sexta-feira, 7 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 08.09.2012 - Qual o segredo da vida de Maria?


Evangelho (Mateus 1,18-23)
Sábado, 8 de Setembro de 2012
Natividade de Nossa Senhora


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Mateus.
— Glória a vós, Senhor.

18A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo.
19José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria em segredo. 20Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”.
22Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Qual o segredo da vida de Maria?
setembro 8th, 2012

Hoje, a liturgia celebra a Natividade de Nossa Senhora, ou seja, o aniversário de Maria. Só alguns santos, pela participação singular na história da salvação, têm celebração da memória do dia do nascimento e do dia da morte. João Batista e Nossa Senhora se unem a Jesus, o Senhor, nesta particularidade.
Este é o dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta “casa”, que é Maria, foi construída com sete colunas, ou seja, os dons do Espírito Santo. Conta-nos a tradição que os pais de Nossa Senhora – Joaquim e Ana – já eram velhos e não tinham filhos; visitados por Deus em sua honestidade e fidelidade ao Senhor, Ana ficou grávida de Maria, a qual, ao nascer, logo cedo foi apresentada no Templo e consagrada ao Senhor. Maria é escolhida por Ele desde o ventre de sua mãe, tornando-a Imaculada, sem a mancha do pecado original em vista da missão que ela teria: ser a Mãe do Salvador.
“José, Filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo” (cf. Lc 1, 20). Este é o segredo da vida de Maria; desde seu nascimento, sua vocação era caminhar com seu Filho até a cruz e também no nascimento da Igreja em Pentecostes. O segredo da vida de Nossa Senhora é ser conduzida pelo Espírito Santo. Maria nada fez sem a ação do Espírito de Deus, por isso, Ele é a “cheia de graça”.
Era esposa e mãe, educadora, dona de casa guiada, conduzida pela ação de Deus. Dócil e obediente, ao mesmo tempo em que educava e ensinava, era submissa a Jesus e Sua missão: “Fazei tudo que Ele vos disser”, disse Maria, nas Bodas de Caná, àqueles que serviam (cf. Jo 2, 5).
Celebrar o aniversário da Mãe de Jesus é celebrar sua participação na história da salvação, sua vocação e o mistério da escolha de Deus sobre a humanidade. O desígnio salvífico de Deus passa pelo ‘sim’ de cada pessoa, de cada filho e filha. O Senhor nos criou sem nós, mas ‘não pode’ nos salvar sem a nossa participação. Isso fala de amor, de liberdade. Cabe a nós – como à Virgem Maria – ser, cada vez mais, dóceis e abertos à ação do Espírito Santo de Deus, porque tamanha foi a fecundidade de Nossa Senhora que gerou o Salvador do mundo. Por meio dela “Deus está conosco”.
Nela, tudo foi feito pelo Espírito Santo! Em você, o Espírito de Deus encontra lugar para agir e conduzir sua vida à vontade do Senhor para o bem de todos?
Oração: Oh, Maria Santíssima, eleita e destinada ao eterno pela augustíssima Trindade para mãe do Unigênito Filho do Pai, anunciada pelos profetas, esperada dos patriarcas e desejada de todas as gentes, sacrário e templo vivo do Espírito Santo, sol sem mancha, porque fostes concebida sem pecado original, senhora do Céu e da Terra, rainha dos céus e dos anjos! Nós, humildemente prostrados, vos veneramos e nos alegramos da solene comemoração anual de vosso felicíssimo nascimento. E do mais íntimo de nosso coração vos suplicamos que vos digneis, benigna, vir a nascer, espiritualmente, em nossas almas para que, cativadas estas por vossa amabilidade e doçura, vivam sempre unidas ao vosso dulcíssimo e amabilíssimo Coração. Amém!

Padre Luizinho – Comunidade Canção Nova


Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 07.09.2012 - O dia da verdade chegará!


Evangelho (Lucas 5,33-39)
Sexta-Feira, 7 de Setembro de 2012
22ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 33os fariseus e os mestres da Lei disseram a Jesus: “Os discípulos de João, e também os discípulos dos fariseus, jejuam com frequência e fazem orações. Mas os teus discípulos comem e bebem”. 34Jesus, porém, lhes disse: “Os convidados de um casamento podem fazer jejum enquanto o noivo está com eles? 35Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, naqueles dias, eles jejuarão”.
36Jesus contou-lhes ainda uma parábola: “Ninguém tira retalho de roupa nova para fazer remendo em roupa velha; senão vai rasgar a roupa nova, e o retalho novo não combinará com a roupa velha. 37Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque, senão, o vinho novo arrebenta os odres velhos e se derrama; e os odres se perdem. 38Vinho novo deve ser posto em odres novos. 39E ninguém, depois de beber vinho velho, deseja vinho novo; porque diz: o velho é melhor”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
O dia da verdade chegará!
setembro 7th, 2012

Irmãos e irmãs, quem de nós está livre de comparações? Às vezes, nós próprios nos tornamos os mais comparativos. Enquanto a maturidade fraterna, em meio aos conflitos relacionais, pedem humildade e desprendimento, São Paulo, neste sentido, testemunha: «Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por alguma instância humana. Nem eu me julgo a mim mesmo. É verdade que minha consciência não me acusa de nada. Mas isto não quer dizer que eu deva ser considerado justo. Quem me julga é o Senhor» (1Cor 4, 3-5).
Claro que São Paulo foi aprendendo e amadurecendo a partir de uma liberdade que escolhe a centralidade no Cristo e a docilidade ao Espírito Santo para, então, corresponder à vontade do Pai do Céu. Penso que o grande segredo dos santos, na resolução interior e contributo exterior nos desafios que tendem à desunião, encontra-se neste relacionamento trinitário com o Deus Uno e três vezes Santo.
Deus é comunhão e quem d’Ele se aproxima torna-se mais e mais ponte de comunhão. Por isso, em meio a tantas pressões e julgamentos infundados sobre eles (juízos temerários), conseguiram dar uma resposta diferente, ou seja, não disseram a eles mesmos: “Se a tal pessoa me julga, então eu também tenho o direito de julgá-la!” Neste caso e em todos os outros, Jesus Cristo será sempre a nossa Universidade.
No Evangelho (Lc 5, 33-39), os discípulos de Jesus e, indiretamente, Ele próprio, são comparados com os seguidores de São João Batista. A reação de Jesus foi espetacular, pois não teceu um juízo negativo sobre quem comparava nem sobre o precursor João (amigo do Esposo). Ele aproveita para se autorrevelar como “o Noivo de uma Igreja desposada por Deus” e também revela o grande convite que este Deus amoroso faz à um festim que começa já no tempo. Um esboço e antecipação do que será plenamente no cumprimento escatológico do Reino.
Retornando a temática dos juízos temerários, as palavras de São Paulo e a sabedoria do Espírito a jorrar de Jesus Cristo nos questiona num nível não somente reativo, mas também em relação àquilo que de fato possui um real valor para mim e cada um de nós, o nível da sensibilidade aos valores. Neste sentido é que podemos e devemos nos deixar interpelar pelo Espírito da Verdade quando a nossa pessoa, mais do que os nossos atos, forem atingidos por comentários injustos, comparações desmedidas, calúnias e julgamentos.
Creio que, nestes momentos dolorosos, o Espírito Santo pergunta às nossas consciências: “Por que perder tempo, energia espiritual e psíquica com aquilo que é próprio do Reino da mentira? Então, por que dar valor e atenção àquilo que não merece valor nem atenção?” De fato, irmãos e irmãs, o que realmente merece a nossa atenção e valor corresponde ao Reino da Verdade. Nele, encontramos o Noivo-Esposo, que nos serve o Vinho Novo e, pelo Espírito Santo, nos ajuda a viver a Nova e Eterna Aliança, como novo Povo de Deus (cf. Lc 5, 35-39).
Claro que isto não pode excluir a denúncia como importante dimensão profética nem nos dispensar do exercício da correção fraterna, mas nada disso será frutuoso, se o nosso coração não estiver aberto à dinâmica do Reino da Verdade que é, simultaneamente, Reino da Misericórdia. O Deus Misericordioso está pronto para perdoar quem nos ofendeu. Por que eu – pecador – deveria estar fechado ao perdão?
Ele sabe e conhece, por dentro, a história e as misérias de quem julga e é julgado. Também por isso está disposto a converter e curar os corações de quem fere e de quem é ferido. Se alguém se sente lesado em sua boa fama, ou até roubado, não convém deixar que roubem a esperança de quem aguarda em paz, sem rancor e ressentimento, o dia em que a Verdade varrerá este mundo: «Portanto não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele trará à luz o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o devido louvor» (1Cor 4, 5).
Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova


Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 06.09.2012 - Seja firme e não tenha medo!


Evangelho (Lucas 5,1-11)
Quinta-Feira, 6 de Setembro de 2012
22ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 1Jesus estava na margem do lago de Genesaré, e a multidão apertava-se a seu redor para ouvir a palavra de Deus. 2Jesus viu duas barcas paradas na margem do lago. Os pescadores haviam desembarcado e lavavam as redes. 3Subindo numa das barcas, que era de Simão, pediu que se afastasse um pouco da margem. Depois sentou-se e, da barca, ensinava as multidões.
4Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”. 5Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. 6Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. 7Então fizeram sinal aos companheiros da outra barca, para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem.
8Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” 9É que o espanto se apoderara de Simão e de todos os seus companheiros, por causa da pesca que acabavam de fazer. 10Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão, também ficaram espantados. Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”. 11Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram a Jesus.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Seja firme e não tenha medo!
setembro 6th, 2012

Depois de Jesus ter expulsado o demônio e ter curado a sogra de Simão, hoje O vemos no mar da Galileia, como um pescador; não de peixes, mas sim de homens. Subindo na barca, Ele pede que se avance para o lugar mais profundo.
Frisemos que o barco era de Simão. Não sem uma razão misteriosa, é da barca dele que Jesus ensinou o povo. Ela é figura da Igreja. Jesus sempre ensinará ao mundo que reconhece Pedro como chefe visível da Igreja de Cristo. Onde está Pedro, o Papa, aí está a Igreja.
E não só isso. Também podemos ver a opção de Jesus em duplo sentido: o sentido apologético, de manifestar a divindade de Jesus; e o sentido simbólico, que consiste em  indicar qual seria a missão de Pedro, dos apóstolos e de toda a Igreja em geral: missão de serem pescadores de homens para a fé cristã, usando a rede do Evangelho.
Por ter se dirigido a Pedro, por ter escolhido a barca desse apóstolo, por tê-lo mandado mais para o alto-mar e lançar suas redes, Jesus demonstra o especial papel de Pedro, o qual receberá o primado sobre os apóstolos e fiéis. Ainda, como a pesca foi realizada por intervenção de Deus e não pela habilidade dos pescadores, toda vez que se pescar um homem para o Reino de Deus, será sempre obra da graça usando a colaboração do apóstolo.
O peixe tornou-se símbolo dos primeiros cristãos, porque, nas águas do batismo, eles nascem para a fé, e nela – vivendo – se salvam.
Para Pedro, Jesus era o seu Mestre. Mas, diante da pesca milagrosa que não se explica por causas naturais, o apóstolo descobre que Jesus não é um simples mestre ou profeta comum. Já o vê como seu “Senhor”, nome reservado exclusivamente a Deus. Foi um grande passo na descoberta da verdadeira identidade de Jesus. A admiração atrai Pedro ao Mestre; a consciência de seu estado de pecador O afasta dele.
Diante do milagre presenciado, a fé de Simão começou a se tornar uma rocha = pedra. Basta ver que Pedro começou a chamar Jesus de “Senhor” e não só de “Mestre”. Pela fé, Simão é transformado em rochedo, e já se põe o fundamento para a sua vocação em “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18) e em “Tu, por tua vez, confirma teus irmãos” (Lc 22,32).
O homem, sozinho em suas tarefas, fadiga-se em vão: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão labutam seus construtores” (SI 127). Mas se acolher, com boa disposição, a Palavra inspirada, receberá abundante ajuda da mão de Deus.
Quanto mais alguém se aproxima do Pai, tanto mais cresce nele a humildade, esse sentimento de sua pequenez, de seu nada e de seus pecados. Quanto mais distante de Deus alguém vive, tanto menos reconhecerá os próprios erros e limitações. Pedro, tão favorecido pela bondade divina, não pensa senão em sua própria insuficiência e condição de pecador que não merece tanta bondade. Então, exclama: “Senhor, afaste-se de mim, pois eu sou um pecador!” Mas Jesus, apesar de reconhecer a fraqueza de Simão, confirma-o na vocação dizendo: “Não tenha medo! De agora em diante você vai pescar gente”.
É isso o que Jesus faz com você aqui e agora. Não tenha medo! Ele conhece a sua fraqueza, os seus problemas, mas quer vê-lo pescador de homens, restaurador das famílias, libertador dos cativos, acolhedor dos excluídos e abandonados. Enfim, a dar vida em abundância! Portanto, seja firme e não tenha medo!
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

terça-feira, 4 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 05.09.2012 - Jesus faz do ambiente familiar um lugar de saúde e vida


Evangelho (Lucas 4,38-44)
Quarta-Feira, 5 de Setembro de 2012
22ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 38Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com febre alta, e pediram a Jesus em favor dela. 39Inclinando-se sobre ela, Jesus ameaçou a febre, e a febre a deixou. Imediatamente, ela se levantou e começou a servi-los.
40Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes atingidos por diversos males, os levaram a Jesus. Jesus punha as mãos em cada um deles e os curava. 41De muitas pessoas também saíam demônios, gritando: “Tu és o Filho de Deus”. Jesus os ameaçava, e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Messias.
42Ao raiar do dia, Jesus saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam e, indo até ele, tentavam impedi-lo de as deixar. 43Mas Jesus disse: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, porque para isso é que eu fui enviado”. 44E pregava nas sinagogas da Judeia.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Jesus faz do ambiente familiar um lugar de saúde e vida
setembro 5th, 2012

Jesus decide abandonar a sinagoga; a razão não é dita, mas, pelo que se pode entender, Ele quer transformar e fazer do ambiente familiar – simbolizado pela casa da sogra de Simão -, um lugar de oração, de cura e libertação, de paz e justiça, de amor e partilha, de alegria e sucesso, de misericórdia e perdão.
Jesus faz do ambiente familiar um lugar de saúde e vida. Portanto, a casa, o lar, a família são lugares privilegiados para construirmos as nossas sociedades. Assim, numa sociedade como a nossa, na qual o conceito de família anda tão deturpado, Cristo chama o casal cristão a ser estrutura sustentadora de uma família capaz de encontrar relações novas, não ditadas pela carne e o sangue, mas pela vida nova que Cristo confere pelo batismo. Isto reduz o egoísmo e faz com que cresça a caridade, dom do Espírito Santo, e se realize a “Igreja doméstica”.
Jesus toma conhecimento da doença que afeta os casais e vai para ao lado da cama deles, dando uma ordem à febre. Este gesto apela, primeiro, ao zelo apostólico do Senhor. Por outro lado, chama-nos a visitar, entrar e abeirar-nos dos leitos de muitos homens e mulheres que estão doentes e deitados, sem forças para levantar a cabeça, o corpo e servir os seus como deveriam fazer, a exemplo da sogra de Pedro.
Veja que, na casa, a mulher, personificada na sogra de Simão, é valorizada na sua prática do serviço, que é a característica fundamental do Reino. Um outro pormenor a considerar é que a cena narrada se passa num sábado, dia do culto na sinagoga. Neste dia, todo trabalho cessava e só era permitido caminhar até uma curta distância. Ao pôr-do-sol, termina o dia do sábado e começa o primeiro dia da semana. É a introdução do domingo, o dia por excelência para nós cristãos.
O povo, liberado das restrições legais do sábado – que ao invés de salvar, condenava; de dar vida, matava -, corre a Jesus, quem os cura, liberta e salva. Ele, na Sua prática, vai revelando que os males da humanidade resultam, principalmente, da falta de carinho, amor, ternura, paz, justiça, reconciliação, diálogo, atenção e falta de Deus na comunidade-família que deveria ser construtora de vidas novas.
Neste trabalho, é preciso que a comunidade e os evangelizadores saibam que estão a serviço de Deus e não em busca de privilégios ou de poder. É preciso que ela tenha as portas abertas para todos. O meu e o seu serviço é o de levar todos os enfermos, quer os da família de sangue quer não: “todos os que tinham amigos enfermos, com várias doenças, os levaram a Jesus. Ele pôs as suas mãos sobre cada um deles e os curou”.
A você me dirijo recordando que, como apóstolo, você é enviado e ordenado para anunciar a Palavra. De modo que, trazendo todos os enfermos – quer corporais quer espirituais – possam ser curados e entendam Deus na Pessoa do Seu Filho, Jesus Cristo. Ele que acolhe, liberta, perdoa e anuncia a verdade do Reino: a Vida Eterna.
Esta missão do Filho de Deus nos compromete e interpela a que – acolhendo maus e bons – possamos ser a mão, a braço, a boca, o coração e a mente de Cristo, convertendo-nos em discípulos e missionários do Mestre para que o mundo conheça a Verdade e, conhecendo a Verdade, possa salvar-se.
Peçamos hoje a Deus um novo ardor missionário.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 04.09.2012 - A Casa de Deus está aberta a todos os homens


Evangelho (Lucas 4,31-37)
Terça-Feira, 4 de Setembro de 2012
22ª Semana Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 31Jesus desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e aí ensinava-os aos sábados. 32As pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento, porque Jesus falava com autoridade. 33Na sinagoga, havia um homem possuído pelo espírito de um demônio impuro, que gritou em alta voz: 34“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus!”
35Jesus o ameaçou, dizendo: “Cala-te, e sai dele!” Então o demônio lançou o homem no chão, saiu dele, e não lhe fez mal nenhum. 36O espanto se apossou de todos e eles comentavam entre si: “Que palavra é essa? Ele manda nos espíritos impuros, com autoridade e poder, e eles saem”. 37E a fama de Jesus se espalhava em todos os lugares da redondeza.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
A Casa de Deus está aberta a todos os homens
setembro 4th, 2012

Como bom judeu num dia de sábado, Jesus entra na sinagoga de Cafarnaum e começa a ensinar os Seus discípulos que, por falta de conhecimento científico, – não só neles mas também para todas pessoas do seu tempo e a ignorância sobre o funcionamento do corpo humano – fazia com que se atribuísse aos demônios algumas enfermidades. Tal fenômeno acontecia, sobretudo, com os transtornos psíquicos, as enfermidades mentais, nas quais o modo de agir do enfermo – gritos, falta de controle dos movimentos, ataques – era o que mais chamava a atenção.
É neste ambiente que surge o homem que Lucas nos descreve como sendo possuído por demônio e que levantando a voz grita: “Ei, Jesus de Nazaré! O que você quer de nós? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou!”
A palavra “louco” era o equivalente a dizer “endemoniado”. Passando a ser o mesmo que dizer “impuro”, ou seja, possuído por um espírito impuro, o diabo.
O impuro é o que está carregado de forças perigosas e desconhecidas, como o puro é o que tem poderes positivos. Quem se aproxima do impuro, não pode aproximar-se de Deus. E por isso todos fugiam deste homem segundo a lei latente no livro do Levítico.
À medida em que o povo foi evoluindo de uma religião mágica para uma religião de responsabilidades pessoais, essas ideias foram caindo em desuso. E Jesus abole de uma vez por todas esta lei. E o que prova isto é que a cerimônia do exorcismo acontece dentro da sinagoga para fazer entender que também o excluído do povo tinha direito de se salvar porque é filho de Deus. Também poderia participar da mesa dos filhos, e poderia falar com Deus na oração. É membro do corpo místico de Cristo, é membro da Igreja.
O fato da cena acontecer no interior da sinagoga é que é nela que se reunia todo o povo aos sábados para assistir a oração e escutar o rabino, ou qualquer outro que quisesse fazer o comentário dos textos da Escritura que se havia lido. Era um lugar familiar, mais popular e mais leigo, já que nela se podia falar livremente, interromper, e não era necessária a presença de nenhum ministro sagrado. O rabino era um mestre-catequista.
E Jesus aproveita esta familiaridade para incluir o irmão através da expulsão do demônio: “Cale a boca e saia deste homem!” Diante de todos, ao que o demônio obedece e sai.
Sem querer chegar ao conceito “puro-impuro” dos tempos antigos, muitos enfermos do tipo subnormais, drogados, adúlteros, alcoólatras etc, estão hoje marginalizados da comunidade. Os sadios se safam deles, querem escondê-los como uma vergonha familiar, não se lhes dão oportunidades de reabilitação para que possam contribuir para a sociedade. São verdadeiramente os “novos impuros”.
Qual tem sido a sua posição ante o seu parente que vive esta situação? Não se esqueça que o sinal de Jesus, neste Evangelho de hoje, é sinal de que a Casa de Deus, a comunidade cristã, está aberta também para esses homens e mulheres diminuídos. É sinal de Salvação: Deus valoriza e tem para eles um lugar e uma missão. Basta que você lance “mão à obra” e se converta em verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo. E a notícia de Jesus se espalhará por toda a parte, fazendo com que haja um só Pastor e um só rebanho no mundo inteiro.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 03.09.2012 - Não subestimemos a capacidade das pessoas que são próximas a nós


Evangelho (Lucas 4,16-30)
Segunda feira 03 de setembro de 2012
São Gregório Magno

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Lucas.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 16veio Jesus à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”.
20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”
23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.
27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Não subestimemos a capacidade das pessoas que são próximas a nós
setembro 3rd, 2012

É surpreendente que o texto comece com a leitura profética sem sequer mencionar a leitura da Lei, que era o elemento mais importante do ofício. De fato, a leitura profética era concebida como uma explicitação ou uma ilustração da Lei. Os versículos 16 e 17 contam os preparativos para a leitura profética, que Jesus tomou a iniciativa de fazer. Qualquer homem judeu podia fazê-la, assim como a homilia, contanto que fosse instruído e gozasse de boa reputação.
Os versículos 18 e 19 citam a passagem do livro de Isaias que Jesus leu. De fato, Lucas associa Is 61,1-2 e Is 58,6, segundo uma prática que era então corrente. Cita Is 61,1 e a primeira frase do v. 23. Omite, sem razão aparente, a frase para curar os corações desanimados de Is 61,1, substituindo-a com a frase para pôr em liberdade os oprimidos, tirada de Is 58,63. O v. 20 menciona com precisão os gestos de Jesus e assinala a reação de curiosidade e de expectativa de parte da assembleia.
No v. 21, Jesus toma a palavra para comentar a leitura. O v. 22 assinala uma primeira reação da assembleia. Ficam todos admirados com as palavras de Jesus. Elas ultrapassam tudo o que podiam esperar da boca de um conterrâneo que julgavam conhecer muito bem. Nos versículos 23 a 27, Jesus responde à surpresa e à admiração dos seus ouvintes. Adiantando-se-lhes, começa por formular Ele próprio o desafio que eles deviam ter na ponta da língua: “faz na tua terra o que ouvimos dizer que tens feito em Cafarnaum”. Jesus responde ao desafio, primeiro, declarando que nenhum profeta é bem recebido na sua terra; depois, ilustrando a Sua declaração com os exemplos de Elias e Eliseu.
Os versículos 28 e 29 demonstram uma segunda reação da assembleia totalmente diferente da primeira. Todos os ouvintes se enfurecem contra Jesus, expulsam-No da cidade e tentam assassiná-Lo. O v. 30 conclui o relato com a reação de Jesus: imperturbável e sem um ferimento, Cristo segue o Seu caminho.
Jesus sabia que era o Filho de Deus e se apresentou aos homens que estavam na sinagoga como sendo o cumprimento daquela promessa que estava na leitura de Isaías, a qual Ele tinha proclamado. Enquanto alguns O ouviam, maravilhados, outros desconfiavam dizendo: “Não é este o filho de José?” E, por isso, Jesus disse que um profeta não é bem aceito na sua terra.
Esta cena também pode acontecer conosco. Pense naquelas pessoas que conviveram com você desde criança, que lhe viram crescer, sabem de onde você veio, por onde passou, com quem aprendeu tudo o que sabe, e conseguem identificar até de onde você tirou cada ideia. Para elas você continuará sempre criança. Mesmo que faça prodígios e milagres. Pense nos seus amigos de colégio, da universidade, do trabalho, da internet, do seu movimento, da Igreja, da nova cidade onde você foi morar… Enfim, das pessoas com quem você se relacionou quando já estava com algumas idéias formadas.
Essas pessoas não lhe conhecem, não sabem de onde vieram as suas influências. E o mais importante de tudo: acreditam que você tem algo a adicionar ao que elas têm ou ao que elas são.
O mais surpreendente: se você acompanhou o crescimento de alguém mais novo que você, desde criança, observe como você considera previsíveis as atitudes e as palavras dessa pessoa. E, sem saber, acaba colocando uma barreira que dificulta que algo venha dela para você. Foi assim que Jesus se sentiu em Nazaré. É assim que a maioria dos profissionais se sente em casa, principalmente quando a resolução de um problema – doméstico ou familiar – exige que as pessoas confiem na capacidade dele. Daí que surgiu o ditado: “Em casa de ferreiro, o espeto é de pau”.
Se Jesus nascesse nos dias de hoje, e fosse um desses garotos que brincam na sua rua, que você praticamente viu nascer e está acompanhando o crescimento dele e daqui há uns 20 anos ele voltasse adulto, qual seria a sua reação? “Esse garoto? Filho de “seu” Zé, o marceneiro? Que brincava com os meninos na rua? Só se for pra rir! Impossível! Nunca que ele teria essa capacidade! Eu vi onde ele estudou, as travessuras que aprontou, conheço os pais dele”. E Ele iria dizer: “De fato, um profeta não é bem recebido em sua terra. Então os prodígios não acontecerão aqui, mas nos lugares onde as pessoas acreditem em mim”.
A lição prática do Evangelho de hoje é: não subestimemos a capacidade das pessoas que são próximas a nós. Muitas vezes, elas realizam “prodígios” para os outros, mas não conseguem fazer nada em casa por não terem abertura. Daí o ditado: “Santo de casa não faz milagres”.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova

sábado, 1 de setembro de 2012

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 02.09.2012 - A pureza deve começar pelo coração


Evangelho (Marcos 7,1-8.14-15.21-23)
Domingo 02 de setembro de 2012
22º Domingo Comum


— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo, + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1os fariseus e alguns mestres da Lei vieram de Jerusalém e se reuniram em torno de Jesus.
2Eles viam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as terem lavado. 3Com efeito, os fariseus e todos os judeus só comem depois de lavar bem as mãos, seguindo a tradição recebida dos antigos. 4Ao voltar da praça, eles não comem sem tomar banho. E seguem muitos outros costumes que receberam por tradição: a maneira certa de lavar copos, jarras e vasilhas de cobre.
5Os fariseus e os mestres da Lei perguntaram então a Jesus: “Por que os teus discípulos não seguem a tradição dos antigos, mas comem o pão sem lavar as mãos?”
6Jesus respondeu: “Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. 7De nada adianta o culto que me prestam, pois as doutrinas que ensinam são preceitos humanos’. 8Vós abandonais o mandamento de Deus para seguir a tradição dos homens”.
14Em seguida, Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai, todos, e compreendei: 15o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. 21Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, 22adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. 23Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.



- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
A pureza deve começar pelo coração
setembro 2nd, 2012

Jesus se encontrava no meio de conflitos que a Sua prática provocava. Então, os chefes dos judeus enviam uma delegação para investigar e “bisbilhotar” a vida pessoal de Jesus. A intenção dos fariseus e doutores da Lei era ver se Ele transgredia a Lei e a tradição, ou seja, se transgredia a Torá e as inúmeras prescrições orais, pois ambas tinham o mesmo valor – visto que provinham de Deus – e mexer no aparato legal era opor-se a Deus ou querer igualar-se a Ele.
O problema em discussão era sobre o lavar ou não as mãos conforme Levítico 15,11. Quem não lavava as mãos antes de comer desrespeitava as tradições, pois tudo o que era comprado no mercado devia ser purificado na hipótese de ter sido contagiado por uma pessoa ritualmente impura. Antes fosse assim, para evitar doenças contagiosas como as que enfrentamos em nossos dias. Mas não. A tradição judaica tinha barreiras e preconceitos em relação aos pagãos, que eram suspeitos de impureza. E, por falta de lógica divina nestes rituais, Jesus quebra a barreira citando Isaías 29,13 e chamando os doutores da Lei de hipócritas.
A resposta de Jesus é abrangente, descaracterizando o mérito das leis de pureza e das demais tradições opressoras. Dirige-se à multidão e pede que ouça e entenda. E explica que a impureza não está nos objetos e nas pessoas, mas é uma consequência das opções de vida das pessoas, e vem do coração. Logo em seguida, faz uma lista do que traz a verdadeira impureza aos homens: más intenções, imoralidades, roubos, assassinatos, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho e falta de juízo.
No Evangelho deste 22º Domingo do Tempo Comum, somos convidados a tomar consciência de que algumas práticas sobre a higiene são importantes, mas não mudam a natureza do homem. Veja por exemplo: hoje cães e gatos são tratados com todas as normas de higiene, vão aos salões de beleza, são levados aos parques de diversão e… não mudam de natureza.
Não é o “shampoo” ou o “desodorante” que purificam o homem, como apregoava o costume farisaico e, hoje, o faz a publicidade comercial e nossa sociedade consumista. Ter mãos limpas não significa ter um coração limpo. Um grande sorriso pode muito bem esconder uma antipatia. Palavras bonitas, muitas vezes, buscam somente reconhecimento e aplausos. A maioria dos nossos políticos tem uma linguagem cheia de demagogia, que não expressa o que sentem e fazem.
É preciso que acolhamos com muita atenção as palavras de exortação de São Tiago (Segunda Leitura). Não basta só ouvir a Palavra do Senhor, mas é fundamental colocá-la em prática, para não nos iludirmos e deixarmos a Palavra correr em nossas veias. A hipocrisia estava em apenas ouvir a Palavra e não praticá-la: “um povo que louva a Deus com os lábios, mas tem o coração distante Dele”. Jesus denuncia a manipulação da Palavra de Deus pelos fariseus e afasta o formalismo exterior da religião judaica. Não vai contra a Lei de Moisés nem contra a tradição autêntica, mas denuncia a hipocrisia. De fato, os fariseus denunciam os discípulos porque não lavam as mãos antes das refeições, segundo uma tradição rabínica do Talmude.
As abluções não existiam por simples motivos higiênicos, mas porque eram símbolos da pureza moral, necessária para se aproximar de Deus. Porém, os fariseus viam somente o lado externo da aproximação de Deus, não levando em consideração o Salmo 23,3-4: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará em seu lugar? Quem tem mãos inocentes e coração puro”. A pureza de coração era a condição para participar do culto e ver o rosto de Deus. A pureza deve começar pelo coração, como afirma o Salmo 23, pois é dele que procedem as coisas más.
O coração do homem continua sentindo os mesmos impulsos de impureza, como egoísmo, intenções desvirtuadas, a degradação do amor humano e uma “avalanche” de impureza e sensualidade. Hoje campeia, sobretudo, a obscenidade. Obsceno é uma palavra que vem do antigo texto grego e romano e significava aquilo que, por respeito aos espectadores, não devia ser representado em cena por pertencer à intimidade pessoal. Mesmo aquela civilização pagã, que tinha normas morais relaxadas, entendia que certas coisas não deviam ser feitas diante de outras pessoas.
Senhor Jesus, não permita que eu me iluda buscando uma pureza exterior, quando a que Lhe agrada é a que provém do meu interior. Amém.
Padre Bantu Mendonça


Fonte: Canção Nova