terça-feira, 20 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 20,1-16ª - 21.08.2013 - Estás com inveja porque eu estou sendo bom?

Branco. 4ª-feira da 20ª Semana Tempo Comum
S. Pio X Pp, memória

Evangelho - Mt 20,1-16ª

Estás com inveja porque eu estou sendo bom?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 20,1-16ª

Naquele tempo:
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
1'O Reino dos Céus é como a história do patrão
que saiu de madrugada
para contratar trabalhadores para a sua vinha.
2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por
dia, e os mandou para a vinha.
3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
viu outros que estavam na praça, desocupados,
4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha!
E eu vos pagarei o que for justo'.
5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia
e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa.
6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
`Por que estais aí o dia inteiro desocupados?'
7Eles responderam:
`Porque ninguém nos contratou'.
O patrão lhes disse:
`Ide vós também para a minha vinha'.
8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador:
`Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!'
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde
e cada um recebeu uma moeda de prata.
10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.
11Ao receberem o pagamento,
começaram a resmungar contra o patrão:
12`Estes últimos trabalharam uma hora só,
e tu os igualaste a nós,
que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'.
13Então o patrão disse a um deles:
`Amigo, eu não fui injusto contigo.
Não combinamos uma moeda de prata?
14Toma o que é teu e volta para casa!
Eu quero dar a este que foi contratado por último
o mesmo que dei a ti.
15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
com aquilo que me pertence?
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?'
16aAssim, os últimos serão os primeiros,
e os primeiros serão os últimos.'
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 20, 1-16

Nós estamos acostumados com a forma de justiça que foi estabelecida pelos homens e, por causa disso, encontramos dificuldades para compreender a justiça divina, principalmente porque os principais critérios da justiça dos homens são a diferença entre as pessoas e a troca entre os valores enquanto que os principais critérios da justiça divina são a igualdade entre as pessoas e a gratuidade dos valores. Isso nos mostra que a lógica divina é totalmente diferente da lógica dos homens e que nós vivemos reivindicado valores que, na verdade, são valores humanos e que não nos conduzem a Deus. Também nos mostra o quanto todos nós somos comprometidos com os valores humanos e deixamos de lado os valores do Reino.



“Os últimos serão os primeiros”
HOMILIA

Há um consenso entre os estudiosos da Bíblia de que o centro da pregação de Jesus era “O Reino de Deus” (ou dos Céus, que em Mateus, significa a mesma coisa). Mas, Jesus nunca define o Reino; pelo contrário, sempre o descreve por meio de parábolas, para que o ouvinte se esforce para descobrir quais são os valores que tornam o Reino de Deus presente no meio de nós.
A parábola de hoje nasce no contexto da realidade agrícola do povo da Galileia. Era uma região rica, de terra boa, mas com o seu povo empobrecido, pois as terras estavam nas mãos de poucos, e a maioria trabalhava ou como arrendatários ou como “bóias-frias” como diríamos hoje. Embora a cena situe-se na Galileia de dois mil anos atrás, bem poderia ser o Brasil da atualidade! Apresenta uma situação de trabalhadores braçais desempregados, não por querer, mas “porque ninguém os contratou” (v 7). Talvez haja uma diferença, comparando com a situação de hoje - na parábola, o salário combinado era uma moeda de prata, um denário, que na época era o suficiente para o sustento de uma família por um dia - o que nem sempre se verifica hoje.
O texto nos ensina que a lógica do Reino não é a lógica da sociedade vigente. Na nossa sociedade, uma pessoa vale pelo que produz - logo, quem não produz não tem valor. Assim se faz pouco caso do idoso, aposentado, doente, excepcional. Na parábola, o patrão (símbolo do Pai) usa como critério de pagamento, não a produção, mas o sustento da vida - também o trabalhador da última hora precisa sustentar a família; e por isso, recebe o valor suficiente, um denário.
O Reino tem outros valores da sociedade neo-liberal do nosso tempo - a vida é o critério, não a produção. Por isso, quem procura vivenciar os valores do Reino estará na contramão da sociedade dominante. O texto nos convida a imitar o Pai do Céu, lutando por novas relações na sociedade e no trabalho, baseadas no valor da vida, não na produção e consumo.
Para a comunidade de Mateus, a parábola tinha mais um sentido. Começavam a entrar pagãos na comunidade, e muitos cristãos de origem judaica tinham dificuldade em aceitá-los em pé de igualdade - eram “da última hora”. Mateus conta a parábola para ensinar a eles que no Reino, experimentado através da comunidade, não pode haver discriminação entre cristãos de várias origens; por isso, “os últimos serão os primeiros”. O critério é a gratuidade de Deus Pai, pois tudo o que temos, recebemos d’Ele, e sendo todos filhos e filhas amados d’Ele, a comunidade cristã não pode discriminar pessoas, por qualquer motivo que seja.

Homilia: Pe. Tomaz Hughes, SVD

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 19,23-30 - 20.08.2013 - É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.

Verde. 3ª-feira da 20ª Semana Tempo Comum
São Bernardo AbDr, memória

Evangelho - Mt 19,23-30

É mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 19,23-30

Naquele tempo:
23Jesus disse aos discípulos:
'Em verdade vos digo,
dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus.
24E digo ainda:
é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha,
do que um rico entrar no Reino de Deus.'
25Ouvindo isso,
os discípulos ficaram muito espantados, e perguntaram:
'Então, quem pode ser salvo?'
26Jesus olhou para eles e disse:
'Para os homens isso é impossível,
mas para Deus tudo é possível.'
27Pedro tomou a palavra e disse a Jesus:
'Vê! Nós deixamos tudo e te seguimos.
O que haveremos de receber?'
28Jesus respondeu:
'Em verdade vos digo, quando o mundo for renovado
e o Filho do Homem se sentar no trono de sua glória,
também vós, que me seguistes,
havereis de sentar-vos em doze tronos,
para julgar as doze tribos de Israel.
29E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs,
pai, mãe, filhos, campos, por causa do meu nome,
receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.
30Muitos que agora são os primeiros, serão os últimos.
E muitos que agora são os últimos, serão os primeiros.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 19, 23-30

A nossa vida é condicionada por muitos fatores que marcam a natureza humana decaída por causa do pecado. Esses fatores, em geral, nos afastam de Deus e nos impedem de viver plenamente a proposta do Evangelho. A maior dificuldade para superarmos esses fatores se encontra no fato de que nós somos seres naturais, portanto submissos às leis da natureza decaída de modo que para nós isso é impossível. Mas Jesus nos diz no Evangelho de hoje: 'Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível'. Somente confiando plenamente na graça divina e procurando corresponder a ela é que poderemos viver o Evangelho apesar das nossas fraquezas e dos desafios que a vida nos impõe.



CONDIÇÕES PARA O REINO DO CÉU Mt 19,23-30
HOMILIA

Depois de Jesus nos ter falado sobre o jovem rico, um estudioso da Lei, cumpre todos os parágrafos, não é desonesto, nem mentiroso, nem violento, nem adúltero, nos propõe hoje o texto que fala do perigo das riquezas. Vendo o homem, Jesus acha-o não longe do Reino do Céu por isso faz-lhe um convite a vender tudo e distribuí-lo aos pobres: se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, e dê o dinheiro aos pobres, e assim você terá riquezas no céu. Depois venha e me siga. Porém, o conceito que ele tinha de riqueza diverge do conceito do Mestre.
Para Este a Lei é o varal da fraternidade, é resposta à Aliança gratuita e generosa oferecida por Deus. É partilha, é comunhão. Assim, se os bens não forem entendidos como dons que devem ser partilhados com os pobres não teremos direito a herdar o Reino do Céu. Veja que Jesus indica uma dificuldade real, uma necessidade de esforço penoso e não uma impossibilidade.
Ao jovem que já era fiel observante dos mandamentos, Jesus faz uma proposta radical: vender tudo, distribuir o dinheiro aos pobres e segui-lo. O jovem se retirou triste, porque era muito rico. Não teve coragem para desvencilhar-se de tudo, tornar-se discípulo e aderir ao compromisso de construir o Reino. E Jesus adverte sobre o perigo que a riqueza pode significar para a liberdade e o desenvolvimento pleno da pessoa. O Eclesiástico lembra que ela pode se tornar um forte obstáculo para a integridade (cf Eclo 32, 1-11). Certamente, a palavra de Jesus: Em verdade vos digo, dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus (Mt 19, 23-24), além de alertar para o risco que corre o rico em ordem à sua salvação, alude à dificuldade para um seu engajamento mais pleno na construção do Reino, que é vida para todos, no aqui e no agora de nossa existência.
Os Padres da Igreja, dos primeiros séculos pós-catacumba, explicam que a razão da dificuldade tem a ver com minha relação com Deus, comigo mesmo, com os outros. O que entendem por rico e riqueza, não é quantidade absoluta de bens, mas situação na sociedade. Quem tem 10% dos bodes da tribo de criadores primitivos, é rico; não importa se dispõe de menos bens do que hoje vemos.
Riqueza é condição material concreta adequada do poder. Mas como o poder em si mesmo, ela em si não é má. O Senhor não condena nem os ricos nem as riquezas; mas adverte os seus discípulos do perigo que correm, se lhes entregarem o coração. Em contrapartida, a atitude desprendida de Pedro e dos outros Apóstolos é caminho certo para entrar no reino de Deus. O mundo novo que o Filho de Deus nos revelou na sua morte e ressurreição inaugurou a regeneração do Universo, em que tudo é julgado por outros critérios.
            A graça de Deus pode fazer gente profundamente evangélica: Henrique II imperador da Alemanha, Luis IX rei de França, Isabel rainha de Portugal e a duquesa Edviges, cujo fundo rotativo de ajuda ao camponês encalacrado a fez padroeira de todos os endividados. Mas ser rico é risco. Risco em nossa relação com Deus, exposta a duas variantes da mesma tentação: o ateísmo prático e a idolatria.
A riqueza ameaça minha relação comigo. Os bens são nossos servos, para nossa vida e vida plena, nossa e de todos ao nosso redor, para nossa realização como pessoas, também diante de Deus. No momento em que eles não mais nos servem, mas nós servimos a eles, começa o desvio.           A riqueza me separa dos outros, afasta-me deles. Os bens deste mundo em si são bons, presentes carinhosos do Deus que quer que todos os seres humanos tenham vida e vida plena. Que a verdade proferida por Jesus me ensine a ter um coração mais desapegado dos bens terrenos e mais rico da presença de Deus. Pois, o desapego dos bens terrenos é um caminho de sincera humildade e confiança em Deus.
Pai, desapega meu coração das coisas deste mundo, livrando-me da ilusão de buscar segurança nos bens acumulados. E reforça minha fé na Providência!

Homilia: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

domingo, 18 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 19,16-22 - 19.08.2013 - Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e terás um tesouro no céu.

Verde. 2ª-feira da 20ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 19,16-22

Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, e terás um tesouro no céu.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 19,16-22

16Alguém aproximou-se de Jesus e disse:
'Mestre, o que devo fazer de bom para possuir a vida eterna?'
17Jesus respondeu:
'Por que tu me perguntas sobre o que é bom?
Um só é o Bom.
Se tu queres entrar na vida, observa os mandamentos.'
18O homem perguntou: 'Quais mandamentos?'
Jesus respondeu: 'Não matarás, não cometerás adultério,
não roubarás, não levantarás falso testemunho,
19honra teu pai e tua mãe,
e ama teu próximo como a ti mesmo.'
20O jovem disse a Jesus:
'Tenho observado todas essas coisas.
O que ainda me falta?'
21Jesus respondeu:
'Se tu queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens,
dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu.
Depois, vem e segue-me.'
22Quando ouviu isso, o jovem foi embora cheio de tristeza,
porque era muito rico.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 19, 16-22

Deus nos ama com amor eterno e, por isso, quer relacionar-se conosco. A partir disso, devemos perceber qual é o verdadeiro sentido da religião. O que caracteriza o verdadeiro cristão não é a mera observância dos mandamentos, mas a busca da perfeição que está no seguimento de Jesus, portanto no relacionamento com ele. Porém, existem valores deste mundo que se tornam obstáculo para este relacionamento, como é o caso dos bens materiais, que impediram o jovem de buscar livremente a vida eterna e a perfeição, através da caridade e do seguimento de Jesus, embora observasse todos os mandamentos.



O DESPRENDIMENTO Mt 19,16-22
HOMILIA

No Evangelho de hoje vemos Jesus na reta final do seu ministério terreno. Está decidido a caminhar para Jerusalém a fim de consumar o Mistério Pascal, ou seja, Paixão, Morte e Ressurreição. Entretanto, um jovem, corre atrás d’Ele e, ajoelhando-se diante do Mestre, soltou aquilo que estava entalado no coração: Que farei para herdar a vida eterna? Esta pergunta é minha e é tua também. Pois todos nós queremos ir para o céu. Aliás, o instinto natural do homem é a vida eterna! Portanto, nada absolutamente preenche este vazio da alma que nasce no coração do homem, logo a seguir a expressão de Adão e Eva no paraíso das delícias celestiais.  Mas afinal quem era este jovem?
            A Sagrada Escritura não diz quem era e nem como se chamava, tão pouco onde morava e quem eram os seus pais. Mateus 19,16 diz somente “alguém”. Marcos 10,17 - apenas um “homem”. Lucas 18,18  “Certo homem de posição”. Todavia, tudo indica que era alguém delicado e educado mui reverente (Mc 10,17) diz que “ajoelhou-se diante de Jesus”. Mateus 19,20 refere-se a esse homem como “jovem”.
            Não interessa saber quem era senão a preocupação dele pela vida eterna. O que vemos nos textos citados é que procurou Jesus. Procurar Jesus como fonte da salvação nossa deve ser a mola impulsionadora das nossas buscas de realizações. Visto que somente n’Ele e por Ele temos a vida em plenitude.
            Pelo que acabamos de ver no texto, este jovem tinha boas e excelentes qualidades. Só lhe faltava o essencial: “a vida eterna”. Ele sabia muito bem que essa vida estava com Jesus, o Filho de Deus. (Jo 10,10). Como vimos não adianta almejar a “vida eterna”, ansiar por ela. É necessário que a possuamos. É preciso que procuremos esta vida em Jesus Cristo.
            O moço rico era um zeloso guardador da lei. Disse Jesus que era fiel guardador da lei. Respeitava os mandamentos e estatutos ordenados pelo Senhor Todo-poderoso. Por exemplo, respondendo a Jesus que lhe pediu “guardar os mandamentos” disse: Não mato; Não adultero; Não furto; Não defraudo; Não dou falso testemunho; Honro pai e mãe.
            Diga-se de passagem. O jovem era mesmo rico. Veja como os evangelistas narram a sua situação: Mt 19,22 - “dono de muitas propriedades”. Mc 10,22 - “dono de muitas propriedades”. Lc 18,23 - “era riquíssimo”. Porém, como cristão ele tinha tudo e nada tinha. Os bens da terra evaporam. “que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma”. O que vou dizer pode te parecer contradição. Apesar das riquezas, ele era pobre, tinha nada. O jovem possuía tudo, menos a vida. E quem não tem vida não existe e se não existe não tem algo. Porque é pela vida que eu entro em contato com as coisas. Pela pergunta que fez a Jesus “que hei de fazer para herdar a vida eterna?”, infere-se que não a possuía. E nem sequer existia. E por causa da ausência da vida, o jovem que tinha tudo, desde a guarda dos mandamentos de Jesus até a fabulosa quantidade de dinheiro, corre atrás de Jesus a procura da vida para poder viver e conseqüentemente ter Vida eterna.
A partir da situação do jovem quero advertir-te meu irmão e minha irmã que a vida eterna não se alcança por dinheiro; nem zelo pelos estatutos de Deus; nem pela guarda de lei; nem praticar alguma coisa boa. Pois priorizando estas coisas podes estar perdido, perdida como este jovem. Aliás o próprio Jesus nos adverte que lhe adiantam os tesouros deste mundo, se não tivermos a vida eterna em Deus e com Ele?
No diálogo com o moço Jesus o levou a uma decisão. Jesus e o moço chegaram a dois caminhos diferentes. Quer Jesus ou as riquezas, Jesus ou a simples guarda dos mandamentos? Jesus ou as delícias deste mundo? Estas perguntas eu as faço para que tu reflitas a tua situação. Temos na Palavra de Deus, pessoas que firmam sua decisão. Cada um é livre em tomar o seu caminho. Aceitar a Jesus como fonte de vida eterna ou o diabo como caminho da perdição eterna. O que tu preferes? Jesus ou o cigarro? Jesus ou a cachaça? Jesus ou as falsas doutrinas? Jesus ou o dinheiro? Jesus ou os encontros deste mundo que se encontram no maligno?
Não te esqueças que o moço rico estava a um passo da vida eterna. Uma só coisa lhe faltava, remover o ídolo dinheiro do seu coração e seguir Jesus. Quando ouviu de Jesus, falta-te uma coisa - uma somente: Vende tudo, dá aos pobres, volta a seguir a Jesus, não quis e se foi embora triste. Como soam estas palavras em ti: Vende tudo o que tens, dê aos pobres o que tens e terás a vida eterna? Felizmente São Mateus nos faz gravada a figura e a atitude do coração deste jovem: ao ouvir as palavras de Jesus, retirou-se triste por ser dono de muitas propriedades. Retirou-se triste, não quis Jesus, ficou com o dinheiro e perdeu a vida eterna que tanto almejava. E tu, queres fazer o mesmo? Vás preferir ficar com os bens terrenos a ganhar a vida eterna? Meu irmão, minha irmã, não te atrapalhes com este mundo passageiro. Com este dinheiro passageiro compre amigos e amigas que te acolherão no Reino dos Céus!
Pai, quero estar sempre em comunhão contigo, pois só tu és Bom. Que eu possa, assim, conhecer a tua vontade e colocá-la em prática, pois é desprendendo-me dos prazeres terrenos e apegando-me a ti que és o caminho da salvação que terei a vida eterna.


Fonte: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sábado, 17 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Lc 1,39-56 - 18.08.2013 - Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?

Branco. Assunção de Nossa Senhora, Solenidade

Evangelho - Lc 1,39-56

Como posso merecer que a mãe do meu Senhor venha visitar-me?

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,39-56

39Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa,
dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia.
40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre
e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42Com um grande grito, exclamou:
"Bendita és tu entre as mulheres
e bendito é o fruto do teu ventre!"
43Como posso merecer
que a mãe do meu Senhor me venha visitar?
44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos,
a criança pulou de alegria no meu ventre.
45Bem-aventurada aquela que acreditou,
porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu".
46Maria disse:
"A minha alma engrandece o Senhor,
47e se alegrou o meu espírito em Deus, meu Salvador,
48pois, ele viu a pequenez de sua serva,
eis que agora as gerações hão de chamar-me de bendita.
49O Poderoso fez por mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
50Seu amor, de geração em geração,
chega a todos que o respeitam.
51Demonstrou o poder de seu braço,
dispersou os orgulhosos.
52Derrubou os poderosos de seus tronos
e os humildes exaltou.
53De bens saciou os famintos
despediu, sem nada, os ricos.
54Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
55como havia prometido aos nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre".
56Maria ficou três meses com Isabel;
depois voltou para casa.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Lc 1, 39-56

O encontro de Maria com Isabel nos mostra um pouco do que deve ser um encontro de verdadeiro amor entre duas pessoas. Por um lado, vemos Maria, que vai ao encontro de Isabel assim que sabe da sua situação, vai para servir, fazer com que seu amor se transforme em gesto concreto. Quando encontra Isabel, a saúda, pois valoriza aquele momento de encontro e também a pessoa com quem se encontra. Por outro lado, vemos Isabel que, ao ver sua prima, exalta imediatamente todos os seus valores como mãe do seu Senhor, assim como as suas virtudes. E este encontro termina com um cântico de exaltação ao amor de Deus.



A SEMPRE BEM-AVENTURADA Lc 1,39-56
HOMILIA

O encontro das duas parentes em sua primeira gravidez se direciona para o encontro misterioso de Jesus e João e para o hino de Maria. Estabelece-se a ligação entre as duas anunciações e os respectivos filhos. Através de sua mãe, o profeta precursor saúda e dá testemunho do Senhor presente em Maria de Nazaré. Isabel acolhe Maria "em alta voz", como o povo acolheu a arca da presença de Deus com fortes aclamações (cf. 1Cr 15,28;2Cr 5,13-14). Davi exclama: "Como poderá vir a mim a arca do Senhor"? (2 Sm 6,9); mas depois acolherá a arca com alegria e danças. Isabel interpreta o agitar-se da nova vida que leva no seio como um anúncio profético da alegria por aquele que devia ser consagrado pelo Espírito desde o seio materno (cf. Jr 1,5;Is 49,1;Lc 1,15). Maria é agora a arca que traz a presença salvífica do Senhor ao meio de seu povo.  Porque ao saudar a sua prima, Isabel ficou cheia do Espírito Santo quando Maria a visitou! Assim sendo, a Mãe de Jesus nos ensina que quando levamos Jesus para as pessoas, elas também ficam cheias do Espírito, por isso, se alegram com a nossa chegada. Às vezes até podemos achar que somos imprescindíveis e muito importantes para o irmão, todavia, devemos ter consciência de que somos meros canais da graça do Senhor. O Espírito Santo é quem realiza a obra do Senhor no nosso coração e é quem nos faz sair de nós mesmos e ir à busca dos que estão necessitados. Sem mesmo percebermos nós somos instrumentos de Deus na vida dos nossos irmãos para que se cumpram os Seus desígnios e os Seus planos se realizem. Basta que nos ponhamos atentos e disponíveis, o Senhor nos usa para levarmos consolo, abrigo, alegria e solidariedade.
De fato, Ela é saudada por Isabel como a mais bendita entre as mulheres  porque o menino que nela está é o Senhor (cf Jt 13,18). Enfim Isabel proclama a bem-aventurança de Maria, que dá um significado profundo à sua maternidade: Maria é aquela que acreditou na eficácia da Palavra de Deus. Nenhuma maternidade da história pode ser comparada com a de Maria.
Ela soube distinguir isto e não perdeu tempo, pôs-se a caminho das montanhas esquecendo a glória de ser mãe de Deus se fez serva, auxiliadora, anunciadora e canal da graça do Espírito Santo. Assim, ela foi a primeira a levar a alegria de Jesus ao mundo! Maria mesma se auto afirmou ser bem-aventurada, feliz, cheia de graças! Somos também bem aventurados se acreditamos nas promessas do Senhor. O Espírito Santo é quem nos ensina a louvar a Deus e a manifestar gratidão pelos Seus grandes feitos na nossa vida, por isso, também somos felizes. Assim como visitou Isabel, transmitindo a ela e a João Batista, o poder do Espírito, Maria hoje, também nos visita e traz para nós o Seu Menino Jesus, cheio do Espírito Santo que nos ensina a cantar, a louvar, a bendizer a Deus com os nossos lábios.
O Magnificat é o seu cântico de agradecimento, o louvor que Ela dirige para Deus, que fez tudo, ao passo que Ela deixou fazer. E Ela profetiza: "Doravante todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada". Profecia que vem se cumprindo na Igreja de Cristo Jesus, o Senhor.
Você também se considera bem aventurado (a)? Você se sente comprometido (a) com Deus? – Você tem usado o Espírito Santo que mora em você para ir à busca daqueles que precisam ser amados e ajudados?- Imagine-se como Maria visitando hoje alguém que você sabe que está precisando de amor!  Reze com Maria, hoje: “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para a sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo!”
Pai, conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

Fonte: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 19,13-15 - 17.08.2013 - Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus.

Verde. Sábado da 19ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 19,13-15

Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim, porque delas é o Reino dos Céus.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 19,13-15

Naquele tempo:
13Levaram crianças a Jesus,
para que impusesse as mãos sobre elas e fizesse uma oração.
Os discípulos, porém, as repreendiam.
14Então Jesus disse:
'Deixai as crianças, e não as proibais de virem a mim,
porque delas é o Reino dos Céus.'
15E depois de impôr as mãos sobre elas, Jesus partiu dali.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 19, 13-15

Muitas vezes, pelo fato de procurarmos viver de forma coerente os valores do Evangelho e percebermos os erros e os problemas que existem no mundo de hoje por parte de muitas outras pessoas que não tiveram a oportunidade de conhecer Jesus como nós o conhecemos, corremos o risco de fazer exatamente o contrário daquilo que Jesus exige de nós. Pode acontecer que nos coloquemos como intermediários entre Jesus e as pessoas não para aproximá-las dele, como é a sua vontade, mas para impedir que se aproximem dele por não serem dignas, negando a elas a oportunidade da graça da conversão e da vida nova em Cristo.




O AMOR DE JESUS PELAS CRIANÇAS Mt 19,13-15
HOMILIA

Para Jesus a criança era importante por sua personalidade ainda intacta, mesmo que embrionária. Era importante por ser a imagem do Deus criador e senhor de tudo e de todos. Era importante por ser uma criatura dependente do criador, enquanto indefesa e carente. E assim Jesus escolhe as crianças para habitarem seu reino. Não que o reino de Jesus seja infantil, seja uma creche ou casa de criança. Mas é um reino de espontaneidade e de amor, onde Deus continua sempre criando suas criaturas, continua amando o que ele criou por amor.
Os apóstolos queriam impedir que os pais trouxessem seus filhos a Jesus, pensando que as crianças eram um desgosto para ele. E Jesus dá uma lição não de condescendência, como fazemos nós com frequência para agradar os pais; mas uma lição de precedência, isto é, se existia alguém com direito de estar perto dele, seriam elas, as crianças. É bom ouvir isso! Além de valorizar as crianças, passo a valorizar o sentimento divino de Jesus.
No Evangelho de hoje dois pontos me chamam atenção. O primeiro é o fato das crianças se sentirem atraídas por Jesus a ponto de provocar um tumulto que os próprios discípulos acharam necessário intervir, para depois serem repreendidos pelo Mestre. Este é um ponto que eu considero interessante porque se prestarmos atenção, veremos que são pouquíssimas as pessoas que têm esse “magnetismo” com as crianças.
E as características em comum nessas pessoas são: a doçura, a simplicidade, o sorriso constante, a paciência, a alegria, a jovialidade, a espontaneidade… Em todos os lugares por onde Jesus passava, multidões vinham ouvi-lo, e as crianças vinham espontaneamente para que Ele impusesse suas mãos e orasse por elas. E Jesus se deleitava com isso. Nos quadros que tentam retratar essa cena, Jesus sempre está sentado, com um olhar sereno, com cada mão sobre a cabeça de uma criança super-comportada, e mais umas 3 crianças esperando pacientemente a sua vez. Se eu fosse pintar um quadro da forma como imagino que aconteceu, seria com dezenas de crianças correndo, pulando, gritando, brincando e fazendo a maior festa em torno de Jesus, que se divertia com elas, enquanto alguns discípulos tentavam, em vão, controlar a bagunça… Jesus sempre ensinou pelo exemplo e pelas palavras. Se Ele dizia que para entrar no Reino dos Céus, deveríamos ser como crianças, então Ele próprio se fazia criança, principalmente quando estava entre crianças.
O segundo aspecto que me fez refletir foi um questionamento para tentar entender melhor a psicologia de Jesus: Por que Ele deu tanta importância às crianças, a ponto de dizer que o Reino de Deus é delas, e para quem se faz como elas? O que Jesus via nas crianças, para chegar a dizer isso? Já ouvimos muitos dizerem que a criança é espontânea; que pode ficar com raiva, mas no minuto seguinte já faz as pazes e esquece; que não vê malícia em nada; dentre tantas outras características. Qual a experiência de Jesus com as crianças? O que Jesus realmente queria transmitir aos discípulos?
Quando será que nós adultos, pais, irmãos, professores, impedimos as crianças de irem até Jesus? Isso acontece de várias maneiras. Começando da nossa casa, nós, os pais, irmãos e padrinhos das crianças, as impedimos de irem até Jesus, quando não as levamos à missa, quando não as matriculamos na catequese, quando não lhes damos bons exemplos de cristãos etc. Ah! Já sei o que você está querendo dizer. Eu mandei meu filho para a missa, sim. Matriculei minha filha na catequese, e até ensinei os dois a rezar antes de dormir. Ótimo! Mas você deu o exemplo indo à missa também, rezando na presença deles, os levou para o catecismo?
É como diz o velho ditado. Palavras sem exemplos são tiros sem balas. Para a criança, um bom exemplo dos pais vale por mil palavras. Se seu filho nunca viu você rezando, a fé dele está condenada. Seu filho, sua filha, são seus imitadores. Eles querem, exigem que as vossas palavras sejam seguidas de exemplos. Se você diz para seu filho que ele tem de ser honesto e logo em seguida pega o telefone e fica combinando com o seu amigo como dar um desfalque na empresa, ou como fazer uma pirataria, você acha que o seu filho vai escolher ser honesto? E o professor? Quando ele impede as crianças, seus alunos, de irem até Jesus? Quando na sua indiferença a qualquer religião, ele afirma para a classe. Deus? Ah! Deus está na mente das pessoas! Ou por outro lado, quando o mestre nunca semeia uma palavra de fé para seus alunos, ou mesmo quando fala mal da Igreja ou dos padres.
No Evangelho de hoje, a criança serve de exemplo não pela inocência ou pela perfeição moral. Ela é o símbolo do ser fraco, sem pretensões sociais: é simples, não tem poder nem ambições. Principalmente na sociedade do tempo de Jesus, a criança não era valorizada, não tinha nenhuma significação social. A criança é, portanto, o símbolo do pobre marginalizado, que está vazio de si mesmo, pronto para receber o Reino de Jesus.
Pai, seja a simplicidade e a pureza de coração das crianças um exemplo no qual devo inspirar-me para ser fiel a ti.

Fonte: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 19,3-12 - 16.08.2013 - Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o início.

Verde. 6ª-feira da 19ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 19,3-12

Moisés permitiu despedir a mulher,
por causa da dureza do vosso coração.
Mas não foi assim desde o início.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 19,3-12

Naquele tempo:
3Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus,
e perguntaram, para o tentar:
'É permitido ao homem despedir sua esposa
por qualquer motivo?'
4Jesus respondeu:
'Nunca lestes que o Criador,
desde o início os fez homem e mulher?
5E disse: 'Por isso, o homem deixará pai e mãe,
e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne'?
6De modo que eles já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe.'
7Os fariseus perguntaram:
'Então, como é que Moisés mandou dar certidão de divórcio
e despedir a mulher?'
8Jesus respondeu:
'Moisés permitiu despedir a mulher,
por causa da dureza do vosso coração.
Mas não foi assim desde o início.
9Por isso, eu vos digo:
quem despedir a sua mulher
- a não ser em caso de união ilegítima -
e se casar com outra, comete adultério.'
10Os discípulos disseram a Jesus:
'Se a situação do homem com a mulher é assim,
não vale a pena casar-se.'
11Jesus respondeu:
'Nem todos são capazes de entender isso,
a não ser aqueles a quem é concedido.
12Com efeito, existem homens incapazes para o casamento,
porque nasceram assim;
outros, porque os homens assim os fizeram;
outros, ainda, se fizeram incapazes disso
por causa do Reino dos Céus.
Quem puder entender, entenda.'
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 19, 3-12

Quem comete adultério, peca duas vezes. O primeiro pecado é o da fornicação, do desrespeito da pessoa do outro ou da outra como templo do Espírito Santo, o que se constitui em profanação do sagrado, da propriedade divina pela consagração batismal. O segundo pecado é contra o vínculo matrimonial, é o rompimento de uma promessa que foi feita diante de Deus e da Igreja. E a causa de tão grave pecado encontra-se na dureza do próprio coração, que não é capaz de abrir-se à graça divina e aos verdadeiros valores e se torna escravo da luxúria, fazendo dela o verdadeiro deus da própria vida.



COMPREENSÃO DO DIVÓRCIO NA BÍBLIA Mt 19,3-12
HOMILIA

Para melhor compreender esta passagem, em que os fariseus interrogam Jesus sobre casamento e divórcio, utilizando a expressão "por qualquer motivo", e preciso conhecer um pouco do Antigo Testamento. O código do Deuteronômio estabelece que ao divorciar-se de sua mulher, o homem deve declará-lo por escrito (24,1), com a seguinte fórmula: "ela não é a minha esposa e eu não sou seu marido" (Os 2,4). No período pós exílio, Malaquias censura os que abandonam sua mulher na juventude (2,14-15) e o Eclesiástico aconselha o divórcio apenas no caso de mulher má (25,26). Isto fica muito vago e o Deuteronômio não esclarece, pois fala apenas de um comportamento inconveniente da mulher (24,1), para justificar o divórcio. Mas nada deve ser interpretado como adultério, que era considerado na época, como ofensa capital. Provavelmente referem-se a causas legais de uso corrente ou até mesmo prescrições jurídicas que não chegaram até nós.

Jesus sempre se posiciona contra o divórcio. Mas nessa época, duas escolas rabínicas disputavam a questão não resolvida no Antigo Testamento. Uma escola permitia o divorcio, por qualquer razão que o marido encontrasse na mulher e a outra só permitia o divórcio em caso de adultério. E neste contexto que surge a pergunta dos fariseus, que põe Jesus a prova: "É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?" Tentam fazer com que Jesus se posicione por uma das escolas, mas Ele recorre ao Gênesis 1,27; 2,24 como base bíblica para sua resposta e afirma que no plano da criação original de Deus, o casamento e indissolúvel e nada pode terminar essa união. Quanto a pergunta sobre a lei de Moisés, Jesus diz que no Antigo Testamento o repúdio era permitido apenas como concessão a fraqueza humana, e reafirma que não é a intenção original de Deus.

A seguir, Jesus interpreta a lei, proibindo, de forma absoluta, o repúdio e o novo casamento, exceto no caso de união ilegal, que provavelmente seria um casamento entre pessoas dentro dos graus de parentesco proibidos no Levítico 18,6-18. A natureza radical do ensinamento de Jesus leva os discípulos a questionar, se convém ou não se casar. Jesus afirma que celibato é dom de Deus e não é para todos. O celibato cristão é a resposta à experiência do Reino dos Céus ensinada e vivida por Jesus. Esse celibato não se baseia num conceito marxista contra as mulheres, nem na pureza cultual, nem nas exigências da vida comunitária. É resposta a Deus! "Quem puder compreender, compreenda".

Pai, infunde nos casais cristãos o desejo de experimentarem a santidade do matrimônio, porque tu és a causa e a razão da comunhão que existe entre eles.

Fonte: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Mt 18,21-19,1 - 15.08.2013 - Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

Verde. 5ª-feira da 19ª Semana Tempo Comum

Evangelho - Mt 18,21-19,1

Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 18,21-19,1

Naquele tempo:
21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
'Senhor, quantas vezes devo perdoar,
se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?'
22Jesus respondeu:
'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
23Porque o Reino dos Céus é como um rei
que resolveu acertar as contas com seus empregados.
24Quando começou o acerto,
trouxeram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna.
25Como o empregado não tivesse com que pagar,
o patrão mandou que fosse vendido como escravo,
junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía,
para que pagasse a dívida.
26O empregado, porém, caíu aos pés do patrão,
e, prostrado, suplicava:
'Dá-me um prazo! e eu te pagarei tudo'.
27Diante disso, o patrão teve compaixão,
soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida.
28Ao sair dali,
aquele empregado encontrou um dos seus companheiros
que lhe devia apenas cem moedas.
Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo:
'Paga o que me deves'.
29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava:
'Dá-me um prazo! e eu te pagarei'.
30Mas o empregado não quis saber disso.
Saiu e mandou jogá-lo na prisão,
até que pagasse o que devia.
31Vendo o que havia acontecido,
os outros empregados ficaram muito tristes,
procuraram o patrão e lhe contaram tudo.
32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse:
'Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida,
porque tu me suplicaste.
33Não devias tu também, ter compaixão do teu companheiro,
como eu tive compaixão de ti?'
34O patrão indignou-se
e mandou entregar aquele empregado aos torturadores,
até que pagasse toda a sua dívida.
35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco,
se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.'
19,1Ao terminar estes discursos,
Jesus deixou a Galiléia
e veio para o território da Judéia além do Jordão.
Palavra da Salvação.



Reflexão - Mt 18, 21 - 19, 1

Nós não temos como pagar a Deus para obtermos o perdão dos nossos pecados, de modo que merecemos a paga pelos mesmos que é a morte. Mas o amor misericordioso de Deus não permite que nenhum dos seus filhos e filhas seja entregue à morte, de modo que a verdadeira paga pelos nossos pecados foi a obediência de Jesus, amando-nos até o fim e, assim, apesar dos nossos pecados, temos a eterna aliança com ele. Desse modo, Deus nos dá o exemplo do verdadeiro perdão, nos ensinando que tudo devemos fazer para restaurar a unidade perdida por causa dos males que as pessoas comentem contra nós.


Homilia do Papa Francisco na Solenidade da Assunção da Virgem Maria

Queridos irmãos e irmãs!

Ao fim da Constituição sobre a Igreja, o Concílio Vaticano II deixou-nos uma belíssima meditação sobre a Bem-Aventurada Virgem Maria. Quero apenas lembrar as expressões que se referem ao mistério que hoje celebramos: a primeira é esta: "A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e exaltada por Deus como Rainha do universo" (n. 59). E depois, perto do fim, ainda tem esta: "A Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também, na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor" (n. 68). À luz deste belíssimo ícone da nossa Mãe, podemos considerar a mensagem contida nas leituras bíblicas que acabámos de escutar. Podemos concentrar-nos em três palavras-chave: luta, ressurreição e esperança.
A passagem do Apocalipse apresenta a visão da luta entre a mulher e o dragão. A figura da mulher, que representa a Igreja, é por um lado gloriosa, triunfante, e por outro ainda com dores de parto. Assim, na verdade é a Igreja: se no Céu ela já está associada à glória do seu Senhor, na história vive continuamente as provas e os desafios que comporta o conflito entre Deus e o maligno, o inimigo de sempre. E nesta luta que os discípulos de Jesus devem enfrentar, Maria não os deixa sozinhos; a Mãe de Cristo e da Igreja está sempre connosco. Também Maria, em certo sentido, partilha esta dupla condição. Ela, naturalmente, já entrou definitivamente na glória do Céu. Mas isto não significa que ela esteja longe, que esteja separada de nós; muito pelo contrário, Maria nos acompanha, luta connosco, sustenta os cristãos no combate contra as forças do mal. A oração com Maria, especialmente o Rosário, tem também esta dimensão "agonística", ou seja, de luta, uma oração que sustenta na luta contra o maligno e os seus cúmplices.
A segunda leitura fala-nos da ressurreição. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, insiste no facto que ser cristão significa acreditar que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Toda a nossa fé baseia-se nesta verdade fundamental, que não é uma ideia, mas um evento. E também o mistério da Assunção de Maria em corpo e alma está todo ele inscrito na Ressurreição de Cristo. A humanidade da Mãe foi "atraída" pelo Filho na sua passagem através da morte. Jesus entrou de uma vez para sempre na vida eterna com toda a sua humanidade, aquela que Ele havia tomado de Maria; assim ela, a Mãe, que O seguiu fielmente em toda a sua vida, O seguiu com o coração, entrou com Ele na vida eterna, que também chamamos Céu, Paraíso, Casa do Pai.
Também Maria conheceu o martírio da cruz: a Paixão do Filho viveu-a plenamente na alma. Esteve plenamente unida a Ele na morte, e por isso foi-lhe dado o dom da ressurreição. Cristo é a primícia dos ressuscitados, e Maria é a primícia dos redimidos, a primeira "daqueles que são de Cristo".
O Evangelho sugere-nos a terceira palavra: esperança. Esperança é a virtude de quem, experimentando o conflito, a luta quotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, acredita na ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. O Magnificat é o cântico da esperança, é o cântico do Povo de Deus em caminho na história. É o cântico de tantos santos e santas, alguns bem conhecidos, outros, muitíssimos, desconhecidos, mas bem conhecidos por Deus: mães, pais, catequistas, missionários, padres, irmãs, jovens, também crianças, que enfrentaram a luta da vida, trazendo no coração a esperança dos pequenos e dos humildes. "A minha alma engrandece ao Senhor" - canta também hoje a Igreja em todas as partes do mundo. Este cântico é particularmente intenso onde o Corpo de Cristo sofre hoje a Paixão. E Maria está lá, próxima a estas comunidades, a estes nossos irmãos, caminha com eles, sofre com eles, e canta com eles o Magnificat da esperança.
Queridos irmãos e irmãs, unamo-nos também nós, com todo o coração, a este cântico de paciência e de vitória, de luta e de alegria, que une a Igreja triunfante com a peregrinante, que une a terra com o Céu, a história com a eternidade.
Solenidade da Assunção da Virgem Maria
Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2013

Papa Francisco


SENHOR ENSINA-ME A PERDOAR Mt 18,21-19,1
HOMILIA

No evangelho de ontem ouvimos as palavras de Jesus sobre a correção fraterna (Mt 18,15-20). No evangelho de hoje o assunto central é o perdão e a reconciliação. Diante das palavras de Jesus sobre a correção fraterna e a reconciliação, Pedro pergunta: “Quantas vezes devo perdoar? Sete vezes?” Sete é um número que indica uma perfeição e, no caso da proposta de Pedro, sete é sinônimo de sempre. Mas Jesus vai mais longe. Ele elimina todo e qualquer possível limite para o perdão: "Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete!” É como se dissesse: “Sempre, não! Pedro, mas setenta vezes sempre!” Pois não há proporção entre o amor de Deus para conosco e o nosso amor para com o irmão. Aqui se evoca o episódio de Lamec do AT. “Lamec disse para as suas mulheres: da e Sela, ouçam minha voz; mulheres de Lamec, escutem minha palavra: Por uma ferida, eu matarei um homem, e por uma cicatriz matarei um jovem. Se a vingança de Caim valia por sete, a de Lamec valerá por setenta e sete" (Gn 4,23-24). A tarefa das comunidades é a de reverter o processo da espiral da violência. Para esclarecer a sua resposta a Pedro Jesus conta a parábola do perdão sem limite.

Esta parábola é uma alegoria, isto é, Jesus fala de um patrão, mas pensa em Deus. Isto explica os contrastes enormes desta parábola. Como veremos, apesar de se tratar de coisas normais diários, existe algo nesta história que não acontece nunca na vida diária. Na história que Jesus conta, o patrão segue as normas do direito da época. Era um direito dele de prender o empregado com toda a sua família e mantê-lo na prisão até que tivesse pago pelo trabalho escravo a sua dívida. Mas diante do pedido do empregado endividado, o patrão perdoa a dívida. O que chama a atenção é o tamanho da dívida: dez mil talentos. Um talento equivale a 35 kg. Segundo os cálculos feitos, dez mil talentos equivalem a 350 toneladas de ouro. Mesmo que o devedor junto com mulher e filhos fossem trabalhar a vida inteira, jamais seriam capazes de juntar 350 toneladas de ouro. O cálculo extremo é proposital. Nossa dívida frente a Deus é incalculável e impagável.

Ao sair daí, esse empregado perdoado encontrou um de seus companheiros que lhe devia cem moedas de prata. Ele o agarrou, e começou a sufocá-lo, dizendo: 'Pague logo o que me deve'. Dívida de cem denários é o salário de cem dias de trabalho. Alguns calculam que era de 30 gramas de ouro. Não existe meio de comparação entre os dois! Nem dá para entender a atitude do empregado: Deus lhe perdoou 350 toneladas de outro e ele não quer perdoas 30 gramas de ouro. Em vez de perdoar, ele faz com o companheiro aquilo que o patrão ia fazer, mas não fez. Mandou prender o companheiro de acordo com as normas da lei, até que fosse paga a dívida. Atitude chocante para qualquer ser humano. Chocou os outros companheiros. Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão, e lhe contaram tudo. Qualquer um de nós teria tido a mesma atitude de desaprovação.

“O patrão mandou chamar o empregado, e lhe disse: 'Empregado miserável! Eu lhe perdoei toda a sua dívida, porque você me suplicou. E você, não devia também ter compaixão do seu companheiro, como eu tive de você?' O patrão indignou-se, e mandou entregar esse empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida”. Diante do amor de Deus que perdoa gratuitamente nossa dívida de 350 toneladas de ouro, é nada mais que justo que nós perdoemos ao irmão a pequena dívida de 30 gramas de ouro. O perdão de Deus é sem limites. O único limite para a gratuidade da misericórdia de Deus vem de nós mesmos, da nossa incapacidade de perdoar o irmão! (Mt 18,34). É o que dizemos e pedimos no Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6,12-15).

A tua família é o espaço alternativo de solidariedade e fraternidade. Ontem como hoje a sociedade era dura e sem coração, sem espaço para os pequenos. Estes buscavam um abrigo para o coração e não o encontravam. As sinagogas também eram exigentes e não ofereciam um lugar para eles. Nas comunidades cristãs, o rigor de alguns na observância da Lei levava para dentro da convivência os mesmos critérios da sociedade e da sinagoga. Assim, nas comunidades começavam a aparecer as mesmas divisões que existiam na sociedade e na sinagoga entre rico e pobre, dominação e submissão, homem e mulher, raça e religião. Em vez da comunidade ser um espaço de acolhimento, tornava-se um lugar de condenação. Juntando palavras de Jesus, Mateus quer iluminar a caminhada dos seguidores e das seguidoras de Jesus, para que as comunidades sejam um espaço alternativo de solidariedade e de fraternidade. Devem ser uma Boa Notícia para os pobres. Perdoar. Tem gente que diz: “Perdôo, mas não esqueço!” E eu? Sou capaz de imitar a Deus? Jesus deu o exemplo. Na hora de ser morto pediu perdão para os seus assassinos (Lc 23,34). Será que sou capaz de imitar Jesus?

Pai, predispõe meu coração para o perdão, e que eu esteja sempre disposto a perdoar e a querer viver reconciliado com meu semelhante.

Fonte: Padre Bantu Mendonça Katchipwi Sayla