Jesus me ensine a ter um coração mais desapegado dos bens
terrenos e mais rico da presença de Deus. Pois, o desapego dos bens terrenos é
um caminho de sincera humildade e confiança em Deus.
Pai, desapega meu coração das coisas deste mundo, livrando-me
da ilusão de buscar segurança nos bens acumulados. E reforça minha fé na
Providência!
Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e terás um tesouro no céu.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 19,16-22
16Alguém aproximou-se de Jesus e disse:
'Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida
eterna?'
17Jesus respondeu:
'Por que tu me perguntas sobre o que é bom?
Um só é o Bom.
Se tu queres entrar na vida, observa os mandamentos.'
18O homem perguntou: 'Quais mandamentos?'
Jesus respondeu: 'Não matarás, não cometerás adultério,
não roubarás, não levantarás falso testemunho,
19honra teu pai e tua mãe,
e ama teu próximo como a ti mesmo.'
20O jovem disse a Jesus:
'Tenho observado todas essas coisas.
O que ainda me falta?'
21Jesus respondeu:
'Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens,
dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu.
Depois, vem e segue-me.'
22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza,
porque era muito rico.
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 19,
16-22
Deus nos ama com amor eterno e, por isso, quer relacionar-se
conosco. A partir disso, devemos perceber qual é o verdadeiro sentido da
religião. O que caracteriza o verdadeiro cristão não é a mera observância dos
mandamentos, mas a busca da perfeição que está no seguimento de Jesus, portanto
no relacionamento com ele. Porém, existem valores deste mundo que se tornam
obstáculo para este relacionamento, como é o caso dos bens materiais, que
impediram o jovem de buscar livremente a vida eterna e a perfeição, através da
caridade e do seguimento de Jesus, embora observasse todos os mandamentos.
O DESPRENDIMENTO Mt 19,16-22
HOMILIA
No Evangelho de hoje vemos Jesus na reta final do seu
ministério terreno. Está decidido a caminhar para Jerusalém a fim de consumar o
Mistério Pascal, ou seja, Paixão, Morte e Ressurreição. Entretanto, um jovem,
corre atrás d’Ele e, ajoelhando-se diante do Mestre, soltou aquilo que estava
entalado no coração: Que farei para herdar a vida eterna? Esta pergunta é minha
e é tua também. Pois todos nós queremos ir para o céu. Aliás, o instinto
natural do homem é a vida eterna! Portanto, nada absolutamente preenche este
vazio da alma que nasce no coração do homem, logo a seguir a expressão de Adão
e Eva no paraíso das delícias celestiais.
Mas afinal quem era este jovem?
A Sagrada
Escritura não diz quem era e nem como se chamava, tão pouco onde morava e quem
eram os seus pais. Mateus 19,16 diz somente “alguém”. Marcos 10,17 - apenas um
“homem”. Lucas 18,18 “Certo homem de
posição”. Todavia, tudo indica que era alguém delicado e educado mui reverente
(Mc 10,17) diz que “ajoelhou-se diante de Jesus”. Mateus 19,20 refere-se a esse
homem como “jovem”.
Não
interessa saber quem era senão a preocupação dele pela vida eterna. O que vemos
nos textos citados é que procurou Jesus. Procurar Jesus como fonte da salvação
nossa deve ser a mola impulsionadora das nossas buscas de realizações. Visto
que somente n’Ele e por Ele temos a vida em plenitude.
Pelo que
acabamos de ver no texto, este jovem tinha boas e excelentes qualidades. Só lhe
faltava o essencial: “a vida eterna”. Ele sabia muito bem que essa vida estava
com Jesus, o Filho de Deus. (Jo 10,10). Como vimos não adianta almejar a “vida
eterna”, ansiar por ela. É necessário que a possuamos. É preciso que procuremos
esta vida em Jesus Cristo.
O moço
rico era um zeloso guardador da lei. Disse Jesus que era fiel guardador da lei.
Respeitava os mandamentos e estatutos ordenados pelo Senhor Todo-poderoso. Por
exemplo, respondendo a Jesus que lhe pediu “guardar os mandamentos” disse: Não
mato; Não adultero; Não furto; Não defraudo; Não dou falso testemunho; Honro
pai e mãe.
