domingo, 20 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 21.01.2013 - Vinho novo em odres novos


Evangelho (Marcos 2,18-22)
Segunda-Feira, 21 de Janeiro de 2013
Santa Inês

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?”
19Jesus respondeu: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar.
21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha; porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos; porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Vinho novo em odres novos

Nesta narrativa de Marcos, o destaque é a questão do jejum, uma das principais observâncias religiosas dos fariseus, que é mencionado seis vezes neste texto. Jesus, com seus discípulos, infringia esta prescrição legal, bem como a observância do sábado, conforme os evangelhos registram com freqüência. Em vez de aderir à tradicional doutrina da Lei que com seus preceitos oprimia e excluída o povo pobre e humilde, Jesus vem para libertá-los de todo jugo, civil ou religioso, e comunicar-lhes esperança, felicidade e vida.
O texto de hoje relata a terceira duma série de controvérsias com vários grupos judaicos, iniciada em Mc 2,1. Talvez surpreendentemente, a discussão de hoje se deu não somente com os fariseus, mas com os discípulos de João Batista. Marcos fala disso porque os discípulos de João formavam uma comunidade que sobreviveu à morte do Batista, sem dúvida até o segundo século da nossa era (cf. Jo 3,25). O motivo foi porque os discípulos de Jesus não davam grande importância ao jejum – uma prática que, ao lado da oração e da esmola era muita cara às tradições religiosas dos judeus. Alias, práticas também que continuavam – e continuam – a ter muito sentido para os cristãos de então, e de hoje, se bem com ênfases e expressões diferentes. O Sermão da Montanha, no sexto capítulo de Mateus (Mt 6,1-18), nos dá as orientações de Jesus sobre essas práticas, para evitar que caiam no formalismo e no vazio de serem somente práticas externas que não tocam no coração da pessoa humana. Atualmente na Sexta-feira Santa por exemplo, lotam-se os restaurantes de Curitiba para comer bacalhau caríssimo, uma vez que comer um bifezinho é proibido! E assim se cumpre a lei na letra mas não no espírito.
Mas no trecho de hoje, Jesus não se concentra sobre o jejum como tal, mas sobre o simbolismo de jejuar ou não no contexto das bodas, ou casamento. A imagem de banquete de casamento tinha conotações messiânicas e a referência a Jesus como o noivo tem esse sentido. Com a vinda de Jesus , chegou a hora do casamento, ou seja dum novo relacionamento entre Deus e as pessoas. Mas também neste texto, bem no meio das controvérsias, se faz uma alusão clara à Cruz, ao destino de Jesus, pois “vão chegar dias em que o noivo será tirado do meio deles. Nesse dia, eles vão jejuar”. A fidelidade à vontade do Pai, na pregação da novidade da chegada do Reino de Deus, levará inevitavelmente à morte, pois o velho sistema politico-religioso é incapaz de adaptar-se à grande novidade da Boa Noticia trazida por Jesus.
Por isso, Marcos termina o texto colocando duas frases sobre a relação entre o velho e o novo – o pano remendado e os barris de vinho. A Boa Noticia, com as suas conseqüências sociais e religiosas, é como um pano novo que não pode remendar roupas velhas, e como barril novo que preserva vinho novo. Para acolher Jesus e o seu projeto, é necessário acabar com estruturas arcaicas de dominação e de discriminação. Quem procurar salvaguardar esquemas antiquados e injustos não vai conseguir vivenciar a Boa Noticia. Jesus veio exigir mudança radical, tanto no nível individual como social. Não veio “remendar” mas trazer algo novo – um novo relacionamento entre as pessoas, com Deus, consigo mesmos e com a criação.
A presença de Jesus entre seus discípulos e no mundo é motivo de alegria. É o próprio Deus da vida e do amor presente entre nós, dispensando as práticas cultuais que são feitas em busca de um deus oculto e distante.
Com as sentenças sobre remendo novo em roupa velha e vinho novo em odres velhos fica afirmada a novidade do movimento de Jesus, que se diferencia fundamentalmente da antiga prática religiosa legalista.
O desafio continua hoje – como é tentadora “remendar”- somente fazer algumas mudanças que não atingem o cerne das estruturas de exploração, nem a sua raiz na nossa própria pecaminosidade. Por isso, a sociedade hegemônica, taxando-se muitas vezes de “cristã”, sempre procura cooptar o Evangelho e a Igreja, para que não tenha que mudar. Quando a cooptação e o suborno sutil não funcionam, parte para a perseguição – por isso Marcos desde já aponta para a Cruz. A sociedade moderna, com a sua grande arma nos Meios de Comunicação Social, continua essa cooptação, disseminando uma religião “água com açúcar” de “panos quentes”, dando espaço para movimentos religiosos intimistas e alienantes, enquanto cala a voz dos profetas, ignorando-os ou até matando-os, como o sangue dos mártires da América Latina muito bem testemunha. O Evangelho de hoje nos desafia para que façamos as mudanças radicais necessárias a fim de que possamos acolher a Boa-Nova. E então seremos odres novos que acolhem o Vinho Novo. E então seremos alvos da mensagem de Jesus: “Vinho novo deve ser colocado em odres novos” que são os nossos corações.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

sábado, 19 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 20.01.2013 - O Coração Imaculado de Maria está sempre atento às necessidades dos homens


Evangelho (João 2,1-11)
Domingo, 20 de Janeiro de 2013
2º Domingo do Tempo Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— PROCLAMAÇÃO do Evangelho de Jesus Cristo + segundo João.
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente.
2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.
3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.
5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.
9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”
11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
O Coração Imaculado de Maria está sempre atento às necessidades dos homens

Ano da Fé, Solenidade da Padroeira do Brasil – Nossa Senhora da Conceição Aparecida – e, no âmbito civil, dia das crianças. Quantas realidades que o Evangelho vem dar um sentido mais profundo. Mas para tal procuremos contemplar o Mistério de Cristo apresentado pela Boa Nova, segundo São João (Jo 2, 1-11).
Jesus encontrava-se no norte da Galileia, numa festa de casamento como os seus discípulos e a sua Mãe Santíssima. Uma festa que, até então, transcorria bem, até que uma anormalidade tendia marcá-la com tristeza, pois faltava vinho, o qual era um elemento festivo imprescindível àquela cultura. Mas a percepção de uma santa mulher e sua fé num filho, nada comum, abriu um rastro de esperança aos noivos e demais.
Aquela que nunca desconfiou do que Ele é capaz, fez o que era preciso… Por uma fé que operou naquele momento pela intercessão amorosa, disse ao Filho de Deus e seu: «Eles não têm vinho!» (v. 3). A resposta de Jesus a Sua mãe soa estranha, para um filho tão bem educado e não menos sensível às necessidades dos outros: «Mulher, para que me dizes isso? A minha hora ainda não chegou» (v.4). Noutra tradução, as palavras do Filho amado, causa ainda mais estranheza: «Por que te intrometes?».
No entanto, não tem como aquele Coração Imaculado passar ao lado da necessidade de tantos, assim como podemos dizer o mesmo do Coração Sagrado que acolheu tão amorosa e poderosa intercessão: «Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água!” E eles as encheram até à borda» (v.7).
O desfecho deste primeiro sinal, de uma série de sete sinais apresentados teologicamente pelo evangelista, apontou para a abundância da Nova e Eterna Aliança em relação à Antiga e foi eficaz para os discípulos do verdadeiro Noivo das Bodas Eternas: «Jesus o realizou em Caná da Galileia. Manifestou sua glória, e os seus discípulos creram nele» (v. 11).
Assim, a palavra do encarregado ao noivo, após experimentar – literalmente – o primeiro sinal de Jesus (cf. Jo 2, 10), inspira-nos uma oração, adequada aos homens e mulheres de todos os tempos, quando aos poucos vão procurando compreender o tempo de Deus em sua vida pessoal e na história da Salvação universal: “Senhor, apresentastes uma Aliança, onde muitos estavam já satisfeitos…mas deixastes para o final dos tempos o envio do Teu Messias, para uma Nova e melhor Aliança. Da água da purificação ritual, revelastes um “Vinho Sagrado”, sinal do cumprimento da superabundância prometida” (cf. Am 9, 13-14; Hb 1, 2-4).
Por isso, no Ano da Fé, precisamos também ficar sensíveis às necessidades uns dos outros. Mas da realidade a Jesus, do jeito da Mãe de Deus e segundo a Palavra que nos orienta: «Com os olhos fixos em Jesus, que vai à frente da nossa fé e a leva à perfeição» (Hb 12, 29).
Portanto, a Solenidade e devoção à Nossa Senhora da Conceição Aparecida, tornam propícias à Igreja e ao mundo contemporâneo aquela qualidade de testemunho desejado pelo Papa Bento XVI, para este Ano bendito e não só: «A renovação da Igreja realiza-se também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de fato, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou» (BENTO XVI, Porta Fidei, nº 6).
Irradiar esta Luz, principalmente às crianças é ser canal, sinal e presente de um amor intraduzível em apenas um dia do ano. Para tudo isto é preciso FÉ! Aproveitemos a graça própria deste Ano da Fé!
Padre Fernando Santamaría

Fonte: Canção Nova

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 19.01.2013 - Jesus e os excluídos


Evangelho (Marcos 2,13-17)
Sábado, 19 de Janeiro de 2013
1ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus saiu de novo para a beira mar. Toda a multidão ia a seu encontro, e Jesus os ensinava. 14Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu.
15E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam.
16Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores?”
17Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Jesus e os excluídos

Para os fariseus, era absolutamente escandaloso manter contatos com um pecador notório como Levi. Na época, um cobrador de impostos não podia fazer parte da comunidade farisaica; não podia ser juiz, nem prestar testemunho em tribunal, sendo, para efeitos judiciais, equiparado a um escravo; estava também privado de certos direitos cívicos, políticos e religiosos. Jesus vai demonstrar, àqueles que o criticam, que a lógica dos fariseus (criadora de exclusão e de marginalidade) está em oposição à lógica de Deus.
Os relatos evangélicos põem, com freqüência, Jesus em contacto com gente reprovável, com aqueles apontados pela sociedade como os cobradores de impostos e também com as mulheres de má vida. É impossível que os discípulos tenham inventado isto, porque ninguém da comunidade cristã primitiva estaria interessado em atribuir a Jesus um comportamento “politicamente incorreto”, se isso não correspondesse à realidade histórica. Não há dúvida de que Jesus “deu-se” com gente duvidosa, com pessoas a quem os “justos” preferiam evitar, com pessoas que eram anatematizadas e marginalizadas por causa dos seus comportamentos escandalosos, atentatórios da moral pública.
Certamente não foram os discípulos a inventar para Jesus o injurioso apelativo de “comilão e bêbedo, amigo de publicanos e de pecadores” (Mt 11,19; 15,1-2).
Tendo já chamado os quatro primeiros discípulos, Jesus agora encontra o coletor de impostos Levi. Por sua função, ele era um marginalizado pela sociedade religiosa judaica. Jesus não se volta para os marginalizados apenas para aliviá-los de seus sofrimentos e lhes restituir a dignidade, Ele os inclui também na colaboração de seu ministério, chamando alguns dentre eles como seus discípulos mais próximos. Sentando-se à mesa com os amigos de Levi, também marginalizados, Jesus afirma seu propósito de solidarizar-se com os excluídos e os pobres, causando escândalo entre os chefes religiosos do judaísmo.
Na perspectiva deste texto, Jesus é o amor de Deus que se faz pessoa e que vem ao encontro dos homens – de todos os homens – para os libertar da sua miséria e para lhes apresentar essa realidade de vida nova que é o projeto do “Reino”. A solicitude de Jesus para com os pecadores mostra-lhes que Deus não os rejeita, mas os ama e convida-os a fazer parte da sua família e a integrar a comunidade do “Reino”. É que o projeto de salvação de Deus não é um condomínio fechado, com seguranças fardados para evitar a entrada de indesejáveis; mas é uma proposta universal, onde todos os homens e mulheres têm lugar, porque todos – maus e bons – são filhos queridos e amados do Deus Pai. A lógica de Deus é sempre dominada pelo amor.
A “parábola da ovelha perdida” pretende, precisamente, dar conta desta realidade. A atitude desproporcionada de “deixar as noventa e nove ovelhas no deserto para ir ao encontro da que estava perdida” sublinha a imensa preocupação de Deus por cada homem que se afasta da comunidade da salvação e o “inqualificável” amor de Deus por todos os homens que necessitam de libertação. O “pôr a ovelha aos ombros” significa o cuidado e a solicitude de Deus, que trata com amor e com cuidados de Pai os filhos feridos e magoados; a alegria desmesurada do “pastor” significa a felicidade imensa de Deus sempre que o homem reentra no caminho da felicidade e da vida plena.
Jesus anuncia, aqui, a salvação de Deus oferecida aos pecadores, não porque estes se tornaram dignos dela mediante as suas boas obras, mas porque o próprio Deus se solidariza com os excluídos e marginalizados e lhes oferece a salvação. Encontramos aqui o cumprimento da profecia de Ezequiel que nos foi apresentada na primeira leitura. Deus vai assumir-se, através de Jesus, como o Bom Pastor que cuidará com amor de todas as ovelhas e de forma especial das desencaminhadas e perdidas.
O que está em causa na leitura que nos é proposta é a apresentação do imenso amor de Deus. Ele ama de forma desmesurada cada mulher e cada homem. É esta a primeira coisa que nos deve “tocar” nesta celebração. Deus é misericórdia. Interiorizamos suficientemente esta certeza, deixamos que ela marque a nossa vida e condicione as nossas opções?
O amor de Deus dirige-se, de forma especial, aos pequenos, aos marginalizados e necessitados de salvação. Os pobres e débeis que encontramos nas ruas das nossas cidades ou à porta das igrejas das nossas paróquias, encontram nos “profetas do amor” a solicitude maternal e paternal de Deus? Apesar do imenso trabalho, do cansaço, do “stress”, dos problemas que nos incomodam, somos capazes de “perder” tempo com os pequenos, de ter disponibilidade para acolher e escutar, de “gastar” um sorriso com esses excluídos, oprimidos, sofredores, que encontramos todos os dias e para os quais temos a responsabilidade de tornar real o amor de Deus?
Tornar o amor de Deus uma realidade viva no mundo significa lutar objetivamente contra tudo o que gera ódio, injustiça, opressão, mentira, sofrimento. Inquieto-me, realmente, frente a tudo aquilo que torna feio o mundo? Pactuo, com o meu silêncio, indiferença, cumplicidade com os sistemas que geram injustiça, ou esforço-me ativamente por destruir tudo o que é uma negação do amor de Deus?
As nossas comunidades são espaços de acolhimento e de hospitalidade, são um oásis do amor de Deus, não só para parentes e amigos, mas também para os pobres, os marginalizados, os sofredores que buscam em nós um sinal de amor, de ternura e de esperança?
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 18.01.2013 - Os teus pecados estão perdoados


Evangelho (Marcos 2,1-12)
Sexta-Feira, 18 de Janeiro de 2013
1ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

1Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar, nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 3Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7“Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. 8Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu íntimo, e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9O que é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’? 10Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados disse ele ao paralítico: 11eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama, e vai para tua casa!” 12O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Os teus pecados estão perdoados

Jesus está em casa, e novamente uma multidão lhe cerca. Multidão é o mundo que nos cerca hoje, com suas filosofias. Dentre ela estão aqueles que querem apenas ouvir, outros que querem ouvir para refutar, gente que está ali porque todo mundo também está. Enfim, existem pessoas que buscam Jesus pelos mais variados motivos.
Independente dos motivos, Jesus simplesmente os recebe, com sua simplicidade esmagadora, e apenas fala sobre o Reino de Deus. O que é o Reino de Deus pra Jesus senão o momento onde todos são incluídos, com suas diferenças, em uma só comunidade de aceitação. Jesus fala sempre de um Reino onde não há maior, menor, ou melhor, pois nele somos apenas um.
Naquele momento havia pessoas dos mais diferentes níveis, e que se viam diferentes uns dos outros. Em todo momento Jesus prega sobre um Reino onde todos são incluídos, e isso para pessoas que não se enxergavam como iguais.
Então entra o miserável paralítico. Seus amigos, que pelo simples fato de serem amigos de um doente já mostravam que não se viam melhores ou piores que o pobre paralítico. Apenas o levaram movidos por essa fé.
Mas não bastava apenas levar até a casa de Jesus, pois a casa estava cheia e o paralítico não podia entrar, assim como ele não podia ir ao templo, pois naquele “lugar santo” não havia espaço para sua “deficiência pecadora”.
Mas eles foram ousados. Não desistiram, acreditavam que Jesus era diferente, porque a mensagem dele era diferente, e aquele “pobre paralítico” tinha que ouvi-la. – “Então vamos fazer o impossível para que ele possa ouvir, pois esse Jesus é inigualável. A única saída é pelo teto, vamos correr o risco, pois esse Jesus é inigualável”.
Então esses homens passam o paralítico por uma brecha no telhado da casa de Jesus. Essa é a atitude de fé de quem entende que Jesus é único, inigualável e que aquele era um momento único na vida deles, principalmente na vida do paralítico.
Você queria motivo maior do que esse para que Jesus se admirasse da fé deles? A fé que faz com que Jesus se admire não é a fé no milagre da cura, mas a fé no milagre do Reino, a fé no milagre de que, no Reino, eu posso me aproximar com ousadia na presença de Deus sem intermediários. A fé que causa “espanto” em Cristo é a fé daqueles que entendem que a mensagem do Reino é inigualável, e quebra com todas as barreiras que separam. A fé que move a mão de Jesus é a fé de que no Reino todos são realmente próximos uns dos outros.
Por mais que naquele momento eles desejassem ver o amigo deles curado, a fé deles já os havia curado, pois eles entenderam a importância da mensagem do Reino. E então se preocupavam com a saúde, o bem estar de todos. Qual é a tua atitude ante aqueles que estão no pecado? De julgar e condenar? Ou de levar para Jesus afim de que Ele os cure e lhe perdoe os pecados?
A insistência sobre o tema do perdão dos pecados chama a atenção, na cena da cura do homem paralítico. Assim que Jesus o vê descer através de um buraco aberto no teto, declara que seus pecados estão perdoados. Esta declaração provoca alguns escribas que estavam por perto. Para eles, a palavra do Mestre soava como uma verdadeira usurpação de algo reservado exclusivamente a Deus. Portanto, Jesus era um blasfemo! A maneira como ele rebate a maledicência dos escribas é significativa: cura o paralítico para provar que “o Filho do Homem tem, na Terra, o poder de perdoar os pecados”. O gesto poderoso de cura parece insignificante diante do poder maior de perdoar os pecados. E Jesus, de certo modo, parece sentir-se mais feliz por perdoar os pecados do que por curar. Por quê?
O perdão dos pecados tem, também, uma função terapêutica. Trata-se da cura do ser humano na dimensão mais profunda de sua existência, ali onde acontece seu relacionamento com Deus. Sendo esta dimensão invisível aos olhos, as pessoas tendem a se preocupar mais com as dimensões aparentes de sua vida, buscando a cura quando algo não está bem no âmbito corporal. Jesus vê além, preocupando-se por libertar quem pena sob o peso do pecado, mais do que sob o peso da doença. O primeiro é muito mais grave. Permanecer no pecado significa viver afastado de Deus e correr o risco de ser condenado. Este é o motivo por que o Mestre, antes de qualquer coisa, quer ver o ser humano liberto de seus pecados.
Para os que diferenciam entre santos e pecadores, a atitude de Jesus no Evangelho de hoje era uma blasfêmia, já que aquele Jesus era um homem, e como homem não podia perdoar ninguém. – “Deus não pode aceitar esse paralítico de forma tão simples assim, isso é blasfêmia!”, pensavam os raivosos donos do poder religioso.
Todavia, na ótica do Jesus e na ótica do reino, nada havia sido tão simples assim, a aceitação de Deus vem da cura do coração, do arrependimento daqueles homens demonstrado pela fé nos princípios do Reino pregado por Jesus. A cura do arrependimento é mais séria e mais difícil que a cura do corpo.
Fazer o paralítico andar foi um sinal não para o paralítico, mas para todos nós que ainda não enxergamos a realidade do Reino. A cura física do paralítico era a representação terrena, carnal, física, daquilo que Deus, através da Sua palavra, haveria de fazer naqueles que com fé, esperança e confiança acreditam no Seu Filho muito amado.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 17.01.2013 - Jesus cura o leproso


Evangelho (Marcos 1,40-45)
Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2013
Santo Antão

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus, e de joelhos pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: “Eu quero: fica curado!” 42No mesmo instante, a lepra desapareceu, e ele ficou curado.
43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Jesus cura o leproso

Pouco a pouco o Evangelho de Marcos vai mostrando quem é Jesus. O episódio de hoje é o terceiro milagre recordado em vista desse objetivo.
Já vimos, na I leitura, a situação de marginalidade em que se encontrava o leproso. Essa situação era mais grave no tempo de Jesus, pois tudo girava em torno do puro/impuro. Quem controlava esse rígido código de pureza eram os sacerdotes. Cabia a eles declarar o que podia ou não podia ter acesso a Deus. Deus estaria sob o controle dos sacerdotes e do código de pureza.
O leproso certamente sabia disso. Sabia também que sua vida – e sua libertação da marginalidade – não dependiam do Templo e dos sacerdotes, pois estes só constatavam a cura ou a permanência da doença em seu corpo. Diante disso, o leproso toma uma decisão radical: não vai ao sacerdote, e sim a Jesus. Ajoelha-se diante dele e pede: “Se quiseres, podes curar-me”. Reconhece que o poder da cura que o tira da marginalidade não vem da religião dos sacerdotes, e sim de Jesus. Notemos outro aspecto importante: ao invés de ficar à distância e gritar sua marginalização, aproxima-se e manifesta sua adesão a Jesus enquanto fonte de libertação e vida: “Se quiseres, podes curar-me”. Viola a lei para ser curado.
Jesus quer curar o leproso de sua marginalização, devolvendo-lhe a vida. Para os homens daquele tempo, curar um leproso era sinônimo de ressuscitar um morto. Mas a ação de Jesus é precedida por uma reação. De acordo com a maioria das traduções, a reação de Jesus se traduz em compaixão. Algumas traduções, porém, em vez de ler “compaixão”, lêem “ira”. Jesus teria ficado furioso. Não certamente contra o leproso, mas contra o código de pureza que, em nome de Deus, marginaliza as pessoas, considerando-as como mortas. É contra esse sistema religioso que Jesus se revolta. E o transgride também.
De fato, acreditava-se que a lepra fosse contagiosa. Jesus quebra o código de pureza, tocando o leproso. Com isso, de acordo com o sistema religioso vigente, torna-se impuro: torna-se leproso e fonte de contaminação. Por exemplo no Lv 5,5-6, além de ficar impuro Jesus deveria oferecer um sacrifício!. Torna-se marginalizado e não poderá mais entrar publicamente numa cidade: deverá ficar fora, em lugares desertos, como os marginalizados. O Filho de Deus foi morar com os marginalizados. Aqui o Evangelho de Marcos mostra quem é Jesus: é aquele que rompe os esquemas fechados de uma religião elitista e segregadora, indo habitar entre os banidos do convívio social.
Curado o leproso, Jesus o expulsa. É esse o sentido da expressão “o mandou logo embora”. A expressão é forte e, ao mesmo tempo, estranha. Mas não é estranha se a lermos na ótica da ira de Jesus contra o código de pureza que marginaliza as pessoas: ele não quer que elas continuem vítimas de um sistema social e religioso que rouba a vida.
Jesus dá uma ordem ao curado: “Não conte isso a ninguém! Vá, mostre-se ao sacerdote e ofereça o sacrifício que Moisés mandou, como prova para eles!” Tudo leva a crer que a tarefa da pessoa curada consiste não em divulgar o milagre, mas em colaborar para que o código de pureza seja abolido. De fato, ele deverá se mostrar ao sacerdote para que este constate sua cura. Sinal de que a cura não depende do código de pureza, nem da religião do Templo. A expressão “como prova para eles” tem este sentido: o sacrifício serve como testemunho contra o sistema que o declarava um punido por Deus e banido do convívio social. O sacrifício tem, pois, caráter de denúncia e de abolição do código de pureza.
Não sabemos se a pessoa curada teve a coragem de testemunhar contra o sistema religioso que o mantinha na marginalidade. Marcos diz que o curado “foi e começou a contar e a divulgar muito o fato” (v. 45a). A reação a esse anúncio é evidente: Jesus não pode mais entrar numa cidade, pois, segundo o código de pureza, está contaminado e é fonte de contaminação. Todavia, de toda parte o povo vai procurá-lo, sinal de que está aberto um novo acesso a Deus. Deus, em seu Filho, pode ser encontrado fora, na clandestinidade, entre os que o sistema religioso e social discriminou.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 16.01.2012 - Jesus cura muita gente


Evangelho (Marcos 1,29-39)
Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2013
1ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então, a febre desapareceu; e ela começou a servi-los.
32À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era.
35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Jesus cura muita gente

Jesus andou por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, anunciando a boa notícia do Reino e curando as enfermidades e as doenças graves do povo.
No Evangelho de hoje vemos Jesus com a concisa precisão se dirige para uma casa. ”logo que saíram da sinagoga, foram… para a casa de Simão…”, o evangelista Marcos indica que Jesus descarta a sinagoga e afirma seu ministério no espaço da “casa”. É a casa o lugar onde se reúne a nova comunidade e que se torna o centro de irradiação da missão. Na “casa”, a mulher, libertada de sua exclusão, exerce a prática essencial das novas comunidades, que é o serviço. E é à porta da casa que se reúne a cidade inteira.
Jesus não se deixa reter por uma comunidade particular. Seu ministério missionário é dirigido amplamente a toda a Galiléia e aos territórios vizinhos. Por isso, Sua fama se espalhava por toda a região da Síria. Todo povo levava a Jesus pessoas que sofriam de várias doenças e de todos os tipos de males, isto é, epiléticos, paralíticos e pessoas dominadas por demônios; e ele curava todos. Grandes multidões o seguiam; eram gente da Galiléia, das Dez Cidades, de Jerusalém, da Judéia e das regiões que ficam no lado leste do rio Jordão.
A sogra de Simão estava com febre. Identificada à doença Jesus se aproxima dela e a cura. O que falta para que Ele cure também a sua doença? Identifique a tua doença, procure saber qual é e clame por Jesus. Se for o pecado, lembre-se de que não precisa explicação. Se você quer ser curado do pecado, ele só precisa ser reconhecido. Por favor, não jogue a culpa nos outros: Ah, eu pequei porque estava muito sozinho, porque meu marido me abandonou ou porque minha mulher me abandonou ou porque o meu pai não me compreende; eu estou nas drogas porque ninguém gosta de mim; ou eu bebo porque a sociedade é injusta; ou, sou homossexual por isso; ou eu faço isso por aquilo.
Enquanto você estiver tentando explicar, você nunca dará o primeiro passo. Se você quer ser curado, verdadeiramente curado, transformado, verdadeiramente transformado, só tem que dar um passo: dizer como o ladrão na cruz: Este não fez nada, mas nós sim, nós merecemos porque nós somos ladrões, nós fizemos mal.
Você já reconheceu qual é o seu problema? Talvez o seu problema não seja o dinheiro, não seja a saúde, nem o marido, nem a mulher, nem o filho, nem o pai. Talvez seu problema não seja o chefe, nem a inflação.
Talvez todas essas coisas sejam pretextos para esconder seu verdadeiro problema que tem raízes mais profundas.
Se você tomar consciência de sua situação, se a reconhecer e a aceitar, já deu o primeiro grande passo na recuperação. Mas existe muita gente que apesar de dar este primeiro passo, sente que nada muda. Por quê?
Em algum momento temos que parar, reconhecer nossa situação e clamar pedindo ajuda. Fale aí em seu coração com Deus. Fale: Senhor, o meu problema sou eu, os meus temperamentos, o meu caráter, não têm paciência, explodo por qualquer coisa. Não tenho sabido dominar meu temperamento. Este é meu problema. Meu problema não é meu patrão, nem que os outros tenham oportunidades; meu problema é o meu temperamento. Sou impontual, desorganizado. Este é o meu problema. E eu não tenho forças para sair desta situação sozinho, preciso de Tua ajuda, Senhor.
Vejam agora a resposta de Jesus a este ladrão. Ele disse: “Em verdade, em verdade te digo. Estarás comigo no paraíso.” Repare que, o ladrão somente pede: Lembra-te de mim, nada mais. Mas Jesus lhe diz: Eu te prometo que estarás comigo no paraíso. Nunca mais estarás sozinho, nunca mais abandonado, rejeitado, nunca mais passarás fome, nunca mais um ser querido morrerá. Você estará comigo para sempre, por toda a eternidade.
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

LITURGIA E HOMILIA DIÁRIA - 15.01.2013 - Cala-te e sai dele!


Evangelho (Marcos 1,21b-28)
Terça-Feira, 15 de Janeiro de 2013
1ª Semana Comum

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo +… segundo Marcos.
— Glória a vós, Senhor.

21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei.
23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o Santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele”!
26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “Que é isso? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.



HOMILIA
Cala-te e sai dele!

Com este gesto de expulsão do demônio, Jesus deixa-nos uma promessa e a certeza: Estes milagres acompanharam os que crerem: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas (Marcos 16,17). Por outra que também muitas coisas do mau podem influenciar o nosso dia a dia como por exemplo, a mentira, a inveja, o orgulho, a infidelidade com o irmão, a falsidade, etc. Tudo isso é ação do mal dentro de nós, se nos deixarmos ser conduzidos por estes sentimentos e por essas más inclinações ficaremos longes de Deus e ao ficarmos longe do Senhor o nosso dia tende a ser péssimo e se o dia é péssimo a semana também pode ser o mês e o ano podem ser péssimos.
No evangelho de hoje Jesus expulsa o mau de um homem. Trata-se de uma possessão e Jesus ordena para que o Espírito mau se cale e no mesmo instante o homem é liberto. Jesus nos deixou a graça de lutarmos contra o mau, quando percebemos que estamos agindo com o mau devemos também repreender esse mau dentro nós, quando começo a mentir, quando começo a sentir inveja de alguém, quando eu começo até mesmo a me desanimar e a me culpar eu devo dizer assim: Senhor Jesus em teu nome eu repreendo todo espírito de desânimo, mentira, inveja etc. Percebem que o nome de Jesus deve vir em primeiro lugar, assim evitaremos lutar diretamente contra o mal, por isso dizemos o nome de Jesus em primeiro lugar, pois assim colocamos Jesus a nossa frente, Ele mesmo vai combater o espírito mau que nos guia para fazer uma ação contra alguém ou contra nós mesmos, podemos também repreender em nome de Jesus todas as pragas lançadas contra nós, todos os olhares que são lançados contra nós dizendo: Senhor Jesus eu repreendo essas palavras e esses olhares.
O ensinamento de hoje é muito importante para o nosso dia a dia, devemos colocar Jesus à frente sempre, se não o fizermos assim acumularemos fracassos, derrotas atrás de derrotas porque estaremos aceitando o mau em nós e seu dia será ruim e assim sucessivamente, por isso Jesus nos disse que todos esses milagres acompanharão aqueles que acreditarem em seu nome, por isso a partir de hoje proclame o nome de Jesus na sua vida, em tudo repreenda a ação do mau e o inimigo fugirá de vós. Tiago 4,7.
A autoridade com que Jesus falava e realizava milagres chamava a atenção das pessoas. Embora houvesse muitos mestres e se tivesse notícia de indivíduos capazes de operar prodígios, ele se distinguia de todos os demais. Não era um milagreiro qualquer, nem um rabi como tantos outros. Em que consistia a sua originalidade?
As palavras e a ações de Jesus apontavam para algo que o superava. Não correspondiam àquilo que se podia esperar de um ser humano comum. Por exemplo, o modo como se defrontava com os espíritos imundos, e os submetia destemidamente, tinha algo de insólito. O segredo de tudo isto é que Jesus era detentor de um poder, recebido de Deus. Era o Pai mesmo quem agia por meio do Filho. Por isso, o povo percebia existir algo de especial no que ele fazia. O próprio Jesus afirmava não agir por conta própria, e sim, por iniciativa divina. Jamais dissera estar nele a fonte de seu poder. Antes, buscava sempre levar seus ouvintes e espectadores a atribuir a Deus tudo o que viam e ouviam. As ações do Mestre eram verdadeira revelação do Pai.
Ao constatar que Jesus ensinava, com autoridade, uma doutrina nova, as pessoas podiam reconhecer, logo, a ação de Deus no meio delas. E quando tu falas o que as pessoas reconhecem nas tuas palavras?
Padre Bantu Mendonça

Fonte: Canção Nova