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quarta-feira, 20 de novembro de 2024

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Lucas 19,45-48 - 22.11.2024

 Liturgia Diária


22 – SEXTA-FEIRA 

SANTA CECÍLIA


VIRGEM E MÁRTIR


(vermelho, pref. comum ou dos santos – ofício da memória)



O trecho de Lucas 19,45-48 descreve Jesus purificando o Templo, expulsando os comerciantes e ensinando diariamente nele, enquanto seus opositores conspiravam contra Ele. Um salmo da Vulgata que pode inspirar essa passagem é o Salmo 68(69), especialmente o versículo 10, que ecoa o zelo de Jesus pelo Templo:


Salmo 68(69),10 (Vulgata):  

Quoniam zelus domus tuae comedit me, et opprobria exprobrantium tibi ceciderunt super me.

"Pois o zelo pela tua casa me devora, e as injúrias dos que te insultam recaem sobre mim."  


Esse versículo conecta-se diretamente à motivação de Jesus em defender a santidade do Templo, agindo contra a profanação do lugar sagrado.


Lucas 19:45-48 (Vulgata)


45. Et ingressus in templum, coepit eicere vendentes,  

E entrando no templo, começou a expulsar os vendedores,  


46. dicens illis: Scriptum est: Quia domus mea domus orationis est; vos autem fecistis illam speluncam latronum.  

dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração; vós, porém, a fizestes um covil de ladrões.  


47. Et erat docens quotidie in templo. Principes autem sacerdotum et scribae, et principes plebis quaerebant illum perdere,  

E ensinava todos os dias no templo. Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os líderes do povo procuravam matá-lo,  


48. et non inveniebant quid facerent illi: omnis enim populus suspensus erat, audiens illum.  

mas não encontravam o que fazer, porque todo o povo estava fascinado ao ouvi-lo.  


Reflexão:

"Et dicens illis: Scriptum est: Domus mea domus orationis est: vos autem fecistis illam speluncam latronum."

"E, dizendo-lhes: Está escrito: Minha casa será casa de oração; mas vós a fizestes um covil de ladrões." (Lc 19:46)

Cada ato de purificação e cada palavra de verdade são momentos em que o ser humano é chamado a reorientar-se para o sagrado. Assim como o templo foi renovado como espaço de oração, nossa interioridade deve ser purificada das distrações que obscurecem nossa conexão com o divino. O ensinamento que ressoa com os corações atentos cria uma harmonia que transcende o imediato, revelando o movimento universal que impulsiona toda a criação para o bem maior. Esse Evangelho nos convida a deixar de ser meros espectadores e a integrar nossa existência na grande sinfonia cósmica, onde cada alma encontra seu papel único na comunhão com o eterno.  


HOMILIA

Queridos irmãos e irmãs,  


O Evangelho de hoje nos coloca diante de um gesto profundo de Jesus: a purificação do Templo. Não é apenas um ato de indignação contra os mercadores, mas uma mensagem que ecoa através do tempo, atingindo o coração de cada um de nós. O Templo, naquele contexto, era o espaço sagrado onde Deus se encontrava com o Seu povo, mas havia sido transformado em um lugar de comércio, de interesse pessoal, de profanação. Hoje, essa imagem ressoa em nossas vidas. Onde está o Templo de Deus? Ele já não se limita a construções físicas; cada um de nós é chamado a ser o templo vivo onde o Espírito habita.  

Entretanto, observemos como a realidade ao nosso redor reflete a mesma corrupção que Jesus encontrou no Templo. Vivemos em tempos marcados pelo egoísmo, onde os corações, criados para a comunhão e o amor, têm sido invadidos por interesses mesquinhos. Cada vez mais, transformamos o que deveria ser sagrado — nossas relações, nossa existência, nosso próprio interior — em espaços de comércio emocional, onde tudo é avaliado pelo que se pode ganhar ou perder. Esse egoísmo nos fecha para Deus e para o próximo, fazendo-nos prisioneiros de nós mesmos.  

Jesus, ao expulsar os mercadores, não está apenas purificando um espaço físico, mas nos chamando a uma purificação interior. É preciso coragem para enfrentar o que há de desordenado em nosso coração. É um convite a abrir mão do que nos afasta de Deus, do que nos torna incapazes de acolher o outro, do que profana o santuário da nossa alma. Assim como Jesus agiu com determinação no Templo, Ele deseja agir em cada um de nós, renovando-nos por completo.  

Esse processo de purificação não é uma ação isolada, mas uma participação em algo maior. Quando permitimos que nosso coração seja restaurado à sua verdadeira essência, tornamo-nos parte do grande projeto divino, uma humanidade que caminha em direção à plenitude. O Templo não é apenas um símbolo de santidade pessoal, mas um espaço onde o divino e o humano se encontram, onde o céu e a terra convergem. Em um mundo onde impera o individualismo, a purificação do coração é um ato de resistência espiritual, um retorno à comunhão universal para a qual fomos criados.  

Jesus nos ensina que a santidade do Templo não pode ser negociada, nem no espaço físico nem no coração humano. Somos chamados a ser templos vivos de oração e amor, onde Deus encontra espaço para agir e onde os outros podem encontrar acolhida. É um chamado à conversão, à superação do egoísmo que nos rouba a essência de quem somos. É uma convocação a transformar nossas vidas em testemunhos do amor divino, que não se fecha em si, mas se doa infinitamente.  

Que este Evangelho nos inspire a permitir que Jesus purifique nossos corações, que Ele expulse tudo o que nos afasta de Sua graça e que nos faça templos vivos, refletindo o amor e a justiça que transformam o mundo. Que nossa vida, como a casa de oração que Ele deseja, seja lugar de encontro, de comunhão e de santidade. Amém.


EXPLICAÇÃO TEOLÓGICA

A frase "Minha casa será casa de oração; mas vós a fizestes um covil de ladrões" (Lc 19,46) é uma declaração densa de significado teológico, unindo aspectos proféticos, cristológicos e espirituais que iluminam a relação entre Deus, o culto, e a santidade da vida humana.


### A Casa de Deus como Lugar de Comunhão  

A expressão "Minha casa será casa de oração" remonta a Isaías 56,7, onde Deus promete que o Templo será um lugar de encontro universal, aberto a todos os povos. Este ideal expressa o propósito original do Templo: ser um espaço onde a presença de Deus é manifesta e acessível, e onde a oração, como comunicação sincera entre a criatura e o Criador, é a atividade central.  


Na teologia bíblica, o Templo simboliza a habitação de Deus entre o Seu povo, um lugar de santidade, justiça e encontro. Era ali que os sacrifícios eram oferecidos e os rituais celebrados, mas sempre com o propósito de conduzir o coração humano à verdadeira adoração, marcada pela humildade e pela conversão. A oração, nesse contexto, é o reconhecimento da dependência humana de Deus e da Sua soberania.  


### A Profanação pelo Egoísmo  

Quando Jesus acusa os comerciantes e líderes religiosos de transformarem o Templo em "um covil de ladrões", Ele cita Jeremias 7,11. Naquele contexto, o profeta Jeremias denunciava os que, mesmo cometendo injustiças, se refugiavam no Templo como se a mera presença física no lugar sagrado garantisse proteção. O "covil de ladrões" é mais que uma metáfora para atividades comerciais inadequadas; é uma acusação contra a hipocrisia espiritual que transforma o espaço sagrado em abrigo para corações corruptos.  


No caso de Lucas 19,46, o Templo foi reduzido a um espaço de exploração e lucro, com práticas comerciais que beneficiavam alguns em detrimento de outros, ignorando a justiça e o propósito espiritual. Isso simboliza a corrupção do culto: quando a religião é instrumentalizada para interesses humanos, perde sua essência, e o espaço destinado ao encontro com Deus se torna cúmplice da alienação espiritual e social.  


### A Cristologia da Purificação  

Jesus, ao purificar o Templo, revela-Se como o verdadeiro Senhor da Casa de Deus. Esse gesto é ao mesmo tempo profético e escatológico. Profético, porque denuncia a corrupção do culto e chama o povo ao arrependimento; escatológico, porque antecipa uma mudança radical na relação entre Deus e a humanidade. Com a vinda de Cristo, o Templo físico de Jerusalém cede lugar a um novo Templo: o próprio Cristo, que é a habitação plena de Deus entre os homens (Jo 2,19-21).  


Na teologia cristã, essa frase aponta para a transição do culto exterior para o culto interior, onde o coração humano é chamado a ser o novo Templo, habitado pelo Espírito Santo (1Cor 6,19). A purificação do Templo físico torna-se, assim, um símbolo da purificação interior que Jesus deseja realizar em cada pessoa.  


### A Aplicação Contemporânea  

Teologicamente, essa frase nos convida a refletir sobre o que fazemos com os "templos" que Deus nos confia: nossas igrejas, nossas comunidades e nossos próprios corações. Ela denuncia a corrupção que pode surgir quando o sagrado é instrumentalizado para fins egoístas, sejam eles econômicos, políticos ou pessoais.  


Na prática, essa frase questiona se nossas vidas são verdadeiramente "casas de oração", lugares onde Deus habita e age, ou se estamos permitindo que se tornem "covis de ladrões", dominados pelo egoísmo, pela hipocrisia e pela indiferença.  


O chamado de Cristo é para que cada um purifique seu interior, permitindo que o coração seja um espaço de oração, justiça e comunhão. A frase de Lucas 19,46 é, portanto, um convite à conversão contínua, à verdadeira adoração e à restauração da comunhão entre Deus e a humanidade.

Leia também: LITURGIA DA PALAVRA

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Mensagens de Fé

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sábado, 9 de abril de 2022

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - Evangelho: Lucas 19,28-40; Lucas 23,1-49 - 10.04.2022

Liturgia Diária10 – DOMINGO  

RAMOS E PAIXÃO DO SENHOR


(vermelho, creio, prefácio próprio – 2ª semana do saltério)



Seguindo os passos de Jesus no caminho da cruz, fazemos memória de sua entrada em Jerusalém. Esta solene liturgia marca o início da Semana Santa, centro do grande acontecimento da nossa fé: o mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Com os ramos nas mãos, acolhamos aquele que, sendo Deus, vem a nós como humilde servidor.


Com os ramos nas mãos, a assembleia reunida entoa o canto de abertura.


Exortação


Meus irmãos e minhas irmãs, durante as cinco semanas da Quaresma, preparamos os nossos corações pela oração, pela penitência e pela caridade. Hoje aqui nos reunimos e vamos iniciar, com toda a Igreja, a celebração da Páscoa de nosso Senhor. Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Cristo entrou em Jerusalém, sua cidade. Celebrando com fé e piedade a memória desta entrada, sigamos os passos de nosso Salvador para que, associados pela graça à sua cruz, participemos também de sua ressurreição e de sua vida.


Seis dias antes da solene Páscoa, quando o Senhor veio a Jerusalém, correram até ele os pequeninos. Trazendo em suas mãos ramos e palmas, em alta voz cantavam em sua honra: Bendito és tu, que vens com tanto amor! Hosana nas alturas!


Evangelho: Lucas 19,28-40; Lucas 23,1-49 - mais breve


[Evangelho proclamado antes da Procissão com os Ramos]


Naquele tempo, 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: 30“Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada, encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele'”. 32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” 34Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. 35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. 36E, enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho. 37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!” 39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!”c40Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”. – Palavra da salvação.


 Glória e louvor a vós, ó Cristo.


Jesus Cristo se tornou obediente, / obediente até a morte numa cruz. / Pelo que o Senhor Deus o exaltou / e deu-lhe um nome muito acima de outro nome (Fl 2,8s). – R.


N (Narrador): Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1toda a multidão se levantou e levou Jesus a Pilatos. 2Começaram então a acusá-lo, dizendo: G (Grupo ou assembleia): Achamos este homem fazendo subversão entre o nosso povo, proibindo pagar impostos a César e afirmando ser ele mesmo Cristo, o rei. N: 3Pilatos o interrogou: L (Leitor): Tu és o rei dos judeus? N: Jesus respondeu, declarando: P (Presidente): Tu o dizes! N: 4Então Pilatos disse aos sumos sacerdotes e à multidão: L: Não encontro neste homem nenhum crime. N: 5Eles, porém, insistiam: G: Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia, onde começou, até aqui. N: 6Quando ouviu isso, Pilatos perguntou: L: Este homem é galileu? N: 7Ao saber que Jesus estava sob a autoridade de Herodes, Pilatos enviou-o a este, pois também Herodes estava em Jerusalém naqueles dias. 8Herodes ficou muito contente ao ver Jesus, pois havia muito tempo desejava vê-lo. Já ouvira falar a seu respeito e esperava vê-lo fazer algum milagre. 9Ele interrogou-o com muitas perguntas. Jesus, porém, nada lhe respondeu. 10Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei estavam presentes e o acusavam com insistência. 11Herodes, com seus soldados, tratou Jesus com desprezo, zombou dele, vestiu-o com uma roupa vistosa e mandou-o de volta a Pilatos. 12Naquele dia Herodes e Pilatos ficaram amigos um do outro, pois antes eram inimigos. 13Então Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo e lhes disse: L: 14Vós me trouxestes este homem como se fosse um agitador do povo. Pois bem! Já o interroguei diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais; 15nem Herodes, pois o mandou de volta para nós. Como podeis ver, ele nada fez para merecer a morte. 16Portanto, vou castigá-lo e o soltarei. N: (17)18Toda a multidão começou a gritar: G: Fora com ele! Solta-nos Barrabás! N: 19Barrabás tinha sido preso por causa de uma revolta na cidade e por homicídio. 20Pilatos falou outra vez à multidão, pois queria libertar Jesus. 21Mas eles gritavam: G: Crucifica-o! Crucifica-o! N: 22E Pilatos falou pela terceira vez: L: Que mal fez este homem? Não encontrei nele nenhum crime que mereça a morte. Portanto, vou castigá-lo e o soltarei. N: 23Eles, porém, continuaram a gritar com toda a força, pedindo que fosse crucificado. E a gritaria deles aumentava sempre mais. 24Então Pilatos decidiu que fosse feito o que eles pediam. 25Soltou o homem que eles queriam – aquele que fora preso por revolta e homicídio – e entregou Jesus à vontade deles. 26Enquanto levavam Jesus, pegaram um certo Simão, de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para carregá-la atrás de Jesus. 27Seguia-o uma grande multidão do povo e de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. 28Jesus, porém, voltou-se e disse: P: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim! Chorai por vós mesmas e por vossos filhos! 29Porque dias virão em que se dirá: “Felizes as mulheres que nunca tiveram filhos, os ventres que nunca deram à luz e os seios que nunca amamentaram”. 30Então começarão a pedir às montanhas: “Caí sobre nós!” e às colinas: “Escondei-nos!” 31Porque, se fazem assim com a árvore verde, o que não farão com a árvore seca? N: 32Levavam também outros dois malfeitores para serem mortos junto com Jesus. 33Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali crucificaram Jesus e os malfeitores: um à sua direita e outro à sua esquerda. 34Jesus dizia: P: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! N: Depois fizeram um sorteio, repartindo entre si as roupas de Jesus. 35O povo permanecia lá, olhando. E até os chefes zombavam, dizendo: G: A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo se, de fato, é o Cristo de Deus, o escolhido! N: 36Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre 37e diziam: G: Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo! N: 38Acima dele havia um letreiro: “Este é o rei dos judeus”. 39Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: L: Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós! N: 40Mas o outro o repreendeu, dizendo: L: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal. N: 42E acrescentou: L: Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado. N: 43Jesus lhe respondeu: P: Em verdade eu te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso. N: 44Já era mais ou menos meio-dia, e uma escuridão cobriu toda a terra até as três horas da tarde, 45pois o sol parou de brilhar. A cortina do santuário rasgou-se pelo meio, 46e Jesus deu um forte grito: P: Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito. N: Dizendo isso, expirou.


Todos se ajoelham e faz-se uma pausa.


N: 47O oficial do exército romano viu o que acontecera e glorificou a Deus, dizendo: L: De fato! Este homem era justo! N: 48E as multidões, que tinham acorrido para assistir, viram o que havia acontecido e voltaram para casa, batendo no peito. 49Todos os conhecidos de Jesus, bem como as mulheres que o acompanhavam desde a Galileia, ficaram a distância, olhando essas coisas. – Palavra da salvação.

Fonte https://www.paulus.com.br/


Reflexão - Evangelho: Lucas 19,28-40; Lucas 23,1-49

«Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!»


+ Fray Josep Mª MASSANA i Mola OFM

(Barcelona, Espanha)

Hoje, lemos o relato da Paixão segundo São Lucas. Neste evangelista, os ramos gozosos da entrada em Jerusalém e o relato da Paixão estão relacionados entre si, embora a primeira situação seja de triunfo e a segunda de humilhação.


Jesus chega a Jerusalém como rei messiânico, humilde e pacífico, em atitude de serviço, e não como um rei temporal que usa e abusa do seu poder. A cruz é o trono desde onde reina (não lhe falta a coroa real), amando e perdoando. Com efeito, o Evangelho de Lucas pode resumir-se dizendo que revela o amor de Jesus manifestado na misericórdia e no perdão.


Perdão e misericórdia que se revelam durante toda a vida de Jesus, mas que se fazem sentir de modo evidente quando Jesus é pregado na cruz. Quão significativas são as três palavras, pronunciadas na cruz, que ouvimos hoje dos lábios de Jesus!:


—Ele ama e perdoa até aos seus verdugos: «Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem (Lc 23,34).


—Ao ladrão que está à sua direita e Lhe pede que se recorde dele no Reino, também lhe perdoa e o salva: «Hoje estarás comigo no Paraíso» (Lc 23,43).


—Jesus perdoa e ama principalmente no momento da Sua entrega, quando exclama: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23,46).


É esta a última lição do Mestre desde a cruz: a misericórdia e o perdão, frutos do amor. A nós custa-nos tanto perdoar! Mas se fizermos a experiência do amor de Jesus que nos desculpa, nos perdoa e nos salva, não nos custará tanto olhar todos com uma ternura que perdoa com amor, e absolve sem mesquinhez.


São Francisco assim o exprime no seu Cântico das Criaturas: «Louvado sejas, Senhor, por aqueles que perdoam pelo Teu amor».


Pensamentos para o Evangelho de hoje

«Aprende porque é conveniente receber o Corpo de Jesus Cristo em memória da obediência de Jesus Cristo até a morte: para que os que vivem não vivam mais por si, mas pela vida dAquele que morreu e ressuscitou por eles» (São Basílio, o Grande)


«O Senhor não nos salvou com uma entrada triunfal ou através de milagres poderosos. Jesus esvaziou-se: renunciou à glória do Filho de Deus e tornou-se Filho do homem, para ser solidário conosco, pecadores. Ele se humilhou e o abismo da sua humilhação, que a Semana Santa nos mostra, parece não ter fundo» (Francisco)


«Jesus subiu voluntariamente a Jerusalém, sabendo perfeitamente que ali ia morrer de morte violenta, por causa da oposição dos pecadores (cf. Hb 12,3)» (Catecismo da Igreja Católica, nº 569)


Outros comentários

«Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor(Lc 19,38)»


Rev. D. Antoni CAROL i Hostench

(Sant Cugat del Vallès, Barcelona, Espanha)

Hoje, a Missa começa com a benção das palmeiras e a processão do ingresso no templo. Assim, o Domingo de Ramos relembra a entrada “triunfal” de Cristo-Rei na Cidade Santa, poucos dias antes de sua Paixão. É sua última e definitiva subida a Jerusalém: esta ascensão terminará na Cruz. Poucos dias antes, o Mestre ressuscitou Lázaro e na cidade havia uma grande expectativa.


Hoje Jesus se apresenta ante nós na condição de Rei. Esta vez sim, Ele permite que as pessoas o aclamem como Rei. A Sexta-feira Santa confirmará sua condição real ante Pôncio Pilatos, máxima autoridade civil do lugar. Mas, seu reinado não é mundano. Assim o fez saber ao governador e, assim nos o ensina hoje.


Efetivamente, Ele é Rei dos pobres: chega «montado num jumento, num burrico, filhote de jumenta» assim como anunciou o profeta Zacarias (Za 9,9). «Não chega em uma luxuosa carroça real, nem a cavalo, como os grandes do mundo, mas sobre o lombo de um jumento que lhe fora emprestado» (Bento XVI). E, é que Deus sempre agiu com suavidade: Quando chegou ao mundo (um estábulo, uma manjedoura, umas fraldas); quando “marchou-se” do mundo (um jumento, uma cruz, um túmulo). Tudo com total delicadeza, como para não nos assustar nem incomodar nossa liberdade.


Com este Rei «Sua palavra é de paz para as nações» e «vai dispensar todas as armas de guerra» (Za 9,10). Sim, Cristo converterá a cruz em “armas dispensadas”; a Cruz já não servirá como instrumento de tortura, burla e execução, senão como trono desde o qual reinará dando a vida pelos demais.


Finalmente, as multidões o recebem aclamando: «Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!» (Lc 19,38). Aquele dia seguramente foram alguns milhares; no século XXI somos muitos milhões as vozes que «vai de um mar até o outro, do rio Eufrates até a extremidade do país» (Za 9,10) lhe entoamos no “Sanctus” da missa. «Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana no céu».

Fonte https://evangeli.net/


Mons. José Maria – Domingo de Ramos

HOMILIA


Domingo de Ramos

Com a celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, a Igreja abre a Semana Santa. No Evangelho ( Lc 23,1-49)   vemos que o cortejo organizou-se rapidamente. Jesus faz a sua entrada em Jerusalém, como Messias, montado num burrinho, conforme havia sido profetizado muitos séculos antes (Zac. 9,9). Jesus aceita a homenagem, e quando os fariseus, que também conheciam as profecias, tentaram sufocar aquelas manifestações de fé e alegria, o Senhor disse-lhes: “Eu vos digo, se eles se calarem, as pedras gritarão.” (Lc 19, 40).


Nossa celebração de hoje inicia-se com o Hosana! E culmina no crucifica-o! Mas este não é um contrassenso; é, antes, o coração do mistério. O mistério que se quer proclamar é este: Jesus se entregou voluntariamente a sua Paixão; não se sentiu esmagado por forças maiores do que Ele (Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade: Jo 10,18); foi Ele que, perscrutando a vontade do Pai, compreendeu que havia chegado a hora e a acolheu com a obediência livre do filho e com infinito amor para os homens: “… sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).


Hoje Jesus quer também entrar triunfante na vida dos homens, sobre uma montaria humilde: quer que demos testemunho d’Ele com a simplicidade do nosso trabalho bem feito, com a nossa alegria, com a nossa serenidade, com a nossa sincera preocupação pelos outros. Quer fazer-se presente em nós através das circunstâncias do viver humano.


Naquele cortejo triunfal, quando Jesus vê a cidade de Jerusalém, chora! Jesus vê como Jerusalém se afunda no pecado, na ignorância e na cegueira. O Senhor vê como virão outros dias que já não serão como estes, um dia de alegria e de salvação, mas de desgraça e ruína. Poucos anos depois a cidade será arrasada. Jesus chora a impenitência de Jerusalém. Como são eloquentes estas lágrimas de Cristo.


O Concílio Vaticano II, G.S,nº 22, diz: De certo modo, o próprio Filho de Deus se uniu a cada homem pela sua Encarnação. Trabalhou com mãos humanas, pensou com mente humana, amou com coração de homem. Nascido de Maria Virgem, fez-se verdadeiramente um de nós, igual a nós em tudo menos no pecado. Cordeiro inocente, mereceu-nos a vida derramando livremente o seu sangue, e n’Ele o próprio Deus nos reconciliou consigo e entre nós mesmos e nos arrancou da escravidão do demônio e do pecado, e assim cada um de nós pode dizer com o Apóstolo: “Ele me amou e se entregou por mim (Gal. 2,20)”.


A história de cada homem é a história da contínua solicitude de Deus para com ele. Cada homem é objeto da predileção do Senhor. Jesus tentou tudo com Jerusalém, e a cidade não quis abrir as portas à misericórdia. É o profundo mistério da liberdade humana, que tem a triste possibilidade de rejeitar a graça divina.


Como é que estamos correspondendo às inúmeras instâncias do Espírito Santo para que sejamos santos no meio das nossas tarefas, no nosso ambiente? Quantas vezes em cada dia dizemos sim a Deus e não ao egoísmo à preguiça, a tudo o que significa falta de amor, mesmo em pormenores insignificantes?


A entrada triunfal de Jesus foi bastante efêmera para muitos. Os ramos verdes murcharam rapidamente. O hosana entusiástico transformou-se, cinco dias mais tarde, num grito furioso: Crucifica-o! Por que foi tão brusca a mudança, por que tanta inconsistência?


São Bernardo comenta: “Como eram diferentes umas vozes e outras! Fora, fora, crucifica-o e bendito o que vem em nome do Senhor, Hosana nas alturas! Como são diferentes as vozes que agora o aclamam  Rei de Israel e dentro de poucos dias dirão: Não temos outro rei além de César! Como são diferentes os ramos verdes e a Cruz, as flores e os espinhos! Àquele a quem antes estendiam as próprias vestes, dali a pouco o despojam das suas e lançam a sorte sobres elas.”


A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém pede-nos coerência e perseverança,aprofundamento da nossa fidelidade, para que os nossos propósitos não sejam luz que brilha momentaneamente e logo se apaga. Muito dentro do nosso coração, há profundos contrastes: somos capazes do melhor e do pior. Se queremos ter em nós a vida divina, triunfar com Cristo, temos de ser constantes e matar pela penitência o que nos afasta de Deus e nos impede de acompanhar o Senhor até a Cruz.


A Igreja nos lembra que a entrada triunfal vai perpassar todos os passos da Paixão de Cristo. Terminada a procissão mergulha-se no mistério da Paixão de Jesus Cristo: Em Is 50 4-7 descreve o Servo sofredor, na esperança da vitória final. Vemos nele a própria pessoa de Jesus Cristo. Em Fl 2,6-11 temos a chave principal de todo o mistério deste Domingo de Ramos: Jesus humilhou-se e por isso Deus o exaltou! No texto de  Mc 15,1-39, somos chamados a contemplar a PAIXÃO e a MORTE de Jesus. Que durante a Semana Santa possamos tirar muitos frutos da meditação da Paixão de Cristo. Que em primeiro lugar tenhamos aversão ao pecado; possamos avivar o nosso amor e afastar a tibieza!


Cabe a nós escolher com que atitude queremos entrar na história da Paixão de Cristo: com a atitude de Cirineu, que se coloca ao lado de Jesus, ombro a ombro, para carregar com Ele o peso da cruz; com a atitude das mulheres que choram, do centurião que bate no peito e de Maria que fica silenciosa ao pé da cruz; ou se queremos entrar com a atitude de Judas, de Pedro, de Pilatos e daqueles que “olham de longe” para ver como irá terminar aquele episódio.


Toda nossa vida é, em certo sentido, uma “semana santa” se a vivemos com coragem e fé, na espera do “oitavo dia” que é o grande Domingo do repouso e da glória eterna.


Neste tempo, Jesus nos repete o convite que dirigiu a seus discípulos no Horto das Oliveiras: “Ficai aqui e vigiai comigo” (Mc 14, 34; Mt 26,38).


 Mons. José Maria Pereira

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