Diga-se de
passagem. O jovem era mesmo rico. Veja como os evangelistas narram a sua
situação: Mt 19,22 - “dono de muitas propriedades”. Mc 10,22 - “dono de muitas
propriedades”. Lc 18,23 - “era riquíssimo”. Porém, como cristão ele tinha tudo
e nada tinha. Os bens da terra evaporam. “que adianta o homem ganhar o mundo
inteiro e perder a sua alma”. O que vou dizer pode te parecer contradição.
Apesar das riquezas, ele era pobre, tinha nada. O jovem possuía tudo, menos a
vida. E quem não tem vida não existe e se não existe não tem algo. Porque é
pela vida que eu entro em contato com as coisas. Pela pergunta que fez a Jesus
“que hei de fazer para herdar a vida eterna?”, infere-se que não a possuía. E
nem sequer existia. E por causa da ausência da vida, o jovem que tinha tudo,
desde a guarda dos mandamentos de Jesus até a fabulosa quantidade de dinheiro,
corre atrás de Jesus a procura da vida para poder viver e conseqüentemente ter
Vida eterna.
A partir da situação do jovem quero advertir-te meu irmão e
minha irmã que a vida eterna não se alcança por dinheiro; nem zelo pelos
estatutos de Deus; nem pela guarda de lei; nem praticar alguma coisa boa. Pois
priorizando estas coisas podes estar perdido, perdida como este jovem. Aliás o
próprio Jesus nos adverte que lhe adiantam os tesouros deste mundo, se não
tivermos a vida eterna em Deus e com Ele?
No diálogo com o moço Jesus o levou a uma decisão. Jesus e o
moço chegaram a dois caminhos diferentes. Quer Jesus ou as riquezas, Jesus ou a
simples guarda dos mandamentos? Jesus ou as delícias deste mundo? Estas
perguntas eu as faço para que tu reflitas a tua situação. Temos na Palavra de
Deus, pessoas que firmam sua decisão. Cada um é livre em tomar o seu caminho.
Aceitar a Jesus como fonte de vida eterna ou o diabo como caminho da perdição
eterna. O que tu preferes? Jesus ou o cigarro? Jesus ou a cachaça? Jesus ou as
falsas doutrinas? Jesus ou o dinheiro? Jesus ou os encontros deste mundo que se
encontram no maligno?
Não te esqueças que o moço rico estava a um passo da vida
eterna. Uma só coisa lhe faltava, remover o ídolo dinheiro do seu coração e
seguir Jesus. Quando ouviu de Jesus, falta-te uma coisa - uma somente: Vende
tudo, dá aos pobres, volta a seguir a Jesus, não quis e se foi embora triste. Como
soam estas palavras em ti: Vende tudo o que tens, dê aos pobres o que tens e
terás a vida eterna? Felizmente São Mateus nos faz gravada a figura e a atitude
do coração deste jovem: ao ouvir as palavras de Jesus, retirou-se triste por
ser dono de muitas propriedades. Retirou-se triste, não quis Jesus, ficou com o
dinheiro e perdeu a vida eterna que tanto almejava. E tu, queres fazer o mesmo?
Vás preferir ficar com os bens terrenos a ganhar a vida eterna? Meu irmão,
minha irmã, não te atrapalhes com este mundo passageiro. Com este dinheiro
passageiro compre amigos e amigas que te acolherão no Reino dos Céus!
Pai, quero estar sempre em comunhão contigo, pois só tu és
Bom. Que eu possa, assim, conhecer a tua vontade e colocá-la em prática, pois é
desprendendo-me dos prazeres terrenos e apegando-me a ti que és o caminho da
salvação que terei a vida eterna.
Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas
1,39-56
39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito, exclamou:
"Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!"
43Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
46Maria disse:
"A minha alma engrandece o Senhor,
47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
48pois, ele viu a pequenez de sua serva,
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
50Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam.
51Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.
52Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
53De bens saciou os famintos
despediu, sem nada, os ricos.
54Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
55como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre".
56Maria ficou três meses com Isabel;
depois voltou para casa.
Palavra da Salvação.
Reflexão - Lc 1,
39-56
O encontro de Maria com Isabel nos mostra um pouco do que
deve ser um encontro de verdadeiro amor entre duas pessoas. Por um lado, vemos
Maria, que vai ao encontro de Isabel assim que sabe da sua situação, vai para
servir, fazer com que seu amor se transforme em gesto concreto. Quando encontra
Isabel, a saúda, pois valoriza aquele momento de encontro e também a pessoa com
quem se encontra. Por outro lado, vemos Isabel que, ao ver sua prima, exalta
imediatamente todos os seus valores como mãe do seu Senhor, assim como as suas
virtudes. E este encontro termina com um cântico de exaltação ao amor de Deus.
A SEMPRE
BEM-AVENTURADA Lc 1,39-56
HOMILIA
O encontro das duas parentes em sua primeira gravidez se
direciona para o encontro misterioso de Jesus e João e para o hino de Maria.
Estabelece-se a ligação entre as duas anunciações e os respectivos filhos.
Através de sua mãe, o profeta precursor saúda e dá testemunho do Senhor
presente em Maria de Nazaré. Isabel acolhe Maria "em alta voz", como
o povo acolheu a arca da presença de Deus com fortes aclamações (cf. 1Cr
15,28;2Cr 5,13-14). Davi exclama: "Como poderá vir a mim a arca do
Senhor"? (2 Sm 6,9); mas depois acolherá a arca com alegria e danças.
Isabel interpreta o agitar-se da nova vida que leva no seio como um anúncio
profético da alegria por aquele que devia ser consagrado pelo Espírito desde o
seio materno (cf. Jr 1,5;Is 49,1;Lc 1,15). Maria é agora a arca que traz a
presença salvífica do Senhor ao meio de seu povo. Porque ao saudar a sua prima, Isabel ficou
cheia do Espírito Santo quando Maria a visitou! Assim sendo, a Mãe de Jesus nos
ensina que quando levamos Jesus para as pessoas, elas também ficam cheias do
Espírito, por isso, se alegram com a nossa chegada. Às vezes até podemos achar
que somos imprescindíveis e muito importantes para o irmão, todavia, devemos
ter consciência de que somos meros canais da graça do Senhor. O Espírito Santo
é quem realiza a obra do Senhor no nosso coração e é quem nos faz sair de nós
mesmos e ir à busca dos que estão necessitados. Sem mesmo percebermos nós somos
instrumentos de Deus na vida dos nossos irmãos para que se cumpram os Seus
desígnios e os Seus planos se realizem. Basta que nos ponhamos atentos e
disponíveis, o Senhor nos usa para levarmos consolo, abrigo, alegria e solidariedade.
De fato, Ela é saudada por Isabel como a mais bendita entre
as mulheres porque o menino que nela
está é o Senhor (cf Jt 13,18). Enfim Isabel proclama a bem-aventurança de
Maria, que dá um significado profundo à sua maternidade: Maria é aquela que
acreditou na eficácia da Palavra de Deus. Nenhuma maternidade da história pode
ser comparada com a de Maria.
Ela soube distinguir isto e não perdeu tempo, pôs-se a
caminho das montanhas esquecendo a glória de ser mãe de Deus se fez serva,
auxiliadora, anunciadora e canal da graça do Espírito Santo. Assim, ela foi a
primeira a levar a alegria de Jesus ao mundo! Maria mesma se auto afirmou ser
bem-aventurada, feliz, cheia de graças! Somos também bem aventurados se
acreditamos nas promessas do Senhor. O Espírito Santo é quem nos ensina a
louvar a Deus e a manifestar gratidão pelos Seus grandes feitos na nossa vida,
por isso, também somos felizes. Assim como visitou Isabel, transmitindo a ela e
a João Batista, o poder do Espírito, Maria hoje, também nos visita e traz para
nós o Seu Menino Jesus, cheio do Espírito Santo que nos ensina a cantar, a
louvar, a bendizer a Deus com os nossos lábios.
O Magnificat é o seu cântico de agradecimento, o louvor que
Ela dirige para Deus, que fez tudo, ao passo que Ela deixou fazer. E Ela
profetiza: "Doravante todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada".
Profecia que vem se cumprindo na Igreja de Cristo Jesus, o Senhor.
Você também se considera bem aventurado (a)? Você se sente
comprometido (a) com Deus? – Você tem usado o Espírito Santo que mora em você
para ir à busca daqueles que precisam ser amados e ajudados?- Imagine-se como
Maria visitando hoje alguém que você sabe que está precisando de amor! Reze com Maria, hoje: “Minha alma glorifica ao
Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para
a sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas
as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo
nome é Santo!”
Pai, conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora,
cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me
preparar para a comunhão plena contigo.
Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 19,13-15
Naquele tempo:
13Levaram crianças a Jesus,
para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração.
Os discípulos, porém, as repreendiam.
14Então Jesus disse:
'Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim,
porque delas é o Reino dos Céus.'
15E depois de impôr as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 19,
13-15
Muitas vezes, pelo fato de procurarmos viver de forma
coerente os valores do Evangelho e percebermos os erros e os problemas que
existem no mundo de hoje por parte de muitas outras pessoas que não tiveram a
oportunidade de conhecer Jesus como nós o conhecemos, corremos o risco de fazer
exatamente o contrário daquilo que Jesus exige de nós. Pode acontecer que nos
coloquemos como intermediários entre Jesus e as pessoas não para aproximá-las
dele, como é a sua vontade, mas para impedir que se aproximem dele por não
serem dignas, negando a elas a oportunidade da graça da conversão e da vida
nova em Cristo.
O AMOR DE JESUS PELAS
CRIANÇAS Mt 19,13-15
HOMILIA
Para Jesus a criança era importante por sua personalidade
ainda intacta, mesmo que embrionária. Era importante por ser a imagem do Deus
criador e senhor de tudo e de todos. Era importante por ser uma criatura
dependente do criador, enquanto indefesa e carente. E assim Jesus escolhe as
crianças para habitarem seu reino. Não que o reino de Jesus seja infantil, seja
uma creche ou casa de criança. Mas é um reino de espontaneidade e de amor, onde
Deus continua sempre criando suas criaturas, continua amando o que ele criou
por amor.
Os apóstolos queriam impedir que os pais trouxessem seus
filhos a Jesus, pensando que as crianças eram um desgosto para ele. E Jesus dá
uma lição não de condescendência, como fazemos nós com frequência para agradar
os pais; mas uma lição de precedência, isto é, se existia alguém com direito de
estar perto dele, seriam elas, as crianças. É bom ouvir isso! Além de valorizar
as crianças, passo a valorizar o sentimento divino de Jesus.
No Evangelho de hoje dois pontos me chamam atenção. O primeiro
é o fato das crianças se sentirem atraídas por Jesus a ponto de provocar um
tumulto que os próprios discípulos acharam necessário intervir, para depois
serem repreendidos pelo Mestre. Este é um ponto que eu considero interessante
porque se prestarmos atenção, veremos que são pouquíssimas as pessoas que têm
esse “magnetismo” com as crianças.
E as características em comum nessas pessoas são: a doçura,
a simplicidade, o sorriso constante, a paciência, a alegria, a jovialidade, a
espontaneidade… Em todos os lugares por onde Jesus passava, multidões vinham
ouvi-lo, e as crianças vinham espontaneamente para que Ele impusesse suas mãos
e orasse por elas. E Jesus se deleitava com isso. Nos quadros que tentam
retratar essa cena, Jesus sempre está sentado, com um olhar sereno, com cada
mão sobre a cabeça de uma criança super-comportada, e mais umas 3 crianças
esperando pacientemente a sua vez. Se eu fosse pintar um quadro da forma como
imagino que aconteceu, seria com dezenas de crianças correndo, pulando, gritando,
brincando e fazendo a maior festa em torno de Jesus, que se divertia com elas,
enquanto alguns discípulos tentavam, em vão, controlar a bagunça… Jesus sempre
ensinou pelo exemplo e pelas palavras. Se Ele dizia que para entrar no Reino
dos Céus, deveríamos ser como crianças, então Ele próprio se fazia criança,
principalmente quando estava entre crianças.
O segundo aspecto que me fez refletir foi um questionamento
para tentar entender melhor a psicologia de Jesus: Por que Ele deu tanta
importância às crianças, a ponto de dizer que o Reino de Deus é delas, e para
quem se faz como elas? O que Jesus via nas crianças, para chegar a dizer isso?
Já ouvimos muitos dizerem que a criança é espontânea; que pode ficar com raiva,
mas no minuto seguinte já faz as pazes e esquece; que não vê malícia em nada;
dentre tantas outras características. Qual a experiência de Jesus com as
crianças? O que Jesus realmente queria transmitir aos discípulos?
Quando será que nós adultos, pais, irmãos, professores,
impedimos as crianças de irem até Jesus? Isso acontece de várias maneiras.
Começando da nossa casa, nós, os pais, irmãos e padrinhos das crianças, as
impedimos de irem até Jesus, quando não as levamos à missa, quando não as
matriculamos na catequese, quando não lhes damos bons exemplos de cristãos etc.
Ah! Já sei o que você está querendo dizer. Eu mandei meu filho para a missa,
sim. Matriculei minha filha na catequese, e até ensinei os dois a rezar antes
de dormir. Ótimo! Mas você deu o exemplo indo à missa também, rezando na
presença deles, os levou para o catecismo?
É como diz o velho ditado. Palavras sem exemplos são tiros
sem balas. Para a criança, um bom exemplo dos pais vale por mil palavras. Se
seu filho nunca viu você rezando, a fé dele está condenada. Seu filho, sua filha,
são seus imitadores. Eles querem, exigem que as vossas palavras sejam seguidas
de exemplos. Se você diz para seu filho que ele tem de ser honesto e logo em
seguida pega o telefone e fica combinando com o seu amigo como dar um desfalque
na empresa, ou como fazer uma pirataria, você acha que o seu filho vai escolher
ser honesto? E o professor? Quando ele impede as crianças, seus alunos, de irem
até Jesus? Quando na sua indiferença a qualquer religião, ele afirma para a
classe. Deus? Ah! Deus está na mente das pessoas! Ou por outro lado, quando o
mestre nunca semeia uma palavra de fé para seus alunos, ou mesmo quando fala
mal da Igreja ou dos padres.
No Evangelho de hoje, a criança serve de exemplo não pela
inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões
sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do
tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação
social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio
de si mesmo, pronto para receber o Reino de Jesus.
Pai, seja a simplicidade e a pureza de coração das crianças
um exemplo no qual devo inspirar-me para ser fiel a ti.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São
Mateus 19,3-12
Naquele tempo:
3Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus,
e perguntaram, para o tentar:
'É permitido ao homem despedir sua esposa
por qualquer motivo?'
4Jesus respondeu:
'Nunca lestes que o Criador,
desde o início os fez homem e mulher?
5E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe,
e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'?
6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe.'
7Os fariseus perguntaram:
'Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio
e despedir a mulher?'
8Jesus respondeu:
'Moisés permitiu despedir a mulher,
por causa da dureza do vosso coração.
Mas não foi assim desde o início.
9Por isso, eu vos digo:
quem despedir a sua mulher
- a não ser em caso de união ilegítima -
e se casar com outra, comete adultério.'
10Os discípulos disseram a Jesus:
'Se a situação do homem com a mulher é assim,
não vale a pena casar-se.'
11Jesus respondeu:
'Nem todos são capazes de entender isso,
a não ser aqueles a quem é concedido.
12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento,
porque nasceram assim;
outros, porque os homens assim os fizeram;
outros, ainda, se fizeram incapazes disso
por causa do Reino dos Céus.
Quem puder entender, entenda.'
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 19,
3-12
Quem comete adultério, peca duas vezes. O primeiro pecado é
o da fornicação, do desrespeito da pessoa do outro ou da outra como templo do
Espírito Santo, o que se constitui em profanação do sagrado, da propriedade
divina pela consagração batismal. O segundo pecado é contra o vínculo
matrimonial, é o rompimento de uma promessa que foi feita diante de Deus e da
Igreja. E a causa de tão grave pecado encontra-se na dureza do próprio coração,
que não é capaz de abrir-se à graça divina e aos verdadeiros valores e se torna
escravo da luxúria, fazendo dela o verdadeiro deus da própria vida.
COMPREENSÃO DO
DIVÓRCIO NA BÍBLIA Mt 19,3-12
HOMILIA
Para melhor compreender esta passagem, em que os fariseus
interrogam Jesus sobre casamento e divórcio, utilizando a expressão "por
qualquer motivo", e preciso conhecer um pouco do Antigo Testamento. O
código do Deuteronômio estabelece que ao divorciar-se de sua mulher, o homem
deve declará-lo por escrito (24,1), com a seguinte fórmula: "ela não é a
minha esposa e eu não sou seu marido" (Os 2,4). No período pós exílio,
Malaquias censura os que abandonam sua mulher na juventude (2,14-15) e o Eclesiástico
aconselha o divórcio apenas no caso de mulher má (25,26). Isto fica muito vago
e o Deuteronômio não esclarece, pois fala apenas de um comportamento
inconveniente da mulher (24,1), para justificar o divórcio. Mas nada deve ser
interpretado como adultério, que era considerado na época, como ofensa capital.
Provavelmente referem-se a causas legais de uso corrente ou até mesmo
prescrições jurídicas que não chegaram até nós.
Jesus sempre se posiciona contra o divórcio. Mas nessa
época, duas escolas rabínicas disputavam a questão não resolvida no Antigo
Testamento. Uma escola permitia o divorcio, por qualquer razão que o marido
encontrasse na mulher e a outra só permitia o divórcio em caso de adultério. E
neste contexto que surge a pergunta dos fariseus, que põe Jesus a prova:
"É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?"
Tentam fazer com que Jesus se posicione por uma das escolas, mas Ele recorre ao
Gênesis 1,27; 2,24 como base bíblica para sua resposta e afirma que no plano da
criação original de Deus, o casamento e indissolúvel e nada pode terminar essa
união. Quanto a pergunta sobre a lei de Moisés, Jesus diz que no Antigo
Testamento o repúdio era permitido apenas como concessão a fraqueza humana, e
reafirma que não é a intenção original de Deus.
A seguir, Jesus interpreta a lei, proibindo, de forma
absoluta, o repúdio e o novo casamento, exceto no caso de união ilegal, que
provavelmente seria um casamento entre pessoas dentro dos graus de parentesco
proibidos no Levítico 18,6-18. A natureza radical do ensinamento de Jesus leva
os discípulos a questionar, se convém ou não se casar. Jesus afirma que
celibato é dom de Deus e não é para todos. O celibato cristão é a resposta à
experiência do Reino dos Céus ensinada e vivida por Jesus. Esse celibato não se
baseia num conceito marxista contra as mulheres, nem na pureza cultual, nem nas
exigências da vida comunitária. É resposta a Deus! "Quem puder
compreender, compreenda".
Pai, infunde nos casais cristãos o desejo de experimentarem
a santidade do matrimônio, porque tu és a causa e a razão da comunhão que
existe entre eles.
Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus
18,21-19,1
Naquele tempo:
21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
'Senhor, quantas vezes devo perdoar,
se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?'
22Jesus respondeu:
'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
23Porque o Reino dos Céus é como um rei
que resolveu acertar as contas com seus empregados.
24Quando começou o acerto,
trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.
25Como o empregado não tivesse com que pagar,
o patrão mandou que fosse vendido como escravo,
junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía,
para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caíu aos pés do patrão,
e, prostrado, suplicava:
'Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo'.
27Diante disso, o patrão teve compaixão,
soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali,
aquele empregado encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia apenas cem moedas.
Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo:
'Paga o que me deves'.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava:
'Dá-me um prazo! e eu te pagarei'.
30Mas o empregado não quis saber disso.
Saiu e mandou jogá-lo na prisão,
até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido,
os outros empregados ficaram muito tristes,
procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida,
porque tu me suplicaste.
33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?'
34O patrão indignou-se
e mandou entregar aquele empregado aos torturadores,
até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco,
se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.'
19,1Ao terminar estes discursos,
Jesus deixou a Galiléia
e veio para o território da Judéia além do Jordão.
Palavra da Salvação.
Reflexão - Mt 18, 21
- 19, 1
Nós não temos como pagar a Deus para obtermos o perdão dos
nossos pecados, de modo que merecemos a paga pelos mesmos que é a morte. Mas o
amor misericordioso de Deus não permite que nenhum dos seus filhos e filhas
seja entregue à morte, de modo que a verdadeira paga pelos nossos pecados foi a
obediência de Jesus, amando-nos até o fim e, assim, apesar dos nossos pecados,
temos a eterna aliança com ele. Desse modo, Deus nos dá o exemplo do verdadeiro
perdão, nos ensinando que tudo devemos fazer para restaurar a unidade perdida
por causa dos males que as pessoas comentem contra nós.
Homilia do Papa Francisco na Solenidade da Assunção da
Virgem Maria
Queridos irmãos e irmãs!
Ao fim da Constituição sobre a Igreja, o Concílio Vaticano II deixou-nos uma belíssima meditação sobre a Bem-Aventurada Virgem Maria. Quero apenas lembrar as expressões que se referem ao mistério que hoje celebramos: a primeira é esta: "A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha do universo" (n. 59). E depois, perto do fim, ainda tem esta: "A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor" (n. 68). À luz deste belíssimo ícone da nossa Mãe, podemos considerar a mensagem contida nas leituras bíblicas que acabámos de escutar. Podemos concentrar-nos em três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança.
A passagem do Apocalipse apresenta a visão da luta entre a mulher e o dragão. A figura da mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa, triunfante, e por outro ainda com dores de parto. Assim, na verdade é a Igreja: se no Céu ela já está associada à glória do seu Senhor, na história vive continuamente as provas e os desafios que comporta o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de sempre. E nesta luta que os discípulos de Jesus devem enfrentar, Maria não os deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre connosco. Também Maria, em certo sentido, partilha esta dupla condição. Ela, naturalmente, já entrou definitivamente na glória do Céu. Mas isto não significa que ela esteja longe, que esteja separada de nós; muito pelo contrário, Maria nos acompanha, luta connosco, sustenta os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, especialmente o Rosário, tem também esta dimensão "agonística", ou seja, de luta, uma oração que sustenta na luta contra o maligno e os seus cúmplices.
A segunda leitura fala-nos da ressurreição. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, insiste no facto que ser cristão significa acreditar que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Toda a nossa fé baseia-se nesta verdade fundamental, que não é uma ideia, mas um evento. E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo ele inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi "atraída" pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou de uma vez para sempre na vida eterna com toda a sua humanidade, aquela que Ele havia tomado de Maria; assim ela, a Mãe, que O seguiu fielmente em toda a sua vida, O seguiu com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que também chamamos Céu, Paraíso, Casa do Pai.
Também Maria conheceu o martírio da cruz: a Paixão do Filho viveu-a plenamente na alma. Esteve plenamente unida a Ele na morte, e por isso foi-lhe dado o dom da ressurreição. Cristo é a primícia dos ressuscitados, e Maria é a primícia dos redimidos, a primeira "daqueles que são de Cristo".
O Evangelho sugere-nos a terceira palavra: esperança. Esperança é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta quotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, acredita na ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. O Magnificat é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. É o cântico de tantos santos e santas, alguns bem conhecidos, outros, muitíssimos, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, irmãs, jovens, também crianças, que enfrentaram a luta da vida, trazendo no coração a esperança dos pequenos e dos humildes. "A minha alma engrandece ao Senhor" - canta também hoje a Igreja em todas as partes do mundo. Este cântico é particularmente intenso onde o Corpo de Cristo sofre hoje a Paixão. E Maria está lá, próxima a estas comunidades, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança.
Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos também nós, com todo o coração, a este cântico de paciência e de vitória, de luta e de alegria, que une a Igreja triunfante com a peregrinante, que une a terra com o Céu, a história com a eternidade.
Solenidade da Assunção da Virgem Maria
Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2013
Papa Francisco
SENHOR ENSINA-ME A
PERDOAR Mt 18,21-19,1
HOMILIA
No evangelho de ontem ouvimos as palavras de Jesus sobre a
correção fraterna (Mt 18,15-20). No evangelho de hoje o assunto central é o
perdão e a reconciliação. Diante das palavras de Jesus sobre a correção fraterna
e a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?”
Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete
é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer
possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta
vezes sete!” É como se dissesse: “Sempre, não! Pedro, mas setenta vezes
sempre!” Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor
para com o irmão. Aqui se evoca o episódio de Lamec do AT. “Lamec disse para as
suas mulheres: da e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha
palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um
jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete"
(Gn 4,23-24). A tarefa das comunidades é a de reverter o processo da espiral da
violência. Para esclarecer a sua resposta a Pedro Jesus conta a parábola do
perdão sem limite.
Esta parábola é uma alegoria, isto é, Jesus fala de um
patrão, mas pensa em Deus. Isto explica os contrastes enormes desta parábola.
Como veremos, apesar de se tratar de coisas normais diários, existe algo nesta
história que não acontece nunca na vida diária. Na história que Jesus conta, o
patrão segue as normas do direito da época. Era um direito dele de prender o
empregado com toda a sua família e mantê-lo na prisão até que tivesse pago pelo
trabalho escravo a sua dívida. Mas diante do pedido do empregado endividado, o
patrão perdoa a dívida. O que chama a atenção é o tamanho da dívida: dez mil
talentos. Um talento equivale a 35 kg. Segundo os cálculos feitos, dez mil
talentos equivalem a 350 toneladas de ouro. Mesmo que o devedor junto com
mulher e filhos fossem trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de
juntar 350 toneladas de ouro. O cálculo extremo é proposital. Nossa dívida
frente a Deus é incalculável e impagável.
Ao sair daí, esse empregado perdoado encontrou um de seus
companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a
sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. Dívida de cem denários é o
salário de cem dias de trabalho. Alguns calculam que era de 30 gramas de ouro.
Não existe meio de comparação entre os dois! Nem dá para entender a atitude do
empregado: Deus lhe perdoou 350 toneladas de outro e ele não quer perdoas 30
gramas de ouro. Em vez de perdoar, ele faz com o companheiro aquilo que o
patrão ia fazer, mas não fez. Mandou prender o companheiro de acordo com as
normas da lei, até que fosse paga a dívida. Atitude chocante para qualquer ser
humano. Chocou os outros companheiros. Vendo o que havia acontecido, os outros
empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo.
Qualquer um de nós teria tido a mesma atitude de desaprovação.
“O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado
miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você,
não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O
patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que
pagasse toda a sua dívida”. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente
nossa dívida de 350 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos
ao irmão a pequena dívida de 30 gramas de ouro. O perdão de Deus é sem limites.
O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus vem de nós mesmos, da
nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34). É o que dizemos e pedimos no
Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos
tem ofendido” (Mt 6,12-15).
A tua família é o espaço alternativo de solidariedade e
fraternidade. Ontem como hoje a sociedade era dura e sem coração, sem espaço
para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam.
As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas
comunidades cristãs, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro
da convivência os mesmos critérios da sociedade e da sinagoga. Assim, nas
comunidades começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e
na sinagoga entre rico e pobre, dominação e submissão, homem e mulher, raça e
religião. Em vez da comunidade ser um espaço de acolhimento, tornava-se um
lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus, Mateus quer iluminar a
caminhada dos seguidores e das seguidoras de Jesus, para que as comunidades
sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma
Boa Notícia para os pobres. Perdoar. Tem gente que diz: “Perdôo, mas não
esqueço!” E eu? Sou capaz de imitar a Deus? Jesus deu o exemplo. Na hora de ser
morto pediu perdão para os seus assassinos (Lc 23,34). Será que sou capaz de
imitar Jesus?
Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja
sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante.