quinta-feira, 15 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 16.11.2012 - A chegada do Reino


Evangelho (Lucas 17,26-37)
Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2012
32ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 26“Como aconteceu nos dias de Noé, assim também acontecerá nos dias do Filho do Homem. 27Eles comiam, bebiam, casavam-se e se davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca. Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. 28Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. 29Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos. 30O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. 31Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás. 32Lembrai-vos da mulher de Ló. 33Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la; e quem a perde vai conservá-la. 34Eu vos digo: nesta noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. 35Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. 36Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado”. 37Os discípulos perguntaram: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
A chegada do Reino

Está preparado o banquete da Eucaristia e o banquete eterno. Seria este o título da homilia de hoje. Jesus deixou aos discípulos o sinal do pão e do vinho na última Ceia e anunciou-lhes que havia de participar com eles do banquete no reino de seu Pai. Neste texto de hoje se fala do reino, do banquete e da preparação indispensável para não ser excluído.
Em cada Eucaristia nós dizemos. «Vem, Senhor Jesus». Pedimos a sua vinda, mas não nos podemos esquecer da preparação para essa chegada e perder o tempo de se preparar. Eis uma advertência de permanente atualidade. Neste tempo em que as preocupações do material fazem esquecer o essencial, o espiritual, a advertência do Evangelho tem permanente atualidade.
Deus nos chama a atenção. A Igreja dá-nos oportunidade e Jesus Cristo avisa-nos para não cair na tentação do desleixo. Para possuir a sabedoria e saber estar preparado. Cada Eucaristia antecipa sacramentalmente esta caminhada para a sala das núpcias. A Eucaristia é a grande preparação para o banquete do Reino. S. Paulo afirma a fé na ressurreição e anima todos os crentes na certeza de que na ressurreição «Deus levará com Jesus aqueles que tiverem morrido em união com Ele».
É a vitória da vida sobre a morte, é aquilo que todo o ser humano deseja que Paulo nos anuncia. E com toda a Igreja professamos: creio na vida do mundo que há-de vir, a vida em Deus só o Espírito Santo a pode dar. Mas tudo isso só será possível se nós estivermos sempre preparados. Aliás, diz o ditado: O futuro só a Deus pertence. É dever de todo o homem de fé esperá-lo e prepará-lo com prudência.
O presente é o momento ideal para adquirir tudo quanto desejaríamos possuir na hora da chegada do Esposo. Deus é o ponto de chegada da nossa existência valorizada aqui e agora pelos nossos propósitos e ações, atitudes e comportamentos.
Quando Jesus se apresentou a pregar o Reino, anunciou que ele está próximo. Hoje a pregação de Jesus é idêntica, os destinatários são os homens do nosso tempo, sou eu, é você, somos cada um de nós. Meditar e viver agora o que quereríamos ter feito amanhã, eis o projeto e o programa a executar. O futuro prometido por Deus deve ser preparado por cada um dos cristãos, homens e mulheres da Igreja que escutam e meditam a palavra divina, quer individualmente, quer inseridos nas pastorais.
É fundamental que sejamos já aqui e agora homens novos, virgens prudentes, de lâmpada acesa, de modo a evitar portas fechadas no momento da entrada para o banquete. Saiba que vivemos em um mundo que oferece sérios riscos e quedas, que se repetem ao lado da evolução tecnológica ou simplesmente da hipermodernidade.
Não se esqueça que você é o agente da história hoje. A advertência que nos faz o Evangelho é incentivo para todos, porque o Senhor é o «fim da história humana». Ele é a garantia de que nossa história pode ser construída de forma positiva com a sua ajuda. A presença de Cristo na história é constante, exigente e eficaz. É estímulo e motivo de esperança, única garantia da edificação do Reino, do homem novo e do mundo novo.
Pai, dá-me suficiente sensatez para não buscar segurança e salvação nos bens deste mundo, pois só as encontro junto de ti, na obediência fiel à tua vontade.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 15.11.2012 - A vinda do Reino


Evangelho (Lucas 17,20-25)
Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2012
32ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 20os fariseus perguntaram a Jesus sobre o momento em que chegaria o Reino de Deus. Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. 21Nem se poderá dizer: ‘Está aqui’ ou ‘Está ali’, porque o Reino de Deus está entre vós”.
22E Jesus disse aos discípulos: “Dias virão em que desejareis ver um só dia do Filho do Homem e não podereis ver. 23As pessoas vos dirão: ‘Ele está ali’ ou ‘Ele está aqui’. Não deveis ir, nem correr atrás. 24Pois, como o relâmpago brilha de um lado até o outro do céu, assim também será o Filho do Homem, no seu dia. 25Antes, porém, ele deverá sofrer muito e ser rejeitado por esta geração”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA 
A vinda do Reino

Jesus não apresenta o Reino de Deus como algo fantástico nem exuberante. Suas palavras são profundas e simples: o Reino de Deus está entre vós.
No Novo Testamento a palavra grega traduzida por reino é basileia, que não se refere a um lugar específico, mas ao domínio de um soberano. Nos Evangelhos, Jesus usou essa palavra mais de 100 vezes. Alguns requisitos fundamentais para fazermos parte deste reino é obediência total à vontade de Deus e a consciência da dependência que temos dEle. Nós não faremos parte deste reino apenas no fim dos tempos ou quando morrermos. O Reino dos Céus está disponível a qualquer pessoa nesse momento. Porque,  Deus, em seu imensurável amor, ofereceu seu próprio filho para sofrer em nosso lugar as conseqüências dos nossos pecados e assim restaurar todas as coisas. Em Jesus o céu e a Terra são novamente unidos, isto é, Seu Reino é estabelecido sobre toda a criação.
Fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, como bem no-lo descreveu Sâo Paulo aos efésios 1:9,10
Somente com a vinda de Jesus se tornou possível estabelecer o Reino de Deus na Terra. O Reino que Jesus veio inaugurar no mundo não pertence a esse gênero; ele cosistem em abater as barreiras do egoísmo do arrisvismo, da exploração, para fazer de todos os homens uma só família de filhos de Deus. E a Igreja desde a sua fundação não tem feito outra coisas senão cumprir este mandato: Que todos sejam um no Pai, no Filho e no Espírito Santo.
A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e é fundamental que todo homem se esfore por entrar nele. A partir de Jesus, a humanidade passou a ter acesso a uma dimensão espiritual tão diferente que Jesus afirmou: Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. Jesus, o primogênito de Deus, demonstrou a autoridade que um filho de Deus tem sobre a Terra.
Nós fomos feitos também filhos, por adoção, e podemos ter intimidade com nosso Papai. Em Jesus recebemos autoridade sobre todo o mal. Maior é aquele que está em nós do que o que esta no mundo. Nós fomos tirados do domínio das trevas e transportados para o seu Reino e agora estamos em luta contra as trevas. Ele afirmou que faríamos as mesmas obras que ele fez, e ainda maiores se permanecermos n’Ele e com Ele (Jo 14:12).
E na oração do Pai Nosso, ao dizer venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu,  Jesus deixou claro o seu desejo de expandir o Reino de Deus sobre a Terra. Portanto, esse deve ser o meu e o teu desejo, acima de tudo. Devemos buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas lhes serão acrescentadas. Pois que como o mundo está dominado pelo maligno, o avanço do Reino de Deus significa o retrocesso do Reino das Trevas. Nada que seja contrário ao plano de Deus pode permanecer. No Reino de Deus não há pecado, doenças e nem morte.
A oportunidade de desfrutar do Reino esta aberta para todas as pessoas, porém a porta de entrada é o arrependimento (Mt 4:17). Muitas vezes o orgulho e a falsa religiosidade nos impedem e nos distanciam dele. Mas Jesus continua dizendo: o Reino de Deus está entre vós. O Reino de Deus é expandido com a manifestação de Jesus pelo Espírito Santo através da Igreja.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

terça-feira, 13 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 14.11.2012 - Jesus cura dez leprosos


Evangelho (Lucas 17,11-19)
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2012
32ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram a seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”.
Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano.
17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
Jesus cura dez leprosos

A lepra, doença que no decorrer do tempo, deformava as pessoas que naquela época em que Jesus andava pela terra, causava a morte de muita gente. Doença silenciosa; ainda existe neste nosso mundo. Atinge as pessoas sem que estas percebam. Ela causa uma insensibilidade na pele no início e, por não sentir no contato, nem calor e nem frio, mesmo muito quente ou muito gelado. Devido a isso, quando a pessoa se machuca, não percebe e, começa aí, um processo infeccioso que vai apodrecendo o tecido, causando muitas deformações, deixando um mau aspecto para quem o observa. Por isso, naquele tempo, os leprosos (como os chamavam), eram terrivelmente discriminados e colocados à margem do meio em que viviam, existindo para tanto locais bem distantes, onde eles eram execrados, aguardando a morte e, lá mesmo, se consumindo. Quando tinham necessidade de ir à cidade, eram obrigados a passar por locais pré-determinados, a fim de não contaminarem as outras pessoas e, levando consigo um sino que iam tocando e gritando: – “está passando um leproso”.
Hoje esse mal, embora ainda exista, graças a Deus e a ciência está controlado e chama-se “hanseníase” ou mal de Hansen. Esperamos que Deus ilumine os nossos cientistas a fim de que consigam tratamentos capazes de erradicar, acabar de vez com esse mal na sociedade mundial. A passagem do Evangelho, nos fala que Jesus caminhava para Jerusalém e, dez leprosos que passavam à distância, começaram a gritar : “Senhor, Senhor, cura-nos da lepra que nos está consumindo.” (imaginemos o que eles deviam ter sofrido para chegarem até ali, se tudo lhes era proibido e negado até o direito de viver?) E, Jesus, volta-se para eles e diz: – “Ide apresentar-vos ao sacerdote”. E eis que ao crerem na palavra de Jesus, começaram a caminhar e ficaram totalmente curados, com a pele do corpo totalmente limpa da doença e a saúde perfeita. Quando Jesus lhes disse para irem ao sacerdote, é porque só ele poderia liberá-los para que fossem reintegrados à vida em sociedade, estando totalmente curados. Jesus ia continuar a caminhada, quando um daqueles que foram curados, justamente um samaritano (povo que não aceitava Jesus), volta correndo, gritando e glorificando o Senhor pelo milagre conseguido e  joga-se aos pés de Jesus, com o rosto em terra.  Jesus olha para ele e, voltando-se para os que o seguiam, diz: – “Não foram dez os curados? Onde estão os outros nove? Só este estrangeiro voltou para agradecer? Levanta-se, vai pelo teu caminho, a tua fé te salvou.”
Quantas vezes nós, cada um com as suas doenças e problemas, imitamos esses homens cheios de defeitos e erros; cheios de orgulho e vaidades; vivendo brigados dentro das nossas próprias famílias, com raiva e até ódio às vezes, criando na nossa vida “uma lepra” que destrói a alma e, quando nos encontramos com a Verdade e queremos retomar a vida normal, a vida que nos realiza como filhos e filhas do Criador; rogamos e imploramos que Ele nos salve e. . . Ele salva! Voltamos para agradecer como fez aquele leproso? Ou fazemos como os nove que foram embora sem agradecer? Acostumemo-nos a fazer, sempre que estivermos à beira de falarmos ou fazermos coisas que nos afastam dos caminhos do Senhor, uma revisão de vida e percebermos o quanto somos felizes, mesmo com as dificuldades que todos temos. É importante observarmos em cada reflexão, que não é Deus que nos dá as doenças, os problemas e tantas outras coisas que nos afligem durante a nossa caminhada na terra. Ele só quer o nosso bem; Ele nos criou para sermos infinitamente felizes. Nós é que criamos ou outros nos criam tudo aquilo que nos afligem.
Deus é Amor e o Amor é a essência do bem e, portanto, jamais comungará com a maldade, com o erro, com a desgraça, com o castigo ou qualquer ato que contradiga as suas qualidades.
Pai, que o meu coração, repleto de fé, reconheça Jesus como a mediação de todas as graças e favores que recebo de ti.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 13.11.2012 - O dever do empregado


Evangelho (Lucas 17,7-10)
Terça-Feira, 13 de Novembro de 2012
32ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus: 7“Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa?’ 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso poderás comer e beber?’ 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
O dever do empregado

Temos só um dever na terra: “cumprir bem nossa obrigação”. Apesar de ser uma simplificação muito fácil, esse modo de dizer ensina que temos de ser responsáveis por aquilo que somos e fazemos, assim como o empregado que sabe o que tem de fazer e faz. Faz porque tem de fazer e pronto. A cozinheira responsável faz bem a comida e não precisa ficar esperando elogios. Se os elogios vierem, graças a Deus! Mas se não vierem, ela já cumpriu sua obrigação.
Os elogios, quando sinceros, têm a vantagem de mostrar que acertamos. Podem ser elogios diretos ou indiretos. Elogio direto vem com palavras de aprovação; e os elogios indiretos podem vir com gestos de aprovação, como é o caso da comida da cozinheira; se todos comem e repetem, é um sinal de que a comida estava boa. Como nossa vida é bastante complexa, como somos seres superiores, temos também, por natureza, muitas obrigações; não apenas obrigações de trabalho.
Temos obrigações de religião; por isso, se somos cristãos , precisamos respeitar as exigências inerentes a nossa fé. Temos obrigações sociais; por isso, se queremos conviver bem com as pessoas, precisamos descobrir quais são nossas obrigações para com elas e tentar uma convivência responsável. Temos obrigações para conosco; por isso precisamos cuidar de nossa saúde, da saúde do corpo e da saúde da alma. E assim por diante.
Mesmo se estivéssemos sozinhos no mundo, ainda assim não estaríamos livres de obrigações. Mas quem entende a si mesmo e percebe suas relações com o mundo e com as pessoas, não encara as obrigações como um peso e sim como uma realidade da vida, que pode nos fazer felizes.
Deus, meu Pai, uma coisa que eu gostaria de ouvir de vós, quando chegar ao céu, é esse elogio: “Você cumpriu sua obrigação”. Mas para eu receber esse elogio preciso muito da vossa ajuda; preciso saber distinguir a vossa vontade, para não cair no engano de só fazer a minha. Jesus de Nazaré parece que tinha um único objetivo: fazer a vossa vontade. Assim Ele disse, e assim Ele cumpriu até o fim, quando, pregado na cruz e já sem forças reclamou de ter sido abandonado apesar de tudo. Depois, porém, num último esforço, entregou seu espírito em vossas mãos, num gesto de submissão total. Ele fez tudo bem feito. Ele cumpriu sua obrigação. E eu fico feliz.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

domingo, 11 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 12.11.2012 - A necessidade do perdão


Evangelho (Lucas 17,1-6)
Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2012
São Josafá

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! 2Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar, do que escandalizar um desses pequeninos.
3Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. 4Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia, e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”.
5Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
A necessidade do perdão

A frase chave do evangelho de hoje é:Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, reprende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.
Em termos práticos, perdão significa abrir mão do direito de mover uma ação contra o ofensor. É um ato da vontade, não das emoções. O plano de Deus para o perdão a um ofensor dá a ambas as partes um novo começo, rumo a uma vida melhor. O perdão de Deus é a remoção da culpa e da penalidade total de nossos pecados sem qualquer merecimento nosso.
O perdão é necessário porque as ofensas são muitas. Jesus disse, É inevitável que venham escândalos mas ai do homem pelo qual eles vêm (Lc 17:1)! Nós ofendemos e somos ofendidos. Este é um problema comum nas relações humanas. Ofendemos os outros por atos, atitudes ou por palavras (Tg 3:2). O crostão sincero deve ser cuidadoso para não ofender nem sentir as ofensas pelos atos dos outros. Isto requer uma vigilância constante: Vigião e orai para não cairdes em tentação, adivertiu-nos Jesus.
O perdão é necessário por causa do mandamento de Deus. E Deus é bastante enfático sobre isto. Temos de perdoar cada ofensa repetidas vezes (Lc 17:3,4). Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportando-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós (Cl 3:12,13). Quer dizer, tudo que for oposto ao espírito de perdão deve ser abandonado de uma vez por todas, e ser substituído por bondade, simpatia, e perdão. Neste capítulo não há meio termo. Ou perdoamos uns aos outros ou nos rebelamos contra Deus.
O perdão é necessário porque não perdoar é prejudicial. Jesus advertiu que tal espírito é tão grave que Deus não perdoará a pessoa que não quiser perdoar outra (Mt 6:12,14,15). Porque? Porque um espírito não perdoador é pecado. É tão grave que se uma pessoa persiste nele, deve ser excluída da comunhão da igreja (Mt 18:7-9). Um espírito amargo é algo muito sério diante de Deus, merecendo a mais severa disciplina.
Perdoe todas as ofensas. Se alguém te ofender, quer seja por palavras, obras, ou atitude, perdoe. Se o erro repetir mais vezes, ainda que seja no mesmo dia, perdoe (Lc 17:4). Perdoe verdadeiramente. Não deixe que as ofensas se acumulem de modo a resultar num grande fardo. Teu perdão deve remover a ofensa para longe assim como Deus nos tem perdoado.
Perdoe de uma vez para sempre. Tu podes dizer, eu posso perdoar, mas não posso esquecer. Deus não nos ordena a esquecer. Ele está preocupado que o nosso perdão seja tão completo que se nós lembrarmos da ofensa, será para louvar a Deus pelo perdão, não para sentir mais tarde, mágoa pela ofensa.
Confie plenamente no Senhor. Perdão é um exercício espiritual. Quando Jesus terminou seu ensino sobre o perdão, os discípulos responderam: “aumenta-nos a fé” (Lc 17:5). O perdão pode ser estendido as pessoas através da fé em Deus.
Submeta-te totalmente ao Espírito Santo. As virtudes mencionadas em Colossenses 3:12,13, relativas a como fazer para perdoar, estão intimamente ligadas aos frutos do Espírito enumerados em Gálatas 5:22,23. Isto indica que a capacidade para o verdadeiro perdão vem do ministério do Espírito Santo no crente. O cristão que é cheio do Espírito e anda no Espírito não entristecerá o Espírito com uma atitude amarga que recusa perdoar.
Siga explicitamente o exemplo de Cristo. Assim como Cristo vos perdoou, assim também fazei vós (Cl 3:13). Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo (Ef 4:32) Jesus mesmo deixou-nos o exemplo de perdão para seguirmos.
Ame abnegamente a pessoa que não merece. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor (Cl 3:14). Este espírito capacitará você a agir bondosa e pacientemente com o ofensor. O amor é sofredor, é benigno, não se irrita, não suspeita mal; …tudo sofre. O amor nunca falha (I Co 13:4-8). O amor de Deus é a resposta para toda nossa amargura e sentimentos irreconciliáveis.
Descanse completamente na paz de Deus. Se permitires que a paz de Deus domine em teu coração, tu terás pouco problema com a falta de perdão (Cl 3:15). Quando tu “guardas a unidade do Espírito pelo vinculo da paz”, tu não terás problema com o espírito de irreconciliação (Ef 4:3). A amargura e a mágoa que acompanham um espírito irreconciliável destruirão a paz do coração. A paz e o espírito que não poderão viver juntos. Se pensares: Não posso viver com a pessoa que agiu errado comigo, lembra-te de que é a paz de Deus que deve reinar no seu coração. Se não podes amar essa pessoa, peça a Deus para amar esta pessoa por ti e Ele o fará! Amando com o amor de Deus, tu serás cheio da paz de Deus (Ef 4:1-3). Perdão significa abrir mão, de uma vez para sempre, do direito de mover uma questão contra uma pessoa, ou seja, de vingar-se dela. É um ato da vontade, não das emoções. O plano de Deus é que tanto o ofensor como o ofendido tome um novo começo, rumo a uma vida melhor. Esteja  disposto a cultivar a graça do perdão e serás feliz por todo o sempre diante de Deus.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

sábado, 10 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 11.11.2012 - A oferta da viúva pobre


Evangelho (Marcos 12,38-44)
Domingo, 11 de Novembro de 2012
32º Domingo do Tempo Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da Lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”.
41Jesus estava sentado no Templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias.
42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada.
43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
A oferta da viúva pobre

Somente São Marcos e Lucas 20,45-21,1-4 descrevem a atitude de Jesus perante a pobre viúva que deitou a sua oferta no cofre do Templo de Jerusalém. A Igreja hoje nos faz saborear a riqueza de Marcos.
Lendo o comentário de Jesus poderíamos encontrar muitas dúvidas sem respostas como estas, por exemplo: Então, como é? Essa viúva entregou tudo para o Templo, que corresponde à igreja dos nossos dias, tudo que possuía para viver, e depois? Se ficou sem nada, depois disso foi pedir esmola? Ou terá morrido à fome? É essa a vontade do Mestre? Jesus quer que entreguemos tudo para a Igreja? Não estará esta explicação em contradição com muitas outras passagens em que Jesus mostra a sua preocupação para com os pobres e as viúvas?
Mas é preciso entender bem o que Jesus quis frisar. Primeiro está a situação da viúva. A mulher israelita do tempo de Jesus, era alvo de forte discriminação imposta pela Velha Lei. No Templo não podia ir além do Pátio das mulheres, e não estava de forma alguma preparada para sobreviver economicamente sem o seu marido. Não admira que, em caso de falecimento do dono da casa, se não houvesse filhos, as suas mulheres não estivessem minimamente preparadas para defender os seus direitos no “mundo dos homens” como os negócios, conselhos, tribunais etc. A viúva, se não tivesse pelo menos um filho, que pudesse herdar as terras de seu pai, continuava de certa maneira ligada ao seu falecido marido, e de acordo com Deuteronômio 25:5/10 deveria esperar que algum dos seus cunhados a tomasse como mais uma de suas mulheres em respeito pela memória de seu irmão. Só depois dos seus cunhados a rejeitarem e depois de cumpridos os rituais que constam do texto que mencionamos em Deuteronômio é que ela poderia tentar novo casamento. Assim, a expressão que aparece no texto de Marcos e de Lucas “viúva pobre”, nesse contexto cultural, leva-nos a imaginar uma viúva que não tivesse filhos, nem cunhados que a recebessem, nem quaisquer meios de subsistência.
Pode parecer-nos um tanto estranha a afirmação de Marcos de que muitos ricos lançavam muitas moedas. Na nossa cultura, é natural identificarmos as moedas com as pequenas importâncias, pois para importâncias elevadas, utilizamos as notas ou o cheque bancário. Mas nessa época ainda não havia dinheiro em notas. Só havia moedas que podiam ser em cobre, prata ou ouro, atingindo valores muito elevados.
Depois destes esclarecimentos, já estamos em melhores condições para compreender o pensamento do nosso Mestre. A pobre viúva deu mais do que todos. Não encontramos aqui qualquer palavra de aprovação nem de reprovação da atitude dessa pobre viúva. O pensamento principal, que está na base desta passagem, é a dura crítica de Jesus aos escribas, pela maneira como se apresentavam, acusando-os de “devorarem as casas da viúvas”. Logo em seguida, aparece esta pobre viúva, cuja função é certamente ilustrar a afirmação anterior. É com este “pensamento de fundo” que se deve interpretar a descrição do que se passou com esta viúva, simples exemplo do que certamente se terá passado com muitas outras viúvas. A afirmação de Jesus, de que a viúva deu mais do que todos os outros, vem arrasar toda a velha teologia. É um novo critério que avaliação que não se encontra em todo o Velho Testamento. Que dirá Jesus das nossas igrejas, na Sua segunda vinda? Não nos compete responder. Mas, será que iremos voltar a ouvir coisa semelhante à afirmação do Mestre: Guardai-vos dos escribas que gostam de circular de roupas longas, de ser saudados nas praças públicas, e de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes, mas devoram as casas das viúvas e simulam fazer longas preces. Esses receberão condenação mais severa. Só que, em vez de “escribas”, poderão estar os títulos de outros respeitáveis cargos religiosos dos nossos dias a começar por mim que sou sacerdote, por ti que não sei qual é a função que exerces na Igreja e que agora me segues nesta reflexão. Portanto, acautelemo-nos.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 10.11.2012 - Não podeis servir a Deus e ao dinheiro


Evangelho (Lucas 16,9-15)
Sábado, 10 de Novembro de 2012
São Leão Magno

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9“Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. 14Os fariseus, que eram amigos do dinheiro, ouviam tudo isso e riam de Jesus. 15Então Jesus lhes disse: “Vós gostais de parecer justos diante dos homens, mas Deus conhece vossos corações. Com efeito, o que é importante para os homens, é detestável para Deus”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.




HOMILIA
Não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Há uma riqueza que semeia a morte em toda a parte em que domina: libertai-vos dela e sereis salvos. Purificai a vossa alma; tornai-a pobre para poder ouvir o apelo do Salvador que vos repete: “Vem e segue-me” (Mc 10,21). Ele é o caminho em que avança aquele que tem o coração puro; a graça de Deus não penetra numa alma ocupada e dividida numa grande quantidade de pertences. Quem olha para a sua fortuna, para o seu ouro e para a sua prata, para as suas casas, como sendo dons de Deus, esse testemunha a Deus o seu reconhecimento vindo com os seus bens em auxílio dos pobres. Sabe que os possui mais para os seus irmãos do que para si próprio.
Continua dono das suas riquezas em vez de se tornar escravo delas; não as fecha na sua alma, tal como nelas não encerra a sua vida, mas continua, sem se cansar, uma obra que é divina. E se, um dia, a sua fortuna vier a desaparecer, aceita a sua ruína com um coração livre. Esse homem, Deus o declara “bem-aventurado”; chama-lhe “pobre em espírito”, herdeiro seguro do Reino dos Céus (Mt 5,3). Pelo contrário, há quem encerre a sua fortuna no coração, no lugar do Espírito Santo. Esse guarda em si as suas terras, acumula sem fim a fortuna, só se preocupa em acrescentar sempre mais. Não levanta nunca os olhos ao céu; atola-se no material. De fato, ele não é mais do que pó e voltará ao pó (Gn 3,19). Como pode então experimentar o desejo do Reino aquele que, em vez de coração, tem dentro de si um campo ou uma mina, aquele a quem a morte surpreenderá sempre no meio das suas paixões? “Porque onde estiver o teu tesouro, estará também o teu coração” (Mt 6,21).
Querer pôr a esperança e a confiança em bens passageiros é querer fazer fundações em água corrente. Tudo passa; Deus permanece. Agarrarmo-nos ao que é transitório é desligarmo-nos do que é permanente. Quem, portanto, levado no turbilhão agitado, consegue manter-se firme em seu lugar, nessa torrente fragorosa? Se quisermos recusar-nos a ser levados pela corrente, temos de nos afastar de tudo o que corre; senão o objeto do nosso amor nos constrangerá a chegar ao que precisamente queremos evitar. Aquele que se agarra aos bens transitórios será certamente arrastado até onde terá, à deriva, essas coisas às quais se apega.
A primeira coisa a fazer é pois abstermo-nos de amar os bens materiais; a segunda, não pormos total confiança naqueles bens que nos são confiados para serem usados e não para serem desfrutados. A alma que se prende apenas aos bens perecíveis, depressa perde a sua própria estabilidade. O turbilhão da vida atual arrasta quem nele se deixa ir, e é uma ilusão, para aquele que é levado nesta corrente, nela querer manter-se de pé.
Pai, meu coração está todo centrado em ti, e em ti encontra consolo e proteção. Meu único anseio é não deixar que se abale esta segurança, fonte de minha felicidade.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova